ÁLBUM: THE DEVIL YOU KNOW
■ Gravação: 2008 –Rockfield Studios, Pais de Gales
■ Lançamento: 28/04/2009
■ Produtores: Ronnie James Dio, Tony Iommi, Geezer Butler e Mike Exeter
■ O álbum atingiu #1 na Parada Billboard US Top Hard Rock Albums
■ O álbum vendeu 30.000 cópias.
Faixas:
| 1- Atom And Evil - 5:15 | 6- The Turn Of The Screw – 5:02 |
| 2- Fear – 4:48 | 7- Eating The Cannibals - 3:37 |
| 3- Bible Black – 6:29 | 8- Follow The Tears – 6:12 |
| 4- Double The Pain – 5:25 | 9 – Neverwhere – 4:35 |
| 5- Rock And Roll Angel – 6:02 | 10 – Breaking Into Heaven – 6:53 |
Em 24 de abril de 2006, antes da última perna da turnê de Master of the Moon, Dio confirma em entrevista um projeto de coletânea de sua fase no Black Sabbath, com algumas inéditas, e que esteve em Londres com Tony Iommi para criação das músicas, que se desenvolveram muito bem. Em seguida desmente uma possível reunião com o Rainbow, dizendo que era ótimo que as pessoas ainda pensassem dessa forma, mas se houvesse alguma reunião com o Rainbow, ele não estaria envolvido. A seguir afirma que o novo álbum de sua banda seria com canções mais rápidas, porque ouvira comentários de seus fãs pedindo para que assim o fosse.
Antes do termino da turnê, ainda em 16 de agosto de 2006, Dio confirma já estar finalizando as composições de duas novas canções para a coletânea, que se chamaria Black Sabbath: The Dio Years. Neste momento o projeto se restringiria ao lançamento do álbum em estúdio e nada mais.
As notícias do novo lançamento do álbum com esta formação geram ofertas de realizações de shows. Em outubro de 2006, os já fortes boatos do retorno desta formação se tornam realidade com o anúncio oficial pela banda da confirmação da realização da tour em 2007. O grupo anuncia também que não se intitularia como Black Sabbath e sim se chamaria pelo título do seu primeiro álbum: Heaven and Hell. Os motivos para a troca de nome são vários, desde a recente e conturbada briga pelo nome Black Sabbath a outros diversos rumores, mas aparentemente o real era manter uma dissociação com a formação original e suas músicas, já que a tour iria conter apenas músicas da formação com Dio e a banda não gostaria de criar expectativas ao público sobre a execução de qualquer outra música de outra formação.
O “line-up” original previa a participação de Bill Ward na bateria, mas em novembro o próprio Bill confirma os relatos de que não iria participar deste projeto, e apesar de supostamente ter iniciado os ensaios e aparentemente gravado as novas canções com a banda, não se sente confortável para continuar. A escolha mais do que óbvia aponta para o baterista da segunda formação Dio/Sabbath,assim em dezembro Vinny Appice é trazido para o posto e iniciam-se as gravações para não duas, mas três inéditas do álbum. Neste ponto Vinny comenta sobre as três faixas dizendo ter recebido o material para ouvir – as canções com bateria eletrônica – o que traz dúvidas sobre a participação de Bill Ward anteriormente nas canções.
Em 14 de dezembro de 2006, Tony Iommi em entrevista comenta sobre as três novas canções: uma mais lenta e pesada, chamada Shadow Of The Wind, uma com andamento mais rápido – The Devil Cried, e uma ainda mais rápida chamada Ear in The Wall – e que nenhuma das três teve participação de qualquer teclado.
Em janeiro, Dio e Geezer anunciam no programa de Eddie Trunk na rádio que o tecladista da turnê seria o então ex-integrante da banda DIO, Scott Warren e o álbum Black Sabbath: The Dio Years iria ser lançado em abril de 2007.
Em fevereiro, em entrevista, Tony discute a possibilidade de um novo álbum completo com a formação Dio/Appice, não descartando a ideia, já que o sentimento ao criar as três novas músicas era que poderiam criar um disco inteiro. Nesta entrevista também se cita a possibilidade de gravação dos shows para um CD/DVD e os bastidores da ideia da reunião com Dio, surgida ainda em 2005 em tour com Ozzy, quando ele e Geezer chegaram a comentar como seria boa uma reunião com o baixinho para tocar as faixas de Heaven and Hell, Mob Rules e Dehumanizer.
A banda inicia os ensaios ainda em fevereiro e a seguir a turnê no Pacific Coliseum em Vancouver, Canada no dia 11/03/2007, com o seguinte set-list: E5150, After All (The Dead), The Mob Rules, Children of The Sea, Lady Evil, Ear In The Wall, I, The Sign of The Southern Cross, Voodoo, The Devil Cried, Solo de bateria, Computer God, Falling Off The Edge of The World, Shadow of The Wind, Die Young, Heaven and Hell, Neon Knights (BIS).
O primeiro single da coletânea sai em formato digital em 13 de março de 2007, The Devil Cried, com ótima receptividade de publico e crítica. O álbum Black Sabbath: The Dio Years sai em 3 de abril, quando a banda já se encontra em plena tour mundial que se desenvolveria por mais de 8 meses!
Faixas:
| 1- Neon Knights - 3:51 | 9 – Falling Off The Edge Of The World – 5:03 |
| 2- Lady Evil – 4:23 | 10 – After All (The Dead) – 5:42 |
| 3- Heaven And Hell – 6:59 | 11 – TV Crimes – 4:02 |
| 4- Die Young – 4:44 | 12 – I – 5:12 |
| 5- Lonely Is The Word – 5:50 | 13 –Children Of The Sea (ao vivo) – 6:12 |
| 6- The Mob Rules – 3:13 | 14 – The Devil Cried * – 6:01 |
| 7- Turn Up The Night – 3:42 | 15 – Shadow Of The Wind * – 5:40 |
| 8- Voodoo – 4:32 | 16 – Ear in The Wall * – 4:04 |
* Música inédita
A turnê de 2007 é um sucesso absoluto e abrangeria cem shows, no Canadá, Estados Unidos (duas pernas- em março/abril/maio e setembro/outubro), Suíça, Itália, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Holanda, Alemanha, Polônia, República Checa, Bulgária, Eslováquia, Grécia, Hungria, Áustria, Austrália, Nova Zelândia, México, Japão, Singapura e Reino Unido – finalizando-se em 18/11/2007.
Em 28 de agosto é lançado um CD/DVD do show no Radio City Music Hall, em 30/03/2007, chamado Live from Radio City Music Hall.
Até outubro de 2007, era sabido que esta formação finalizaria a turnê e se separaria a seguir, no entanto em janeiro de 2008 Tony Iommi confirma a procura por uma gravadora para a feitura de um álbum novo da banda e uma subsequente turnê de divulgação.
As gravadoras escolhidas foram: a Rhino Records, para distribuição para o mercado americano, e a Roadrunner Records, para o restante do mundo. Com o título de The Devil You Know o novo álbum conteria dez músicas inéditas. No disco os teclados seriam executados pelo co-produtor Mike Exeter, que era conhecido, entre outros, pelo trabalho com engenheiro de som no álbum The 1996 DEP Sessions, de Tony Iommi. Scott Warren permanece na banda para a tour com a banda.
Antes da gravação do álbum, Dio iria realizar uma última mini turnê com sua banda em maio/junho de 2008. A tour consiste de dez shows realizados na Europa, três deles em festivais na Noruega, Finlândia e Espanha. A formação do grupo DIO nesses últimos shows continha Craig Goldy (guitarra), Rudy Sarzo (baixo), Scott Warren (Teclados) e Simon Wright (Bateria). Os shows misturavam músicas da banda Dio e Rainbow, sendo retiradas as canções da fase Sabbath, confirmando que a formação Heaven and Hell continuava ativa. Seguem as músicas de um setlist típico da mini-tour: Holy Diver, Killing the Dragon, Don’t Talk to Strangers, Solo de bateria, Sacred Heart, Rainbow in the Dark, The Temple of the King, Kill the King, Solo de guitarra , Rock ‘n’ Roll Children, Man on the Silver Mountain, Catch the Rainbow, Long Live Rock ‘n’ Roll. Seguem abaixo trechos do último show da banda Dio, na Espanha em 21.06.2008.
A banda DIO ainda se reuniria uma última vez em 2009 para iniciar as gravações de um novo álbum, que, segundo informações iniciais, seria a continuação do álbum Magica. Na verdade, a intenção de Dio era gravar as partes 2 e 3 de uma trilogia, ou seja, as chamadas Magica 2 e Magica 3. Com Doug Aldrich no lugar de Craig Goldy grava apenas o single Electra, que participou da pesquisa do MHM, sendo eliminada logo na primeira etapa da votação. A música fez parte da coletânea Tournado Box Set, lançada no início de 2010 e também de outra coletânea lançada de forma póstuma em 2012, intitulada The Very Beast of Dio.
Voltando ao assunto principal deste post, o processo de gravação de The Devil You Know se inciaria antes da segunda tour de Heaven and Hell em agosto de 2008 que se chamaria The Metal Master Tour. Nessa sequência de shows com um setlist mais reduzido abrindo para o Judas Priest e com a presença de Motörhead e Testament, há o resgate de pérolas como abrir o show como Turn Up The Night tocada em 30/08/2013 em San Manuel Amphitheater, San Bernardino, CA, USA. Os 15 shows incluíam outras músicas devidamente resgatadas da “Dio Years”, como Lady Evil, I, Falling Off The Edge of the World, Time Machine, The Sign of The Southern Cross, Die Young e Voodoo.
O restante do ano é dedicado a descanso e finalização do álbum que seria lançado em 2009. O single Bible Black é lançado anteriormente em 30/03/2009 no rádio e a seguir no dia 31 em formato digital (itunes) e em mini cd com Neon Knight ao vivo retirado do show no Radio City Music Hall em 2007.
O álbum finalmente seria lançado em 28/04/2009, e atinge o primeiro lugar das paradas de Hard Rock da Billboard, o terceiro entre os álbuns de rock, e catapulta a tour de divulgação em grande perspectiva.
A marcante e forte capa do álbum é adaptada de uma pintura de Øyvind Haagensen chamada Satan. Os números 25 e 41, que aparecem na capa referem-se segundo Geezer a Bíblia – Mateus 25:41 que fala sobre o último julgamento, onde os que sentam ao lado esquerdo de Deus, iriam para o Inferno. Há uma capa alternativa que sai apenas na cadeia Walmart:
O CD sai com um making off em DVD, que mostra como entrosada estava a banda nas gravações do álbum.
A banda sai em tour novamente em 2009, por quatro meses, também cobrindo os locais que haviam faltado das duas pernas anteriores, como a América do Sul ( cinco shows no Brasil) e Rússia e traz novamente novidades no set list, como a intro de Country Girl e Die Young e as inclusões das novas Bible Black, Fear e Follow The Tears. Em grande parte dos shows a lotação da casa é esgotada e a receptividade é sempre excelente – banda participa dos grandes festivais da europa em 2009, entre outros o Rockpalast (Alemanha).
Além do Rockpalast, o grupo se apresenta no Graspop Metal Meeting (Bélgica), Gods of Metal (Itália), o Sonisphere Festival (Knebworth – Reuno Unido) e o Wacken Open Air (Alemanha), numa performance registrada em vídeo, que seria lançado oficialmente em 10 de novembro de 2010.
N.R.:
Em 2006 prever o retorno do Dio ao Black Sabbath era algo inimaginável para nós – afinal ninguém é futurólogo nesse blog – anyway… A situação, porém é facilmente explicável: as duas bandas estavam em situação nada animadora. A banda de Ronnie em um processo decrescente de criatividade, com os recentes álbuns sem grande repercussão e o Black Sabbath numa ridícula e estagnada situação desde 1997 – uma fórmula esgotada em poucos anos: os shows repetindo-se com as mesmas músicas, com participações em festivais (Ozz-fests e outros), setlists curtos, duas músicas inéditas em nove anos, que nem eram tocadas ao vivo, sem nenhuma perspectiva de um novo álbum, literalmente vivendo do passado nos últimos anos, desde reunião com Ozzy – ninguém aguentaria – talvez nem mesmo o dinheiro consegueria manter tanta mediocridade. O problema era retornar com a formação que havia brigado tão fortemente há anos anos atrás. Como resgatar o grupo com tantas mágoas?
Após a proposta da gravadora e um encontro de Dio com Tony Iommi, a velha e preciosa faísca estava de volta, e com uma diferença na maturidade dos membros, que resolveram esquecer os erros do passado e facilmente produziram treze músicas em dois anos. A facilidade e genialidade para compor grandes faixas era o que deveria manter este grupo sempre junto, infelizmente não era o que tinha acontecido. E pensar que preciosos anos foram perdidos em grande parte por interferências externas – o quanto isso nos deixa decepcionados – pensar que poderiamos ter tido uns quatro ou cinco discos a mais desta formação, que por causa de fatores como a dupla Mrs e Mr Sharon Money Osbourne – é muito triste.
Mas iríamos ter uma chance de aproveitar o que resulta do novo encontro desses quarto grandes músicos (Iommi, Butler, Dio, Appice). E resultado é óbvio – mais um grande disco.
Há um pouco de cada fase do grupo com Dio neste lançamento, a música de abertura Atom & Evil mostrando que o andamento marcado, e o timbre pesado característico de Dehumanizer estava resgatado. É uma excelente faixa que chegou a final da pesquisa do MHM, ouvir o solo de Iommi na faixa, com a cozinha Appice/Butler é de causar arrepios. O vocal de Dio, após o fim do solo, com a escala de Iommi em acompanhamento chega a nos causar lágrimas de alegria.
The Devil You Know tem outra inegável virtude, assim como o segundo album da banda, Mob Rules, traz um clima, neste caso soturno, que permeia a bolacha toda, e aí ponto a favor da produção, que nos detalhes (como por exemplo juntar as duas primeiras músicas, sem espaços entre elas) garante esse aspecto.
Temos em Fear mais uma grande faixa, destacamos o pré refrão, com voz dobrada do baixinho, novamente um trabalho impecável. A seguir a versão completa de Bilble Black (a vencedora da pesquisa do MHM) é bem superior a versão edit lançada dias antes, com a introdução e um solo que nos lembra Die Young do primeiro disco desta formação. A entrada do baixo e sinos pontuando o andamento, com Dio incialmente entrando suavemente e a mudança para o riff principal, onde Dio esbanja novamente a potência vocal pesada em acompanhamento da guitarra de Iommi, característica desta formação.
As músicas Double the Pain, Rock and Roll Angel e The Turn of The Screw nos trazem à lembrança um pouco da carreira solo do baixinho, mas bem fortemente marcada, pois a cozinha e a guitarra pesada de Iommi sempre trazem ganhos as composições fortes de Ronnie.
Em Follow the Tears há o uso do baixo de 5 cordas de Geezer, num riff bem pesado de Iommi, cujos teclados trazem o clima sortuno, criando um climax até a entrada da marcação da bateria que nos traz novamente a lembrança de Dehumanizer no riff principal, acompanhado pela melodia principal que avança até o marcante refrão – outra excelente música que foi incluída nos set lists da tour.
E Breaking Into Heaven finaliza de forma magistral o lançamento, sendo um dos destaques da bolacha, e a preferida de Alexandre B-side. A performance de Iommi no solo e de Dio, coroa de forma definitiva o grande lançamento da banda e o eterniza como o quarto grande álbum de estúdio desta formação.
E novamente um sonho realizado nos shows da tour brasileira, que tivemos oportunidade de acompanhar no Credicard Hall no Rio, em um momento inesquecível do encontro da galera do MHM.
Dio sempre considerou importante o time trabalhando junto e não individualismos destemperados. A banda Rainbow apesar dos excelentes discos e shows pertencia apenas a uma pessoa que pouco aceitava interferências (Blackmore) e a banda DIO girava muito apenas em torno da presenca do baixinho. Ao finalizar sua carreira com Iommi/Butler/Appice, Ronnie reencontra-se com sua banda favorita e produz mais um registro magistral, um prêmio para a sua carreira maravilhosa.
A seguir na discografia MHM teremos a abordagem dos álbuns ao vivo ao longo da carreira do baixinho da grande voz, até lá.
Flávio Remote e Alexandre Bside.
















































Comentários Recentes: