David Lee Roth: o que faz o vocalista do Van Halen ser TÃO único

Como já afirmei aqui no blog e em seus podcasts, a vida é repleta de felizes coincidências e curiosas sincronicidades. Verão neste post que isso é a mais pura verdade.

Na manhã de 31 de março de 2015, abri o meu feed de notícias do Facebook e me deparei com a seguinte notícia da noite anterior: “David Lee Roth machuca o nariz em apresentação ao vivo no Jimmy Kimmel Live”. Imediatamente segui o link e assisti aos vídeos, e na introdução da excelente “Panama”, de cara percebi que “Diamond Dave” girava um bastão prateado na velocidade de um helicóptero atômico, no melhor estilo “ninja olímpico”, durante o improviso de abertura.

Como podem conferir no vídeo abaixo, o apresentador Jimmy Kimmel conta com seu característico bom humor que, após 6 meses de árduo planejamento para este show a céu aberto armado para o lançamento do primeiro CD ao vivo da carreira do Van Halen com DLR nos vocais (o “Tokyo Dome Live in Concert”, gravado na apresentação ocorrida na capital do Japão em 2012 durante a turnê do CD de retorno do vocalista à banda, “A Different Kind of Truth”) – também com o intuito de lançar a nova turnê que começará em breve nos EUA – que provocou o fechamento da movimentada Hollywood Boulevard em Los Angeles/EUA, contando com o auxílio da não-menos-famosa LAPD (Departamento de Polícia de Los Angeles) e um público de cerca de 6.000 pessoas que vieram de todas as partes do mundo para assistir uma das maiores bandas de todos os tempos sob os neons pulsantes do lendário El Captain Theatre (curiosamente, esta foi a primeira apresentação da banda ao vivo em tempo real na TV Norte-americana), em menos de um minuto DLR inadvertidamente se auto afligiria com seu bastão.

Não deixando a bola cair, dando seus usuais chutes ao vento e cantando quase metade da música um tanto incomodado pelo sangue que via nas mangas da jaqueta ao esfrega-la no nariz machucado, na hora em que a dinâmica da música abaixa, Dave percebe que a batida foi algo um pouco mais sério que imaginava e resolve mostrar o corte ao médico da equipe de TV e para Eddie Van Halen, avisando logo em seguida ao público que iria colocar uma fita isolante no mesmo, deixando o virtuoso guitarrista tomar conta da cena com um excelente improviso de guitarra. No fim das contas o sangramento acabou sendo temporariamente estancado pela equipe médica com uma gaze e fita micropore, o que foi suficiente para Diamond Dave continuar o set de 7 músicas tocadas naquela noite. Após o show, Dave foi ao hospital e teve seu nariz costurado com 14 pontos cirúrgicos.

David-Lee-Rot-nose-injury

Analisando o incidente ocorrido, a minha memória foi sendo ativada em um fluxo acelerado… Lembrei-me de quando eu era apenas um garoto, que vivia na ainda provinciana Curitiba dos anos 80 e ia de casa pra escola e vice-e-versa, e gostava de assistir aos vídeo-clips na TV aberta aos domingos, e que, assim como todos que viveram isso na época, fiquei extremamente impressionado com o novíssimo lançamento vindo da América do Norte: “Jump” do LP “1984” do Van Halen.

Além do moderníssimo som de teclado na introdução, as viradas de bateria precisas e de extremo bom gosto, e um solo de guitarra seguido por outro de teclado alucinantes e inéditos, com uma velocidade e precisão magnífica sob a base sólida de um Baixista com “B” maiúsculo, havia aquele vocalista vestido de forma exótica que dava saltos incríveis efetivando o tema proposto pela música.

Como não poderia deixar de ser, assim que pude, peguei um ônibus até a tradicional loja de LPs “Savarin” no centro da cidade, e lá comprei o meu primeiro disco, aquele com o anjinho fumando na capa… BUM! Estavam abertas as portas da percepção musical, e à primeira audição de cada faixa deste clássico LP eu ficava mais impressionado com aquela banda. O disco foi consumido de cabo a rabo centenas de vezes, e apesar do meu pouco conhecimento musical na tenra idade, já tinha ouvido suficiente pra notar que o timbre vocal daquele vocalista não seguia o estereótipo do frontman tradicional do Rock, como Robert Plant, Ian Gillan ou Steven Tyler. Dave Lee Roth soava como um crooner da era dourada, um Frank Sinatra pervertido e sacana, que desejava a levar a professora pra cama nas falas iniciais de “Hot for Teacher”.

Lembro que Sinatra havia cantado no Brasil em 1981, e meu falecido Pai curtia muito suas canções, tanto que estas obviamente ficaram impregnadas para sempre no repertório do meu subconsciente (e por incrível que pareça, hoje em dia ouço bastante e toco várias dessas canções – quem não adora “New York New York”?).

Sendo um guitarrista em desenvolvimento, obviamente fui atrás de toda a discografia do Van Halen e cada vez mais percebia que Dave Lee Roth tinha influências diferenciadas e obscuras para Brasileiros como nós, à exemplo de “Big Bad Bill”, do LP “Diver Down” do VH.

E tal noção foi realmente confirmada quando Dave Lee Roth deixou o Van Halen (que com a entrada de Sammy Hagar, tornou-se uma banda mais óbvia – com todo o respeito e admiração que tenho por esta fase – deixando de lado estas influências diversas e buscando um som mais de “Rock de arena”) e lançou o seu primeiro trabalho solo no ano de 1985, o EP “Crazy from the Heat” que trazia o famoso hit “Just a Gigolo/I ain’t Got Nobody”, famosa nos anos 50 ao ser gravada pelo crooner Louis Prima.

No ano seguinte, Dave Lee Roth monta sua superbanda com Steve Vai na guitarra, Billy Sheehan no baixo e Gregg Bissonette na bateria, lançando o LP “Eat ‘Em and Smile”. O disco é extremamente eclético, trazendo além das sensacionais composições de sua autoria com Vai “Yankee Rose”, “Goin’ Crazy” e a frenética “Shyboy” de Sheehan, músicas diferentes como o remake de “Tobacco Road” famosa nos anos 60 pela gravação dos ingleses “The Nashville Teens”, o Blues “I’m Easy” de Billy Field e Tom Price, e a fantástica regravação do clássico imortalizado por Sinatra “That’s Life”.

E é fato mais que notório que Dave é um atleta e sempre surpreendeu a todos com seus incríveis saltos e chutes, fazendo seu show a parte nas apresentações do Van Halen e de sua carreira solo. Segue aqui um vídeo com uma incrível sequencia de seus melhores movimentos no palco.

Mas voltemos à minha história de sincronicidade, iniciada com o recente incidente no “Jimmy Kimmel Live”, ainda tem que ser contada para que todo este post tenha sentido no final das contas.

Sendo proprietário e diretor de uma escola de dança na cidade de Paranaguá/PR nos anos 2000, tive a oportunidade de conhecer o sapateador Norte-americano Steve Zee, que foi jurado do Festival de Dança de Joinville numa ocasião em que nossa escola foi premiada com o 3° lugar na categoria de Sapateado.

Steve Zee

Steve Zee

Steve Zee é um sapateador, músico e comediante (stand-up), um verdadeiro show-man, radicado em Los Angeles/EUA que frequentemente se apresenta no M Bar em Hollywood, apresentando uma mistura de sapateado, jazz music e monólogos.

Recentemente, implementou a escola de sapateado online Tap Academy Online, e lecionou um TED talk sobre sapateado e história Americana. Já dançou com Gregory Hines e os Nicholas Brothers, dividindo os palcos com inúmeros notórios sapateadores.  Foi sapateador solo no Jazz Tap Ensemble e um membro do Rhapsody In Taps. Se apresentou nos EUA, Canadá, Brasil, França e Alemanha, fazendo parte do Chicago Human Rhythm Project e membro original do elenco do musical norte-americano Hot Shoe Shuffle.

Suas coreografias são apresentadas por companhia profissionais e grupos de jovens sapateadores pelos EUA, Europa e América do Sul. Treinou o ator e sapateador Kiril Kulish para a produção na Broadway de Billy Elliot, pela qual Kiril ganhou o Tony Award, sendo também o coach de Bette Midler and Toni Basil.

Steve editou a história oral dos mestres do sapateado Stan Kahn e Robert Scheerer e gravou cinco videos de instrução em sapateado. Como ator, treinou na UCLA, Sorbonne/Université de Paris III e no Piccolo Teatro di Milano. Faz parte do departamento de dança do CSU, Long Beach e da Gabri Foundation de Los Angeles. É o diretor da ONG LA Ironworks.

Steve acabou tornando-se um grande amigo, veio várias vezes ao Brasil para se apresentar em nossos eventos, e tive o prazer de tocar no palco com ele sapateando a clássica “Autumn Leaves” em Novembro de 2007 no Teatro Fernanda Montenegro em Curitiba.

Numa de suas vindas subsequentes para o Brasil, Steve veio muito animado contando que havia sido contratado como professor de sapateado e truques de bengala para o Dave Lee Roth, e que curiosamente Dave falava um pouco de nossa língua, pois havia namorado uma Brasileira e até cantava algumas músicas em Português. Obviamente, o assunto me interessou muito, e após o recente incidente no “Jimmy Kimmel Live”, já no intuito de criar este post, pedi a Steve que me enviasse algumas linhas sobre esta experiência. Segue aqui a resposta:

“Dave decided that he needed to know some “cane tricks” that he could do with the microphone stand, turning the old into the new. He is a relative of Sophie Tucker, the famous singer, and a fan of some of the great old singers and tap acts. He called around and ended up speaking with Toni Basil (hey, micky you’re so fine, you’re so fine you blow my mind — remember that song?) Toni has been choreographing behind the scenes for years now and coaching all sorts of celebrities that need to move as part of their performances.

Toni was aware that I’m one of the few people around that know those old fashioned cane tricks and she contacted me. She and Dave and I met in various studios in Los Angeles many times over the course of many months and we worked the tricks. we took moves from Fred Astaire and the Berry Brothers, along with some of my own, and translated them into his DLR movement style.

Dave is an impressive guy. I wasn’t sure what to expect at all but what I found was an extremely intelligent, super hard working, very focused and charming man who takes the business of show business very seriously. during our breaks i asked him many questions about how he approaches performances and he is very clear and precise about everything from costuming to lighting. dave is not just a serious rocker, but a man of the theater, as well, as he understands what he is trying to accomplish onstage and how best to do it.

He practiced in between our sessions, was enjoyable to spend time with and easily turned me into not just a fan but a fan of the man himself.”

Tradução livre:

“Dave decidiu que precisava aprender alguns “truques de bengala” que pudesse fazer com o pedestal de microfone, transformando o velho em novo. Ele é parente de Sophie Tucker, a famosa cantora, e fã de alguns dos maiores cantores antigos e sapateadores. Ele telefonou para algumas pessoas e acabou falando com Toni Basil (hey, micky you’re so fine, you’re so fine you blow my mind — lembra dessa música?). Toni estava coreografando por trás das cenas há vários anos e treinando todo tipo de celebridades que precisavam se mover em suas performances.

Toni estava ciente que eu era uma das poucas pessoas na área que sabiam estes truques antigos de bengala e me contatou. Ela, Dave e eu nos encontramos em diversos estúdios de Los Angeles várias vezes ao longo de muitos meses e trabalhamos os truques. Pegamos movimentos de Fred Astaire e dos Berry Brothers, assim como alguns dos meus próprios, e traduzimos em seu estilo de movimento DLR.

Dave é um cara impressionante. Eu não sabia o que esperar mas o que achei foi um homem extremamente inteligente, trabalhador árduo, muito focado e charmoso que leva o negócio do showbiz muito a sério. Durante nossos intervalos eu perguntei várias questões sobre como ele desenvolve suas performances e ele é muito claro e preciso sobre tudo, do figurino à iluminação. Dave não é somente um rockeiro sério, mas um homem do teatro também, e entende o que ele está tentando conseguir no palco e como melhor fazê-lo.

Ele praticou entre nossa sessões, foi muito agradável de se estar junto e facilmente me tornou não somente um fã, mas um fã do homem que ele é.”

Aqui neste último vídeo, podemos ver DLR em ação com seu bastão durante a turnê de 2012, resultado da combinação de seu treinamento com Steve mixado às suas habilidades em artes marciais.

Como podemos constatar da minha análise e este relato de Steve Zee (que devo frisar, é um dos seres mais humanos que já conheci e tive a sorte de trabalhar junto) nos faz entender melhor o homem que existe por trás da estrela, provando que Diamond Dave é realmente um dos astros mais originais da história do Rock e merece todo o sucesso que obteve através de seu trabalho honesto e sincero.

E felizmente posso afirmar que nossas vidas curiosamente se cruzam indiretamente, como sugeri no parágrafo inicial deste post!

keep jumpin’ & twirlin’

Abilio Abreu



Categories: Artistas, Bootlegs, Cada show é um show..., Curiosidades, Discografias, Entrevistas, Músicas, Off-topic / Misc, Resenhas, Setlists, Van Halen

14 replies

  1. Simplesmente fantástico. E Abilio, tu és um artista completo. Escola de dança, sapateado, esta Autumn Leaves. Demais da conta. E isso não se pode tirar do DLR: ele é um show man completo.

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  2. Sinceramente, mas sinceramente mesmo, eu nem sei por onde começar aqui. Então vou logo começar com algo que precisa estar em destaque em um comentário relacionado a este post: sem dúvidas, já é algo que entra nas cabeças do ranking das melhores coisas que este blog já teve publicado por aqui. Vou mais longe, mas longe de qualquer exagero: que a gente já tenha conversado mesmo puxando para a época dos e-mails.

    Considerações feitas, Abilio, somos privilegiados em ler e aprender sobre tudo isso mas mais que isso, é um privilégio contar com uma pessoa como você por perto nos brindando com esse “whisky 1000 anos” aqui.

    O começo do post já seria um post isolado e é impressionante como de algo assim, saiu o restante e ainda lhe proporcionou mais uma vez estar em contato com uma pessoa que como você mesmo diz e com toda razão, é realmente uma honra em conhecer. Só de conhecer já seria épico, mas o vídeo com você no palco tocando e vendo Steve sapatear só poderia culminar nas fortíssimas palmas ao final. Palmas por aqui também, Abilio, que como meu xará escreveu acima, é um Artista mesmo.

    O pequeno acidente de DLR custou caro ao nariz dele, mas fiquei feliz em ver como tudo se desenrolou. E vejo um Eddie super feliz, algo que me deixa esperançoso para que a banda novamente engrene uma sequência de atividade e que o website deles não tenha apenas o logo como estávamos vendo até pouquíssimo tempo atrás. Caça-níquel ou não com esse lançamento, de verdade isso é o de menos para nós, que podemos ter a esperança de ver essa fantástica banda em ação. Wolfgang parece bem a vontade, ainda que na parte dos backing vocals talvez a banda não tenha o que tinha com Michael. Alex a gente nunca viu, e pelo jeito nunca veremos ao-vivo, escondido atrás do seu “pequeno” kit, hehehe. Deixe-o lá, o som que vem é como no caso do Nicko, aquela beleza.

    Vale ressaltar que quem estava neste show na rua, dado o incidente, viu 2 takes de Panama, dado o acidente. Ouvir aquele riff inicial duas vezes? Para o público, é até sorte. Segue o setlist do show para registro:

    Van Halen Setlist Hollywood Boulevard, Los Angeles, CA, USA 2015

    Agora, o final do post é a verdadeira cereja, e que cereja. Ter a oportunidade de ver a correlação entre Steve e DLR e ainda com você tendo este “acesso” tão legal é realmente algo que faz este blog ser o que é. E Steve me pareceu mais que sincero nas palavras, além da simpatia, o que ressalta ainda mais o valor de tudo, inclusive da amizade que você cultiva com ele há tantos e tantos anos. Se ele lerá aqui ou não eu não sei, mas fica o meu “big thanks” a uma figura que transformou outra em um showman ainda mais completo. E se eu já estou com enormes expectativas de ver esta banda em ação, saiba: o post fez tudo ficar ainda maior.

    Abilio, a você novamente meus parabéns por tudo isso. Além de tudo, a forma que você escreve e suas amarrações nos insere como se estivéssemos fazendo parte disso tudo. DLR é um showman do VH e você do Minuto HM.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Bem, eu vou dividir isso em partes, para melhor facilitar a análise deste tão merecidamente elogiado post:

    1) A parceria entre o autor e o o sapateador : Impressiona, mesmo eu já tendo visto anteriormente a perfomance de ambos, Sim, fica até difícil ter de escolher para que lado olhar. Nosso profissional guitarrista traz mais uma indefectível mostra de sua capacidade , enquanto o seu amigo Steve me faz, mesmo como leigo completo do assunto, buscar as referências mais óbvias e clássicas dos musicais hollywoodianos antigos nas figuras de Fred Astaire e Gene Kelly. Lembrei do filme um pouco mais recente, com Gene Kelly fazendo um par com Olivia Newton-John. Este filme, Xanadu ( outra sincronicidade???) traz uma cena que sempre me agradou, mesmo estando tão distante do gênero em si.

    Lá estão Olivia e Gene, este beirando os 70 anos, fazendo das suas, no estilo Steve Zee. Aliás, esta música , “Whenever You’re Away From Me”, aparece como B-side do single Xanadu. Seria mais alguma sincronicidade ???

    2) Dave Lee : Muito elogiável e sempre um diferencial esta junção entre suas influências ( SInatra, Kelly, Astaire, Prima, etc…) como parte integrante e muito presente no som e presença física em palco da banda em sua fase inicial e neste revival. Mais ainda elogiável a questão dele estar buscando algo diferente neste momento onde os saltos terão de ser menos espetaculosos. E, não poderia deixar de ser citado, elogiável também a condução do restante do show nas condições em que Roth se apresentava.

    3) Van Halen e o improviso forçado : Qualquer coisa que Eddie faça fora do padrão será sempre padrão de qualidade VH. Com ou sem Dave , Eddie é um gênio e será sempre, como foi muito bem colocado no post do Flávio – https://minutohm.com/2015/01/26/tentando-escrever-sobre-importancia-ou-influencia-de-eddie-van-halen/. É necessário também trazer que Alex também se solta no instrumento e participa da brincadeira de forma tão ou mais generosa.

    4)Por fim, apenas uma chatice quase que desnecessária,mas que trago apenas para dar um pouquinho de especificidade cronológica. Sinatra esteve no Rio, no Maracanã, para zilhares de pessoas ( os números são sempre divergentes : – 150 mil, 170 mil , etc.,…) em uma das primeiras aventuras empresariais do gênero capitaneada por Medina, não em 81, mas em janeiro de 80. Este que aqui escreve lembra do certo impacto da empreitada, da chuva pré-show, do beijoqueiro, que dali em diante virou arroz de festa, do microfone dourado, das poucas músicas que meu conhecimento de leigo me permite. Segue um trechinho do dia memorável:

    Parabéns, Abílio, excelente texto !!

    Alexandre

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  4. Minute-men,

    Agradeço imensamente os comentários enaltecedores acima recebidos de nossos mestres Bside, Dutecnic e seu xará dos pampas Mr. Schmitt.

    Como sempre, os comentários aqui chegam enriquecendo o post, ao adicionarem cada vez mais conteúdo.

    Complementando o que já coloquei no post, realmente posso me sentir privilegiado de ter em meu rol de amizades o excelentíssimo Steve Zee. Estar com ele é como estar numa faculdade de artes, dado o enorme conhecimento do mesmo da arte como um todo. Steve é hoje um dos maiores responsáveis pela preservação e divulgação do sapateado nos Estados Unidos, pois como ele mesmo revela, esta arte era amplamente divulgada na era dourada dos musicais de Hollywood (lembram daqueles filmes em que haviam centenas de sapateadores na tela?), e de uns tempos pra cá, com a “popização” da “arte” (ou seja, a partir do momento em que o lixo cultural – serei direto e pungente: o entretenimento imbecil e raso disfarçado de arte que domina a mídia mundial – foi sendo cada vez mais consumido pelos jovens americanos) fez com que uma arte tão interessante como o sapateado caísse bastante de qualidade (e quantidade de adeptos), sendo deixados de lado a sensibilidade e graça para algo um tanto agressivo e descabido (velocidade e força nos pés ao invés da exploração rítmica e musical). Assim sendo, Steve é um desses gênios que entende sua arte como ninguém, e hoje em dia luta para resgatar o verdadeiro espírito da mesma, trabalhando diretamente com os jovens americanos de todos os backgrounds possíveis.E faz tudo com um inigualável bom humor e técnica impecável, o que me remete aos meus prediletos, os Canadenses do Prog-Rock – Rush (eu sempre tenho que dar um jeito e falar deles né!?!).

    Aproveito para divulgar o seu novo vídeo-clip, um rockabilly multilingue (em Mandarim e Inglês) composto, arranjado, coreografado e executado pelo próprio mestre Steve Zee, lançado no YouTube um dia após este post ter ido ao ar (sincronicidade!) – a extrovertida canção “You are not the boss of me”:

    E Bside, você e eu estávamos parcialmente certos, Sinatra realmente veio Brasil em 80 e fez seu histórico show no Maracanã. Mas ele voltou em 81 e fez um show em Sampa no Maksoud Plaza, o qual meu pai foi um dos pouco privilegiados a assistir, conforme nota-se nesta matéria: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,fama-do-hotel-maksoud-plaza-veio-com-show-de-frank-sinatra,799757 . Portanto, agradeço pela adição precisa, confirmando que este blog é repleto de informações precisas, mesmo quando o assunto não é exatamente nosso querido Heavy Metal!

    keep commentin’

    Abilio Abreu

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  5. Abilio,
    O post é muito legal por trazer todas as influências de Mr. DLR, o meu preferido disparado da banda. Acredito que a banda com Sammy Hagar continua trazendo a estampa de alegria e descontração, mas perde em irreverência presente fortemente junto com as outras qualidades de DLR.
    Eu sou fã incondicional da primeira fase, devoro todos os discos até MCMLXXXIV com grande facilidade.
    E DLR é isso tudo colocado aí em cima magistralmente, um super artista, muito mais do que um simples vocalista, que construiu uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.
    Hail to DLR.
    Keep Daving…
    Remote.

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  6. Abílio, eu realmente nem imaginava que Sinatra tinha vindo em 81, pois ficou na minha memória como um marco a vinda do cantor para o show monstruoso do Maracanã. Assim, além do pedido de desculpas, vai aqui também uma reflexão de como eram aqueles tempos : Não seria muito mais lógico ele aproveitar a ” perna ” de sua vinda por aqui e fazer outros shows em 80? Realmente não fazia sentido, mas provavelmente aquele primeiro show rendeu-lhe a vontade ( e viabilidade) de fazer outro no ano seguinte, provavelmente para um público mais seleto.
    E o assunto , que seria o Lee Roth, vai , como vários posts deste blog, seguindo por outras vertentes.
    Eu queria, no entanto, voltar ao tema principal e perguntar aos autênticos experts do blog se na opinião dos demais não estaria Dave seguindo o destino de outros vocais como Geddy Lee, Paul Stanley e Ian Gillan. A voz, que nunca foi uma excelência ao vivo, ao que parece, perde potência e se transforma num fiapo ao vivo. É isso mesmo ?

    Alexandre

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    • Bside,

      Quanto ao Sinatra – assunto doido de estar aqui no MHM – pelo que se nota na notícia que linkei, o Maksoud não queria nem saber e pagou a vinda do Sinatra no peitaço, o que realmente surtiu o efeito que ele queria ao colocar o hotel no rol dos mais luxuosos do mundo com a decalração do astro americano após cantar e se hospedar no mesmo. Assim sendo, após o show feito para um seleto público, aparentemente Maksoud botou Sinatra e sua big-band no avião de volta pra “New York New York” sem dar chance de ninguém mais por aqui se prevalecer desse empreendimento milionário e maluco do espertíssimo empresário Paulistano.

      Já quanto a DLR ao vivo, tenho um bootleg em video da época do “Diver Down” e mesmo lá na fase áurea ela mais falava do que cantava como nas versões de estúdio… Tanto que até hoje não havia nada oficial nem com VH nem na carreira solo, em áudio ou vídeo.

      Acho que agora eles já não se preocupam mais, já que tudo que é cru hoje em dia é considerado legal, e por isso lançaram o “Tokyo Dome in Concert” sem fazer overdubs nem nada.

      keep bablin’

      Abilio Abreu

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  7. Só neste blog para o assunto também caminhar para falar de Frank Sinatra em um post de Lee Roth. Que doideira, mas para mim foi ótimo pois não sabia destes shows de 80 e 81 e da história do Maksoud.

    E Abilio, que legal que seu pai tenha sido um dos presentes. Aliás, um privilégio realmente enorme.

    Agradeço a aula.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. Legal van halen na cabeça brodher.

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  9. História clássica, mas que deve ser registrada por aqui.

    O poder de uma tigela de M&M’s: https://endeavor.org.br/mms-metricas/

    Dica do amigo Ricardo.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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