Consultoria do Rock – “Melhores de Todos os Tempos: 2000″, com participação do Minuto HM

Introdução por Eduardo [dutecnic]

Pessoal,

chegamos ao ano de Y2K (lembram do assombroso “bug do milênio”, hehehe? Que época…) na série “Melhores de Todos os Tempos” da Consultoria do Rock, ano que contou com a participação do Remote.

Como é praxe desta série, a leitura e discussões são ótimas pois trazem os mais diferentes pontos de vista, ainda que, convenhamos, QUE BARBADA de ano. É um ano com lançamentos no mínimo curiosos, muita coisa estava acontecendo nesta época. Mas o Brave New World LAMBEU, como diria o Rolf, os outros, e quem não sabia que isso aconteceria? Barbada, barbada…

Boa leitura e participem!

[ ] ‘ s,

Eduardo.

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IRON MAIDEN EM 2000, REUNIDO COM BRUCE DICKINSON E ADRIAN SMITH

IRON MAIDEN EM 2000, REUNIDO COM BRUCE DICKINSON E ADRIAN SMITH

Por Diogo Bizotto

Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Flavio PontesJoão Renato Alves, Leonardo Castro, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Participação especial de Ben Ami Scopinho, ex-colaborador do Whiplash! e responsável pela coluna semanal de hard rock e heavy metal “Males que Vão Para o Ben”, no jornal Diário Catarinense

Após um hiato de 11 edições sem dar as caras por aqui, uma das bandas mais citadas nesta série retorna, desta vez ocupando o posto mais elevado. Não é por menos: quem tem um mínimo de memória sabe que o lançamento de Brave New World, que marcou o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao Iron Maiden, foi um dos mais esperados e comentados de sua época. Quanto à sua qualidade o álbum pode ser questionado, mas a maioria das sentenças emitidas pelos participantes é positiva. Para descobrir quem complementa esta edição e a opinião dos colaboradores a respeito de cada obra, é só seguir adiante. Ao final, os comentários estão abertos para qualquer um que queira se manifestar. Como sempre, lembramos sempre que o critério para elaborar nossa lista segue o sistema de pontuação do campeonato mundial de Fórmula 1.


 

01-Brave-New-World

Iron Maiden – Brave New World (108 pontos)

Alissön: Bruce volta para o lugar de onde não deveria sequer ter cogitado sair um dia. E a volta não poderia ter sido tão boa quanto foi. Disco redondinho, revigorado e sem medo de mostrar uma nova estética para o começo dos anos 2000, mesmo que pudesse vir a desagradar os tão comentados fãs chatos. Em síntese: um disco refrescante de se ouvir até os dias atuais e que justifica o pódio.

André: Dá para se dizer que aqui começa a fase “rock progressivo” do Iron Maiden, embora essas influências ainda sejam leves pitadas. Com Blaze Bayley fora, Bruce e Adrian de volta e a manutenção de Janick, tudo estava maravilhosamente bem tanto para os fãs quanto para a banda. Porém, querendo ou não, a pressão em cima deles era grande. Mas como diz a própria banda, “show them no fear, show them no pain”. Brave New World é, até hoje, o melhor disco desde o retorno de Dickinson e Smith. “The Mercenary”, que deveria estar em Virtual XI (é um mistério saber por que diabos a cortaram do disco) e “The Fallen Angel” são as faixas das quais mais gosto. Uma pena que a banda, apesar de seguir um estilo parecido, nunca mais encontrou o equilíbrio que há por aqui em seus últimos três lançamentos.

Ben: Mesmo tendo consciência da relevância do Maiden para o heavy metal ainda nos dias atuais, estou entre os que curtem o Iron até Seventh Son of a Seventh Son (1988). A fase com Bayley foi horrível, então a curiosidade com Brave New World foi natural, mas, ao escutá-lo, com suas inúmeras variações de dinâmica… bom, nada mais do que um disco com boas canções (o refrão da faixa-título é f…), um excesso de guitarristas e um dos grandes cantores do gênero em ótima fase.

Bernardo: Comemorando o retorno de Bruce Dickinson após a conturbada fase Blaze, a banda nunca esteve tão autocelebratória. Por mais que os álbuns de Blaze sejam alvo de polêmica até hoje, pelo menos são mais ousados do que grande parte do que o Iron Maiden fez desde 2000. Burocrático, esquemático, quase demagogo. Tem seus momentos, mas é só.

Davi: Depois de dois discos fracos ao lado de Blaze Bayley, a donzela voltou a andar no trilho. Brave New World já traz a fórmula de seus últimos discos, mas a qualidade das canções é altíssima. Todas as marcas registradas do grupo estão no álbum. Os refrãos marcantes, as twin guitars, o baixo dedilhado. A banda soa cheia de gás e com vontade de dominar o mundo novamente. A volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith reacendeu o ânimo não apenas dos músicos, mas também de sua legião de fãs. Faixas de destaque: “The Wicker Man”, “Ghost of the Navigator”, “Blood Brothers”, “The Mercenary” e “Out of the Silent Planet”. Álbum simplesmente mágico!

Diogo: Lembro muito bem de quando este disco saiu. Comprei uma cópia e corri para o local de trabalho de um amigo, onde colocamos o CD pra rolar. Com 15/16 anos na cara, obviamente adoramos o que ouvimos e ficamos empolgados principalmente com as músicas mais diretas, como o single “The Wicker Man” e “The Mercenary”. Passados 16 anos, sigo gostando do álbum e achando que foi um retorno digno não apenas de Bruce e Adrian, mas aos eixos dos quais a banda saiu com o fraco e repetitivo Virtual XI (1998). Brave New World trouxe um frescor que o grupo necessitava e tranquilizou os fãs ao colocar no mercado sua melhor coleção de canções desde Seventh Son of a Seventh Son (1988) para a maioria dos fãs (particularmente prefiro The X-Factor, de 1995, mas sei que sou minoria). Nesses 16 anos, o disco também amadureceu aos meus ouvidos. Coisas que antes pareciam muito boas perderam o brilho, como é o caso das duas faixas citadas anteriormente. Outras melhoraram com o tempo, como aquelas que hoje em dia são minhas favoritas, “Ghost of the Navigator” e, especialmente, “The Nomad”, com um trabalho de guitarras muito bem articulado entre Adrian, Dave e Janick. Entre os discos lançados após a volta de Bruce, Brave New World disputa minha preferência com A Matter of Life and Death (2006), tido por muitos como um patinho feio. Sua primeira posição aqui não me surpreendeu; cheguei a considerar citá-lo em minha lista e por pouco não entrou.

Eudes: Álbum que marca a volta da dupla Bruce Dickinson e Adrian Smith à banda, o que, por outro lado, traz pouca novidade ao som. De um lado, o disco dá continuidade às tendências prog metal de álbuns como The X-Factor e Virtual XI (não por acaso, faixas como “The Nomad”, “Dream of Mirrors” e “The Mercenary” são restos desse último disco), de outro parece querer voltar às sonoridades primitivas da banda, também influenciada, no seu início, pelo rock progressivo. Mas, de forma geral, o álbum, que é bom, é quase rotineiro e só chega a embasbacar fãs incorrigíveis. Não gastaria meus tostões em uma versão em CD.

Fernando: Este disco não representa só a volta de um antigo vocalista para uma banda consagrada. Representa também a virada que o metal conseguiu no início da década de 2000, depois de anos sendo execrado. O Iron Maiden conseguiu fazer um ótimo álbum, no nível dos lançamentos oitentistas, e conseguiu que os fãs reconhecessem isso. Iniciou ainda uma fase musical bem distinta daquela que o levou ao estrelato. Quantos novos fãs a bandas angariou depois de Brave New World? E esses fãs já têm, hoje, mais de 15 anos acompanhando os britânicos. Parece que foi ontem né?

Flavio: Previsivelmente o álbum do ano, confirmado como vencedor da lista de 2000, o Iron Maiden retorna depois do famigerado Virtual XI com um disco forte, talvez o melhor desde os anos 1980. Não há como negar a importância fundamental do retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, que literalmente salvaram a banda do precipício. Não consigo colocar Brave New World no mesmo nível de Piece of Mind (1983), Powerslave (1984) ou The Number of the Beast (1982), mas consigo facilmente apontá-lo como um ótimo disco. Bruce retorna rejuvenescido depois dos seus lançamentos solo e está muito bem no álbum todo. A composição da banda com um terceiro guitarrista não afeta sua sonoridade, já que por muitas vezes já existiam mais de duas guitarras gravadas ao mesmo tempo nas canções prévias em estúdio. O disco inicia-se com uma música rápida que viria a ser o primeiro single, “The Wicker Man”, que faz bem o seu papel, lançada em um videoclipe bem divertido. Mas o que vem à frente consegue superá-la. Posso destacar facilmente “Ghost of the Navigator” (minha segunda preferida), a faixa-título, “The Mercenary”, “Dream of Mirrors” e “The Nomad” como ótimas composições. As boas “Out of the Silent Planet” e “The Fallen Angel” se aliam ao ótimo nível do álbum. Meu único senão é “Blood Brothers” (muito tocada pela banda e apreciada de uma forma geral pelos fãs), que julgo ser um retrocesso em um estilo mais do que repetido pela banda – realmente não me agrada. Por fim, a música que mais gosto: “The Thin Line Between Love and Hate” fecha com chave de ouro, principalmente a partir do quinto minuto, em direção ao seu inspirado final e do álbum, algo totalmente diferente do que o Iron Maiden havia feito até então – espetacular o duelo vocal com a guitarra em uma linda melodia, realmente um ponto alto de Brave New World.

João Renato: Primeiro lugar esperado e plenamente justificado. Brave New World marca o reencontro do Iron Maiden com dois de seus melhores nomes. Bruce Dickinson e Adrian Smith revigoraram o grupo, fazendo com que a popularidade fosse resgatada. Não chega ao nível dos clássicos dos primórdios, mas possui grande valor.

Leonardo: O retorno triunfal de Bruce Dickinson e Adrian Smith à Donzela de Ferro. Contudo, apesar de contar com algumas canções excelentes, como “The Wicker Man”, “Ghost of the Navigator” e a faixa-titulo, o álbum confirma a insistência da banda em investir em faixas longas, com introduções de baixo intermináveis e refrãos repetidos à exaustão, como as cansativas “Dream of Mirrors” e “Blood Brothers”. Mas o fim do álbum nos reserva duas de suas melhores composições, as mais curtas e diretas “The Fallen Angel” e “Out of the Silent Planet”, ambas empolgantes. Um bom disco, mas inferior a alguns outros lançados no mesmo ano.

Mairon: Mais óbvia que o resultado final da participação do Grêmio na Libertadores 2016 era esta posição de Brave New World, afinal, geral paga pau para o retorno de Bruce Dickinson ao microfone da donzela (vão se catar, de novo Bruce Dickinson em primeiro, ninguém merece). Acho que o principal ponto deste disco é que Janick Gers ficou uma figura desnecessária com o – esse sim – retorno de Adrian Smith para as guitarras. A galera que viu o show do Rock in Rio em 2001 deve ter ficado com as cuecas tão molhadas que até hoje lembram da sensação orgásmica daquela quente noite de janeiro. Mesmo naquela época, porém, Neil Young, R.E.M. e Rob Halford fizeram melhores shows musical e tecnicamente. O Iron pegou a fórmula que havia utilizado nos discos da era Blaze e ampliou isso para encaixar a voz de Bruce, e daí o que temos é uma imensidão de longas introduções, refrãos em que o nome da música se repete até você sair falando-os naturalmente, o que não necessariamente significa que seja bom, e canções longas, sem fim, que me fizeram aprender a desgostar de uma banda que tinha uma história ótima. Entre o mar de igualdades, escapa-se apenas “The Fallen Angel”, pesada e lembrando um pouco o Iron da década de 1980, dos bons tempos de Paul Di’Anno. As músicas são todas iguais, basta ouvir o refrão de “Brave New World”, “Out of the Silent Planet” e “The Wicker Man”, que você perceberá claramente alguma coisa de “Fear of the Dark” em mais de 50% delas, principalmente a manjada sequência Em, C e D, além do refrão citando o nome da música por mais de uma dezena de vezes. “Dream of Mirrors”, “The Thin Line Between Love and Hate” e “Blood Brothers” podiam ser uns sete minutos mais curtas, mas são preenchidas por enrolações em demasia. Nesse quesito, “The Nomad” ganha com sobras. Tudo é pomposo, faraônico e cansativo, além de repetitivo ao extremo. O disco dura uma eternidade. Eita coisa chata! Fanatismo tem limites.

Ulisses: Marcando o aguardadíssimo retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, Brave New World traz uma banda inspirada, mostrando o que sabe fazer de melhor: heavy metal criativo, com refrãos marcantes e guitarras brilhantes. Mesmo com mais de 20 anos de estrada, os caras não soaram entediantes. A turnê deste disco culminou no DVD gravado durante o Rock in Rio 2001 e foi assim que eu ouvi melhor o Iron Maiden, com versões ao vivo de várias das músicas aqui presentes; portanto, eu nutro um certo carinho por este disco, mais do que os outros da Donzela. “The Wicker Man” já abre com bastante empolgação, enquanto que “Ghost of the Navigator” é perfeita pra cantar junto. “Blood Brothers” tem um desenvolvimento fod* e uma ótima letra. Apesar de longa, “Dream of Mirrors” mantém-se interessante o tempo todo e é minha favorita do registro – diferente de “The Nomad”, que merecia ser podada.


 

02-Resurrection

Halford – Resurrection (83 pontos)

Alissön: Aquele famoso “disco nada”. Lembro de uns riffs, do refrão de “Made in Hell” e do vocal quase inexpressivo do Metal God.

André: Estou até prevendo algumas manifestações nos comentários. Sim, mais revimétau e menos variedade. O carecão inventou de lançar um baita disco e vou fazer o quê? Lamento, galera, mas não rola malhar um álbum que é muito bom apenas em prol da diversidade. Apesar de eu não ter votado nele, concordo plenamente com sua inclusão aqui e até torcia para isso. E olha que nunca fui lá um grande fã do Judas Priest, mas o heavy metal nesta bolacha é empolgante, as guitarras e bateria são insanas e o vocal de Halford clássico e característico. Sei que um pessoal adoraria ver uns alternativos diferentes por aqui, mas “Resurrection” e “Night Fall” me fizeram crer que há sim muito o que fazer ainda pelo heavy tradicional nesses tempos.

Ben: Após a desgraça que foi Voyeurs (1998, aquele projetinho eletrônico do 2wo), Resurrection é um título mais do que apropriado, com Halford honrando o gênero que o tornou famoso. Podemos dizer que o repertório conseguiu dar uma geral do melhor que o Judas fez até então, e faixas como a abertura, “Made in Hell” e “The One You Love to Hate” (em dueto com Bruce Dickinson) são alguns exemplos do poder de fogo deste álbum.

Bernardo: A década de 2000 foi a época de muito medalhão do heavy metal fazendo álbum quase que pedindo desculpas por ter feito algo não exatamente heavy metal no final dos anos 1990. No caso, Rob Halford pedindo desculpa por tocar metal industrial no 2wo. O Kreator fez Violent Revolution (2001) para pedir desculpas por Endorama (1999), o Megadeth fez The World Needs a Hero (2001) para pedir desculpas por Risk (1999), o Iron pediu desculpas por Blaze Bayley, Halford fez este álbum para “ressurgir”. Se alguém pretende escrever sobre a história do metal um dia, podem chamar a primeira metade da década de 2000 como “os anos da mea culpa”.

Davi: Adoro este disco! Rob Halford fazendo o que sabe de melhor. Heavy metal direto, sem inventar moda, sem firulas. Qualidade de gravação impecável, trabalho vocal avassalador. As três primeiras músicas (“Resurrection”, “Made In Hell”, “Locked and Loaded”) levantam até defunto. O dueto com Bruce Dickinson em “The One You Love to Hate” é de levar qualquer headbanger às lágrimas. Momento histórico. Este e War of Words (Fight, 1993) ainda são os discos que mais gosto de tudo que gravou fora do Judas Priest. Espetacular!

Diogo: Música não é ciência exata. Não existe técnica, poesia ou musicalidade apurada que se sobreponha à emoção que determinadas coisas fazem brotar, nos botando pra bater cabeça, o pé no chão, tocar air guitar e cerrar os dentes, como se houvesse uma banda colocando tudo abaixo à nossa frente. Isso é o que sinto em relação a Resurrection: uma obra que parece ter sido muito bem calculada para recuperar o respeito que Rob Halford havia colocado em xeque com Voyeurs, do 2wo. Uma obra que não tem a mínima vergonha de lançar mão de clichês, abusar de velozes riffs staccato e letras ricas em autorreferências. Nada disso faz com que Resurrection deixe de ser o disco mais empolgante lançado em 2000. Quando se coloca o álbum pra tocar e a faixa-título começa a preencher o ambiente, já é tarde demais e o que o cara mais quer é poder ter a oportunidade de ver aquilo ao vivo, como muitos conseguiram no Rock in Rio 2001. “Made in Hell” não deixa por menos e mantém a vibração nas alturas, contando a história do heavy metal de um jeito que só Rob Halford sabe fazer. Ah, tem Bruce Dickinson cantando junto em “The One You Love to Hate”? Detalhe, pois a cacetada “Cyber World” é ainda melhor. Canções mais cadenciadas também têm vez, caso de “Locked and Loaded”, “Night Fall” (parece ter sido tirada dos tempos de Defenders of the Faith, disco do Judas Priest lançado em 1984) e a semibalada “Silent Screams”, outro grande destaque. “Drive”, então, tem cara de rock garageiro setentista, mas com guitarras pesadaças, e surpreende. Aliás, destaque para a banda que Halford montou, especialmente para o baterista Bobby Jarzombek. Quem gostar e quiser ainda mais, corra atrás das faixas-bônus para o Japão, “Sad Wings” e “Hell’s Last Survivor”, pedradas grudentas que certamente deveriam ter entrado no tracklist original.

Eudes: Nunca fui muito fã de Judas Priest, mas sempre reconheci na banda uma integridade musical que a fazia ser fiel ao estilo que a consagrou. Rob Halford na estreia do grupo que leva seu nome manteve essa integridade/fidelidade e fez uma música enérgica, não raramente inspirada e muito bem tocada. É verdade que a horizontalidade do disco e os vocais desnecessariamente agudos do cantor atrapalham um pouco, mas, vá lá, é rock pra tomar cerveja em um sábado à tarde, o que já tá bom demais.

Fernando: “Isso é que é metal, por**!!!!” A frase foi dita por alguém no meio do show que Halford fez antes do Iron Maiden no Rock in Rio 3, em 2001. E a frase ficou na minha cabeça até hoje e serve de jargão quando encontro alguns amigos que estiveram comigo no show. Acredito que, apesar de simples, ela representa muito bem o que foi este disco e essa época da carreira do Metal God.

Flavio: Um disco que considerei fortemente para minha lista, mas perdeu no desempate para os meus últimos escolhidos. Acredito que Rob tentou realizar uma aproximação de seu estilo na carreira solo com o Judas Priest; é o que indica até a capa, no estilo “Hell Bent for Leather”; e o que dizer da boa faixa bônus “Sad Wings”, cuja letra, no refrão, traz a seguinte frase: “Sad Wings of Destiny, where have they gone?”… ter Roy Z como produtor foi outra escolha acertada; seu background é bem alinhado com o suposto objetivo. Na faixa-título, Rob executa um vocal falseteado esganiçado (como em “Painkiller”) que não é mantido no restante do disco, para minha alegria. Acredito que aqui ou ali, uma pitada desse tipo vocal fica bem colocado, mas estabelecer esse estilo no restante do disco seria um erro. Na terceira faixa há um refrão bem aproximado do heavy metal clássico de sua carreira, assim como no retorno do solo de “Cyber World”, algo que deve fazer alegria dos fãs de sua fase no Judas. Gostei também de “Night Fall”, da balada “Silent Screams” (permeada com uma parte bem acelerada) e, especialmente, em “The One You Love to Hate”, em uma dupla vocal com Bruce Dickinson. Um disco bem equilibrado sem grandes destaques, tampouco sem faixas fracas e que funciona como uma boa escolha no estilo heavy metal.

João Renato: Após alguns anos conturbados, o Metal God voltou às boas com um disco bem tradicional. Pode até não soar espontâneo, mas a efetividade é incontestável. Pena que até a imprensa especializada resolveu fazer “piadinhas” com a opção sexual do cantor à época.

Leonardo: Este sim, o principal retorno do ano 2000. Depois de afirmar que o heavy metal estava morto e apostar em outros estilos, Rob Halford voltou ao estilo que o consagrou e gravou um disco para fã nenhum do Judas Priest colocar defeito. Pesado e direto, o álbum soa praticamente como uma continuação do clássico Painkiller (1990), de sua então ex-banda. Também vale a pena destacar o excelente grupo que o acompanhava, principalmente o baterista Bobby Jarzombek e os guitarristas “Metal” Mike Chlasciak e Patrick Lachman. O disco é bom como um todo, mas o início com a faixa-título, “Made in Hell” e “Locked and Loaded” não deixa pedra sobre pedra.

Mairon: O principal vocalista da NWOBHM voltando contudo para o heavy metal. Depois do fracasso do 2wo, Halford cercou-se de músicos de extremo talento (Patrick Lachman e Mike Chlasciak nas guitarras, Ray Riendeau no baixo e Bobby Jarzombek na bateria) e, com a companhia de Roy Z na produção, fez um disco impecável para os fãs de Judas Priest e do heavy metal em geral. A faixa-título com certeza é a melhor canção que o vocalista registrou em sua curta carreira solo, no nível de clássicos como “Painkiller”, com uma performance absurda, em que seus gritos esganiçados ecoam nas caixas de som. Temos peso em “Night Fall”, “Slow Down”, “Locked and Loaded”, a bela melodia trabalhada na épica “Silent Screams” e em “Temptation”, e pancadaria atrás de pancadaria, sendo impossível não parar de pular em “Cyber World”, “Drive”, “Made in Hell”, “Saviour” e “Twist”, a segunda melhor faixa de Resurrection, que comprova como Halford realmente ressurgiu para o metal que tanto o consagrou outrora. Um álbum praticamente perfeito, na duração correta (pouco menos de 50 minutos) e, não à toa, o show da turnê deste disco na edição do Rock in Rio de 2001 até hoje é considerado como um dos melhores da história do evento. Resurrection ainda contém uma parceria sonhada por todos os “metaleiros”, que era ver Halford e Bruce Dickinson dividindo os vocais na mesma canção, o que ocorre na pegada e boa “The One You Love to Hate”, que certamente causou (e causa) orgasmos nos amantes do vocalista do Maiden.

Ulisses: Cheguei a cogitar este disco, mas logo ele foi caindo posições. Ele é bom, trazendo um time de peso (produção de Roy Z e Bobby Jarzombek na batera!) e um heavy metal tradicional sem praticamente nenhuma novidade. O problema é justamente que é retão demais. Ainda assim, saíram daqui alguns petardos: temos o “one-two combo” de abertura com a faixa-título e “Made in Hell”, a épica “Silent Screams” e o dueto com Bruce Dickinson em “The One You Love to Hate”.


 

03-Wishmaster

Nightwish – Wishmaster (65 pontos)

Alissön: Não tenho o que dizer a respeito. Chato, talvez.

André: Foi com este disco que a banda estourou no underground, se tornando ícone no estilo heavy metal com vocais femininos. Primeira tour mundial, criação dos primeiros de seus muitos fãs nos Estados Unidos, Japão e Brasil e um álbum que possui vários clássicos, como “She Is My Sin”, “The Kinslayer”, “Come Cover Me” e, principalmente, “Wishmaster”. As temáticas variam desde a luxúria, a chacina de Columbine, Dragonlance de “Dungeons & Dragons” e as primeiras composições de cunho mais pessoal por parte de Tuomas, como “Dead Boy’s Poem”. Sinto um pouco de falta de vocais masculinos (monólogos de pivetes não valem), problema que seria resolvido no álbum posterior. Entretanto, qualquer fã da banda considera Wishmaster no mínimo em seu top 3 particular.

Ben: Quando Oceanborn (1998) aportou no Brasil, tive certeza de que esses finlandeses seriam um sucesso. E foram. Uma enorme evolução em relação ao disco anterior, Wishmaster mantém a paixão e afirmação da vida que fazem do Nightwish uma banda tão especial. Tarja podia ser o centro das atenções, mas Tuomas é o cara. Caramba, escutei muito este álbum…

Bernardo: “Prefiro não comentar.” (COPÉLIA. Toma Lá Dá Cá, Rede Globo, 2007-2009)

Davi: Clássico! Depois do fantástico Oceanborn, os músicos mantiveram o nível de excelência em Wishmaster. Misturam-se músicas velozes (“Crownless”) com faixas mais cadenciadas (“Come Cover Me”), e até mesmo lentas (“Two For Tragedy”). Álbum extremamente bem construído, no qual se destacam as orquestrações de Tuomas Holopainen e os vocais da belíssima Tarja Turunen. Faixas como “She Is My Sin”, “The Kinslayer”, “Wanderlust” e “Wishmaster” já são clássicos.

Diogo: Para quem prefere o Nightwish dos primórdios, como eu, provavelmente o melhor álbum da banda. Entendo quem é mais chegado no que o grupo desenvolveria após o posterior estouro comercial e reconheço a ambição de Tuomas Holopainen como combustível para galgar degraus ainda mais altos. Tenho, porém, uma queda pelo charme underground dos três primeiros discos, cujo orçamento mais limitado ainda não permitia que certos elementos, posteriormente utilizados em demasia, na minha opinião, tomassem conta de ótimas canções como “She Is My Sin”, “The Kinslayer”, “Wanderlust”, “Crownless” e a faixa-título, cujas melodias cativantes são muito mais interessantes que qualquer pompa que o grupo viria a ostentar. Não à toa, músicas como essas que citei são mais do meu agrado até em relação àquelas mais longas encontradas no próprio Wishmaster, caso de “Dead Boy’s Poem” e “Fantasmic”. Junto com Oceanborn, Wishmaster forma a dupla de álbuns essenciais desses finlandeses, cujo sucesso veio por merecimento. Claro, há quem discorde disso, mas a sentença máxima pertence ao ouvinte.

Eudes: A audição deste disco me convenceu de que o rock propaganda de cigarro se estabeleceu com um estilo do gênero. Procurei ouvir/ver ao vivo para pelo menos ter o lenitivo das pernas da Tarja Turunen.

Fernando: Existem alguns discos que viram sinônimos de algumas bandas para mim. Wishmaster é um deles. Toda vez que leio ou ouço alguém falar sobre Nightwish vem à minha cabeça a introdução da faixa título. A mistura de peso e melodia é absurda, fora que a voz de Tarja combinava com tudo isso, fazendo com que a banda se tornasse um das mais importantes de sua geração.

Flavio: A audição do lançamento do Nightwish de 2000 não traz surpresas, sendo bem definido no estilo symphonic metal. Em relação ao anterior, há uma ênfase maior nas melodias sinfônicas e redução do peso (metal). Novamente ressalto que os músicos são ótimos e a vocalista Tarja tem o estilo marcado e em sintonia com o que desejava a banda e canta muito afinada, sendo uma referência no gênero. Tendo posto isso, fica também claro que não sintonizo com o estilo e fico a torcer para que o disco acabe e rápido. Gostei da melodia e do solo da balada “Two for Tragedy”, do segmento do meio de “Dead Boy’s Poem” (com a fala do garoto) e do primeiro minuto com o teclado simulando um cravo e a guitarra de “Fantasmic”. Em compensação, detestei os vocais operísticos dobrados na entrada de “Wishmaster” (deve ser uma música clássica e adorada no estilo), do restante de “Fantasmic” e da grande maioria do disco. Há muita presença de teclados (orquestrais – novamente uma marca do estilo) e há momentos claramente leves, como em “Bare Grace Misery”, uma das mais chatas. Novamente falta pegada para que a bolacha me agrade e recomendo apenas aos fãs do estilo. Participo novamente da série na edição dedicada a 2002 e já temo que o tal Century Child seja parecido, apareça, e me faça discorrer novamente sobre a banda.

João Renato: Bom disco do Nightwish, embora a banda tenha se tornado ainda mais criativa com o passar dos anos. Há fãs que só gostam dessa fase. Não por causa das músicas, mas porque acham mais trOO ter um disco lançado pela Rock Brigade Records que por uma major.

Leonardo: O instrumental é interessante, um power metal melódico até certo ponto pesado e vigoroso, mas o timbre operístico da vocalista é bastante cansativo. Tem seus momentos, mas, definitivamente, não é a minha praia.

Mairon: Passei longe. Já disse que não tem como eu aturar isso. Me desculpem os que votaram no álbum, mas tenho compaixão pelos meus ouvidos.

Ulisses: Após o sucesso de Oceanborn, os caras mandaram ver de novo com Wishmaster, mais focado, com ganchos mais aparentes e, como de praxe, um trabalho vocal soberbo de Tarja (ouça “Two for Tragedy”!). O poderio da banda se mostra intacto em faixas como “She Is My Sin”, “The Kinslayer”, “Crownless” e a faixa-título. Particularmente, minhas favoritas são “Wanderlust” e a épica disneyana “Fantasmic”.


 

04-Dead-Heart-in-a-Dead-World

Nevermore – Dead Heart in a Dead World (45 pontos)

Alissön: Não dá pra dizer que o Nevermore foi um dos respiros para o thrash nos anos 1990, mesmo porque “o estilo nunca morreu”. Todavia, posso afirmar que foi uma das bandas que trouxeram algo de novo para o estilo. O timbre vocal de Warrel Dane pendia um pouco para o power metal que, auxiliado pelas composições progressivas, muitas responsabilidade da mente de Jeff Loomis, forjaram uma das bandas mais instigantes do metal nos anos 1990 e 2000. O aspecto técnico se faz notar também. Andy Sneap, após este trabalho, faria fama produzindo mais e mais discos de metal. Ótimo disco e merecida presença.

André: O bom e velho groove metal fazia tempos que não dava as caras por aqui. Apesar de eu gostar mais de Dreaming Neon Black (1999), este disco também faz bonito. Não dá para se esperar menos de uma banda que tenha Warrel Dane e Jeff Loomis em seu line-up.

Ben: O que vou dizer será heresia… nunca gostei da voz de Warrel Dane, mesmo ele sendo tão versátil. Ok, ok, gosto não se discute. Mas, independentemente disso, Dead Heart in a Dead World é o único disco do Nevermore que está em minha coleção, pois a dedicação dos caras nele foi incrível. Ainda soa contemporâneo, intenso e com um trampo de guitarras intrincado e irretocável. Curiosamente, apreciei muito o último disco do Sanctuary. Deve ser pelo fato de Warrel praticamente abolir os agudos…

Bernardo: Quase um paradigma do que é heavy metal moderno, o Nevermore toca de tudo que dá na telha e que seja bom. Dead Heart in a Dead World talvez seja seu trabalho mais bem acabado e devo reconhecer que caí para trás com a versão de “The Sound of Silence”.

Davi: Descobri a banda exatamente com este disco. O Nevermore é conhecido por ter um estilo próprio misturando elementos de thrash, power, groove e metal progressivo. Jeff Loomis sempre foi extremamente respeitado. Warrel Dane sempre dividiu opiniões. Assim como este álbum. Ironicamente, sempre foi meu favorito dos rapazes. Pesado, empolgante e repleto de faixas absolutamente memoráveis, como “Narcosynthesis”, “Inside Four Walls” e a balada metálica “The Heart Collector”. As letras já contam com tons politizados. Os arranjos são muito bem elaborados. A gravação é impecável. Enfim, sempre o considerei um grande disco. Feliz de vê-lo na lista.

Diogo: Este faz parte do time que ficou no “quase” em minha lista, e que merece muito estar por aqui. Boas composições unindo técnica, bom gosto, coesão, modernidade e equilíbrio, que não se encaixam necessariamente em determinado rótulo. Ok, não morro de amores pela voz de Warrel Dane, e talvez isso tenha sido motivo para que eu acabasse não o citando, mas seus vocais encaixam-se no conjunto da obra. Já o guitarrista Jeff Loomis, bem, dele não dá pra falar nada de mal, pois seu domínio do instrumento é evidente. O tracklist é rico em material de grande qualidade, do qual destaco “Narcosynthesis”, “Evolution 169”, “The River Dragon Has Come” e “The Heart Collector”, além de “Believe in Nothing”, uma das grandes canções heavy metal lançadas desde então. O restante também é muito digno, inclusive o cover para “The Sound of Silence” (Simon and Garfunkel), que de início não gostei tanto, mas hoje em dia cai bem.

Eudes: O Diogo Bizotto não me paga o suficiente para ouvir essas coisas. Depois da audição compulsória deste disco, só digo uma coisa: NEVERMORE.

Fernando: Eu sempre ouvia falar de Warrel Darne e sua ex-banda, o Sanctuary. Porém, na minha adolescência nunca consegui chegar perto de um dos dois discos do grupo. Até que o ouvi pela primeira vez cantando “Love Bites” em um tributo ao Judas Priest. A curiosidade em relação à voz dele foi encerrada, mas eu tinha então mais uma banda para correr atrás, o Nevermore. Porém, seus primeiros discos nunca me agradaram tanto, até que alguns anos depois ouvi “The Heart Collector” e tive contato com Dead Heart in a Dead World, e tudo mudou. Que disco!!!

Flavio: A melhor surpresa da lista. O Nevermore faz um trabalho muito competente, em uma mistura de thrash com progressive metal. O disco é marcado pela presença de tons graves proporcionados pela sétima corda da guitarra de Jeff Loomis, que é o destaque da banda, também fazendo solos muito interessantes, como na faixa-título. O baixo está bem colocado, a bateria é muito bem executada, permeando o disco com muitas convenções, e o vocal é bom complemento na maioria das vezes. Destaco as semibaladas “Insignificant” (lindo solo e dedilhado de Loomis) e “The Heart Collector”, que traz um refrão bem marcante. A faixa de abertura também é muito boa e já mostra, de cara, o quarteto em ótima performance. Não dá para destacar o trabalho vocal de Warrel Dane, que, apesar de bem encaixado, tem algumas dificuldades em tons mais altos, tendo que forçar um falsete mais rasgado para atingi-los; Como não são muitos esses momentos, acaba por não comprometer. A quase inacreditável conversão da clássica” The Sound of Silence” (Simon and Garfunkel) em prog/thrash Metal também não me agradou, mas o disco tem muito bom nível e é boa presença por aqui.

João Renato: Para mim, o melhor disco de heavy metal lançado nos últimos 20 anos. Musicalidade superior, feita por quem entende do assunto. Não há um ponto fraco sequer no tracklist. E as letras são um espetáculo à parte, levando o ouvinte a refletir e questionar a própria vida. Essencial!

Leonardo: Belo disco da banda norte-americana. Mesclando riffs de heavy metal clássico a andamentos incomuns, o grupo alcançou uma sonoridade única e facilmente reconhecível. O trabalho de guitarras impressiona. Mas em alguns momentos as experimentações acabam tornando a audição do disco cansativa.

Mairon: E dê-lhe METAL ensurdecendo os tímpanos. Essas listas estão cada vez mais monocromáticas, meu Deus. A banda que conseguiu avacalhar com um mito sagrado como “The Sound of Silence”. Sim, foi com a versão tosca, pesada, e desconexa com o que diz a letra do sucesso de Paul Simon e Art Garfunkel que me foi apresentado o Nevermore há algum tempo, e eu fugi. Ouvindo Dead Heart in a Dead World, escapam com algum louvor a bonita introdução de “The River Dragon Has Come”, cuja música no geral não é tão ruim assim, “Believe in Nothing” (a melhor do disco) e “Insignificant”, justamente as canções mais amenas e melhor trabalhadas, o que mostra que a banda tem algum talento, mas é desperdiçado na testosterona metálica que parece ter dominado o mundo no final da década de 1990. Não se engane, caro leitor, o mundo naquela época tinha bandas muito melhores fora do METAL.

Ulisses: Nunca havia prestado muita atenção no Nevermore… ouvindo Dead Heart in a Dead World do começo ao fim pela primeira vez, a impressão foi ótima. Som pesadíssimo, técnico, moderno e com grooves certeiros, no qual a voz de Warrel Dane se encaixa com perfeição. Disco realmente matador, com destaque para a abertura “Narcosynthesis”, “The River Dragon Has Come” e “The Heart Collector”. Mas pô, assassinaram “The Sound of Silence”…

 


 

05-Silicon-Messiah

Blaze – Silicon Messiah (45 pontos)

Alissön: Blaze é um cara esforçado, que soube seguir sua carreira em frente depois da burrada junto ao Maiden… mas não suporto seu tom de voz. The X-Factor é uma exceção, acho que muito mais por conta do instrumental sombrio e lento, que casou até bem com a voz do sujeito. Mas no restante, soa tudo extremamente forçado e enjoativo de se acompanhar por mais que duas ou três faixas em sequência.

André: Fico feliz que os consultores fizeram justiça a este trabalho tão subestimado. É aqui que Blaze mostra a que veio no mundo do metal. Quando ouço este disco, imagino os guitarristas Steve Wray e John Slater usando cartola, monóculo e smoking de tão classudos e melódicos que são seus riffs.

Ben: O que curti neste disco foi a gama de estilos de metal apresentada. Os arranjos estão muito melhores (graças!) do que o Iron tinha oferecido ao Blaze e, curiosamente, agradou até mesmo aos detratores do cara. Na ocasião gostei muito da canção “The Hunger”, mas não tem jeito… continuo não apreciando a voz do Blaze…

Bernardo: Longe da rédea curta de Steve Harris, Blaze pôde se expressar da maneira que bem entendia, dentro do seu estilo de cantar, e deu sorte: não é nada grandioso, mas com um resultado bem mais consistente que o caminho que o Iron empreendeu – pesado e moderno na medida certa para não ofender o público pragmático do heavy metal. Gosto bastante da primeira música, “Ghost in the Machine”.

Davi: Este álbum foi uma grande surpresa para mim, na época. Tomei conhecimento de Blaze Bayley pelo seu trabalho no Iron Maiden. Não gostei dele no grupo. Achava – e ainda acho – que sua voz não combinava com a banda. Não gostei dos álbuns e, muito menos, dele ao vivo. Portanto, ouvi este disco na época com um pé atrás. E quebrei a cara. Demonstrava que ele não era um cantor ruim. Apenas estava no lugar errado. Silicon Messiah é um put* disco! Pesado, repleto de faixas cativantes, com bom trabalho de guitarra e bateria. As músicas foram escritas dentro do seu limite, portanto seu trabalho vocal está bem legal. E o mais bacana de tudo: não ficou na sombra do Iron. Bom, pelo menos não na maior parte do tempo. Há alguns trechos que nos remetem ao Maiden, mas nada gritante. Faixas de destaque: “Ghost in the Machine”, “Evolution”, “Born as a Stranger”, “The Brave” e “Identity”.

Diogo: Dizer que Blaze Bayley foi injustiçado no Iron Maiden é um exagero. Afinal de contas, quantos caras adorariam a chance de ocupar o posto de vocalista em um dos grandes pilares do heavy metal? A parada era dura, ele topou sabendo o que esperaria. Dentro do que estava em sua alçada, Blaze fez um trabalho honesto no Maiden. The X-Factor, inclusive, é meu disco preferido do grupo pós Seventh Son of a Seventh Son, muito pela coesão entre canções mais sombrias e seu timbre de voz. Em Virtual XI, porém, a banda errou feio ao tentar atirar para lados diferentes e perdeu-se em uma péssima produção, resultando em músicas enfadonhas, repetitivas e desconectadas. Longe do Maiden e ao lado de colegas competentes, o vocalista recuperou a coesão deThe X-Factor e soltou uma obra que foi aclamada com merecimento, fazendo heavy metal inegavelmente britânico com uma aura renovada. Blaze pode não ser dono de um grande timbre, mas é esforçado e, quando trabalha com afinco, mostra que sabe compor. “Ghost in the Machine”, “The Brave”, “The Launch” (com um quê de “Man on the Edge”), “Stare at the Sun” (ótimo trabalho de guitarras de Steve Wray e John Slater) e a faixa-título são amostras de que o inglês não precisaria viver sob a sombra do Iron Maiden. Não sei a quantas andam os setlists de seus shows, mas sinceramente espero que Silicon Messiah esteja recebendo mais atenção que Virtual XI.

Eudes: Se o disco do Iron Maiden já está aqui , não entendi a entrada do genérico na lista. Depois sujeito não sabe por que morreu de overdose!

Fernando: Blaze saiu do Maiden e iniciou uma boa carreira solo com seu melhor álbum. Para aqueles que acham que ele não tem nível para ser cantor do Maiden, grupo no qual me incluo, fica a prova que ele pode fazer coisas legais mesmo não sendo um Bruce Dickinson. Também ajudou muito ele partir para um tipo de som bastante diferente do que fez no Iron Maiden. Material mais pesado, com gravação e produção mais modernas. Pena que ele ficou marcado por um monte de fãs imbecis e não conseguiu prosperar em sua carreira solo.

Flavio: Após a catastrófica passagem pelo Iron Maiden, Blaze Bayley voltou à ativa com Silicon Messiah. Não há como negar que a mudança é positiva, mas nem tanto… talvez com mais liberdade criativa, sem estar preso ao estilo do Iron, a produção deveria ser melhor. Fica claro que o vocalista tem bons atributos, mas com um tom mais baixo não funcionaria nunca no Iron Maiden mesmo. Mas aqui não é para ficar falando de Iron Maiden e vamos ao disco: a faixa de abertura é uma surpresa agradável e traz um estilo pesado e com elementos mais modernos unidos ao tradicional heavy metal, com uma boa interpretação de Blaze, sendo talvez a melhor do disco, mas ao iniciar a segunda faixa, algo me lembra da catástrofe anterior… lá vem as tentativas de vocais em tons mais altos e as baladas que não combinam com um vocal notadamente limitado e às vezes óbvio, no limiar para a desafinação. Em “Evolution”, novamente o mesmo panorama e o vocal não me agrada, assim como em boa parte do restante, como na ponte e no e refrão da faixa-título. “Born As a Stranger” traz uma boa introdução em guitarras e baixo dobrados até uma aceleração no ritmo, mas o vocal é fraco, trazendo um ar de mesmice. Dá para gostar da pesada “The Hunger” e o disco tem alguns outros bons momentos, sendo sem dúvidas superior aos trabalhos no Iron Maiden (principalmente ao péssimo Virtual XI), mas nada merecedor de participação nesta lista.

João Renato: Ainda meu álbum preferido da carreira de Blaze Bayley. Músicas densas, obscuras, melodias melancólicas unidas ao típico metal britânico. Fez muitos fãs mudarem sua opinião após crucificá-lo nos tempos de Iron Maiden.

Leonardo: Ótimo disco do ex-vocalista do Iron Maiden. Mais pesado, direto e agressivo do que a sua ex-banda, Silicon Messiah apresenta uma sonoridade mais moderna, com uma pegada à la Painkiller, chegando a beirar o thrash metal em alguns momentos. Extremamente recomendado para fãs de heavy metal em geral, mesmo os que não apreciaram a passagem do cantor pelo Iron Maiden.

Mairon: Estranho, os ótimos discos de Blaze Bayley com o Iron Maiden ficaram de fora, mas sua estreia ficou entre os dez mais. Bom, méritos de Blaze, que fez um belo debut, que me agradou bastante, apesar de não conhecê-lo antes da audição. Acho uma injustiça o que cometem com o vocalista inglês, principalmente pelo fanatismo exacerbado com Bruce Dickinson. Blaze canta muito bem, como atestam “Born as a Stranger” (que música bem boa de ouvir), a trabalhada “Reach for the Horizon” e a pérola que abre o álbum “Ghost in the Machine”. A faixa-título é linda, e poderia fácil entrar em qualquer disco do Iron. Silicon Messiah alterna momentos pesados (“Evolution” e “Identity”) e velozes (“The Brave” e “The Launch”, essa com o riff chupado de “Bastille Day”, do Rush) com faixas cadenciadas, como a singela “Stares at the Sun” e a linda “The Hunger”. Se a donzela tivesse feito um disco desse nível após o retorno de Bruce, ainda seria uma baita banda, mas que pena que eles optaram pelo comodismo, e vem aí se repetindo há 16 anos – mas tem quem goste.

Ulisses: Enquanto o mundo comemorava o retorno de Bruce à Donzela e aguardava por Brave New World, o carismático underdog Blaze Bayley arregaçava as mangas e preparava seu estupendo disco solo de estreia. Trazendo uma sonoridade típica do metal britânico, porém moderna e cadenciada, daqui saíram vários clássicos, como “Ghost in the Machine”, “Born as a Stranger”, “The Brave” e a épica “Stare at the Sun”, todas com refrãos marcantes e aquele vozeirão limitado, mas forte e cativante do Blaze, que casou perfeitamente com as composições. É uma pena que sua controversa passagem pelo Maiden ainda afaste muita gente de conhecer sua ótima carreira solo.


 

06-Iommi

Tony Iommi – Iommi (34 pontos)

Alissön: Eu sabia que Tony tinha três discos solo. Um deles eu já conhecia, aquele álbum horroroso com Glenn Hughes nos vocais, que acabou sendo creditado como do Black Sabbath. O restante eu nunca fui atrás. O motivo? Vá saber, preguiça, provavelmente. Apesar de seguir os moldes “disco celebração”, com toda a galera reunida pra tirar um som, não chega a sofrer do problema de apresentar uma verdadeira salada musical. Os riffs seguem um padrão moderno, timbragem forte, com um pé no alternativo… mas só. Músicas sem graça, pouco memoráveis, um riff bacana aqui e acolá, e nada mais.

André: Todo mundo sabe quão grande Tony Iommi é como guitarrista. Seus riffs sempre estarão na memória de qualquer um que se preste a ouvir rock em algum período de sua vida. Mas é justamente por saber dessa habilidade do britânico é que não vejo este disco à altura daquilo que ele representa. Cadê aqueles riffs marcantes? Não consigo memorizar nenhum. Nem mesmo a constelação de vocalistas ajuda a dar consistência no disco. As guitarras estão lá, bem altas e destilando peso, mas é aquela coisa de que Iommi não é um álbum que conseguiria se segurar sozinho em uma tour sem uns dez clássicos do Sabbath juntos, no mínimo. “Time Is Mine”, com Phil Anselmo, tenta emular algo de “Electric Funeral”, de Paranoid (1970), mas não é lá grande coisa. Bizarramente, a faixa que mais gosto é “Into the Night” com o oxigenado Billy Idol.

Ben: Creio que todos os que estão nos caminhos das artes apreciam explorar terrenos diferentes. É algo saudável, e Iommi é um exemplo disso. Recheado de convidados famosos, Mr. Tony elaborou um disco sem grandes pretensões, com boas canções e outras apenas medianas. Escutei este álbum umas poucas vezes na ocasião, e me lembro que o que realmente me chamou a atenção foram os riffs (óbvio, né?) e a faixa com Billy Corgan, “Black Oblivion”…

Bernardo: O homem-riff fez um bom álbum solo com participações de grandes nomes como Henry Rollins, Billy Corgan, Dave Grohl, Serj Tankian, Ian Astbury, Billy Idol, Peter Steele e Ozzy Osbourne, equilibrando com propriedade o clássico e o moderno. Cheio de bons momentos, não chega a sobressair propriamente.

Davi: O mestre dos riffs Tony Iommi atacou de álbum solo em um álbum repleto de convidados ilustres. Tirando os malas Henry Rollins e Peter Steele, só tem gente legal. Como não poderia deixar de ser, o disco é pesado, tem um ar meio sombrio. Em algumas músicas, como “Laughing Man (In the Devil Mask)” e “Meat”, o rapaz explora novos ares, busca um som mais contemporâneo. Em outros, como em “Time Is Mine” e “Who’s Fooling Who” soa mais Black Sabbath do que nunca. Disco bem bacaninha!

Diogo: Tem cara de álbum tributo, daqueles que têm tudo para não ser lá muito coesos. Mas não é que deu certo? Tony Iommi cercou-se de convidados óbvios e surpreendentes e finalmente colocou em prática seu primeiro disco solo, composto ao lado do produtor Bob Marlette e dos vocalistas convidados, e executado por uma dezena de instrumentistas com ou sem ligação prévia com o Black Sabbath. Se você busca um Tony riffando loucamente como em Master of Reality (1971) ou Vol. 4 (1972), esqueça, este álbum pode lhe decepcionar. Iommi é um produto do seu tempo, não de décadas passadas, e muito da personalidade dos convidados fica bem latente nas faixas, como é o caso de “Black Oblivion”, com Billy Corgan, e “Just Say No to Love”, com Peter Steele. Da mesma maneira, “Who’s Fooling Who” (com Ozzy e Bill Ward) é tão Black Sabbath quanto aquilo que a banda viria a fazer em 13 (2013). Isso significa que faltou originalidade a Tony? Pra mim não. Na verdade, sobrou generosidade, com um ídolo trabalhando ao lado de fãs e criando boa música ao lado deles, como evidenciam as ótimas “Laughing Man (In the Devil Mask)”, com Henry Rollins, e “Time Is Mine”, com Phil Anselmo. Mesmo entre as uniões menos previsíveis, com pessoas aparentemente não muito conectadas ao seu trabalho, o resultado foi bom, sendo “Into the Night”, com Billy Idol, minha favorita. Inclusive, informações dão conta de que mais músicas foram compostas com Idol. Pois bem, onde estão?! Um adendo: se Iommi conseguiu seu espaço por aqui, Fused merece nada menos que o topo na edição dedicada a 2005.

Eudes: Quando comprei este disco, levado pela curiosidade de como seria um álbum solo do guitarrista, fiquei meditando entre uma porrada e outra: por que diabos um guitarrista criativo e dono de um estilo próprio altamente reconhecível, como Iommi, perdia tempo arrastando por anos o nome de uma banda que encerrou carreira de fato em 1977? O disco me deu a resposta: de besta! Porque Iommi é um grande álbum! Tem Black Sabbath? Só faltava não ter, né? Mas vai avante, incorpora sonoridades modernas, passeia por melodias soturnas e paisagens congeladas, incorpora o modus operandi dos muitos e famosos convidados e, sim, dá ao mundo uma nova safra de riffs inesquecíveis. E o primeiro lugar foi dado ao mais do mesmo do Iron Maiden. Este mundo não é justo!

Fernando: Eu nunca sei muito bem o que dizer desse tipo de disco com vários vocalistas diferentes. É algo muito interessante por termos mais uma prova que os diversos estilos dentro do rock e do metal têm uma mesma raiz, porém, como disco, acaba perdendo unidade. Fica parecendo uma coletânea. Os vocalistas, entretanto podiam tentar mais se desligar do passado do Sabbath e não tentar emular os vocalistas que passaram pela banda. Porém, no todo é um disco divertido e acho que está aqui mais por conta de Iommi do que por sua qualidade. Prefiro os álbuns seguintes, com Glenn Hughes.

Flavio: Ao ouvir seu primeiro disco solo, entende-se como o músico conseguiu se manter por tantos anos na ativa com qualidade. Tony Iommi, que pode ser considerado o inventor do heavy metal, não tem medo de arriscar em outros panoramas e forma duplas inusitadas com vocalistas consagrados, mais modernos, que “colorem” o estilo tradicional do guitarrista, sem perder a pegada sempre presente nos trabalhos com o Sabbath. Se você espera encontrar um novo disco do Black Sabbath, terá surpresas, pois há misturas com sons mais modernos, como na música de abertura, mais suingada, em um estilo rap metal (sem a parte vocal falada), com o peso característico do guitarrista. Os riffs são fantásticos e sombrios, como na segunda faixa, “Meat”, com a surpreendente performance da vocalista Skin e o solo com wah wah característico de Iommi. Há outras excelentes músicas como “Goodbye Lament” (com Dave Grohl), “Into the Night” (Billy Idol), “Flame On” (com Ian Astbury) e até a sabbathiana “Who’s Fooling Who”, com Ozzy e Bill Ward. No geral, todas as faixas têm seus atrativos. Recomendado àqueles que desejam ver a versatilidade do músico, que mostra que não é mestre à toa.

João Renato: O deus supremo dos riffs juntou uma turma interessante e compôs um grande trabalho, se permitindo experimentar algumas coisas diferentes em comparação ao Black Sabbath. Não é melhor que os trabalhos da banda principal, mas possui qualidade inegável.

Leonardo: A classe dos riffs de Tony Iommi é inegável, mas a grande variedade de vocalistas convidados acaba fazendo o disco soar como uma colcha de retalhos. Há bons momentos, como nas músicas cantadas por Henry Rollins, Dave Grohl e Ozzy Osbourne, mas outras não têm o mesmo impacto, como as gravadas por Ian Astbury e Serj Tankian.

Mairon: Em uma das listas mais doloridas de se ouvir, poucos álbuns conseguiram figurar alegremente em meus ouvidos, como é o caso de Iommi. O primeiro disco do bigodudo demorou cinco anos para ser lançado, e quando chegou às lojas, não deixou pedra sobre pedra. Contando com a participação de diversos convidados (olhem alguns dos nomes: Henry Rollins, Dave Grohl, Phil Anselmo, Serj Tankian, Billy Corgan, Ian Astbury e Matt Cameron, tá bom?), dos quais Brian May é o melhor deles em “Flame On” e “Goodbye Lament“, essa última carregadíssima de efeitos, o vovô Iommi conseguiu colocar na mídia um álbum que ora é o mais puro estilo sabbathico, ora é totalmente inédito. O peso de “Time Is Mine“, “Laughin Man (In the Devil Mask)” e a agitada “Black Oblivion” são os melhores momentos para os fãs da famosa banda setentista, que irão se deliciar com “Who’s Fooling Who”, com a participação de Bill Ward e Ozzy Osbourne, e tendo o mesmo sino de “Black Sabbath” na introdução (porém sem as tormentas). Por outro lado, esses mesmos fãs torcerão o nariz para os eletrônicos de “Patterns”, “Meat” e “Just Say No to Love”. A parceria com Billy Idol em “Into the Night” até que ficou interessante. Todo o álbum vale a pena ser ouvido, mostrando que o velhinho Iommi ainda tinha muitos riffs para tirar de sua cachola.

Ulisses: Disco solo do bigodudo, contando com a presença de músicos gabaritados. Apesar de trazer aqueles riffs monolíticos, a maioria das faixas não são muito inspiradas, e a presença de elementos eletrônicos em algumas delas soa como uma tentativa de modernizar o som, mas que acabou não dando em nada. Gosto apenas da abertura com “Laughing Man (In the Devil Mask)”, da longa “Black Oblivion” e, claro, de “Who’s Fooling Who”, com participação de Ozzy e Bill Ward. Cinco anos depois ele entregaria um disco melhor, em parceria com Glenn Hughes…


 

07-Clayman

In Flames – Clayman (33 pontos)

Alissön: Com este álbum eu já comecei a desgostar do som do In Flames. E pensar que viriam umas desgraças homéricas pós Clayman… enfim, sobre o disco: Uma coisa que me incomodou um pouco é a gravação cristalina até demais. Não tenho nada contra gravações neste estilo, mas fico com a impressão de um disco estéril, estilo metalcore de shopping, e estamos falando de death metal (melódico, mas é death metal). Nou vou dizer que o disco é ruim. “Pinball Map” traz ares de thrash metal e “Clayman” relembra um pouco do estilo clássico do death metal melódico em seu auge. De resto, são faixas que não me agradam muito pelos motivos citados acima.

André: Melhor trabalhado que os últimos dois álbuns, posso dizer que tenho uma preferência maior por este disco. Mais lento, mais melódico e com um bom gosto em termos de riffs (“Suburban Me” tem ótimas guitarras), os suecos fizeram um ótimo trabalho.

Ben: Os anos 1990 mostraram muita diversidade. O quinto disco do In Flames, Clayman, é mais uma conquista no heavy metal. Melódico, tradicional e com uma violência que beira o extremo em um único pacote. “Bullet Ride” mostra um dos riffs mais bacanas e é um prenúncio do que o resto do disco poderia oferecer. No geral, não há realmente uma música ruim em Clayman, e é uma pena que Jesper Strömblad, um guitarrista ímpar, se perdeu para o álcool…

Bernardo: Com os medalhões voltando às sonoridades antigas para ver se voltavam a vender, coube ao metal escandinavo “modernizar” o metal promovendo o encontro do power metal com o metal extremo, casando melodia e brutalidade, derrubando as desnecessárias viseiras de gênero, sendo seguidos logo após pela nova onda do heavy metal americano. O In Flames foi um dos principais responsáveis. Não sou fã, mas álbuns como Clayman valem a audição.

Davi: Discaço! A banda continuava pesadaça, mas já começava a arriscar novos caminhos. Estavam experimentando mais nos arranjos.Tinha um quê de modernidade com alguns elementos eletrônicos, alguns teclados. Diria que é um álbum de transição. A gravação é superior à dos anteriores. Trabalho vocal mais elaborado. Muitos fãs dizem que este foi o último grande disco da banda. Para a decepção de nossos amiguinhos, prefiro-os a partir daqui.

Diogo: Quando foi dado início a esta série, nem de longe passava pela minha cabeça a possibilidade de que o In Flames desse as caras quatro vezes, tendo todos seus discos lançados entre 1996 e 2000 representados. Quem nos acompanha já sabe da chiadeira que isso tem gerado, mas quem tem o mínimo respeito pelo grupo sabe que poucas formações da época tiveram constância semelhante. A partir do disco seguinte, o In Flames colocaria em prática algumas mudanças sonoras que desagradaram grande parte dos fãs (inclusive eu), mas até Clayman foi pé no acelerador. Talvez as costuras guitarrísticas, meu elemento favorito na sonoridade do grupo, já não estivessem mais tão afiadas como nos três antecessores; ainda assim, músicas cativantes abundam neste disco, com mais ênfase às bases. “Bullet Ride” e “Only for the Weak” são bons exemplos da nova cadência que o grupo imprimiu em boa parte do tracklist, enquanto “Swim” poderia ter sido extraída de Whoracle (1997) ou Colony (1999). Os destaques maiores são “Pinball Map” e a faixa-título, que equilibram esse novo jeito de fazer death metal melódico que o In Flames estava forjando a elementos do passado recente, vide as passagens mais rápidas e as costuras entre Jesper Strömblad e Björn Gelotte. Pena que esse equilíbrio não seria mantido em lançamentos posteriores. A banda resolveu ousar mais, o que nem sempre significa fazer melhores trabalhos.

Eudes: O In Flames deve ser uma espécie de Beatles do heavy metal noventista… sabe lá o que é emplacar quatro discos entre os melhores em cinco anos? Quando a gente abre o YouTube e ouve o bicho, contudo, não consegue entender o que separa a banda do exército de grupos de mesmo estilo, sonoridade e época: velocidade, melodias tatibitati e animação. Se tivesse 30 anos talvez curtisse…

Fernando: Dos quatro disco mais aclamados do In Flames, acredito que este seja inferior aos outros três, mesmo assim é bem legal e tem a música que eu mais gosto deles, “Bullet Ride”. Foi o primeiro que eu comprei. Acredito que agora não teremos mais nenhum da banda na série.

Flavio: Novamente presente, o In Flames trouxe em Clayman elementos misturados daquilo que se classifica como nu metal, heavy metal melódico e death metal. O estilo chega a ser leve ou mesmo se aproximar do heavy metal tradicional em alguns momentos, mas o uso de afinações baixas remete ao estilo de origem – o death metal. Neste disco há uma mistura, um ar de produção mais comercial, bem alinhado com o estilo melódico, muito comum na época deste lançamento. Os músicos tem boa performance com as guitarras dobradas e, em geral, as músicas são orientadas para complementar a melodia vocal, e é esse ponto que vai me afastar de gostar do disco: em um dilema de gostar do material, quando não há vocal, a detestar quando ele aparece, ganhou este último. Não consigo suportar muitos minutos de execução de um vocal gutural e por muitas vezes em dobra (gutural também). Com o vocal que está bem definido no disco todo, a conclusão é: ou o estilo teria que mudar ou nunca aceitaria o In Flames. Meus destaques são as partes instrumentais principalmente em “Square Nothing”, assim como a entrada de “Satellites and Astronauts”, ou mesmo a parte melodiosa agradável do solo, mas é um disco que me causa sensação geral e rápida de desagrado e nunca o colocaria numa lista de dez mais de 2000.

João Renato: “Pinball Map” é espetacular, minha música preferida do In Flames. Como já disse anteriormente, não é uma banda que eu ouça toda hora, mas tem suas qualidades.

Leonardo: O último grande disco do In Flames, em minha modesta opinião, e um dos melhores também. Adicionando uma dose maior de modernidade ao death metal melódico que a banda executava até então, o grupo sueco criou uma sonoridade muito própria, baseada em riffs de guitarra marcantes, refrãos fortes e solos de guitarra melódicos e inesquecíveis, como se pode ouvir nas duas faixas que abrem o disco, “Bullet Ride” e “Pinball Map”. Mas o álbum ainda tem muitos outros destaques, como a espetacular “Swim” e “Only for the Weak”, que se tornaria o grande sucesso do álbum. Pena que, após Clayman, a banda tenha mudado bastante o seu som, sem nunca alcançar a qualidade dos discos lançados até então.

Mairon: De novo esse vocal irrit… ops, quase falei mal do vocalista. Como prometi que não ia mais falar mal dele, ouvi o disco quieto e saí mudo. Que merd* é essa “Square Nothing”? Música para adolescente rebelde, e chata demais.

Ulisses: Apesar do vocal soar um pouco piorado em relação aos discos antecessores, Clayman consegue se sustentar na maior parte do tempo, apesar de também não trazer grandes surpresas além de uma ou outra boa faixa (“Brush the Dust Away”, “Suburban Me” e a faixa-título) – o típico álbum “tô raso, tô fundo”. Fico surpreso é que uma banda com registros tão medianos (The Jester Race, de 1996, foi o melhorzinho) já emplacou seu quarto disco aqui na série…


 

 

08-Crush

Bon Jovi – Crush (33 pontos)

Alissön: It’s getting worse.

André: Finalmente chegamos ao disco de “It’s My Life”, hit que se faz presente em qualquer festinha com temática de “rock popular” que eu já tenha participado em minha vida. Tudo bem, embora eu já tenha enjoado, ela tem cara mesmo de sucesso radiofônico e é a melhor do CD. Entretanto, ouvindo o restante, é tudo aquilo que repudio na maioria dessas bandas de rock “mainstream”, que na época atiravam em nossos ouvidos vocais melados e enjoados, guitarras românticas, visual moderninho com cabelos lambidos e óculos escuros, bateria reta e praticamente sem viradas além de uma produção pasteurizada.

Ben: Foram uns cinco anos de hiato desde o excelente These Days (1995)… o Bon Jovi sempre manteve sua cota de fãs e, mesmo estando longe de ser um deles, fatalmente apreciei várias de suas canções (e o These Days inteiro). Em Crush, a abertura “It’s My Life” é impressionante, mas o resto do repertório meio que permanece ofuscado por esse belo hit. De minha parte, é como os outros discos do Bon Jovi, bons hards, mas por demais açucarados para estarem em minha coleção.

Bernardo: Muita gente nascida no final da década de 1980, inclusive eu, conheceu o Bon Jovi com “It’s My Life”. Música empolgante, um pop perfeito para embalar uma festa, projetado e lapidado cuidadosamente para tanto. Mas não sai daí. Essas “músicas de trabalho” são boas de consumir como single, porque os álbuns que as acompanham quase sempre são enfadonhos. Não é nem ruim, propriamente falando. Só cansativo.

Davi: Na época, havia um boato de que o Bon Jovi retornaria às origens em Crush. Talvez por isso, muitos tenham criticado o disco ao escutá-lo pela primeira vez. A banda não olhava para o passado, mas sim para o futuro. Os rapazes continuavam apostando na ideia de atualizar seu som, continuavam com a pegada comercial (que eles nunca esconderam, na real), continuavam explorando as baladas e continuavam cativando os ouvintes com músicas bacanudas. Richie Sambora continuava arregaçando nas guitarras, Jon Bon Jovi continuava se destacando como cantor. “Say It Isn’t So”, “Just Older”, “Captain Crash & the Beauty Queen from Mars”, “One Wild Night”, “I Could Make a Livin’ Out of Lovin’ You” arrancam sorrisões de qualquer pessoa que não seja um trOO banger from hell. Provavelmente, o último grande álbum do Bon Jovi.

Diogo: Se o leitor chegou até aqui, muito provavelmente já leu impropérios a respeito de Crush. Tenha certeza, vai ler mais logo abaixo! Não vou censurar meus colegas que não apreciam o disco. Eu mesmo, grande fã do grupo, não captei sua qualidade logo nas primeiras audições. Inclusive “It’s My Life”, sucesso avassalador que conquistou toda uma nova leva de fãs, demorou um tempo para amadurecer aos meus ouvidos. Foi só quando percebi que sua beleza está nas melodias e na simplicidade, não na expectativa frustrada de algo que emulasse Slippery When Wet (1986) e New Jersey (1988), que a aceitação foi plena. É bem verdade que o Bon Jovi desses álbuns não era mais uma realidade, o grupo havia seguido caminho próprio e feito álbuns diferentes na forma de Keep the Faith (1992) e These Days, mas em 2000 eu tinha apenas 16 anos e uma compreensão muito mais limitada do que é música de qualidade. Quando aceitei Crush como ele é, diversas músicas que haviam passado despercebidas se revelaram, como “Two Story Town”, “Next 100 Years”, “Mystery Train” (belo e delicado refrão) e “Captain Crash & the Beauty Queen from Mars”. Claro, “It’s My Life” também caiu nas minhas graças, juntando-se àquelas das quais eu já havia gostado de início, como “Say It Isn’t So” (com uma melodia que parece ser obra de John Lennon e Paul McCartney) e “One Wild Night”, a mais legitimamente hard do tracklist. Mas nenhuma, repito, nenhuma chega perto daquela que é não apenas a melhor do disco, mas uma de minhas favoritas em todo o catálogo do grupo: “Just Older”. Não foram poucas as vezes que me peguei cantando sua letra com empolgação, bancando um Jon Bon Jovi mais Bruce Springsteen do que nunca. Crush ainda poderia ter sido melhor caso diversas músicas gravadas na época tivessem sido aproveitadas, como “Crazy Love”, “Garageland” e a ótima “Stay”, que saiu como lado B. Também contribuiria a inclusão da emocionante “Real Life”, que foi lançada apenas como single a na trilha sonora do filme “EDtv” (1999).

Eudes: É aquela coisa que minha mãe dizia, se a menina não for engraçadinha quando é nova, velha é que não fica bonita mesmo. Um disco de 1987, digamos, do Bon Jovi em uma lista de melhores de todos os tempos já é daquelas coisas difíceis de explicar, mas no ano 2000, o que é que eu vou dizer lá em casa? Como se não bastasse, o álbum abre com a insuportável farofa oitentista de “It’s My Life”, uma espécie de hit do A-ha com guitarras (levemente) distorcidas. Crush bom mesmo era o refri!

Fernando: O amor que o Diogo tem pelo Bon Jovi faz um disco mais ou menos entrar aqui na nossa série. Apesar que tenho de reconhecer que é o melhor álbum do grupo nos últimos 20 anos, rivalizando um pouquinho com Bounce (2002). “It’s My Life”, a canção principal, é muito boy band. Tenho certeza que se tivessem lançado sem dizer de quem era a música todos lembrariam de alguma coisa parecida com Backstreet Boys.

Flavio: Crush apresenta um Bon Jovi cada vez mais comercial, seguindo o afastamento do hard rock dos anos 1980 e também o estilo mais calcado em blues rock dos anos 1990. As guitarras muito leves, como na insossa “Say It Isn’t So”, os elementos eletrônicos de “It’s My Life” e “Two Story Town” (que melodia e harmonia descaradamente chupadas de “One of Us”, de Joan Osborne!), as ridículas palmas no refrão da péssima “Captain Crash & the Beauty Queen from Mars”, o horrível refrão em “I Got the Girl”, enfim, um disco bem fraco, pop, sem pegada e com melodias nada inspiradas, muito abaixo do que a banda vinha apresentando até aquele momento e nunca justificável em uma lista de dez melhores. Como destaque posso elencar apenas a média, óbvia e aerosmithiana balada “Thank You For Loving Me”.

João Renato: Muito chato. Hits incontestáveis com uma fórmula fácil e oportunista.

Leonardo: Depois de dois excelentes discos de hard rock no final dos anos 1980, o Bon Jovi foi cada vez mais se afastando de sua sonoridade clássica e passou a apostar em baladas e em canções com apelo mais pop. Crush segue essa linha e, apesar de apresentar três ótimas músicas, “It’s My Life”, “One Wild Night” e “Just Older”, é extremamente decepcionante. Alguns momentos chegam a ser embaraçosos, como na ultrapiegas “Thank You for Loving Me”. E a coisa ficaria ainda pior nos discos seguintes…

Mairon: Fala sério. Bon Jovi em 2000 já era vovô, e eu não tenho obrigação de aguentar a choradeira de “Save the World”, “Thank You for Loving Me”, “Mystery Train” e “Next 100 Years”. Pior ainda é, logo quando soltamos o CD, rolar a insuportável “It’s My Life”, no qual Jon “Ruim” Jovi desafina tudo o que pode. Que nojo de ouvir esta bomba. Tchê, uns homens velhos ouvindo isso, pelamordedeus. Mais um que entrou pelas cotas bizottianas.

Ulisses: Vai, o disco não é tão marcante quanto o que entrou em 1995, mas ainda consegue ser agradável de se ouvir. Eles só parecem tocar sem arriscar algo mais bem trabalhado, tirando “It’s My Life” e a bela “Save the World”. Destaque também para “Just Older”, “Mystery Train” e “One Wild Night”.


 

09-SMPTE

TransatlanticSMPT:e (30 pontos)

Alissön: Tentei ouvir isso umas três, quatro vezes, mas acabava dormindo lá pelos 25 minutos da primeira faixa. Tanta nota, tanto rebuscamento, tanta pompa para, no fim, não conseguir dizer nada. Kid A, com programação eletrônica e 45 minutos de disco fez muito mais pela música do que isso aí – sim, provocação barata, porque a maioria aqui odeia Radiohead. Não tem de quê.

André: Gosto desse projeto paralelo que acabou se transformando em banda. Há tempos não surgia rock progressivo por aqui, sequer me lembro qual foi o último (provavelmente o Marillion nos anos 1980). E é um disco com a cara do progressivo noventista, tão ignorado por aqui mas que tem um ouvinte fiel comentando nesta série e acho até surpreendente que tenha entrado sem voto meu. O Transatlantic nunca foi uma banda de fácil digestão, por isso ouvir SMPT:e me exigiu uma atenção maior do que a de costume para pegar os principais detalhes de sua sonoridade. “All of the Above” é a cara de Mike Portnoy nos seus tempos de Dream Theater: longa em duração, longa em solos e cheia de mudanças repentinas. As duas músicas menores são também muito boas, mas tenho um carinho especial pela beleza de “My New World”. Por fim, o cover do Procol Harum “In Held ‘Twas in I” é bastante competente.

Ben: Pô, sem querer ser arrogante, mas nunca gostei muito de progressivo… 😦

Bernardo: Progressivo contemporâneo é coisa pra iniciado mesmo. Esse pensamento talvez tenha me atrapalhado a apreciação do disco do supergrupo formado por gente de Dream Theater, Marillion e outras bandas de expressão no cenário. Quer tenha ou não atrapalhado, foi dureza terminar a primeira música, “All of the Above”, com seus 31 minutos de duração. As duas seguintes foram até tranquilas, mas quando chegou nas faixas com mais de dez minutos de novo não aguentei mais não e tirei. Chato.

Davi: Trabalho genial. E não poderia ser diferente um disco que envolve nomes como Neal Morse (Spock’s Beard) e Mike Portnoy (Dream Theater). Rock ‘n’ roll progressivo realizado com enorme competência. A banda não é tão pesada quanto o Dream Theater. A pegada é outra. Sente-se uma influência pesada de Yes, um quê de Gentle Giant em determinados momentos. A faixa de abertura, “All of the Above”, dura mais de 30 minutos e é a melhor música do disco. Arranjo lindíssimo. Nem se sente o tempo passar. Outros destaques são a belíssima “My New World” e a releitura de “In Held ‘Twas in I” (Procol Harum). Bela estreia.

Diogo: Trata-se de um disco que mereceria muitas mais audições do que aquelas que dediquei a ele para tecer este comentário a fim de que uma sentença mais justa pudesse ser emitida. As influências do Yes setentista, banda que adoro, são evidentes, e a capacidade dos músicos não fica longe daquela ostentada pelos integrantes mais clássicos do quinteto inglês. Em especial, é sempre ótimo ouvir o baixo de Pete Trewavas, um músico pouco citado como destaque em seu instrumento, fazendo bonito e evidenciando sua capacidade mesmo nas canções mais pop de seu grupo original, o Marillion. Isso tudo, no entanto, não salva SMPT:e de ter, a princípio, soado um tanto enfadonho. A falta de um vocalista mais marcante também é sentida: os vocais certamente são o elo mais frágil de uma formação bastante azeitada levando em consideração que se tratava de apenas um projeto. Como eu disse acima, talvez mais audições possam fazer com que minha opinião se torne mais favorável. Por ora, acho que este álbum poderia ter dado espaço a outro, muito em especial o ótimo All That You Can’t Leave Behind, do U2, cuja ausência (Mairon?) me surpreendeu.

Eudes: Tá certo, temos uma faixa de abertura de 31 minutos e seis partes e uma de fechamento de 17, dividida em quatro partes e encerrada pomposamente com uma seção chamada “Grand Finale” (o que significa que passei uma semana para terminar o disco). Tá certo que a banda recicla os clichês mais manjados do progressivo e soa, dependendo da faixa, como quase tudo que você ouviu nos anos 1970 (ou dos anos 1970). Mas foi um grande negócio os músicos pararem com a chatice do prog metal e se meterem a fazer um disco de rock progressivo mesmo. O álbum é ótimo, agradável e tem tudo que o amante do gênero aprendeu a amar. Pedir originalidade já seria demais.

Fernando: Lembro da primeira vez que ouvi Transatlantic. Fiquei muito contente de saber que Mike Portnoy gostava de progressivo além das firulas instrumentais de sua banda de origem. Porém, conheci o grupo um pouco tarde, quando eles já haviam lançado o segundo álbum. A junção de exímios musicistas não gerou uma maçaroca musical, mas uma mostra de que a sonoridade setentista ainda influencia e ainda é importante 40 anos depois. Porém, eles utilizam essas influências sem se repetirem e de uma maneira muito atual.

Flavio: Um disco completamente fora da predominância temática desta lista: o heavy metal. SMPT:e é um exímio representante do rock progressivo em plenos anos 2000, que dádiva! Podemos ficar gratos principalmente pela bandeira levantada por Mike Portnoy (na época envolvido com o Dream Theater) no seu projeto paralelo. As referências às composições estão claras: Em primeiro o Genesis (principalmente no teclado) e logo a seguir (muitas) pitadas de Yes. Sim, é o que há de clássico do rock progressivo dos anos 1970 revivendo e ainda há toques de Beatles aqui e ali… são cinco músicas nos 77 minutos do disco, no qual a primeira tem 30 e poucos minutos de êxtase, sendo, juntamente com linda balada “We All Need Some Light” os destaques. Vou falar o que das performances dos músicos? São excelentes. E a cozinha, que cozinha! Trewavas (Marillion) e Portnoy, é realmente uma dupla admirável. Como o álbum é extremamente bem tocado, não dá para destacar um ou outro, todos estão excelentes. Me peguei sorrindo aqui e ali com as intervenções da guitarra de Roine Stolt no estilo Steve Howe (Yes). Há momentos jazzísticos sensacionais, como na primeira faixa, e outros tantos maravilhosos no resto da bolacha, na qual todas as músicas tem ótimo nível. Recomendo para todos que não estão atados a um estilo ou aos que gostam de rock progressivo.

João Renato: Tentei, mas não adianta. Não é para mim.

Leonardo: Supergrupo de metal progressivo, com todas as qualidades e defeitos do estilo elevados à enésima potência. Quem gosta deve achar sensacional, mas me deu sono.

Mairon: Confesso que tinha um preconceito enorme com mais uma das inúmeras investidas musicais de Mike Portnoy, não somente porque não gosto do estilo do baterista, mas por achar que o grupo é demasiadamente pomposo. Pois bem, fui ouvir este álbum e me agradou bastante a introdução de “All of the Above”. Roine Stolt tem fortes influências de Steve Howe, apesar de não evidenciar isso tão naturalmente; Pete Trewavas faz um feijão com arroz bem decente, Portnoy parece outro músico comparado ao que fez com o Dream Theater, e o estilo de tocar de Neal Morse é do mesmo nível que grandes como Keith Emerson e Rick Wakeman. Só que quando entrou o vocal, putz, daí caiu o conceito do disco. Fui ouvindo e cheguei à conclusão de que, instrumentalmente, é uma baita banda, como demonstra a bela sequência de solos em “My New World”, mas necessitava de um vocalista muito mais à altura da capacidade de cada músico. Aturar a choradeira em “We All Need Some Light” foi dose, mas, em compensação, a versão da Maravilhosa “In Held ‘Twas in I” ficou praticamente no mesmo nível que a original, do Procol Harum, pecando claramente nos vocais e por não ter a mesma dramaticidade. No geral, é um disco legal. Pelo menos serviu para comprovar que não perdi tempo não os conhecendo.

Ulisses: Um bom disco, mas com alguns escorregões. Dava para cortar “All of the Above” pela metade e ela não ficaria tão enfadonha. “Mystery Train” e “My New World” conseguem se sustentar melhor. Paradoxalmente, a faixa mais curta do registro é também a que soa desnecessária, apesar da bela performance vocal (“We All Need Some Light”).


 

10-Follow-the-Reaper

Children of Bodom – Follow the Reaper (28 pontos)

Alissön: Das bandas mais exageradas e enfadonhas que já ouvi. Teclados e guitarras muito pomposos, produção exageradamente estridente, estruturas infladas, fora os vocais do Alexi Laiho, de um timbre horroroso. E isso ainda iria piorar no disco seguinte.

André: Um de meus discos favoritos de todo melodeath. Teclados dando aquela aura power, Alexi Laiho se esgoelando, belas melodias unidas a peso e composições muito bem trabalhadas. Já imagino o que a maioria vai falar sobre os vocais de Laiho, mas eu não consigo imaginar mesmo um vocalista power comum cantando em falsete quando se trata dessas músicas.

Ben: Considero a década de 1990 como aquela em que o heavy metal se tornou “adulto” e mais diversificado, com toda uma safra de novas bandas explorando a música de forma inédita até então. O Bodom estava entre os melhores – tanto em termos de composição quanto técnica –, conseguindo aliar elegância, beleza e brutalidade. Follow the Reaper é heavy metal violento com tendências neoclássicas… não sei se o termo death metal melódico é apropriado, mas Follow the Reaper é um disco perfeito!

Bernardo: Rapeize, eu fui em um show do Children of Bodom em 2004. Gostei bastante, inclusive até mais do que de ouvir os discos. Hoje, escutando de novo, acho que eles têm material suficiente para montar o repertório de um show empolgante, mas os álbuns estão bem na média – os destaques aqui ficam para a cadenciada “Everytime I Die” e a agressiva e rápida “Hate Me!”, com um início que lembra uma versão acelerada do tema de Bernard Herrman para “Psicose” (1960). O “fator Massacration” deixa a banda às vezes involuntariamente cômica (especialmente nos videoclipes, ruins de dar dó), mas não compromete totalmente.

Davi: Por algum motivo, nunca tinha me dado ao trabalho de ouvir um disco do Children of Bodom, por mais que tenha se transformado em um nome respeitado dentro da cena. Escutando este álbum, digo que não bateu arrependimentos. Não achei ruim. Os músicos são muito bons. Trabalho de bateria muito bom. Trabalho de guitarra muito bom. Teclados bem construídos (por mais que sejam simples, aparecem na dose certa, sem exageros). Mas não consegui curtir o trabalho vocal. O estilo de Alexi Laiho me cansa rapidamente. Valeu pela curiosidade.

Diogo: O death metal melódico é um dos melhores subgêneros que os anos 1990 pariram e consolidaram. Bandas como Carcass, At the Gates, In Flames e Dark Tranquility lançaram discos essenciais para o metal extremo e influenciaram muita gente boa que seria bem sucedida na década seguinte. Mesmo com essa admiração que nutro pelo estilo, não tenho os mesmos sentimentos pelo Children of Bodom. Primeiro: a mistura de death metal melódico com aquele power metal tipicamente europeu soa exagerada, “cheesy” mesmo, até para alguém que, como eu, é chegadíssimo em AOR oitentista. Segundo: em muitos momentos o grupo parece uma versão mais extrema do Stratovarius, com a diferença de que Alexi Laiho não é nenhum Timo Tolkki (ok, o cara até é bom, mas só) e Janne Wirman não é nenhum Jens Johansson, isso apontando os dois pilares da sonoridade do grupo. O vocal de Alexi também passa bem longe de ser do meu tipo favorito em se tratando de gutural. As canções em geral são bem trabalhadas e chegam a dar uma empolgada, mas servem apenas para audições mais eventuais, pois o jeito de fazer heavy metal criado pelo Children of Bodom acaba soando cansativo após algumas audições.

Eudes: Aquela coisa, death metal padrão com fraseados de guitarra supersônicos, bateria de dois bumbos e vocalista possuído pela Regan MacNeil. Mas com a diferença de que os endemoniados tocam bem pra chuchu e têm uma sensibilidade pop que os leva por boas melodias. Se eu mandasse em alguma coisa por aqui, e dada a inescapável conjuntura metálica que vigora, botaria este disco mais pra riba nesta lista. Tio Eudes deixa vocês ouvirem este, meninos!

Fernando: Vou falar uma coisa que o povo talvez não vá gostar, mas qual é a diferença entre o Children of Bodom e o Stratovarius? Só a voz! Porque o instrumental é muito parecido, até os timbres de guitarra e teclado. Daí a gente ouve e lê um monte de mimimi sobre o metal melódico. Gostei bastante de Follow the Reaper. Até então tinha ouvido muito Hatebreeder (1999) e só agora tomei conhecimento deste aqui. Mais um disco que entrará na minha wishlist…

Flavio: Se o que eu escrevi aqui sobre o In Flames é que há um dilema do bom instrumental com o detestável vocal, imaginem o que vou escrever aqui… o tal melodic death metal é de matar, com um vocal no estilo Golum (“Senhor dos Anéis”) durante toda a bolacha… Vou destacar os aspectos positivos: boa escolha dos covers nas versões estendidas (“Shot in the Dark, de Ozzy Osbourne; Aces High, do Iron Maiden; e Hellion, do W.A.S.P.). Eu disse boa escolha, não disse boas versões, apesar do instrumental bem tocado… no mais, bons solos aqui e ali, bateria bem acelerada, teclados em boa colocação, sem tirar o peso, e um disco curto, o que diminuiu minha tortura. Enfim, não dá pra gostar do Golum cantando, é o que posso dizer.

João Renato: A continuação de Hatebreeder mostra um Alexi Laiho muito inspirado. Para ouvir do início ao fim sem precisar pensar muito – até porque o próprio líder do grupo já disse que não faz músicas reflexivas, apenas quer se divertir.

Leonardo: Considero o álbum anterior, Hatebreeder, o melhor trabalho da banda até hoje, mas este Follow the Reaper também é repleto de bons momentos. A mistura do metal neoclássico de bandas como Stratovarius e Yngwie Malmsteen com os vocais agressivos e andamentos acelerados funciona muito bem, e músicas como “Bodom After Midnight” e “Hate Me!” estão entre o que a banda fez de melhor até hoje.

Mairon: Mais METÁU?? Meu Deus, mas será que não ouvem outra coisa aqui? Ah, vão para o inferno! Essa voz é horrível e, apesar do bom instrumental, lá pelos dez minutos já não tive mais saco. Fui até o fim porque, graças ao bom senso, o disco tem pouco mais de 40 minutos, mas que parto a fórceps foi ouvir o resto. Gente, havia outros estilos em voga em 2000. Abram a mente.

Ulisses: Outro disco de death metal melódico nesta edição. Este eu achei melhor por conta das pirotecnias de guitarra, mais bem trabalhadas e com um pé no power/speed metal, até porque também duelam com os ótimos teclados de Janne Wirman. Os solos de “Children of Decadence” e “Kissing the Shadows” são excelentes. Pra ficar com o pescoço doendo ainda tem “Bodom After Midnight”, “Taste of My Scythe” e “Hate Me!”. Não é uma banda que eu pretenda ouvir novamente, já que não sou chegado em melodeath, mas achei que não ia gostar e acabei gostando!


Listas individuais

Alissön Caetano Neves

  1. Ulver – Perdition City11 Perdition City
  2. Electric Wizard – Dopethrone
  3. Radiohead – Kid A
  4. Isis – Celestial
  5. Clint Mansell feat. Cronos Quartet – Requiem for a Dream (Trilha Sonora Original)
  6. At the Drive-In – Relationship of Command
  7. Godpseed You Black Emperor! – Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!
  8. Corrosion of Conformity – America’s Volume Dealer
  9. Cryptopsy – And then You’ll Beg
  10. Nasum – Human 2.0

André Kaminski

  1. Nightwish – Wishmaster12 Mirage
  2. Children of Bodom – Follow the Reaper
  3. Memory Garden – Mirage
  4. Blaze – Silicon Messiah
  5. Tourniquet – The Microscopic View of a Telescopic Realm
  6. Ayreon – Universal Migrator Part 2: Flight of the Migrator
  7. Vader – Litany
  8. IQ – The Seventh House
  9. Dying Fetus – Destroy the Opposition
  10. Ayreon – Universal Migrator Part 1: The Dream Sequencer

Ben Ami Scopinho

  1. Rotting Christ – Khronos13 Khronos
  2. Nightwish – Wishmaster
  3. Killswitch Engage – Killswitch Engage
  4. Haggard – Awaking the Centuries
  5. The Hellacopters – High Visibility
  6. Tourniquet – The Microscopic View of a Telescopic Realm
  7. Nevermore – Dead Heart in a Dead World
  8. Evergrey – Solitude, Domination, Tragedy
  9. Angel Dust – Enlighten the Darkness
  10. Dio – Magica

Bernardo Brum

  1. PJ Harvey – Stories From the City, Stories From the Sea14 Stories from
  2. Eminem – The Marshall Mathers LP
  3. OutKast – StanKonia
  4. Primal Scream – XTRMNTR
  5. D’Angelo – Voodoo
  6. Radiohead – Kid A
  7. At the Drive-In – Relationship of Command
  8. Einstürzende Neubaden – Silence Is Sexy
  9. Queens of the Stone Age – Rated R
  10. Elliott Smith – Figure 8

Davi Pascale

  1. Linkin Park – Hybrid Theory15 Hybrid Theory
  2. Iron Maiden – Brave New World
  3. Bon Jovi – Crush
  4. Halford – Resurrection
  5. U2 – All That You Can’t Leave Behind
  6. Madonna – Music
  7. Gov’t Mule – Life Before Insanity
  8. Queens of the Stone Age – Rated R
  9. The Hellacopters – High Visibility
  10. The Hives – Veni Vidi Vicious

Diogo Bizotto

  1. Halford – Resurrection16 All that You Can't Leave Behind
  2. Bon Jovi – Crush
  3. U2 – All that You Can’t Leave Behind
  4. Immortal – Damned in Black
  5. Tony Iommi – Iommi
  6. In Flames – Clayman
  7. Morbid Angel – Gateways to Annihilation
  8. Krisiun – Conquerors of Armageddon
  9. Nightwish – Wishmaster
  10. Marvelous 3 – ReadySexGo

Eudes Baima

  1. The White Stripes – De Stijl17 De Stijl
  2. Air – The Virgin Suicides (Trilha Sonora Original)
  3. Tony Iommi – Iommi
  4. Ute Lemper – Punish Kiss
  5. Ryan Adams – Heartbreaker
  6. Yo La Tengo – And Then Nothing Turned Itself Inside-Out
  7. Queens of the Stone Age – Rated R
  8. Radiohead – Kid A
  9. Bidê ou Balde – Se Sexo É o que Importa, Só o Rock é Sobre Amor
  10. Porcupine Tree – Lightbulb Sun

Fernando Bueno

  1. Iron Maiden – Brave New World18 The Night
  2. Halford – Resurrection
  3. Transatlantic – SMPT:e
  4. Nightwish – Wishmaster
  5. Nevermore – Dead Heart in a Dead World
  6. Blaze – Silicon Messiah
  7. Tony Iommi – Iommi
  8. Morphine – The Night
  9. Krisiun – Conquerors of Armageddon
  10. The Hellacopters – High Visibility

Flavio Pontes

  1. Iron Maiden – Brave New World19 Dr. Sin II

  2. Dr. Sin – Dr. Sin II

  3. Transatlantic – SMPT:e

  4. Dio – Magica

  5. BB King & Eric Clapton – Riding With the King

  6. Union – The Blue Room

  7. David Coverdale – Into the Light

  8. Yngwie Malmsteen – War to End All Wars

  9. Tony Iommi – Iommi

  10. Michael Schenker – Adventures of the Imagination

João Renato Alves

  1. Nevermore – Dead Heart in a Dead World20 We Are Motorhead
  2. Iron Maiden – Brave New World
  3. Motörhead – We Are Motörhead
  4. Black Label Society – Stronger than Death
  5. Demons and Wizards – Demons and Wizards
  6. Halford – Resurrection
  7. Lizzy Borden – Deal With the Devil
  8. Children of Bodom – Follow the Reaper
  9. Destruction – All Hell Breaks Loose
  10. Tony Iommi – Iommi

Leonardo Castro

  1. In Flames – Clayman21 Supernatural Addiction
  2. Halford – Resurrection
  3. Deceased – Supernatural Addiction
  4. Iron Maiden – Brave New World
  5. The Hellacopters – High Visibility
  6. Cradle of Filth – Midian
  7. Children of Bodom – Follow the Reaper
  8. Nevermore – Dead Heart in a Dead World
  9. The Crown – Deathrace King
  10. Helloween – The Dark Ride

Mairon Machado

  1. Márcio Rocha – Juno22 Juno
  2. Uli Jon Roth – Transcendental Sky Guitar I & II
  3. BB King & Eric Clapton – Riding With the King
  4. Gov’t Mule – Life Before Insanity
  5. Joe Bonamassa – A New Day Yesterday
  6. Enigma – The Screen Behind the Mirror
  7. Ian Anderson – The Secret Language of Birds
  8. Sérgio Dias – Estação da Luz
  9. Halford – Resurrection
  10. Spiritual Beggars – Ad Astra

Ulisses Macedo

  1. Blaze – Silicon Messiah23 Mother Earth
  2. Within Temptation – Mother Earth
  3. Disturbed – The Sickness
  4. Therion – Deggial
  5. Iron Maiden – Brave New World
  6. Nightwish – Wishmaster
  7. Haggard – Awaking the Centuries
  8. Symphony X – V: The New Mythology Suite
  9. Dreams of Sanity – The Game
  10. Karma – Inside the Eyes


Categories: Artistas, Black Label Society, Blaze Bayley, Covers / Tributos, Curiosidades, DIO, Discografias, Iron Maiden, Motörhead, Nightwish, Queens Of The Stone Age, Resenhas, Yngwie Malmsteen

2 replies

  1. Bem, novamente pensando pelo meu lado estritamente pessoal alguns bons álbuns como este de 2000 que considero o melhor do Dr Sin poderiam estar tranquilamente na lista final no lugar de coisas como Crush , do Bon Jovi.
    E apesar de achar o álbum do Iron Maiden muito, mas muito bom e um sopro de vitalidade depois do Virtual XI ( que só o Eduardo consegue defender em parte), pra mim o melhor álbum de 2000 é o SMPTe do Transatlantic, que é não menos que genial.
    Magica, que é talvez o último disco de grande qualidade do DIo também merecia um lugar entre os 10 , mas tem boas representações dentro do metal na lista final, em especial os solos de Iommi e Halford.
    Os comentários do pessoal da consultoria são cheios de ironia e bom humor, assim também recomendo um pulo no blog amigo para checá-los.
    Fora do metal, o disco dos ícones BB KIng e Clapton merecia também figurar, uma pena não estar na lista final.

    Novamente parabenizo o Flávio pela coerência nos comentários e dose extra de paciência para ouvir determinados álbuns finalistas e ao Eduardo e ao blog por manter este canal de qualidade com o blog amigo,

    A minha lista de 2001 já seguiu , eu já tenho a final também , mas isso é assunto para depois do show do Maiden.

    Alexandre

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  2. Chamou a atenção a presença de dois discos com vocais guturais. E eu que achei que o pessoal da Consultoria do Rock não eram tão metaleiros.
    Agora, este disco do Bon Jovi, é brincadeira. Acredito que tenha havido uma grande dispersão de escolhas de discos, resultando num álbum escolhido por duas pessoas tenha alcançado o topo 10.
    Boa lembrança o disco do Halford, do qual gosto bastante.

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