Cobertura Minuto HM – Yngwie Malmsteen em SP – World On Fire Tour – parte 1 e primeiras impressões

O guitarrista sueco Yngwie Malmsteen está retornando ao Brasil depois uma passagem pelo segundo dia do festival Monsters of Rock realizado em São Paulo em 2015. Após lançar o seu 19º trabalho intitulado “World on Fire” em junho de 2016, Malmsteen retorna ao Brasil e se apresenta novamente em São Paulo no próximo dia 27 de agosto para um show na casa Carioca Club, com evento realizado pela produtora Dark Dimension.

Na ocasião do festival, o sueco tocou como segunda atração do segundo dia do festival sendo precedido apenas pelo não tão expressivo Steel Panther (banda californiana que transita entre a sátira aos artistas glam dos anos 1980 e uma atitude muito segura em suas composições e execuções ao vivo). Acho que dada toda a relevância do músico no cenário metal, Malmsteen deveria ter tido uma posição mais justa no headline do festival. Outro ponto a destacar na ocasião do show foi o visivelmente descontentamento do músico com o  som no palco e, obviamente sendo ele quem é, o mesmo demonstrou isso aos berros para a produção do festival em plena apresentação.

Após espremer os outros integrantes da banda ao lado direito do palco, Malmsteen executou um bom repertório, mas achei que seu show poderia ter trazido mais músicas de suas fases mais hard como em Marching Out, Trilogy e Unleash the Fury mas, certamente, o sueco demonstrou por que ainda é um dos melhores do mundo em seu ofício. Sua performance é limpa, rápida e matadora. Vendo-o antes e depois de outros artistas é que talvez se tem uma noção do quanto ele é impressionantemente preciso e rápido, adjetivos que se tornaram verdadeiros pleonasmos em se tratando de Malmsteen.

YngwieMalmsteen-SP-300x250

Yngwie Malmsteen_World On Fire 2016 

Voltando ao novo trabalho, World on Fire traz uma grande novidade: os vocais são todos feitos pelo próprio guitarrista! A gravação do baixo nas faixas não é novidade em seus registros e acho que desta vez ficou ainda mais visível numa primeira audição. Abaixo eu arrisco uma breve resenha sobre cada uma das músicas de “World on Fire” em uma primeira audição.

1 – World on Fire

Música de 4:31 de duração que abre o trabalho com uma levada rápida, dois bumbos e destaque para um riff rápido e complexo. Achei o tom do vocal um pouco baixo para a música e isso não ajudou a ambientar a música, mas ela abre bem o trabalho. Nota 8,5. Não acho que vire clássico mas foi impressionante a construção do riff da música.

2 – Sorcery

Música instrumental curta de 2:19 bem ao estilo Malmesteen, com seus característicos arpejos e suas quebras na cabeça da nota. Boa música. Nota 7,5.

3 – Abandon

Outra música instrumental que, se o ouvinte não estiver ligado, talvez não perceba que uma outra música começou. O andamento muda sim, com certeza, e a sequência de Sorcery muda visivelmente, mas a divisão entre as faixas ocorre com apenas uma virada de bateria e aí passa a ter outro andamento com as debulhações incríveis de Malmsteen. A música não me empolgou. Nota 7,0.

4 – Top Down, Foot Down

Mais uma música instrumental com uma rápida virada de bateria iniciando-a, com 4:17 de duração. Toda a sonoridade característica do sueco é empregada. Essa me agradou mais do que a anterior pois possui uma “história” melódica. Nota 7,0.  

5 – Lost in the Machine

Música com duração de 5:16 já retornando os vocais de Malmsteen que estão melhor encaixados. Possui um riff de entrada pesado e um andamento que acompanha a levada também de forma pesada. Possui bom trabalho dos backings também feitos por ele e considerando que ele não é um vocalista de ofício. Boa música mas ainda não empolga. Nota 7,5.

6 – Largo

Música instrumental de de 5:15. Música de andamento cadenciado que traz uma introdução com sonoridade de violão clássica de nylon muito bem elaborada sempre com um teclado de fundo fazendo uma cama e uma ambientação muito bem feita. Muito feeling e virtuosismo. A entrada da banda aos 3:14 é muito bem executada e segue uma bonita sequência melódica com uma frase muito bonita com suas devidas variações feitas com todo o arsenal do sueco. Bonita música. Nota 7,5.

7 – No Rest for The Wicked

Música instrumental de 3:11 com andamento mais rápido e com uma levada de dois bumbos muito bem encaixada. Novamente mostrando todo o poder de fogo de Malmsteen em suas variações, arpejos e suas convenções na cabeça da nota. Uma curiosidade é o final em que a bateria soando de forma mais orgânica fecha a música aparecendo de forma bem acústica. Nota 7,5.

8 – Soldier

Música de 5:26 de duração com vocais dobrados abrindo a faixa também de forma muito bem feita. Sempre com o apoio de teclados. A música começa com um andamento lento em 1:95 vira uma porrada bem elaborada e com uma excelente melodia. É disparada uma das melhores do trabalho. Nota 8,5.

9 – Duf 1220

Música instrumental de 3:19 de duração que possui excelente introdução com andamento mais cadenciado. Excelente música instrumental. De acordo com o Wikipedia, DUF122 é uma domínio proteico que pode ser encontrado em várias proteínas, incluindo aquela que é produzida pelo gene MGC8902, que está repetida em maior quantidade no DNA humano. Nota 7,5.

10  – Abandon (Slight Return)

Mais uma música instrumental de 2:31 com a mesma introdução feita por uma virada de bateria. Reforça a excelente agressividade do sueco. Termina com fade out e confesso que não agregou muito ao registro mas tem umas levadas bem agressivas. Nota 7,0.

11 – Nacht Musik

Linda música instrumental de 5:19 com introdução bastante acentuada em estilo clássico erudito. Fecha o trabalho de forma primorosa. Em alemão significa Música da Noite e é muito bonita.Nota 8,0.

O disco possui um material muito bom, mas para aqueles que gostam das composições com mais influência do “hard” não podem esperar muito. O trabalho é bastante calcado e seu estilo virtuoso e suas características clássicas. O disco recebe uma nota total de 7,5 alternando bons momentos. Para uma primeira audição, espero que vocês gostem assim como eu.

Rolf.

Revisou e contribuiu: Eduardo.



Categories: Agenda do Patrãozinho, Cada show é um show..., Curiosidades, Discografias, Resenhas, Yngwie Malmsteen

3 replies

  1. Rolf é a autoridade de Malmsteen no blog e uma das autoridades no Brasil – na verdade, sempre que ele está em shows, estamos bem representados, mas em se tratando de Malmsteen, ainda mais.

    Quanto ao disco, parece que o guitarrista fugiu um pouco de seu estilo mais hard. É ouvir para conferir, e a resenha aqui é bastante objetiva para nos guiar.

    Excelente post!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  2. Grande Rolf, aproveitando a oportunidade, não posso deixar de mencionar a sua participação efetiva aqui no MHM, sempre nos proporcionando ótimos posts.
    Eu sempre digo aqui, que um dos grandes diferenciais do Minuto são as pessoas que o frequentam, textos como esse tem o poder de nos fazer mudar a forma de pensar sobre determinados assuntos. Explico melhor no decorrer do comentário…
    Este guitarrista sueco me traz recordações remotas e também bem atuais. Lembro-me de quando comprei o seu primeiro registro solo, velho vinil que felizmente possuo ate hoje, mais de 30 anos depois. Na época era um moleque que ainda tentava entender o mundo do Rock e nunca tinha ouvido falar desse tal Malmsteen. Confesso que a capa foi o motivo inicial que me fez adquirir o LP. Porem quando coloquei o disco no aparelho não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Como alguém conseguia tocar daquela forma?!? Então mais tarde aquele LP foi gravado em uma fita K7 e por muito tempo foi à trilha sonora que me acompanhava todos os dias ate a escola. Lembro-me de um amigo que estudava comigo e que insistia em me irritar dizendo que aquilo que ouvíamos era apenas uma fabricação de estúdio, registrado de uma forma e depois de gravado os instrumentais eram acelerados para que soassem como no Rising Force. Afinal de contas era impossível tocar daquele jeito. Ledo engano, felizmente!!!
    Apresentando uma opinião extremamente pessoal, não consigo me recordar com exatidão da data em que ouvi esse disco, mas ate hoje penso que o mundo da guitarra se divide em duas partes: “Antes e despois do Rising Force”. Em todo esse tempo ouvindo musica, nenhum outro guitarrista teve tanto impacto pra mim quanto Yngwie J. Malmsteen apresentou naquele longínquo ano de 1985 …pensando bem… talvez apenas o saudoso Gary Moore, alguns anos mais tarde!
    Por esse motivo acredito que o Malmsteen tenha sido o musico em que mais insistido, já que sua carreira e’ (foi) muito irregular, afinal de contas, nos presenteou com verdadeiros clássicos, mas também exercitou nossa paciência com assombrosas porcarias. Acreditei no Malmsteen ate quando ele próprio acreditou em seu grupo, a partir do momento em que resolveu existir e gravar apenas como “one-man-band” no Spellbound, eu deixei de adquirir seus CDs.
    Voltando ao inicio do texto, esse post me fez ouvir o ultimo trabalho do Yngwie J. Malmsteen que adquiri: Relentless de 2010.
    Em minha opinião, a partir de War to End All Wars de 2000, não ouvi nada relevante que o guitarrista tenha lançado, todos os trabalhos passaram pelo meu aparelho de som sem que me causassem qualquer impacto, foram ouvidos no máximo 2 vezes e nunca mais voltaram a luz… Então quando li este post e pensei em escutar o tal de Relentless, a sensação que tive foi à mesma de quando ouvi o The Madcap Laughs do Syd Barrett ex-guitarrista do Pink Floyd, acho que foi no inicio dos anos 90, não que esses discos tenha algo haver musicalmente. Mas quando escutei o Syd pensei na mesma hora: “esse cara e’ realmente louco… parece que ele parou no tempo”. Eu não sabia que esse disco na época já tinha mais de 20 anos. Ingênuo, imaginava que esse trabalho fosse um lançamento dos anos 80, no máximo da mesma época do primeiro do David Gilmour, que e’ de 78.
    Pois bem, voltando ao Malmsteen… ouvir Relentless me causou a mesma impressão, pois este CD parecia um sucessor do The Seventh Sign ou do Magnum Opus. E’ um bom disco, mesmo não sendo nenhum clássico, penso que seja o melhor trabalho em 16 anos.
    Apenas para terminar, já fazia algum tempo que não lia uma resenha de algum disco, excelente ideia Rolf, estou pensando seriamente em escutar esse tal World on Fire.

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  1. Cobertura Minuto HM – Yngwie Malmsteen em SP – World On Fire Tour – parte 2 – Minuto HM

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