Tá de Sacanagem – A era “áurea” (?!?!?!?) dos videoclips

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Galera  do Minuto HM:

Trago hoje um assunto que é prolífero de exemplos: voltando no tempo, no início da época onde a veiculação e principal estratégia de marketing dos artistas era baseada em seus videoclips, o que se via era um sem número deles onde a qualidade proporcionada pelo conteúdo visual era inversamente proporcional ao contido musicalmente. Mas do que isso, alguns dos atores destas verdadeiras façanhas em formato de vídeo eram os próprios músicos, ou dublando as próprias canções, ou até atuando nos enredos ” sensacionais” desenvolvidos por tão criativos diretores. Os trash-clips, ou videos toscos, ou o que mais algum de nós se atrever de alguma outra forma nomeá-los, povoaram nossos canais de TV no início da época da Mtv mundial, ou até antes disso, ainda nos anos 70. Mas quando chegou a década de 80, aí a coisa pegou de vez.

Vou deixar abaixo aqueles que considero os 5 piores videoclips da história do nosso gênero musical de predileção. E peço que todos que passarem por aqui me façam duas gentilezas:

– Tragam outros rídiculos videoclips com suas devidas justificativas em nosso espaço de comentários.

– O mais difícil: tentem ver os clips abaixo relacionados em sua íntegra…ô tarefa árdua!!

Sem mais delongas, vamos lá :

 

1) Iron Maiden – Holy Smoke

O primeiro exemplo de tosqueira em formato de clip musical precisa ser uma espécie de homenagem ao dono deste blog. E esta primeira pérola também tem de diferença em relação aos seus rivais o fato de ser o mais novo deles, onde já poderíamos entender que os exageros e erros de produção/escolha de enredos já não deveriam ser tolerados tão facilmente. Mas o que pra mim inicia uma fase não muito feliz da donzela de ferro traz Holy Smoke como o principal single do álbum No Prayer For the Dying, uma faixa também não muito feliz da banda acoplada a um enredo confuso e repleto de cenas ridículas. Basta ver Bruce Dickinson cheirando uma de suas axilas, Steve Harris passeando de trator enquanto toca um baixo desplugado ou pior, o todo-poderoso Rod Smallwood em cenas quase comprometedoras..

 

2)Black Sabbath – Trashed

Trash é também a palavra que vem à mente quando o assunto é a junção de Ian Gillan com Tony Iommi e Geezer Butler no Black Purple ou ,como mais foi conhecido, no Deep Sabbath. Polêmico, e de apreciação por parte dos fãs que tem um ” range ” indo da adoração ao desprezo completo, Born Again, lançado em 1983, já traz uma capa pra lá de ” especial” . Seu conteúdo musical, no entanto, para este que aqui escreve, é magnífico. O que podemos admitir é o que o clip de Trashed seja talvez o mais B quando o assunto é produção e qualidade do cast artístico. O ator principal merece um Oscar pela sua “brilhante” atuação, “convincente” e tão  “natural” desde os primeiros segundos desta “espetacular” trama que serve de pano de fundo ( põe fundo nisso) para acompanharmos os talentos desta formação que só durou um álbum apenas. E o momento talvez mais ” sui-generis” desta obra prima em formato de videoclip é quando Gillan cita o circuito de Brands Hatch na letra, trazendo imediatamente uma cena de carros de formula 1 se chocando. O detalhe é que a cena pode ser em qualquer circuito, mas nunca em Brands Hatch ( eu imagino um circuito de rua, provavelmente Mônaco).

Em resumo: nem a capa de Born Again pode ser tão tosca quanto esta ” maravilha” videoclíptica.

 

3) Can’t Let You Go – Rainbow

Se nos anos 80 a coisa complicava mesmo com atores de ofício, o que dizer quando alguns dos músicos resolve ” atuar ” nas cenas paralelas em forma de história que sempre povoaram os clips ? E pior, o que dizer se um desses músicos é talvez aquele que tenha maior aversão aos videoclips. Pois é, Ritchie Blackmore sempre foi conhecido pela sua má vontade em gravar clips, mas quando o assunto é Rainbow, sendo ele o chefe da empreitada, o que vemos nesta “história de amor emocionante” que atende pelo nome de Can’t let You Go é o próprio Blackmore atuar como um dos protagonistas do clip. E ao seu lado, como já se não bastasse, o ” sensível” Joe Lynn Turner, ávido como seu patrão para conquistar o mercado americano em mais uma power-ballad desta fase do Rainbow.

Estes “espetaculares” atores se revezam entre momentos de total “intimidade” com as marcações de cena e cenas de dublagem juntos aos demais da banda. E se o enredo já entrega ( assim como Turner em 3.03 min) , para completar Ritchie é ” perfeito” na dublagem do solo  ( aliás, como em qualquer outro vídeo, isto não é uma exclusividade de Can’t Let You Go) e o baterista de ocasião também esquece qual seria a virada de bateria a interpretar em 2.38 min. Ou seja , um conjunto de obra duro de engolir…

 

4) Judas Priest – Hot Rockin

Olha, o Judas tem uma considerável coleção de vídeos toscos, em especial os bem do início dos anos 80. Foi difícil escolher qual o pior, assim imagino que outros destes momentos vão acabar aparecendo nos comentários. Por uma ” fagulha”, acabei por escolher este Hot Rockin. Afinal, ele é intocável praticamente do começo ao fim, com uma história que vai de lugar nenhum para lugar algum, por exemplo. A sinopse, brilhante, pode ser resumida em: Os músicos estão malhando em uma academia (aliás, no auge da forma física), tomam banho, fazem sauna, entram no carro e fazem um show. Uma criatividade ímpar, não ? Eles devem inclusive terem se preparado muito para fazer o show, pois trazem uma pirotecnia que faz o palco todo pegar fogo, para uma platéia que deve ter tomado dezenas de litro de energético, tal a forma que eles batem a cabeça. Sou capaz de apostar que alguém dali deve ter tido alguma lesão de pescoço depois da gravação. Mas a perfomance incendiária da banda vale à pena , pois o show está praticamente sold-out: são exatamente 7 espectadores, podem contar e me ajudar nesta dificílima tarefa.  O que será que aconteceu, faltou verba pra contratar mais figurantes ?  Fala sério, Halford…. Tá de sacanagem ??

 

5) KISS – Who wants to be lonely

Bem, a fase glitter ou poser das bandas de hard-rock dos anos 80 não poderia mesmo passar incólume por aqui. E novamente, que dificuldade em escolher apenas um vídeo do KISS na procura por esta faixa de mercado. Antes de tudo, eu aviso aos que aqui chegaram: melhor afastar-se um pouco da tela, pois sobra ” luminosidade” com tanta cor berrante. Mas a difícil escolha por este clip baseou-se também no excesso de laquê no cabelo de Tina Turne…., desculpem, Paul Stanley, além da presença de um drag-queen que atende pelo nome de Gene Simmons..

Sério, eu fico olhando o saudoso Carr no meio deste ajuntamento de maquiagem ( não aquela característica da banda) e roupas bregas, uma ” perfeição” de combinações e estilos fashion, pra afirmar: Para Eric devia ser dificil de aturar isso…. Bem, pra não fugir no tema, Bruce Kulick traz uma guitarra num tom ” vomitado” de rosa, mas até faz um bom solo, entre as coreografias cafonas e dancinhas ridículas de Stanley. Outra coisa curiosa é que Simmons NUNCA usa palheta nos clips do KISS. Por que isso, eu não imagino, mas deve ser recalque, não é possível…Ou será que a verba só dava para as palhetas de Kulick e Stanley? O que, aliás, para o vocalista, seria um desperdício, afinal ele mal encosta nas guitarras também.. E pra terminar este clip apoteótico, duas das cenas finais mostram Stanley tomando um banho ( de quem deve ter sido essa genial idéia…) ao lado de modelos que disparadas são as mais discretas de todo o clip  e por fim Tina Turn..,quero dizer, Paul Stanley “deslizando” para o fundo do cenário..

Francamente, KISS…..

 

Bem, eu aqui me despeço de vocês, aguardando os sempre sensacionais comentários sobre estas cinco maravilhas do mundo videoclíptico e aguardando as demais sempre valorosas contribuições de todos.

 

Saudações, e ” boa sorte ” pra todos !

Alexandre Bside



Categories: Artistas, Black Sabbath, Curiosidades, Iron Maiden, Kiss, Músicas, Rainbow, Tá de Sacanagem!

9 replies

  1. Bom, eu conheço bem os vídeos – são realmente e extremamente ridículos, mas acho que o do Iron é o menos de todos – e então a ordem estaria invertida pelo autor?
    Eu ainda vou olhar os detalhes, mas realmente fica difícil escolher neste universo tão bizarro de idéias absurdas, o pior, mas que o vampirismo do Rainbow vem me despontando com força, ah vem…
    Em pensar que o Rainbow com Dio era uma banda séria….

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    • Bem, Flávio, eu não cheguei a pensar em uma ordem, mas colocaria o do Iron como o menos tosco de todos também. Há de se pesar que na época do seu lançamento já havia uma evolução do formato e as bizarrices já eram menos usuais.
      Entre os demais 4 eu não me atrevo neste momento a estabelecer uma ordem, mas colocaria o do Judas e o do KISS como despontando um pouco mais.

      Alexandre

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  2. Discordo do video do Rainbow uma bela homenagem ao clássico o gabinete do doutor caligari , além do som ser tri !

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    • Paulo, muito legal você estar por aqui. E as discordâncias são sempre bem vindas, é bom também você colocar seu ponto de vista.
      Eu realmente acho o clip pra lá de tosco, em especial pela interpretação do Lynn Turner, mas o som é legal sim, só não dá pra comparar, eu meu entendimento, com a fase clássica dos três primeiros álbuns com o Dio.

      Continue por aqui participando, se puder indique algum que você ache bizarro como os demais 4.

      Saudações

      Alexandre

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      • O filme citado é referência para a época

        Das Cabinet des Dr. Caligari (br/pt: O Gabinete do Doutor Caligari) é um filme alemão expressionista e mudo de 1920, dos gêneros terror e suspense, dirigido por Robert Wiene.
        Extremamente influente no meio cinematográfico, “O Gabinete do Dr. Caligari” compõe uma metáfora do olhar deformado com ruas estreitas e entrecortadas, telhados góticos e cubistas e prédios e objetos deformados, resultando em uma das obras-primas das primeiras décadas do cinema e uma das mais importantes referências estéticas até hoje.

        Fonte: wikipedia

        Acho que o clip tá bem longe de ser influenciador, talvez apenas nessa categoria…

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  3. Olá. Realmente as “tosqueiras” dos clipes são fantásticas! E nem foram citadas bandas glam como Poison, Ratt, Great White, e por aí vai…

    Das que foram citadas, vejamos o que penso, sem me importar com ordem ou “categorizar”:

    (1) Iron Maiden / Holy Smoke: Parece-me muito mais uma “brincadeira” deles do que qualquer outra coisa. Está certo que a saída de Adrian Smith havia quebrado aquela “unidade” sonora da banda. Janick Gers nunca me convenceu, e continua não me convencendo até hoje… De fato, “No Prayer…” é um disco errático, que destoa da fase de ouro da banda. por isso, acho que eles estão parodiando a eles mesmos no clipe, além de obviamente darem uma “sonora” banana para a indústria musical…

    (2) Black Sabbath / Trashed: Algo que começou como um porre maciço de Tony Iommi & Ian Gillan só poderia dar em… ALGO BRILHANTE! A fase Gillan do BS, depois de tantas idas e vindas, soou revigorante para uma banda que experimentava a descida inevitável da ladeira. O clipe é mesmo uma porcaria total, mas as músicas do Born Again (apesar de sua capa “fofinha”) são pesadíssimas! Uma pena que NUNCA mais foram tocadas pelo BS. Vergonha pós porre do Iommi talvez, mas também porque ninguém conseguiria atingir o alcance vocal que Gillan imprimiu nelas e alcançava (ainda) naquela época…

    (3) Judas Priest / Hot Rockin’: Vergonha alheia. Apenas… Hahahahahaha

    (4) Rainbow / Can’t Let You Go: Conheci o Rainbow com Turner. Só depois descobri as fases Dio / Bonnett. E, claro, o baixinho tinhoso PULVERIZOU tudo que pensava saber sobre a banda. O que fez com que estas baladinhas insossas, e o (na minha opinião) PÉSSIMO vocal de Joe Lynn Turner (não gosto dele até hoje) me deem impressão de algo sempre feito de má vontade pelo Blackmore. E o clipizim… Hahahahaha

    Abração!

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    • Show de bola de comentário – muitos pontos a concordar.
      1) Concordo com o Jannick não convencer até hoje tb.
      2) Concordo com o disco muito bom – não diria brilhante, mas o vocal do Gillan nunca foi tão bom, e acabou em seguida – veja a tour de Perfect Strangers – a dificuldade para atingir os tons até do recente disco. Esse disco é um dos fora da curva e do tipo ame ou odeie. Eu vou pelo primeiro – mas veja na consultoria – o disco não está nem entre os citados nos melhores de 1983…
      3) Hahahaha e muito tb….
      4) Rainbow – almejava o mercado americano com o JLT¨e as baladas insonsas – nada de má vontade, apenas o tiro nos EUA que funcionou mais do que as fases anteriores. Mas a verdadeira fase é do DIO realmente. o Clip é tosco e os atores Blackmore e JLT (talvez melhor ator que cantor????) hehehehehe…
      5) O Kiss (aí embaixo) o Ale escolheu a dedo – Who wants to be lonely é o mais tosco de todos, mas tem outros da fase farofa, ah tem..

      E os exemplos do Poison, Ratt, Great White, mande aí….

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      • Carlos, concordo com o Flávio, excelente comentário, quase tudo vai de encontro ao que acho também. O álbum do Sabbath, fantástico, o clip , pra lá de tosco; O Jannick em sua ” função” no Maiden, a vergonha do video do Judas, a fase lastimável do KISS, do “clipizin” do Rainbow fase Lyn Turner…
        Só não acho a música assim tão fraca, embora não haja nenhum cabimento em comparar a fase Turner no Rainbow com a fase imaculada com Dio.
        Cara, valeu participar por aqui, faltou foi citar outros vídeos na mesma ” categoria “….

        Saudações

        Alexandre

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  4. Esqueci do Kiss… Essa fase glam deles é lastimável, em todos os sentidos…

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