Consultoria do Rock – “Melhores de Todos os Tempos: 1998″, com participação do Minuto HM

Introdução por Eduardo [dutecnic]

Galera,

dando continuidade às republicações da série no Consultoria do Rock, o ano que foi avaliado pelos consultores, com participação do Remote, é o de 1998, e trouxe muita coisa que só especialistas mesmo da música poderiam trazer.

Como revés, há de se destacar aqui que o nome do pagodeiro só está sendo listado por uma questão de se manter a republicação íntegra. Mas que dói, dói.

Tirando isso, uma leitura mais que interessante, com muito aprendizado e pontos de vista diversos (e que enriquecem o papo), como sempre.

Ao Remote, os agradecimentos por representar o Minuto HM tão bem, e o B-Side deverá voltar para o ano de 1999, mantendo a alternância que eles estão realizando.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

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FORMAÇÃO QUE GRAVOU “THE CHEMICAL WEDDING”: ADRIAN SMITH, BRUCE DICKINSON, EDDIE CASILLAS, ROY Z E DAVE INGRAHAM

Por Diogo Bizotto

Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Flavio Pontes, João Renato Alves, Leonardo Castro, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Participação especial de Rodrigo Gonçalves, editor do portal Metal Revolution

Bicampeonato? Sim, Bruce Dickinson emplaca novamente o primeiro posto, após a consagração de Accident of Birth na edição dedicada a 1997, com mais um disco confirmando que seu negócio é mesmo fazer heavy metal encorpado e sem concessões para o lado alternativo da coisa, o grandioso The Chemical Wedding. Agora confira abaixo o restante da lista, avalie e deixe sua impressão através dos comentário. Lembrando sempre que nossa listagem final segue o sistema de pontuação do campeonato mundial de Fórmula 1.


 

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Bruce Dickinson – The Chemical Wedding (104 pontos)

Alissön: Dessa vez Bruce soube onde deveria arriscar para sair de estúdio com um disco memorável. É menos heavy, possui um tom dramático e menor urgência que Accident of Birth (1997). Além de tudo isso, brinda o ouvinte com um primor interpretativo que não se repetiria em futuros registros, tanto solo quanto junto do Iron Maiden.

André: Tudo bem, o disco é ótimo e “King in Crimson” e “Chemical Wedding” poderiam até estar no excepcional disco anterior, mas não exagerem, né, moçada. Concordo que mereça estar entre os dez, mas não em primeiro, ainda mais com tantas ótimas opções nesse ano… Enfim, Dickinson acertou de novo, pesou ainda mais nos riffs de guitarra e é uma pena que o Iron Maiden tome tanto o tempo do vocalista, porque gostaria muito que ele lançasse mais trabalhos solo nesse nível.

Bernardo: Aclamado como o melhor disco da careira solo de Bruce, no qual o cantor procurou absorver influências mais “modernas” e se basear em Aleister Crowley, resultando em um álbum interessante, ambicioso porém sem ser chato. Ainda assim, não me cativa muito.

Davi: Contando, mais uma vez, com a produção de Roy Z e as guitarras de Adrian Smith, o eterno cantor do Iron Maiden deu mais um tiro certeiro. Bruce, mais uma vez, arrebenta no trabalho vocal. A produção de Roy Z traz uma sujeira extra, aproximando o cantor da linguagem dos anos 1990, como pode ser conferido nas duas primeiras faixas, as ótimas “King in Crimson” e “Chemical Wedding”. O single “The Tower” mostra que o rapaz não conseguia tirar o Maiden de dentro de si. Outros momentos de destaque: “Killing Floor”, “Book of Thel” e “The Alchemist”.

Diogo: Considerando que Accident of Birth foi o primeiro colocado na edição dedicada a 1997, não é surpresa ver The Chemical Wedding ocupando esta posição. Sim, 1998 foi um ano musicalmente mais frutífero, mas The Chemical Wedding é ainda melhor que seu antecessor. Semiconceitual, o álbum é inspirado em trabalhos do poeta e pintor inglês William Blake, algo que poderia colocá-lo em risco e fazê-lo parecer apenas mais um entre diversos trabalhos de temática fantasiosa, mas o que ocorre é justamente o contrário. Primeiro: Bruce oferece uma de suas melhores performances como letrista, usando as obras de Blake com sapiência, a favor do álbum, não como um mero fã tentando honrar seu ídolo. Segundo, e mais importante: a estética mais moderna das composições de The Chemical Wedding empresta frescor ao disco mesmo nos momentos em que Bruce relembra seu passado com o Iron Maiden, como na ótima “The Tower”. Em geral, trata-se de canções vigorosas, com peso acima da média (inclusive parece haver guitarras em afinações mais baixas), basta conferir “King in Crimson”, “Killing Floor” e “Trumpets of Jericho”. A veia melódica não foi deixada de lado, assim como momentos épicos, que se amalgamam muito bem em obras como “Book of Thel”, “Jerusalem” e “The Alchemist”. Não é meu preferido do ano, mas a posição é muito merecida. Enquanto isso, o Iron Maiden definhava com o mal resolvido Virtual XI, lançado no mesmo ano.

Eudes: Mais riffs pesados, teclados setentistas, sequências melódicas mais ou menos óbvias e até uma rápida volta ao Iron Maiden do primeiro álbum, com “Gates of Urizen”. Legal, mas que se pode dizer da escolha? Claro que o cantor se esforça em mostrar que está para além do tatibitati metálico (em “The Tower” volta a inserir swing na receita) e até homenageia (conscientemente ou não) o Black Sabbath em “King in Crimson”, mas dificilmente o álbum se distingue fortemente no cipoal do metal de fim de século. Mas, na lista deste ano, de novo quase exclusivamente metálica, faz sentido o disco ganhar o posto máximo…

Fernando: Independente da preferência dos fãs por este ou por Accident of Birth, acho a primeira colocação dos dois muito justas. Acredito que esta é a primeira vez que um artista ou banda emplaca o primeiro lugar em dois anos seguidos, não pesquisei. A produção deixou tudo com muito peso, até em excesso em algumas passagens, mas sem nunca saturar. Bruce estava provando que o negócio dele é mesmo o heavy metal.

Flavio: O vencedor da edição de 1998 está merecidamente ocupando o posto, embora não tenha sido o meu escolhido para tal. Bruce Dickinson completa sua dupla de ouro (com Accident of Birth) com benção da Consultoria do Rock nos dois últimos anos, com justiça. O disco traz os mesmos músicos do anterior, também o mesmo produtor (Roy Z), o que é um grande acerto, pois as composições são divididas entre Dickinson e Adrian Smith ou Roy Z e aí não tem erro – é pedrada atrás de pedrada. A banda está muito bem, cada um traz boas participações e Bruce está novamente cantando o fino. Em termos de diferenças, considero The Chemical Wedding um álbum mais pesado, mais calcado em afinações baixas e com foco em um tema sobre a reencarnação de Aleister Crowley, porém julgo o anterior um pouco superior, com músicas que me agradam mais. Como destaque pode-se citar a faixa-título, a de abertura, além de “Gates of Urizen” e “Killing Floor”, mas a bolacha tem ótimo nível em todas as músicas, não havendo nenhuma fraca. Ao fim, posso dizer que este disco está sobrando (e muito) dentro da lista desse ano. Ao ouvi-lo de novo para comentar, é notável o abismo entre ele e os outros.

João Renato: No álbum mais denso de sua carreira, Bruce mostrou novos caminhos ao lado mais tradicional do estilo. Com agressividade sonora e lírica, The Chemical Wedding serviu como um sopro de novidade em um gênero combalido e cada vez mais repetitivo. Além da prova de que havia inteligência e criatividade por trás de uma carreira referencial. Se não vendeu tanto quanto devia, ao menos mostrou que o então cambaleante Iron Maiden precisava mais de Dickinson que o contrário.

Leonardo: Após o retorno ao heavy metal clássico no excelente disco anterior, o então ex-vocalista do Iron Maiden voltou com um disco ainda melhor em 1998. Pesado, denso e com diversas composições marcantes, The Chemical Wedding coroou o ótimo momento que o cantor e sua banda, que continha o também ex-Maiden Adrian Smith em uma das guitarras e o produtor e principal parceiro de Bruce nas composições Roy Z na outra, passavam. O nível é alto em todo o disco, mas ainda assim fica difícil não destacar a pesada abertura com “King in Crimson” e as excepcionais “Killing Floor” e Book of Thel. Não foi a minha escolha para o melhor disco de 1998, mas merece estar no topo.

Mairon: Bruce novamente em primeiro? Mas que fanatismo descabido. Bom, o álbum é superior ao primeiro colocado de 1997 e tem músicas impactantes, como “King in Crimson” e “The Tower”, não por acaso canções que lembram bastante o Iron Maiden no conceito geral, mas também apresenta coisas desnecessárias, como a faixa-título, a balada “Gates of Urizen” e a insuportável “Jerusalem”. As longas e chatas “Book of Thel” e “The Alchemist” já indicavam os caminhos tediosos que o Iron tomaria a partir dos anos 2000. Só eu acho o riff de “Machine Men” uma cópia de um dos riffs de “Symptom of the Universe”? Muitos consideram este o melhor disco de Dickinson. Discordo, principalmente por conta das inspirações maidenianas. Aliás, enquanto isso, o Iron afundava nas costas de Blaze Bayley, mais pelo preconceito dos fãs do que pela qualidade do material. Inclusive considero Virtual XI melhor que este primeiro lugar, totalmente sem noção. O retorno de Bruce deu fim a duas belas carreiras (a do Maiden com Blaze e a sua empreitada solo) para virar uma cópia de si mesmo, mas é isso que os fãs xiitas querem, então tome-lhe.

Rodrigo: Ainda me recuperando do susto que levei quando comprei Accident of Birth apenas um ano antes, eis que o velho Bruce, novamente acompanhado de Adrian Smith, talvez o seu grande parceiro musical, me surge do nada com mais um álbum simplesmente espetacular. Embora pessoalmente ainda prefira o álbum anterior, The Chemical Wedding é uma aula de heavy metal. Um disco pesado, melódico, maduro, tudo aquilo que o Iron Maiden não conseguiu ser no período em que Bruce passou afastado da banda.

Ulisses: Pesado, imaginativo e consistente. Só o fato deste disco conter dois épicos com mais de oito minutos que conseguem prender a atenção do ouvinte (“Book of Thel” e “The Alchemist”) já merece atenção. Mas ainda tem “King in Crimson”, “The Tower” (destaque no baixo) e “Machine Men”, todas com uma pegada de metal contemporâneo bem notável na produção, principalmente nas guitarras.


 

02-Nightfall-in-Middle-Earth

Blind Guardian – Nightfall in Middle-Earth (69 pontos)

Alissön: Foi um dos responsáveis por me fazer manter distância de qualquer coisa que leve o rótulo de “metal melódico”. É aquela cartilha básica que só faz a cabeça de quem gosta: guitarras velozes, vocais exageradamente agudos, grandiosidade e influência sinfônica. Soa mais chato ainda porque o tema é “O Senhor dos Anéis”, uma coisa que já li, assisti aos filmes e ainda não consigo apreciar.

André: Demorou, mas finalmente os bardos alemães deram as caras por aqui. Nove em cada dez tolkianos reverenciam este disco como a trilha sonora do “Silmarillion”, o livro sagrado dos nerds. Acho até melhor acompanhar o resumo da história do livro através dessas letras do que encarar a leitura travada do “Silmarillion” original. O clima do álbum é tudo aquilo que se espera do power metal: teclados épicos, como em “Time Stands Still (At the Iron Hill)”, sinfonias, vocais em coro, bateria veloz e com direito a bumbo duplo e aquela calmaria trovadoresca dos diversos interlúdios entre as principais faixas. Para quem gosta deste disco, recomendo que ouçam Live (2003),com várias versões das músicas dest álbum que ficaram até melhores que as originais. Ou se quiserem, eu resumo tudo em uma só palavra: LINDO.

Bernardo: Power metal é um gênero que satura rápido que só ele. Ouvir a mais de uma hora deste disco foi difícil.

Davi: Comprei este disco na época. Sempre gostei muito deste trabalho. A partir dele, Hansi Kürsch resolveu que seria apenas cantor, deixando o baixo de lado. A parte musical continuava tão elaborada quanto seu antecessor, Imaginations from the Other Side (1995). Por se tratar de um álbum conceitual, há vários interlúdios. Portanto, quando for ouvir, não se assuste com o número de faixas. O disco traz uma dose extra no lado épico e não se esquece do lado melódico enquanto a porradaria come solta. “Into the Storm”, “Mirror Mirror” e “Time Stands Still” já são clássicos. Belo disco!

Diogo: Enquanto Bruce Dickinson conseguiu que as músicas de The Chemical Wedding fossem muito mais importantes que o conceito por trás do álbum, o Blind Guardian lançou uma obra obviamente muito mais calcada nos escritos de J.R.R. Tolkien, quase como um roteiro musicado. Em grande parte, Nightfall in Middle-Earth funciona, mas em outra soa enfadonho, especialmente com tantos interlúdios. Para quem curte a obra de Tolkien isso talvez seja ótimo, mas não é meu caso. Não pensem, porém, que não gosto do disco. Não são poucas as faixas em que os quatro alemães se saem muito bem, tão bem quanto nas melhores canções de seu catálogo anterior, como nas pesadas “Into the Storm”, “The Curse of Fëanor” e “Mirror Mirror”, que se tornou música de encerramento dos shows do grupo desde então, tão grande foi seu impacto ao vivo. Gosto bastante também da balada “Nightfall”, de belo refrão para entoar em um show mais intimista. Entendo que muitos consideram Nightfall in Middle-Earth a melhor obra da banda, trata-se de um disco ambicioso e bem executado em sua proposta, mas prefiro o catálogo anterior do grupo, especialmente Imaginations from the Other Side e Somewhere Far Beyond (1992). Podem chamar de metal espadinha, mas ao menos esse é do bom.

Eudes: Parece que as edições de “O Senhor dos Anéis” foram esgotadas só pelo número de roqueiros que compararam o livro. E aqui temos mais um álbum mais ou menos melódico de heavy metal versando sobre a Terra Média. Se você quer um compêndio dos clichês do gênero, sobretudo da ala que incorpora escalas eruditas de alunos do primeiro semestre do curso de música, este é seu disco!

Fernando: Ponto máximo da carreira do Blind Guardian. Até hoje, quando ouço qualquer um dos outros discos, acabo pegando Nightfall para ouvir em sequência. Sabe quando você gosta tanto de um álbum que isso atrapalha seu interesse pelos outros? Lembro que da primeira vez que o ouvi estava lendo também pela primeira vez o “Silmarillion” (livro que inspirou a temática do disco) depois de já ser fã da obra de Tolkien. Para os nerds ainda temos o desafio de identificar qual passagem cada música representa.

Flavio: Trazendo a temática tolkieniana da Primeira Era da Terra Média, baseado no livro “O Silmarillion”, o Blind Guardian trouxe para Nightfall in Middle Earth elementos clássicos do power metal tradicional, com bases rápidas, intercaladas com partes mais melodiosas e insertos narrativos que ajudam a localizar o disco na temática. Há uma diferença na formação da banda, com a participação de um baixista de estúdio em substituição ao baixista/vocalista Hansi Kürsch, que passou a desempenhar e focar apenas nos vocais desse ponto em diante, talvez em função da complexidade da concatenação das duas funções ao mesmo tempo, já que seu vocal está apenas bem encaixado no estilo, não sendo um grande destaque no álbum. A banda desempenha bem, com destaque para as guitarras, o que é normalmente um dos pontos focais do power metal. Além disso há muito coro em estilo medieval permeando toda a bolacha, algo que me soa um pouco enfadonho. Como destaque posso elencar as musicas “Nightfall” e “Mirror Mirror” (lançada como single) e “Thorn”, com um trabalho muito interessante em direção ao prog metal na parte instrumental do meio da música. É um disco bom, um dos destaques da discografia da banda, principalmente recomendado para os adeptos do estilo.

João Renato: Apesar de gostar muito, este disco deixou de fazer parte do meu playlist há tempos. Mesmo assim, não dá para negar que foi de grande importância, não apenas para o Blind Guardian, como para o power metal como um todo, antecipando a febre “O Senhor dos Anéis”, que viria nos anos seguintes. Nada que os alemães lançaram posteriormente me cativou da mesma forma.

Leonardo: O auge da carreira do grupo alemão foi o impecável Imaginations from the Other Side, um dos melhores discos de metal dos anos 1990 e que coroava uma sequência de ótimos álbuns que a banda vinha lançando desde meados dos anos 1980. Contudo, apesar de excelente, o disco seguinte, Nightfall in Middle-Earth, é um pouco inferior ao seu antecessor. Menos pesada e agressiva, a banda passou a apostar em musica mais melódicas e com mais influências medievais. E por se tratar de um álbum conceitual, há diversas introduções e interlúdios, que dificultam a audição do disco por completo. Mas, apesar disso, a quantidade de músicas acima da média impressiona, principalmente as espetaculares “Into the Storm”, “Nightfall” e “Mirror Mirror”, todas possuidoras de riffs e refrãos marcantes. E o desempenho vocal de Hansi Kürsch é sempre de se destacar.

Mairon: Álbum baseado no livro do cara do “Senhor dos Aneis”? É, fui com um pé atras. Nos momentos musicais, gostei de “Into the Storm”, “Mirror Mirror”, “The Curse of Fëanor” e “When Sorrow Sangs”, todas canções velozes e com uma baita performance do baterista Thomas “Thomen” Stauch. O disco começa bem, mas como tudo de Tolkien, depois de algum tempo se torna cansativo. O demasiado número de vinhetas entre as músicas auxilia para tornar a audição ainda mais maçante, mas, no geral, é um bom disco, que me surpreendeu positivamente, apesar da sua longa duração.

Rodrigo: Este álbum representa uma espécie de fronteira final na minha relação com a banda e seus lançamentos de estúdio. Se por um lado é o disco em que começaram a mudar o som e fazer experimentações com orquestras e músicas mais elaboradas, se afastando definitivamente do som cru que caracterizou os primeiros álbuns, por outro lado foi o último trabalho em que a banda conseguiu um equilíbrio salutar entre as músicas mais diretas e as mais trabalhadas, resultando em um disco memorável, repleto de pérolas como “Into the Storm” e “Mirror Mirror”. Um adendo: embora tenha minhas ressalvas com os álbuns de estúdio lançados pela banda neste milênio, os shows continuam excelentes.

Ulisses: Power metal por power metal, nunca fui chegado no Blind Guardian. Os caras capricharam na parte lírica e nos interlúdios, mas a música é um bocado insossa e cansativa.


 

03-Ray-of-Light

Madonna – Ray of Light (63 pontos)

Alissön: É meu disco favorito da diva do pop por incontáveis motivos. Fora o fato de eu ser doente por trip-hop, acredito que neste álbum Madonna conseguiu acertar em cheio a sua capacidade de adaptar seu som pop às tendências do momento. Apesar de realmente se tratar de um disco de trip-hop/downtempo, ainda temos tudo o que queremos em um disco da Madonna: dance pulsante com seu vozeirão (faixa-título), música calma levada por violão (“Candy Perfume Girl”, delícia de faixa), baladas (“The Power of Good-Bye”), tudo muito bem arranjado em um disco que ainda soa refrescante, mesmo passados anos da explosão do som trip hop de AIR e Massive Attack. Melhor disco da rainha do pop, mas infelizmente o último que vale a pena ser conferido em sua carreira.

André: Sei que a crítica e, aparentemente, alguns consultores aqui louvam este disco que, segundo dizem as más línguas, faz parte da “fase brega” da cantora. Conheço muitas dessas músicas devido à MTV exibir maciçamente seus clipes, principalmente o de “Frozen”. Dizem que é o álbum do amadurecimento pessoal e musical da Madonna. Não sei ao certo de que maneira enxergar este disco. Os sintetizadores usados ficam naquela linha trip hop/downtempo, algo que ninguém esperaria de alguém que gravou Like a Prayer (1989). Exceto por “Nothing Really Matters” e mais um ou outro momento, tudo é bem enfadonho. “Shanti/Ashtangi” me lembrou uns discos horripilantes que o Peter Gabriel lançou nessa mesma época. O que admiro em Madonna é seu vocal, que é sempre belíssimo. Mas pelo jeito só vou gostar disso mesmo. E creio que bandas como Portishead e Moloko exploram muito melhor os campos do trip hop.

Bernardo: Madonna, depois de umas aulinhas de canto para o filme “Evita” (1996), abraçou várias influências modernas – música eletrônica, drum and bass, música eletrônica –, mostrando a artista mais amadurecida e pronta para experimentar. Depois de maravilhar e chocar meio mundo, foi com Ray of Light que Madonna mostrou que veio para ser um ícone duradouro. A faixa-título, cruza de rock com eurodance, é um clássico pop que ainda vale a pena ser ouvido.

Davi: Espetacular! Madonna se reinventava novamente. Continuava flertando com a eletrônica, algo com o qual ela vinha brincando seriamente desde Erotica (1992), porém explorou o estilo com maior profundidade. Houve também uma mudança no teor das letras, que apontam para um teor mais místico. Influência direta pela sua aproximação com a Cabala. Sem nenhuma dúvida, o melhor trabalho que gravou na década de 1990 e um dos pontos altos de sua discografia. Faixas de destaque: “Substitute For Love”, “Swim”, “Ray of Light” e “Frozen”.

Diogo: Gosto do rumo que Madonna deu para sua carreira nos anos 1990 e, apesar dela nunca mais ter feito um disco tão bom quanto Like a Prayer (1989), singles formidáveis não faltaram. Ray of Light quebrou um pouco essa lógica ao oferecer uma boa obra na íntegra, homogênea sem soar enfadonha ou repetitiva. A cantora submergiu de vez na música eletrônica, mas o fez com classe, embalando algumas ótimas canções em formato trip hop e soando moderna da maneira mais positiva possível. Nada daquele papinho de que ela dita tendências e o escambau, pois nesse caso ela estava seguindo algo que já vinha se firmando, mas o que importa, acima de tudo, é constatar a qualidade de canções como “Drowned World/Substitute for Love”, “Swim”, “Frozen”, a magnífica faixa-título e a ainda melhor “The Power of Good-Bye”, da qual eu até havia esquecido antes de reouvir este álbum antes de preparar minha lista. Ainda bem que não passou em branco.

Eudes: Melhor disco da lista. Nunca vi nada de mais em Madonna, nem muito bonita eu a acho, e sempre questionei a defesa da artista em nome de sua capacidade de manipular a mídia (afinal, que diabos isto tem a ver com a qualidade da música?). Digo isso para deixar claro que meu amor por este álbum pouco tem a ver com a vida pregressa da cantora. Acho inclusive que, depois de Ray of Light, sua carreira voltou ao sem-gracismo de sempre. Mas, senhoras e senhores, este disco é bonito demais da conta! Muitos atribuem isso à produção centrada nas sonoridades eletrônicas. Vamos combinar, raramente tais sonoridades foram usadas com tanta precisão, delicadeza e organicidade como aqui. O disco é quase um The Dark Side of the Moon (Pink Floyd, 1973) para os anos 1990, no que diz respeito a colocar a inventividade e os recursos de estúdio a serviço do pop apaixonante. Mas, como sempre, o que faz a diferença são elas, as canções! E elas são maravilhosas, valorizadas pelas paisagens congeladas do background digital providenciado por William Orbit. Para começar, o CD tem uma das melhores sequências de abertura já gravadas: “Drowned World/Substitute for Love” e “Swim”. “Sky Fits Heaven” deixaria o Kraftwerk orgulhoso, enquanto “Shanti/Ashtangi” responde pelo lado menos pop da coisa. E é aí que a coisa fica séria! “Frozen”, “The Power of Good-Bye” e “To Have and Not to Hold” formam um sequência que beira o celestial. E quando nos sentíamos a salvo de tanta beleza, eis que Madonna nos aparece com “Mer Girl”, só pra chatear! Brilhante!

Fernando: Mairon, Mairon, Mairon… Que fixação pela Madonna, hein!!!

Flavio: Ao se juntar com o produtor Babyface, Madonna se dirigiu à música eletrônica, misturada com elementos de música indiana, já que na época ela estava engajada no estudo do hinduísmo, do budismo etc. O resultado é o aclamado, consagrado e cultuado disco Ray of Light. E o que eu acho disso? Acho um álbum muito chato, que custou a acabar nos seus longos 60 e tantos minutos. Apesar de não ser fã da cantora e principalmente do estilo pop açucarado que a consagrou, considero que Ray of Light, o sétimo em sua discografia, consegue ser bem pior do que tudo que havia lançado até a data. Um vocal enfadonho, falta de verdadeiros músicos, mistura de samplers, repetições de um estilo monolítico, enfim, um álbum para esquecer. Destaque: nada, nem o single “Frozen”, ou a super executada faixa-título me chamam maior atenção.

João Renato: “Frozen” é uma excelente música, hit categórico. Ray of Light é o melhor álbum da carreira de Madonna. Nota 3.

Leonardo: Interessante disco da cantora norte-americana, bastante melódico e atmosférico. Não é a minha praia, mas dá para ouvir o álbum inteiro numa boa. E “Frozen” é uma música excepcional.

Mairon: Não sei se é bom, se é ruim, mas a sensação de falar sobre um álbum que você ouviu fresquinho, na época, é no mínimo estranha e diferente, e ela voltou novamente quando eu fechava minha lista de melhores. Cara, Ray of Light, em 1998, foi um choque. Depois de Erotica trazer todo o erotismo de Madonna, e Bedtime Stories (1994) acalmar os ânimos, além do musical “Evita” causar conflitos entre os xiitas e os apaixonados por tudo o que a norte-americana faz, ninguém esperava com o que a rainha do pop poderia sair, e ela veio com Ray of Light, levado pela sua conversão à Cabala, e que trouxe pérolas lindas e dançantes como “Nothing Really Matters”, “The Power of Good-Bye” e “Sky Fits Heaven”, ou envolventes e viajantes como “Swim”, “Skin” e “To Have and Not to Hold”. Enfim, todas as 13 faixas do disco têm seu valor, mas como não citar os maiores sucessos dele? “Ray of Light” e “Frozen” tocaram insanamente em tudo que é lugar, e, particularmente, prefiro a segunda que a primeira. De qualquer forma, elas apresentaram a vovó Madonna para uma geração que só conhecia Britney Spears, Backstreet Boys, Christina Aguilera, Spice Girls e outras boy & girl bands. Com Ray of Light, a coroa mais enxuta da música colocou todo mundo na pantufinha, e como em um lindo domingo ensolarado de inverno, caminhou suavemente pela calçada do sucesso com um álbum mágico. Uma surpresa vê-lo entre os dez mais, mesmo com ele tendo sido um estrondoso sucesso de vendas, alcançando a primeira posição em 17 países e tendo hoje superado a marca de 24 milhões de cópias em todo o mundo. Para mim, é top 5 fácil da carreira de uma das maiores artistas de todos os tempos. Para os fãs, me comprometo: neste ano sai a discografia comentada de Madonna aqui na Consultoria. E tenho dito!

Rodrigo: Embora o pop não esteja entre as minhas escolhas musicais habituais, nunca tive nada contra Madonna e sempre escutei suas músicas sem qualquer tipo de problema. Lembro que este álbum foi cercado de expectativa, pois seria o primeiro da cantora após o nascimento de sua filha, algo que parece refletir no direcionamento musical do álbum. Musicalmente, Ray of Light flerta com vários estilos, o que demonstrou maturidade musical e causou reações diversas nos fãs. Curiosamente, quando penso neste trabalho, o que imediatamente me vem à cabeça é o excelente cover para a faixa “Frozen” gravada pelo vocalista Jeff Scott Soto.

Ulisses: Chatíssimo. Conheço pouco da carreira da Madonna, mas não esperava ter de ouvi-la cantando sobre entediantes camadas do que parece ser trance e trip-hop. Passo!


 

04-The-Sound-of-Perseverance

Death – The Sound of Perseverance (56 pontos)

Alissön: Não é meu favorito do Death, mas a musicalidade é absurda. Tecnicamente impecável, executado de maneira cirúrgica, sem deixar de lado a animalidade do death metal e a qualidade das partes melódicas. “Scavenger of Human Sorrow” deve ser o objetivo de todo aprendiz de bateria mundo afora. Ah, nem acho o cover de “Painkiller” tão bom como falam.

André: Último disco de estúdio antes de Chuck Schuldiner deixar este mundo, The Sound of Perseverance é uma bela despedida do músico que deixou seus fãs com aquela sensação do que mais poderia vir. Apesar de Symbolic (1995) ser melhor, temos mais um death metal instigante e de técnica apurada, coisa já corriqueira em qualquer disco que se ouça do Death. Posso dizer que gostei mais da banda depois de ouvir todos esses discos que apareceram nesta seção e despeço-me dela lembrando de “A Moment of Clarity” como uma canção que seria o resumo do quão diferenciada a banda foi. Mas, ainda assim, pule o cover de “Painkiller”, do Judas Priest.

Bernardo: O último álbum do Death tem um título tão irônico quanto poético, parecendo conversar diretamente com a morte de Chuck Schuldiner. Tem alguns dos momentos mais criativos e inspirados da banda que ajudou a tornar o death metal respeitado como um estilo técnico, complexo e ambicioso. Canto do cisne apropriado para uma banda tão marcante e revolucionária.

Davi: De todos os discos de death metal que ouvi por aqui, este foi o melhor. O álbum traz uma pegada mais técnica, arranjos mais trabalhados. Obviamente, o peso é mantido. Richard Christy destrói na bateria e o trabalho de voz está bem superior aos álbuns anteriores. Mais rasgado, menos urso. Pena que cagaram no final do disco com uma versão horrorosa de “Painkiller” (Judas Priest). No mais, trabalho bem interessante.

Diogo: Cada vez menos death metal, mas cada vez mais absurdamente técnico e desafiador, o Death em final de carreira era uma banda muito diferente daquela que estreou em 1987 com Scream Bloody Gore, mas a ideia de fazer exatamente aquilo que queria, sem qualquer tipo de concessão ou limite criativo permanecia a mesma. “O som da perseverança” é um título adequado e profético, refletindo os rumos tomados por Chuck Schuldiner e prenunciando seu destino trágico, a morte precoce aos 34 anos, em 2001. Uma coleção de músicas complexas porém cativantes é o que o ouvinte vai encontrar em The Sound of Perseverance, levadas a cabo por uma banda muito consciente da sua grande capacidade de colocar em prática andamentos complexos, com destaque para o novato baterista Richard Christy, que se tornaria posteriormente uma radialista e humorista famoso em nível nacional. Ouvir e não se impressionar com pedradas do porte de “Scavenger of Human Sorrow”, “Flesh and the Power It Holds” e “To Forgive Is to Suffer” é atestado de que seus sentidos não estão lá muito apurados, e não reconhecer a qualidade de instrumental “Voice of the Soul” é atestado de insensibilidade. Minha suspeição para tecer mais elogios é enorme, mas não posso deixar de frisar que todas as restantes também são ótimas e The Sound of Perseverance encerra muitíssimo em alta, mesmo que precocemente, a carreira da banda que tenho orgulho de chamar de favorita.

Eudes: Puxa, por essa não esperava, metal quase extremo (os caras são moles e caem na melodia de vez em quando) com guitarras de uma nota só, tocadas como serra elétrica, vocais cavernosos declamados e bateria de dois bumbos (não entendo por que estas bandas não usam logo um sequenciador!) era tudo que eu precisava na véspera do Ano-Novo… francamente, com o salário que vocês me pagam, eu devia processá-los.

Fernando: Ultimo disco da cultuadíssima e seminal banda de death metal, mas ao meu ver abaixo dos anteriores, não? Quem já leu meus textos sabe que esse é um daqueles grupos que eu classifico como “só eu não gosto”, apesar de ter alguns CDs deles e gostar de algumas músicas.

Flavio: Aqui uma surpresa para mim, que conhecia pouco da banda, já que não sou fã do estilo death metal. O Death traz no seu último disco um claro direcionamento com muita mescla com prog metal, com destaque para um trabalho quase sobrenatural do baterista. As músicas exibem muita mistura e mudança de cadência, com um ótimo trabalho de toda a banda, inclusive com espaço para um instrumento que normalmente fica perdido na massa sonora, o contrabaixo. Além de boas composições verifica-se o ótimo trabalho da banda na cover de “Painkiller”, na qual a bateria é praticamente fiel à original e o restante do instrumental é desempenhado com fidelidade, sendo que os solos estão modificados (com minha preferência para versão original). Minhas maiores restrições são em relação ao vocal. Embora Chuck Schuldiner fuja do tradicional gutural, e traz para esse álbum um estilo estridente e rasgado que também não me agrada. É impressionante como sinto uma boa sensação quando há apenas o instrumental, mas quando volta o vocal é aquela sensação de perturbação. Um excelente e consagrado disco para os adeptos do estilo que sintonizam bem com os vocais estridentes de Schuldiner.

João Renato: Com uma formação de respeito, Chuck Schuldiner se despediu do Death (embora ainda não soubesse) oferecendo um disco que é primoroso no aspecto técnico. Para quem gosta do estilo, deve ser ainda melhor.

Leonardo: Assim como no caso do Blind Guardian, em 1998 o Death lançou o sucessor do melhor disco da sua carreira, neste caso, o maravilhoso Symbolic. E assim como aconteceu com os alemães, o resultado, apesar de excelente, ficou abaixo do seu antecessor. Mais técnico e intricado, The Sound of Perseverance levou o metal extremo do conjunto ao limite da complexidade, com diversas mudanças de riffs e andamentos. Infelizmente, este seria o último trabalho do grupo.

Mairon: Até acho o instrumental do Death muito bom, mas não consigo gostar da voz de Chuck Schuldiner. É muito irritante em determinas canções. Mas enfim, tirando isso, The Sound of Perseverance é um disco que investe em canções longas, bem trabalhadas, com um exímio trabalho de guitarras. É um álbum que me surpreendeu positivamente, e é difícil dizer qual música é a melhor, ou qual a pior, já que é muito parecido no geral. Para ficar com as que achei mais interessantes, cito “Scavenger of Human Sorrow”, a linda instrumental “Voice of the Soul”, o solo de “Story to Tell” e, porr*, eu não vi o tracklist antes, então, me surpreendi totalmente quando a introdução de “Painkiller” estourou os alto falantes do PC, tornando-se fácil a melhor do disco, que não ouvirei novamente tão cedo, mas até que não fez tão feio ao ficar entre os dez mais.

Rodrigo: Quem me conhece sabe que o Death é a minha banda favorita. É a única que posso dizer que gosto de todos os seus trabalhos, sem exceções. Tendo dito isso, não existe nada mais difícil do que me pedir para eleger um álbum favorito do Death, mas este entra com certeza no top 3. Tudo neste disco é excelente, mas alguns fatores se destacam: como Chuck conseguiu mais uma vez recomeçar do zero, com uma formação completamente diferente, com destaque para o trabalho espetacular do baterista Richard Christy; as letras, e o desenvolvimento das músicas, extremamente criativas e bem trabalhadas. No fim, sem qualquer tipo de alarde, a última grande surpresa que Chuck aprontou para os seus fãs: uma versão espetacular de “Painkiller”, clássico do Judas Priest.

Ulisses: Pense em um negócio intrincado. Em um disco com instrumentistas de tamanho calibre, precisão é a palavra da vez. As composições puxam ainda mais para o progressivo, geralmente passando dos seis minutos. Além dos mamutes de sempre, destaco a monumental “The Flesh and the Power It Holds, a sublime instrumental “Voice of the Soul” e, claro, o ótimo cover de “Painkiller”, clássico do Judas Priest, que ficou brutal com a interpretação de Chuck e novos solos de guitarra.


 

05-Psycho-Circus

Kiss – Psycho Circus (53 pontos)

Alissön: Produção porca para músicas insípidas.

André: Sei que muita gente vai chiar com a entrada deste disco, mas olhe, até que eu gosto bastante dele. Acho o melhor talvez desde Lick It Up (1983). A faixa-título tem aquele jeitão debochado e festeiro do Kiss que eu sinto falta desde aquela época. Também gosto muito de “Within” (riffaço aqui hein, parece que foi o Bruce Kulick que gravou), “Into the Void” e “Journey of 1.000 Years”. Último disco antes de um hiato de mais de uma década de novas composições e último respiro da formação original. Dizem que os bastidores dessa tour foram bem tensos. Eu bem que precisava ler uma biografia da banda que retratasse justamente essa época.

Bernardo: A banda voltando com a formação original e, como sempre, você pode fazer como fazia com os discos antigos: ouvir só os singles – “Psycho Circus”, “We Are One”, “You Wanted the Best”, variando entre medianas e divertidas – e esquecer o resto meia hora depois.

Davi: Grande disco dos nossos amiguinhos mascarados. Depois da Reunion Tour, era mais do que esperado o tal novo álbum de inéditas com a formação clássica. Infelizmente, a gravação do disco ajudou a azedar de vez a tal reunião. Embora seja um álbum da volta da formação clássica, Ace Frehley e Peter Criss quase não tocam no CD. Mesmo assim, o álbum trouxe o Kiss de volta a um hard rock mais direto e conta com excelentes composições como “I Pledge Allegiance to the State of Rock & Roll”, “Into the Void”, “Raise Your Glasses” e “Within”, além da já clássica faixa-título. Para ouvir no talo!

Diogo: Citei na edição passada, “contemplada” com Carnival of Souls, que o pessoal gosta de colocar uns discos “meio meio” do Kiss por aqui. Não é o caso de Psycho Circus, um álbum que fez jus a todo o burburinho que cercou o retorno da formação original. Ok, Ace Frehley e Peter Criss não participaram muito ativamente do processo de composição e gravação (especialmente Criss), mas Paul Stanley e Gene Simmons, auxiliados por músicos de estúdio, compensaram com sobras a ausência dos colegas, compondo algumas ótimas canções que remetem a fases diferentes do Kiss sem soarem como uma volta ao passado, inserindo-se em 1998 sem parecerem dinossauros egressos de outra era. Entre os melhores exemplos estão a faixa-título (hardzaço pra animar os fãs de Stanley, como eu), “Within” (Simmons revisitando a agressividade dos dois discos anteriores), “Into the Void” (canalha como só Ace consegue ser) e “We Are One” (balada no melhor estilo melódico de Simmons, tal qual “Goin’ Blind e “See You Tonight”), que tocou muito no rádio lá em Vacaria (RS). Como fã de Stanley, não posso deixar de destacar também “Raise Your Glasses” e “Dreamin’”, que remetem ao que o guitarrista e vocalista ofereceu nos anos 1980. Psycho Circus é um bom disco, que cresceu muito com cada audição.

Eudes: Sempre me sinto mal em falar mal do Kiss. Primeiro porque, pode até ter, mas nunca conheci um fã mau caráter da banda; segundo porque, sobretudo no discos dos anos 1970, os músicos, sabendo que a banda era fraquinha, pareciam tirar proveito disso, exibindo uma atitude saudável de não se levar a sério e se assumindo abertamente como pastiche do que as pretensiosas bandas da época fingiam ser. Agora, o Kiss se levando a sério em 1998, meus amigos, é dose cavalar (sem trocadilho).

Fernando: O disco de retorno do Kiss provou que os quatro caras juntos fazem a diferença. E essa opinião vale mesmo sabendo que a banda continuou usando músicos de estúdio para as gravações. Retornaram para o tipo de música que faziam lá nos anos 1970, mais festivas e com mais atitude rock and roll. Entretanto, mesmo com ótimas canções, apenas a faixa-título é tocada hoje nos shows, o que mostra que os fãs querem mesmo os clássicos.

Flavio: Com o retorno da formação original houve uma mudança radical no estilo do álbum novo, principalmente se olharmos para os dois anteriores de inéditas. Psycho Circus é um disco razoável, contendo boas músicas e outras nem tanto. Em termos de foco comercial, o álbum é bem ajustado, trazendo a temática de um circo, o que norteia a produção do show, devido à característica especifica para seu tema. Além da faixa-título, a música “Raise Your Glasses” é direcionada para funcionar com os efeitos em 3-D que aparecem tanto na capa quanto no show (embora nunca tenha sido tocada ao vivo até hoje), o que mostra que a banda estava sempre pensando em inovar, pelo menos visualmente. Em termos musicais, Psycho Circus tenta se enquadrar ao estilo de Destroyer (1976), mas não atinge o seu nível de qualidade. Isto fica mais claro ao observarmos que Bob Ezrin era o produtor escolhido inicialmente para o álbum, e mesmo não tendo participado dessa forma, acabou contribuindo no álbum, tocando e sendo coautor na balada de Peter, que visivelmente tenta se enquadrar na fórmula de “Beth”. Dessa vez o tiro não acerta o alvo – a música não se sobressai. O fato dos membros originais aparecerem na capa, mas nem todos participarem ativamente do álbum, acaba trazendo um ar meio artificial, não parecendo como um álbum “de banda”, mas sim um apanhado de canções, em uma produção focada em criar um sucesso comercial. O relacionamento com Bruce Fairbairn (que faleceu em maio de 1999, de causas desconhecidas) também não foi dos mais amenos (em especial com Paul Stanley) e pode ter atrapalhado o andamento das gravações, já que em uma das últimas faixas a serem gravadas, “I Pledge Allegiance to the State of Rock & Roll”, o produtor nem sequer participou, deixando todo o trabalho a cargo de Paul Stanley e Mike Plotnikoff. Como destaques, coloco a ótima faixa-título, a pesada “Within” (que se enquadra na fórmula “God of Thunder”), Dreamin’ (bem calcada em “I’m Eighteen”, de Alice Cooper – o que causou até um processo por plágio) e “Journey of a 1.000 Years”, que contém um interessante arranjo de cordas baseado na melodia da faixa de abertura. “Into the Void” é uma música que se encaixaria melhor em um álbum solo de Ace do que propriamente em um do Kiss. As outras não chamam atenção, apesar do sucesso comercial de “You Wanted the Best” e “We Are One” (no Brasil, muito executada nas rádios FM na época do show de 1999).

João Renato: As quatro primeiras músicas são excelentes, renderiam um EP memorável para marcar o retorno da formação original – embora Ace Frehley e Peter Criss não toquem em boa parte do trabalho. Depois se arrasta, com alguns bons momentos. Mas “We Are One” e as três últimas são dispensáveis.

Leonardo: Já afirmei em algum outro artigo desta série que o Kiss é a minha banda favorita. Mas, infelizmente, Psycho Circus está longe de ser um dos seus melhores discos, e mais longe ainda de ser um dos melhores de 1998. A faixa-título tornou-se um hino da banda, as demais composições de Paul Stanley são boas, e a música escrita pelo guitarrista Ace Frehley, “Into The Void”, é excelente. Contudo, a grande maioria das canções escritas pelo baixista Gene Simmons é decepcionante, como “Within”, “We Are One” e “Jorney Of 1.000 Years”; e a balada cantada por Peter Criss chega a ser vexatória. Em resumo, um disco que alterna bons, maus e péssimos momentos. Mediano.

Mairon: Um dos melhores discos do Kiss. Podem dizer o que bem quiserem, mas Psycho Circus foi um disco que, além de surpreendente, colocou muita gente novamente no caminho do rock. Só a faixa-título é um dos grandes hinos que a verdadeira formação do Kiss (Paul, Ace, Gene e Peter) criaram, assim como “Into the Void”, trazendo a voz de Ace e um refrão marcante, que agitou a turnê da banda durante o ano de 1999, mas ainda temos mais. Engana-se que temos aqui o Kiss festeiro dos anos 1970, mas sim uma banda revigorada, soltando a mão em preciosidades como “I Pledge Allegance to the State of Rock & Roll” e “Raise Your Glasses”, fazendo misérias na épica “Journey of 1.000 Years”, dividindo os vocais na animada “You Wanted the Best” e fazendo Paul voltar aos anos 1980 na ótima “Dreamin’”, uma canção que ainda hoje não entendo por que não fez sucesso. Até o peso grunge que rolou em Carnival of Souls aparece com sobras na ótima “Within”. O retorno de Ace às seis cordas da banda, e ainda por cima mascarado, foi comemorado em todo o planeta. A capa holográfica, com a cortina abrindo, era tão legal e tão empolgante de se ver. Não existia isso naquela época, não como o Kiss fazia. O único deslize vai para quando “o homem de ‘Beth’” resolve voltar ao passado na chatinha e desnecessária “I Finally Found My Way”. Peter podia ter feito algo pelo menos animado, mas essa faixa realmente é descartável. Assistir os quatro ao vivo em 1999, mascarados, originais, até hoje posso dizer que foi o melhor show da minha vida. Lembro também da baladinha “We Are One”, que rolou muito nas rádios aqui do Sul do País, e talvez tenha sido a maior frustração de muitos que foram no Jockey Club de Porto Alegre para ver a banda. Top 5 fácil do grupo e no mínimo um top 3 nesse ano (era para ter ficado em primeiro, mas o fanatismo por Bruce Dickinson infelizmente impediu).

Rodrigo: Nunca fui fã do Kiss, mas deste lançamento me lembro muito bem. Havia começado a escutar rock alguns anos antes, não cheguei a pegar nenhuma das fases de mais sucesso da banda, mas tinha noção da sua importância para o rock e tudo o que li em revistas (principal fonte de informação disponível naquela época) e em ocasionais programas que passavam na finada MTV. Lembro de ter escutado o álbum algumas vezes na casa de um amigo na época de seu lançamento, mas não foi algo que me fez gostar do Kiss. Afora a comoção grande que causou entre os fãs mais fervorosos dos mascarados, o que mais me lembro deste álbum é do videoclipe da faixa-título sendo exibido com bastante frequência entre um seriado e outro de um canal de TV a cabo.

Ulisses: Psycho Circus sempre me remete ao jogo de tiro de mesmo nome para PC que joguei quando pivete, do próprio Kiss, com uma jogabilidade ao estilo Quake e Duke Nukem; bem divertido, porém menosprezado. Já o disco, que ouço pela primeira vez agora, também não é nada mau. A abertura com a faixa-título já empolga e cativa, assim como as guitarras de “I Pledge Allegiance to the State of Rock & Roll” e a bela “I Finally Found My Way”, com violinos e tudo. O restante do tracklist é sólido, mas sem grandes surpresas. O Kiss se saiu melhor no jogo, mesmo.


 

06-System-of-a-Down

System of a Down – System of a Down (51 pontos)

Alissön: Já em sua estreia a banda mostra muita propriedade ao compor um disco que não se assemelha a nada produzido dentro do metal durante o período – não me venham com essa loucura de que a banda faz parte do nu-metal, por favor. O som ainda é mais simples e direto ao ponto, sem muito espaço para variações ou baladas. A influência de música oriental é um pouco tímida, ficando mais por conta dos vocais de Serj Tankian, algo que ajuda a introduzir os menos afoitos a experimentações ao som do quarteto. No fritar dos ovos, System of a Down, de certa forma, é a cara do metal noventista: moderno, olhando sempre para frente sem medo de experimentar, mas sem desprezar aquilo que fora feito por seus mestres.

André: Essa é uma banda que eu tinha tudo para não gostar. Ritmos estranhos, a progressão harmônica das músicas muda a todo instante, letras nas quais muitas vezes não encontro muito sentido e parecem aleatórias. Mas aí começa a tocar em qualquer fundo de carro ou de rádio por aí e a atenção cai direto a eles. E eu acabo gostando. A maioria das músicas são curtas e os riffs são sempre bem sacados. Incrível como produzem riffs curtos que são marcantes. Deste disco, a conhecida “Spiders” chama toda a atenção para si.

Bernardo: Debut arrasador da banda que se tornaria um dos grandes ícones da geração de música pesada dos anos 2000. Banda que parece já ter nascido “pronta”, aqui já estavam consolidados todos os elementos que fariam Toxicity (2001) estourar anos depois – riffs distorcidos e agressivos, calcados tanto no heavy metal quanto no punk rock, cozinha intensa, no limiar entre o thrash metal e o hardcore, refrãos marcantes, andamentos esquisitos, intervenções cômicas e, claro, a forte abordagem política, marca registrada da banda. A esquizóide porrada “Sugar” e a arrebatadora “War?” tornaram-se clássicos instantâneos, mas talvez o ponto seja a power ballad “Spiders”, com Serj Tankian oferecendo uma interpretação magistral e emocionante, com um clímax pesado que bota tudo abaixo.

Davi: Uma das últimas bandas que realmente me chamaram atenção. Fazem um som pesado e cheio de personalidade. As maluquices da dupla Serj Tankian e Daron Malakian fazem com que o grupo soe diferente de tudo que está por aí. No universo do System of a Down vale tudo: porradaria, experimentações, músicas melódicas, letras irônicas, letras de protesto. Nunca sabemos o que esperar de um álbum dos caras até darmos o play. Enquanto muitos grupos demoram a encontrar seu caminho, no seu álbum de estreia o grupo já se mostrava bem resolvido musicalmente. A primeira metade é o melhor momento do disco, na qual seguem-se petardos e maluquices como “Suite-Pee”, Know” e “Sugar”. E tudo ficaria ainda melhor no seu álbum seguinte, o ótimo Toxicity.

Diogo: O sucesso desses caras com Toxicity, fazendo um som pesado e todo “torto”, chamou minha atenção lá nos idos de 2002, e nem a associação do grupo ao nu metal, algo que eu rejeitava por completo na época, foi suficiente para que eu não gostasse do quarteto. Mas foi só anos depois que travei contato por inteiro com sua primeira obra, autointitulada. As principais características que tornariam a banda famosa já estão emSystem of a Down, mas há todo um senso de urgência e intensidade que guia o tracklist até mais do que a estrutura das composições, algo bem evidente pela curta duração das canções. Em meio a melodias exóticas, riffs cuspidos com velocidade, andamentos atípicos, muita porradaria e a versatilidade vocal de Serj Tankian, algumas canções se destacam, como “Suite-Pee”, “Sugar”, “Suggestions”, “War?”, “Darts” e “P.L.U.C.K.”. A melhor mesmo, porém, é aquela que mais indica o caminho seguido a partir de Toxicity, com um tino melódico mais acentuado e atenção maior à estrutura das canções. Refiro-me a “Spiders”, uma das grandes músicas da década de 1990. Se depender de mim, vai ter ainda mais System of a Down na série.

Eudes: Tá bom, tá bom, o SOAD é da família das bandas que começam com dedilhados de guitarra e passam para explosões sônicas em quase todas as faixas, mas eles sabem como fazer isso sem encher o saco do ouvinte. Música pesada fora do eixo e bem diferente do que a maioria fazia na mesma faixa naquela época. A banda só atingiria o auge em Toxicity, mas este álbum atende a quem quer ouvir hard rock com certo percentual de cérebro (e você ainda fica sabendo de onde vem o popular refrão “uh, vai morrer”).

Fernando: O show é divertido e o disco começa legal. Percebe-se que a criatividade é o mote principal da banda, com muitas variações de andamento e alternâncias de técnicas vocais. O problema é que depois da metade do álbum as coisas ficam cansativas. Mesmo assim, não discordo de sua inclusão. A banda, apesar de não gravar nada faz tempo, ainda é importante por incluir muita molecada no mundo do metal.

Flavio: Este foi um disco que avaliei bem, mesmo antes da divulgação do resultado final. O System of a Down é criador de um estilo único que mistura heavy rock com o que proclama como alternative metal. O vocal é um marcante delineador do estilo da banda, com momentos de “melodias irônicas”, permeadas com vocais quase guturais. No geral, o timbre de Serj Tankian, que traz forte influência libanês-árabe/armênia, não me agrada, apesar de bem executado. Com instrumental bem sincronizado com a constante mudança de andamento rítmico, o System of a Down chama atenção pela criatividade nas composições e coerentemente criou uma boa legião de fãs. Portanto, embora haja boa competência dos músicos, o resultado no geral não me agrada, apesar de várias audições. Recomendo como um disco criativo e entendo como um bom integrante desta lista.

João Renato: A melhor banda de sua geração e cena. Melhoraria ainda mais nos trabalhos posteriores. Para começo, estava legal. Não é fácil de assimilar, especialmente para quem está acostumado com o convencional. Mas vale a pena embarcar nessa viagem.

Leonardo: Original, diferente e, infelizmente, chato. A mistura de rock pesado com elementos étnicos não funcionou, pelo menos para mim.

Mairon: A banda que chegou arregaçando no final dos anos 1990, e que fez muito headbanger se crucificar por conta da guitarra endiabrada de Daron Malakian. O estilo inovador misturando música pesada, frases faladas rapidamente – um dos principais dotes de Serj Tankian –, inserções de linhas orientais e momentos intrincados/mais lentos, fez com que muitas mocinhas também passassem a gostar de um som mais pesado. Exemplos claros do que é esta estreia são “Sugar”, “CUBErt”, “Spiders”, “War?”, “Peephole”, todas peças seminais, fortes, com suas variações repletas de intensidade e criadoras de uma geração de seguidores do rock a partir de então. Não tem como não se empolgar e pensar em uma roda punk em “Know” e “Soil” ou parar para pensar na maluquice criada nas insanas “Suggestions”, “Darts”, “DDevil” e na longa “Mind”. Os gritos guturais de “Suite-Pee” e “P.L.U.C.K.” são a cereja do bolo, em um álbum de canções curtas, que ajudam ainda mais a tornar o clima intenso e admirável, parecendo ser ele composto de apenas uma única faixa que se modifica por diversas vezes. É fácil pegar-se ouvindo o álbum duas ou três vezes seguidas. Era apenas a estreia. Depois veio ToxicitySteal this Album! (2002)… Nunca a Armênia teve uma banda tão famosa, e, olha, difícil superar todo o status – merecido – que o SOAD conseguiu a partir deste magnífico álbum.

Rodrigo: Essa é mais uma das bandas presentes nesta lista que fazem bastante sucesso, mas que, particularmente, nunca me causaram muita espécie. E o álbum de estreia do grupo norte-americano com ascendência armênia é um bom exemplo disso.

Ulisses: O início de um dos grupos mais loucos, experimentais e esquizofrênicos da música, trazendo latentes influências de grupos alternativos como Faith No Moore, Tool e Korn, além de uma discreta sonoridade armênia. Serj Tarkian, incrivelmente versátil e icônico, é sem dúvida a figura mais conhecida do quarteto, mas não dá para se esquecer da criatividade de Daron Malakian, do sólido baixo de Shavo Odadjian e da capacidade de John Dolmayan de domar as lunáticas mudanças de andamento. Contando com uma produção crua e composições variadas e curiosas, o disco apresenta petardos inesquecíveis como “Know”, “War?” e “Darts”, além dos singles “Sugar” e “Spiders” – este último, assombroso, é também o meu momento preferido do CD.


 

07-Something-Wicked-This-Way-Comes

Iced Earth – Something Wicked this Way Comes (51 pontos)

Alissön: Segue o mesmo padrão de The Dark Saga (1996), ou seja: se gostou do anterior, vai gostar deste também. Acho que este sai alguns pontos na frente por conseguir equilibrar melhor a rifferama com certa referência de hard rock, tirando um pouco daquele climão pesado e extremamente dramático de outrora.

André: O Iced Earth não é aquela banda que costuma ser a número um de seus fãs, sendo mais aquela quarta ou quinta opção para muitos daqueles que os seguem, possivelmente devido ao fato de que esta nunca conseguiu uma formação estável, que a deixasse de ser apenas a “banda do Schaffer”. Mas justamente nesse período meio complicado para os grupos de heavy tradicional que a banda lançou seus três melhores discos, que são o anterior The Dark Saga e o posterior Horror Show (2001), além deste. As canções são boas, principalmente “Prophecy”, mas Schaffer peca em repetir muito os mesmos riffs em boa parte do tracklist, dando aquela sensação de “não posso ouvir com muita frequência ou vou acabar enjoando”. Pensando bem, os riffs se parecem em quase todos os discos… mas vá lá, uma vez ou outra por mês vai tranquilo.

Bernardo: Um pouquinho menos irritante de ouvir inteiro que The Dark Saga, mas ainda assim tão esquecível quanto.

Davi: Um dos meus álbuns favoritos do Iced Earth. Definitivamente, mil vezes mais pesado que seu antecessor, The Dark Saga, traz a banda inspiradaça. Matt Barlow fez um ótimo trabalho vocal, as guitarras de Jon Schaffer estão destruidoras, assim como a bateria de Mark Prator. Bumbo duplo pra caral&*, ótimo riffs, linhas vocais memoráveis. Disco que tem de tudo para agradar qualquer fã de heavy metal que se preze. Faixas de destaque: “Burning Times”, “My Own Savior”, “Blessed Are You” e “The Coming Course”.

Diogo: Mais direto e pesado que o anterior, Something Wicked this Way Comes também é mais bem resolvido no geral, recheado de canções certeiras para quem aprecia heavy metal na sua forma mais pura, calcado em riffs de guitarra e melodias cativantes. Jon Schaffer e seus comandados conseguem equilibrar bem o tracklist, oferecendo novamente boas canções velozes, como “Disciples of the Lie”, “Stand Alone” e “My Own Savior”; power ballads, caso de “Melancholy (Holy Martyr)” e “Watching Over Me”; e músicas mais midtempo, tradicionais, como a ótima “Burning Times”, “Blessed Are You” e “Birth of the Wicked”. Schaffer pode não ser um Tony Iommi da vida em se tratando de riffs, mas o que ele faz dentro dos seus limites criativos é impressionante, trabalhando o tempo todo como o motor do grupo. Inclusive, foi um prazer poder ficar à sua frente, no show da banda que vi em 2012, tirando faíscas das cordas de sua Les Paul. Não é segredo minha queda por Night of the Stormrider (1991), mas não faço pouco de quem considera Something Wicked this Way Comes o melhor disco do Iced Earth.

Eudes: Metal mais padrão do que o do Death, com as indefectíveis sequências de guitarras e violões (meu Odin, por que diabos Page e Plant foram escrever “Stairway to Heaven”?) e cantor dramático… representante mais do que óbvio do que se poderia chamar de metal coxinha. Vamos combinar que, nesta lista, os consultores capricharam. Próximo…

Fernando: Este disco contém uma das melhores power baladas do metal, “Watching Over Me”. Mesmo com o fato da banda já ter cinco discos até então, foi com ele que conheci o grupo. Apesar de achar Stu Block um ótimo vocalista, não dá para não ficar com saudades de Matt Barlow depois de ouvir Something Wicked this Way Comes novamente…

Flavio: Mais um representante do power metal nesta lista, Something Wicked this Way Comes apresenta-se mais pesado e menos melódico que o disco do Blind Guardian. Neste caso, também percebe-se menor tendência conceitual, já que não há uma temática fixa no álbum todo, apenas nas três últimas faixas, que agrupadas são chamadas de “Something Wicked this Way Comes Trilogy”. Boa performance da banda, em um estilo aproximado a um speed/thrash metal. Em alguns momentos o estilo é um pouco mais cadenciado, se aproximando do heavy metal tradicional, como nos meus destaques: “Melancholy (Holy Martyr)” e “Consequences”. Novamente trago restrições ao vocal, que desta vez acerta melhor nos tons mais agudos e não me agrada nos tons mais graves e quando se aproxima de um estilo mais rasgado e até próximo ao gutural. Disco razoável, que não me chamou a atenção como um bom representante de uma lista de melhores.

João Renato: O “Black Album” do Iced Earth. O disco mais acessível e um dos melhores da banda. Apesar de gostar de Horror Show, nenhum dos posteriores alcançou o mesmo sucesso, nem nível de qualidade semelhante. Treze faixas memoráveis, sem enrolação.

Leonardo: Apesar de gostar mais de alguns álbuns anteriores do Iced Earth, como o pesado Night of the Stormrider e o sombrio Burnt Offerings (1995), concordo que Something Wicked this Way Comes é o disco em que todos os elementos da sonoridade da banda se encaixaram com perfeição. Os riffs cavalgados, os duetos e solos de guitarra, os vocais de Matthew Barlow, tudo se encaixou de maneira harmoniosa, resultando em um conjunto de canções marcantes, como as épicas “Burning Times” e “Melancholy (Holy Martyr)”, e a pesada “Disciples of the Lie”.

Mairon: Metal espadinha, com muita testosterona e pouca criatividade, no qual o vocalista é uma cópia falsificada do Paul Stanley. Depois de uma hora de audição, ficou a sensação de um imenso vazio e desperdício de tempo, com raras exceções, como a veloz “Disciples of the Lie”, a introdução de “My Own Savior” e a boa instrumental “1776”. Sobre o resto, nada mais a comentar…

Rodrigo: Sempre achei o Iced Earth um porre. Mas tomado pelo espírito das festas de fim de ano e a intenção de fazer um bom trabalho, confesso que fui ouvir a banda novamente após muitos anos. Infelizmente, isso só veio a comprovar a minha impressão inicial: continuo achando este disco um tremendo pé no saco, muito graças ao vocalista Matthew Barlow.

Ulisses: Seguindo um estilo bem similar ao do antecessor, The Dark Saga, Something Wicked traz maior alternância entre riffs pesados e momentos melancólicos. A versatilidade de Matt Barlow (especialmente na trilogia conceitual que encerra o álbum) e os refrãos grudentos continuam sendo os pontos fortes da trupe, que entrega petardos como “Burning Times”, “Disciples of the Lie” e “Stand Alone”. Os melhores momentos estão no refrão memorável de “Melancholy (The Holy Martyr)” e na balada “Watching Over Me”. A segunda metade tem uma pequena queda de qualidade, mas se garante com a presença da já citada trilogia conceitual, com atmosfera épica e arranjos intrincados.


 

08-Vovin

Therion – Vovin (49 pontos)

Alissön: As músicas fazem um pouco mais de sentido e a gravação deste dá um pau em Theli (1996). Mas as músicas continuam piegas, diria até datadas. A grandiosidade das canções me soa plástica e sonolenta, e o rótulo de “metal sinfônico” deste disco me parece mais uma desculpa para enfiar guitarras pesadas e vocais soprano no meio de orquestrações, sem fazer com que isso seja um casamento harmônico.

André: Ainda mais sinfônico que o anterior e agora com uma certa aura oriental. Dessa vez, o Therion lançou mais um disco bacana, que fez uso ainda melhor dos diferentes vocalistas, deixou o instrumental mais gostoso e fluído de ouvir que você nem sente toda aquela pompa da orquestra no fundo, e as composições estão leves e fáceis de assimilar. Sei que o careca Ralf Scheepers, do Primal Fear, e a gordinha Sarah Jezebel Deva, do Angtoria – para ficar nos nomes mais famosos – participam aqui e mandam muito bem em meio a enorme massa de vocalistas. Theli é muito bom, mas este é ainda melhor.

Bernardo: Meio death metal, meio metal sinfônico, com um apelo lírico e estético que tende para o oculto – “Vovin” significa “dragão” na língua artificial enoquiano, criada pelos místicos John Dee e Edward Kelley. Possui uma atmosfera interessante em uns momentos, passando uma sensação de ouvir algo “de outro mundo”, proibido ou algo assim. Mas não pirei muito na execução, sinceramente. 

Davi: Embora a banda seja extremamente cultuada, nunca consegui morrer de amores pelo Therion. E, mais uma vez, não me conquistaram. Os músicos são muito bons, a mina canta bem, mas sempre me deixam aquele sentimento de algo faltando. Ainda não consegui descobrir o que é, mas o sentimento retornou ao ouvir este disco. Sem dúvidas, é um trabalho bem feito, mas tem alguma coisa faltando no ar…

Diogo: Já comentei anteriormente a respeito de Theli, que deu as caras na edição dedicada a 1996: prefiro o Therion mais puxado para o death metal, menos sinfônico, mas julgo que, em geral, o grupo consegue fazer com que as canções soem redondinhas, apesar de achar que o lado erudito não deveria se sobrepor tanto ao lado heavy metal. Os vocais líricos, em especial, não são muito do meu agrado, mas instrumentalmente o Therion executa um trabalho bem satisfatório. Sabem aquelas pessoas que dizem gostar do instrumental de grupos death metal, mas não suportam os vocais guturais? O meu caso é parecido, só que em relação aos vocais líricos. Talvez eu seja chato mesmo e não saiba o que estou perdendo, mas, por ora, esse formato do Therion não caiu nas minhas graças. Sigo ouvindo Beyond Sanctorum (1992), que é bem mais minha praia.

Eudes: Cuidado, o disco engana! A ótima faixa de tons multiétnicos “The Rise of Sodom and Gomorra” nos faz pensar que estamos diante de uma bom rebento do Led Zeppelin. Logo, porém, a coisa caminha para uma espécie de new age metal que estraga tudo. Quero meu dinheiro de volta.

Fernando: Depois que o Therion abraçou de vez o symphonic metal a partir de Theli, fez alguns discos essenciais e que ajudaram a moldar o estilo. Vovin é visto pelos fãs como o principal disco da banda. O trabalho vocal talvez seja o melhor da carreira dos suecos. Destaque claro para “The Rise of Sodom and Gomorrah”.

Flavio: Se o Nigthwish se aproxima ou mesmo traz elementos marcantes do que se chama metal sinfônico, o Therion mergulha de vez no estilo, com elementos mais predominantes da parte sinfônica e menos predominantes da parte metal. Ouvindo o disco, e ao lembrar que o Deep Purple trouxe elementos sinfônicos em Concerto for Group and Orchestra (1969), e posteriormente Ritchie Blackmore também os trouxe desde “Stargazer” (presente em Rising, do Rainbow, de 1976) e mais predominantemente na faixa-título de  Difficult to Cure (1981), o que percebo no Therion, apesar de quase 20 anos depois, é uma redução na parte criativa e técnica da execução dos temas. Encontrei por várias vezes em Vovin elementos óbvios e até previsíveis de criação harmônica e melódica. Se no Nightwish, a presença de teclados em grande projeção traz perda de peso, assim como o estilo vocal, com presença forte de coros operísticos, também não é de minha predileção, no Therion esses elementos sinfônicos estão ainda mais aprofundados, trazendo ainda mais descontentamento. O resultado da audição foi decepcionante, e o considero o terceiro pior disco desta lista, atrás apenas de Madonna e do tal Neutral Milk Hotel.

João Renato: Criativo e, para a época, ousado. Só por isso, já merece crédito. Acho legal, mas não consigo ouvir de cabo a rabo em uma escutada.

Leonardo: O melhor disco de 1998, na minha modesta opinião. A fusão de heavy metal, hard rock e música clássica, que já havia funcionado muito bem no disco anterior, atingiu aqui um nível jamais visto até então. Guitarras, baixo e bateria se unem a coros, cordas e demais elementos sinfônicos de maneira perfeita, com resultados impressionantes. Escute a espetacular “Birth of Venus Illegitima” e tire suas próprias conclusões.

Mairon: O Therion entrou na lista de 1996 com um disco que não foi dos mais agradáveis para os meus ouvidos. Este Vovin já me chamou atenção, principalmente por conta da presença de uma orquestra, que se destaca em “The Rise of Sodom and Gomorrah” e nas três partes de “Draconian Trilogy”, mas não é um disco de excelência. A mistura de metal pesado e corais soa-me cansativa, e foi com rezas para o tempo passar que ouvi “Birth of Venus Illegitima” e “Eye of Shiva”. “The Wild Hunt” poderia ser uma ótima música se não fosse o coral… surpreendeu-me o arranjo de “Clavicula Nox”, sem exageros e com tudo bem encaixado, desde os momentos pesados até o belo solo de violão. Não é o tipo de banda da qual eu vá correr atrás, mas este disco é melhor que o seu antecessor.

Rodrigo: Há cerca de oito ou nove anos, costumava ouvir bastante essa banda, uma das poucas desse estilo que consigo gostar do som e ouvir álbuns inteiros. Este disco é um bom exemplo disso.

Ulisses: Em time que está ganhando, não se mexe. O Therion realmente encontrara seu som definitivo em Theli e, a partir de então, só fez ligeiras experimentações sem sair muito do estilo sinfônico que ajudou a criar. Vovin traz uma presença ainda maior de elementos orquestrais e um coral poderoso, fato exemplificado já na faixa de abertura, a clássica “The Rise of Sodom and Gomorrah”, com uma seção de cordas intimidadora e uma ambientação arabesca que traga o ouvinte de primeira. As lindas “Birth of Venus Illegitima” e “Clavicula Nox” são exemplos do lado mais melódico do registro, presentando-nos com uma atmosfera doom e gótica, além de vocais operáticos impecáveis, elementos presentes também na trilogia draconiana da segunda metade do disco. A rápida “The Wild Hunt” (que conta com Ralf Scheepers no refrão), praticamente power metal, parece um peixe fora d’água no disco – é boa, mas estraga o clima; “Wine of Aluqah”, por outro lado, traz um estilo similar, mas de uma forma bem calibrada.


 

09-Oceanborn

Nightwish – Oceanborn (40 pontos)

Alissön: Difícil surgir bases de teclados mais pasteurizadas e datadas do que as registradas aqui. Vovin ainda tem o mérito de ser bem gravado, elogio que não posso direcionar aqui. Pelo menos Tarja canta bem e manda uma lufada de frescor para músicas que soam enjoativas e ultrapassadas para quem for apreciar o disco nos dias de hoje.

André: O nosso colega Fernando Bueno virou uma espécie de padrão para nível de fanatismo aqui no site (não entendam como crítica, é só zoação e uma piada interna nossa). Então inventamos o buenômetro, medido em gigamaidens, para definir o nível de amor e fanatismo por um determinado trabalho. Quando se trata do Nightwish, a leitura do meu buenômetro é de 99 gigamaidens. É a minha favorita, devo toda a minha influência musical à banda de Tuomas Holopainen porque foi ela que me fez levar a música com olhos (e principalmente ouvidos) mais a sério. Entre todos os discos da fase Tarja, Oceanborn foi o último que eu ouvi na época que estava conhecendo a banda, nos idos de 2004, no período do recém lançado Once e do estouro ao mainstream. A relação deste disco comigo muda de tempos em tempos. Na época que escrevi a discografia comentada do Nightwish aqui no site (minha estreia) [N.R.: site do Consultoria do Rock], apesar de gostar muito dele, achava que o teclado dominava demais as canções em detrimento das guitarras. Hoje já acho que essa tecladeira é um baita charme e diferencial do disco. No mais, não tenho muito o que acrescentar a este comentário, exceto recomendar para o pessoal que não gosta (sei que são muitos aqui no site) que deem uma chance à banda e vejam que o bicho não é tão feio quanto parece, que músicas como “Stargazers”, “Gethsemane”, “Sacrament of Wilderness”e “The Pharaoh Sails to Orion” são muito diferenciadas e que a banda não tem milhões de fãs no mundo todo à toa.

Bernardo: Ruinzinho e sem graça de dar dó. Eles deram uma leve melhorada quando ficaram mais radiofônicos, mas naquela época servia nem de pano de fundo pra jogar D&D.

Davi: Clássico! Adquiri este álbum assim que foi lançado. Na época, ainda não existia todo esse culto em torno do grupo. O que me levou a comprar o disco foi uma resenha na qual o crítico dava nota 10 e dizia ser o melhor álbum que havia escutado em anos. Adquiri o disco no escuro para ver se era tudo isso mesmo e me apaixonei pela banda. Pesado, com melodias bem construídas, um belíssimo trabalho vocal da lindíssima Tarja Turunen… difícil não se render ao grupo. Também vale destacar o belo trabalho de teclado do líder Tuomas Holopainen. Destaque para “Stargazers”, “Sacrament of Wilderness”, “Passion and the Opera” e “Sleeping Sun”.

Diogo: Sim, os timbres são meio plásticos mesmo. Sim, a maneira com a qual o canto lírico é aplicado aqui é meio brega mesmo. Só que é justamente esse charme de banda de terceiro escalão um dos grandes fatores que tornam o Nightwish dos três primeiros discos tão especial. A inocência de fazer o que a banda fazia nos primórdios, antes da ambição de Tuomas Holopainen ganhar a estratosfera com os recursos que se tornaram disponíveis, funcionava a favor do grupo, que deu uma tacada certeira e engatilhou o sucesso a nível mundial que estava por vir. Podia não ser exatamente uma novidade, mas esse jeito de fazer power metal melódico com toques sinfônicos e vocais femininos, além de um tino pop bem saliente, cristalizou-se e tornou-se amplamente aceito no underground metálico graças a este Oceanborn e seu sucessor, o ótimo Wishmaster (2000). Amparado por canções velozes e melódicas, além de algumas baladas, o álbum marcou muito e fomentou o surgimento de muitos fãs no Brasil, antes mesmo do grande estouro com Once. Desde então, não era raro ver camisetas da banda pelas ruas, especialmente em meninas, que se sentiram representadas por Tarja Turunen em um meio predominantemente masculino. Destaques? “Stargazers”, “Sacrament of Wilderness”, “Swanheart” e “The Riddler”, mas o disco todo é muito bom.

Eudes: Introduções de telejornal, com beats acelerados e guitarras com orquestra (ou teclados?) para nos lembrar que estamos diante do onipresente “novo” metal sinfônico. Tem, como vemos, quem goste. Mas não sou eu.

Fernando: Disco que catapultou o Nightwish para o sucesso. Agora as meninas se faziam presentes nas rodinhas de amigos headbangers e várias delas começaram a montar suas próprias bandas também. Alguns podem não gostar do Nightwish hoje em dia por achá-los exagerados e tudo o mais, mas a banda é muito importante para o desenvolvimento do metal ao longo dos primeiros anos deste novo milênio.

Flavio: Bom, aqui temos a banda Nightwish no seu segundo álbum, em uma boa mistura de heavy metal melódico com elementos operísticos e temáticos (como em uma era de outrora, renascentista ou medieval) que consagrou a banda no seu estilo metal sinfônico. O disco tem boa participação de toda a banda, e é calcado no vocal de Tarja Turunen, uma referência para o estilo. As músicas “Stargazers” e “Sleeping Sun” (que originalmente não pertencia ao álbum, sendo lançada em um single depois) são composições definitivas para a carreira da banda. A presença de teclados em grande projeção traz perda de peso, o que não me agrada, assim como o estilo vocal, com presença de coros operísticos, também não é de minha predileção, portanto não o escolhi para minha lista. Enfim, minhas restrições são ao estilo, não ao bom nível técnico do disco. Recomendo a todos que gostam ou não tenham restrições ao estilo.

João Renato: À época, gostei, por ser uma proposta diferente – sim, o Theatre of Tragedy e o The Gathering vieram antes, mas não era a mesma linha só porque tinha uma mulher cantando. Porém, encheu o saco com o passar do tempo. Tanto que considero os trabalhos recentes bem mais interessantes, mesmo com toda a aura que os fãs criaram sobre a banda com Tarja Turunen.

Leonardo: O instrumental é interessante, mas o vocal operístico acaba tornando a audição do disco bem cansativa.

Mairon: Putz, olha o que me obrigaram a ouvir, ou melhor, tentaram, por que não consegui aguentar uma única música dessa choradeira desgraçada. É uma banda da qual definitivamente não consigo gostar, me desculpem. Esses teclados são tinhosos, e, para mim, o vocal soprano da Tarja não combina em nada com o instrumental, que, além dos teclados horríveis, tem uma bateria que mais parece uma máquina de escrever. Terrível, mas mesmo assim, em homenagem ao amigo Eudes Baima, posso dizer sem medo: Oceanborn >>>>>>>>> Tábua de Esmeralda.

Rodrigo: Lembro da comoção causada por este álbum à época de seu lançamento. Para mim, tem um gosto um tanto quanto amargo. Se por um lado o disco apresenta alguns elementos interessantes, por outro credito a ele o surgimento de um movimento que aporrinhou os fãs de heavy metal por um bom tempo, com bandas em demasia procurando imitar os percursores desse estilo. E o pior: essas desgraças fazem um sucesso danado aqui no Brasil.

Ulisses: O segundo disco do Nightwish tem o mérito de, junto ao sucessor Wishmaster, aprimorar e em seguida estabelecer o distinto symphonic metal dos finlandeses. Para isso, os teclados atingem um patamar mais proeminente e aventureiro, e as composições são mais encantadoras e teatrais, mesclando-se impecavelmente com os vocais de Tarja Turunen. Seja na entrada arrasadora com a abertura “Stargazers”, na grandiose de “Passion and the Opera” ou na atmosfera épica de “The Pharaoh Sails to Orion”, o quinteto finlandês impressiona pela criatividade e evolução.


 

10-In-the-Aeroplane-Over-the-Sea

Neutral Milk Hotel – In the Aeroplane Over the Sea (40 pontos)

Alissön: A minha primeira audição deste disco foi uma experiência diferente. O folk lo-fi experimental trazia junto de si toda uma aura estranha que não soube apreciar de imediato. Com o tempo, fui desvendando melhor os encantos do mesmo, até que simplesmente caí de amores. Tudo bem que ainda não entendi o significado da capa, mas as letras meio psicodélicas sobre depressão, desesperança e suicídio, arranjadas em músicas primorosas, fazem a vez de um dos discos que definem o ecletismo dos anos 1990.

André: Não conhecia essa banda. Procurei e botei para ouvir. Vocais indie… certo, umas influências folk até legais. Primeira faixa boa, exceto pelos vocais, visto que eu nunca gostarei do tipo de vocalista que canta fazendo biquinho para parecer mais tristonho. Chega a segunda faixa e umas desafinações bizarras que me fizeram lembrar das Shaggs. Terceira faixa indo bem, até aparecer um solo de trombone que me deixou sem palavras (no mau sentido). No decorrer da audição fiquei me perguntando se a banda é daquelas que se levam a sério ou é daquelas de zoeira dentro do indie, tipo o Detonator dentro do heavy metal.

Bernardo: Jeff Mangum é uma das figuras centrais do rock alternativo nas últimas três décadas, e todos os motivos procurados para constatar a afirmação são encontrados na obra-prima In the Aeroplane Over the Sea, mistura de rock de garagem, psicodelia, música folk e tantos outros elementos que, buscando inspiração em vítimas do Holocausto (especialmente Anne Frank), fez um disco de culto, doído e rasgado, com uma instrumentação inventiva, tão esquisita quando bonita. “Holland, 1945” e “Oh Comely” ainda são um baque à primeira audição.

Davi: Sei que eles são bem cultuados, mas nunca havia parado para ouvir. Não curti. Indie rock com bastante influência folk. Até gosto da ideia do formato, mas achei esse disco cansativo. Vários momentos só com violão e voz em uma interpretação pra lá de monótona. A coisa funciona um pouco melhor quando resolvem encorpar o som e apostar em uma pegada mais psicodélica, mais experimental, como ocorre em “Ghost” e “Holland, 1945”. Valeu pela curiosidade, mas não compraria.

Diogo: Ao contrário do que ocorre diversas vezes, quando colegas participantes da série preferem não se dar o trabalho de escutarem determinados álbuns que chegam ao top 10 de cada edição, apoiando-se no fato de não gostarem previamente do gênero praticado pelos artistas ou dos próprios artistas em si, sempre ouço com uma boa dose de atenção os discos que aparecem por aqui, mesmo que eu nunca tenha ouvido falar nos grupos em questão ou tenha tudo para não gostar da música que eles praticam. Esse é o caso do Neutral Milk Hotel, assim como foi do Descendents em 1982, do Dinosaur Jr. em 1987, do Sonic Youth em duas oportunidades, além de alguns outros. Desta vez, o indie folk do grupo não fez minha cabeça, muito pelo fato de que essa atmosfera lo-fi não funciona muito bem para mim, exceto quando se trata de black metal, fazendo muito sentido em meio à sua estética. Há boas ideias brotando do violão de Jeff Mangum, porém a captação sonora propositalmente ruim e o típico vocal indie não ajudam. Mas sim, eu sei muito bem que é proposital.

Eudes: Confesso que não conhecia. Ótima surpresa! Merecida inclusão! Pop puxado pro folk com canções bem legais, arranjos simples mas não ordinários (intervenções de instrumentos pouco usuais, ou, ao menos, inesperados) e execuções cativantes. Amei sobretudo a faixa-título e a melancolia instrumental de “The Fool”. Na boa, tocou meu coração!

Fernando: Não conhecia a banda nem de nome. Pelo pouco que ouvi, é possível que, no curto período em que eu estava ouvindo essas bandas mais indie, eu poderia ter curtido. Som bonitinho para se aprender e tocar em uma rodinha de violão. No YouTube, inclusive, achei um vídeo de um cara que gravou um cover do álbum todo. Existe maluco pra tudo, não é? Gostei da adição de instrumentos de sopro em algumas passagens. Os caras devem gostar dos discos solo de Syd Barret.

Flavio: Se já havia algumas surpresas nesta lista, a presença da “banda” Neutral Milk Hotel é a maior delas. Eu nunca havia ouvido falar no álbum ou no grupo, e assim que recebi a lista final, foi a primeira que fui ouvir. O disco é super aclamado e cultuado, sendo consagrado como a obra prima do criador, o guitarrista, multi-instrumentista e “diretor de arte” Jeff Mangum. Então, procurando ter uma nova referência de um bom estilo musical, me decepcionei com o que obtive, uma mistura bem monótona de um folk lento com elementos regionais de instrumentos da música country, como banjo e acordeão, e também de estilos como rock psicodélico, indie rock, experimental rock e outros “chatos” rock. Percebi claramente a influência de Bob Dylan, o que também não ajuda em nada, já não gosto da maioria da carreira dele. Ao perceber um quase renascimento do seu estilo, teoricamente rejuvenescido por novas influências em 1998, é ir de encontro ao inevitável: o resultado é totalmente lamentável, nos seus intermináveis 39 minutos e alguma coisa de “música”. Considero (de longe) o pior disco da lista.

João Renato: Não estou entre os que acham fundamental ser um músico acima da média – até porque Ramones é muito melhor que Dream Theater, todos sabem. Porém, captação de som feita nas coxas não dá.

Leonardo: E eu achando que o Sonic Youth e o Smashing Pumpkins eram horrorosos… Isso aqui é muito pior!!!

Mairon: Confesso que não conhecia a banda, e fui esperando coisa pior para a audição. Entre a predominância metálica nesta lista (só Madonna não tem distorção em suas músicas), foi um alívio ouvir um pouco de violão e uma interpretação com muita entrega de Jeff Mangum, chamando atenção nesse sentido a linda “Two-Headed Boy” e suas duas partes, as três partes de  “King of Carrot Flowers” e a emocionante “Oh Comely”, com mais de oito minutos de pura magia, levada pelo violão e a voz comovente de Mangum, no melhor estilo Bob Dylan de ser. Por horas, me lembrou um pouco R.E.M., principalmente na faixa-título, e foi divertido ouvir “Holland, 1945” e “Ghost”. Destaque total para a viagem instrumental de “Untitled”. Boa surpresa, e agradeço aos consultores que o colocaram entre os dez mais, pois caso contrário não teria a oportunidade de ter conhecido um disco muito bom.

Rodrigo: Confesso que esta é a primeira vez que estou ouvindo falar dessa banda. Peço perdão pelo vacilo.

Ulisses: Mais um daqueles discos indie com vocal irritante e sonoridade inabsorvível, misturando folk, noise e alternativo em uma síntese que fala muito, mas quer dizer pouco.


Listas individuais

Alissön Caetano Neves

  1. Massive Attack – Mezzanine11 Mezzanine
  2. Lucinda Williams – Car Wheels on a Gravel Road
  3. Neutral Milk Hotel – In the Aeroplane Over the Sea
  4. Rob Zombie – Hellbilly Deluxe
  5. Clutch – The Elephant Riders
  6. Fatboy Slim – We’ve Come a Long Way, Baby
  7. Queens of the Stone Age – Queens of the Stone Age
  8. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding
  9. Orange Goblin – Time Traveling Blues
  10. Crowbar – Odd Fellows Rest

André Kaminski

  1. Blind Guardian – Nighfall in Middle-Earth12 Ocarina of Time
  2. Nightwish – Oceanborn
  3. Koji Kondo – The Legend of Zelda: Ocarina of Time(Trilha Sonora Original)
  4. Pato Fu – Televisão de Cachorro
  5. Helloween – Better than Raw
  6. Priam – …3 Distances/Irregular Signs…
  7. Auberon – The Tale of Black
  8. Stratovarius – Destiny
  9. Ayreon – Into the Electric Castle: A Space Opera
  10. Platypus – When Pus Comes to Shove

Bernardo Brum

  1. Neutral Milk Hotel – In the Aeroplane Over the Sea13 Ocean Songs
  2. Dirty Three – Ocean Songs
  3. Outkast – Aquemini
  4. The Smashing Pumpkins – Adore
  5. Pulp – This Is Hardcore
  6. System of a Down – System of a Down
  7. Beck – Mutations
  8. PJ Harvey – Is This Desire?
  9. Queens of the Stone Age – Queens of the Stone Age
  10. Tori Amos – From the Choirgirl Hotel

Davi Pascale

  1. Madonna – Ray of Light14 Vertical Man
  2. Kiss – Psycho Circus
  3. Ringo Starr – Vertical Man
  4. Pearl Jam – Yeld
  5. Nightwish – Oceanborn
  6. Sheryl Crow – The Globe Sessions
  7. Slayer – Diabolus in Musica
  8. Rob Zombie – Hellbilly Deluxe
  9. Korn – Follow the Leader
  10. Hole – Celebrity Skin

Diogo Bizotto

  1. Death – The Sound of Perseverance15 Undiscovered Soul
  2. Richie Sambora – Undiscovered Soul
  3. Marvelous 3 – Hey! Album
  4. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding
  5. System of a Down – System of a Down
  6. Nile – Amongst the Catacombs of Nephren-Ka
  7. Iced Earth – Something Wicked this Way Comes
  8. Nightwish – Oceanborn
  9. Helloween – Better than Raw
  10. Madonna – Ray of Light

Eudes Baima

  1. Madonna – Ray of Light16 Mermaid Avenue
  2. Billy Bragg & Wilco – Mermaid Avenue
  3. Air – Moon Safari
  4. Lucinda Williams – Car Wheels on a Gravel Road
  5. Mundo Livre S/A – Carnaval na Obra
  6. Massive Attack – Mezzanine
  7. System of a Down – System of a Down
  8. Zeca Pagodinho – Zeca Pagodinho (1998)
  9. Queens of the Stone Age – Queens of the Stone Age
  10. Page & Plant – Walking Into Clarksdale

Fernando Bueno

  1. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding17 Symphony of Enchanted Lands
  2. Blind Guardian – Nightfall in Middle-Earth
  3. Rhapsody – Symphony of the Enchanted Lands
  4. Hammerfall – Legacy of Kings
  5. Kiss – Psycho Circus
  6. Iced Earth – Something Wicked this Way Comes
  7. Therion – Vovin
  8. Richie Kotzen – What Is…
  9. Anathema – Alternative 4
  10. Placebo – Without You I’m Nothing

Flavio Pontes

  1. Badlands – Dusk18 Dusk
  2. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding
  3. Pain of Salvation – One Hour By the Concrete Lake
  4. Jerry Cantrell – Boggy Depot
  5. Deep Purple – Abandon
  6. Sheryl Crow – The Globe Sessions
  7. Eric Clapton – Pilgrim
  8. Liquid Tension Experiment – Liquid Tension Experiment
  9. Lacuna Coil – Lacuna Coil
  10. Evanescence – Evanescence

João Renato Alves

  1. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding19 XIII
  2. Iced Earth – Something Wicked this Way Comes
  3. Rage – XIII
  4. Edguy – Vain Glory Opera
  5. Blind Guardian – Nightfall in Middle-Earth
  6. Grave Digger – Knights of the Cross
  7. Kiss – Psycho Circus
  8. Monster Magnet – Powertrip
  9. Page & Plant – Walking Into Clarksdale
  10. Helloween – Better than Raw

Leonardo Castro

  1. Therion – Vovin20 Restless and Dead
  2. Witchery – Restless & Dead
  3. Cradle of Filth – Cruelty and the Beast
  4. Running Wild – The Rivalry
  5. Virgin Steele – Invictus
  6. Sentenced – Frozen
  7. Death – The Sound of Perseverance
  8. Iced Earth – Something Wicked this Way Comes
  9. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding
  10. Blind Guardian – Nighfall in Middle-Earth

Mairon Machado

  1. B.L.U.E. – Blue Levin Upper Extremities21 BLUES
  2. Kiss – Psycho Circus
  3. Uriah Heep – Sonic Origami
  4. Madonna – Ray of Light
  5. Dave Matthews Band – Before these Crowded Streets
  6. Page & Plant – Walking Into Clarksdale
  7. Pearl Jam – Yield
  8. R.E.M. – Up
  9. System of a Down – System of a Down
  10. Union – Union

Rodrigo Gonçalves

  1. Death – The Sound of Perseverance22 Americana
  2. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding
  3. Blind Guardian – Nighfall in Middle-Earth
  4. The Offspring – Americana
  5. Mercyful Fate – Dead Again
  6. Pearl Jam – Yield
  7. Cannibal Corpse – Gallery of Suicide
  8. Helloween – Better than Raw
  9. Stratovarius – Destiny
  10. Kiss – Psycho Circus

Ulisses Macedo

  1. System of a Down – System of a Down23 Cowboy Bebop
  2. Therion – Vovin
  3. Iced Earth – Something Wicked this Way Comes
  4. The Seatbelts – Cowboy Bebop (Trilha Sonora Original)
  5. Angra – Fireworks
  6. Nightwish – Oceanborn
  7. TristaniaWidow’s Weeds
  8. Iron Maiden – Virtual XI
  9. Symphony X – Twilight in Olympus
  10. Axel Rudi Pell – Oceans of Time

 

 

 



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24 replies

  1. Eduardo, que me desculpe a questão pagodeira levantada por você, mas incluir o Virtual XI também é de doer… Também dói o Walking into Clarksdale , do Page e do Plant, mas o Virtual XI nesse quesito não encontra rival em nosso gênero.
    Em relação ao ano, acho que o Flávio teve uma bela dor de cabeça, primeiro pra escolher 10 em um ano notadamente fraco, depois pra ouvir várias das pérolas que ele mesmo deve ter descartado de saída.
    O ano tem o Dickinson sobrando fácil, é a grande realidade.
    E voltando a falar de dor de cabeça, o ano de 1999 também não me agradou nem um pouco.
    Em breve a gente fala disso…
    Parabéns ao consultoria pela sequência da pesquisa, bom humor e saudável irritabilidade nos comentários e parabéns ao Minuto Hm ( representado pelo Flávio ) pelos comentários, análises e escolhas.

    Alexandre

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  2. Bom, a responsabilidade é grande, ainda mais representando o blog. O ano não ajuda e a lista sempre traz surpresas.
    A pesquisa acaba sendo interessante, e algumas descobertas agregam mesmo, pena que outras não…
    Espero ter outros anos mais frutíferos a frente.
    Destaque positivo foi o Death, apesar de não me fazer comprar o disco por causa do vocal que não me agrada, já o instrumental é de se elogiar. Aliás podemos ter algo a frente da mesma turma (mesmo não sendo o mesmo grupo).
    As decepções, Madonna, o tal Leite sei lá o que… foi flórida…
    E não tivemos a dupla MaidenXZeca – sei lá porque, hein…

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  3. Fellows, difícil fazer lista deste ano difícil. Vamos lá:

    “Up” – REM
    “Stigmata” – Arch Enemy
    “Fireworks” – Angra
    “Inquisition Symphony” – Apocalyptica
    “Psycho Circus” – Kiss
    “Train” – Train
    “Soulfly” – Soulfly
    “SOAD” – System of a Down
    “Ray of Light” – Madona
    “Flying Dog” – Paul Gilbert

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  4. Daniel, endosso o Fireworks, disco menos compreendido da fase André Mattos, pois tem menos maneirísmos vocais e melodias ligeiramente diferentes do estilo mais clássico da banda. Gosto bastante do álbum, quase no mesmo nível dos outros com o vocalista original. Na minha opinião, entrava fácil na lista.
    Do Psycho Circus, não consigo separar o verdadeiro ” circo ” , com o perdão do trocadilho, do resultado final, artificial e apenas para fazer a máquina registradora continuar girando. De bom, a faixa-título, que também encaixa com a proposta. As outras boas faixas são deslocadas do que o álbum propõe ( exemplo : Within, que é sobra do Carnival of Souls) . E é uma vergonha eles supostamente na época entregarem um disco como se fosse feito pelos então integrantes.
    Tem coisa que você indicou que eu não conheço, preciso de tempo , mas vai ficando ( e aumentando) a dívida : Train, em especial.
    Não gosto do Ray of Light, minha opinião bate com a do Flávio. A rainha do pop tem outros discos muito melhores.
    E System não consegue entrar no meu entendimento, pelo menos até hoje.
    Vou ouvir este do Paul Gilbert também, quando puder.

    Valeu

    Alexandre

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  5. Muito interessante essa dinamica dessa galera do Consultoria do Rock
    E ainda temos o privilegio de termos o Flavio e o Alexandre nesse processo
    excelente

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  6. Bom, ter o Remote nos representando é verdadeiramente uma honra, um privilégio. Essa alternância que os gêmeos se comprometeram com o pessoal da Consultoria do Rock me fez lembrar de quando semanalmente por aqui eles se alternavam com um novo capítulo da Discografia Kiss.

    Quanto aos discos do ano, realmente um ano fraco em geral, e creio que teremos anos ainda piores mais para frente, especialmente se considerarmos bandas novas, e não trabalhos de bandas que já estavam consagradas.

    Minha lista de 1998 seria, de momento e considerando que o Garage Inc. do MetallicA não pode entrar, creio que, por ser baseado em covers e tributos (pois se pudesse, seria meu segundo da lista):

    01. Bruce Dickinson – The Chemical Wedding

    (abismo)

    02. Iron Maiden – Virtual XI
    03. Kiss – Psycho Circus
    04. Eric Clapton – Pilgrim
    05. Badlands – Dusk
    06. Van Halen – Van Halen III
    07. Godsmack – Godsmack (recém-apresentado por aqui e estranhamente não mencionado pelos grandes especialistas: https://minutohm.com/2016/01/01/discografia-hm-godsmack/)
    08. Helloween – Better Than Raw

    As duas últimas são de pouquíssimo conhecimento meu, estou cumprindo a tabela dos 10 nomes:

    09. Sepultura – Against
    10. Pearl Jam – Yeld

    Bom, isso pode mudar daqui 10 minutos, mas as 3 primeiras posições não mudariam. Fazer o quê, eu ouvi muito o Virtual XI e Psycho Circus… mas estou aqui, com o escudo para as pedradas…

    [ ] ’s ,

    Eduardo.

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    • Eduardo, você acaba de se provar ser o maior fã da donzela. Só isso explica este segundo lugar, apesar da Clansman , a única que presta do álbum.

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      • Para mim, B-Side, as 4 primeiras passam relativamente fácil, sendo The Clansman a melhor, sem dúvidas, e Lightning Strikes Twice, ok, não dá para ouvir toda hora, não é música de todo dia e tem hora que dá vontade de se matar na hora que chega no refrão – depende do humor do momento.

        Daí em diante, realmente não dá, nem para mim, nem para ninguém, creio eu.

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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        • Eduardo, esse é o pior disco do Iron, não dá, simplesmente não dá para botar numa lista de melhores…

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          • Ta aí provado que o Eduardo é o fã numero 1 do Iron Maiden….pelo menos o álbum serve para isso.

            Alexandre

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            • Creio ser muito da época da vida, também. Como eu nasci na época errada, em 1998 eu tinha 16 anos de idade e era o lançamento da época para mim. Fazer o que?

              Eu o escutei muito (quer dizer, a metade inicial dele, o resto desde aquela época não conseguia ouvir de tão ruim), fui ao show no final do ano aqui em São Paulo, comprei o ingresso com muito sufoco financeiro, sozinho, com meu próprio dinheiro… fui com os amigos, uma baita chuva, Blaze cantando tudo errado, errou a letra de Hallowed, 23:58, em Sanctuary foi enfadonho… a banda se desmanchando, a luz se apagando… foi marcante para mim… tudo isso acaba influenciando, tenho plena consciência disso.

              [ ] ‘ s,

              Eduardo.

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  7. Se tem uma coisa que eu gosto, são listas dos melhoras álbuns do ano! Adoro quando chega o final do ano e as revistas especializadas trazem os 10, 20, 50 melhores álbuns do ano. É uma oportunidade muito boa pra quem gosta de música conhecer mais sobre música!

    Eu não vejo esse post como “corcorde com fulano”, “discorde de ciclano” … muito pelo contrário: esse tipo de post é o que de melhor há em termos de crescimento em conhecimento!

    Vai pro “Favoritos” no browser!

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    • Olá Kelsei, excelente seu comentário e o sentimento de entender o real objetivo disso tudo, que é na verdade a troca de figurinhas e crescimento em conhecimento de todos. A proposta do MHM passa muito por isso e é por isso também que os posts do Consultoria do Rock encaixam tão bem por aqui.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  8. Bom, primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo excelente trabalho e agradecer-lhe por representar todos nos frequentadores do Minuto HM no Consultoria!!!
    Foi uma surpresa ver no topo da sua lista o Badlands, apesar do Dusk ser inferior (em minha opinião) aos dois primeiros trabalhos, acho esse disco fantástico, e’ uma pena esse disco ter sido gravado em meio a turbulência que a banda enfrentava.
    Apenas, se me permitem, discordar do comentário do nosso presidente Eduardo de que 98 foi um ano fraco de lançamentos. Particularmente penso que tivemos ótimos discos. Dos que não foram citados e que me lembro no momento, posso destacar: Running Wild – The Rivalry, Jag Panzer – Age Of Mastery, Candlemass – Dactylis Glomerata, Solitude Aeturnus – Adagio, Elegy – Manifestation Of Fear, a estreia do magnifico vocalista Roy Khan no Kamelot com o Siege Perilous. Também temos a volta da formação clássica do UFO com o excelente Walk On Water, disco fantástico!!!
    Mas par mim, o numero 1 fica com o Riot – Inishmore, que na minha opinião, esse trabalho não só e’ o melhor lançamento de 98, como também e’ um dos melhores da década!!!! Heavy Metal puro, com o vocalista Mike DiMeo em sua melhor fase, cantando muito!!! E contando com dois background vocals efetivos e de peso: Tony Harnell que fez fama no TNT e Danny Vaugh, ex- Wasted, Tyketto. Acho que ele e’ um dos melhores vocalistas de Hard Rock da atualidade. Não conheço o Rolf pessoalmente, mas pelo pouco que convivemos e analisando seus comentários, acho esse disco e’ cara dele. Se ele gosta do Headless Cross e Tyr, do Sabbath com Tony Martin, acredito que esse seja o disco. Talvez se misturássemos os CDs citados acima, mais os melhores trabalhos do Gary Moore, poderão ter uma ideia do que e’ esse Inishmore!!!
    Apenas para terminar, gostaria de reiterar o que escrevi no post do melhore de 97, O Eduardo não poderia escolher melhor, tanto o Alexandre quanto o Flavio são as pessoas certas para representar todos nós frequentadores do Minuto HM!!! Sendo extremamente sincero e sem demagogia alguma, fico muito orgulhoso de ter a oportunidade de trocar ideias com caras como vocês dois!
    Um abraço.

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    • JP você com certeza representaria tão bem ou melhor que nós, e a sua lista traz muita coisa que eu preciso avaliar, inclusive o Riot – já ouvi alguma coisa e não me chamou a atenção. Que tal uma sugestão para o Podcast?
      Quanto ao Dusk, também acho os outros dois melhores, mas os três são impecáveis e não consegui tirar do primeiro lugar
      E honrado fico eu aqui com seu comentario
      Abraços

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    • J.P., talvez eu ache o ano de 1998 fraco pois esse nível de conhecimento que você colocou em seu comentário está 10.000 anos à frente do meu parco e superficial conhecimento perto de verdadeiras autoridades como você. E falo isso de verdade, é uma honra poder aprender tanto com todos vocês.

      Sobre o Rolf, ele é o fã # 1 do Tony Martin, creio que ele goste mais dos trabalhos até mesmo que o próprio, hehehe.

      Acabei de pensar, caso todos os outros aqui também concordem, em você “dominar” as sugestões de discos para o próximo podcast, ou seja, nos brindar com suas sugestões.

      O que acha? Seria muito legal.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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