Seria o gigante Kiss o maior responsável em lançar outros gigantes?

Falar de Kiss por aqui com as excepcionais “sombras” de B-Side, Remote e Rolf é uma enorme responsabilidade, sem contar o JP… vamos ver o quanto consigo e claro que eles vão dar um show por aqui daqui a pouco, seja no post e/ou nos comentários…

Saindo mais um post do baú das pendências, um certo dia esse tema veio à cabeça: qual banda mais “lançou” ou deu suporte a outras aparecerem ao mundo para depois ganharem seu espaço? O nome do Kiss foi o primeiro à mente e, em um esforço puramente mental e sem pesquisa, não consegui pensar em outro mais relevante (sem nenhuma pesquisa).

Então, antes de trazer os nomes que foram “supporters” do Kiss desde a década de 1970 (e é certo que alguns ainda ficarão de fora da lista), fica a pergunta inicial: conseguem pensar em alguma outra banda tem MAIS nomes em seu CV do que o Kiss neste contexto (que não é de simplesmente sobre o número absoluto de bandas que abriram shows, mas sim o suporte inicial, ou seja, bandas que na sequência ganhariam o mundo)? O Ozzy é outro nome forte? Quem mais pode entrar nesta briga?

Voltando assim ao Kiss (ou, se quisermos ser ainda mais precisos, é claro que estou falando de Gene e Paul na liderança, algo que eles não economizam em se gabarem (com razão, para mim, neste caso), a lista completa de bandas “lançadas” pode, obviamente, ser visualizada em detalhes a cada post da sem-igual-por-aí Discografia Kiss. Mas vamos a alguns destes principais nomes abaixo:

  • 1975: Rush – ano crucial para ambas bandas, com o Kiss conseguindo sua sobrevida com o lançamento de seu primeiro ao-vivo, Alive I, e o Rush com Neil Peart dando as caras do que viria. De banda que tocava para 3.000 a 5.000 pessoas, o Kiss passaria a tocar em estádios. Há de se destacar a camaradagem das 2 bandas no backstage, algo comentado até hoje por seus líderes, ainda das diferenças entre o “estilo” do backstage para ambas (Kiss no “rock and roll all nite and party every day” e o Rush mais “na dele”).
  • 1976: Tom Petty, Uriah Heep, Bob Seger, Scorpions, Ted Nugent – uma doideira essa lista, de diferentes estilos. Os Scorpions trouxeram o Virgin Killer e sua capa de dar inveja ao linguaruda em termos de controversa e, em uma correção do mestre Alexandre, o poder da banda ao inverter 2 anos depois o fato de ser headliner em uma tour com o B.O.C..
  • 1977/1978: mais Ted Nugent, Monstrose (Sammy Hagar), AC/DC: “cê é loko, cachoeira”… Nuge se daria bem na temática festas e mulheres que o Kiss sabia e liderava tão bem. O Red Rocker, por sua vez, estava tentando se mostrar ao mundo como um “bad *ss” também – enquanto uns “certos holandeses” também já ficavam de olho para alguns anos depois. Mas a lista desta fase tem simplesmente o AC/DC, e aí fica realmente difícil não dar o merecido destaque. O AC/DC já tinha impressionado o mundo com o Sabbath, Aerosmith e mesmo com o BÖC, mas foi com o Alive II que a coisa foi elevada a uma certa voltagem (não segurei o trocadilho – me apressei, Rolf).
  • 1979: Judas Priest – o ano que marcaria o nascimento da famosa NWoBHM. Enquanto o Kiss ia para o lado mais “disco”, moda da época, com I Was Made For Lovin’ You, entre outras do Dynasty, o Judas lançaria no ano seguinte o mandatório British Steel.
  • 1980: Iron Maiden – fica até difícil falar algo mais que já não esteja aqui e aqui. Só destacar realmente que o mundo ganharia estava ganhando simplesmente o Iron Maiden, o Eddie, que logo se transformaria em algo teatral (inclusive), algo que o Kiss fazia (faz) como poucos. Outro triunfo que o Kiss pode falar de boca cheia e que de certa forma influenciou a banda a levar seu som de novo ao metal com o Creatures.
  • 1983: Mötley Crüe – o Kiss faria sua primeira tour sem maquiagem, com o alavanqueiro e com o saudoso Eric Carr, trazendo a sensação de Los Angeles para abrir seus shows, algo que voltaria a se acontecer e pude estar lá. O Crüe vinha com seu matador Shout At The Devil – lugar certo, hora certa. Dá para imaginar a zona que era isso em 1983? Além de tudo, dá para dizer que o Kiss esteve na vanguarda em suportar o hair metal…
  • 1984: Bon Jovi – de New Jersey para o mundo, e na onda do glam metal com Twisted Sister, Poison e a banda citada de 1983 aqui, Bon Jovi já nasceria grande e preparado para a fama.
  • 1987/1988: Anthrax e Guns N’ Roses: enquanto Ozzy e CIA tinham acertado na mosca em trazer o MetallicA com o Master em 1986, o Kiss rebatia trazendo o Anthrax (que logo abriria para o MetallicA também), conterrâneos da Big Apple, e um certo nome que assombraria o mundo vindo do outra costa americana. A loucura e a energia que o Guns traria no que eu considero o melhor álbum debut de todos os tempos é algo que quem pode ver, deveria ter um monumento comemorativo em casa…
  • 1996: Alice In Chains e Rage Against the Machine: enquanto o grunge, de certa maneira, bebia um pouco da “fonte Kiss” – afinal, até o principal nome em termos de fama gravou cover (Nirvana com Do You Love Me?), ou ainda a voz e Eddie Vedder para Goin’ Blind, veio de Seattle o novo acerto do Kiss, trazendo o Alice. O segundo nome de peso é Tom Morello e CIA, que, em 2014, faria o speech no Rock And Roll Hall Of Fame.
  • 1999: Rammstein – gosto (bem) à parte, e desta vez com a presença deste que vos escreve no lotado (e depois gelado) Autódromo de Interlagos, a tour que trouxe de volta a formação original do Kiss e uma pirotecnia sem igual, trouxe este nome que viria a ganhar sua relevância. Enquanto o Kiss falava de sexo, os caras fizeram algo meio bizarro no palco, mas deixa isso para lá…

Cabe, obviamente, a honrosa menção aqui ao Van Halen, já que Simmons foi fundamental em poder “lançar” a banda – e o nome dele é o primeiro que aparece na sessão de agradecimentos do VH1, a propósito. Assim, ainda que nunca tenha aberto para o Kiss, há de se destacar como Gene foi fundamental para a banda entregar seu primoroso álbum de 1978 ao mundo.

Especialmente na década de 1980, Paul e especialmente Gene também se envolveram com diversos outros nomes, que não necessariamente abririam para o Kiss, mas cuja ajuda foi fundamental para ganharem tração. Deixo também aqui aberto a comentários para incrementar as curiosidades por aqui. Um deles, por exemplo, é este.

E, para não passar em branco, deixo aqui uma pergunta aos gêmeos ou quem tiver mais informações: para quem o Kiss chegou a abrir em seu início?

Agora é com vocês… alguém supera o KIϟϟ nesta?

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categorias:AC/DC, Alice in Chains, Anthrax, Artistas, Backstage, Curiosidades, Entrevistas, Guns N' Roses, Iron Maiden, Judas Priest, Kiss, Mötley Crüe, Rush, Scorpions, Uriah Heep, Van Halen

4 respostas

  1. Bem , antes de tudo o post é muito legal e traz uma ideia bastante criativa não explorada no blog, ao que me parece.
    Acho que se o KISS não foi a maior incentivadora das bandas iniciantes, certamente esteve entre as maiores. Além disso, Gene Simmons deu uma força ao Van Halen e produziu bandas que, mesmo sem terem chegado muito longe, devem ter ficado gratos ao linguarudo. Por exemplo o Keel ou o Black and Blue, de onde saiu o atual Ace Tommy Thayer.
    Há uma curiosidade e talvez um ajuste a ser feito na questão do B.O.C. O Kiss em 1974 abria os shows da banda e acabou roubando a cena da atração principal, assim consta dos relatos das principais reportagens da época. E em cerca de 2 anos depois, na tour do Destroyer, o B.O.C. acabou invertendo a ordem com o KISS , já que os mascarados estavam em plena subida da montanha russa do sucesso e não cabiam mais como atração de abertura.
    Além disso, posso incorporar ao texto algumas outras bandas que me vieram à lembrança aqui , trazidas pra abrir os shows do KISS : Na perna norte americana da tour de 1984 ( Animalize), nada mais nada menos que Dokken, WASP ( na tour do primeiro álbum) e Queensryche ( na tour do primeirão e fantástico álbum The Warning) , entre outros, também estavam ali , aliás três bandas que tinham o que mostrar naquele ano sensacional para o metal que foi 1984.

    Eduardo, muito legal o post , já posso passar tranquilamente o legado de conteúdo KISS para ficar em suas mãos.
    Mas antes, que tal avançar numa certa discografia ????

    Saudações,

    Alexandre

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  2. Excelente e não podemos esquecer o Herva Doce abrindo para o Kiss no Maracanã.
    Acho que nesse ponto lembro de nenhuma crítica negativa à Banda, coisa comum “nowadays”.
    Acho que foram grandes catapultores dessas bandas, e o Gene ainda tem crédito de ter trazido à tona nada mais nada menos que o Van Halen.
    Lembro de ter visto em entrevista que o Kiss chegou a abrir para o Bob Seger e um ano depois a coisa se invertera.
    De qualquer forma, “Hats Off” para os mascarados.

    Olha o Herva Doce aí…

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  3. Excelente, B-Side e Remote – sobre o primeiro, texto ajustado – só aprendo… sobre o segundo, vale, e muito, a curiosidade nossa, hehehe…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Eduardo muito pertinente o seu post, já que eu nunca tinha pensado sobre esse assunto. Mas antes de qualquer coisa, se você me permite, gostaria de corrigi-lo: apesar de me sentir lisonjeado com a lembrança, não há comparação entre mim e as “feras” Alexandre, Flavio e Rolf, eles estão incontáveis quilômetros de distância a minha frente.
    Mas voltando ao excelente post, particularmente nem sabia que tantas bandas que hoje são gigantes haviam sido bandas de abertura para o Kiss, o que é absolutamente justificado.
    Então se seguirmos essa linha de pensamento e lendo todas essas informações, acredito que o Kiss seja mesmo o grupo que mais teve nomes de peso como bandas de abertura. Se formos contar outros grupos de porte médio, nem se fala a tamanha a quantidade.
    O Alexandre contribuiu citando vários outros nomes, mas como não sou especialista no assunto, se não me engano li em algum lugar em alguma época que o Skid Row também abriu alguns shows do Kiss, porém não sei afirmar se isso realmente aconteceu ou se estou confundindo alguma coisa.
    Um abraço.

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