Avantasia: duas décadas da Metal Opera

Com a proximidade do quinto show do Avantasia em terras brasileiras, vale a lembrança de como foi formado o “supergrupo” de Tobias Sammet e como ele impactou a cena do metal melódico pelas últimas duas décadas.

Arrumando o palco

É preciso compreender o momento em que o Avantasia foi concebido. Ao fim da década 90 e início dos anos 2000 tivemos um boom de bandas do chamado metal melódico (embora também chamado por outros nomes como power, speed, epic, mystic, etc). No cenário nacional, a cisão do Angra dava origem ao Shaman, deixando-nos com duas bandas de qualidade dividindo as atenções. Ao mesmo tempo, o heavy metal dito tradicional também trazia suas novidades, com o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao Iron Maiden, Black Sabbath planejava sua tour de reunião, entre outros.

A internet era novidade para a maioria dos fãs, e a divulgação começava a ser um pouco mais abrangente que as matérias nas Rock Brigades e Roadie Crews mensais. Poucos conseguiam, com suas conexões de 56kpbs, baixar álbuns completos nos Napsters e AudioGalaxies da vida. Os headbangers de São Paulo tinham como opção a Galeria do Rock, o ponto de parada para conversas sobre os novos álbuns e discussões sobre novas bandas e projetos. A decisão sobre qual álbum comprar ao juntar os 15 reais que um item nacional custava na época era dura. Havia muitas opções!

Por que então o projeto solo do vocalista do Edguy, uma banda acabara de se tornar conhecida aos fãs do gênero, chamaria a atenção em tal cenário? Primeiramente era algo relativamente novo e inusitado, um supergrupo que contaria com integrantes das principais bandas do sub-gênero do metal. Mas em minha opinião a principal atração do projeto Avantasia, quando anunciado, foi o retorno de Michael Kiske à cena metal. O ex-vocalista do Helloween afastara-se dos palcos anos antes e jurava (de acordo com as fontes da época) que jamais retornaria ao metal – boatos iam de perda da voz a motivos religiosos. Kiske tinha sua carreira solo, fazia participações especiais aqui e ali, mas sempre com trabalhos alternativos, baladas, nada ‘pesado’, o que parecia confirmar os boatos. Uma participação pouco conhecida foi no álbum da banda nacional Thalion que, apesar de ser uma banda de metal, teve Kiske em uma balada pouco ou nada ‘metálica’.

Claro que os outros convidados anunciados também eram chamarizes, mas a inclusão de Michael Kiske como convidado, mesmo sob um pseudônimo, em um trabalho cujo subtítulo era “The Metal Opera” realmente gerou expectativa para o álbum ‘solo’ de Tobias Sammet.

Primeiro Ato: A Ópera Metal

Ao fim da turnê do “Theater Of Salvation” que alavancou o Edguy, o vocalista Tobias Sammet divulgou que vinha trabalhando um projeto – ironicamente, informou por diversas vezes que seria algo “único, uma história baseada nas lendas pagãs celtas e com influência de “Em Nome da Rosa” com começo, meio e fim”, na intenção de evitar qualquer comentário sobre interferência com seu trabalho ‘principal’. Chegou também a mencionar que o projeto jamais chegaria aos palcos, mas admitiu, posteriormente, utilizar uma música ou duas em sua próxima turnê do Edguy. Aos poucos, Sammet foi anunciando os convidados especiais, e poucos realmente chamaram a atenção até que um tal de ‘Ernie’ surgiu. Bastou uma ouvida em “Reach Out For The Light” para saber que tratava-se de Michael Kiske.

Na história, na época da inquisição o noviço Gabriel (Tobias Sammet) trabalha para a Ordem Dominicana juntando provas que condenassem à fogueira pessoas envolvidas com magia negra. Gabriel surpreende-se quando sua meia-irmã, Anna (Sharon den Adel, do Within Temptation) é levada a julgamento. Em busca da inocência de sua maia-irmã, Gabriel lê um livro proibido na biblioteca da Ordem e é preso por Frade Jakob (David DeFeis, do Virgin Steele). No calabouço, conhece o druida Lugaid Vandroiy (Michael Kiske), que lhe conta as histórias de seu antigo clã da Irlanda, mostrando que nem tudo o que não pode ser entendido é, de fato, bruxaria. Ambos escapam do calabouço e Vandroiy leva Gabriel a um portal para outro mundo, chamado Avantasia (cujo nome vem da junção das palavras “Avalon” e “Fantasia”).

Em Avantasia, um mundo fantástico, os protagonistas encontram-se com o elfo Elderane (Andre Matos, de Angra e Shaman) e com o anão Regrin (Kai Hansen, de Helloween e Gamma Ray), que lhe explicam que o livro proibido é na verdade um dos sete selos que guardam a passagem entre os dois mundos. Se o Papa Clemente VIII (Oliver Hartmann, do At Vance) o utilizar pode causar a destruição dos portais. O elenco ainda conta com a participação de Timo Tolki (Stratovarius) como a voz em “The Tower”, entre outros. Os músicos eram ninguém menos que Henjo Richter (Gamma Ray) na guitarra, Markus Grosskopf (Helloween) no baixo e Alex Holzwarth (Rhapsody) na bateria.

O projeto teve duas partes, lançadas com 18 meses de diferença, entre os anos 2001 e 2002. A primeira parte foi vastamente celebrada, e as músicas “Avantasia” e “Inside” foram adicionadas à tour do álbum “Mandrake”, do Edguy. A excelente recepção do álbum fez com que as expectativas para a segunda parte fossem aumentadas exponencialmente, o que causou certa frustração quando do seu lançamento. “The Metal Opera Part II” não era tão grandioso quanto seu antecessor, mas tinha seus bons momentos e trazia um desfecho digno para seus personagens, incluindo elementos que caberiam em qualquer história de fantasia medieval.

Na época eu mantinha um site simples de tradução de letras, muito antes das ferramentas do Google e de tantos outros. A história completa (e sua tradução) das duas partes da Metal Opera pode ser lida no seguinte link: http://www.angelfire.com/trek/hmlyrics/

Era o fim do conto de Tobias Sammet que, embora tenha deixado ‘cair’ a qualidade em sua segunda parte, agradou aos fãs do gênero.

Interlúdio

Após o sucesso de Avantasia vimos muitos outros projetos similares, igualmente épicos e com diversas participações especiais. Um que vale nota é o projeto “Aina: Days Of Rising Doom”, encabeçado por Sascha Paeth e Amanda Somersville, entre outros, que traz participações de peso como Glenn Hughes (Deep Purple), Simone Simmons (Epica), Marco Hietala (Nightwish) e dos já citados Michael Kiske e Andre Matos, além do próprio Sammet.

No cenário nacional, tivemos o excelente projeto Hamlet que contava a famosa história de Shakespeare apenas com bandas brasileiras. Tivemos também Tribuzy, que embora não seja um álbum conceitual traz diversas participações especiais, incluindo Bruce Dickinson.

Em 2003, no show de encerramento da turnê do álbum “Ritual”, o Shaman de André Matos gravou no Brasil um DVD com as participações de Tobias Sammet, Sascha Paeth (Virgo), e Michael Weikath e Andi Deris (Helloween), executando “Inside” e “Sign Of The Cross” do Avantasia, além de “Pride”, faixa do Shaman que conta com Sammet como convidado.

Seguindo com seu trabalho no Edguy (que incluiu novas passagens pelo Brasil), Tobias Sammet manteve-se ocupado com composições e participações especiais paralelas. Cabe também menção da participação de Michael Kiske na música “Judas At The Opera”, um ‘b-side’ do EP “Superheroes” do Edguy, lançado em 2005.

Segundo Ato: O Espantalho

Em 2007 era anunciada a “parte três” do projeto Avantasia: “The Scarecrow”, algo muito estranho para aqueles que conhecem a história e sabiam que o final havia sido definitivo (sem spoilers). O que Sammet estaria tramando? Na verdade, a história deste novo trabalho é completamente independente daquilo que já havia sido lançado, e foi concebido por Sammet, Sascha Paeth e Eric Singer (Kiss). Michael Kiske estava de volta, em grande performance vocal.

03

Segundo o encarte, o álbum conta a história de “uma criatura solitária que sofre de um distorcido senso de percepção da realidade; a criatura parte em uma jornada de autoconhecimento e de paz interior, buscando aprovação daqueles ao seu redor e lutando contra as tentações das profundezas da alma humana”. No DVD bônus Tobias Sammet explica o álbum faixa a faixa, deixando claro que não se trata mais de uma “ópera”, já que cada faixa pode ser compreendida e aproveitada individualmente.

Roy Khan (Kamelot), a criatura, é diagnosticado como insano e expressa em “Twisted Mind” seu sentimento de ser excluído; em seguida, minha favorita de todo o projeto Avantasia, “The Scarecrow” traz Jorn Lande (Masterplan) como uma voz interior que quer abrir os olhos da humanidade, dizendo ao protagonista que ele não precisa sentir-se como um espantalho. Aqui as influências celtas e pagãs ficam ainda mais evidentes, com os violinos e percussões típicas. A faixa seguinte também é uma de minhas favoritas não só pela melodia (feita por Henjo Richter e Kai Hansen, do Gamma Ray) mas também pela letra: “Shelter From The Rain” traz Bob Catley (Magnum) como um anjo (ou a consciência) explicando ao protagonista como a vida pode ser melhor, e realmente o faz enxergá-la de uma outra forma.

As faixas se seguem cada uma com seu significado, com destaque para “Another Angel Down” (o protagonista se entrega a sua voz interior e decide lutar), “I Don’t Believe in Your Love” (quem não vê a luz no fim do túnel não vê sentido em exercitar seu autocontrole), e “The Toy Master”, faixa que conta com Alice Cooper como convidado e descreve um comerciante que gosta da dor alheia – tal como os empresários do show business.

Foi o álbum que trouxe também pela primeira vez uma música de trabalho: “Lost in Space” foi lançada em dois formatos de single, cada um com suas faixas bônus, que incluem “The Story Ain’t Over” e “Promised Land” – não só excelentes músicas, mas que também complementam a história do personagem. Foi também a primeira turnê do Avantasia, com quase todos os convidados participando ao vivo. Foi um dos motivos, ao lado da turnê “Somewhere Back In Time” do Iron Maiden, que me levaram ao Wacken em 2008. Posteriormente, anunciaram datas também no Brasil.

2008-06-22-Avantasia

Terceiro Ato: O Anjo da Babilônia e A Sinfonia Perversa

Novo álbum duplo do Avantasia, desta vez lançado na mesma data no ano de 2010 com dois nomes diferentes: “Angel Of Babylon” e “The Wicked Symphony”. Embora seja dito que ambos, em conjunto com “The Scarecrow”, finalizam uma trilogia, pouco há de informação disponível sobre a trama destes álbuns – ao menos em conteúdo livre, fora dos encartes de edições especiais lançados na época. As participações especiais de peso continuaram: não só foram mantidos Michael Kiske, Jorn Landle, Bob Catley e André Matos como foram chamados Tim Owens (ex-Judas Priest), Klaus Meine (Scorpions) e Russel Allen (Symphony X). Bruce Kullick (Kiss), Jon Oliva (Savatage) e Alex Holzwarth (Rhapsody) completavam o time de músicos.

Musicalmente, este Trabalho trouxe variações pelo estilo dos novos vocalistas convidados, como em “Dying For na Angel” com Klaus Meine, mas já era possível identificar uma ‘fórmula’ em ação. Mesmo que sejam todas grandes canções, são muitas similaridades entre, por exemplo, “Stargazers” e “Reach Out For The Light” (de Metal Opera Part I); entre “Wastelands” e “Shelter From The Rain” (de “The Scarecrow”); e de “Death Is Just a Feeling” e “The Toy Master” (também de “The Scarecrow”), para citar algumas. Havia inclusive o rumor que Jon Oliva havia sido chamado para participar de “Death Is Just a Feeling” apenas após a recusa de Alice Cooper – algo jamais confirmado.

A turnê, no entanto, foi algo grandioso não só pela abrangência, mas pela presença de Michael Kiske em praticamente todos os shows. No Brasil, o Avantasia se apresentou no inusitado CTN, ou Centro de Tradições Nordestinas. Independentemente de quaisquer problemas que os álbuns pudessem ter, ver o time completo no palco era realmente gratificante.

2010-12-13-Avantasia

 

Quarto Ato: O Mistério do Tempo e as Luzes Fantasmagóricas 

Em 2013, “Mystery of Time” veio em um mercado já saturado, também pelo fácil acesso a novas bandas e trabalhos. A história trata de uma viagem no tempo a uma antiga cidade inglesa da época Victoriana, acompanhando a vida de um cientista cético que é forçado a estudar as ligações entre o tempo, Deus e a ciência. Novos convidados especiais como Joe Lynn Turner (Deep Purple), Eric Martin (Mr. Big) e Biff Byford (Saxon), além da manutenção de Michael Kiske e Bob Catley e da produção mais ‘palatável’ (muito mais orquestrada), levaram o Avantasia ao top 10 da Billborad nos EUA pela primeira vez. Mesmo com o sucesso do álbum, a aceitação entre os fãs não foi tão entusiasmada quanto a de seus antecessores. A turnê, menos recheada de participações especiais, foi também um tanto menor em número de shows e lugares, com shows que ultrapassavam três horas de duração.

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2013-06-29-Avantasia

Confesso que não acompanhei o lançamento de “Ghostlights” em 2016, e tampouco estive no show. O enredo finaliza a história iniciada em “Mystery Of Time” de uma forma mais obscura e teatral – o cientista tenta encontrar uma forma de equilibrar a personalidade de todos os seres para fazer do mundo um lugar melhor – o conceito do álbum é o de entender as escolhas feitas na vida e pensar sobre as decisões questionáveis que possam ter sido tomadas, mesmo que para um bem maior, e o quanto os ideais podem variar de uma pessoa para outra. As participações especiais estavam lá, e as novidades foram Dee Snider (Twisted Systers) e Geoff Tate (Queensrÿche), além de outros dos álbuns anteriores.

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Segundo informações (pois eu não fui ao show), a turnê de “Ghostlights” trouxe ao Brasil um dos momentos mais bizarros: ANTES do show em São Paulo todos os integrantes da banda foram ao palco e DUBLARAM a música “Draconian Love” para a gravação do clipe oficial, e o PA pedia para que todos “pulassem animadamente”. Após alguns “takes”, a banda se retirou e, após alguns minutos, voltou para enfim fazer o show, ao vivo, como deve ser.

 

Interlúdio 

Parecia ser a última investida de Tobias Sammet com o Avantasia pois era o último álbum que, por contrato, tinha que ser lançado – e era sabido que ele reclamava do excesso de trabalho dos últimos anos. Tobias construiu um estúdio em sua casa, e mencionava que gravava apenas o que queria, e quando queria. O Edguy havia lançado “Age Of The Joker” e “Space Police”, ambos sem grande aceitação do público, e Tobias cogitava a composição e lançamento de um trabalho solo. Sem pressão das gravadoras, Sammet compôs músicas para seu trabalho solo mas, ao ouví-las, notou que elas soavam como… Avantasia.

Quinto Ato: Brilho da Lua

Do ambiente de trabalho “livre” nasceu “Moonglow”, o oitavo álbum do Avantasia, lançado em 2019. Novamente ao lado de Sascha Paeth e contando com participações especiais – com destaque para Candice Night (Blackmore’s Night), Hansi Kürsch (Blind Guardian – que participara do álbum “Vain Glory Opera” do Edguy em 1998) e Mille Petrozza (Kreator), além dos retornos de Michael Kiske, Jorn Lande, Bob Catley, Eric Martin, Geoff Tate, Ronnie Atkins –, Sammet trouxe uma nova (nova?) história: a trama fala de uma criatura noturna que tenta se adaptar à realidade, mas que acaba se refugiando na escuridão, iluminada apenas pela luz da lua, escondendo-se do restante do mundo. Semelhanças com o enredo de “The Scarecrow” não são mera coincidência.

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Assim como a influência musical: as semelhanças entre “The Raven Child” (em minha opinião a melhor do álbum, também pela presença de Hansi Kürsch) e “The Scarecrow” são gritantes – o início calmo, a evolução (se bem que há uma queda depois, desnecessária), e a pegada de ritmo logo depois; “Moonglow” com o refrão pegajoso de “Lost In Space” e “I Don’t Believe In Your Love”. São diversos exemplos, que não tiram o brilhantismo do álbum que, em minha opinião, supera seus dois antecessores.

A turnê de “Moonglow” já passou por Europa, Japão, Australia, Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina antes de chegar ao Brasil, no próximo domingo, e traz mais de três horas de show para os fãs. No Brasil, a abertura será por conta do Shaman de André Matos, que certamente fará participações especiais durante o set do Avantasia – e talvez possamos contar com Tobias Sammet em “Pride”, no show de abertura. Acompanharemos de perto!

São quase vinte anos de Avantasia, uma das muitas bandas que formaram o caráter e gosto musical deste que vos escreve em sua infância e adolescência. Mesmo quando as circunstâncias nos levam para longe é sempre um prazer estar presente em um show deste porte para lembrar os bons momentos, a boa música e a história que os levaram (e nos levaram) até aqui. Se houver alguma informação errada ou inconsistência no texto acima, os comentários estão aí pra isso! Na próxima semana teremos as impressões do show no Brasil. Até lá!

 



Categorias:Artistas, Cada show é um show..., Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas

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9 respostas

  1. Post do Caio!!!!!!
    Que Maneiro
    Paro pra ler na madruga hoje sem falta

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  2. Caio, excelente ter outro post seu por aqui. Na verdade, a classificação mais próxima seria honra / privilégio / aula magna.

    Que você continue sempre nos presenteando com estes textos e aproveite muito o show – tenho certeza que a resenha virá com sua assinatura única.

    Obs.: fizemos um throdown entre álbuns do Avantasia e Soulspell por aqui e eu fui (o único) a escolher o Avantasia – fácil (https://minutohm.com/2019/02/17/35o-podcast-minuto-hm-15-fevereiro-2019/).

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Curtir

  3. Um post espetacular, trazendo em riqueza de detalhes todo o desenrolar da carreira do Avantasia. Eu sou um conhecedor muito raso do projeto, mas admiro a capacidade do dono da bola Tobias em juntar tanta gente e desenvolver os trabalhos com tanto cuidado. O estilo não é os de que mais me entusiasmam, mas não há o que negar da qualidade de toda a carreira do Avantasia.
    E é um prazer ler tal material escrito por quem entende tanto.
    Obrigado

    Alexandre

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  4. Como já dito, sempre que o Caio posta por aqui, é especial. Os textos são sempre uma aula magna de análise, interpretação, sentimento e conhecimento.

    Dessa vez, este post ganha mais que tudo um ar de emoção, com a enorme perda que o metal nacional teve hoje, desde os fãs de Viper, Angra, e tudo que permeava essa referência no vocal, André Matos.

    Que triste… e que descanse em paz…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Curtir

  5. A notícia é um choque, uma verdadeira tragédia, até por que o cara esteve nos palcos até muito pouco tempo antes de falecer. O primeiro sentimento é de incredulidade. E pra mim, André sempre foi uma referência, desde os tempos do Viper, mas principalmente a partir do Angra, onde seu talento na época já reconhecido ajudou a fazer naquele momento uma super banda do estilo (que não o Sepultura cujo estilo thrash não é das minhas predileções), que eu poderia acompanhar em pé de igualdade com os grandes nomes de fora do país.
    Lembro de comprar o álbum do Angels Cry praticamente quando saiu e o quanto aquele trabalho tinha sim, depois de tanto tempo ouvindo as bandas nacionais, algo que eu pudesse de fato comparar com os meus ídolos de fora. Ainda é uma referência até hoje entre os melhores de todos os tempos , do Brasil certamente está entre os três melhores álbuns que conheço. O segundo álbum no Viper já era algo bem superior em qualidade de gravação aos demais trabalhos dos heróis brasileiros que se aventuravam a fazer algo no estilo. Quando chegou o Angels Cry, aquilo significou a consolidação da chegada brasileira ao olimpo do nosso gênero de predileção. Junto deles, embora com muito menos projeção, preciso ser justo, o Dr SIn também foi outro que sempre acompanhei.
    Voltando ao Angra, lembro de ter visto a banda no Monsters em 94, perdi o começo pois chegamos atrasados, vindo do Rio para os shows em São Paulo. Fica na minha memória André comandando a banda para um público gigantesco.
    Lembro do show no Imperator já na tour do Holy Land, trabalho que hoje considero uma obra prima, mas que na época, muito ousado, demorou a cair nas minhas graças de vez. Também está na minha memória o lançamento do Fireworks que me agradava também.
    Eu confesso não ter acompanhado tanto o André depois que saiu do Angra.Pouco sei do Shaaman, mas não dá pra reconhecer sua importância também nesta sua terceira banda. O cara é um dos primeiros hérois nacionais do metal, sua morte prematura será muito sentida. Seu talento era indiscutível, também no piano. Era bonito de ver sua entrada no cenário internacional e suas participações em vários projetos de fora. Que descanse em paz, André, você deixou seu nome pra sempre nos nossos corações metálicos.

    Alexandre

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  1. The Man Who Would Be King – Meu agradecimento ao André – Minuto HM

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