O “Aerosmith” do Aerosmith!

Quando decidi fazer este post sobre um álbum do Aerosmith para a minha estreia no MHM, fui ouvir novamente os discos clássicos da banda: Toys in the Attic (1975), Rocks (1976) e Pump (1989), considerados pela crítica os três melhores álbuns deles.

Terminada a audição destes, como não poderia deixar de ser, ouvi o resto da discografia também.

Pois o álbum que vou comentar aqui não é nenhum destes três (que são excelentes, inegavelmente) e sim, talvez, o trabalho mais simples, cru e direto do quinteto de Boston: o primeiro (Aerosmith, 1973).

O motivo de tal escolha é porque temos aqui um pouco de tudo aquilo que caracterizou a banda durante todos esses anos, como os falsetes de Tyler, a influência do blues (a famosa gaita), entre outros…

Além disso, se há um álbum que toda e qualquer banda faz sem nenhuma pressão ou influência (má) é o primeiro, afinal de contas os caras estão ali fazendo o que gostam, recém saídos da garagem só a fim de mostrar o seu som, por isso, costumo valorizar muito os álbuns de estreia.

Então, vamos às faixas:

1. Make It: Costumo dizer que a 1ª faixa do primeiro álbum do Kiss (“Strutter”) e AC/DC (“It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll”)) já mostram o que seriam essas bandas (aliás estas três bandas possuem outras semelhanças, mas isto é assunto pra futuros posts). Isso pra ficar só no Hard-Rock, se formos pro Heavy Metal podemos citar ainda Iron Maiden (“Prowler”), Black Sabbath (“Black Sabbath”), Led Zeppelin (“Good Times Bad Times”) e por aí vai…

Enfim, imagina você colocar o primeiro disco de uma banda recém formada e já ouvir de cara esses “clássicos”? Não tem como não abrir um sorriso no rosto.

Com o Aerosmith, talvez em menor escala, é verdade, ocorre satisfação semelhante. “Make It” é uma canção muito agradável, simples, mas “com presença”, riff bem feito, refrão que “fica na cabeça”, enfim uma ótima música de estreia – e que é a cara da banda naquele momento.

2. Somebody: Antes de formarem o Aerosmith, em 1970, o guitarrista Joe Perry tinha uma banda que tocava basicamente Blues, enquanto o vocalista (na época, baterista) Steven Tyler e sua banda faziam covers de The Beatles, The Rolling Stones, The Yardbirds, etc. Este primeiro álbum podemos dizer que é uma mistura desses estilos e essa faixa talvez resuma bem tudo isso.

3. Dream On: Ao contrário de outros hinos do rock que possuem suas versões eternizadas ao vivo, como “Fear of The Dark” (Iron Maiden) e “Rock and Roll All Nite” (Kiss), o hino maior do Aerosmith têm a sua melhor versão justamente nesta primeira gravação de 1973.

“Dream On” é o tipo de canção pra se ouvir “os detalhes”, o que se torna um tanto difícil numa apreciação ao vivo. A música é praticamente solada do começo ao fim, além disso, a voz de Steven Tyler no auge de seus 25 anos soava muito melhor do que agora. Ela estava no “ponto certo” pra canção.

Há quem diga: “Poxa, mais uma balada ser a música de referência de uma banda de Hard-Rock?” Pra começar, contesto que “Dream On” seja uma balada totalmente. Ela é um rock “pensado”, tranqüilo, mas sua letra não fala de amor diretamente. É uma lição de vida, de como devemos aproveitar cada momento e persistirmos nos nossos sonhos, pois nunca sabemos quando iremos desta vida: “… cante comigo, cante pelos anos, cante pelo riso, cante pelas lágrimas, pois talvez amanhã o bom Senhor poderá lhe levar…”

Pra terminar só uma pequena historinha sobre a música: Composta quando Tyler tinha apenas dezessete anos, quando formaram a banda ele tocava todas as manhãs no piano do apartamento onde vivia com o Aerosmith o começo da canção, e dizia que “seria um grande sucesso um dia”; os outros integrantes não agüentavam mais ouvir somente aqueles primeiros acordes dela.

Parece que ele tinha razão, pois com certeza é uma das obras-prima do rock.

4. One Way Street: Aqui o Blues “come solto”, num ritmo cadenciado, mesmo em seus exatos sete minutos a música “não se arrasta”, passa rápido, sem contar o belo solo de Joe Perry, como em todo o disco, simples, mas eficiente.

5. Mama Kin: O outro clássico do álbum, já começa com um riff que ficará em sua cabeça. Aliás, Joe Perry criou vários riffs marcantes ao longo da carreira e este com certeza, foi o primeiro. Talvez por isso, Slash (ex-Guns N’ Roses, agora no Velvet Revolver) o tenha como influência. Uma música tipicamente “Aerosmith”, com a mistura perfeita de blues e Rock ‘n’ Roll!

6. Write Me A Letter: Faixa com uma levada muito gostosa, conta com um solo curto de gaita, que, aliás, já aparecera no disco várias vezes até aqui (Tyler é o encarregado de tocá-la na banda). Instrumento que viria a acompanhar o grupo por toda a carreira. Faixa muito boa também.

7. Movin’ Out: Nesta música Tyler muda o timbre de voz, chegando muitos a afirmarem que não se trata dele (principalmente quem só conhece o Aerosmith “baladeiro” dos últimos 20 anos). Com direito a um solo um tanto melódico e parte instrumental perfeita, chegando “lá pelas tantas” a lembrar um pouco o Led Zeppelin em sua fase mais folk, esta também é um dos destaques do disco. A letra refere-se à mudança que estava pra acontecer com a banda. A fase “sem grana” estava por acabar.

8. Walkin’ The Dog: Encerrando o álbum (que não tem pontos fracos), temos esta regravação dos Rolling Stones (do primeiro álbum da trupe de Jagger). A música, na verdade, também não é dos Stones, foi composta por Rufus Thomas. Mas contribuiu ainda mais para a (má) “fama” do Aerosmith no início da carreira. Acusaram a banda de imitarem os Stones (fama esta obtida mais pela semelhança física entre Steven Tyler e Mick Jagger do que pela música em si).

Este álbum, na época de seu lançamento, não obteve grande sucesso. Curiosamente, após os álbuns Toys in the Attic e Rocks, que consolidaram o Aerosmith como banda mundial, é que se “notou” o primeiro álbum fazendo relativo sucesso então (isso já em 1976), graças principalmente a “Dream On” e “Mama Kin”. “Dream On”, inclusive, foi relançada como single.

Enfim, pode não ser o melhor (embora muitos o considerem), mas o tenho como indispensável na discografia do Aerosmith, pois é o álbum que mostra a banda em sua essência, neste caso, o título do disco reflete isso, simplesmente o Aerosmith do Aerosmith.

Marco Dias.



Categories: Aerosmith, Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas

16 replies

  1. Maroc,
    Bem vindo ao mundo dos post e das resenha. Excelente o post de estreia da Discografia Aerosmith. Neste momento não vou opinar sobre o álbum, pois vou ouvi-lo antes. Achei que sua discografia sairia mais a frente e ainda não ouvi a banda como deveria. De qq forma, vou pegar os seguintes e já me precavenho para poder responder aos post.
    Boa sorte na sua discografia, e aguarde um comentario mais apropriado.
    Flavio Remote

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    • Obrigado, Remote!

      Na verdade, escolhi este álbum para “abrir os trabalhos” referente ao Aerosmith seguindo as dicas de vocês: falar de um álbum que eu conhecesse e gostasse bastante. E este álbum é meio que “esquecido” dos caras.
      Aqui vale uma dica para audição (que já virou praxe no blog). O disco é baseado em blues, pra quem não curte muito ou está “desacostumado” tem que ouvir um pouco mais, mais depois que se acostuma… aí vai embora!

      Abraços.

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  2. Marco parabéns pelo seu primeiro post, meu primeiro album do aerosmith foi o rocks, ouvia ele demais. Com certeza estarei lendo seus posts.
    sucesso!
    grande abraço

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    • Obrigado, Luiz!

      Pois é, o Rocks como citei é com certeza, um clássico. Creio que se tivesse uma eleição para escolher o melhor álbum do Aerosmith ele seria o vencedor (embora, pessoalmente, eu tenha outro predileto).

      Abraços

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  3. Marco,

    antes de tudo, gostaria de lhe agradecer por ter escolhido o Minuto HM como o espaço para você estudar ainda mais a banda e compartilhar conosco um pouco sobre ela.

    Seja bem-vindo, como disse o Remote, ao mundo dos posts, resenhas e curiosidades. Todos nós vamos aprender e trocar muito sobre Aerosmith e, dando tudo certo, de AC/DC também (além do Kiss, que já estamos muito bem servidos).

    Como sempre, estou a disposição.

    [ ] ‘s,

    Eduardo.

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    • Eu é que agradeço, Eduardo.

      É um orgulho poder dizer agora que faço parte do MHM!
      Como já lhe disse em outras oportunidades, este espaço criado por você é demais!
      Tudo aqui é abordado de forma saudável, respeitosa e com muita qualidade, enfim… viva o MHM e as pessoas que fazem este blog!
      Espero poder ajudar e aprender muito com a galera toda!

      Abraços.

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  4. Marco,

    Já dei uma ouvida no primeiro, vi que é Hard Rock purinho do pé e tem a minha predileta dos caras (até hoje) que é Dream On. Aliás nesta versão, o vocal está bem diferente daquela versão ao vivo com orquestra (acho que nos anos 80 ou 90). Embora esteja muito bem cantada, gosto muito da versão com orquestra, inclusive da voz do Tyller. Alias por falar em voz, uma versão bem diferente desta música é com Dio/Malmsteen ,um pouco exagerado como sempre, mas que recomendo.
    Eduardo, obrigado pelo muito bem servidos do Kiss e amanhã deve ter mais um capitulo dos nossos post desta discografia que vai se acabando….
    Já estou com albuns do Aerosmith até 1982 e vou ouvindo para tentar acompanhar melhor o post do Marco. Deste primeiro ainda tenho que ouvir mais para atestar mais algo.

    Abraços a todos.
    Flavio

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    • Remote,

      Pois é, “Dream On” é fora de série e também é a minha predileta dos caras (vc deve ter notado pelo tanto que escrevi sobre a música… rsrs…).
      Eu tinha certeza absoluta que alguém aqui ia comentar da versão Dio/Malmsteen… hehehehe…
      Me desculpem, mas como disse acima, pra mim não há versão que chegue aos pés desta de 1973. Talvez pq eu a tenha ouvido num momento interessante (eu havia acabado de chegar de uma balada, cansado de ouvir música ruim e coloquei um CD emprestado de um amigo e a primeira música era Dream On, ouvir aqueles acordes às 03:00h foi demais, me arrepiei). Sou meio enjoado e esta foi uma das poucas músicas até hoje que gostei logo na primeira audição…
      E depois que vc se acostuma com uma versão fica difícil gostar de outra!

      Sobre o Aerosmith, é o que eu disse outro dia, tem muita coisa boa, principalmente das antigas!

      Vamos falar bastante deles aqui ainda, eu espero.

      Abraços.

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  5. Marco

    Só estou escrevendo aqui principalmente para lhe agradecer por compartihar do seu conhecimento dos caras com a gente!! Mas em relação ao Aerosmith, eu reconheço minha falta de conhecimento mais profundo, em especial nesta fase inicial, por exemplo deste primeiro trabalho só conheço a maravilhosa Dream On e a versão do album ao vivo de Mama Kin. E tecer algum comentário sobre um disco que poderia ter ouvido até este momento no máximo uma vez talvez não seja apropriado. Isto posto, vou tratar de ” pagar minha dívida ” e trazer algo mais consistente sobre este primeirão do Aerosmith em breve .
    Parabéns pelo post, estou aguardando o próximo e fico de pagar a dívida deste…Ah…eu também gosto muito da Dream On com o Dio, mas não me atrevo a comparar uma com a outra, são ambas maravilhosas….

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    • Bside,

      Obrigado pelas palavras. Eu é que me sinto privilegiado por poder fazer parte deste espaço… agradeço a todos pela recepção que tiveram comigo, valeu mesmo!

      Aproveitando que vc citou “Dream On” e “Mama Kin” que são, sem dúvidas, os dois clássicos absolutos do disco (e só por isso ele já mereceria destaque, mas além disso há outras músicas ótimas também!), uma curiosidade envolvendo as duas faixas, ambas possuem exatamente o mesmo tempo (4:27)… coincidentemente!

      O mais legal destes posts acho que é isso, fazermos com que “discos esquecidos” (ou “bandas esquecidas”, mesmo) possam ser novamente apreciados através dos “conselhos” de cada um…

      Fico aguardando os comentários de todos aqui após uma melhor “audição”, beleza galera?

      Abraços.

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  6. Marco :
    Tenho ouvido bastante este primeirão do Aerosmith e o que eu posso falar por enquanto é que ele se tornou uma grata surpresa até o momento. Mas quero ouvir um pouco mais antes de uma opnião mais completa

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  7. Olha Marco,

    Tou ouvindo também e gostando da bolacha. Assim com o o Ale, ainda consolido a minha opinião por aqui. Alias já ouvi os caras até o Back in the Saddle – mas preciso ouvir melhor todos eles…
    Abraços

    Flavio Remote

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  8. BSide e Remote,

    Que bom que vcs estão ouvindo o disco, e fico mais feliz ainda por estarem gostando, isso é o principal. Afinal, acho que Rock and Roll de qualidade é sempre bem-vindo!

    E Flávio, “Back In The Saddle” faz parte do aclamado “Rocks”, de 1976 (aliás, que ano pro Hard-Rock, hein?? “Destroyer” do Kiss, “Rocks” do Aerosmith, isso renderia um post…. rsrs… tenho que parar com essa mania!), considerado por muitos o maior disco da banda.

    Abraços.

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  9. Apenas como curiosidade, 4 músicas regravadas pro Guitar Hero em 2007. Acho q teve algum rolo envolvendo direitos autorais, enfim…

    Dream On:

    Mama Kin:

    Movin’ Out:

    Make It:

    Aliás, Make It já abriu o show algumas vezes, fica maneirinho (“Good evening people welcome to the show…”)

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