Discografia Van Halen – [CAPÍTULO 11]

{Balance – álbum e turnê, 1995}

Em 1994, a banda, após cerca de um ano de pausa, volta a trabalhar em estúdio no fim do primeiro semestre, para preparar este novo álbum, que sairia no início de 1995. Diferentemente do que acontecia até 1993, começa a haver no retorno para essas atividades um certo desgaste de relacionamento entre Sammy e o resto da banda, especificamente com Eddie Van Halen. Eddie estaria tentando abandonar o álcool, tendo oficialmente parado de beber em outubro de 1994. A morte do antigo empresário Ed Leflfler e a escolha de Ray Danniels contribuíram para que o ambiente no estúdio de Eddie ficasse conturbado, já que houve também desentendimentos com o novo empresário.

Balance é lançado em janeiro de 1995, um mês depois da banda ter colocado para veicular o primeiro single, Don’t Tell Me (What Love Can Do), que desempenha bem, mas prioritariamente nas paradas de rock da Billboard, atingindo o primeiro lugar. Para a produção, a ideia foi trazer Bruce Fairbain, naquele momento acumulando respeitabilidade como um dos melhores produtores, tendo feito muito sucesso na volta do Aerosmith desde 1987 e com álbuns de muito sucesso do Bon Jovi, como Slippery When Wet e New Jersey.

A banda segue em tour em 1995, prepara em um álbum de Greatest Hits, supostamente a contragosto de Hagar, a ser lançado em 1996 e ainda no primeiro semestre deste ano compõe uma canção, Humans Beings, para fazer parte da trilha sonora do filme Twister. Sammy também não era a favor de que a banda participasse na trilha sonora, onde supostamente 2 canções seriam gravadas. Em consequência disto, a participação da banda completa limita-se a Humans Beings, mas a faixa Respect the Wind (instrumental), composta pelos irmãos Van Halen, é utilizada como faixa final do álbum de Twister.

Em junho de 1996 Sammy é supostamente demitido da banda, embora Eddie tenha dito que Hagar pediu as contas. O motivo alegado pelo vocalista teria em vista a necessidade de parada das atividades da banda, justificada em razão de problemas de saúde visto na tour de Balance por parte de Eddie (nos quadris), Alex (vértebras) e também pela sua própria esposa ter tido complicações na gestação do futuro filho e encontrar-se impossibilitada de sair do Havaí.

O próximo capítulo desta discografia trará mais detalhes do período vivido durante o lançamento deste Greatest Hits e da entrada de Gary Cherone.

O lineup ainda estável de Balance era:

Sammy Hagar: vocal

Eddie Van Halen: guitarra e backing vocal

Michael Anthony: baixo e backing vocal

Alex Van Halen: bateria

B Capa 1

A banda volta a aparecer na contracapa do disco, tendo Sammy meio encoberto, diga-se de passagem:

 B Capa 2

Faixa Título Compositor Duração
1 The Seventh Seal Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 5:18
2 Can’t Stop Lovin‘ You Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 4:08
3 Don’t Tell Me (What Love Can Do) Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 5:56
4 Amsterdam Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 4:45
5 Big Fat Money Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 3:57
6 Strung Out Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 1:29
7 Not Enough Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 5:13
8 Aftershock  Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 5:29
9 Doin’ Time Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 1:41
10 Baluchitherium Anthony, Roth, Van Halen, Van Halen 4:05
11 Take Me Back (Déjà Vu) Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 4:43
12 Feelin’ Anthony, Hagar, Van Halen, Van Halen 6:36

A versão japonesa traz uma faixa-extra, intitulada Crossing Over.

Turnê:

A Balance Ambulance Tour foi a turnê com mais datas que a banda havia feito até então, exceto a do primeiro álbum, em 1978. A banda começa a excursionar fazendo três “warm-up” shows na Europa, o primeiro na Holanda e outros dois na Itália, em janeiro, poucos dias após o lançamento de Balance. O primeiro show oficial, em março, em Pensacola, Flórida, foi transmitido via MTV. Assim, durante todo o ano de 1995, a banda cumpre extensa agenda nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão, terminando com dois shows novamente no Havaí, em novembro daquele ano. Antes destes dois shows, e como nas tours anteriores, a banda esteve no Japão para quatro apresentações.

Não há registro oficial desta turnê – sabe-se que os dois shows do Canadá foram gravados profissionalmente com este intuito, mas nunca utilizados. Há, no entanto, a possibilidade de ver uma parte menor de um desses shows e o show de Pensacola na íntegra, via streaming.

Avaliação:

Balance é ainda um disco muito bom do conjunto. Não deve aos álbuns anteriores, mesmo sendo ligeiramente menos regular. E há de se considerar o momento de seu lançamento, ainda na era “grunge“. Podemos considerá-lo uma mistura do som mais voltado para as guitarras de F.U.C.K. e a volta das baladas que estão presentes em OU812 e em menor escala em 5150. Para acréscimo a essa mistura, pode-se perceber um som ligeiramente mais pesado, por exemplo, em faixas como Don’t Tell Me, Feelin’ ou Amsterdam e uma melhoria nos temas líricos, mais sérios e voltados a questões sociais e reflexivas. O single Don’t Tell Me é um exemplo disso, colocando o dedo em questões como crises de juventude, drogas ou mesmo fé.

A primeira faixa, The Seventh Seal, não é tão boa quanto Poundcake, mas pode competir em igualdade com Mine All Mine (do OU812) e ser melhor do que Good Enough (de 5150). Big Fat Money segue a linha de faixas aceleradas como Get Up ou A.F.U. (Naturally Wired) dos álbuns anteriores, em nosso entender melhor do que ambas. A banda também acerta nas baladas; tanto I Can’t Stop Lovin’ You quanto Not Enough foram faixas de bastante sucesso. Not Enough, em nosso entendimento, é a melhor balada gravada por este lineup, ainda superior a When It’s Love.

Há, no entanto, faixas mais fracas, como a dispensável Baluchitherium, uma terceira faixa instrumental no meio de outras duas vinhetinhas (Strung Out e Doin’ Time), que nem consta na versão em vinil do álbum. Aftershock e o refrão meio bobo de Amsterdam não se igualam em qualidade ao restante do trabalho e mesmo Take Me Back é uma balada bem aquém do nível das outras duas.

B Capa 3

Premiações:

O álbum, assim como seus predecessores, atingiu a primeira posição na Billboard, e vendeu mais do que os dois álbuns anteriores, atingindo três milhões de cópias nos Estados Unidos e um inédito disco de ouro no Brasil (100.000 cópias vendidas).

Os singles figuraram melhor nas paradas de rock da Billboard. Além da performance já citada de Don’t Tell Me, Can’t Stop Lovin’ You chegou ao segundo lugar, Amsterdam ao 9º, Not Enough ao 27º e The Seventh Seal ao 36º. A única música que figurou nas paradas principais da Billboard foi Can’t Stop Lovin’ You, em 30º.

Curiosidades:

A turnê de Balance abre uma exceção pelo fato da banda optar por ser novamente um opening-act, algo não visto desde a tour com o Black Sabbath, no início da carreira. A tour europeia os fez trazer um set mais reduzido, uma vez que abriram para o Bon Jovi. Os shows completos, nas fases americanas, no Canadá ou no Japão, privilegiam novamente o material novo, sendo tocadas mais de metade das canções, ao menos.

O título da tour seria apenas Balance, porém foi acrescentado do Ambulance visto os problemas que os irmãos Van Halen passaram durante os shows. Eddie teve sérios problemas de mobilidade, em virtude de problemas na cintura e Alex teve três vértebras da coluna danificadas, tendo de usar um colar cervical durante boa parte dos shows.

B Capa 4

Outro fato talvez nem propriamente curioso, mas sim irônico, é o nome do álbum. Balance deveria significar equilíbrio, mas justamente foi nesse período que os problemas internos da banda fizeram com que essa formação se rompesse.

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 4 estrelas ( * * * * )

Você já ouviu: Not Enough e principalmente Can’t Stop Lovin’ You

Ouça/Veja: Feelin’ e Don’t Tell Me (What Love Can Do)

[ ]’s

Alexandre Bside e Flávio Remote



Categorias:Aerosmith, Artistas, Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas, Trilhas Sonoras, Van Halen

6 respostas

  1. Quem me conhece sabe que não tenho grande apreço pela fase Hagar do Van Halen. Quando do lançamento de Balance já havia abandonado a banda. Pra se ter uma ideia, fui buscar a música “Not Enough” pra escutar e não consegui me recordar dela. Peço desculpas aos autores do post, mas não colocaria ela no meu “carrossel musical randômico” nem por decreto heheheh.
    Lembrava de Can’t Stop Loving you, e a nova escutada me deu melhores impressões do que as que tinha guardado. Mas de modo geral, ainda que se perceba todo o potencial do banda, fiquei com o sentimento de que este potencial foi desperdiçado, neste álbum, por composições majoritariamente voltadas para o retorno comercial. Talvez esteja enganado, mas foi isso que percebi.

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    • Schmitt, já nos conhecemos, no mínimo, razoavelmente. A surpresa aqui então foi por dar ” uma força ” para I Can’t Stop Lovin’ You, por essa eu não esperava.
      Seu comentário em Not Enough, esse sim, faz todo o sentido.
      Mas eu continuo atrás de um tecladista que nos ajude a tocá-la em um ensaio do Minuto HM. De preferência com você nos vocais….

      Alexandre

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  2. Mais um grande capítulo com vasta carga de conhecimento que muito me motiva a conhecer a segunda era VH.
    Nessa fase de descoberta do Van Hagar confesso que igualmente aos álbuns anteriores esse também me agradou bastante. Com menos arranjos (para mim descaráveis) seguir a linha do F.U.C.K. calcado no Hard Rock mais “básico”, me deixa mais entusiasmando. Assim como os anteriores o Balance entra para minha lista.

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  3. O album se paga tranquilamente, embora pudesse ser mais coeso.
    Vale incluir na sua lista, Cláudio.

    Alexandre

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  2. Discografia Van Halen – [CAPÍTULO 13] – Minuto HM

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