Kiss discografia 14a parte – Álbum: Dynasty

Galera,

Neste capítulo, mostraremos o KISS em seu retorno aos álbuns de estúdio, após os lançamentos dos trabalhos solos :

ALBUM: DYNASTY

O Vinil de Dynasty - O retorno do Kiss

O Vinil de Dynasty - o retorno do Kiss

Lançamento: 23/05/79

Produtores: Vini Poncia

Primeiro Single: “I Was Made For Loving You” – em 05/79

Segundo Single: “Sure Know Something” – em 08/79

RIAA Gold Certification em 05/79

RIAA Platinum Certification em 05/79

Atualmente vendeu mais de 3.000.000 de exemplares

Atingiu #11 nas paradas

A edição do cd remaster com a resenha em inglês

A edição do cd remaster com a resenha em inglês

Faixas:

1- I Was Made For Lovin’ You – 4:33 5- Charisma – 4:25
2- 2,000 Man – 4:56 6- Magic Touch  – 4:42
3- Sure Know Something – 4:01 7- Hard Times – 3:31
4- Dirty Livin’ – 4:27 8- X-Ray Eyes – 3:46
9- Save Your Love – 4:40

No início de 1979, após os lançamentos dos álbuns solos, a banda retorna para os estúdios na tentativa de manter o sucesso absoluto que vinha fazendo. Em uma estratégia de marketing sem precedentes, tanto o disco quanto a turnê naquele ano são enfatizados categoricamente como o retorno do KISS. O que existia na verdade era uma banda em rota de colisão, dado ao desgaste de relacionamento entre seus integrantes no meio da montanha russa de atividades que o sucesso os levava. O primeiro sinal de desgaste é dado por Peter Criss que aparentemente faz questão que o disco seja produzido por Vini Poncia, o produtor de seu álbum solo. A especialidade de Poncia numa linha mais pop agrada à banda, que pretende fazer deste DYNASTY uma experiência no estilo “disco“, em moda na época. A gravadora Casablanca tinha a maioria do seu cast composto de diversas estrelas do ritmo, como Donna Summer, o que pode ter colaborado com a decisão da banda de buscar novos horizontes.

Na contracapa do vinil - a ordem das musicas não corresponde a sequencia do álbum

Na contracapa do vinil - a ordem das músicas não corresponde a sequência do álbum

Peter Criss, porém, tem outros problemas: depois de passar um acidente de carro, que a gravadora conseguiu manter em segredo e terminar seu casamento com Lydia Criss, continua a sofrer com abuso de drogas, e seu estado físico e principalmente mental não permitem que possa gravar o álbum.  Devido ao prazo sempre apertado de entrega do trabalho e buscando uma solução que já havia sido feita anteriormente nas ausências de Ace Frehley, o grupo resolve gravar o álbum com um baterista de estúdio, e a melhor opção é chamar Anton Fig  (atual Dave Letterman) que já havia gravado o álbum solo de Frehley.

O poster de dynasty não está incluso na edição brasileira do vinil, sendo resgatado no cd remaster.

O poster de Dynasty não está incluso na edição brasileira do vinil, sendo resgatado no cd remaster.

A gravação do álbum mostra um conjunto em plena separação. Peter Criss apenas grava a bateria e o vocal de Dirty Livin’, sua última música cantada no KISS até o retorno quase 20 anos depois. Gene Simmons sofre um distanciamento criativo em DYNASTYe apenas canta 2 músicas e somente nestas, além de Dirty Livin’, se encarrega de gravar o baixo. O crescimento de Ace Frehley na banda é notório, pois neste álbum ele canta mais músicas que Gene e as mesmas 3 que Paul Stanley canta. O baixo nas faixas cantadas por Ace é feito por ele mesmo, assim como Paul Stanley grava os baixos das músicas de sua autoria. O solo de guitarra em Sure Know Something também é de Stanley. Ou seja, o trabalho de banda se limita a Dirty Livin’.

O single em vinil (francês) - I was made for lovin´you - o fundo evocando o estilo Disco

O single em vinil (francês) - I Was Made For Lovin´you - o fundo evocando o estilo Disco

Em 23 de maio o álbum é lançado, tendo a música “disco” I Was Made For Lovin’ You, primeira das muitas parcerias de Paul Stanley com Desmond Child durante toda a carreira do KISS, como carro-chefe.

A arte gráfica do trabalho traz novamente uma foto de estúdio da banda , a primeira desde Dressed To Kill. A sessão de fotos também é bastante conturbada e o que parece ser uma foto da banda junta na verdade é uma sobreposição de fotografias individuais (ou em dupla) num fundo preto. Ace também apresenta problemas com a maquiagem em volta de seus olhos, e tem de alterar o tipo de maquiagem no local.  A produção é caprichada e traz um pôster encartado em seu interior. Apesar de todos os percalços, o disco dá certo e atinge disco de ouro e platina ainda em maio de 1979. O single I Was Made For Lovin’ You atinge o nono lugar nas paradas e é sucesso em todo o mundo.  O outro single, Sure Know Something, porém, fracassa, chegando apenas ao quadragésimo-sétimo lugar. 

A cotação da banda sobre DYNASTY é de mediano para baixo. Ace, que está muito mais presente no álbum, avalia como 3,5/5, embora tenha reservas ao estilo “disco” que o conjunto buscou, notoriamente suas músicas são mais próximas da linha que anteriormente faziam. Peter Criss, apesar da ausência, dá 3/5. Paul Stanley e Gene Simmons, cientes da cartada duvidosa que optaram, avaliam como 2/5.

No encarte do cd remaster há a menção ao Kiss Army

No encarte do cd remaster há a menção ao Kiss Army

Se o disco é um sucesso, não se pode dizer o mesmo da turnê: com um custo avaliado em 1 milhão de dólares por concerto, os shows não se pagam e demoram 17 horas para serem montados,  inviabilizando um intervalo menor entre cada apresentação.  Eles começam no dia 14/06 na Flórida , precedidos por uma apresentação dos clips promocionais de I Was Made For Lovin’ You  e Sure Know Something no programa de TV Don Kirshner’s Rock Concert (disponíveis no Kissology Vol 2). Novas roupas são trazidas para caracterização de cada integrante e cada uma mantém a cor predominante de cada álbum solo lançados em 1978 (no de Ace predomina o azul, no de Gene o vermelho, no de Paul em roxo e o de Peter em verde). O KISS começa a sofrer concorrência direta das bandas da New Wave Of British Heavy Metal e parece trazer cada vez mais uma platéia mais jovem aos seus concertos, e notadamente há a presença de crianças, talvez atraídas pela banda devido ao merchandising de bonecos e outros apetrechos apropriados a esta faixa etária. A banda está visivelmente fora de forma e só toca 2 músicas do álbum ao vivo, o single I Was Made For Lovin’ You e 2000 Man, cover dos Rolling  Stones cantada por Ace.  Sure Know Something seria relembrada apenas no acústico de 1996 e Magic Touch na turnê solo de 2006 de Paul Stanley. Como novidade também há a inclusão de uma música de cada álbum solo, mas somente New York Groove, também cantada por Ace, tem algum motivo de estar lá, uma vez que é o único real sucesso entre os álbuns-solos.  As demais faixas são um medley de Radioactive ( Simmons) com Move on ( Stanley) e a cover Tossin and Turnin’, a cargo de Peter Criss. O show de 06/07 em Largo é filmado e posteriormente transmitido pelo canal HBO e também está disponível no Kissology Vol 2.

Na contracapa do cd remaster a preocupação em aproximar a banda ao estilo Disco (em moda na época)

Na contracapa do cd remaster a preocupação em aproximar a banda ao estilo Disco (em moda na época)

Em outubro a banda aparece no programa de TV Tom Snyder Halloween show (disponível também no Kissology Vol 2) e um bêbado Ace Frehley rouba a noite, fazendo diversas piadas com o apresentador e muitas vezes deixando Gene e Paul desconcertados.

A turnê termina em 16 de dezembro em Toledo, Ohio, sendo este o último show de Peter Criss na banda até a Reunion Tour, quase 20 anos depois. Uma semana depois, Peter casa-se com a modelo Debra Svensk e prepara-se para um novo divórcio, desta vez com o KISS, mas este assunto fica para semana que vem.

Dynasty - O vinil da edição brasileira

Dynasty - O vinil da edição brasileira

N.R: DYNASTY, apesar da produção polida e voltada para o estilo “disco”, traz boas músicas em seu conteúdo, em especial as de Paul Stanley e Ace Frehley. O trabalho de Anton Fig é discreto, mas de muita qualidade, podemos citar a música Hard Times como um exemplo disto. Apesar de bem mais leve, ainda não é em DYNASTY que se vêem muito sintetizadores, exceto talvez pelo single I Was Made For Lovin’ You.  Também é notória a direção mais melódica de Paul Stanley, algo que sem dúvida é consequência de seu trabalho-solo. O deslocamento de Gene Simmons neste novo conceito pop acarreta pouca contribuição no cd, mas o mais claro realmente é que DYNASTY pode ser considerado um conjunto de trabalhos solos em apenas um disco, visto que a banda não mantinha qualquer unidade entre seus integrantes. O resultado não é brilhante, distante do rock de essência característico das primeiras fases, sendo um pouco inferior aos álbuns precedentes da banda. A mudança de estilo da banda se inicia com Dynasty e se prolonga por mais alguns anos, o que afastaria os fãs mais tradicionais do grupo. Ainda assim, o disco manteve a banda no topo, mas as cicatrizes ficaram expostas e o resultado maior seria sentido dentro em breve, sendo este o assunto do próximo capítulo.

O vinil importado do single I was made for lovin you

O vinil importado do single I Was Made For Lovin' You

Até lá!

Alexandre Bside e Flávio Remote



Categories: Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Kiss, Resenhas, Rolling Stones

13 replies

  1. “Dynasty” realmente mostra o desgaste dos membros da banda vs a forma como cada um estava encarando e recebendo o sucesso e todas as ações que são geradas…

    Mas é um álbum que eu gosto, apesar do estilo “disco” estar presente (o estilo disco dessa época é bom, na minha opinião).

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Sem dúvida,Eduardo ,a sua opnião bate com a minha . O disco é competente para o que ele se propôs. Gosto muito das músicas menos conhecidas de Ace ( Hard times e Save our love),é um momento bastante prolífero de Frehley na banda, já começado em seu ótimo álbum solo de 1978. Num geral, o trabalho é bem coeso, apenas acho as músicas de Gene um pouco abaixo das demais . Mas o disco cumpre o que promete .

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  3. Aqui uma entrevista com os caras durante a Dynasty Tour:

    Gene Simmons and Paul Stanley are interviewed live from The Checkdome, on the long-running, St. Louis, afternoon, TV series NEWSBEAT, during KISS’s 1979 Dynasty Tour.

    This rarely seen footage is being released to promote the vintage KISS memorabilia auctions of eBay seller EliteWorks.

    Fonte: http://www.kiss-world.com/2010/03/gene-simmons-and-paul-stanley-interview.html

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Gosto do Dynasty, Ace tá muito muito bem as 2 de sua autoria e a cover dos Stones são matadoras, mas o que me chama atenção á dirty living, principalmente nos momentos finais… parece um jam com Ace solando muito e Gene botando o baixo pra roncar…; Gosto das 3 do Paul, mas pra mim é Magic touch a melhor dele nesse disco, Gene não gosto das dele nesse…

    Alvaro

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    • Concordo, realmente Gene não aparece com brilhantismo, e os destaques vão para o Ace e Paul no disco. Gosto também da última de Criss no Kiss, esta Dirty Livin, num pop que combinava com o estilo do disco, trazendo um solo de Ace perfeito no fim da musica. Agradecemos aos comentários, esteja sempre à vontade por aqui.

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  5. Poster do CD em alta resolução: https://minutohm.files.wordpress.com/2011/01/kiss_dynasty_1979_encarte_cd.jpg

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  6. É nestas horas que o Kiss deve ser levado à sério: mesmo com os problemas, eles mantiveram a sua receita de que a vida é motivo para ser feliz, e não para chorar as dores. Tanto que eles, mesmo no abalo, continuam a falar de amor e Rock n’ Roll, não há aqui “música que fala das dores da vida”. Ótimo.
    Minha favorita acho que é “2.000 Man” mesmo, comprovando que Ace, além de ótimo instrumentista e compositor, é também ótimo intérprete.

    Um abraço e

    I believe in Rock n’ Roll!

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    • É Rafael, após o lançamento bem sucedido do seu disco solo, o Ace veio com a corda toda neste Dynasty, produzindo mais e melhor em relação por exemplo ao Gene, que está sem o brilho de outros álbuns. O Disco é direcionado para o Pop, assim como o a seguir da discografia, mas era a aposta da época. 2,000 man é um clássico que seria incluido muitas vezes nos set-list dos shows da banda e também no Kiss Unplugged cerca de 15 anos depois, numa outra grande participação de Mr. Space Ace. A música tem a cara deste grande músico que marcou com brilhantismo e incomparável importância toda a história da banda.
      Obrigado pela sua participação, continue comentando por aqui, Abraços.

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  7. Apesar de fugir do rock and roll, é um álbum razoável do Kiss que viveu um período esquizóide. Mais uma vez as trocas de instrumentos. Pena que ninguém se arriscou na bateria… A consequência foi o claro desinteresse do Gene que geralmente é quem coloca o peso nos álbuns no geral. É complicado ter que fazer um trabalho em que não há uma concordância unânime. O interessante foi o espaço ter sido muito bem ocupado por Ace. Não deve ser muito fácil lidar com o sucesso, ficar rico, já que todos eram de origem menos abastada. Acontece nas melhores (e nas piores) famílias!

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    • Claudio, estou de acordo, inclusive com o destaque para Ace e menor para Gene. A banda, após 1977 já estava bem rica e não havia muito mais para conquistar, depois da cartada esquisita dos solos, Dynasty viria como um resgate, mas precisava ser um pouco melhor. Mais para frente a coisa desanda de vez…

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