Novidades HM – Ano 2006

E chegamos no nosso sexto episódio! 2006 foi ano de Copa do Mundo. Foi ano de reeleição eleitoral aqui no Brasil. Mas o ano também foi cheio de lançamentos musicais, incluindo novidades que, nessa série, colocamos em pauta, sempre na melhor qualidade Minuto HM.

E sem delongas, vamos às resenhas, com os álbuns sempre ordenados em ordem alfabética de banda. E não fique só nas opiniões dos nossos analistas! Ouça os álbuns e aprenda mais! Nos comentários, coloque suas indicações, seus pitacos ou então se voluntarie para participar das resenhas. Todos são sempre bem vindos! Nessa edição, o nosso presidente, Eduardo Rolim, apareceu e resenhou dois álbuns. Vamos bater a meta e, depois, vamos dobrá-la!

E, meu Deus, como eu preciso de um show! Onde está você na fila da vacina?!


A Band Called Pain Broken Dreams

Sugestão de: Alexandre B-Side
Ouça você também (não tem o álbum todo no Youtube, então fica uma referência):

Alexandre: Menos às vezes é mais. E olha, eu considerei a banda com um álbum de estréia bem interessante. Uma mistura de Soundgarden e Alice in Chains com o pai de todos, Sabbath, aqui em especial nos riffs e timbre de solos. O guitarrista Shaun Biven usa invariavelmente pedal wah wah em quase todas as canções, referência direta do mestre Iommi. Falando em riffs, há vários deles bem inspirados, como na faixa título. Allen Richardson, ainda que me lembre de longe Jeff Scott Soto, traz um vocal de característica própria, foge de uma imitação descarada de alguma maior influência. A cozinha não compromete, apesar de eu encrencar um pouco com o som da caixa. O grande problema do álbum é o exagero de faixas e duração do mesmo. É quase impossível não citar que por esse fato Broken Dreams torna-se um tanto cansativo, faixas em demasia. O disco vai muito bem até a faixa 9 (County Line), depois vai caindo e pelo menos ali depois das faixa 12 quase se torna mais do mesmo. Isso por que, para contrariar essa sequência de quase 5 músicas dispensáveis, há All Over Me, uma espécie de hard rock que quase fecha o álbum e cheira como uma faixa bônus deslocada do resto. E além de deslocada, também não acrescenta muita coisa, embora não seja exatamente algo desprezível. Assim, entendo que eles teriam entregue algo de melhor e mais coeso se tivessem enxugado um pouco no tamanho final do álbum. E apesar do nível muito bom das canções iniciais, não há um grande destaque. Ainda assim, ficou uma boa impressão e a vontade de conhecer mais do conjunto. O problema é que a carreira deles é bastante errática desde então, e embora eles tenham ensaiado um revival recentemente, não há muito o que ouvir além deste Broken Dreams na discografia.

Eduardo Schmitt: Essa banda, formada na Bay Area de São Francisco, apresenta um legítimo exemplar de banda moderna de heavy metal tradicional, incorporando alguma sonoridade mais moderna do estilo. Arranjos, componentes, todos funcionam como uma máquina bem azeitada. Em “The War Song” se nota uma certa inspiração em One. Realmente é um álbum muito forte, mesmo para quem, como eu prefere uma sonoridade mais “para trás”.

Flávio: Aqui começa com Holy, o que denota uma das tônica da banda: um Heavy Grunge ou Groove Metal, lembrando fortemente uma mistura de Soundgarden ,talvez mais pesado, e, em alguns momentos, até Pantera. Bem produzido, com vocal forte, sem os agudos do vocalista da banda grunge mãe e músicos competentes, a bolacha não decepciona para quem gosta do estilo, mas não admite muitas variações nessa estréia. O album é longo; tem 17 musicas e segue em andamento primordialmente mediano cadenciado, exceto em algumas com trechos mais leves como All Over Me ou mais acelerados, como em Freedom Ain´t Free. Se não há grandes destaques (talvez a faixa título) também não temos pontos baixos: bons refrões, reforçados por vozes duplas graves, muito pontualmente guturais ou rasgadas e recheados de contracanto. Há wah-wahs em boa parte dos solos e a caixa bem fechada que vai mantendo a pegada necessária para o estilo. Apesar de tudo certo, a única coisa que novamente me chama à atenção é: será que a ideia é sempre reviver os estilos que estão consagrados?

José Paulo: Quando vi o nome do grupo e do álbum, logo imaginei ser algo na linha de um gothic/atmospheric rock/metal, mas, assim que começou a primeira faixa, “Holy”, notei que estava bem enganado nas minhas expectativas. Para o meu desespero, tome mais grupos influenciados pelo Metal Alternativo Americano e o pior de bandas como Soundgarden ou Alice in Chains. Resultado: um impressionante número de 17 músicas e incríveis 74 minutos de um som abafado e sujo, com vocais e melodias monótonas e sem graça e muito, muito pedal wah-wah para encher o saco. Só fui encontrar alguma coisa mais ou menos um pouco interessante, um pouquinho só, no riff inicial da sexta faixa, mais conhecida como Broken Dream, e foram apenas 20 segundos, a partir daí, foi mais do mesmo. Para piorar, bem mais para frente tem outra “pegadinha”, uma tal de “Freedom Ain’t Free” que começa até legal e continua assim até o vigésimo quinto segundo, se transformando em uma das músicas mais insuportáveis do disco. Daí para frente, sem mais surpresas, ainda bem! Ou seja: tudo continuou ruim, como sempre foi desde o início: sem graça, sem cor e sem brilho. Horrível ainda é elogio para esse disco.

Kelsei: Um álbum bem x=1: uma linha reta, que não é nulo nem negativo, mas que não tem oscilações com maior valor. Se ouvir algumas das dezessete faixas, você já saberá do que se trata todo o álbum. Antes de dar o play, eu pensava que seria algo na levada do P.O.D., devido à foto da banda na capa, mas não. Tenho um pouco de dificuldade de rotular esse som. Algumas passagens são bem Alice in Chains, mas, mesmo com um som pesado, não é algo sujo como é o Grunge nem é moderninho e cheio de efeitos para um post-grunge. O vocal tem um assinatura própria nas canções e tem alguns destaques, como em The War Song e Walk Away, mas não há tonalidades altas, mesmo com dobras de vocal em algumas canções fica uma dobra grave. Como é um álbum longo (uma hora e quinze minutos), a coisa cansa um pouco, pois a cozinha é bem igual, nem toda faixa tem solos e as canções não tem quebras de tempo. Mesmo assim, não chegou a me incomodar! Ouça-o.


Black Stone Cherry Black Stone Cherry

Sugestão de: Kelsei
Ouça você também:

Alexandre: Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha parado para ouvir. O que não foi a mais correta decisão, mas ainda bem que temos profundos conhecedores aqui no Minuto HM para me ajudar nessa correção de rumo. O álbum de estréia do quarteto é muito bem vinda e agradável surpresa, em especial do seu início até o cover de Shapes of Things, dos Yardbirds. Trata-se de mais um exemplo da lista de 2006 na linha do hard com influências southern / blues / country, mas não é só isso; também vi elementos para dar mais peso, como o uso da afinação baixa, principalmente nas duas primeiras músicas que, honestamente, não me agradaram tanto. As variações mostram até um tantinho de Foo Fighters na quinta faixa, com aquele refrão mais comercial e o sugestivo título When the Weights Come Down. A banda mostra aqui e ali todas as suas influências, mas traz o som para o momento de seu lançamento e tem muita personalidade. Como comparação, acho que ganha fácil do Firebird, mas também do The Answer pela qualidade de composições, pegada e sonoridade da cozinha, um vocal com mais expressão e se iguala, ao menos, nos timbres e escolha do aproach de guitarra. Se eu tivesse de indicar uma das bandas aqui pra um início, acho que iria neles. Destaco os singles Hell or High Water e Lonely Train, o cover dos Yadbirds e Maybe Someday (em especial pelo trabalho de bateria) e ainda Crosstown Woman. Só aqui vai quase metade do álbum, certo? Ainda que não seja totalmente coeso, esse disco de estreia do Black Stone Cherry é a melhor pedida da lista.

Eduardo Rolim: Bom!! Boa escolha! Vamos começar assim, já que parece que o passado condena muita gente aqui. Um homônimo de 13 músicas, com cerca de 46’, algo que já falou por si só. Foi minha escolha do ano no “visual” / nome da banda, já que até quando escrevo estas parcas linhas, não sei se conseguirei ouvir mais dele ou dos outros do ano. Álbum começa muito, muito bem e talvez é o ponto alto realmente com Rain Wizard. De cara, riffs criativos, boas escolhas balanceando cada instrumento. O final, que depois se demonstraria ser uma constante em praticamente todo o álbum, sai do comum e é isso os finais das músicas do álbum, em geral, saem de um esperado e buscam trazer um elemento, uma convenção, portanto, ponto extremamente positivo para esse claro cuidado que a banda teve. Pelo YouTube, me pareceu que Lonely Train é a música (ou uma das) de trabalho; uma boa música, sem dúvidas, ainda que abaixo da faixa de abertura. O álbum vai passando fácil ainda que o vocal esteja no limite para mim entre o aceitável e o que incomoda (confesso que, na “largada”, já quase julguei, mas o álbum foi passando melhor depois neste aspecto). A bateria segue a linha de criatividade, ainda que o resultado final de mixagem dela via YouTube e Spotify em uma opinião pessoal, também esteja em um limiar, especialmente pela caixa essa realmente não gostei. O álbum segue nesta linha interessante e criativa, com alguns momentos que achei menos interessantes, como em Hell and High Water. Já Tired of the Rain e Rollin’ On são os pontos que considero fracos (e são justamente as mais “diferentes”, fazendo uso de um órgão ou algo do tipo ali) e é uma pena essa última ser justo a que fecha um álbum de outra sonoridade puxada para um hard fora do óbvio e com bons momentos heavy. De qualquer maneira, boa indicação, boa banda, entendo que com potencial para explorarmos mais e fica a curiosidade de vê-los ao vivo, especialmente o vocal.

Eduardo Schmitt: Mesmo sabendo que esta banda tem alguma visibilidade na cena hard rock / metal na última década, confesso que nunca havia escutado um “full álbum” deles. O quarteto apresenta um hard rock com uma sonoridade moderna e pesada. Esta bolacha deve ser a dica deste ano com a mais abundante presença de solos de guitarra, o que é um alento. O vocalista (e guitarrista solo) Chris Robertson faz um bom trabalho nos tons médios da sua voz, mas quando se aventura para timbres mais agudo, deixa a desejar. Sendo um álbum de estreia, me pareceu um trabalho bastante bom, mas minha expectativa é que, ao longo do desenvolvimento de sua carreira, a banda adquira uma identidade mais marcada, definida.

Flávio: Gostei do início, uma promissora mistura de rock / hard rock calcado nos anos setenta, com vocal semi rasgado, boas convenções, em canções corretamente estruturadas, mas depois de uns 15 minutos a coisa começa a cansar. Daí fica a impressão de que já ouvi isso tudo antes. Hell Or High Water, escolhida como um dos singles, é tão inespressiva e batida, como seu título que posso considerar como uma filller aqui. E quando ouço Shape of Things vi que a cover era uma cover mesmo; e aí resgatar uma musica dos anos 60 no disco de estréia, onde deveríamos ter profusão de novas idéias, não parece muito brilhante. Rollin’ In é uma musiquinha daquelas levinhas chicletudas e aí tenho a impressão de que estou ouvindo uma espécie de Pearl Jam, na pior fase, tentando resgatar um rock desbotado e empada ainda sem azeitona, inclusive na boca. Então, infelizmente, a ideia inicial se dilui em um mais do mesmo, tônica dessa edição.

José Paulo: O primeiro disco oficial desta banda americana realmente começa bem interessante, com bateria e guitarra que chamam a atenção do ouvinte, admito que inicialmente até me impressionei com Rain Wizard”, porém essa empolgação toda durou exatamente 29 segundos, ou seja, até o vocalista Chris Robertson abrir a boca. O seu estilo de cantar e colocar as melodias vocais transformou tudo que escutei a partir daí naqueles grupos de Seattle Sound: Soundgarden, Pearl Jam, etc… E definitivamente esse não é um estilo musical que me cativa. É logico, o disco não chega a ser uma tragedia total, até penso que para as pessoas que apreciam esse tipo de som, deve ser algo bem prazeroso, mas particularmente durante toda a audição do disco posso destacar apenas alguns flashes, como os solos de guitarra de Backwoods Gold e “Rollin’ On” ou a acessível, mas muito agradável Hell and High Water, que me lembrou algo na linha do Pride & Glory, disco que gosto bastante. Ah, tem também o início de Drive, que é bem legal e o verso transmite uma pegada bastante forte e os já citados acima 29 segundos iniciais. Porém, como resultado final, a balança acaba pendendo muito mais para o lado negativo, pois temos ainda faixas terrivelmente chatas como “Lonely Train”, When the Weight Comes Down e Violator Girl, músicas muito difíceis de serem escutadas até o final sem que sejam acompanhadas de suspiros de tédio e abundante impaciência. Ah, já ia esquecendo de mencionar a campeã de todas, penso que a banda poderia ter me poupado dessa: ainda tem o cover Shapes of Things. Se a original eu já nem aprecio tanto … então o que falar da versão que o Black Stone Cherry fez? Ficou no mínimo um milhão de vezes pior!!!

Kelsei: É, eu sei, você está se perguntando como eu poderia indicar uma banda de um estilo que eu vivo criticando o Hard Rock. Conheci a Black Stone Cherry pelos reviews de álbuns da Rock Brigade. Não me lembro por qual álbum que eu entrei, mas me lembro muito bem quando ouvi Rain Wizard faixa que abre o debut desses americanos. Na minha frente não tinha um simples Hard Rock tinha um tempero contemporâneo, uma certa mistura de uma aura sombria com uma energia contagiante que te acerta na alma (além de uma afinação grave, que sempre ajuda). Muito disso vem do vocalista Chris Robertson; basta você ouvi-lo para saber que o cara nasceu pra isso. O tesão com o qual ele canta te puxa para dentro do álbum. Aí, com você já hipnotizado, entra uma guitarra pesada, muito feeling (com solos muito bons) e uma cozinha certeira; pronto, você foi pego! Não tem como dar errado. O debut, homônimo, possui treze faixas, com menos de cinquenta minutos. Todas as faixas são boas, sem exagero e você não vai precisar ficar ouvindo “love” pra cá, “love” pra lá, que sempre aparece nesse estilo. Essa é uma das bandas que eu ainda não tive a oportunidade de ver e está na minha listinha. Coloque na sua também!


Firebird Hot Wings

Sugestão de: Eduardo Schmitt
Ouça você também (não tem o álbum todo no Youtube, então fica uma referência) :

Alexandre: Hard Rock com toques retrô, calcado nas influências dos anos 70. Bastante blues, algo de country e soul. Um projeto de escape da podreira que é main work do dono da bola aqui, o guitarrista Bill Steer do Carcass / Napalm Death. Parece algo como o Cream ou a carreira solo de Steve Ray Vaughan, banda baseada na estrutura clássica que foram os powers-trio do passado. Hot Wings é ainda mais fincado na sonoridade vintage dos anos 70 do que os outros exemplos de sonoridade da época que encontramos nessa lista de 2006. Eu gostei da proposta, sem dúvida um trabalho bom e competente, calcado nos riffs, mas não vi nada de extraordinário. Em verdade eu gosto mais do trabalho de Bill nas guitarras do que no vocal. Acho o vocal no limite do adequado, limitações que podem ser observadas em outros trios como os trabalhos de Hendrix. Ou seja, a tônica está no instrumental e menos no vocal. Em alguns momentos me incomodou. Em Play the Fool, por exemplo, há pouca variação da linha melódica inicial desenvolvida. A faixa é uma das mais fracas do álbum, no meu entendimento. A cozinha é bastante competente, mas também poderia mostrar mais nuances, talvez isso não aconteça pelo fato do grupo ser muito capitaneado por Steer. O grupo seguiu até 2011 trocando de bateristas e baixistas como um ser humano padrão troca de roupas. Ainda assim gostei muito do trabalho deles junto a gaita de Bill na faixa Misty Morning. Assim, é uma indicação mais voltada para os apreciadores da cena aqui descrita, mas dentro dessa lista de revivals dos anos 70 foi o que menos me chamou a atenção. Destaco, além da já citada Misty Morning, a pegada soul de Overnight. Faltou um vocalista de maior expressão, essa é a maior conclusão que cheguei.

Eduardo Rolim: O som entrou legal nos ouvidos e a expectativa pelo vocal (sem um ponto) logo foi esclarecida com algo que não comprometeu, já credenciando ouvir com mais vontade… Passando pela boa faixa de abertura, Good Times também traz ótimos momentos de hard, uso de cowbell sem exagero na bateria (eu gosto muito do efeito e resultado do uso “adequado”) e outros detalhes interessantes. Misty Morning se destaca pelas linhas de baixo mais na cara, alguns momentos com uma sonoridade mais início da década de 1970 um “Black Sabbath” de alguns momentos do primeiro disco, se é que me explico, talvez pelo uso da gaita me fez remeter a isso (e, novamente, algo que entendo positivo). As guitarras vão seguindo boa linha nas músicas, com boas bases, ainda que adotem um modelo de “baixo risco” e execução que entendo serem mais diretas e simples. A bateria, idem, adota levadas mais “pop rock”, que encaixam bem com a proposta, mas não trazem, por exemplo, uma virada surpreendente.Horse Draw Man, entretanto, traz sim uma “surpresa” ao trazer a música de volta” antes de seu bom fechamento. Já Bow Bells, ouvindo-a distraído enquanto fazia outra coisa, me fez pensar imediatamente em uma sonoridade puxada para Lenny Kravitz, com um solo simples e uma linha de baixo mais “saltada”, interessante, que faz a cabeça “balançar em concordância”. E assim o álbum caminha bem até seu fim em suas 3 derradeiras faixas, mais uma vez com os mesmos elementos instrumentos encaixados, baixo aparecendo, riffs que se não são de impressionar pela total simplicidade, fazem seu bom papel nas músicas. Músicas sem enrolação mais curtas, vem e dão o recado, algo entre um rock / pop com flertes fortes com um hard, boas aberturas e fechamentos das faixas. Como nem tudo são flores, não sei se intencional ou não, pelo menos pelo Spotify, achei o som quando o vocal entra um pouco “abafado” parece que os fones de ouvidos estavam “estourados” nestas horas, menos quando era apenas o instrumental, ainda que também em alguns momentos. Entendo ser intencional, e aí a minha preferência “purista” levanta as sobrancelhas (já que não consigo levantar apenas uma). Nada inesquecível, mas uma excelente dica para a lista, para o ano em questão, e talvez uma banda para ver se consegue se manter neste bom nível.

Eduardo Schmitt: Essa foi a única sugestão que dei neste projeto em que já conhecia mais profundamente a banda. Sou apaixonado pela sonoridade, energia e inventividade musical deste trio, formado pelo guitarrista do Carcass. Uma mistura de hard rock, blues e stoner rock que funciona de maneira magnifica. Slide guitar e riffzões arrastados, e em algumas músicas a perfeita utilização de harmônica. Sim, a sonoridade é mais “pra trás”, e isso é ótimo. Destaque-se a abertura da bolacha, com a canção Carousel, que imprime uma energia contagiante à audição. Como (leves) pontos baixos, a ausência de solos (há um belíssimo solo de harmônica na música “Misty Morning”) e algumas aventuras pelo campo baladístico, que apesar de não serem desprezíveis, perdem em comparação com os petardos sonoros. Recomendo!

Flávio: Bom, vamos considerar que tá tudo no resgate aqui? Os membros, ou principais membros deste projeto chamado Firebird (que aliás deve remeter ao modelo da guitarra gibson muito comum para esse tipo de som) foram resgatados ou deram aquela cansada básica de outras bandas e se juntaram com o teórico líder que também é um resgate de outra banda. O som, não tem nada a ver com as bandas originais dos integrantes (Carcass, Napalm Death ou mesmo a que seria mais próxima: Spiritual Beggars), que resolveram arriscar para onde? Para um novo resgate, agora dos anos 60 / 70 e o southern hard rock ou blues rock talvez um pouquinho mais apimentando, mais fortemente influenciado por aquelas bandas à oeste dos EUA naquela época, tais como Cream, Hendrix, The Allman Brothers ou mesmo Black Crowes (anos 70 perdido nos 90). E sobre o álbum? Ele não decepciona para os afeitos do estilo, onde há presença de harmonica (gaitas), as sétimas/nonas aumentadas e (novamente) abundantes usos de pedais fuzz, inclusive no baixo. Não dá para negar a pitada do tal Stoner Rock, principalmente pelo som semi-nescau, da caixa da bateria. E vou tecer um negativo para a história toda, que é o vocal limitado e perto da trave do dono da parada, que deveria ter ficado tocando seus slides e deixado esse cargo para outro mais qualificado. Quer mais resgate? Basta ver o titulo da última do disco, Needle In The Groove, tem esse treco em vinil? No mais é isso mesmo, passa tranquilo e é bom para botar no fundo e tomar uma breja, sem maiores compromissos.

José Paulo: Mais um grupo que tem seu som encravado em estilo retrô, dessa vez um Power-trio britânico, capitaneado pelo conhecido musico Bill Steer, seu currículo tem passagens por grupos como Carcass e Napalm Death, porém para o ouvinte mais desavisado e acostumados com as bandas de metal extremo em que o guitarrista / vocalista sempre se envolveu, com toda certeza será uma surpresa conhecer o Firebird, pois este investe em um Rock (mais ou menos) pesado e simples. Hot Wings já é o quarto lançamento e chama a atenção pela boa produção, com cada instrumento em seu devido lugar e todos muito bem audíveis. Steer é o único compositor, um musico bastante competente por sinal, todas as canções são bem construídas e das 11 faixas do disco, acho que poderia destacar Horse Drawn Man que tem uma guitarra bem legal e inspirada, além de um refrão bonito e marcante. Porém, ao terminar a audição de Hot Wings, um pensamento que tive pode resumir, pelo menos para mim, a experiencia de ouvir o disco: fazendo uma certa analogia com o futebol, seria como um time que tem como técnico um cara chamado Diniz, 70% de posse de bola, muito toque de bola, principalmente entre o meio de campo e a própria defesa, nenhum chute a gol ou alguma jogada perigosa, de vez em quando uma bola levantada na área adversaria e no final do jogo um “incrível” resultado de 0 x 0. Então, o resultado é que Hot Wings termina com o placar de 0 a 0.

Kelsei: Stoner Rock! Fui introduzido ao gênero em 2000, com o Orange Goblin. Em 2006, atacamos de Firebird. Muitos elementos você encontra em ambos os álbuns. Se tivesse que escolher um, ficaria com esse. Ele é (bem) mais criativo, com mais variações de estilo (a terceira faixa, Misty Morning, tem um solo de gaita kilométrico), solos de guitarra bem legais (além de uma dezena de riffs) e um vocal que irrita menos. Não que o vocal cante mal, mas sim pelo efeito que o estilo pede (até onde pude ver ainda sou novato em Stoner Rock). São quase 40 minutos que, se não chegam a te fisgar, ao menos não te fazem voltar a atenção para outra coisa. Ouça a trinca inicial, Carousel, Good Times e Misty Morning, as melhores do álbum na minha opinião. São elas que vão fazer você decidir continuar ou parar. Eu continuei! Não virei fã, e é muito cedo para isso, pois não é um estilo que ouço; mas melhorou muito o meu conceito.


The Answer Rise

Sugestão de: JP, “A” Enciclopédia
Ouça você também:

Alexandre: Ah, os anos 70 …… pegue um pouco de Deep Purple (o riff de Come Follow Me” é um grande exemplo disso), Grand Funk (No Questions) e principalmente muito do Led Zeppelin, entre outras referências. Independente disso (afinal quantos zilhões de bandas foram influenciadas pelo Zepp e as demais bandas) o disco é bem bom. Por vezes lembra Bringin on Home do Led I (em Never Too Late) ou uma adaptação do riff inicial de Paranoid em Into the Gutter, mas ao mesmo as mesmas referências se misturam a algo mais contemporâneo e comercial, como na já citada Come Follow Me ou Be What You Want. Não gostei do Blues Memphis Water, onde a manjada levada de You Shook Me (John Lee Hooker e presente também no Led I) se modifica de forma meio estranha do meio pro fim. Acho que eles inventaram onde não se inventa. Melhor seria manter a homenagem explícita. Preciso destacar a faixa inicial,Under The Sky, que convenhamos, é uma senhora cacetada. Também coloco em um patamar à frente a levada funk de No Questions Asked e o gospel Preachin, que começa sendo a cara de Travelling Riverside Blues do Robert Johnson (que o Zepp regravou) ou How Many More Times (olha o Led I aqui de novo) e depois cresce muito com o coral característico. Tantas referências e citações que encontrei ao ouvir esse Rise em verdade não me incomodaram em quase nada, pois no meu entendimento Rise não é uma simples cópia e sim uma releitura. Mesmo que haja às vezes Robert Plant demais em Cormac Neeson. E uma balada pra lá de chata pra fechar o trabalho. Bom, só não faria qualquer sentido dar preferência a esse álbum e deixar de lado o próprio Led I, que foi de onde eu tirei a maioria das referências ouvidas aqui. First things first, não vale botar a carroça na frente dos bois. Se alguém aqui ainda não ouviu o Led I, que seja, pare de ouvir isso e vá começar pelo começo. Isso posto de lado, Rise é uma das melhores bolas dentro de uma agradável lista, que é essa de 2006.

Eduardo Schmitt: Bélissima indicação. Hard rock de primeira. Esse álbum poderia constar do verbete “hard rock” em um dicionário. Essa banda norte irlandesa, apresenta, em seu álbum de estréia, um hard rock em sua forma mais clássica. Este álbum deveria contar com um daqueles emblemas de risco radioativo, porque a energia que emana de cada uma das faixas é impressionante. Exposição em demasia deve ter efeitos (positivos) na saúde do ouvinte. A banda já fez tours abrindo pra Deep Purple, Whitesnake, Paul Rodgers e AC-DC. Deve ter dado um suador nos veteranos rockeiros. O vocalista funciona muito bem nas faixas mais agudas, e pode ser considerado um destaque da bolacha – alguém percebeu umas tintas de Paul Rodgers? Eu me apaixonei pela equalização dos instrumentos: sonoridade bem crua e sem efeitos. Enfim, não consegui achar qualquer crítica a fazer a este trabalho. Quero mais. Quero mais!

Flávio: Gravado em 2005 e lançado em 2006, a banda irlandesa no seu disco de estréia me chamou uma prévia atenção e criou uma grande expectativa, pela sua boa recepção e vendagem, principalmente no Japão, onde chegou a vender 10.000 copias em um só dia. Bom, nesse resgate hard blues, a coisa é um pouco animada e bem cantada, sem dúvidas. A banda monta um hard blues rock com pequenas misturas aqui e ali e me agrada bem. E fica claro que as influências (Zeppelin) ajudam: O primeiro single Never Too Late funciona, assim como Into The Gutter e os outros três lançados num disco bem executado por toda banda, quase sem pontos fracos. Porém, não espere novidade aqui: tem o famoso blues clássico, tem aqueles teclados simulantes de orgãos lá dos anos 70, o coro gospell em Preachin, mas o foco é músicas hard diretas ao ponto, sem grandes permeios instrumentais. No fim uma semi balada meio chatinha, mas num geral o que pedir mais? Tudo funciona aqui e é um que passa sem dificuldades e às vezes, para quem gosta, dá até para dar uma dançadinha. Fiquei com vontade de ver o que os irlandeses continuaram a fazer no restante da carreira…

José Paulo: Então começa Under The Sky … e uma guitarra inspiradíssima e totalmente Hard Rock do final dos anos 70 invade a sala, acompanhada de um baixo pesadíssimo que explode na sua cara, quase te derrubando. Essa é a mais pura essência do que ouvimos no excelente disco de estreia da banda norte irlandesa The Answer. Voltando no tempo, me lembro que na época do lançamento de Rise, li uma resenha sobre este trabalho dizendo maravilhas sobre ele. Se por um lado fiquei meio receoso (pois a mesma resenha destacava uma forte influência dos anos 70 e, na verdade, penso que não é sempre que um grupo dos anos 2000, que investe nesse tipo de som, acerta), por outro lado, a curiosidade me fez ir atrás deste cd. Resultado: agradeço até hoje por ter lido a tal revista e, acima de tudo, ter tido a chance de ouvir Rise!!! Musicalmente é inegável que o The Answer carrega consigo uma enorme influência de Led Zeppelin, porém sem soar uma cópia, mas além disso se soma ao seu som muito do que encontramos nesses referidos anos, como os discos de estreia de bandas como Bad Company e até Rush (que tinha uma influência bem latente do Led) ou mesmo a fase clássica de grupos como Free, Thin Lizzy e Aerosmith, apenas para ressaltar. Meu conselho é: se você gosta dessas bandas citadas acima, corra o mais rápido possível e tente ouvir Rise. Sobre o disco, a primeira coisa que chama a atenção é a produção/gravação, onde todos os instrumentos e vocais estão altos e bem na “cara”. É lógico, os responsáveis também são os excelentes músicos que cumprem suas funções com toda a maestria. E por falar em músicos, não podemos esquecer de outro destaque do disco, o vocalista Cormac Neeson, que tem uma forte e inegável influência de Robert Plant, mas sem soar uma mera cópia, abusando de linhas vocais de muito bom gosto. Particularmente gosto de todas as faixas e fica difícil destacar uma ou outra, penso que Rise funciona bem como um todo, desde a primeira, Under The Sky até a última,Always. E acima de tudo, Rise fala por si só. Extremamente indicado para todos aqueles que apreciam um belo Hard Rock, independentemente da época em que foram concebidos.

Kelsei: Comprei! Belíssimo álbum! Um rock sem exageros, mas tudo muito bem encaixadinho, bem produzido, com muito peso, riffs muito legais, excelentes solos e um vocal que canta uma barbaridade. E para coroar: tudo isso está em um debut! Me fala aí, quantos debuts você conhece que são sensacionais?! A trinca inicial, Under The Sky, Never Too Late e Como Follow Me, é uma porrada na orelha, sendo que a quarta faixa, Be What You Want é uma balada bem encaixada no tracklist e com letra que tem propósito algo que virou mais comum nos novos tempos. A única faixa que eu pulo é Memphis Water, porque esse blues não me atingiu (mas sim, é muito bem composto e tocado é birra pessoal mesmo que eu tenho com o estilo). Além de um som bem pra cima, ainda tem alguns toques de sátira, como na excelente Preachin’, onde se canta ‘Gonna be a Baptist Preacher so that I won’t have to work’ em meio a uma levada gospel. Algumas faixas vou tentar tirar na guitarra! O que me desanima é ver um Greta Van Fleet sendo gritado ao redor do mundo enquanto que uma banda como essa, que tem sim influências claríssimas do Led Zepellin e de outros timbres setentistas, mas que consegue fazer isso com uma assinatura própria, não é reconhecida. Por menos emuladores de Led Zepellin e mais músicos talentosos que consigam colocar suas próprias assinaturas em suas influências!


The Sword Age Of Winters

Sugestão de: Flávio Remote
Ouça você também:

Alexandre: Capítulo 1: Bem, vamos aqui supor que você tenha vontade de tocar bateria. Você tem um ídolo e admira seu trabalho junto a um conjunto seminal que é sua maior referência. Aí você dá de cara com um recém adquirido kit padrão de bateria e volta os olhos para o chimbau (se você for paulista) ou contratempo (assim chamamos aqui no Rio de Janeiro). Você entende que pra fazer o som que você quer, vai precisar pegar aquela borboleta que fecha o equipamento e jogá-la fora. Mais um teste: não satisfeito com o pouco som produzido pós retirada de borboleta, você bate na casa do seu vizinho (endividado pela pandemia e de saco cheio dos seus testes) e resolve lhe dar a máquina de contratempo com prato, borboleta e tudo mais (você não vai usar que ele ganhe algum vendendo o treco). Aí você olha pros pratos ao seu redor, senta na bateria e enfia a mão neles todos de forma indiscriminada, satisfeito com a surdez que eles lhe proporcionam. Olha para os tons e começa igualmente a espancá-los, tentando produzir um ritmo monolítico. E aí, tudo certo? Perai, peraí… não vamos responder… vamos dar um pause nessa história e retomá-la mais à frente. Capítulo 2: Digamos então que você vai preferir tocar guitarra, beleza? Pensando no seu ídolo maior, você junta seus cascalhos surrados e investe numa guitarra SG. Mais do que isso: com o troco que sobrou, você adquire um pedal. Que pedal é esse? Fuzz, é claro, qual seria? O Fuzz é aquele pedal conhecido pela quantidade de pessoas que o utilizam de forma desagradável e pouquíssimos que conseguem fazer algo digno de nota com ele. O risco se torna quase inexorável. Aí você pluga essa máquina de produzir esporro num amplificador, começa a brincar de fazer riffs a esmo e não se dá por satisfeito. Falta veneno….Falta o espírito do mal. Pensa um pouco, ouve seu sabático álbum preferido, vê uns tutoriais na internet e descobre a fórmula mágica. Você pega a corda mais grossa e desafina algumas casinhas. Bota a dita em C#. E como você fez isso nela, faz igual nas outras, o que lhe faz esboçar um sorriso. E aí, tudo certo agora? Será? Conclusão: Bem, meu filho, se você não entendeu as ironias dessas linhas escritas acima, o jeito é ser bastante claro: a resposta é um sonoro ‘não’, a não ser que você seja o Bill Ward ou o Tony Iommi. Ou que você ao menos tenha um décimo do talento deles. E como nem você nem seus companheiros dessa maravilhosa jornada chegaram nesse décimo, o resultado é invariavelmente uma lasqueira sem fim. Então vai aqui um conselho para todos os membros dessa desgraça de conjunto: larguem esse bagulho de fazer música, fumem qualquer outro bagulho (ou não, aí a escolha é de cada um) e vão pra casa ouvir o Master of Reality e o Sabbath Vol 4 por favor, assim vocês irão tomar a melhor decisão das suas vidas. E por último eu peço: não tomem mais do meu precioso tempo….

Eduardo Schmitt: Esta banda de stoner rock formada no Texas apresenta aqui sua primeira bolacha, com canções majoritariamente compostas por seu vocalista / guitarrista John Cronise. A sonoridade se ajusta com perfeição ao gênero, com destaque aos graves e a um certo efeito de abafamento. A inspiração na fase inicial ao Sabbath, inclusive em seu vocalista original, é inegável. Até a duração do album (9 músicas – 43 minutos) remete a década de 70. A originalidade é um fator importante, mas se tu for imitar, que seja a quem mereça. Confesso que acho confortador que jovens do Texas em 2006, queira fazer músicas ao estilo dos arquitetos do metal. A audição agrada, impacta bem, mas será que resultaria em interesse de ouvir outras bolachas? Mais do mesmo?

Flávio: Se com Firebird, as reminiscências nos permeiam à audição, aqui a coisa desanda com vontade. Quer regravar o Master Of Reality ou Vol 4. do Black Sabbath, com uma outra banda mediana que encontramos em cada esquina de cada cidade dos Estados Unidos? Venha para cá. Todos os elementos estão alí: andamento relentado, monolítico, bateria abafada, com abundância de pratos para combinar com as afinações baixas das convenções pentatônicas, e aquelas paradinhas para guitarras (a lá Into The Void). Além disso tem uns moogs aqui e ali, e um vocal quase sempre duplicado, talvez propositalmente semi tonante, tentando clonar Ozzy, sem o mesmo carisma. Aí me pergunto: é isso que precisamos? Mais clones de bandas consagradas? O treco é tão igual, que em algum momento, achei que ainda estava na primeira música e já era a terceira. E no meio disso tudo ainda tem uns pontos piores como em Iron Swan, onde depois de uma intro acústica chata entra um pseudo Metallica e ainda tenta um Punk ruim no fim. E que tal uma instrumental em oito movimentos? Por mim parava no primeiro….

José Paulo: O trabalho de estreia do quarteto americano já começa acertando na bela arte da capa, porém o que chama mesmo a atenção é o som, o que escutamos aqui é o mais legítimo Stoner / Doom Metal com influências de vários grupos, podemos citar desde Saint Vitus e Count Raven até Trouble, principalmente da fase dos discos Manic Frustration e Plastic Green Head. Mas é inegável que o The Sword mergulhou fundo em uma fonte dos anos 70 chamada Black Sabbath, em alguns momentos temos a nítida impressão que Ozzy vai entrar cantando: “Generals gathered in their masses / just like witches at black masses / Evil minds that plot destruction / sorcerers of death’s construction”. Inclusive, o timbre e estilo vocal de J. D. Cronise, que também é guitarrista, lembra bastante o Mr. Madman dos discos iniciais do Sabbath. A instrumental Celestial Crown já abre o álbum derrubando tudo e emenda com outra pedrada, a ótima Barael’s Blade, que traz tudo que é característico em grupos como este e ainda o que iremos encontrar no restante de Age of Winters, ou seja: guitarras pesadas, densas e ásperas, linhas de baixo bem marcadas, além de um som propositalmente abafado que nos remete aos anos 70. Ah, também temos as clássicas letras que falam de magos, Avalon, espadas e guerreiros… não faltou mais nada. O disco continua mantendo um nível bastante alto, mas Iron Swan e outra instrumental March Of The Lor se destacam e para minha surpresa, também cheguei a notar uma certa influência de Manilla Road, duas faixas espetaculares que sozinhas já valeriam o disco! O ponto fraco fica por conta de Lament for the Auroch, com seus quase oito minutos, acaba se tornando maçante e tediosa. No geral, Age of Winters é altamente recomendado para aqueles que apreciam um estilo de som calcado no Sabbath dos anos 70 e metal em geral, posso dizer com toda a certeza que particularmente foi um disco que gostei muito, aprovado com louvor!!!

Kelsei: Ao olhar o nome dessa banda, a capa e o tracklist, separei meu hidromel, meu chapeu viking, meu escudo e minha enciclopédia sobre mitologia. Já tinha como certo que ouviria um bumbo duplo à 180 RPM em todas as faixas. Mas essa espada aí estava cega. Para você ter uma ideia do que esses americanos fazem, pensa no pessoal do Stone Temple Pilots jogando um RPG Live, depois de muito ácido e outras drogas. Horroroso! As bases são todas muito pesadas e densas, sendo que mesmo mudando a música, parece que tudo continua igual. As guitarras não animam fraseados sem criatividade alguma e solos muito clichês. O vocalista então, me desculpa, mas um adolescente que entrou para uma faculdade de música canta melhor. Eu dei uma olhada nas letras do álbum e são um prato cheio de “termos técnicos” sobre mitologia, mas musicalmente a carroça não anda. É debut, então por isso tem desconto, mas vá por sua conta e risco. Deixo aqui o meu “passe longe” para você.


Meu muito obrigado a todos os meus amigos colaboradores desse blog por ainda estarem firme nesse projeto e sempre ouvindo as indicações do Flávio. Mais três anos e fecharemos uma década! E façam como nosso Presidente, CEO, CIO, CFO e a sigla mais que quiserem, mas façam! Dediquem um tempinho e participem como puderem!

Será que no próximo post eu acerto a imagem de destaque? Como sempre, apanhando do WordPress…

Beijo nas crianças!
Kelsei



Categorias:Artistas, Resenhas

2 respostas

  1. Bem, esta série de 2006 tem algumas novidades, não é ? Primeiro : O Presidente participando e com ótimas resenhas! i, a surpresa não é de termos mais algumas ótimas resenhas e sim por que o Presidente deu as caras aqui. Que volte sempre!
    Além disso, uma outra novidade é que as opiniões são bem divergentes, algo meio difícil de acontecer até aqui. Talvez por que os sons não sejam exatamente novos e ficam no subjetivo entre ser uma imitação ou uma saudável referência a algo que já foi feito. Quando subjetivamente entendemos ser uma imitação, é normal sentar o pau. Nem todos entendem da mesma forma, o que pra mim é saudavelmente interessante.
    Pra variar, vamos ao momento que se repete quase sempre na série. Lá vem o Flávio de novo e o incrível é que ele mesmo desanca o álbum que citou. Novidade ? Não , isso vem acontecendo quase sempre.
    Por fim, mais uma vez agradeço a oportunidade de estar por aqui tentando achar novos sons, tivemos uma lista bem agradável ( quase toda) e eu até 2007!
    Kelsei, um detalhe . Quase chorei de rir aqui com essa sua conclusão :
    …”Meu muito obrigado a todos os meus amigos colaboradores desse blog por ainda estarem firme nesse projeto e sempre ouvindo as indicações do Flávio”…

    Sensacional !

    Alexandre

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  2. Bom, ri pacas aqui, e só penso no que virá para frente… E qual o problema de criticar a própria indicação, quem disse que eu indiquei coisa boa? Meu critério é outro…

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