Consultoria do Rock – Melhores de Todos os Tempos – Aqueles que Faltaram: por Davi Pascale, com participação do Minuto HM

Galera, mais um capítulo (d)”Aqueles que Faltaram“, da série “Melhores de Todos os Tempos“, lá do pessoal do Consultoria do Rock. Desta vez, a (excelente) lista vem de Davi Pascale, com os irmãos Remote e B-Side resenhando por lá também.

Sobre a qualidade da lista, temos nomes mais que consagrados – e mais importante até que os nomes são alguns dos próprios álbuns – literalmente “resgatados”.

Boa leitura / aula a todos.

[ ] ‘ s,

Eduardo.


JOHN LENNON E YOKO ONO EM 1970

JOHN LENNON E YOKO ONO EM 1970

Por Davi Pascale

Edição de Diogo Bizotto

Com Alexandre Teixeira Pontes, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Fernando Bueno, Flavio Pontes, Mairon Machado, Ronaldo Rodrigues e Ulisses Macedo

Elaborar listas sempre é algo complicado, porque você tem que trabalhar dentro daquele número pré-estabelecido. Em alguns casos, aquele número pode ser grande e você tem que considerar algum álbum que julga como bom, mas que não é exatamente uma obra-prima. Na maioria das vezes, contudo, esse número é pequeno, e aí temos que optar por qual disco emblemático deixar de fora. A coisa complica ainda mais quando a seleção final encontra-se dentro de um grupo. É batata que álbuns que você considera como essenciais ficarão de fora, até porque cada um tem um critério. Há quem elabore por gosto pessoal, por relevância na cena, impacto na época… Para elaborar esta lista, selecionei dez álbuns que me pegaram de surpresa com sua exclusão. São discos que considero praticamente perfeitos e que, muitas vezes, ajudaram a definir o som de um gênero, de um movimento, de uma época. Não foquei nos diferentões, mas nos campeões que foram, injustamente, esquecidos. Vamos a eles…


John Lennon – Plastic Ono Band (1970)

Davi: John Lennon deixou claro, em seu álbum de estreia, a razão de todo o endeusamento em torno dele. Plastic Ono Band traz rocks repletos de guitarras, baladas repletas de piano, todas extremamente melódicas. A cereja do bolo, contudo, são as letras. Trata-se de um álbum autobiográfico. John canta sobre a perda de sua fé em “God”, o fato de ter sido abandonado por sua mãe em “Mother”, o preço da fama e o sentimento de desilusão com as cobranças após o fim dos Beatles em “Isolation”. Sua visão sobre vivermos em um mundo dominado por falsos ídolos e uma falsa religião é abordada em “I Found Out”. Cada música é uma pedrada. Para quem não conhece sua história, o disco é ótimo. Para quem conhece, torna-se emocionante. Um dos álbuns mais bonitos já produzidos.

Alexandre: John lançou uma meia dúzia de álbuns entre o fim dos Beatles e seu assassinato. Antes, teve aquelas esquisitices com Yoko, necessário e lamentável citar. Desses não muitos álbuns, há um de covers, alguns bem fracos e um último que, além de meio poluído de acento pop dos anos 1980, ainda tem sua parceira estragando quase metade do material. Assim, Plastic Ono Band é o único que, para mim, rivaliza com Imagine. Considero muito correta sua citação pelo Davi, pois o considero até superior a Imagine, embora o álbum de 1971 tenha pelo menos três faixas muito fortes: “Jealous Guy”, “How Do You Sleep” e a própria “Imagine”. É virtualmente impossível não prestar atenção nas letras de Plastic Ono Band. Lennon exorciza seus demônios desde a primeira faixa (“Mother”), na qual “vomita” sua insatisfação com os próprios pais. Bota uma pá de cal na esperança da volta do Fab Four em “God”, com a célebre frase “the dream is over”. Coisa inusitada é ouvir alguns trechos da linha melódica de “Look at Me” e lembrar de “You Are My Love”, do Liverpool Express. Preciso ressaltar também uma linda balada com piano, que para mim é aquilo em que John melhor se situa nessa fase pós-Beatles. “Love” é uma música ainda mais bela que sua sucessora “Jealous Guy”. Há, porém, momentos em que percebo de forma muito clara que nenhum Beatle fez ou fará algo próximo ao que foi gravado enquanto a banda existia. A bateria e o piano de “I Found Out” são de um martelar irritante. O berreiro em “Well Well Well” eu também dispenso.

André: O beatle do qual menos gosto fazendo música preguiçosa e pouco memorável. Cansei de ouvir uma nota só usada insistentemente, com Lennon cantando qualquer coisa por cima. “Look at Me” é a melhorzinha justamente por pelo menos ter um violão acompanhando. De resto, olha, acho que prefiro “Imagine” mesmo…

Bernardo: John Lennon “soltando os cachorros” em um álbum para lá de pessoal escreveu enquanto fazia terapia. É carregado do “rock and roll” visceral do Beatle mais radical, cravando ao menos dois clássicos: a doída balada “Mother” e o hino carregado de inspirações ideológicas “Working Class Hero”. Há outros momentos interessantes, como o groove de “Well Well Well”, a desesperançada e forte “I Found Out” e a provocante “God”. Enfim, Lennon no que sabia fazer de melhor, falar com sinceridade enquanto reciclava suas influências em seu estilo inimitável.

Christiano: Após registrar bizarrices em discos como Unfinished Music (1968) e Wedding Album (1969), o ex-beatle gravou, de fato, seu primeiro álbum solo. Plastic Ono Band é daqueles discos que, sendo escutados hoje em dia, parecem uma coletânea do artista, tamanha a quantidade de clássicos que traz. É difícil comentar músicas como “Mother”, “Love”, “Working Class Hero” e “God”, que já fazem parte do imaginário da música pop. Uma característica interessante deste seu primeiro disco, no entanto, é a crueza, tanto da gravação quanto dos vocais, algumas vezes meio viscerais, o que contrasta com a produção cuidadosa de seus últimos álbuns com os Beatles. Além das mais batidas, já mencionadas acima, ainda temos duas faixas pouco comentadas, mas que considero tão boas quanto os hits: “Hold On” e “Isolation”. Ótima escolha.

Diogo: Ao contrário dos últimos discos dos Beatles, plenos de sofisticação e experimentalismo, Plastic Ono Band aposta na crueza e apresenta arranjos bem simples, dando um certo ar visceral ao álbum, algo ressaltado por várias vocalizações raivosas de John Lennon. Se comparado com Ram (1971), obra de Paul McCartney incluída na edição passada da sériePlastic Ono Band ganha com facilidade, e olha que, em geral, prefiro o trabalho de Macca. Há várias canções muito marcantes em seu tracklist, de um teor altamente confessional, especialmente “Mother” e “God”. Ambas são mais fortes, inclusive, que grande parte do melhor material do catálogo dos Beatles. “Hold On”, “I Found Out”, “Isolation” e “Love” também são boas músicas, mas nada supera o tom dylanesco de “Working Class Hero”, com o qual é muito difícil não se identificar. Algo me diz que Lennon não repetiria o mesmo nível de qualidade em seus trabalhos posteriores, mas só escutando para saber.

Fernando: Sempre tomei partido de Paul McCartney e admito que tenho birra com John Lennon. Quando junta Yoko Ono, é aí que as coisas não me descem mesmo. É muito papo cabeça para o meu gosto.

Flavio: Não conheço muito a carreira solo de Lennon. É um disco que não me trouxe nenhuma surpresa, pois o que esperava era uma coleção de músicas entre as quais alguma seria mais agradável, mas também haveria algumas esquisitices típicas de Lennon. Destaco a bonita “Love”, disparado a que mais gostei. Belos momentos também aparecem na lenta “Look at Me”, no piano blues de “Isolation”, no razoável blues da consagradíssima “God” – na qual Lennon dispara seu descrédito para todos os lados –, e na dylanesca “Working Class Hero”, com uma letra interessante e um violão folk instrumental óbvio. É um álbum introspectivo e adequado para os fãs do artista. Eu continuo preferindo, de longe, seu trabalho nos Beatles.

Mairon: Depois das gravações mirabolantes e avant-garde do casal John e Yoko nos três álbuns controversos do fim dos anos 1960 e do ao vivo em Toronto, creditado à Plastic Ono Band, uma banda com Eric Clapton e Alan White, a estreia solo em estúdio finalmente chegou em 1970, rivalizando com o parceiro Macca (que lançou o bom McCartney no mesmo ano). Particularmente, aprecio mais a carreira de Lennon do que a de Macca, com exceção do Wings, que acho acima de qualquer obra feita por um ex-beatle. Esse gosto se deve por conta principalmente das performances emotivas de Lennon e da sua capacidade criativa, para mim mais honesta do que os trabalhos do ex-colega, além do conteúdo lírico ser beeeeeeem melhor. Este álbum é um bom exemplo. Lennon gasta a voz em faixas como “Look at Me”, “Mother” e “Working Class Hero”, que, não à toa, viraram clássicos. Ok, não acho muita graça na crueza de “I Found Out” e nos gritos agonizantes de “Well Well Well”. “My Mummy’s Dead” não contribui em nada para o álbum. Por outro lado, é muito bom ouvir faixas suaves na linha de “Hold On” e “Love”, a animada “Remember” e, principalmente, “God”, música reflexiva e muito acima dos padrões normais de aceitação que tenho para as canções de um ex-beatle. E pôxa, como não sentir uma forte emoção com o piano de “Isolation”, uma das melhores músicas da carreira de Lennon. Cara, não é um “melhor de todos os tempos”, e mesmo lamentando não ouvir os vagidos da Yoko, é um belo disco, sem dúvida.

Ronaldo: Desde seu casamento com Yoko Ono, John Lennon parecia querer chocar todos ao seu redor gratuitamente, por diversas frentes. Quer seja pelas suas maluquices musicais com a esposa, pela insistência de seu discurso pacifista ou por se colocar tão à prova e com tamanho personalismo em Plastic Ono Band. Musicalmente, o disco é bastante cru – apenas bateria e baixo acompanham John Lennon, seja no piano, violão ou guitarra. Sendo seu melhor trabalho solo, representa pouco do seu potencial como compositor e mostra seu pouco tino para os arranjos, pois todo entorno de suas músicas é pensado exclusivamente do ponto de vista da praticidade. Os momentos em que John assume a guitarra são os melhores e mais convincentes, e “Working Class Hero”, com seu violão e sua voz solitária, assume com naturalidade o papel de grande faixa do álbum.

Ulisses: Musicalmente, não considero este disco lá grande coisa. Acho interessante e louvável, porém, que John tenha tentado exorcizar muitos de seus demônios interiores através de suas letras intimistas e interpretação visceral. Em especial em faixas como “Mother”, “Love” e “God”, que unem um lirismo catártico a belos arranjos e impressionam qualquer pessoa (não posso dizer o mesmo da irritante “Well Well Well”).


Eric Carmen – Eric Carmen (1975)

Davi: Na hora de montar esta lista, fiquei na dúvida entre indicar um álbum do The Raspberries ou este disco solo de Eric Carmen. Acabei optando pelo trabalho solo por considerá-lo subvalorizado. Sempre que alguém se recorda dele é para citar a balada “All By Myself”. Ok, a música é um clássico e é lindíssima, mas este LP traz vários momentos dignos de nota. “On Broadway”, de George Benson, ganhou uma versão digna. Elton John deve ter ficado orgulhoso ao ouvir a ótima “Sunrise”, mas os melhores momentos são os rocks deliciosos representados em “No Hard Feelings”, “That’s Rock and Roll” e “Last Night”. Put* disco!

Alexandre: Este disco é uma espécie de atestado da cena mais mainstream do pop rock adolescente dos anos 1970. Feito para estourar nas paradas, o disco de estreia do cantor traz pegajosos refrãos, é bem tocado e ajeitado de forma quase cirúrgica para funcionar nas rádios e programas do gênero da época. O resultado, se não é uma obra de arte, me soa bem agradável. Fosse de outra década, talvez eu torcesse o nariz. Em alguns momentos, como em “My Girl”, a influência de bandas como os Beach Boys é muito latente. “Never Gonna Fall in Love Again” parece ter saído de um disco dos Carpenters; aliás, confesso que sempre gostei bastante deles. Os arranjos parecem os de Richard Carpenter ou os de Burt Bacharach. A cereja do bolo é a super-regravada “All By Myself”, um clássico absoluto da música popular. A versão longa-metragem de Eric tem ótima orquestração e um trecho virtuoso de piano que é muito bonito. A grande maioria das regravações omite boa parte desse trecho intermediário, uma pena. Só esta faixa já justificaria a citação deste trabalho, apesar de ser um álbum muito mais pop do que rock. O senão é que o ano em questão foi musicalmente muito forte. Além disso, para um álbum pop dos anos 1970, considero-o um pouco longo. Perde um pouco da força em seu fim. Para mim, a versão de “On Broadway” é bem pior do que a perpetuada por George Benson. Ainda assim, tá valendo. Os anos 1970 são mágicos em suas várias vertentes.

André: Não conhecia e gostei bastante. Quer dizer, conheço (quem não conhece?) “All By Myself”, aquele hit tristonho que todo mundo curte, mas nada do restante. Pop rock legal, vozes femininas de fundo, piano, baixo grooveado e músicas típicas da época (que para muitos podem soar datadas, mas não para mim) nas quais ainda podíamos encontrar um rock mais dançante. Excelente recomendação do judeu mais querido deste site.

Bernardo: O cara saiu do Raspberries, banda que fazia uma versão norte-americana da British Invasion, para fazer uma bem sucedida carreira solo. O hit “All By Myself”, baseado em tema de Rachmaninoff, seria regravado por Celine Dion e é a coisa mais interessante, ao lado de de “That’s Rock and Roll”.

Christiano: Conheço e gosto muito do The Raspberries, antiga banda do sr. Carmen, mas nunca havia prestado atenção à sua carreira solo. Por isso, minha primeira audição de sua estreia foi acompanhada de boas expectativas. A primeira faixa, “Sunrise”, é um pop/rock agradável, com muitas camadas de vocalizações e teclados. Em seguida, “That’s Rock and Roll” quebra o clima, mostrando-se uma composição genérica e desnecessária; um rockzinho água com açúcar. Daí em diante, o disco segue entre o mediano – “That’s Rock and Roll”, “My Girl” – e o descartável – “All By Myself”, “No Hard Feelings”, “Everything”. Um ponto positivo é lembrar, em suas melhores músicas, a Electric Light Orchestra.

Diogo: Este é o tipo de indicação que me agrada mesmo sem conhecer nada do tracklist além de “All By Myself”. Por quê? Pois resgata o trabalho de um músico sobre o qual bem pouco se comenta entre os ouvintes brasileiros de rock, que melam as cuecas por qualquer prog ou “hardão” de terceira categoria mas não sabem apreciar melodias bem lapidadas, como aquelas que Eric criou ao lado dos ótimos Raspberries. Este disco, inclusive, não é tão bom quanto aqueles que o vocalista, guitarrista, baixista e pianista lançou com a banda de Cleveland (EUA), mas traz algumas boas faixas de um pop rock ambicioso e de bom gosto, destacando “Sunrise” e “Never Gonna Fall in Love Again”. Claro, não dá para negar que a culminância do álbum é mesmo “All By Myself”, com uma carga de dramaticidade que a destaca não apenas entre as demais canções do tracklist, mas entre os grandes hits de sua época, e olha que gente boa fazendo um pop rock de responsa era o que não faltava nos idos de 1975. É o tipo de música difícil de surgir com destaque hoje em dia, não apenas por seu estilo, mas pela desvalorização das dinâmicas que uma canção como essa necessita. Prestem atenção no piano e na bateria dessa faixa e entendam o que eu quero dizer.

Fernando: Desta lista, era o único disco que eu ainda não havia ouvido e não tinha nenhuma ideia do que esperar. É em casos como esses que aparece uma faixa como “All By Myself”. Todo mundo já ouviu essa música dezenas de vezes, mas muita gente, como eu, não ligava o nome do artista à música. Só eu senti algo de David Bowie nessa música? Também ouvi algo de Paul McCartney em “Never Gonna Fall in Love Again”. Essa duas são as melhores de um álbum bastante irregular e muito variado.

Flavio: Encontrei neste o disco mais difícil para analisar, um pop rock com pitadas descaradas de Beatles, Beach Boys e Elton John, entre outros. No meio disso tudo, a balada indefectível “All By Myself”. Na primeira faixa, a base e o solo de guitarra transportam-me de forma óbvia para o fim de “Love Lies Bleeding” (Elton John). A seguir, o timbre vocal de Eric Carmen, que ajuda na apreciação do álbum, às vezes lembra Paul McCartney, como em “That’s Rock and Roll”, um rock ‘n’ roll óbvio tanto em letra quanto em harmonia e melodia. “Never Fall in Love Again”, juntamente com “My Girl”, me transporta para um disco dos Beach Boys. Em “Great Expectations”, há minha remissão para “Maxwell’s Silver Hammer”, de Abbey Road (The Beatles, 1969), novamente parecendo com McCartney. Há duas baladas muito bonitas, “Everything” e a já citada e consagradíssima “All By Myself”. Por fim, há uma regravação em tom muito soft de outro clássico: “On Broadway”. O resultado dessa mistura é agradável, principalmente se tentarmos entender as similaridades como uma espécie de homenagem aos artistas, supostos influenciadores de Eric Carmen.

Mairon: A grande surpresa desta lista do Davi. O melador de calcinhas Eric Carmen aparece com seu pop suave e suas baladas grudentas, levado pelo grande sucesso “All By Myself”, uma balada tão famosa que, se perguntar para sua avó, é capaz de ela cantarolar toda a letra e ainda ficar murmurando boa parte do longo solo de piano que há no meio da canção. Ela foi responsável por levar o álbum ao segundo lugar na parada da Billboard. Outras faixas que se destacaram foram “On Broadway”, uma atrocidade feita com o clássico de Jerry Leiber e Mike Stoller, e “That’s Rock and Roll”, rock nos padrões clássicos da década de 1950, mas com uma pegada mais “moderna”. “Everything” é daquelas músicas que, quando tu achas que vai começar, acaba. “Sunrise” e “No Hard Feelings” lembram-me um pouco o Elton John de Goodbye Yellow Brick Road (1973). O jazz de “Great Expectations” é muito fraco, e não consegui apreciar as vocalizações de “My Girl” e “Never Gonna Fall in Love Again”, mesmo tendo percebido um pouco de inspiração nos Beach Boys nessas canções, e principalmente em “Last Night”. Não foi legal ouvir o disco. Ele até poderia ter entrado no lugar de Zuma (Neil Young), mas não fez falta nenhuma na lista voltada a 1975. Desculpe-me, Davi. Joguem as pedras, mas este é um baita exemplo de one-hit wonder. Até Fruto Proibido (Rita Lee e Tutti Frutti) seria mais relevante para a edição voltada a esse ano do que isto aqui.

Ronaldo: Para a posteridade, Eric Carmen logrou a balada multiplatinada “All By Myself”, na qual destila sua voz inebriada e um piano melancólico. O disco que a contém, porém, alterna-se entre músicas românticas e um pop ensolarado bastante caprichado, com fortíssimas influências dos Beach Boys e dos Beatles. Nessa seara de pop/soft rock, contudo, o páreo era duríssimo na época (Billy Joel, Elton John, James Taylor, Al Stewart, Carpenters, Carly Simon, etc, etc) e não creio que o disco de Carmen faça frente (ainda que tenha seus atributos) em relação à concorrência.

Ulisses: Quando ouvi “All By Myself”, logo lembrei da personagem Rochelle em um dos episódios da série “Todo Mundo Odeia o Chris”. Legal descobrir o artista original, pois a composição é ótima. Eric faz um pop rock charmoso, acessível e polido. Confesso que esperava coisas grandes demais após a abertura com a épica “Sunrise”, mas na verdade o disco ficou bem down-to-earth após isso, embora ainda sólido e agradável. Bem legal a indicação.


Kiss – Love Gun (1977)

Davi: É impressionante como alguns dos principais álbuns desses caras ficaram de fora da série. Os que mais lamentei a falta foram Dressed to Kill (1975)Love Gun. Este LP traz o Kiss fazendo o que sabe de melhor. Um hard rock gostoso, despretensioso e enérgico. “Shock Me” marcou a estreia de Ace Frehley nos vocais. “Hooligan” mostra os ótimos vocais rasgados de Peter Criss, mais uma vez. Gene Simmons marcou presença com as fortíssimas “Christine Sixteen”, “Got Love for Sale” e “Plaster Caster”. Já Paul Stanley quebrou tudo em “I Stole Your Love”, “Love Gun” e na divertidíssima “Tomorrow and Tonight”. Aula de rock ‘n’ roll.

Alexandre: Da fase mais platinada da banda, Destroyer foi citado na edição dedicada a 1976 e Rock and Roll Over (1976) apareceu na edição abordando os esquecidos citados pelo Flavio, aliás, muito justamente. Dessa maneira, entendo ser bem coerente a lembrança de Love Gun para fechar o trio de álbuns que colocou a banda na superexposição que obteve nos anos 1970. O álbum tem algumas músicas bem fracas, no entanto. Há uma desnecessária e irritante regravação de uma faixa de um grupo de cantoras pop dos anos 1960, que foi alterada de “Then He Kissed Me” para “Then She Kissed Me”. É, de longe, a pior coisa do disco. Faixas como “Got Love for Sale” e “Tomorrow and Tonight” também não são os melhores exemplos de boas ideias do conjunto. Em compensação, “Christine Sixteen”, que hoje entraria no rol das faixas controversas face ao conteúdo lírico, no fim das contas tornou-se um clássico da banda e uma bela sacada de Gene Simmons. Há a bela estreia do vocal de Ace Frehley em “Shock Me”, uma boa faixa cantada por Criss (“Hooligan”) e uma das melhores músicas de abertura da banda (“I Stole Your Love”), ou seja, considero claro que o disco tem qualidades de sobra para ter sido lembrado pelo Davi. E é claro, tem a faixa-título, uma das melhores entre os clássicos absolutos da banda, um dos maiores exemplos que eu conheço de como uma faixa feita para funcionar nas arenas pode ser muito bem construída junto a esse apelo para as massas.

André: De longe, um dos melhores discos do Kiss. Estranho terem entrado uns álbuns polêmicos dos caras na série e justamente este ter ficado de fora. Hard rock alto astral, festeiro e divertido do início ao fim. Um dos poucos discos dos caras que dá para se pegar mais de três faixas, botar em uma compilação e a galera gostar. “Love Gun” é daqueles clássicos que deve ser muito foda ouvir ao vivo.

Bernardo: Álbum de faixa-título, como boa parte da carreira do Kiss. Para mim, Destroyer foi tão bem feito e encaixado que nem antes nem depois acertaram o compasso com a mesma eficiência.

Christiano: Escrever sobre o Kiss sempre é difícil. Sei de sua relevância, mas continuo considerando os mascarados como um dos maiores casos de grupos superestimados da história da música. Tendo feito essa ressalva, posso dizer que, em sua longa discografia, Love Gun merece um lugar de destaque. Afinal, algumas das melhores músicas da banda estão nele, pelo menos em minha opinião: “Shock Me”, “Christine Sixteen” e a faixa-título. No mais, temos o de sempre: uma banda correta, vocais performáticos, boas guitarras e, infelizmente, refrãos repetitivos que torram a paciência.

Diogo: Love Gun é um pouco melhor que Rock and Roll Over, relembrado nessa extensão da série pelo colega Flavio Pontes. Isso significa que se trata de mais um álbum típico do auge do Kiss, com algumas ótimas faixas, outras boas e algumas regulares, mas todas bem trabalhadas para funcionar bem nos palcos, que é a verdadeira especialidade do Kiss. Assim como em Rock and Roll Over, é claro que o destaque fica por conta de canções criadas por Paul Stanley, caso da heavy metal “I Stole Your Love”, dona de um riff sensacional e de uma pegada das mais enérgicas, e da faixa-título, unindo peso e acessibilidade de um jeito que o Kiss sabia trabalhar muito bem, além de um solo bem encaixado que ajudou a tornar Ace Frehley ídolo de uma geração de jovens guitarristas que fariam sucesso nas duas décadas seguintes. Gene Simmons não responde a Paul na mesma altura, mas os outros dois destaques são dele, “Christine Sixteen” e “Plaster Caster”, especialmente a última, com um refrão excelente e aquela dose generosa de diversão que esperamos do Kiss. “Got Love for Sale”, “Shock Me” e “Tomorrow and Tonight” também são faixas legais, enquanto as restantes não chegam a fazer feio. Brincando, brincando, por seu equilíbrio, Love Gun é candidato a ser um dos cinco melhores discos da banda. Alguns álbuns futuros têm duas ou três canções excelentes em isolado, mas tracklists mais frágeis para sustentar.

Fernando: No fim das contas, incluiremos boa parte da carreira do Kiss na série. Não falo isso como reclamação, até porque o quarteto norte-americano sempre foi uma das minhas bandas preferidas. A faixa-título é uma das melhores músicas do grupo, mas nele estão outros grandes momentos da história do Kiss, como a sacana “Plaster Caster”, a politicamente incorreta “Christine Sixteen”, a roqueira “I Stole Your Love” e “Shock Me”, o melhor momento de Ace Frehley.

Flavio: Love Gun fecha a segunda fase do Kiss, já como banda consagrada e no auge do sucesso. Há nesse momento um grupo bem dividido, que não se entende como antes. O disco tem uma produção menos crua que o anterior e tenta seguir a fórmula de rock ‘n’ roll básico, mas para mim é um pouco irregular, com músicas excelentes e algumas bolas fora. Paul Stanley está muito bem, com as ótimas “I Stole Your Love” e a faixa-título. Gene emplaca a boa “Christine Sixteen” (com uma letra que hoje seria considerada politicamente incorreta). Peter apresenta a mediana “Hooligan”. Ace vem cantando a ótima “Shock Me”; então o Kiss consegue enfim ter seus quatro integrantes como vocalistas, buscando a referência dos Beatles. Há outras músicas medianas, como “Got Love for Sale” e “Almost Human”, além das tais bola fora com “Tomorrow and Tonight” e o horrível cover “Then She Kissed Me”. O disco foi um sucesso por ter sido lançado naquele momento em que o Kiss vendia qualquer coisa e muito, mas também pela força das boas faixas. Boa lembrança. Vale a pena a audição.

Mairon: Gosto muito deste disco. Da fase mascarada, certamente está em meu top 5. Ambos os lados do vinil começam com uma pancada: “I Stole Your Love” no lado A e a faixa-título no lado B. As duas são para socar o sofá por conta da grandeza e potência sonora, sendo que “Love Gun”, em especial, tem um dos melhores riffs da história do Kiss, além do solo de Ace ser brilhante. Ver e ouvi-lo tocando ajoelhado esse solo na turnê de Psycho Circus (1998) é um dos grandes momentos que já presenciei em shows. Ace também imortalizou “Shock Me” para a história, já que era durante sua execução que ele fazia suas pirotecnias com a guitarra. Outro que fez história em Love Gun foi Peter Criss, já que “Hooligan” foi a última música que ele cantou com a banda, e que baita som. Alguns criticam o fato do Kiss ter dado uma “forçada”, colocando piano, por exemplo, no rock “Christine Sixteen”, vocalizações femininas e piano em “Tomorrow and Tonight” e até percussão latina na pesada “Almost Human”, cujo riff me é muito similar ao de “Watchin’ You”. Para esses aí, um mero “VSF”, já que as novidades ficaram muito boas. O Kiss continua com os rocks animados em Love Gun. Afinal, “Got Love for Sale”, o ótimo cover de “Then She Kissed Me” e “Plaster Caster”, homenagem à maior colecionadora de “pintos” do planeta, assim como todas as demais faixas de Love Gun, são o mais puro do que é esperado para se divertir ao som dos mascarados. Baita disco, que baita lembrança, e tinha sim lugar na lista dedicada a 1977, tanto que votei nele!!

Ronaldo: Rock de primeiríssima, com muito groove e safadeza. Como o Kiss não me traz grandes surpresas, meus comentários a respeito também não surpreendem. Desde o trabalho anterior a banda vinha em uma crescente em termos instrumentais, mostrando também o quanto eram craques nos vocais e com uma produção sonora que os fazia soar tão fortes em estúdio quanto nos palcos. Acho curioso que, naquela época, tanto Kiss quanto Aerosmith faziam um som à la Rolling Stones melhor que os próprios Rolling Stones. A faixa-título é um clássico e tem a assinatura própria que a banda já havia construído.

Ulisses: Difícil comentar um disco tão genérico. Vá lá, ele tem composições decentes e agradáveis (e o som do baixo está uma delícia), mas daí a dizer que é um BOM disco é um pulo muito grande. Para quem se contenta com pouco…


Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols (1977)

Davi: Se tivesse que indicar um álbum de punk rock para que alguém que nunca ouviu nada do gênero sacasse do que se trata, teria duas alternativas. O primeiro dos Ramones ou este disco do Sex Pistols. O LP é um clássico do gênero e não é à toa. Todas as suas principais características estão aqui. Músicas diretas, velozes e curtas. Letras incômodas. Álbum transpirando atitude em seu repertório recheado de clássicos como “Holidays in the Sun”, “Bodies”, “God Save the Queen”, “Anarchy in the U.K.”, “Pretty Vacant” e “E.M.I.” Simplesmente fantástico!

Alexandre: Bem, eu não gosto da cena punk, da música punk, e de qualquer coisa relacionada ao gênero. É evidente, entretanto, que não dá para não reconhecer a revolução que eles causaram quando apareceram. Também preciso ressaltar a importância da transformação do mercado fonográfico. Por fim, a influência nas bandas inglesas dali em diante, também na cena metal e hard rock do planeta inteiro. Basta ouvir o início de “Liar” e lembrar-se de imediato da introdução de “It’s So Easy”, do Guns N’ Roses. Entre as bandas que ouço dizer como mais clássicas do gênero, o Sex Pistols me parece ser aquela que mais tem as características apropriadas ao movimento. Já ouvi vários álbuns dos Ramones e alguma coisa do The Clash. Nenhuma dessas bandas seminais tem a agressividade dos Pistols. Assim, até entendo a escolha do Davi, embora considere o disco horroroso, mal cantado e mal tocado. Não consigo ouvir sem que me dê certo desespero. São quase 40 minutos de tortura. Posso citar “God Save the Queen” como a que menos me irrita. No entanto, preciso reconhecer que a escolha deste álbum é justificável.

André: Davi estava indo bem e eu achei que me livraria de ouvir essa banda falsária. Não é divertido, não é bom, não é “anárquico”, nada mais do que fruto de um marketing bem feito. Ainda só me faz sentir repulsa com a falta de respeito com a rainha naquela faixa que um monte de gente adora endeusar. Que atacasse ao menos o Parlamento britânico, os verdadeiros culpados daquilo que havia de errado com o Reino Unido da época. Que seja a última vez que ouço esta bomba até o fim de minha vida. Aposto que, para justificar isto aqui, a palavra “atitude” aparecerá dez vezes nos comentários de meus colegas.

Bernardo: Porr*, eu adoro a grande farsa do rock and roll. O oportunismo do empresário McLaren foi visionário, juntando o som agressivo e chiclete dos Ramones com o visual e a atitude provocante e obscena de Richard Hell. O resultado dos “Monkees do punk rock” foi só hino, especialmente “Anarchy in the U.K.” e “God Save the Queen”, tapas na cara da sociedade britânica, com acordes distorcidos, vocais cuspidos e letras ácidas que chocaram e entraram para a história. Poderia ser um empreendimento para vender roupa com Sid Vicious como um garoto propaganda que nem tocar sabia, mas a atitude vista em grandes composições como “Holidays in the Sun”, “Bodies” e “Pretty Vacant” garantiram o impacto duradouro e que garantiu o status de clássico  e não há contradição maior e ironia mais hilária que o abrasivo legado dos Pistols.

Christiano: Um dos discos seminais do punk rock. As composições são diretas, cheias de energia e marcadas por um desleixo que contribui com o ar de rebeldia que o estilo pretende demonstrar. Não entrarei em detalhes históricos, como a controversa formação do grupo etc. Nunca havia escutado este álbum do início ao fim, mas conhecia algumas de suas músicas, como “Anarchy in the U.K.” e “God Save the Queen”. Gostei da experiência, apesar de considerar as composições meio parecidas demais entre si. Como destaques, indicaria “Liar”, “Seventeen” e “Submission”, sendo a última uma das mais diferentes de todo o disco.

Diogo: Foi por bem pouco que este disco não entrou em minha lista particular para a edição dedicada a 1977, e acho que talvez devesse tê-lo incluído mesmo. Não sou admirador da estética punk e creio que a importância do movimento como algo massivo vem sendo superestimada no decorrer das últimas quatro décadas, mas, ao menos musicalmente, Never Mind the Bollocks… realmente é um disco seminal, catalisador de uma mudança que já vinha se operando havia alguns anos no cenário musical. Isso já é suficiente para reconhecer sua importância e aplaudir a lembrança pelo Davi, mas, felizmente, o tracklist é muito bom e justifica grande parte do culto a que ele é submetido até hoje. Todas as faixas são intensas e mostram um grupo que sabia fazer bom proveito de seus limitados conhecimentos. Steve Jones, em especial, faz um feijão com arroz muito bem temperado, tendo ainda gravado o baixo em quase todas as músicas. Johnny Rotten não é bem um cantor, mas a maneira irônica como vocifera seus impropérios casa perfeitamente com a ferocidade do instrumental. Destacar algumas faixas é tarefa um pouco desnecessária, visto o equilíbrio do tracklist, mas tenho uma queda por “Holidays in the Sun”, “God Save the Queen” (o riff inicial é uma viagem aos anos 1950), “Pretty Vacant” e pela minha provável favorita, “Problems”. Estivesse escrevendo este comentário alguns anos atrás, ele provavelmente seria bem mais negativo, mas hoje em dia não posso deixar de apreciar uma obra dessa magnitude.

Fernando: Sei que é um disco que geral tecerá vários elogios, mas o considero muito mais um álbum importante do que um álbum bom. Aliás, das bandas clássicas do surgimento do punk, só gosto mesmo dos Ramones. Para mim, Sex Pistols e The Clash não dizem muita coisa.

Flavio: Um prato cheio para quem gosta de punk no seu clássico estilo. Está tudo aqui: músicas curtas, letras que reclamam da situação político-social, vocal no limite ou já fora da afinação, em tom irônico, bases com três ou quatro acordes e cozinha que faz o mínimo óbvio. Um disco pioneiro e influente. Posso citar uma dúzia de bandas, inclusive brasileiras, que beberam dessa fonte, mas gosto de um pouco mais de qualidade nas composições e execuções, o exato oposto do estilo. Então não é para mim, passo!

Mairon: A alegria quando recebi a lista do Davi foi ver que três álbuns que eu havia colocado na minha lista prévia de 30 discos que deveriam ter entrado e não entraram, para depois fechar dez, estavam nela. O primeiro é este. Isso é punk rock de verdade, não o que o Ramones fazia nos EUA. Os caras não sabiam tocar, não sabiam cantar, mas sabiam cativar e cuspir na cara do ouvinte um som feroz e original. Johnny Rotten não é um vocalista, ele é um gritador, mas seus gritos são entusiasmados, indicando um futuro para a música. Os caras inverteram os acordes, ao invés do crescente para o decrescente em termos de escala, e isso deu uma diferença brutal na criação de vários clássicos. “Anarchy in the U.K.”, “Bodies”, “E.M.I.”, “God Save the Queen”, “Holidays in the Sun”, “Pretty Vacant”, todas faixas que fundamentaram o que hoje conhecemos como punk. Ainda temos o ritmo inconfundível de “Liar”, o riffzão de “No Feelings”, a pegada “New York” e “Seventeen”, para sacudir o pescoço e pular pela casa. Não sei por que, mas a minha preferida é “Problems”, acho que por causa da guitarreira e da pegada que ela tem. A versão inglesa ainda tem “Submission”, uma faixa bem destoante das demais, com um clima mais pós-punk, do jeito que John Lydon veio a fazer com o P.I.L. pouco depois. Tinha certeza que Never Mind… estaria na edição abordando 1977, até porque, conhecendo os participantes, achava que eles amavam a banda. Quanta ignorância. Ele naufragou no mar dos desprezados, mas foi por uma teta que não virou cadela. Com esta lista, a justiça é feita. Mesmo não gostando tanto assim dos Pistols, não há como negar que este disco mudou a vida de muita gente.

Ronaldo: Críticas cuspidas, letras ginasianas, música primária. Nada que o Stooges já não tivessem feito anos antes e com um resultado melhor. Rock é música com atitude; mas, a partir dos Sex Pistols, inventou-se a atitude sem música.

Ulisses: Ué, sério que este álbum não apareceu na edição dedicada a 1977? Difícil de acreditar. Marcante no movimento punk, o disco contém singles conhecidíssimos como “God Save the Queen” (banida das paradas) e “Anarchy in the U.K.”, causando furor enorme na Inglaterra, tanto pelas letras quanto pela atitude dos músicos em aparições públicas. Ouvindo essa e outras boas faixas como “Holidays in the Sun”, “Bodies” e “Pretty Vacant”, fica fácil entender o porquê. A banda se desintegrou logo após, mas deixou um baita legado, e não dá para negar que é divertido de se ouvir até hoje.


AC/DC – Powerage (1978)

Davi: Quando se trata da fase Brian Johnson, nunca tive dúvidas. Meu favorito é Back in Black (1980). Na fase Bon Scott, complica escolher um único álbum. Highway to Hell (1979), Let There Be Rock (1977) e Powerage sempre estiveram nos meus alto-falantes desde sempre. A fórmula é a mesma de sempre. Guitarras com riffs empolgantes, bateria reta, vocal forte. Sonoridade cruzando elementos do hard rock com o blues. O que torna esses LPs absolutamente memoráveis é o repertório matador. Neste disco, temos petardos do nível de “Sin City”, “Riff Raff”, “Rock ‘n’ Roll Damnation” e “Up to My Neck in You”. Aquele LP perfeito para tacar o aparelho no último volume e sair pulando em cima do sofá.

Alexandre: Em uma revisão da carreira dos australianos, os álbuns contendo Bon Scott são exemplos ainda maiores de trabalhos sem nenhum tipo de concessão, rock and roll direto ao ponto, algo de blues e ponto final. Ainda que essa banda talvez seja o maior exemplo de um conjunto que quase sempre se manteve fiel ao seu estilo, no fim da década de 1980 houve um ligeiro flerte com um som talvez mais acessível. Conferindo a série, percebo que os dois discos obrigatórios da banda foram merecidamente lembrados (Highway to Hell e Back in Black). Embora eu houvesse citado Let There Be Rock, concordo com a escolha do Davi. A banda está bem representada com Powerage. Considero o álbum anterior mais forte, tendo deixado mais músicas memoráveis. Deste, além de citar a grande voz de Scott e o trabalho bem competente do grupo dentro do estilo proposto, posso destacar algumas músicas menos conhecidas: “Down Payment Blues” e “Kicked in the Teeth”. Além disso, mencionar as mais clássicas, que também me agradam: “Riff Raff”, “Sin City” e, principalmente, “Rock ’n’ Roll Damnation”, que acaba sendo minha favorita. Uma boa lembrança, que poderia vir acompanhada de Let There Be Rock.

André: A banda assumidamente faz sempre o mesmo álbum, segue sempre a mesma receita, usa as mesmas afinações de instrumentos e seus dois vocalistas cantam sempre do mesmo jeito. Ok, o pessoal gosta e eu me divirto também. Está aí, porém, uma discografia comentada que jamais escreveria na minha vida, com tantos discos parecidos. “Gimme a Bullet” é a mais legalzinha, junto a “Riff Raff”. Tenho um apreço maior por bandas que tentam algumas coisas novas, mesmo com resultados não tão bons, então acaba que AC/DC fica ali em quadragésimo de uma lista de 100 bandas que eu mais gosto, atualmente.

Bernardo: Para mim, o álbum mais fraco da era Bon Scott. Só gosto mesmo de “Riff Raff”.

Christiano: Este disco quase entrou na minha lista. Considero-o um dos melhores do AC/DC, pois mostra a banda ousando um pouco mais em suas composições, chegando a flertar mais abertamente com o blues em faixas como “Gone Shootin’” e “Gimme a Bullet”. Além disso, o álbum ainda traz “Sin City” e “Down Payment Blues”, duas das minhas favoritas da banda, com Bon Scott em plena forma. Ótima indicação.

Diogo: Meu relacionamento com o AC/DC é um pouco conturbado. Jamais negaria sua grandeza, mas acho que sua importância é superestimada, assim como suas qualidades. Após Back in Black, quase nada me empolga minimamente. Até o disco supracitado, há faixas ótimas em meio a outras boas e uma maioria de canções que ficam apenas na média e muitas vezes soam bem repetitivas. Avaliando bem, Powerage até que está por cima da carne seca e é forte concorrente ao título de melhor disco da banda, assim como “Riff Raff” entra na mesma briga em se tratando de músicas. Além dela, minhas preferidas são “Rock ‘n’ Roll Damnation”, “Down Payment Blues” e “Sin City”, que conseguem fazer o basicão soar interessante o suficiente para motivar várias audições, coisa que o catálogo do AC/DC de 35 anos para cá dificilmente consegue. A lembrança do Davi foi adequada, uma vez que me fez dar mais uma chance a um disco que não ouvia há muito tempo.

Fernando: Gosto de algumas faixas de Powerage, como “Rock ‘n’ Roll Damnation”, “Gimme a Bullet” e “Sin City”, mas acredito que, por estar entre dois dos preferidos – Let There Be Rock e Highway to Hell – isso acaba diminuindo meu interesse pelo disco.

Flavio: O AC/DC é uma banda marcante no seu estilo e raramente traz surpresas. Powerage não é diferente. Calcado no hard blues, o disco traz boas e homogêneas composições, porém nenhuma música é marcante ou fez grande sucesso. Em compensação, também não há nenhuma faixa que desagrade; o álbum passa fácil nos seus quase 40 minutos. Posso destacar a música de abertura, que tinha um pouco mais de apelo comercial (palmas), e o rock marcado de “Gone Shootin’”, sempre boas pedidas. Enfim, uma agradável presença.

Mairon: O AC/DC é uma das bandas que eu achei que emplacaria quase todos os discos na série, mas não foi assim. De qualquer forma, Davi resgata essa bela obra, que, para o autor Mick Wall, foi a responsável por colocar os australianos/escoceses no hall dos grandes nomes do rock. Aqui estão as clássicas “Rock ‘n’ Roll Damnation” e “Sin City”, presentes no setlist de vários shows com o passar dos anos. A voz debochada de Bon Scott é a estrela de “Down Payment Blues”, “Gimme a Bullet” e “What’s Next to the Moon”, canções tipicamente AC/DC, com riffs grudentos, espaço para Angus Young solar e aquela batida seca de Phil Rudd martelando no cérebro, além da levada segura de Cliff Williams e Malcolm Young. A que mais curto é a rápida “Riff Raff”, rockzão dos mais pegados e vibrantes da carreira do grupo, e também “Kicked in the Teeth”, com um grandioso solo de Angus. Fecham o tracklist o lento embalo de “Gone Shootin’” e “Up to My Neck in You”, outra tipicamente AC/DC, com um riff inspirado no blues e a voz esganiçada de Scott. Não é meu preferido desse período, mas é muito bom. Diversos artistas veneram Powerage, que poderia ter entrado fácil na edição abrangendo 1978 no lugar de Tom Waits ou de Bruce Springsteen. Valeu, Davi!

Ronaldo: Da fase Bon Scott, o que faria um disco do AC/DC fazer parte da série e outro disco do AC/DC não fazer parte? Em essência, todos os lançamentos da banda são muito próximos uns dos outros. O grupo constituiu uma fórmula musical tão eficiente e cativante que é sinônimo de rock ‘n’ roll desde os anos 1970. Todas as frases de guitarra poderiam ter sido compostas e gravadas por Chuck Berry (com uma dose maior de distorção, obviamente), tendo por base as batidas constantes da bateria e a palhetada marcial do baixo. Pés batem no chão e cabeças voam para cima e para baixo com rocks clássicos como “Rock ‘n’ Roll Damnation”, “Gimme a Bullet”, “Sin City” e “Up to My Neck in You”.

Ulisses: Não tão consagrado quanto o disco antecessor nem o sucessor, mas ainda com o selo de qualidade dos australianos e uma produção ligeiramente melhor do que antes. O lado A é bem forte, destacando a clássica “Riff Raff”. No lado B, vale prestar atenção em “What’s Next to the Moon” e na finaleira “Kicked in the Teeth”.


Ozzy Osbourne – The Ultimate Sin (1986)

Davi: Não há dúvidas de que os dois primeiros álbuns solo de Ozzy são clássicos e o trabalho de Randy Rhoads era brilhante, mas não dá para desprezar os trabalhos do fantástico Jake E. Lee. Aliás, prefiro ele a Zakk Wylde. Sério mesmo! The Ultimate Sin aposta em uma pegada mais hard rock, mostra Ozzy com linhas vocais um pouco mais melódicas e um tracklist absurdamente matador. O que dizer de um álbum que apresenta canções como “The Ultimate Sin”, “Never Know Why”, “Secret Loser”, “Lightning Strikes” e “Shot in the Dark”? Incrível descobrir que uma boa parte de seus fãs não gostam deste disco. Para mim, está entre seus melhores álbuns.

Alexandre: Acho que não dá para comparar este disco com os clássicos da fase com Randy Rhoads, ou mesmo com seu antecessor, Bark at the Moon (1983). Também gosto mais de alguns poucos trabalhos feitos com Zakk Wylde (No More Tears, de 1991, e Ozzmosis, de 1995). The Ultimate Sin foi lançado na fase mais hair metal do madman. Os trajes usados na turnê eram de cegar os olhos. O álbum, porém, tem boas faixas e uma que é excelente: “Killer of Giants”. Aliás, o disco chegou a chamar-se “Killer of Giants”, entre outros títulos propostos. Em meio a outras boas canções, há a faixa-título, “Secret Loser” e o competente single “Shot in the Dark”, tocada até hoje nos shows da banda de Osbourne. Novamente, há de se ressaltar o espetacular trabalho de Jake E. Lee. A introdução de “Killer of Giants” é linda demais. Há algumas músicas que considero mais fracas, como “Never”. Outras entendo que estão deslocadas da proposta mais “farofenta” do sr. Osbourne, em especial “Thanks God for the Bomb”, com uma letra meio séria demais para o glam metal idealizado pela indústria Ozzy/Sharon, que se consolidava na ocasião. Ainda assim, resumo a história da seguinte maneira: pegar The Ultimate Sin para analisar acabou se tornando um prazer, pois havia bom tempo que não o colocava para tocar. Ou seja, valeu pela lembrança, Davi. E devo, por fim, elogiar a capa, uma bela ilustração, com uma bruxa de arrepiar.

André: Falem o que quiserem, mas Jake E. Lee foi o melhor guitarrista que já tocou na banda de Ozzy. Tristemente, o menos lembrado e cultuado. “The Ultimate Sin”, “Secret Loser” e “Fool Like You” são ótimas faixas. Aliás, este é o melhor disco solo de Ozzy. E não me venham com “aiiiiii Blizardi of Ois e Creizi Trein”.

Bernardo: Vale mais pela faixa-título. A fase de Jake E. Lee é muito fraquinha. Ozzy apenas copiava sem muita inspiração clichês do hair metal e The Ultimate Sin não tem fôlego algum. “Thank God for the Bomb” tem uma bela letra, ao menos, e a ironia triste do refrão tem seu impacto.

Christiano: O último grande disco gravado por Ozzy, ainda que bastante criticado por apresentar uma clara aproximação com o hard rock farofa dos anos 1980. Se comparado ao seu antecessor, Bark at the Moon, tem uma pegada pop mais evidente, principalmente pela presença de alguns teclados e composições mais acessíveis ao grande público, o que não é nenhum demérito. Aliás, as composições são bastante variadas, apresentando mudanças de andamento e sem muita preocupação em soarem pesadas. O grande destaque, contudo, é o guitarrista Jake E. Lee, que deixa sua marca em todas as faixas, sendo bastante técnico e musical ao mesmo tempo. Seu timbre de guitarra é daqueles identificáveis em poucos segundos. O álbum é todo ótimo, mas não dá para deixar de citar “Killer of Giants”, uma das melhores faixas da carreira do Madman, e “Fool Like You”, esta com um belo solo do sr. Lee.

Diogo: The Ultimate Sin foi um dos primeiros discos que comprei na vida. Na época, ainda um imberbe iniciante, fiquei empolgadíssimo com seu conteúdo. Hoje em dia, avalio seu tracklist de uma forma bem mais crítica. A produção de Ron Nevison, extremamente “purpurinada”, prejudicou muito o resultado. A caixa de Randy Castillo chega a irritar em alguns momentos, assim como os efeitos no vocal de Ozzy também me incomodam um pouco. Permanece intacta, porém, minha admiração pelo trabalho estupendo de Jake E. Lee, ainda melhor que aquele feito em Bark at the Moon. Disparado, é o guitarrista que rouba a cena em The Ultimate Sin, fazendo misérias com seus modelos Charvel sem ponte móvel – contrariando a tendência da época – e sem um caminhão de efeitos. Randy Rhoads foi, sem dúvida, o guitarrista mais marcante que já tocou com Ozzy em carreira solo, mas a capacidade de Jake com o instrumento na mão não deve em nada a Randy, não mesmo. Em relação a Zakk Wylde, Jake dá um baile. Mesmo em músicas menos interessantes, Jake é espetacular. Ouçam a rifferama complexa e desenfreada de “Never” e compreendam. Querem mais? Prestem atenção na introdução de “Killer of Giants”, em seu solo e na progressão que se acelera após esse mesmo solo. Jake não é qualquer shredder oitentista desses muitos que surgiram na época; trata-se de um músico rico em técnica, criatividade e fluidez. Seus riffs em “Secret Loser” a tornam uma música muito melhor, mas não tão boa quanto a faixa-título, que foi minha favorita por muitos anos. Atualmente, admito que o hit “Shot in the Dark” é mesmo seu destaque-mor, colocando em evidência a participação de Phil Soussan como integrante do grupo de Ozzy, curta porém marcante. Aliás, o som de baixo é algo que não me incomoda no disco; curto o gravezão pegado de Phil, substituindo bem o excelente Bob Daisley. É claro, Jake não deixou de cravar mais um excelente solo em “Shot in the Dark”. The Ultimate Sin tem seus problemas, mas também tem muitas qualidades e é muito melhor que qualquer coisa que Ozzy tenha lançado nos últimos 25 anos.

Fernando: Depois de três grandes discos é até natural que um artista tenha uma obra menos inspirada. Dos álbuns até No More TearsThe Ultimate Sin só ganha de No Rest for the Wicked (1988) por conta de um detalhe chamado “Shot in the Dark”. Que música! É até estranho vê-la no fim do disco, mas acredito que esse é um grande incentivo para ouvi-lo do começo ao fim.

Flavio: Segundo disco de Ozzy com Jake E. Lee, apontando para o rock farofa que se disseminou nos EUA após a metade dos anos 1980. Com uma produção mais recheada de teclados e algumas ótimas composições, The Ultimate Sin é bom, porém inferior ao anterior, também com o guitarrista. Gosto da faixa-título, da boa execução de Ozzy na semibalada “Killer of Giants”, “Shot in the Dark” e da leve “Secret Loser”, mas acho bem enfadonhos os refrãos de “Lightning Strikes”, “Thank God for the Bomb” e “Never Know Why”. Alguns ótimos riffs, como em “Never” e na própria “Lightning Strikes” perdem força na produção, que deixou o álbum mais leve, em alinhamento com o mercado hard rock da época. Trata-se de um disco que traz momentos sempre excelentes de Jake E. Lee, como os solos de “Shot in the Dark”, mas que poderia ter arranjos mais crus. Talvez seja meu menos preferido da carreira do guitarrista.

Mairon: Quando comecei a ouvir Ozzy Osbourne, eu tinha – mais uma – treta com meu irmão e colega Micael Machado. Ele é fanático por Randy Rhoads, e eu nunca fui um admirador do loiro, culpa deste disco. Quando ouvi The Ultimate Sin pela primeira vez, foi em uma época em que estava descobrindo gente como Steve Vai e Eddie Van Halen, e cara, o que Jake E. Lee faz neste álbum é sensacional. Ele é O CARA, principalmente nos solos de “Never”, “Secret Loser” e, em especial, na introdução clássica e no maravilhoso solo do grande sucesso “Killer of Giants”, melhor canção do disco, com importante participação dos teclados de Mike Moran, que também faz sua presença no refrão de “Thank God for the Bomb”. Esqueça que Ozzy abdicou do heavy metal para fazer um álbum mais “americano”, já que as qualidades são incríveis, seja nas canções mais comuns (“Never Know Why”) ou até mesmo no outro grande sucesso, “Shot in the Dark”, na qual o baixão de Phil Soussan faz sua presença importante, bem na linha dos 1980’s, assim como a sensacional faixa-título. O finado Randy Castillo também tem importância, conduzindo com firmeza o ritmo farofão de todo o disco, sendo peça-chave de “Lightning Strikes”. Alguém já reparou que o riff inicial de “Fool Like You” foi chupinhado senvergonhamente pelo U2 em “Gone”, apesar de o resto da música não ter nada a ver com os irlandeses? Álbum em que o nome principal não é o nome central, se é que vocês me entendem, A produção de Ron Nevison ajudou muito para que o álbum ganhasse essa cara, sem dúvidas. Melhor disco solo de Ozzy, que entraria fácil na edição abrangendo 1986, mesmo não tendo votado nele – ficou de fora aos 48 do segundo tempo. Uma dúvida: por que alguns discos de metal lançados no País por essa época vinham com aquele logo “Heavy Metal Heart” na capa? Alguém sabe que campanha publicitária era essa? Discaço!!

Ronaldo: O ex-vocalista do Black Sabbath já era muito maior que sua antiga banda desde o princípio de sua carreira solo e sabia muito bem como transitar nas novas tendências do rock pesado, ajudando ele mesmo a cunhá-las. Caminhando com enorme tranquilidade pelos maneirismos do hard rock da época e aplicando com muita propriedade seu caricato toque tétrico, faz uma boa combinação de sons pesados e empolgantes. De todo seu repertório clássico, The Ultimate Sin talvez tenha colocado “Shot in the Dark” na praça, mas há outros grandes momentos, como a incrível introdução de “Killer of Giants” ou o riffado nervoso de “Never”. A sonoridade do disco acompanha o espírito da época, mas sempre é melhor aprender direto com o professor do que conversar com os alunos.

Ulisses: Álbum montanha-russa: cheio de altos e baixos. Difícil de engolir que músicas genuinamente boas, como “The Ultimate Sin”, “Lightning Strikes”, “Killer of Giants” e “Shot in the Dark” (grande hit do disco) convivam com trecos tão sem graça como… Bem, todo o restante do tracklist. Valeu a lembrança, mas, para 1986, o Madman não tinha chance. Em tempo: “Killer of Giants” tem uma progressão muito legal após o solo de guitarra, não?


Van Halen – 5150 (1986)

Davi: É sempre problemático para uma banda perder seu vocalista. É ainda mais problemático quando essa banda é o Van Halen. Com seu visual espalhafatoso, seus gritos característicos, sua performance de palco irretocável e causando polêmicas que faziam os irmãos Gallagher parecerem a Sandy, David Lee Roth era um cara insubstituível. Nesse caso, a melhor coisa é inovar. Apostar em novos ares. É o que eles fizeram. Sammy Hagar cantava de maneira mais melódica, tinha outra postura de palco, um visual mais despojado. Sem contar que cantava pra cacet&. A banda também começou a modificar seu som, explorando mais os teclados (que já haviam aparecido em 1984), começaram a fazer mais baladas, modernizaram seu som. Deu certo! “Good Enough” abre o LP mostrando que o alto astral continuava intacto. “Summer Nights” e “Best of Both Worlds” não deixam a peteca cair. “Love Walks In” e “Dreams” provam que eles também eram ótimos em criar canções radiofônicas. Comerciais, mas ótimas e marcantes. Discaço!

Alexandre: Gosto das duas fases do Van Halen, essa mais apropriadamente chamada “Van Hagar”. Há uma terceira, que para mim não conta. Dessa fase com Sammy, prefiro outros discos, em especial F.U.C.K. (1991), mas também o sucessor deste, OU812 (1988). Isso não quer dizer que eu não goste de 5150, embora considere que ele perde para o seu principal concorrente da época, o ótimo Eat ‘Em and Smile (1986), de David Lee Roth. O som dos tons da bateria eletrônica de Alex me incomodam um pouco, ficaram meio datados. Além disso, acho que Hagar perde um pouco de personalidade e chega a querer imitar Lee Roth já no início da primeira faixa, “Good Enough”. A brincadeira das risadas entre diálogos de “Inside” também soam como algo para emular o ex-vocalista. Há muito mais prós do que contras, no entanto. O uso de teclados por Eddie nunca me incomodou, isso na verdade serve para mostrar mais um dos seus inúmeros talentos. É na guitarra, porém, que o sr. Van Halen sempre se destaca. Neste álbum, ele trouxe mais uma de suas novidades: o uso de uma guitarra Steinberger com o sistema TransTrem em “Summer Nights” e “Get Up”. Eddie conseguia mudar a afinação do instrumento várias vezes durante a música. O apetrecho, na mão de quem tanto sabe, o fez, por exemplo, usar três afinações diferentes em “Summer Nights”. É só prestar atenção na entrada do solo, mais particularmente. É redundante, mas novamente necessário ressaltar a genialidade desse autêntico guitar hero, sempre inventivo durante seus anos na banda. As melhores faixas, para mim, estão no segundo lado: “Best of Both Worlds” e “Love Walks In”, cujo solo de guitarra é de Sammy. Aliás, um belo solo. Havia indicado este álbum para a edição abordando 1986, então é evidente que considero um acerto ele aparecer por aqui.

André: O Van Halen que eu mais gosto é esse aí, com Sammy Hagar. Aquele teclado oitentista maravilhoso cheio de efeito chorus (Ronaldo que me corrija se eu disse errado) em “Dreams”… Coisa linda e finíssima, praticamente uma joia AOR. Aliás, este disco é mais e melhor AOR do que muita banda especializada no estilo. Foi um prazer ouvi-lo do início ao fim.

Bernardo: É verdade que, com Sammy Hagar, o Van Halen é bem menos explosivo e pauleira que com David Lee Roth, mas, ao invés de tentar reproduzir o som anterior, rumaram para a exploração de melodias e texturas, sendo bem mais baladeiro. 5150 tem um saldo final positivo, com o marcante e bem resolvido hit “Why Can’t This Be Love”. Poucas bancas podem se gabar de ter dois frontmen marcantes, e Hagar fez o Van Halen ganhar vida nova e continuar em evidência nos anos 1980 e 1990.

Christiano: Embora seja um disco bastante diferente dos clássicos com David Lee Roth, considero 5150 uma sequência natural do que a banda vinha fazendo em 1984, seu antecessor. O flerte com o pop é bastante evidente, principalmente pela adição de sintetizadores e pelos timbres dos instrumentos. Aliás, “Dreams” parece ter sido feita nos mesmos moldes de “Jump”, tendo em vista o uso predominante de teclados. Nada disso é ruim, apenas diferente. Por mais que muitos torçam o nariz para essa nova fase da banda, acho que foram muito bem sucedidos na proposta que adotaram. Não há como negar que faixas como “Summer Nights” e “Why Can’t This Be Love” têm seu charme, mesmo hoje em dia.

Diogo: Sou daqueles que separam bem o Van Halen do Van Hagar, apesar de gostar de ambos (muito mais do primeiro). 5150 mostra-se como um álbum evidentemente de transição, especialmente se o compararmos com 1984, pois muitos dos elementos presentes em seu antecessor dão as caras. “Good Enough” e “Inside” poderiam estar em 1984, assim como “Get Up”, que soa quase como uma “Hot for Teacher” parte 2 e é uma das melhores do disco. A tecladeira não é novidade para quem curtiu “Jump” e “I’ll Wait”, ambas do trabalho anterior. O que está em jogo é a qualidade das composições. “Dreams” é ótima e talvez seja a mais representativa dessa fase. “Love Walks In” é sensacional, minha favorita, mostra de que o Van Halen acertou a mão em buscar Sammy Hagar e que o flerte com o AOR gerou um belo casamento, que traria mais alguns bons filhos no futuro. “Why Can’t This Be Love”, por outro lado, perdeu a graça há muito tempo. Fato muito positivo é a banda buscar evoluir dentro de sua sonoridade sem deixar de ter uma identidade, olhando para frente sem se descaracterizar. O som de bateria de Alex, por exemplo, continua inconfundível, assim como as experiências de Eddie com timbres e recursos não cessam. “Best of Both Worlds” e a faixa-título pertencem a Eddie, que mostra a habilidade de costume e eleva suas qualidades. Nos limites do que a banda fez ao lado de Sammy, o trabalho é muito bom. Bastou, porém, o grupo lançar um disco com David Lee Roth em 2012 para mostrar quem é a voz do Van Halen.

Fernando: A estreia de Sammy Hagar no Van Halen é poderosa. Faixas como “Why Can’t This Be Love”, “Summer Nights” e “Good Enough” são ótimas, mas a avassaladora “Dreams” é a que dita as regras de 5150. Se eu fosse o produtor, teria colocado-a na abertura do disco.

Flavio: 5150 inaugura a segunda fase do Van Halen, a fase “Van Hagar”. A entrada do vocalista/guitarrista trouxe uma considerável mudança de estilo, principalmente porque Sammy Hagar tem um timbre e um jeito de cantar muito diferente de David Lee Roth. Há fãs que nunca mais gostaram da banda e outros que preferem essa fase. Gosto das duas, mas considero que Sammy e a banda ainda estavam se encaixando neste álbum. Há boas canções e outras que não têm a mesma força da fase anterior. “Love Walks In”, uma linda balada com um tema esquisito (alienígenas) e uso de teclados (fortemente presentes desde o disco anterior) é a minha preferida, mas posso apontar outras boas canções, como a faixa-título, “Why Can’t This Be Love” e a multitônica “Summer Nights”. 5150 aponta para o novo estilo do Van Halen e foi bem resgatado pelo Davi.

Mairon: Dessa vez o Davi fez eu tirar o pó do meu vinil. Fazia um bom tempo que não ouvia 5150, um disco que sempre achei bem regular, até porque sou fã confesso da fase David Lee Roth – podemos dizer que viúva do homem. 5150 começa muito bem, com a pegada forte e o estilo que consagrou o Van Halen no início dos anos 1980 com a ótima “Good Enough”. Quando as músicas ficam nessa pegada veloz, tudo funciona muito bem, vide “Get Up”, forte candidata a melhor do álbum, O problema surge quando entram os sintetizadores. “Dreams” foi feita para embalar relacionamentos adolescentes nas rádios pop norte-americanas. Não dá para aturar a mixagem dos teclados de “Love Walks In”. E que situação deprimente é ouvir “Why Can’t This Be Love”, musiquinha chata que não sei como virou hit, só porque é uma baladinha. O andamento arrastado de “Best of Both Worlds”, “Inside” e “Summer Nights” fazem com que essas canções passem despercebidas. Como surpresa, a faixa-título é um divisor de águas, com um riff pesado, sem teclados, e um refrão grudento, mas legal de curtir, principalmente pelo solo de Eddie, que brilha. Acho que esse é o problema: faltaram mais solos legais por Eddie, sei lá, não me conquista. O álbum de David Lee Roth que entrou na edição dedicada a 1986 é bem melhor que isso. Ok, poderia ter entrado no lugar de Rage for Order, porque é melhorzinho que o disco do Queensrÿche, ou até do Candlemass, pela questão de importância – foi imenso sucesso nos Estados Unidos, com mais de 6 milhões de cópias vendidas por lá –, mas não julgo ser um “melhor de todos os tempos”.

Ronaldo: Menção honrosa a (mais) um importante trabalho do Van Halen, dessa vez com o super competente Sammy Hagar (ex-Montrose) nos vocais. Em 5150, o Van Halen pincela o AOR e consegue soar ainda mais arena rock, com refrãos marcantes abusando dos agudos de Hagar. A cozinha é poderosa – Alex Van Halen e Michael Anthony tiveram a ousadia de refutar o som de plástico e as mixagens irritantes da década de 1980, que menosprezavam o papel da bateria e do baixo para a solidez do rock. Eddie Van Halen dispensa comentários, porque foi escola para toda uma geração de músicos, e em 5150 continua demonstrando o porquê disso. Outro mérito do disco é o uso muito apropriado dos teclados; três canções icônicas (“Why Can’t This Be Love”, “Dreams” e “Love Walks In”) têm o instrumento em enorme destaque e são tão magnas quanto as demais faixas clássicas do repertório da banda e seus ataques de guitarra.

Ulisses: Que Sammy se encaixou bem na banda, não dá para negar. O grupo aproveitou seu jeito menos espalhafatoso, encaixou umas letras um pouco mais maduras e emendou um instrumental que mantinha a direção mais acessível (e cheia de sintetizadores) já apontada em 1984, com o hard rock mais direto em faixas como “Get Up” e “5150” (a faixa-título, aliás, é a melhor do álbum) e algo de AOR em “Dreams” (outra ótima faixa) e “Love Walks In”. Legal em alguns momentos, mas em 1986 eu fico mesmo com a estreia solo de Diamond Dave.


U2 – The Joshua Tree (1987)

Davi: O U2 dos anos 1990, flertando rock ‘n’ roll com música eletrônica, sempre gerou discussões. Quando nos referimos aos trabalhos dos anos 1980, contudo, o tom da conversa muda. Depois de lançarem os ótimos Boy (1980), October (1981), War (1983) e The Unforgettable Fire (1984), a trupe liderada por The Edge e Bono soltou sua obra-prima em 1987. As guitarras marcantes de The Edge já chamam atenção nos primeiros acordes de “Where the Streets Have No Name”. Depois de criar a batida histórica de “Sunday Bloody Sunday”, Larry Mullen Jr. conseguiu entrar em evidência novamente na enigmática “Bullet the Blue Sky”. Adam Clayton destaca-se na marcante linha de baixo de “With or Without You”. Bono estava no auge. Trabalho vocal absurdo em todo o disco. Além das citadas, o LP ainda traz hinos como “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “Red Hill Mining Town”. Definindo em uma palavra: clássico.

Alexandre: Aqui o U2 deixou de ser a banda promissora e já reconhecida no séquito mais antenado de sua geração para se transformarem em autênticos pop stars. Não sou grande admirador da banda, conheço-a mais por músicas isoladas e tenho predileção por faixas anteriores, principalmente “New Year’s Day”, mas gosto também de algumas poucas músicas do restante da carreira, como “One”. O que mais conta em The Joshua Tree é sua capacidade de ser um tiro certeiro, atingindo com seus singles qualquer pessoa que não estivesse hibernando no Tibet na ocasião e pelos próximos anos. Esse é o maior mérito deste disco, independentemente de preferências pessoais. Não ter aparecido na lista dedicada a 1987 é meio esquisito, preciso atestar. Entendo que as primeiras canções têm muito mais sucesso nesse propósito, e dessa forma são as faixas que devo destacar. Até “Bullet the Blue Sky”, a quarta música, ó álbum é cirúrgico em atingir as massas. Entre essas quatro, em um patamar ainda maior situam-se “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “With or Without You”. A transição entre a banda de pós-punk para o rock mainstream certamente os levou a perder fãs, mas os deu muito mais. É notório perceber a mudança nos arranjos, em especial nas guitarras com mais camadas, muito uso de eco e menos frases, mas também por um baixo mais básico e marcante. Desde então, The Edge nunca mais seria capaz de fazer um show sem um digital delay. Já era difícil antes, dali em diante ficou impossível. Não é um álbum que me motiva, principalmente do meio para a frente, mas sou capaz de destacar algumas canções do fim, como “One Tree Hill” e “In God’s Country”. Escolha correta em uma lista de esquecidos. Este álbum não deveria ter sido posto de lado mesmo.

André: Não falarei o que acho do U2 se não eu corro o risco de ganhar cartão azul de um certo senhor aqui do site. Ok, “Where the Streets Have No Name” até me apetece.

Bernardo: Um álbum de 11 faixas em que as cinco primeiras são hinos absolutos. O combo “Where the Streets Have no Name”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “With or Without You” é de matar qualquer um do coração. Se alguém perguntar por que curtem U2 tanto assim, toque The Joshua Tree e converta mais um ao disco que talvez seja a obra-prima maior do pós-punk e um dos grandes álbuns dos últimos 30 anos.

Christiano: Você pode não gostar da banda, achar Bono um chato messiânico (e ele é) etc etc. Este disco, porém, é um clássico. Marcou época e foi um passo muito importante para que o U2 se tornasse o gigante que ainda é nos dias atuais, uma referência obrigatória na cultura pop. As quatro faixas do lado A ajudaram a expandir o público da banda, visto que foram – e ainda são – executadas exaustivamente em rádios de todo o mundo. E, acima de tudo, trata-se de um ótimo álbum, mostrando a banda em seu auge. Ótima dica.

Diogo: Citei este disco em minha lista para a edição correspondente ao seu ano de lançamento e fiquei bastante surpreso com sua ausência. Digo isso não apenas por seu grande sucesso, mas porque se trata de uma das melhores obras da segunda metade dos anos 1980. Tenho uma forte queda por algumas canções de The Unforgettable Fire (1984), mas, no geral, The Joshua Tree é mesmo o melhor álbum do U2, ápice de uma evolução que vinha se desenrolando desde o primeiro disco e sofreria uma metamorfose com os lançamentos seguintes. Fã de grandes produções que sou, só tenho que admirar o trabalho de Daniel Lanois e Brian Eno, que ajudaram a fazer tudo soar como deveria. Se por um lado The Edge é um guitarrista oposto a Jake E. Lee – citado em meu comentário sobre The Ultimate Sin –, uma vez que lança mão de uma série de recursos para chegar ao resultado pretendido, esse resultado ao menos me agrada muito. É sua guitarra que faz “Where the Streets Have No Name” ser minha favorita do álbum e uma das cinco melhores canções do U2, em sua eterna progressão fomentada com muito delay. Bono passa longe de ser um dos meus vocalistas favoritos, mas se impõe com interpretações muito boas ao longo de todo o álbum e ajuda a fazer de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “Running to Stand Still” e “Red Hill Mining Town” outros destaques inegáveis. “In God’s Country” é outro momento The Edge, enquanto “Bullet the Blue Sky” pertence a Adam Clayton e Larry Mullen Jr. Nunca morri de amores por “With or Without You”, mas também é uma boa música. Era essencial resgatar um disco como este.

Fernando: “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”. Qualquer um que conheça essa faixa já entende a indicação deste disco para a série. Provavelmente seja uma das três faixas do U2 das quais mais gosto. O álbum, porém, ainda tem “Bullet the Blue Sky” e a uma das melhores baladas já feitas, “With or Without You”.

Flavio: Tão poucas vezes uma banda tão consagrada de rock/pop foi tão excluída da série quanto o U2. Verifiquei a presença, como décimo lugar, em duas edições apenas. Quanto ao disco mais consagrado deles, The Joshua Tree, nem isso. Ok, o grupo tem várias limitações e às vezes é cultuado em excesso, mas também não é tão fraco assim. Há álbuns interessantes e este é um caso. Não há como negar que há dois clássicos muito bem compostos e produzidos. “With or Without You” e “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” são belos exemplares, nos quais o vocal se destaca. Aliás, Bono está em ótima fase e tem boa performance no disco todo. O restante da banda, se não é extraodinário, resolve-se bem. Há belos momentos de todos, como no uso do delay em “Where the Streets Have No Name”, outra boa canção. Ainda gosto de “Bullet the Blue Sky” e “One Tree Hill”, e as outras canções compõem o álbum sem comprometer. Atesto a escolha de The Joshua Tree como válida e inclusive o incluiria facilmente na edição dedicada a 1987.

Mairon: Outro disco que estava na minha lista de 30 nomes, e este estava no top 5. Para muitos, é o melhor disco do U2. Sem dúvida, é aquele que os colocou no hall das maiores bandas dos anos 1980, se não a maior. Observem a sequência de faixas do lado A: “Where the Streets Have No Name”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “With or Without You”, “Bullet the Blue Sky” e “Running to Stand Still”. Put* que par**, né? Só clássicos, só sucessos que tocam até hoje em tudo que é lugar. A primeira tem aquela levada típica de The Edge na guitarra, linda. A segunda é para se cantar a plenos pulmões, junto com Bono. A terceira é uma balada arrepiante. A quarta é tão pancada que até o Sepultura a gravou, enquanto a quinta é outra baladaça, na linha de “With or Without You”, com o piano em destaque. Cara, o lado A deste álbum talvez seja o principal “best of” do U2 nos anos 1980. O lado B não tem tantos sucessos, mas as canções continuam no mesmo naipe de qualidade. Gosto do embalo e da harmônica beatle de “Trip through Your Wires”. Já “Red Hill Mining Town” e, principalmente, “Exit” possuem um belo crescendo, sendo a última outra grande faixa na carreira dos irlandeses. “One Tree Hill” e “In God’s Country” indicam um pouco dos caminhos eletrônicos e experimentais nos quais o grupo mergulharia nos anos 1990. A bela mensagem de “Mothers of the Disappeared” encerra um dos grandes discos da década de 1980, um trintão que ainda hoje encanta pessoas ao redor do mundo. Espero que possa ouvi-lo ao vivo em outubro, mesmo não entendendo por que marcaram quatro shows em São Paulo, e não em outros lugares. Mesmo não sendo meu favorito da banda, é um discaço!!! Ah, 1987, quanta coisa insignificante pegou o lugar de um álbum tão clássico quanto este? Que vergonha, consultores, que vergonha!! Se o Davi não o houvesse resgatado, certamente estaria na minha lista, já que votei nele.

Ronaldo: Não discordo da importância e da originalidade do U2 em seu rock pop insistentemente messiânico. A maior birra que cultivo é com a horda de bandas indies e de post-rock que acham que se faz rock com uma nota só e muito delay a partir da influência destes irlandeses. As três primeiras faixas são famosíssimas e, entre outras, fizeram o U2 ser o monstro de popularidade que é há algumas décadas. No mais, o som do grupo tem pouca imaginação. É pouca ideia e muito trabalho de carpintaria para fazer o som impressionar o ouvinte. A produção realmente é digna de elogios, especialmente se comparada com outros discos lançados em 1987. Díficil escutar baixo e bateria tão bem gravados (em discos da década de 1980) quanto aqui. The Edge (o mais pretensioso apelido que um guitarrista pode ter) é um tremendo enganador.

Ulisses: O estilo dramático de guitarra com delay, vocal emotivo e ritmos simples funciona muito bem em algumas faixas (especialmente nas quatro primeiras), dando vida a músicas de apelo universal, baseadas nas raízes musicais dos Estados Unidos e da Irlanda junto a algo do pós-punk. A ótima produção de Brian Eno e Daniel Lanois, além de não soar datada, explana as texturas e a sutileza atmosférica das composições, ainda que, incrivelmente, seja um rock feito para tocar em rádios e arenas lotadas. Na lista abrangendo 1987, este disco seria uma indicação superior a Overkill e Celtic Frost.


Pearl Jam – Ten (1991)

Davi: No início da década de 1990, o grunge chegou com tudo. E um dos grupos que já chegaram com o pé na porta foi a trupe de Eddie Vedder. Contando com hits como “Even Flow”, “Alive”, “Jeremy”, “Black” e “Oceans”, e com clássicos do porte de “Porch”, “Once” e “Why Go”, o disco é quase como uma coletânea. Embora hoje em dia seja o ídolo dos fãs do gênero, Vedder foi o último entrar no grupo e, quando se juntou a eles, boa parte do material já estava pronto. Neste CD, ele acabou colaborando mais com as letras do que as composições. Isso talvez explique um pouco a mudança de sonoridade nos álbuns seguintes – embora eu considere Vs. (1993) e Vitalogy (1994) tão bons quanto. Apostam em Ten em um rock de arena com influências de hard rock e, claro, de alternativo. Isso fazia total sentido entre uma banda que nasceu do cruzamento entre Mother Love Bone e Green River, certo? Trabalho empolgante e inspirado.

Alexandre: Não curto Pearl Jam, mas adoro este álbum. Gosto de praticamente todas as faixas. Ele estaria na minha lista de esquecidos e é mais um desta edição cujo CD possuo. Aliás, tenho quase metade desta lista na minha coleção. Assim, é meio óbvio dizer que aprovo inteiramente a escolha. Mais do que isso, me causa muita estranheza ele não ter aparecido na edição abordando 1991. Desnecessário dizer que tem vaga fácil para ele nessa edição. Entre as minhas favoritas, há uma absoluta, “Jeremy”. Aquele baixo da introdução é espetacular, assim como o seu final, com esse baixo diferente. A interpretação de Eddie Vedder também é de arrepiar. Além dessa, poderia citar quase todo o álbum, mas opto por selecionar mais algumas: “Even Flow”, “Alive”, “Black” e “Release”. “Why Go” talvez seja a que menos me agrada. É até difícil fazer um comentário mais abrangente, porque o que sobra são basicamente elogios. É uma pena que a banda não tenha me cativado desde então. Parece ter seguido um caminho menos inspirador. Do chamado top 4 do tal grunge de Seattle, é o grupo que mais me decepcionou por não ter tido álbuns sucessores que chegassem aos pés desta obra-prima. Parabéns pela lembrança. Na minha opinião, é uma das grandes mancadas da série, além de ser o melhor disco desta lista.

André: Como já disse algumas vezes, fiz todo o esforço possível e inimaginável para gostar de qualquer coisa em que conste Eddie Vedder nos créditos, mas não deu. Este disco é melhor do que muito mais coisa que já ouvi deles, mas meus ouvidos realmente não casaram com o som deles. Reconheço “Porch” como uma boa canção, tendo um belo e simples solo de guitarra misturando com o típico som grunge noventista. Respeito os caras, mas realmente não me descem mesmo.

Bernardo: Apesar de estar à frente de um movimento que renovou o rock norte-americano, sempre houve algo mais clássico inerente ao Pearl Jam, seja o approach mais melódico e menos punk/metal, as letras meio crônica e meio poema e a voz grave e declamada à la Jim Morrison de Eddie Vedder. Quer clássico, toma clássico  quase metade do álbum, aliás: “Once”, “Even Flow” e, é claro, o trio “Black”, “Alive” e “Jeremy”, a síntese do que é Pearl Jam. Os fãs mais ardorosos podem discordar, mas a banda nunca fez um disco tão bom quanto seu debut. Ainda dá para ouvir de uma sentada só com gosto mais de duas décadas e meia depois.

Christiano: Considerado por muitos como o melhor disco do Pearl Jam, Ten traz um desfile de faixas que consagraram a banda no nascimento do que ficou conhecido como grunge. Na época de seu lançamento, Ten apresentava ao mundo um tipo de música difícil de caracterizar, baseado em guitarras distorcidas, vocais meio arrastados e um agradável, mas não excessivo, tempero pop. Faixas como “Even Flow”, “Alive”, “Black” e “Jeremy” caíram nas graças de uma juventude que adentrava em uma nova década e procurava uma estética condizente com os novos e cinzentos tempos. Além dos hits mais óbvios, merecem destaque a singela “Oceans” e a semibalada “Garden”. Ótima dica.

Diogo: Não gosto do estilo vocal de Eddie Vedder. Para piorar, o cara acabou influenciando uma penca de gente, que adotou a postura “batata na boca” e soa mais ininteligível que muitos vocalistas de death metal. Em Ten, contudo, admito que suas interpretações e melodias são satisfatórias e acrescentam muito ao resultado, apesar do elemento mais importante ser mesmo as composições de Stone Gossard e Jeff Ament, além de um instrumental bem construído, com boa interação entre todos os músicos, especialmente Stone e seu companheiro de seis cordas, Mike McReady. É isso que faz dos hits “Even Flow”, “Alive”, “Black” e “Jeremy” boas músicas, coisa que nunca ouvi a banda repetindo em discos posteriores. “Alive”, em especial, é exemplo de como a banda funcionou bem dentro de seus limites, fazendo um rock simples mas bem arranjado, rompido com os anos 1980 e explorando bem mais influências setentistas. Fora essas citadas, “Once” e “Why Go” talvez sejam as que mais me agradam, mas não se trata de algo que me faça reverenciar Ten da mesma maneira que ele é reverenciado por tanta gente.

Fernando: Este é um daqueles discos que a gente gosta e pouco ouve. Foi legal escutá-lo por inteiro novamente. Não lembrava de “Once”, por exemplo. Bela faixa escondida sob o sucesso de clássicos como “Black”, “Jeremy”, “Alive” e, principalmente, “Even Flow”. Isso mostra a qualidade de um disco, quando as canções menos comentadas são boas e não apenas fillers. Grande álbum, com certeza o melhor da banda, que fez poucos discos fracos, mas muitos sem a força do repertório da estreia.

Flavio: Ten é recheado de clássicos e vigor talvez nunca mais visto na banda. Neste disco há o que por vezes apontamos como ponto singular, em que o trio de cordas que vinha compondo as demos encontrou em Eddie Vedder o complemento perfeito para a composição das letras e melodias, criando um momento único. Além das conhecidas “Once”, “Jeremy”, “Black”, “Even Flow” e “Alive”, cujos videoclipes permearam exaustivamente a MTV na época, podemos destacar também a lindíssima balada “Release”, que fecha o álbum, e a zeppeliana “Oceans” como outros destaques, mas não há faixas fracas em Ten. Fiquei dividido entre incluir Ten ou Temple of the Dog (Temple of the Dog, 1991) na minha lista de esquecidos, então a escolha de Davi está mais que aprovada.

Mairon: O terceiro disco que Davi tirou da minha lista. Poucas bandas têm em sua discografia justamente o álbum de estreia como o melhor, e esses norte-americanos são uma delas. Este disco é praticamente perfeito. Gosto muito da performance vocal de Eddie Vedder, do equilíbrio das guitarras de Stone Gossard e Mike McCready e da boa cozinha formada por Dave Krusen (bateria) e Jeff Ament (baixo). Quantos sucessos temos neste debut. Das 11 faixas, quem viveu os anos 1990 certamente reconhecerá “Even Flow”, “Jeremy”, “Once”, “Why Go” e, sem sombra de dúvidas, o hiperultrasucesso “Alive”, talvez a principal canção da carreira do grupo. Sejamos honestos, o lado A de Ten é um “best of” sem tirar nem por, assim como o de The Joshua Tree. Ainda há outras duas faixas que também foram grande sucesso e que para mim são as melhores, a lindona “Black”, uma das canções mais tristes do grunge, e a pancada “Porch”, cuja interpretação no “MTV Unplugged” de 1992 marcou época. Aliás, essa apresentação da banda na MTV foi saudosamente e justamente lançada como bônus em um recente relançamento, e deve ser vista por todos aqueles que acham que o grunge era Kurt Cobain. Aprecio a rifferama de “Deep” e os violões de “Oceans”, que para mim têm o maior climão Led Zeppelin III (1970). Mesmo as canções que ficaram obscurecidas pelos sucessos, no caso a bela “Garden” e a viajante “Release” – o final me lembra trechos de “The Lamb Lies Down on Broadway” (Genesis) –, são ótimas faixas, que também poderiam ter sido sucessos. Foi uma vergonha Ten não ter entrado na edição dedicada a 1991, ainda mais que entraram coisas pouco representativas para o ano, como Death e Teenage Fanclub. Lamento ter sido um besta por não ter votado nele, pois é um baita disco. Mas também, 1991 foi um ano com muita coisa boa. 

Ronaldo: Creio que seja até uma questão de reparação quanto a este importante disco. Não significa que eu o considere exatamente um grande álbum; o contexto foi bastante favorável para que ele atingisse destaque. Canções desse quilate na década de 1970 estariam lá pelo terceiro escalão de popularidade e relevância; os riffs são genéricos mas as linhas vocais têm assinatura própria, soando meio deslocadas do padrão de rock que o Pearl Jam buscava revigorar; nenhum instrumentista destaca-se e há uma democracia entre voz e instrumental. Tudo é bem equilibrado no conjunto, as composições são funcionais e têm bons ganchos. Nada mais que isso que se avaliaria no Pearl Jam caso este trabalho estivesse equiparado à década de 1970. O grande mérito do disco foi trazer aquele tom meio cinzento novamente à tona no rock, que estava demasiadamente festeiro e hedonista naquelas alturas.

Ulisses: Ótimo resgate! O disco de estreia foi bastante importante para a cena grunge e tem várias ótimas composições (“Even Flow” foi amor à primeira vista – é incrível como certas músicas já nascem clássicas), destacando o rock acessível e eficiente da banda que tem o ótimo Eddie Vedder como frontman, um vocalista expressivo e letrista de mão cheia. De rockzões catárticos (“Jeremy”, “Alive”) a lamentos memoráveis (“Black”), Ten empolga do começo ao fim.


Alanis Morissette – Jagged Little Pill (1995)

Davi: Outro álbum extremamente marcante na década de 1990 e que emplacou música atrás de música atrás de música… Alanis chegou a fazer discos bem bacanas depois deste, mas nunca mais nesse nível. Álbum praticamente perfeito. Pegou a sonoridade do rock alternativo que tanto marcou o inicio dos anos 1990 e cruzou com uma linguagem mais pop. Algo que fazia sentido, uma vez que seus dois primeiros álbuns eram de um pop meio dançante. Foi com Jagged Little Pill, contudo, que ela conquistou a juventude dos anos 1990, apostando em letras rebeldes, guitarras distorcidas e muita atitude. Nos shows, o som crescia ainda mais, ficava mais pesado e ganhava várias improvisações. “You Oughta Know”, “Hand in My Pocket”, “Right Through You”, “Forgiven”, “You Learn”, “Head Over Feet” e a faixa escondida “Your House” se destacam neste que é um dos últimos grandes discos produzidos pelo rock mainstream.

Alexandre: Um disco de uma cantora que mal chegara à casa dos 20 anos vende mais de 30 milhões de exemplares. Essa frase já justifica a escolha de Jagged Little Pill. Metade do álbum é bastante conhecida, tornou-se singles que extrapolaram um público mais restrito e chamaram atenção mesmo daqueles não que curtem esse som teoricamente considerado alternativo. Não havia muitas cantoras para competir com as cifras que Alanis conseguiu. Em um estilo que, mesmo com um acento pop, pode ser classificado em algum subgênero do rock, acho que ninguém. Além disso, como influência, trouxe em sua rebarba várias outras cantoras para ocupar um espaço no mercado fonográfico que, entre o gênero feminino, restringia-se basicamente a um som mais pop. Entre elas, o exemplo mais clássico é a compatriota Avril Lavigne, mas dá para citar uma meia dúzia, pelo menos. Isso tudo mostra a coerência desta escolha. Aqui termina a primeira parte de meu comentário. A segunda, mais pessoal, começa atestando que nunca curti Morissette, acho o som meio básico demais, mas gosto bastante de uma canção. O problema é que essa música, “Uninvited”, não está em álbum algum dela, e sim na trilha sonora de um filme. Essa canção me chama atenção por ter um clima mais soturno em que a característica interpretação mais estridente de Alanis funciona excepcionalmente bem. Em relação a Jagged Little Pill, considero-o um disco com letras fortes, inteligentes e até surpreendentes face à idade da cantora. Não curto a mistura de bateria eletrônica com bateria orgânica que se apresenta em boa parte das faixas. O que se desenvolve com guitarras, teclados e qualquer outro instrumento que se acrescente não me entusiasma, acho meio trivial. A exceção é um baixo bem construído, em especial na única faixa em que temos um monstro para tocá-lo. A canção em questão, “You Oughta Know”, é a que destaco, mas principalmente pela maravilhosa linha tocada por Flea. O restante é meio feijão com arroz demais, mas a escolha é adequada.

André: Comparado a tantas outras cantoras pop da época, ela tem uma vantagem: tem guitarras de verdade em suas faixas. Esse vocal adolescente que tinha nessa época, porém, e esse ritmo de bateria usado por 99% do pop daquela época até hoje (robotizado e artificial) tiram-me todo o ânimo de apreciar qualquer coisa de Jagged Little Pill.

Bernardo: Alanis no auge da sua competência pop. “You Oughta Know” e “Ironic”, tão bonitas quanto grudentas, são a cara dos anos 1990 e justificam a febre.

Christiano: Se o Pearl Jam inaugurava a década com novos e inventivos ventos, Alanis Morissette mostrava que nem tudo ia bem. A moça foi uma das primeiras a fazer sucesso com um tipo de voz afetada e uma mistura pasteurizada entre rock alternativo e ritmos dançantes feitos sob medida para as rádios e MTVs da época. É difícil não se irritar com os maneirismos vocais e as batidinhas descoladas que marcam todas as faixas. Não consegui gostar de nada do disco.

Diogo: Quando este álbum foi lançado e logo obteve grande sucesso, eu ainda era muito jovem e não pude observar isso com exatidão, mas imagino que tenha sido muito representativo para as adolescentes da época ver algo tão próximo delas, considerando que o rock no mainstream (mesmo em suas vertentes mais pop) sempre pendia bem mais para o lado masculino, não apenas pelos músicos envolvidos, mas pelo conteúdo lírico. Esse sucesso todo não se justificou apenas nisso, uma vez que os singles extraídos de Jagged Little Pill foram combustível de alta octanagem, alinhados com a época e donos de muitas qualidades. “You Oughta Know”, “Hand in My Pocket”, “You Learn”, “Head Over Feet” e “Ironic” são mesmo boas músicas. Alguns podem apontar os maneirismos vocais de Alanis, que realmente não são lá dos mais agradáveis, mas, unidos com suas melodias meio atípicas, funcionam. Em particular, gosto ainda de seu trabalho em “Forgiven”, com uma dramaticidade que eu gostaria de ter ouvido mais vezes. O resgate deste disco é bem vindo, uma vez que se trata de um dos últimos álbuns a realmente marcar época, daqueles cujos hits acabamos ouvindo e reconhecendo mesmo que de maneira passiva, coisa cada vez mais rara hoje em dia.

Fernando: Álbum cheio de hits, que estourou quando apareceu, alçando a moça ao estrelato imediato. O disco vendeu horrores. Acredito que, além de conter várias músicas legais, também serviu para trazer muitas garotas para o rock. Já tem tempo que não vejo nada de Alanis por aí. Ela desistiu da música?

Flavio: Em seu terceiro disco, Alanis traz uma série de sucessos que foram exaustivamente videotocados na MTV, que ainda era o principal meio de divulgação de um artista na época. Misturando a imagem de ex-adolescente questionadora, que aplicava em algumas das letras, o impacto foi imediato, atingindo um grande público, principalmente feminino. Em relação ao disco, há pontos interessantes: gosto quando Alanis aponta para um rock mais visceral, principalmente em “You Oughta Know”, destaque absoluto da bolacha, e também quando não há o exagero frenético/epiléptico vocal ou o abuso de sua limitada gaita, que permeia o álbum. Ainda encontro pontos positivos em alguns pop rocks mid-tempo, como “Hand in My Pocket”, “Right Through You” ou mesmo nas puxadas acústicas de “You Learn” e “Ironic”, composições bem harmoniosas. Ressalto também o vocal de Morissette, que às vezes dá uma ou outra escorregada, sem comprometer. Um resgate de um best seller, que talvez encontrasse seu lugar na edição abrangendo 1995.

Mairon: Um álbum que marcou época e vendeu horrores. Lembro-me que a maioria das minhas coleguinhas do fim do fundamental adorava este disco. Nunca fui muito com a cara e o estilo “alternativo” de Alanis, mas fui com toda boa vontade ouvir o disco. Foi interessante ver algumas memórias brotarem na mente ao ouvir “Head Over Feet”, “You Learn” e “You Oughta Know” (sobre essa última, lembro do alvoroço da gurizada pensando no blowjob do cinema, hehehe). “Ironic” tocava à exaustão, meu deus. Acho que foi uma das primeiras músicas que tive que aprender a tocar no violão, só para agradar o público feminino. A baladinha “Perfect” é bonitinha, mas a voz de Alanis não me agrada. Gostei dos arranjos orquestrais de “Right Through You”, outra em que a voz de Alanis irritou-me os ouvidos. A única que realmente achei legal é “Mary Jane”, mas, no mais, é um disco comum. Pela importância histórica, poderia sim ter entrado na edição abordando seu ano de lançamento, apesar de considerá-lo um álbum bem dos mais fraquinhos que já ouvi. Mas sim, há coisas piores…

Ronaldo: Dona dos mais insuportáveis maneirismos vocais da década de 1990, em seu disco de estreia Alanis Morissette oferece apenas algumas composições razoáveis e uma boa banda de apoio. De resto, um pop rock insípido que vez ou outra parece que o mercado sente falta, elegendo algum cantor/cantora para entupir as rádios com suas canções. Tem horas que até parece um disco grunge feito só com baladas.

Ulisses: Só conhecia de nome. Por algum motivo, mesmo sem ouvir, tinha na cabeça que ela devia ser alguma cantora pop alternativa chata. Só que não: mesmo a interpretação um pouco exagerada de Alanis, às vezes, acaba combinando com a mistura direta de pop, rock e grunge das composições, em que a cantora declama versos honestos, confissões de suas próprias experiências. Não é a oitava maravilha do mundo, mas a audição passa longe de ser ruim.



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