Cobertura Minuto HM – Iron Maiden em SP [Legacy Of The Beast] – parte 2 – resenha

Em meio ao turbilhão de shows que atacara São Paulo, muito devido ao festival Rock in Rio, no domingo de 6 de Outubro tivemos, mais uma vez, a honra de receber os ingleses do Iron Maiden, banda cultuada por todos os membros do blog e por qualquer outro brasileiro que goste, nem que seja na escala “só um pouquinho”, o tal do Heavy Metal.

Eu pedi ao nosso presidente para escrever essa resenha. E por um único motivo: essa pessoa que vos escreve não viu o setlist da turnê Legacy of the Beast e, portanto, eu não tinha a mais senhora ideia do que os caras iam tocar (fora uma coisa ali, outra aqui, mas sempre dentro do previsto da mesmice que o senhor Steve Harris não deixa de largar).

Dia nublado, friozinho chato e aquela garoa que não molha pra valer, mas que incomoda. Esse era o tempo por volta das 17:30, horário que saí do metrô próximo ao estádio do Morumbi – local que já foi, na cidade de São Paulo, referência para shows importantes, mas que hoje deixa a desejar.

Antes mesmo de chegar ao estádio, trombo com dois colegas de Lençóis Paulista, minha cidade natal – Gabriel e Helcius. Adentrando por volta das 18:00 pelo portão 18, com acesso à pista premium, algumas ligações telefônicas fazem com que Eduardo Rolim e sua irmã se juntem a gente. E o presidente ainda pára para comprar uma tradicional camiseta na lojinha oficial.

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Por haver apenas uma única entrada na pista premium (do lado esquerdo), a estratégia de deslocamento é a mais básica possível: vamos ao lado direito da pista (mesmo sendo onde fica o Janick), pois é muito comum o pessoal chegar atrasado e empacar todo do lado esquerdo. Dito e feito: espaço de sobra e sem muvuca.

Eu bem que queria tomar umas, mas fiquei estupefato ao saber que nenhuma aceitável marca de cerveja patrocinou o evento. Só tinha uma única cerveja (e aqui leia-se o substantivo “cerveja”, e não a qualidade do produto), brasileira, dessas vagabundas. E com preço de cerveja importada! Aí não dá!

Antes do início da banda de abertura, se não me falha a memória, Marcus Batera dá o ar da graça. Aguardando a The Ragen Age, deu tempo para ouvir a piadinha sobre a banda de George Harris Son (entendeu?!)! E 18:41 (com 1 minuto imperdoável de atraso pelo meu relógio), a banda do filho de Steve inicia a abertura.

Com novo álbum, achei a banda com um som bem menos agressivo de quando eles abriram na turnê do The Book of Souls. Não sei se é o certo rotularizar o som dos caras de metalcore, porque é algo bem mais cantado que berrado, mas, com influência clara de banda como Periphery, o “metal moderninho” apresentado estava bem montado e não decepcionou. Rolf chegou no meio da apresentação, e constatou um fato comentado entre todos nós: o baterista toca muito bem!

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Com “paitrocínio”, a The Raven Age tocou 9 músicas no Morumbi. George Harris é o guitarrista da direita, na foto.

 

Após a abertura, deu tempo ainda de encontrar mais dois amigos de Lençóis Paulista, Cru e Juninho, que conseguiram me achar por uma foto que mandei pelo whats da visão que eu tinha do palco. Todos estávamos bem perto do palco e, para espanto, sem aperto!

E com um atraso de mais de imperdoáveis 5 minutos (essa pontualidade britânica já foi confiável…), pouco depois das 20:00, temos o início de um pequeno vídeo do jogo Legacy of the Beast (e se música é minha paixão, video-game é meu vício e eu entendo; portanto, se você nunca jogou Legacy of the Beast, não perca seu tempo) com Transylvania de playback. Logo, as luzes do Morumbi se apagam e a já conhecida execução de Doctor Doctor, do UFO, começa, emendada no famoso vídeo de excertos da segunda guerra mundial, com o discurso de Churchill.

A entrada do playback inicial de Aces High levanta as mãos e os celulares do pessoal. Dois caras do apoio de palco, uniformizados de soldados, cada um de um lado, começam a tirar os panos que camuflavam caixas de som, bateria, adornos e o que mais tivesse abaixo dos panos. Consegui ver pouco da entrada de Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra), Dave Murray (guitarra) e Janick Gears (guitarra). Nicko McBrain (bateria) estava praticamente invisível, com a seu instrumento completamente coberto por uma malha verde (que era parte dos adornos iniciais), simulando mato. Pouco depois entra Bruce Dickinson (vocais), usando um traje de piloto de avião de época.

A execução de Aces High passou rápido e o que mais me chamou a atenção foi que, mesmo perto das caixas de som, a voz do público estava próxima do volume do som. O pessoal estava cantando garganta adentro. E o avião pendurado acima do palco, hein?! Teve uma hora que virei para trás e o Rolim estava chorando! Tudo bem que eu tenho umas taquicardias nervosas, mas foi a primeira vez que vi um fã de Maiden chorando!

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Teve uma hora que a asa do avião quase bateu na cabeça do Bruce, durante a simulação de um rasante…

Nota: como palavras ofensivas são vetadas, a partir de agora, qualquer palavrão que eu pretenda expressar será substituído pela palavra “ursinho”.

O término da primeira faixa da noite faz com que as luzes do palco se apaguem e o pano de fundo seja trocado. A imagem que vi foi a imagem do bondinho pegando fogo em uma montanha cheia de neve. Meu ursinho! WHERE EAGLES DARE! Bruce cantou a canção com um casaco de neve. Mesmo sabendo que o Maiden acelera as músicas nas execuções ao vivo, achei a aceleração aqui muito agressiva, pois Where Eagles Dare já é mais rápida que o padrão da banda e eu senti que parte da emoção dos acordes das frases principais se perdeu. Mas mesmo assim, ursinho, presenciei a entrada do Piece of Mind ao vivo.

2 Minutes to Midnight foi a terceira execução da noite. Uma belíssima trinca de boas vindas. Acho que foi nesse momento que Bruce falou com o plateia pela primeira vez, inflamando os paulistas que esse seria o melhor show da história no Brasil, já que na última sexta-feira o Maiden tinha sido notificado que eles tinham feito o melhor show da história do Rock in Rio.

The Clansman foi a quarta execução. As músicas gravadas com o Blaze, em sua maioria, não possuem entradas rápidas, o que fez com o que ritmo desse uma caída. Mesmo assim, sempre é muito bom ouvir algo dessa época cantado na voz do Bruce, que dessa vez, carregava uma espada. O adorno continuou um pouco com o vocalista quando The Trooper iniciou. A parte teatral com um Eddie gigante roubou a cena da música (que já é executada praticamente na maioria das turnês), inclusive com Bruce simulando um tiro em Eddie sincronizado com a parte da letra onde se diz “He pulls the trigger and I feel the blow“. E dessa vez, ao invés da bandeira da Inglaterra, foi a bandeira do Brasil que foi chacoalhada.

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O Eddie gigante dessa vez entrou em The Trooper … e tomou um tiro!

As luzes do palco se apagaram de novo e dessa vez há uma mudança brusca de palco. Todo aquele “matagal” some e uma igreja é construída no palco. Aquele pano cobrindo a bateria é finalmente removido e, quando as luzes se ascendem, daí entende-se porque ela estava coberta até aquele momento. Todos os bumbos do instrumento estão enfeitados com adornos de vidros de igreja. Era o início de Revelations, meu ursinho! Essa eu filmei, meio que sem querer, na surpresa:

E a sétima canção da noite eu também filmei, mas com um pequeno atraso de quando ela começou. Isso porque quando as primeiras notas saíram eu virei para o Rollim e questionei: For the greater good of God? Quando ele respondeu: Eu não podia falar o set, né?! Meu ursinho! Saquei o celular e filmei na hora!

Mesmo sendo uma canção longa, o Maiden segurou a plateia durante For the Greater Good of God. E a emenda com  The Wicker Man foi muito feliz, porque o riff dela tem muita pegada! Inclusive, foi a primeira vez que vi Adrian Smith improvisar para ursinho dentro de um solo. Até durante uma frase simples da música, que aparecia depois do solo, o Adrian improvisou.

Luzes apagadas de novo! Várias luzes vermelhas se acendem! Um pano de fundo com um vilarejo pegando fogo e a mão de Eddie segurando um terço. Nem precisou começar a música para matar que era The Sign of the Cross! Tentei filmar, mas o espaço no meu ursinho de celular tinha acabado. Nunca tinha pego essa canção ao vivo e amei que colocaram ela no setlist. O X-Factor tem músicas muito boas e foi uma menção honrosa tê-lo colocado como parte da turnê. E mais uma música do Blaze cantada sensacionalmente na voz do Bruce.

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Sign of the Cross contou com Bruce carregando uma cruz cheia de luzes, que foi fincada acima da bateria de Nicko pelas próximas duas execuções.

Luzes apagadas de novo (virou pleonasmo já esse excerto)! Um ícaro gigante sobe no palco! Flight of the Icarus! A quarta canção executada do Piece of Mind na noite. Durante essa execução, o palco mostrou-se mais uma vez uma caixa de surpresas, com lança-chamas também saindo do teto! Ícaro foi queimado ao final e o boneco gigante despenca do palco! Do ursinho!

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Dá para ficar mais legal?! Dá! Deram um lança-chamas para o Bruce!

 

Aí a bateria faz aquele famoso “tchiii … tchiii… tchiii…tchiiiiiiii” e começa Fear of the Dark. Como essa música já deu para mim, vou aproveitar esse parágrafo para colocar minha única crítica ao show: em alguns momento senti os volumes das guitarras base muito baixos, principalmente da guitarra do Adrian. E é isso. O pessoal cantou o “ôôôôô” várias vezes, a pessoa que conhece essa música e mais umas outras duas (sem saber os nomes) ficou super feliz, neguinho que não conhece nada tirou foto do palco e postou nas redes sociais fazendo chifrinho com a mão e, graças a Deus, essa música acabou.

Ah sim, e fizeram uma roda! Como se o show fosse de Punk Rock, meu ursinho! Como a roda era do meu lado, eu aproveitei o espaço que abriram e passei por ela, ficando ainda mais perto do palco. Foi aí que sumi do pessoal … foi mal gente! The Number of the Beast, clássico obrigatório, me passou despercebida, pois era nesse momento que eu lutava pela vida (e desviava de gente suada).

E começou Iron Maiden! E o palco hein?! E aquelas luzes?! E aquele Eddie gigante?! Olha, vou te dizer, ter mais de 60 anos de idade, ficar pulando de um lado para outro, ficar trocando de figurino a cada música e pegar avião para fazer isso de novo 3 dias depois, não é para qualquer um não! Tem que ter muita paixão, mesmo na terceira idade!

Aquela paradinha básica e só três medalhões encerram o espetáculo: The Evil That Men Do, Hallowed Be Thy Name e Run To The Hills. Saudades de quando Running Free encerrava os shows – sempre achei essa música a ideal para os encerramentos. Mas tudo bem…

Espero que na sua vida você possa ter a oportunidade de ver um show do Iron Maiden (mesmo aqueles que só conhecem Fear of the Dark e acham a melhor música do mundo). Não sei quantos mais o Brasil poderá presenciar…

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Galeria de fotos (Eduardo Presidente):

Beijo nas crianças!

Kelsei Biral



Categorias:Cada show é um show..., Curiosidades, Iron Maiden, Músicas, Resenhas, Setlists

4 respostas

  1. Excelente post Kelsei
    Muito obrigado pelo primoroso post
    Quantos mais shows do Iron?

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  2. Excelente resenha Kelsei!!! Me surpreendeu um pouco o setlist desse show, achei que por ser um, digamos “show solo”, seria um pouco diferente daquele do Rock in Rio, com algumas músicas a mais.
    As fotos ficaram muito boas!
    Um abraço.

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  3. A resenha é transporte de volta ao show do Rio, tal a perfeição do contar de todos os detalhes. O Iron fez um show matador, vou colocar apenas uma discordância estritamente pessoal em não endossar a escolha de For the greater good of god.
    Há músicas bem melhores no álbum, eu ficaria entre The Longest Day ou Brighter than a Thousand Suns , aliás com certa facilidade.
    Outro senão é não ter Wasted Years. Pra mim , é faixa obrigatória numa tour de legado. Powerslave , a faixa, idem.

    Entendo , no entanto, que é difícil selecionar. Duro é ter de engolir a inegável importância de Fear of The Dark…

    Kelsei, um espetáculo a resenha!

    Alexandre

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    • Olha B-side, eu ficaria feliz com qualquer música do A Matter of Life and Death. Hoje, vale muito mais pra mim ouvir algum que nunca presenciej, do que ouvir mais do mesmo. For the greater good of god não tem a melhor pegada do álbum, mas sua letra é uma poesia que precisa ser levada para as futuras gerações. Mas como disse, qualquer uma seria de ótima audição…

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