Novidades HM – Ano 2007

Aos leitores que acompanham essa série, saibam que tivemos o nosso primeiro atraso na postagem dessa série. Quando nos propusemos a fazer as audições em um intervalo de 3 em 3 meses, isso, obviamente, não foi uma imposição, mas uma proposta de frequência que ver como sairíamos. E se tem uma parte boa é que deu muita coisa errada de uma vez só: alguns dos nossos especialistas tiveram problemas (o Flávio, inclusive, está ausente nesse ano), eu indiquei álbum errado e tive que pedir ao JP para ouvir dois álbuns, tive problemas pessoais com um tal de Detran… mas, enfim, acredito que agora nossa probabilidade de termos mais problemas será bem mais baixa (ou então carimbaremos nosso selo de azarados hahaha).

Que vocês disfrutem das indicações desse ano, sempre colocados aqui em ordem alfabética pelo nome da banda.


Alter Bridge – Blackbird

Sugestão de: Eduardo Schmitt
Ouça você também:

Alexandre: Bem, eu sempre achei que por debaixo das músicas palatáveis do Creed havia um grande guitarrista. Em verdade, deixo claro aqui: eu gosto de Creed. Acontece que o trabalho do Mark Tremonti com o uso de diversas afinações na sua banda de ofício era algo que ficava à margem do resultado final; não sobressaia. Apareciam os hits, o vocal característico do post grunge e era isso. Talvez o Alter Bridge seja o melhor caminho para realmente mostrar o quanto o músico é talentoso. A cozinha do Creed novamente é discreta no Alter Bridge, mas inegavelmente competente. Soma-se a um dos melhores vocalistas de uma geração mais recente e o resultado prometia. Dito e feito. Nesse segundo álbum, então, eu entendo que é onde eles atingiram talvez o seu auge. As composições são acima da média dos demais trabalhos, algumas realmente se destacam. Aqui está, com folga, o melhor disco da lista, ainda que para mim esteja longe de ser uma novidade e tenha lá os seus defeitos. Os arranjos trazem em alguns momentos aquelas inevitáveis atualizações meio modernosas. Há alguns timbres e efeitos, tanto nas guitarras como no vocal de Miles que hoje eu dispensaria. Músicas como Coming Home ou Buried Alive poderiam ser mais clássicas, para o meu gosto pessoal. Break Me Down dá uma diminuída na qualidade lá para o fim do disco, uma música dispensável. O saldo, no entanto, é pra lá de positivo. Rise Today, Come to Life, Brand New Start (que solo!) são boas músicas que reforçam um trabalho bem coeso. Duas músicas, no entanto, eu preciso destacar como canções que entraram num patamar de excelência, pelo menos considerando a década onde estão inseridas. Uma singela balada com uma letra emocionante é Watch Over You. Ressalto, é uma letra realmente de arrepiar. A faixa-título, no entanto, é ainda melhor e tem tudo que uma canção épica pode trazer. Belos dedilhados intercalados com riffs poderosos, um ótimo refrão, grande interpretação de Miles, instrumental muito bem trabalhado pela banda toda e um solo espetacular. Esse, além de indicar, eu comprei e é sempre um prazer ouvir novamente!

Eduardo Schmitt: Segundo álbum da banda formada na Florida, após a dissolução da banda Creed (banda do guitarrista Mark Tremonti, do baixista Brian Marshall e do baterista Scott Phillips). Não dá para negar as qualidades musicais de todos os integrantes. Os riffs, os solos, as bases, os ritmos quebrados e sincopados estão lá. O destaque é o guitarrista Mark Tremonti, que é um legítimo “riff machine”. A produção sonora, na minha opinião, deixa a desejar, apresentando esta sonorização “enevoada” que tira um pouco de força das composições. Destaques para as músicas “Coming Home”, “Rise Today” e a música título “Blackbird”, que realmente é um “tour de force” impressionante. Bom trabalho. Imperfeito, mas de boa qualidade.

José Paulo: Infelizmente mais uma daquelas bandas de Metal Alternativo que inundaram os E.U.A. e, para quem tem um gosto musical parecido com o meu (ou seja, tem o Heavy Metal como estilo preferido), provavelmente vai achar um saco ouvir Blackbird do início ao fim. O tal do Grunge durante os anos continuou infestando o mundo com seus filhotes. Não que o Alter Bridge seja uma banda desse estilo, mas o tal do Metal Alternativo bebe direto desta fonte e o que ouvimos aqui é uma fórmula pré-fabricada criada minuciosamente para fazer sucesso. Então é só pegar um som que lembra bandas como Soundgarden, Nickelback, Doughtry ou Creed, suas melodias e arranjos acessíveis e misturar tudo isso com algo na linha de um Black Album do Metallica. Pronto: aí está um resultado certeiro. Até que às vezes o instrumental, principalmente as guitarras, se mostram pesadas e um pouco interessantes, mas quando o tal de Myles Kennedy abre a boca, aí tudo vai por água abaixo. Sabe aquela monotonia característica de grupos influenciados pelo chamado som de Seattle?! É exatamente isso o que ouvimos na faixa que abre o disco, que em minha opinião é a melhorzinha. Começa até mais ou menos: uma boa introdução prepara o ouvinte para um instrumental dinâmico e pesado, mas que vai afastando meu interesse conforme a música avança, salvando apenas o bom solo no final. Já as músicas seguintes, que somam o impressionante número de 13, seguem o mais puro clichê e monótono estilo Alternativo citado acima: chatas do início ao fim, com uma pequena exceção em White Knuckles, que assim como a faixa inicial, Ties That Bind, tem alguma coisinha que se salva. Depois de 14 músicas e intermináveis 63 minutos, posso dizer que pelo menos para mim, foi uma difícil e cansativa audição. Afinal, cada vez que escuto discos como esse, mais tenho a certeza que bandas deste estilo não me agradam e pretendo ficar longe, muito longe!

Kelsei: Fato: odeio Creed. Nunca fui com o som desses caras, desde o primeiro hit que me foi apresentado aos ouvidos, ainda na faculdade. Logo, quando surgiu o Alter Bridge, criei o rótulo de a banda do vocalista que canta com o Slash junto dos caras do Creed. Como esse pessoal faz um post-grunge acessível ao rádio e televisão, sempre que tocava eu não prestava atenção, por puro preconceito ao que eu sentia pela banda origem. Portanto, mesmo que seja vergonhoso dizer isso, eu nunca tinha ouvido um álbum do Alter Bridge até então. E como é bom morder a língua! Put* álbum legal! Ahhh… não pode palavrão, né?! Toda faixa tem detalhes e efeitos que não são típicos de se encontrar no “arroz e feijão” sempre encontrado no estilo. A trinca inicial Ties That Bind / Come To Life / Brand New Start é uma mão aberta direto na orelha, como naqueles campeonatos para ver quem derruba quem com um tapão, manja?! Rise Today e Blackbird são outros dois bons destaques (o que é esse riff da faixa homônima – que coisa linda!). O vocalista, Myles Kennedy, eu já conhecia e sei que ele segura muito bem a onda (de suas apresentações com o Slash), mas o resto da banda se mostrou muito bem azeitada – o batera tem umas quebras que eu fiquei olhando pro nada e pensando nossa, que sacada legal”. A balada Watch Over You e a atmosfera de Wayward One te transportam! Enfim, você já entendeu: um puuuuuuuuuuuuuuuut********** álbum legal! Acho que o meu problema com o Creed realmente é o Scott Stapp…


Myrath – Hope

Sugestão de: Alexandre B-Side
Ouça você também:

Alexandre: A globalização é uma autêntica realidade e o Myrath é mais um exemplo disto. É inegável a influência de bandas como Dream Theater e, principalmente, Symphony X no trabalho dessa banda da Tunísia. O timbre vocal e o peso os fazem, em verdade,  mais próximos do Symphony X. O rasgado da voz de Zaher se assemelha muito a de Russell Allen. Há o prog-metal  mais característico, mas acrescido de certo toque oriental. Tudo muito bem tocado e cantado, trechos instrumentais virtuosos, exímios instrumentistas, solos neoclássicos, na linha Yngwie Malmsteen. O solo no final da faixa título é lindíssimo. Nessa linha, eu prefiro o Orphaned Land, pela maior busca pelas influências orientais, mais distantes das bandas seminais do prog metal citadas e também por que as composições me passaram mais profundidade. Faixas como a bonita balada Fade Away ou a pesada All My Fears praticamente não trouxeram elementos que os credenciassem em um diferencial do já manjado estilo prog metal.O trecho intermediário de Seven Sins é uma certa mistureba de ritmos que beira o exagero, indo da salsa aos teclados neo progressivos na linha do Marillion quase ao fim da canção. Curti mais o início do álbum, em especial Confession, a faixa título, e Last Breath. Eu gostei do que ouvi, apenas não senti aquele entusiasmo. Um trabalho muito bem feito, indicado proritariamente aos apreciadores do gênero prog-metal.

Eduardo Schmitt: Esta banda tunisiana é um verdadeiro achado. Excelente trabalho de metal progressivo. Arrisco a dizer até que não seria correto, por esse álbum, chamar o estilo apresentado neste álbum de “oriental metal”, uma vez que a sonoridade não guarda muita relação tão estrita com sons da região, tirando alguma menção ocasional e um clima adicionado. Ainda que possa se perceber a influência de bandas como Symphony X e Dream Theater, a banda consegue apresentar um trabalho com uma personalidade própria. A produção é muito boa mesmo, com equalização, efeitos e sonoridades num nível admirável. Gostei especialmente de alguns solos de teclado, efetuados por Elyes Bouchoucha, que também faz um trabalho seguro nos vocais. Gostei de conhecer.

José Paulo: A Tunísia é um lugar bastante improvável quando pensamos em uma banda de Heavy Metal, mas apesar de causar certo espanto aos desavisados, o Myrath goza de certo reconhecimento dentro do cenário, com discos lançados até por aqui. Conhecia a banda por causa do trabalho de 2019, intitulado Shehili, e apelidado jocosamente de calcinha preta do metal melódico. Se as duas bandas são parecidas, eu sinceramente não sei, mas que não gostei nem um pouquinho do referido lançamento de 2019, isso é fato. E quando vi que o Myrath era uma das audições desse ano a sensação foi de certo desânimo, ao ponto de me fazer deixar o Hope por último. Mas qual não foi a minha surpresa ao ouvir a indicação do Alexandre! O disco de estreia é muito mais pesado e infinitamente mais interessante que o tal Shehili. É logico, alguns elementos que são característicos da banda já estavam presentes, como a forte influência de música tradicional de seu país, aliada ao seu Power Prog que lembra algo do Symphony X e muitos elementos de música clássica. Justamente por isso, inicialmente, quem mais me chamou a atenção foi o guitarrista Malek Ben Arbia, com timbres muito bem escolhidos e também passagens e arranjos inspirados, além de uma habilidade ímpar ao ponto de achar que o solo final de Confession talvez esteja em um mesmo nível de grandes momentos de um Malmsteen, por exemplo. Porém, em alguns momentos, as canções se mostram um pouco maçantes e exageradas, como em boa parte da música título; mas, mesmo assim, sempre se salvam por algum detalhe, como a bateria que chaga a lembrar o velho Speed Metal dos anos 80 e o vocal bem agressivo de Elyes Bouchoucha que, infelizmente, abandonou o posto para se dedicar apenas ao teclado. Após a audição completa, podemos dizer que Hope às vezes cansa. As músicas poderiam ser mais enxutas! Porém, se pensarmos na teoria do “copo meio cheio, encontramos aqui ótimas ideias musicais, um guitarrista verdadeiramente virtuoso, um bom vocalista e além disso, ainda temos um disco bem melhor que o tal Shehili. Apenas para resumir, Hope é acima de tudo um disco de metal progressivo, que nos remete ao já citado Symphony X, com pitadas de Dream Theater e certa influência (até meio forçada) da música tradicional da Tunísia. É possível dizer que ouvir esse disco de estreia pôde ser uma experiencia bem interessante.

Kelsei: Opa, apareceu uma banda que eu conheço. Myrath – da Tunísia para o mundo! Mas esse debut eu nunca tinha ouvido, com o primeiro vocalista deles. Influência direta do Orphaned Land, que é a primeira banda que eu tenho conhecimento a pegar o metal progressivo e misturar com sons Árabes, e dos nossos amigos do Symphony X, Dream Theater e também um pouco de um guitarrista sueco que aprontou muito na década de 80. O som, quando misturado na dose certa entre o progressivo e o árabe, é muito bom e passa fácil para mim. Agora, quando é algo como na faixa introdutória, aí a coisa fica tensa. O vocal é bom, bem afinado e exatamente como o Kobi Farhi, do Orphaned Land – com tentativas de um gutural que nem chega perto da técnica correta e acaba sendo só um grunhido de alguma criatura mística com dor de barriga. O vocalista é o mais deixado de lado nas faixas – uma pena que aparece pouco. Com relação às faixas, Last Breath tem solos incríveis. Seven Sins tem fraseados rápidos e quebras de tempo super criativas. Achei a balada Fade Away dispensável, porque ela foi bem calcada no hard rock e ficou uma música comum dentro do que o álbum propõe. As demais canções são boas e entregam peso, velocidade e virtuosismos. Prato cheio para fãs do progressivo, mesmo que com um pouco de areia do deserto.


Riverside – Rapid Eye Movement

Sugestão de: Kelsei
Ouça você também:

Alexandre: Depois ter adorado o Second Life Syndrome há mais ou menos uns 5 anos atrás, eu fui ouvir esse álbum cercado de grande otimismo. Os reviews prévios eram de um trabalho ainda melhor que o seu antecessor. Era a sequência de um álbum por mim muito apreciado. Grandes expectativas. Ái eu ouvi e …………. não bateu… Não que o álbum fosse fraco, longe disso, mas eu não percebi a mesma qualidade nas canções. A impressão era que os temas foram desenvolvidos com numa espécie de trance eletrônico, mas com um arranjo sem os bate estacas característicos (eletrônicos) desse som mais voltados para as raves. Ou seja, uma espécie de trance orgânico. São riffs de guitarra ou baixo repetidos incessantemente durante o desenvolvimento das canções. Dei uma desanimada na época, confesso. Ouvir de novo nessa proposta era mais uma oportunidade de rever conceitos e amadurecer a audição anterior. E ainda que eu possa citar momentos muito agradáveis como no refrão de Schizofrenic Prayer e a melodia de Cybernetic Pillow, ressaltar o trecho em tempo fora do padrão no fim de Parasonia e ainda que esse seja um trabalho bem decente, eu considero- o uma regressão ao maravilhoso Second Life Syndrome. Entendo, em especial, que os arranjos de guitarra que tanto me lembraram o Marillion presentes no citado álbum anterior perderam o frescor. Há mais riffs pesados e menos linhas melódicas a sublinhar as canções. Não encontrei, por exemplo, as lindas frases que Piotr utilizou em I Turned You Down ou o piano de Conceiving You, duas autênticas pérolas do Second Life Syndrome. Assim, eu indico, claro, para os fãs do Riverside, mas acredito que boa parte daqueles que curtem um prog-metal menos voltado para o virtuosismo podem gostar também. Para mim, mesmo que eu não possa considerar com todas as letras um evidente declínio da banda, novamente não deu liga. Uma pena mesmo…

Eduardo Schmitt: Uma banda progressiva da Polônia. Este ano as bandas estão bastante diversas etnicamente, não é mesmo? Este trabalho, o terceiro da banda, apresenta uma sonoridade bem “light”, entregando paisagens sonoras etéreas e tangenciando, por vezes, a uma leve confusão, remetendo ao título da bolacha, que menciona a fase do sono mais propensa ao sonho. Destaco o desempenho de Mariuz Duda, baixista polaco que fica longe da apenas seguir as linhas de guitarra, sendo uma presença bem nítida por toda a bolacha, além de um bom vocalista, capaz de passagens bem melodiosas e outras mais agressivas. Destaco a música “Schizophrenic Prayer” que mostra umas experimentações vocais interessantes. E também “Cybernetic Pillow”, que apresenta umas texturas mais agressivas. Bom álbum.

José Paulo: Apesar de até ter gostado um pouco do trabalho anterior, Second Life Syndrome, os poloneses do Riverside realmente nunca chamaram muito a minha atenção, pois seu Rock Progressivo sempre me soou meio genérico, pouco original e até em alguns momentos sem tempero, apesar de se mostrarem sempre instrumentistas bem competentes, principalmente o baixista/vocalista Mariusz Duda, dono de uma bela voz e linhas de baixo marcantes. A primeira impressão ao ouvirmos Rapid Eye Movement é que, comparado com os anteriores, este trabalho se mostra muito mais progressivo e consequentemente o seu som está bem mais arrastado e introspectivo, alternando alguns momentos interessantes como na melódica 02 Panic Room e outros bastante cansativos e tediosos, como na faixa seguinte Schizophrenic Prayer. E assim, neste sentido, o disco vai seguindo, ou melhor dizendo, se arrastando… às vezes nos trazendo belos momentos, às vezes abusando da nossa paciência, até chegarmos em Ultimate Trip e como já entrega o nome, a faixa final e também a mais longa, passando dos 13 minutos. Contrariando as minhas expectativas, por incrível que possa parecer, esta música acaba sendo de longe a melhor do disco, porém isso não quer dizer que seja algo excelente e marcante ou um clássico da banda, mas sim algo parecido a um oásis em uma disco até certo ponto árido. Depois de longos quase 56 minutos chegamos à seguinte conclusão sobre Rapid Eye Movemente: dos três primeiros discos lançados pela banda, este é sem sombra de dúvida o mais fraco e para alguém que ainda não conheça o Riverside, penso que ele é o trabalho menos indicado e de certa forma, apesar de não esperar muito do disco, foi sim uma decepção. Mas se olharmos pelo lado bom da coisa, o Riverside é infinitamente melhor que um tal de Manchester Orchestra, banda que me obrigaram a ouvir antes deste Rapid Eye Movement. Aquilo sim foi uma verdadeira tortura. kkk

Kelsei: Aos 48 do segundo tempo eu tive que tirar a minha indicação original, que era o Manchester Orchestra, porque descobri que o álbum que indicaria era do final de 2006; então, devido ao curto tempo de reposição, resolvi não inventar a roda e inseri a Riverside, banda polonesa que trouxe ao pessoal do Minuto HM no primeiro podcast que participei nesse blog. Naquela época, indiquei o Second Life Syndrome para audição, que é o anterior a este, que acabou na lista do Alexandre no projeto com o pessoal da Consultoria do Rock. No caso desse aqui, o Rapid Eye Movement, temos uma intenção mais voltada para o interior do ser humano, com harmonias mais intensas para o lado da depressão, pânico, angústia, medo e esquizofrenia. Ele é o final de uma trilogia, sendo que os dois álbuns anteriores são as outras partes. O progressivo contemporâneo feito aqui é certeiro na alma (não tem como não sentir a angustia de Schizophrenic Prayer ou a solidão de Embryonic). Portanto, se você é daqueles que se deixa levar pela música, vá com calma nesse álbum, pois ele literalmente te suga para uma viagem ao seu interior e te transporta para outro mundo. Se for comprovado então que você tem um parafusinho solto e toma uma tarjinha preta, melhor nem chegar perto! A banda é muito bem azeitada, ainda com o Piotr nas guitarras (ele foi o co-fundador da banda e faleceu em 2016, levando a sonoridade dos álbuns post-mortem para uma outra direção). Mairusz Duda continua segurando os vocais com um belíssimo trabalho e um potente baixo, com umas linhas embaçadas de tocar junto à voz. Engraçado que a faixa de fechamento, Ultimate Trip, tem uma introdução feliz depois de você transitar por oito faixas densas. Considero a Riverside uma das melhores bandas novas que apareceram aqui por esse mundo, principalmente o que foi criado até 2015. Esse álbum é obrigatório na sua coleção (assim como o anterior que já tinha trazido ao blog). Vou ver se consigo mexer nos álbuns dos próximos anos e recolocar o Manchester Orchestra (ou talvez não, porque eu li a resenha do JP e ainda bem que eu moro bem longe dele, senão ele vinha aqui me bater).


Scale The Summit – Monument

Sugestão de: Flávio Remote
Ouça você também:

Alexandre: Menos é mais. Nesse caso, muito, mas muito menos. Ok, é um disco instrumental. Eu tenho vários e gosto bastante deles. Aqui a questão é de entendimento. Eu não entendi nada. Senti-me rodeado de vespas me atacando durante mais de 38 minutos. Em poucos instantes, elas me davam alguma folga, mas eram raros esses descansos. O começo de Crossing the Ocean é um dos raros exemplos dessa folga. O solo de Omni também se salva. O respiro não dura muito, alguém foi lá na colmeia e deu uma bela sacudida. Vespas enlouquecidas aparecem novamente. Talvez seja realmente muito bom para tocar, definitivamente não senti nada perto para ouvir. Haja bumbo, haja prato, haja escala de guitarra, haja baixo para acompanhar as escalas enlouquecedoras de guitarra. E o mais importante, haja repetição em profusão de sequências intermináveis de sobe e desce de notas e espancamento de peças de bateria. Todos tocam muito, não há menor dúvida. Não me passaram absolutamente nada. 38 dos meus piores minutos dedicados à música, eu preciso ressaltar. Um monumento à tortura musical e ao desperdício de prodígios em seus instrumentos. Há exemplos de outros trabalhos do grupo nos streamings onde brevemente avaliei que a banda trabalha o instrumental com menos caos que o que foi feito neste Monument. Então, a minha sugestão, para quem tiver curiosidade, é buscar algo mais recente na discografia do grupo. Em relação a esse trabalho, eu sugiro que passem longe.

Eduardo Schmitt: Esta banda, estabelecida em Houston, Texas, apresenta um trabalho extremamente técnico. Não consigo fazer uma simples menção negativa a qualquer dos músicos, brilhantes na expertise de seus instrumentos. Pode-se reclamar de que os temas musicais acabam se confundindo nas suas torções e retorções sonoras, mas eu não consegui deixar de ficar impressionado com o resultado. Impressionante. Destaco a música “Crossing the Ocean” que em sua introdução, mesmo em uma levada mais tranquila, lembrando talvez o mar, implementa essa levada de maneira complexa e interessante. Talvez o ponto fraco seja a produção, que numa obra de estreia, com poucos recursos, deixou um pouco a desejar, entregando uma sonoridade um tanto embaralhada. Peço uma salva de aplausos de pé para esses excelentes músicos.

José Paulo: Confesso que estava receoso em ouvir esta banda, pois imaginava que seria mais uma de Metal Alternativo, pós-grunge ou qualquer coisa do tipo. Quando começou Shaping The Clouds, notei aliviado que se tratava de um grupo de Metal Progressivo com um som extremamente técnico e complexo, instrumentistas virtuosos e muitas mudanças de ritmo e, além disso, totalmente instrumental. Porém toda a empolgação que tive ao escutar a primeira faixa foi se esvaindo no decorrer do álbum, que foi se transformando em algo repetitivo e enfadonho, como se estivéssemos ouvindo sempre a mesma interminável música. É logico que os participantes tem completo domínio de seus respectivos instrumentos e o baixista Jordan Eberhardt foi o que mais me chamou a atenção desde o início, porém esse é o típico exemplo de que a habilidade dos envolvidos não refletem a qualidade da obra. Acho que já escrevi isso antes, mas não tenho outra forma melhor para definir o que é este disco: escutar Monument é aquela experiência de apertar um parafuso com a rosca espanada, que roda, roda, roda… e não sai do lugar e cansa, mas cansa muito. Os pontos positivos vão para Crossing The Ocean, que achei a mais bonita, porém igualmente complexa. Felizmente a duração do disco não chega aos 39 minutos e, neste caso, é uma bela vantagem. Imagino como seria difícil e enfadonho se Monument fosse mais longo. Ufa, fiquei cansado só de pensar nisso.

Kelsei: Opa, segunda banda que conheço no mesmo ano. Fato inédito até agora. O quarteto de americanos tem vários álbuns, todos de música instrumental, o que é uma linha muito tênue para caminhar. No caso desse debut, que conheci pela indicação do projeto, todas as oito faixas não me disseram absolutamente nada, apesar de uma capa que achei lindíssima e que preparou as minhas expectativas para um alto patamar progressivo. Sim, tudo é muito bem tocado, mas um robô em uma mesa de som faria a mesma coisa. Falta muito feeling, arroz e feijão para os meninos. O tipo de progressivo tocado também não ajuda, já que o tal fator contemporâneo traz alguns elementos que não encaixam na proposta instrumental – eu ainda vou torcer o pescoço de quem achou legal colocar ritmos de Djent em metal progressivo. Talvez eu precisasse ouvir o álbum umas trinta vezes mais para me acostumar com o som, mas isso não irá acontecer. Engraçado que as faixas que conheço da banda (que não são desse álbum) eu até que gostei, pelo que me lembro – vou ter que reouvir agora para ver se chego em uma conclusão. Mas enfim, o debut do Scale The Summit é mais uma prova que ser extremamente virtuoso e competente em um instrumento, não significa que as músicas serão legais – o fator composição precisa ser trabalhado com a alma, e não só com a matemática.


Vanishing Point – The Fourth Season

Sugestão de: José Paulo. O “JP”, A Enciclopédia.
Ouça você também:

Alexandre: Boa banda, competentes músicas, mas o resultado final não acrescenta nenhuma novidade a um cenário de power metal melódico, às vezes flertando com o prog-metal, com teclados em 90% dobrando os acordes dos guitarristas. Teclados esses que nem creditados são e que compõe talvez a mais significativa parcela da sonoridade da banda, em função do arranjo. O resultado é meio esquecível, provavelmente vou citar hoje faixas ou trechos de destaque que serão completamente apagadas da minha memória musical em poucos dias. Ainda assim, ai vão elas: I within I, com a intro Gaya foi a faixa que mais me agradou no inicio do álbum. Posso citar os baixos nos trechos intermediários de Beyond the Open Door e Ashen Sky também. O início e meio de guitarra limpa e baixo fretless de One foot in Both Worlds são legais, o timbre do solo já não me agradou. O album é tecnicamente irrepreensível e igualmente descartável. Os solos são até discretos para o estilo, mas não há nada de errado. De resto, certa insistência em dobrar os vocais em boa parte das melodias, que beira a minha tendência à irritação; e aquele lugar comum que é o uso em profusão dos dois bumbos. A única música realmente fora do padrão e que despertou uma intenção de revisitá-la foi A Day of Difference, justamente a que fecha o álbum, onde o bonito sotaque australiano se mistura a um clima que me lembrou de músicas como Lifting Shadows of a Dream do Dream Theater ou The Forgotten (part 1) de Joe Satriani.  No fim das contas, o que faltou foi justamente essa ousadia que ouvi ao fim do trabalho. Quem sabe nos discos posteriores?

Eduardo Schmitt: Mais uma banda de lugar diferente (dessa vez, Austrália) e mais uma banda de rock progressivo. Desta vez mais puxado ao power metal. Esta bolacha cai numa armadilha que me incomoda bastante, que é o uso exagerado de camadas de teclados, que afogam, em certa medida os outros instrumentos. A maior força da banda é seu vocalista, que mostra uma performance acima da média. A produção é profissional e não deixa nenhum furo, mas peca, provavelmente por opção consciente no “super-uso” dos teclados. Um álbum correto, mas que não se adequa a meus gostos pessoais.

José Paulo: Apesar de estarmos analisando lançamentos de 2007, preciso voltar ao ano anterior, enquanto o Kamelot ainda estava colhendo os frutos dos seus dois maiores clássicos através do duplo ao vivo One Cold Winter’s Night. Pode até soar estranho citar a banda, mas o motivo é bem simples: o Vanishing Point talvez seja o Kamelot australiano, pois muito do que ouvimos aqui tem uma forte influência daqueles dois trabalhos conceituais lançados pelo grupo americano, Epica e The Black Halo estão bem presentes aqui, como melodias de extremo bom gosto, bases e arranjos orquestrados, belos solos de guitarra e um vocalista com uma voz e interpretação muito acima da média. Mas a primeira coisa que chama a atenção em The Fourth Season é a belíssima capa! E tenho que confessar, comprei o disco apenas por causa dela e felizmente não me decepcionei. Como já entrega o nome, este é o quarto lançamento da banda e em minha opinião, como já citado acima, há uma forte influência dos discos gravados pelo Kamelot da primeira metade dos anos 2000. Além disso, posso afirmar que achei todas as músicas excelentes, porém as que mais se destacam são: a faixa de trabalho Surrender, que tem harmonias de guitarra de muito bom gosto e que nos remete, mais uma vez, ao primeiro single do The Black Halo, a fantástica The Haunting (Somewhere in Time). Hope Among the Heartless já chama a atenção no primeiro verso, cantado em italiano além de um riff orquestral e bases pesadas bem na linha do Kamelot e apresenta um refrão extremamente cativante daqueles que ficamos cantarolando mentalmente mesmo após o fim do álbum. Talvez a minha preferida seja Beyond the Open Door, que segue a mesma linha de Hope Among the Heartless, porém com uma ótima letra, arranjos de guitarra inspirados e um refrão belíssimo. Pelo menos para mim, só esta música já valeria todo o disco. Já Day of Difference tem um clima e um andamento diferente do restante do disco, às vezes lembrando algo do Pink Floyd, às vezes Dream Theater. Não posso esquecer de destacar I Within I, que poderia estar facilmente em um disco do Kamelot. Para terminar, sendo redundante, acho que The Fourth Season tem tudo para agradar quem gosta da fase clássica do Kamelot que vai do Karma ao Ghost Opera. Se você é um desses, não perca tempo. Não irá se arrepender.

Kelsei: De maneira bem resumida, pensa que o Kamelot é aquele seu amigo que foi assaltado e tomou uma surra. Levaram os equipamentos bons da banda e agora eles precisam tocar com uns equipamentos que o pessoal da gravadora emprestou, sem contar que eles estão todos machucados e não conseguem dar o melhor de si. Isso é o Vanishing Point – uma banda de boas ideias e execuções bem medianas. O álbum passou sem muitos problemas para mim, mas toda faixa ficava a sensação de isso aqui é bom, mas poderia ser muito melhor. Faltou um peso, uma agressividade musical, mas, infelizmente, eles tem um pé no metal gótico, que trás aquele teclado maria mole (o doce mesmo), bem típico de bandas como o Lacrimosa – um som que fica de protagonista, mas que não tem força, não dá volume e fica fazendo barulhinho de mamãe, sou metaleiro do mal. Aí você junta esse barulhinho com uma guitarra e um pedal bem meia-boca (lembra, eles foram assaltados) e um vocal que aguenta bem fazer só o básico. Os dois últimos elementos eu deixo passar, então, para o meu gosto pessoal, ficou a birra do tecladinho. Eu vou atrás de mais coisas, mas você pode ficar só com “Surrender e Wake Me. Uma menção honrosa para a capa, que é belíssima, mesmo sendo baseada em um ideal clichê no mundo do Power Metal, com uma mulher na metáfora de um anjo que foi machucado.


Ansiosamente esperando para o ano de 2008 e para a volta do Flávio e do Presidente para as próximas audições. Se você quiser participar e resenhar, entre em contato pelos comentários.

Beijo nas crianças!
Kelsei



Categorias:Artistas, Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas

3 respostas

  1. Interessante esse trabalho de vocês nas análises Aprendo muito

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  2. Pessoal, valeu novamente a participação em mais esse ano , ainda que eu continue não mostrando muito interesse nas novidades. Acho que é a velhice chegando mesmo…. É muito bom, no entanto, ler as opiniões ( às vezes até bem divergentes) de todos vocês.
    Só aprendo.
    Obrigado

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    • Não é todo ano mesmo que teremos bandas de alto destaque, mas eu já descobri bandas sensacionais nesse projeto, mesmo que com um som já conhecido (a novidade pode ser a banda, e não um estilo – acho que só o Djent foi inventando nesses últimos anos – o resto já é conhecido).

      E nesse ano poderia ser pior – vou colocar a referência do Manchester Orchestra e a resenha do JP para você ver o que ele passou …. hahaha!

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