Cobertura Minuto HM – Peter Bernstein Quartet no lendário Village Vanguard – NY – 06/março/2024 – pré-show e resenha

Pedindo licença aos amigos aqui para falarmos um pouco de jazz e afins. E o motivo principal mesmo estará no final do post…

Escrevo este post do aeroporto pronto para uma viagem para Londres, após ficar 24 horas em São Paulo no retorno desta viagem à NY na semana. Amanhã, já adiantando, espero conseguir já trazer detalhes do show do Quiet Riot. Mas voltemos à NY.

Viagens a trabalho sempre são corridas. Entretanto, tendo tido o privilégio de conhecer bem a cidade já, literalmente fui ao ChatGPT pedir ajuda para um roteiro mais “C-Side” (desculpe, Alexandre, você é muito mainstream já). Ainda que não seja literalmente algo alternativo, a ferramenta me indicou uma noite de jazz no Village Vanguard, vizinho aos amigos do Friends (pleonasmo proposital) na região de Greenwich, que gosto muito. Vendo o frio e chuva, realmente é uma ideia fantástica para fechar uma noite.

Ao ver a programação e conhecendo zero de jazz, vi então que nessa semana haveria nas noites duas apresentações deste quarteto, as 20h00 e as 22h00. Depois de outras programações pessoais terem sido feitas, comprei o ingresso no mesmo dia para a última apresentação da noite.

Com a temperatura perto dos 5o e com chuva , parto para o Chelsea Market para um petisco pré-show já que havia almoçado bem no dia. Paro em um restaurante de tapas da Espanha e ali mesmo de camiseta do Kiss faço um tempo enquanto o barman troca uma ideia de Kiss comigo.

Com a casa reabrindo as 21h30 de acordo com o ingresso e o mercado fechando 21h00, parto as 21h15 nesta caminhada de 10 minutos (de verdade, não os do Rolf) para lá. Ao chegar, qual não foi minha surpresa do bom movimento e até fila para as escadas que dão acesso ao Village Vanguard – a venue de jazz mais antiga das ainda operacionais da cidade!

https://maps.app.goo.gl/NUGo3YvqzrG1bJHH6?g_st=ic

Com 8 minutos de atraso, as pessoas começam a descer as escadas. Um público de fãs locais de jazz e turistas como eu do mundo todo – haja línguas sendo faladas. Um grupo maior me vê sozinho e me deixa passar na frente, o que ajudou a pegar a segunda mesa no “mezanino”.

Entre fotos e mais um drink obrigatório – um Woodford Reserve, não poderia não ser um bourbon – a atmosfera é fantástica. Não dá para ser mais NY que isso para música. No banco continuo, está na primeira mesa uma japonesa turista e sentam-se dois dos músicos. Um deles, bem mais velho – o baterista.

Novamente com 8 minutos de atraso, o quarteto liderado por Peter Bernstein – guitarra, Sullivan Fortner – piano, Doug Weiss – contrabaixo e Al Foster – bateria acessam o minúsculo palco. Mais falemos de Al.

Que todos eram músicos fantásticos, nada poderia ser mais óbvio. Todos tiveram também seus momentos. Mas a minha atenção ficou ao baterista. Surreal. Com uma sutileza misturada com uma pegada impressionante, técnicas de baqueta que só no jazz se vê, Al roubou a cena para mim. Após cerca de uma hora e quinze de set, ele “brigou” com seus companheiros “novinhos”, dizendo que era só uma saideira – afinal, ele tinha 81 anos e os outros eram seus bebês… não dá para não tirar o chapéu para quem aos 81 anos consegue fazer o que ele faz no instrumento. Era uma extensão do corpo dele.

Sem poder fotografar ou filmar, fiquem com as fotos do local. O setlist, que, sabe, um dia alguém atualiza e aparece aqui. A única coisa que entendi foi quando uma música de 1923 foi anunciada que seria tocada – isso mesmo, uma música de 101 anos. É impressionante o que o jazz pavimentou para o que nos aqui tanto gostamos.

Mas vamos então ao final. Peter agradece o público e diz as seguintes palavras, de um jeito que no clima ali, fez ainda mais sentido:

“Obrigado a todos por prestigiarem a banda e o Village Vanguard. Mas mais que isso, obrigado a todos por prestigiarem a verdadeira música ao vivo, e não computadores em um palco”.

Nós, que sempre falamos tanto disso por aqui, estou certo, entendemos e sabemos bem para onde a música é as indústrias milionárias estão apontada hoje. Mas ainda há muita coisa que em vida poderemos ver de verdadeiros artistas e músicos.

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[ ] ‘ s,

Eduardo.



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1 resposta

  1. Um relato do C side que ainda respira música. E a felicidade de saber que os velhinhos continuam fazendo o que gostam, isso é a música verdadeira.

    Seu texto é um atestado do amor pela arte.

    Eu agradeço por ter tido a chance de ler essas linhas.

    Alexandre

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