Série Novidades HM – Ano 2000

E demos a largada! Saímos do papel! Começamos uma jornada rumo à (tomara!) novas descobertas e conhecimento musical!

Faz um tempinho que criei um post para explicar o que seria esse projeto. Basicamente, para cada ano a partir do ano 2000, membros do blog sugerem álbuns de novos sons e bandas que tiveram destaque naquele ano em particular e o pessoal do blog voluntário dá seus pitacos sobre os álbuns listados.

E nesse post teremos álbuns do ano 2000. E antes de irmos a eles, gostaria de agradecer ao pessoal do blog pelo pentelho que fui, sendo o chatão de plantão no whatsup, para puxar a galera em cumprir os prazos, que sempre são difícies frente às obrigações do nosso dia-a-dia. Brigadão mesmo!

Para a listagem dos álbuns, a única ordem que será obedecida (para ter uma ordem) será a alfabética. Portanto, álbuns listados em ordem alfabética (banda apresentada antes, por bom senso) e nomes dos comentáristas MinutoHM também em ordem alfabética. E sem mais delongas, bora lá!


Nocturnal Rites afterlife

Nocturnal Rites – Afterlife

Sugestão de: José Paulo, vulgo JP, A Enciclopédia

Ouça você também:

Alexandre: Som predominante no Power Metal, com variantes que vieram nas novas tendências, cordas mais graves, teclados mais proeminentes, próximos do sinfônico, sem necessariamente se tornar um clássico exemplo do formato. Álbum bastante genérico, igualmente competente, igualmente de uma banda já com certa notoriedade no cenário e naquele momento com 10 anos de estrada. Seu último álbum foi lançado 10 anos depois do penúltimo, não entendo ser algo que possa considerar um conjunto em plena atividade hoje em dia. Me agradou bem o vocal, há bons solos, tudo tecnicamente adequado. A última faixa (“Helenium”) é a que mais destaco, pelo trecho instrumental intermediário, ótimas intervenções de teclados e guitarras, ótimos riffs, boas viradas de baixo. O restante do álbum ficou no quase, indico para quem busca algo do gênero mais específico. Passo.

Eduardo Schmitt: A primeira impressão que passa, após a audição deste álbum é que ele é muito sólido. Composições expressivas e com certa diversidade, performances musicais interessantes e sonoridade profissional. Confesso minha surpresa em não conhecer esta banda sueca que, só pode, se inspirou no Helloween. Me chamou a atenção a performance do vocalista, Jonny Linqvist, em seu primeiro trabalho com a banda, com uma voz poderosa e melódica – comparem, por exemplo, o início de “The Sign” com o interlúdio lento de “Temple of the Dead”. O riff de “Genetic Distortion Sequence” também se destaca. Quanto o baterista, apesar de ter feito um excelente trabalho, confesso ter ficado incomodado com a linha de bumbo da música que abre e dá nome a esta bolacha. Escutem especialmente o primeiro minuto de “Afterlife” e confiram se estou enganado ou não. Aliás, a equalização do bumbo me soa um pouco aguda demais. Tirando estes pequenos detalhes, este é um grande álbum, que deveria ter um maior reconhecimento da comunidade metaleira.

Flávio: Banda calcada em um estilo, sem inovações para os anos 2000. Em Afterlife a banda sueca Nocturnal Rites traz um power metal clássico, remetendo e trazendo elementos muito fortes das origens do movimento, como Rainbow, e principalmente Yngwie Malmsteen e também da banda consagradora do movimento, o Helloween. Então estão lá: Vocal lírico, muito inspirado nos vocalistas “malmesteenianos” dos anos 80; teclado com base “heaven” ou orquestral, cadencia acelerada, solos de guitarra com melodia em contraponto ou harmonia. Se não traz novidade, não compromete tampouco.

José Paulo: Não sei por qual motivo, mas antes de ouvir este Afterlife eu achava que a banda Sueca fazia um Death/Black Metal. Porém, assim que começou a faixa título, que é justamente a que inicia o disco, notei que eles fazem o puro Power Metal europeu, grande e grata surpresa! Esse já é o quarto lançamento da banda, mas é o primeiro com o vocalista Jonny Lindqvist, que substituiu Anders Zackrisson, que estava no grupo desde o seu debut, assim como aconteceu com o Kamelot e a entrada do Roy Khan ou o Elegy com Ian Perry, penso que essa mudança fez o grupo atingir um novo patamar. Musicalmente, o álbum se inicia magnificamente com Afterlife, que é aquela típica faixa que abre discos de Power Metal, rápido e direto com um refrão simplesmente fantástico, me lembrando “Fast as a Shark” do Accept, talvez o teclado seja um pouco supérfluo, mas não chega a comprometer. A seguir vem duas outras “pedradas” chamadas “Wake up Dead” e “The Sinner’s Cross”, que nos remete ao “Painkiller” do Judas Priest ou “War of Words” do Fight. Também podemos citar outros destaques, como a cadenciada, porém pesada, “The Sign, The Devil’s Child” que tem uma melodia marcante e um riff fantástico e o clima de Hellennium. Resumindo, Nocturnal Rites e seu Afterlife tem a força das guitarras do Painkiller, um vocalista agressivo, com melodias marcantes e letras sombrias. Para completar, o trabalho gráfico é assinado por Andreas Marschall, que também trabalhou com grupos como: Blind Guardian, Grave Digger, HammerFall, Running Wild e muitos outros.

Kelsei: Esse bumbo duplo comendo solto em todas as faixas é música para meus ouvidos! Tem certas coisas que me atraem como se fosse um imã, independente da banda, época, país: é o caso do Power Metal! Em certos momentos o álbum desses suecos (que eu conhecia só de nome) me lembrou o Gamma Ray (só que desacelerado). Achei que as faixas poderiam explorar mais nos solos de guitarra; mas, no geral, um belo álbum!


Seven Witches - City of lost souls

Seven Witches – City of Lost Souls

Sugestão de: Alexandre B-Side

Ouça você também:

Alexandre: Metal anos 80 por essência, o que é mais a minha “praia”. Assim, já há uma tendência natural de haver maior tolerância e exigência menor, pois agrada o gosto mais pessoal. O começo do álbum não me agradou, pois o vocal se situa numa linha entre os vocais do Accept (Udo) e do King Diamond. Além disso, os solos são meio rudimentares (constante no álbum todo). Alguns vocais em coro a lá Accept também, esse começo de álbum não me chamou muito a atenção. A temática até a terceira faixa (“The Witching Hour”), voltada a questões do “capeta”, soam meio datadas hoje, quase 40 anos depois do boom do gênero. A partir de “Atlantis”, a faixa 4, a coisa melhora, me trouxe um sentimento que remete ao primeiro álbum do Queensryche, inclusive pelo vocal mais limpo e lembrando bastante Geoff Tate. A faixa titulo tem prós e contras, um retorno pós solo meio mal resolvido. Fica meio latente que é uma banda ainda em desenvolvimento, em seu segundo álbum. A cover de Pat Benatar ficou bem aceitável e a última faixa (“We are the coven”) também me agradou. O conjunto, da relação de álbuns, foi o único a me despertar a curiosidade de conhecer mais do trabalho, ainda que tenha havido mudanças na formação desde então. Reconheço, no entanto, que vai agradar quem tem um finco de apreciação no metal da icônica década de 80. 

Eduardo Schmitt: Este álbum, 2º lançamento da banda norteamericana nascida em 1998, possui 9 músicas, sendo que a primeira, trata-se de uma introdução falada. Como não poderia deixar de acontecer com um maidenmaníaco, notei que nesta introdução, o narrador fala “live after death…”, seriam os componentes do Seven Witches admiradores da donzela britânica? O álbum começa bem, com uma atmosfera “medieval” que funciona bem. Por vezes as partes mais agressivas das linhas vocais efetuadas por Bobby Lucas, lembra o front man do Accept, assim como alguns riffs, mas as referências me pareceram adequadas, não chegando a configurar uma imitação à banda alemã. O álbum é agradável aos ouvidos, mas não é perfeito. Longe disso: Infelizmente, na música título do álbum, e que efetivamente é a música mais ambiciosa do trabalho, o resultado é apenas razoável. A faixa traz algumas idéias musicais interessantes, no entanto me pareceram mal encaixadas, um tanto desajeitadas, se assim me faço entender. Na minha opinião esta é a faixa mais fraca do álbum, quando o objetivo seria, imagino de que esta fosse a faixa mais destacada. Há de se destacar também que o álbum contem dois covers, um da banda Exciter (Pounding Metal) e outro, um tanto surpreendente da cantora Pat Benatar (Hell is for Children). Lançada originalmente em 1979, possui uma letra polêmica ao expor os maus tratos que as crianças norte-americanas sofriam por parte de seus pais. Em resumo, o álbum agradou e me estimula a procurar outros trabalhos da banda para entender os rumos que este grupo musical tomou.

Flávio: Aqui abrindo a década, o Seven Witches traz um som que não tem muitas novidades: base marcada de Heavy Metal misturada com clima de terror: Horror Metal, algo por aí. Vocal que mistura trechos operísticos, líricos, é uma espécie de herdeiro diamante, ou seja: Prince Diamond? Bom para os adeptos do Pai King Diamond e Mercyful Fate. Eu que nunca fui amante do gênero, encontro bons momentos instrumentais (típicos do gênero) remetendo às vezes os primeiros “Queensryches”, mas fujo quando o vocal “hora do pesadelo chorante” aparece. Destaco: “Atlantis” (tem menos medinho aparente….) e vamos abominar a “pseudo cover” do Exciter Pounding Metal. Ah, e gostei da “Hell is for children”, mas da original com a Pat Benatar.

José Paulo: Me lembro que no início dos anos 2000, essa banda me chamou a atenção por causa da formação, pois eram músicos que haviam passado por outros grupos de certa expressão e que coincidentemente eu gostava. O líder e guitarrista americano Jack Frost, havia tocado com o Savatage e gravado o excelente “State of Triumph” segundo disco do Metalium, enquanto que o vocalista Wade Black tinha substituído o cantor original (midnight) no Crimson Glory. Então apressei-me em adquirir alguma coisa do Seven Witches, o escolhido foi o “Xiled to Infinity and One”, de 2002. A empolgação inicial acabou se transformando em decepção, pois era um disco bastante comum e acabei “encostando” o CD. Quando comecei a escutar esse “City of Lost Souls”, a desconfiança era o maior de todos os sentimentos. Mas a primeira coisa que notei ao iniciar “The Answer” foi que o vocalista não era Wade Black, então fui atrás de mais informações e descobri que quem cantava era um tal de Bobby Lucas, que tem um vocal na linha do falecido David Wayne (Metal Church e Reverend). Outra “figurinha carimbada” é o baterista, John Osborn antes tinha gravado o primeiro álbum do Doctor Butcher, banda formada por Jon Oliva, após a sua primeira saída do Savatage. O disco em si acabou me surpreendendo bastante, é logico que ele tende a soar como aquelas bandas que costumávamos chamar nos anos 80 de U.S Metal, e acaba “atirando” em várias direções dentro dessa tendência, lembrando desde Vicious Rumors em “No Man’s Land” e Manowar em “The Legend of Sleepy Hollow”, ou até mesmo Virgin Steele no cover “Hell is for Children”. Por falar em cover, para mim o ponto mais fraco do disco é a chata e repetitiva “Pounding Metal”, do canadense Exciter. Também não podemos deixar de citar a última faixa do disco “We are the Coven”, que é uma das que mais gostei. No geral é um disco bem agradável de se ouvir, com músicos muito competentes, principalmente o guitarrista que realmente é a estrela da banda. Com toda certeza depois deste “City of Lost Souls”, vou ter que “desenterrar” aquele cd esquecido chamado “Xiled to Infinity and One”.

Kelsei: Quando vi a capa esperava qualquer coisa, menos o que ouvi. Basicamente você pega Iron Maiden, Hammerfall, Savatage, Dio e alguns outros derivados e bate tudo num liquidificador. Apesar de ser algo “mais do mesmo” eu gostei do resultado final! Minha filha também gostou do “Twinkle Twinkle Little Star” em “Hell is for Children”, mas, de acordo com ela, a menininha canta a letra errada! 🙂


Enchant - Juggling 9 or Dropping 10

Enchant – Juggling 9 or Dropping 10

Sugestão de: Kelsei

Ouça você também:

Alexandre: Progressivo com toques de hard ou metal. Tem os bons momentos de intricadas passagens, ótimo instrumental, mas cai num vocal meio fraco para o que gostaria de ouvir, ainda que também seja correto. O riff inicial de “Paint the Picture” é “chupado” do riff que se inicia a clássica Xanadu, do Rush. Essa faixa inicial é até das melhores do trabalho, mas é impossível não associar à faixa da banda canadense, pois o riff citado estrutura todo o desenvolvimento da música. Gostaria de ver mais peso associado às demais canções durante todo o trabalho, o fato da guitarra transitar mais em sons limpos com a brilhante característica dos captadores “single coils” me incomoda um pouco. Posso citar “Juggling Knife” como a faixa que mais me agradou, menos pelo uso de slaps de baixo nas estrofes, mais pelo restante da canção, brigde e refrão, além do trecho intermediário de qualidade instrumental. No conjunto do álbum, faltou, pra mim, um pouco de “pimenta” e menos limpeza nos citados vocais ou timbres de guitarra, por exemplo. Não pretendo avançar numa pesquisa pela discografia da banda, mas, num geral, aprovo a escolha, uma boa indicação para neo progressivo pós anos 2000, sem dúvida. 

Eduardo Schmitt: Que baita álbum. Vou começar com a impressão derradeira sobre o álbum. É isso exatamente o que eu espero de uma banda de rock progressivo. Boas doses de técnica musical sem exageros desmesurados, com teclados comportados, sem dominar o panorama sonoro, “hooks” interessantes, ausência de “baladosas” choraminguentas, putz o pacote completo. Parabéns a esta banda nascida na “Bay Area” e que eu, desgraçadamente, nunca tinha ouvido falar. Todos os músicos fazem um excelente trabalho, se destacando cada um a seu modo, na medida certa, isso inclui o vocalista Ted Leonard, que possui uma voz que se encaixa perfeitamente no estilo musical e no disco. A sonoridade do álbum me lembra um pouco de Leftoverture, do Kansas. Talvez o único senão do álbum é a “inspiração demasiada” em Xanadu, no riff inicial da música de abertura. Colocar esta música como música inicial do álbum teria sido intencional, como homenagem ao super trio canadense? Pra finalizar quero destaca o baix em “Shell of a Man” e baita solo no final de “Broken Wave”. Quero conhecer mais dessa banda. Já!

Flávio: Outra banda que eu já conhecia, o Enchant no seu quinto disco faz um ótimo trabalho de rock neo progressivo, resgatando o retorno do estilo Pai que voltara no início dos anos 1980. As influências notórias de Genesis e Marillion estão lá, com som leve, cadenciado harmônico, e passagens típicas de progressivo enfatizando a melodia, normalmente bem ajustada nas passagens de guitarra de Doug Ott. O vocal agradável de Ted Leonard soa às vezes um pouco repetitivo, mas é uma boa marca para a banda, bem sintonizado com o estilo. O disco cansa um pouco no final, devido a sua longa duração, porém tem atributos para boa apreciação dos fãs do rock progressivo em geral. Boa indicação.

José Paulo: Mais um grupo que não conhecia, porém tentei encaixá-lo dentro algum estilo musical e fiquei em dúvida, inicialmente achei que seria um metal progressivo, mas agora penso que esta mais para o rock progressivo mesmo, adotado por grupos como Galadriel ou Ricochet. O que, pelo menos para mim já foi muito bom, pois antes de ouvir o disco estava esperando algo na linha de um Magellan ou Shadow Gallery, que não me agradam muito, pois são aquelas típicas bandas que fazem tudo certo, tocam, gravam e compõem tudo perfeitamente, mas que no final acabam soando chatas. Pelo menos neste trabalho o Enchant está longe disso, Juggling 9 or Dropping 10 tem algo a mais: é cativante! Procurando mais elementos sobre a banda, descobri que já tinha visto algumas das capas de discos lançados, mas que por algum motivo, até então não tinham chamado minha atenção, mas a mais relevante das informações é que Steve Rothery, guitarrista do Marillion, participou do primeiro disco, A Blueprint of the World. Como podemos esperar de músicos que se arriscam por esse estilo, são todos excelentes instrumentistas, composições, arranjos e timbres de extremo bom gosto, solos de guitarra muito bem elaborados como em Broken Wave por exemplo. Ótimos vocais e melodias vocais, que às vezes me lembram, guardadas as devidas proporções, o Fates Warning do início dos anos 90, como na faixa “Juggling Knives”. Os destaques vão para a interessante capa e as músicas “Rough Draft” e “What to Say”, além das outras duas citadas acima. No final o resultado é muito bom e vale ser conferido com mais atenção, o que certamente irei fazer em um futuro próximo.

Kelsei: Conheci essa banda quando me mudei para São Paulo, em 2005. Comentava com o pessoal do trampo que eu gostava muito de Dream Theater e um cara me apresentou então três outros grupos: Camel, A.C.T. e Enchant, esse último que trouxe para a edição de 2000! Progressivo para iniciantes, sem virtuosismos e tempos matemáticos complexos. O álbum tem audição fácil, daqueles que não encontro uma música chata do começo ao fim. Minha única negativa é que a maioria das músicas é montada sobre a mesma estrutura, o que, por se tratar de uma banda de progressivo, poderia ter umas quebras mais ousadas em alguns momentos. Ahh sim, desconsidere a piadinha de duplo sentido na capa com o título do álbum …


Gov't Mule - Life Before Insanity

Gov’t Mule – Life Before Insanity

Sugestão de: Eduardo Schmitt

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Alexandre: Eu ouvi o primeiro Govt Mule, de 1995 e foi uns dos álbuns que avançaram para mais audições. Cabe aqui uma reflexão e um ponto de questionamento por ser em verdade um projeto de músicos já tarimbados, não sei se é bem o propósito. Independente disso, não há o que questionar deste trabalho e imagino, embora não conheça o restante da obra da banda, que há bastante coisa boa e uma certa coesão no desenvolvimento do estilo southern que o projeto carrega do Almann Brothers, banda clássica de onde vieram os donos aqui. A questão (da coesão dentro do estilo) traz prós e contras. Se é um saudável revival e atrativo para os fãs do estilo mais específico, é também um certo desmotivador para quem não é tão fã assim, mesmo gostando do gênero e trabalho apresentado. Se não houver um gancho muito forte em várias das canções, a avaliação final pode ficar em uma saudável admiração sem maiores consequências. E é exatamente essa a minha análise. Excelentes e experientes músicos entregando um trabalho de qualidade que não avança no meu gosto musical mais pessoal. No meio disso tudo, há sim como destacar “Fallen Down”, bons teclados, ótimo gosto no solo e a parte do meio de “No Need to Surfer”, espetacular baixo e outro ótimo solo, com bastante espaço. Outra forte faixa, de vocal de acento soul e trechos quebrados é “Wandering Child”. O grande destaque, por fim, vai para a faixa título, que é um dos maiores exemplos que recentemente ouvi de uma bela escolha do uso do efeito rotary-leslie speaker nas guitarras. 

Eduardo Schmitt: Terceiro álbum da banda que contava, naquele momento com Warren Haynes, nas guitarras e vocais, Matt Abts na bateria e Allen Woody no baixo. Este seria, aliás, o último trabalho de Woody, que viria a falecer nesse mesmo ano de 2000, com apenas 44 anos de idade, de uma overdose de cocaína… Os músicos das cordas (Haynes e Woods) tiveram passagens pela The Allman Brothers Band, que pode ser considerada, inspiração e “ponto de partida” pra banda. A sonororidade do álbum remete, é claro, para o Southern Rock, mas chama a atenção o foto de, ao contrário dos seus “padrinhos”, Govt Mule possui tão somente 3 membros, contando com a participação de alguns músicos extras, deva-se dizer. Merece destaque nesse ponto a contribuição nos vocais e Lap steel de Ben Harper, em “Lay Your Burden Down”. Devo confessar que a guitarra slide, usada em diversas canções assim como o timbre de voz de Haynes, caem bem no meu gosto musical, deixando a audição muito prazeirosa. Se destaca também, nas faixas “Fallen Down” e “World Gone Wild”, a sonoridade dos teclados, “a la Hammond” – sensacional. Até mesmo as músicas de andamento mais lento – as temidas <para mim> baladas – conseguem manter um alto nível, tendo em vista seus arranjos engenhosos. Enfim, uma grande pedida.

Flávio: Bom eu já conhecia a banda do álbum de 1998 (Dose) e já gostava do estilo hard country que é novamente trazido aqui. Como um projeto filho bem sucedido da banda mãe (Allman Brothers), a banda traz em Life Before Insanity um álbum bem coeso com a mistura dos elementos mais pesados de um blues rock, se aproximando de um bom representante de hard rock e aqui não há erro, com o ótima performance de Warren Haynes (vocal totalmente encaixado no estilo) e a cozinha na base intrucada e excelente de Allen Woody e Matts Abs, o disco passa faixa a faixa sem dificuldades. Apesar de longo, não cansa em momento nenhum. Todas as faixas são recomendáveis, mas destaco a linda faixa título.

José Paulo: Pela capa e a introdução da faixa inicial “Wandering Child”, já imaginei que poderia ser algo meio “modernoso”, ainda bem que a primeira impressão estava errada! Grata surpresa, desta banda eu nunca tinha ouvido nada, nem sabia do que se tratava. O vocal foi a primeira coisa que me chamou a atenção, me lembrava alguma coisa que já tinha ouvido antes, resolvi pesquisar e me surpreendi mais ainda, participam da banda Warren Haynes e Allen Woody, do The Allman Brothers. Confesso que não entendo muita coisa de Southern Rock, mas é um estilo musical que me agrada bastante. No início do disco, a pegada mais Hard me lembrou um pouco o Bad Company, principalmente em “Lay Your Burden Down” e na faixa título. Até cair em “Fallen Down”, puro Southern Rock, linda!!! Despois o nível da uma caída, até “I Think You Know What I Mean” que volta a me lembrar Bad Company e depois voltar para o Southern Rock em “No Need To Suffer” e “In My Life”. Life Before Insanity é um disco muito bom, com vocais fenomenais e belas guitarras, uma produção/gravação cristalina que abrilhanta ainda mais o trabalho.

Kelsei: Quando ouvi Life Before Insanity tive a certeza que valeu a pena insistir nesse projeto! Daqueles álbuns que dá para deixar tocando o dia inteiro. Pegada bluezeira, muito feeling e vocal com presença! Discaço!


Within Temptation - Mother Earth

Within Temptation – Mother Earth

Sugestão de: Eduardo Rolim

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Alexandre: Considero essa banda já consolidada dentro de um estilo que não me agrada. E o álbum em si, mantendo todos os pilares do gênero, teclados em estilo de coral (um dos sons mais clássicos do Mellotron) e guitarras em bases que simplesmente acompanham tais teclados, enterrado e calcado em influência clássica e o inevitável vocal operístico, não me agradam, mas isso é questão de gosto. Ainda assim acho este Mother Earth uma inegável evolução se comparado ao Enter, de 1997, que ouvi para os álbuns da consultoria. Os destaques, pra mim, estão onde o som sai que seja um pouco do óbvio. Em especial, “Never-ending Story” deixa as guitarras de lado, aposta em um arranjo com baixo soando como fretless, fora do estilo do álbum. Isso é uma reflexão clara de que não gostei do trabalho, me soando como tudo que já conheço e não aprecio do estilo. Em “The Promises”, os ótimos vocais me chamaram a atenção, “Our Farewell” é outro perfeito exemplo da ótima voz de Sharon den Adel. Dentro do estilo mais próprio, a faixa título tem um refrão poderoso. “Ice Queen”, um propalado clássico do conjunto, é indicado aos que gostam do estilo, não pra mim. Como conclusão, entendo que a indicação é correta para os apreciadores do gênero, uma boa entrada. Eu passo.

Eduardo Schmitt: Apesar de nunca ter me detido em escutar esta banda, sempre tive a impressão, dessas que a gente “pesca” no ar, que Within Temptation fosse uma banda de Doom Metal. Mas se é pra encaixar em alguma destas categorias, poderia qualificar a banda, ou ao menos, este álbum de symphonic metal. Neste álbum, a banda alemã encaixa harmonias complexas, usando sonoridades folk/celtas com o uso de sopros, flautas, coros etc. Segundo me informei, o filme Coração Valente teria sido um inspirador para o álbum, mas confesso que não vejo muita conexão entre um filme que é tão adrenalizado, com este álbum, que me parece muito tranquilo pra que se possa traçar um paralelo. Para o meu gosto, as orquestrações foram demasiadas. Algumas vezes me parecia estar ouvindo um soundtrack de filme da Disney… Frise-se que algumas vezes a combinação das orquestrações com elementos folk/celtas e algum riffs mais pesados funciona bem, como em “Mother Earth”, “Ice Queen” ou “Dark Wings”. Já “Our Farewell” descamba para uma simples balada pop, totalmente esquecível. Pode-se dizer que a banda e as orquestrações são um trampolim para as proezas vocais de Sharon Den Adel, e realmente ela tem uma bela voz, mas não o suficiente para segurar a atenção em um álbum, como faz, por exemplo, Tarja Turunen no Nightwish. Ao final, tudo se resume a avaliação das orquestrações arranjadas para a maioria das músicas. São diversas camadas de coros, teclados, sopros que se superpõem e sobrepõem aos outros instrumentos da banda. Alguém aí lembrou da Enya?

Flávio: Um ótimo representante de metal sinfônico e suas vertentes celtas, florestais, agropecuárias, capa e espada, anéis, igrejas e aqueles trecos todos. Não é minha praia ficar ouvindo uma mistura de guitarra power metal, com teclados que imitam sons orquestrais e corais medievais e a “Sandy” cantando trechos líricos. Para os adeptos um prato cheio, ouçam, vendo a trilogia Sr. Dos Anéis. Para mim, desculpem, estou fora.

José Paulo: De todos os discos sugeridos, inicialmente esse Mother Earth talvez tenha sido o que menos me despertou vontade de ouvir, pois de início pensava que já era uma fórmula desgastada, mesmo que na época do lançamento o Symphonic Metal com vocais femininos vivia o início do seu ápice. Também, acho que de todos os discos propostos aqui, esse deve ter sido o que mais obteve sucesso comercial o que é absolutamente justificado, já que o Within Temptation faz um som limpo e acessível, com melodias marcantes, uma vocalista afinadíssima e gravação cristalina, tudo muito bem feito e pensado, inclusive a escolha das músicas de trabalho: “Ice Queen” e “Our Farewell”. De certa forma me surpreendi com a banda, pois esperava encontrar algo na linha de grupos como Theatre of Tragedy ou Tristania, felizmente estava mais uma vez enganado. Musicalmente os holandeses seguem uma linha um pouco mais acessível que o Nightwish, como podemos ouvir em “Dark Wings” ou na faixa título, em alguns momentos até me lembra Blackmore’s Night quando este se envereda por um lado mais Pop, como em “In Perfect Harmony”, por exemplo. O resultado acaba sendo positivo, agradável de se ouvir, com ótimas melodias e arranjos, mas que às vezes cansa um pouco, o que não deixa de ser algo normal dentro do estilo.

Kelsei: Bela capa hein! Só que não! Foi com Mother Earth que o Within Temptation começou a moldar seu Metal Sinfônico, saindo da linha de seu debut, que tinha um cara fazendo vozes guturais em contrapartida da afinadíssima Sharon den Adel. Eu gosto de algumas coisas dessa banda, mas de fases mais maduras. Nesse álbum, apesar de termos a aceitável “Ice Queen” (que acabou se tornando a “Fear of the Dark” deles), a maioria do álbum não se sustenta. A voz de Sharon acaba sendo o instrumento principal e, quando ela pára de cantar, os demais instrumentos não se tornam protagonistas. Só para fãs do estilo.


Orange Goblin - The Big Black

Orange Goblin – The Big Black

Sugestão de: Flávio Remote

Ouça você também:

Alexandre: Doom metal monolítico onde os primeiros minutos chamam a atenção e até agradam pelos riffs e peso, mas há pouquíssima variação e uma distância astronômica da banda que os devem ter influenciado, de forma mais principal, o Sabbath. O vocal é um outro ponto fraco e o que se salva são os raros momentos mais calmos e onde há menos pancadaria arrastada. O final do álbum, no fim da faixa título, traz um raro trecho de harmonias de guitarra que fez falta durante o resto dos pouco mais de 43 intermináveis minutos. Só pra aqueles que curtem o estilo Doom. A banda está em ativa, tendo lançado um álbum de 2018. Não me passou vontade em conhecer os demais trabalhos. Esse eu passo longe.

Eduardo Schmitt: O álbum começa com uma energia impressionante, que dá bem o recado do que compõe o álbum como um todo. Penso que este álbum seja um exemplo bem-acabado do que seja o estilo chamado Stoner Metal, bebendo direto da fonte do venerado (com todo merecimento) Black Sabbath. O guitarrista faz uso intensivo dos efeitos wah-wah e mostra bons solos. Aliás, me parece impossível não lembrar de Motorhead, mas vejo maior apuro técnico nessa banda, especialmente em músicas como “Quincy, The Pig Boy” e a faixa título. Confesso que, como costumeiro no estilo, entendo a interpretação vocal, um pouco relaxada/debochada demais para meu gosto. Não ajuda nada a mixagem do disco, que afunda a voz no meio dos instrumentos. Mas tirando este detalhe o álbum passa muito bem pela audição.

Flávio: Bom, a impressão inicial de um bom representante e herdeiro de Black Sabbath que se vê na faixa inicial e até na segunda música se esvai gradativamente quando o tom e o vocal no limite da afinação se perdem e o instrumental monótono também não ajuda. Daí em diante, entendi que o som se afastara da minha ideia inicial e se encaixava num tal de “stoner metal”, e a propósito foi ótimo captar a idéia desse estilo, mas foi uma grande tortura chegar ao final deste disco.

José Paulo: Em contrapartida ao disco anterior, de toda a lista este era o disco que mais tinha curiosidade de ouvir, pois li ótimas resenhas sobre os primeiros trabalhos da banda. O Stoner Metal dos ingleses é denso e pesado, ao contrário de alguns grupos como o também inglês Cathedral, que acabam entediando um pouco o ouvinte com seus temas extremamente arrastados; porém, esse do Orange Goblin prende nossa atenção do começo ao fim, com músicas simples e diretas, onde as guitarras e seus riffs arrebatadores abrilhantam ainda mais o trabalho. Apesar de ser criado em meados dos anos 90, o som feito pelo Orange Goblin nos remete imediatamente a duas excelentes bandas da N.W.O.B.H.M., Witchfinder General e Desolation Angels, misturadas com doses cavalares do Hard/Heavy setentista. De início, talvez as músicas que mais me chamaram a atenção sejam um exemplo disso, “Quincy The Pigboy” que nos lembra Motorhead e “Hot Magic, Red Planet”, que já na introdução de bateria indica que ouviremos algo linha do Black Sabbath da fase Ozzy. Com toda a certeza, esse The Big Black me fez prestar muita atenção na banda, agora é sair correndo atrás de todos os outros CDs, espero que sejam tão bons quanto esse!!!!

Kelsei: Algo nesse álbum não desceu. Não sei se foi o som “mascado”, como se tivesse um PA com defeito, ou então um certo desequilíbrio no trabalho de mesa, como se houvesse uma diferença de volume entre o vocal e a resto da banda. Mas o instrumental é bom! Durante a audição eu lembrei do álbum LULU, do Lou Reed. Não que eu queira fazer um comparativo entre álbuns, mas lembrei de uma piada que eu fazia com alguns amigos quando esse álbum saiu, pois a semelhança da piada encaixou aqui: pensei nos instrumentistas conversando entre eles, do tipo “Ei, o que esse cara tá falando no microfone?!” e um outro responde, “Sei lá, mas continua tocando! O som tá legal!”.


Faltou algum álbum em 2000? Gostou de alguma coisa? Odiou também? Quer participar de próximas edições? Deixe nos comentários!

Até a edição de 2001 pessoal! Espero que amigos que faltaram aqui em 2000 apareçam!

Beijo nas crianças!

Kelsei Biral



Categorias:Artistas, Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas

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4 respostas

  1. Kelsei, vendo a sua ideia de dois podcasts atrás tomar formato foi uma agradável surpresa! Eu tinha de cara apoiado o projeto , mas agora ao ver publicado entendo de forma mais plena o que ele se tornou e ficou muito legal. Desta leva acima, o melhor é ler os ótimos comentários, independente de quem gostou ou não das escolhas. Da minha parte, eu fiquei ainda com uma sensação de que faltou um pouco ao material, mas já me empolgo em pensar nos próximos anos e quem sabe dar de cara com ótimos exemplos desconhecidos.
    O único problema neste momento é que já comecei a ouvir as escolhas de 2001 e devo ter começado com o pé esquerdo, pois o primeiro disco pinçado é de doer…..

    Valeu!

    Alexandre

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  2. Confesso que inicialmente tive muita dificuldade com essa “tarefa”, pois pelo menos pra mim, é uma nova forma de ouvir música e quase sempre me pegava distraído enquanto o álbum tocava já pela metade, então tive que me esforçar um pouco mais, mas no final foi algo bastante prazeroso.
    Analisando agora a totalidade do post, noto que dos seis discos propostos para a audição, todos são bem diferentes entre si, o que já foi bem legal. Primeiramente fiquei em dúvida qual disco indicaria e o preterido foi o da banda Lotus, ainda bem, já que o som desse grupo segue a linha Stoner do Orange Goblin. Também bem desigual e justamente por isso, muito interessante, é a opinião de cada um sobre os álbuns, apesar de gostarmos do mesmo tipo de música, nem sempre as opiniões sobre ela são semelhantes.
    Outra coisa que gostaria de destacar é a importância deste post, com toda a certeza todos os discos propostos foram muito agradáveis de serem ouvidos, em termos musicais não houve sacrifício. É logico que alguns apreciei mais que outros, mas a melhor parte é que tive a oportunidade de conhecer grupos que possivelmente passariam em branco se não houvesse um post como esse. Com toda certeza irei atrás da discografia de pelo menos dois: o Enchant e o já citado Orange Goglin, que de todos foi que mais me agradou!!! E olha que são dois sons bem distantes entre si!
    Mais uma vez gostaria de agradecer ao Kelsei pela ótima iniciativa e dizer que valeu muito a pena ter escutado todos esses álbuns. E se o objetivo do post era apresentar alguns grupos que possivelmente não ouviríamos em outra ocasião que não essa, pelo menos pra mim já foi alcançado, hoje posso dizer que conheço um pouco mais do que antes. Que venha 2001!!!
    Um abraço.

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  3. Muito legal a lembrança ao Within Temptation em 2000 e à audição do Enter naquela matéria do Consultoria (foi na minha lista, né?). Talvez o disco que vocês mais irão gostar da banda seja o de 2011, que é bem veloz e pesado.

    Em relação ao ano de 2000, eu sugiro uma olhada na banda Disturbed, que estreou com The Sickness. Tenho a impressão que essa banda não faz muito sucesso aqui no Brasil, mas se vocês olharem os números, verão que ela teve 5 álbuns consecutivos no #1 da Billboard, algo que só o Metallica e a Dave Matthews Band fizeram (até onde me recordo). Eu gosto deste primeiro álbum e principalmente do Indestructible (2008, tracklist impecável do começo ao fim); o restante da discografia eu julgo ser irregular, mas vale a pena conferir também o Ten Thousand Fists (2005), que contém um cover excelente de “Land of Confusion” do Genesis.

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