Kiss discografia 11a parte – Álbum: Gene Simmons

Nesse post abordaremos o 2º e mais estranho dos quatro discos solos:

Álbum: GENE SIMMMONS

A capa do vinil - mantendo o padrão dos discos solo com fundo em vermelho.

A capa do vinil mantem o padrão com fundo em vermelho é a de maior impacto entre todos os solos.

Lançamento: 18/09/1978

Produtores: Sean Delaney e Gene Simmons

Primeiro Single: “Radioactive”

RIAA Gold Certification em  18/09/78 (Data de Lançamento)

RIAA Platinum Certification em 18/09/78 (Data de Lançamento)

Atingiu 22º lugar nas paradas americanas.

Faixas:

1- Radioactive – 3:51 6- Living In Sin – 3:51
2- Burning Up With Fever  – 4:22 7- Always Near You/Nowhere To Hide – 4:12
3- See You Tonite – 2:28 8- Man Of 1000 Faces – 3:!7
4- Tunnel Of Love – 3:53 9- Mr Make Believe – 4:02
5- True Confessions – 3:30 10-See You In Your Dreams – 2:49
11-When You Wish Upon A Star – 2:43
A contracapa e o cd na versão remaster - uma edição caprichada

A contracapa e o cd na versão remaster - uma edição caprichada

Para a gravação do seu disco solo, Gene escolhe inicialmente o estúdio The Manor, em Oxford – Inglaterra e o produtor Sean Delaney, no início de abril de 1978.  Na verdade, segundo Sean, os créditos da produção do disco não estão corretos, pois Gene exigiu que seu nome fosse colocado como co-produtor, mas não participou em nada desta tarefa.  O conceito principal do álbum solo de Gene era trazer o máximo de convidados especiais para o disco.  A lista extensa de convidados incluiu Joe Perry – Guitarra em “Radioactive” e “Tunnel of Love”, Bob Seger – Backing Vocals em “Radioactive” & “Living in Sin” , Rick Nielsen – Guitarra em “See You In Your Dreams” , Helen Reddy – Backing vocals em “True Confessions” , Jeff ‘Skunk’ Baxter – Guitarra em “Burning Up With Fever”, “See You Tonite”, “Tunnel of Love” e “Mr. Make Believe”, Donna Summer – Backing vocals em “Burning Up With Fever” , Janis Ian – Backing vocals no “Preludio de Radioactive” , Cher (namorada de Gene na época) – voz no telefone em  “Living In Sin”

E mais, Michael Des Barres – Backing Vocals em “See You In Your Dreams” e além Gordon Grody, Diva Gray, Kate Sagal (que depois participou da série televisiva americana Married With Children como Peg Bundy), Franny Eisenberg, Carolyn Ray, Sean Delaney fazendo Backing Vocals no álbum todo. Há ainda rumores de que Gene teria tentado reunir os quatro Beatles no trabalho, e que havia conseguido a confirmação de três deles, porém Ringo Starr não aceitou. A participação dos Beatles não seria de se estranhar, pois ao invés de tentar trazer uma sonoridade próxima ao que vinha fazendo no Kiss, Simmons tem em seu solo diversas músicas cujo estilo ninguém poderia imaginar que seriam gravadas por ele, inclusive várias músicas mais no estilo folk/acústico, onde a participação de qualquer dos Beatles estaria muito adequada. 

Além da extensa lista de convidados, há também uma extensa lista de agradecimentos na contracapa do álbum.

No encarte do cd - o poster que compõe o mural quando integrado aos dos outros solos

No encarte do cd - o poster que compõe o mural quando integrado aos dos outros solos

O disco solo de Gene tem uma outra particularidade:  de todos os discos solos é o único onde o membro do Kiss não toca seu instrumento original. Gene Simmons resolve tocar as guitarras do álbum, o baixo ficou a cargo de Neil Jason e completando a cozinha o baterista Allen Schwartzberg – músicos que participam de todo o álbum. As justificativas de Gene sobre o fato são que não há necessidade de um membro tocar apenas um instrumento e que nos álbuns do Kiss existem outras situações onde os membros gravam outros instrumentos que não os de origem. Afirma também que o objetivo de tocar a guitarra era para não fixar atenção em um instrumento ou outro e sim no trabalho como um todo.  Outro fato diferenciado do álbum é que dos 4 álbuns solos é o único onde há uma regravação de uma música que já havia feito parte de um outro álbum da Banda:  “See You In Your Dreams” (previamente gravada para o álbum ROCK AND ROLL OVER), pois o mesmo não ficou satisfeito com a primeira versão no álbum da banda. Em verdade, Gene desejava regravar outras músicas, curiosamente do mesmo álbum: “Love ‘Em And Leave ‘Em” e “Ladies Room”, mas foi demovido da idéia. Gene tinha muito material para fazer o álbum, tal como a música Man Of A Thousand Faces que tinha sido descartada na gravação de DRESSED TO KILL em 1975, cujo título seria utilizado na própria produtora de Gene muitos anos depois. Outro destaque inusitado que finaliza o álbum é a regravação da música tema do desenho Pinóquio – “When You Wish Upon A Star”, justificada por Gene como a sua favorita e por conter uma das letras com grande força, que se aplicaria a qualquer pessoa, mostrando que quando você deseja algo com muita vontade, seu sonho se transforma em realidade, o que retrata um pouco da estória de Gene, que chegou a América sem recursos e aprendeu inglês principalmente com os desenhos da Disney. O resultado do solo de Simmons não agrada totalmente os demais integrantes do KISS (exceto Peter, que atribuiu nota máxima a todos os álbuns solos ): Paul Stanley avalia como 2/5 e Ace Frehley cota o trabalho como 3/5.

A contracapa do vinil brasileiro - dedicatória aos outros membros do grupo e extensa lista de agradecimentos (embaixo).

A contracapa do vinil brasileiro - dedicatória aos outros membros do grupo e a lista de agradecimentos (embaixo).

O produtor Sean Delaney afirma ter tido muito trabalho em reunir todos os convidados que Gene recrutou para gravar o álbum, e conviver com todos. Alguns criavam uma série de dificuldades inerentes a suas posições estelares, em particular Donna Summer que durante as sessões resolveu reclamar de uma série de coisas em alemão para seu produtor em uma conversa telefônica, sem saber que Sean entendia o que ela falava, pois havia morado por mais de um ano e meio na Alemanha. A finalização do álbum se dá em junho e julho de 1978 respectivamente nos estúdios Cherokee em Los Angeles e Blue Rock em Nova Iorque.

Na edição caprichada remaster a resenha do álbum também mantem o padrão vermelho.

No cd remaster a resenha do álbum também mantém o padrão vermelho.

A parte gráfica do álbum é um destaque, mantendo o padrão dos outros discos, mas com certeza é a de maior impacto entre todos, e mostra Gene em fundo vermelho, cuspindo sangue, em pose adequada a forte figura demoníaca de seu personagem, e provavelmente foi um dos motivos do sucesso do álbum, que é o que atinge melhor posição dos álbuns solo – 22º lugar. O single Radioactive (que seria tocado na turnê do álbum posterior do Kiss e ainda assim num medley com uma música do solo de Paul Stanley), porém não obtém o mesmo sucesso chegando apenas a 47ª posição.

O vinil da edição brasileira - uma edição simples

O vinil da edição brasileira - uma edição simples

N.R. : Gene Simmons que sempre foi um dos membros mais interessados em que o grupo se mantivesse unido,  talvez tenha encarado a empreitada dos discos solos como apenas uma oportunidade para experimentações, e pela fase da banda, o álbum venderia bem de qualquer maneira, mesmo sem nenhum compromisso com o estilo do grupo. O resultado é algo que talvez não se possa levar muito a sério e talvez por isso seja tão difícil classificá-lo. É um álbum que se destaca mais pelo merchandising, pela capa, pelos convidados especiais, do que propriamente pelo conteúdo.

 Porém existem algumas coisas interessantes que mantém o álbum ainda vivo.  Radioactive, depois da introdução típica de um filme de terror (estilo que Gene é fã) é um rock na essência sem maior compromisso.  Burning Up With Fever (onde não havia menor necessidade dos tais backing vocals de Donna Summer) também é um boa faixa.  Nota-se um certo esmero na produção, com a inclusão de arranjos orquestrados – refletindo que Gene apreciava o trabalho mais caprichado, mais alinhado com o produtor Bob Ezrin (DESTROYER) do que os álbuns prévios com Eddie Kramer (ROCK AND ROLL OVER e LOVE GUN). A regravação de See You In Your Dreams de ROCK AND ROLL OVER, que reflete essa insatisfação também, porém parece totalmente desnecessária não acrescentando muito à original. Percebe-se a citada influência dos Beatles em Gene, nas músicas Mr. Make Believe e Always Near You/Nowhere to Hide e See You Tonite que seria resgatada anos depois no projeto KISS UNPLUGGED. Por fim, fechando o álbum, a mais estranha regravação de todos os álbuns do Kiss: “When You Wish Upon A Star”, justificada pelo apelo emocional a Gene, é excelentemente bem executada e extremamente bem cantada, mas se enquadraria mais a um álbum de Henry Mancini que de um membro do Kiss.  Na próxima semana abordaremos um álbum solo mais sério: PAUL STANLEY.

Flávio Remote e Alexandre Bside.



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19 replies

  1. A grande baixa desse álbum com certeza é a regravação de “See you in your Dreams”…..o Gene bem que poderia ter incluido “Mad Dog” em seu lugar. Uma ótima demo gravada em 1976 com o riff do pós refrão de Flaming Youth….

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  2. Concordo, seria muito melhor . A versão de See you in your Dreams nada acrescenta a original, sobretudo pelos corais femininos exagerados (Aliás,esta música não é das mais felizes composições de Gene Simmons ,na minha opnião)

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  3. Mais um excelente post. Acabei de ler (estou atrasado, confesso) e aprender mais um pouco dessa fase solo que está se “clareando” para mim…

    Dei uma editada, como sempre, em pequenos erros e inseri um link para o Gene Simmons – acho que pouca gente sabe que ele não é norte-americano…

    [ ]’ s,

    Eduardo.

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  4. Minuto “Caras” HM: o linguarudo, que recentemente ficou noivo de sua companheira de longa (e bota longa nisso) data, Shannon Tweed, agora não perdeu mais tempo e vai finalmente oficializar o relacionamento, casando-se…

    Fonte: http://whiplash.net/materias/news_847/137346-kiss.html

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  5. engraçado que no meu post sobre o show do kiss, quando eu me referi ao judeu Gene eu queria dizer que ele era israelense, mas fui mal no comentario

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  6. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. Mensagem de Gene Simmons sobre o falecimento da Donna Summer:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  9. Honestamente? As fotos mostram o Gene Simmons completamente sem noção do que fazer com tanto dinheiro… Achei ridículo quase tudo que vi lá … É mais ou menos como o disco, que tem oitocentos milhões de convidados e um falta de coerência e consistência que só tem par no seu segundo álbum solo, esse ainda pior…
    Mas eu não tinha visto estas fotos , e foi bem legal trazer o material por aqui, Eduardo..
    Só corrobora o que pensava… tremenda falta de foco…

    A regravação da canção eu gosto, no entanto… Ficou muito boa e o Gene quando quer e se empenha, pode trazer vocais inquestionáveis :

    Alexandre

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  10. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  11. Gene Simmons também ( assim como Peter e Ace recentemente) andou atacando solo. Algo raro, diga-se de passagem. E no set list, várias canções pouco ou nunca tocadas pelo linguarudo. Algumas, talvez, nunca mesmo tocadas, em em estúdio, no máximo cantadas…

    -Charisma ( do Dynasty)

    -Got Love for Sale ( do Love Gun)

    -Almost Human ( Love Gun também)

    Na minha opinião, uma banda e platéia privilegiada se divertindo e um Gene SImmons cumprindo tabela e pensando nas cifras ( não as musicais, é claro..). As versões são boas, a voz está excelente, e fora uma ou outra escorregada tudo correu bem . As escorregadas são ( em especial em Charisma, onde ele pouco sabe da letra)…. de Simmons, é claro.

    Alexandre

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  12. Muito maneiro! A banda é bacana! Achei legal manterem os solos bem próximos dos originais de. As tropeçadas na letra é até engraçado. Ainda bem que banda sustenta.
    Eles tocam Parasite com um fan de uns 17 anos no palco! É hilário!

    Lembro de quando comprei o solo do Gene e gostava de colocar a introdução de Radioactive para assustar minha irmã que tinha uns 7 anos kkkk.

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  1. 26º Podcast Minuto HM – 16/dezembro/2016 – Minuto HM

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