Cobertura Minuto HM – Andy Summers em SP – parte 3: review

Por Eduardo e Julio

Com a peculiar educação de um povo que vai a um teatro, era um pouco estranho estar por ali prestes a ver um cara como Andy Summers. Ao entrarmos no teatro, gostamos logo de cara: o local é realmente bacana, com bom espaço e acustica. O próprio Menescal comentou sobre o teatro, vocês verão mais abaixo.

Nos sentamos e após a devidas apresentações das companheiras, nos dirigimos para a frente do teatro para registrarmos aquele momento, poucos minutos antes do terceiro sinal para início da apresentação.

Eduardo

Eduardo

Julio

Julio

Logo após as fotos, no caminho de volta aos lugares, uma senhora nos questionou sobre o que seria o cumprimento utilizado pelo Julio e Eduardo (o popular Hang Loose e Devil Horn). Julgando ser apenas uma brincadeira, continuamos andando, mas a mulher insistiu. Para evitar desgastes, afirmamos ser um “cumprimento para os amantes do rock”.

Concluímos de maneira muito peculiar que a platéia era realmente composta não por apreciadores de Rock e sim Bossa Nova ou qualquer outro gênero.

Com o terceiro sinal, nos sentamos e sem delongas, Menescal e Andy Summer entraram e se sentaram. A reação do público em geral foi aplaudir. Já a nossa reação, totalmente espontânea e com jeito de “combinado”, de tão sincronizada, foi de rirmos, e muito. Andy Summers entrou no palco a 15 metros de nós e sentou-se do lado direito do palco, esquerdo do público, como se fosse “um qualquer”. Aquela cena ficará com certeza guardada em nossas memórias, bem como a risada espontânea: estávamos vendo um mito sentando-se ali, como se fosse uma rodinha de amigos mais íntimos.

O show foi aberto com bossa nova, predominante no show, como se esperava – tratava-se do show de divulgação do DVD “United Kingdom of Ipanema”. E aqui vai nosso primeiro aviso: somos ambos grandes ignorantes do movimento, apesar de respeitarmos com talvez o mais importante movimento musical puramente de nosso país. Pedimos desculpas aos que possam se sentir ofendidos com uma resenha que mal vai abordar determinados aspectos, mas aqui é um blog de metal e, assim, vamos focar nossos esforços no nosso assunto principal, que foi a participação de Andy e as músicas do The Police.

A dupla Summers – Menescal foi reforçada pela linda e poderosa voz da Cris Delanno, uma cantora brasileira mas de origem norte-americana. Ela se destacou bastante na apresentação e não se perdeu um nenhum momento, garantindo muita qualidade em algo que estávamos particularmente “com a pulga atrás da orelha”, que seria a forma como as músicas do The Police seriam executadas.

Antes de começarem a tocar, Andy Summers saudou a todos, de maneira muito bem treinada e humorada com “Oi, boa noite, tudo bem?”.

A primeira música da banda inglesa foi Roxanne, música lançada em 1978 pelo The Police e que durante diversos anos não chegou a fazer sucesso, já que a personagem principal (Roxanne) é uma prostituta e estrito código de conduta inglês à época não permitiria um sucesso baseado numa história de amor com uma profissional do sexo.

De qualquer forma, a melodia de Roxanne no show foi executada de maneira muito mais lenta, melosa, lembrando os experimentos quase acústicos de Sting no final dos anos 2000, os quais obviamente nunca incluíram Andy no conjunto.

Foi um merecido retorno. Era nítido para nós, que já estávamos muito perto da lenda viva, a maneira apaixonada e competente com que as notas eram executadas. E tudo de forma muito simples e tranqüila, como se estivesse na sala de sua casa.

Mais algumas músicas desconhecidas para nós, nas quais tivemos tempo de reparar nas discrepantes figuras da platéia. Na fileira do Eduardo, um tradicional roqueiro (cabeludo, barbicha com cavanhaque e braços cruzados) acompanhava com placidez de César as músicas nacionais.

E eis que após estas músicas nacionais, Andy emotivamente anuncia em bom português: “Agora o bicho vai pegar!”.

Era o começo de Every Little Thing She Does Is Magic! Também em ritmo mais lento, à Bossa Nova, a música empolgou a heterogênea platéia, embora pouquíssimos arriscavam acompanhar a letra da música. E aqui uma observação sobre o vídeo abaixo e os 2 que estão mais adiante: foram feitos de maneira totalmente improvisada e amadora, de um celular, portanto, a imagem deve ser DESCONSIDERADA: aumentem o som e esqueçam a tela quando estiverem curtindo a música.

A maneira como foi tocada lembrou muito a versão original: antes de despontar como The Police, Sting, Andy e Copeland formavam uma banda, acompanhados de Mike Howlett, denominada Strontium 90 (estrôncio 90, em alusão ao popular elemento radioativo). Aliás, Howlett foi o responsável por apresentar Andy a Sting e Copeland, em 1977. O primeiro e único LP desta formação, intitulado The Police Academy contava com Every Little Thing muito lenta e fácil de acompanhar todos os trechos da letra. Bem diferente de como seria popularizada pelo The Police anos mais tarde.

Após outra música desconhecida a nós, eis que chega o hit máximo do trio inglês: Every Breath You Take.

A música que, como diria nosso grande amigo Rolf, qualquer tecladinho Casio toca sozinho… Mais uma vez a platéia deixou se contagiar, mas agora com mais empolgação (mais pessoas conheciam a letra, constatamos isso… rs).

Findada a canção, foi hora de apresentar os integrantes e bater um papinho com a platéia. Andy explicou que a última vez que veio ao Brasil fora em 2007 justamente na apresentação do The Police no Maracanã, onde talvez algum dos presentes também tivesse comparecido (mal sabíamos o que estava para acontecer, continuem acompanhando a leitura…).

Menescal entrou em cena para confirmar que o projeto deles já estava fechado desde meados de 2006 mas que Andy precisou sumir por um tempinho, no começo de 2007, para fazer uma pequena turnê por aí, nas palavras do próprio músico. Ele estava se referindo à maior e mais rentável turnê musical do mundo em 2007/2008: o Reunion Tour do The Police, sic.

Mais um papinho sobre Rio, Ipanema e então a constatação: Menescal lamentou imensamente o fato de não existir um ‘teatrinho’,nestas próprias palavras, assim como os vários de São Paulo e nem mesmo a existência de um SESC descente naquela cidade. Concluiu com: “o Rio está muito atrás de vocês [paulistanos] mesmo”.

Mais algumas músicas à Bossa Nova e encerra-se a apresentação. A platéia insistiu bastante e então eles retornaram.

E retornaram nada mais nada menos do que com Message in a Bottle, do álbum Reggatta de Blanc (1979) do The Police e uma das mais famosas da banda. Nós acompanhamos extasiados.

E então, logo na sequência, um segundo tento de Every Little Thing… Desta vez no ritmo mais tradicional (Rock). Simplesmente maravilhoso. Todos estavam vibrantes, inclusive os músicos.

Cortinas fechadas e luzes acesas, saímos e nos deparamos com um movimento que dava a entender que rolaria uma sessão de fotos e autógrafos. Uma fila se formava para a compra do DVD e de outros souvenirs e uma outra fila já se formava do outro lado.

Eduardo questionou uma pessoa do Sesc sobre a tal sessão de fotos e autógrafos, sinalizada positivamente pelo funcionário do local. Assim, iniciou-se a busca por papel e caneta, já que o Julio estava com sua máquina em mãos. Uma pena não estarmos com itens da banda… nesse momento, temos que dar valor às grandes e pesadas bolsas das mulheres, onde logo aparece um caderninho e aquela canetinha.

Sim, realmente, a noite estava repleta de anjos para abençoar o evento…

A organização e a educação do público devem ser ressaltadas com louvor, pois tudo correu super bem. Logo víamos Andy Summers, Menescal, Cris e os outros membros chegando. Andy se sentou e atendeu a todos com muita simpatia.

Na nossa vez, a primeira foi a Carla, namorada do Julio.

Carla e Andy Summers

Carla e Andy Summers

Na vez do Julio, Andy reconheceu a camiseta do histórico show de 2007 no Maracanã e ficou olhando enquanto ele se aproximava da mesa. Como estava sentado, Summers mencionou que então deveria ficar em pé para a foto, bem no momento em que o Eduardo abaixava para registrar. Um impasse. Abrindo um grande sorriso, Andy ficou abaixando e levantando para brincar conosco, até que parou de pé ao lado do Julio e disse, em inglês: “Hmmm, você é um dos que estava lá!” ao que foi respondido com uma nova pergunta, desta vez do próprio Julio “Sim, você não lembra de mim?” e Andy: “Ah sim, você estava na fileira 600 e pouco não é?”.

Após diversos risos e soletrar J-U-L-I-O (nome não muito comum para ingleses), enquanto autografava, Andy foi questionado mais uma vez, agora sobre qual sua música preferida para tocar ao vivo, onde respondeu: “Parece cliché mas é ‘Message in a Bottle’ ”.

Julio e Andy Summers

Julio e Andy Summers

Trocando de posição, Julio assumiu a máquina e Eduardo ficou ao lado. Este foi o momento mais tenso de toda a noite para o Julio pois de tão emocionado, tremia deveras e estava com receio enorme de estragar a foto de Eduardo. Mas felizmente, isto não aconteceu.

Por fim, o Eduardo trocou algumas palavras com ele, agradeceu a simpatia e elogiou o show. Soletrou seu nome e conseguiu seu autógrafo e foto com o guitarrista.

Eduardo conversando com Andy Summers no momento do autógrafo

Eduardo conversando com Andy Summers no momento do autógrafo

Eduardo e Andy Summers

Eduardo e Andy Summers

Saíamos de lá sem conseguirmos acreditar em tudo. Aliás, até agora estamos meio em estado de choque.

A organização e educação do público para conversar com Andy Summers

A organização e educação do público para conversar com Andy Summers

Uma noite inesquecível em todos os sentidos.

Roberto Menescal e Andy Summers – United Kingdom of Ipanema

09/fevereiro/2011 – 21h00 – Teatro do Sesc Pinheiros, São Paulo.

Setlist” (músicas que pudemos identificar):

01 – ? (instrumental)

02 – ? (instrumental)

03 – Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) (*)

04 – Roxanne (The Police)

05 – ?

06 – Samba de uma Nota Só (Tom Jobim)

07 – Every Little Thing She Does is Magic (The Police), ritmo de bossa nova

08 – ?

09 – Every Breath You Take (The Police)

(Solo baixo e percussão)

10 – ?

11 – A Felicidade (Vinícius de Moraes) (*)

12 – Garota de Ipanema (Vinícius de Moraes / Tom Jobim)

13 – De Do Do Do, De Da Da Da (The Police)

14 – Chega de Saudade (Tom Jobim / Vinícius de Moraes) *

BIS

15 – Message in a Bottle (The Police)

16 – Every Little Thing She Does is Magic (The Police), executada de forma mais “tradicional” (rock)

17 – ?

(*) não é certeza!

Fiquem abaixo com o slideshow das nossos fotos. Ainda indico este link para fotos com qualidade profissional.

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Agradecimento final a Alê, pela ajuda com a parte nacional de algumas das músicas… :-)

[ ] ‘ s,

Eduardo e Julio.



Categories: Artistas, Cada show é um show..., Curiosidades, Entrevistas, Resenhas, The Police

6 replies

  1. Muito boa a resenha como todo o desenrolar do show e pós show! A voz brasileira também é bastante agradável nas execuções dos clássicos do Police. Parabéns a dupla por nos trazer um pouco da qualidade que vocês puderam presenciar por lá !

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  2. Edu e Julio, gostei muito da cobertura do Andy Summers em SP. O que acho interessante do Minuto HM é a excelente descrição histórica da banda e/ou artista e do evento. Lendo, temos a sensação de que estamos no local com vocês. Muito bom. Parabéns, bj Kenia

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  1. Documentário: Raul – O Início, o Fim e o Meio « Minuto HM

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