Iron Maiden – Simon Dawson: primeiras impressões ao-vivo na banda (sem emoção)

Bom, escrevo isso ainda sem ter acabado de colocar conteúdo nos posts dos shows que pude ver em terras nórdicas (Trondheim e Estocolmo – show 1 e show 2). E o motivo disso é que quero escrever este conteúdo:

  • sem emoção / com fatos – e se tiver emoção, pretendo dizer onde.
  • tendo a chance de escrever depois de 3 dos primeiros shows dele no Maiden, sendo 1 festival (aberto) e 2 shows em arena fechada (um de perto, outro de arquibancada e longe) – creio que pude uma boa experiência com isso. Para registro: o show em Trondheim é o quinto da banda com Simon, e os 2 em Estocolmo são o oitavo e nono. Assim, o registro de primeiras impressões é ainda mais justo, afinal, é novo para a banda, para Simon, para mim, para você, para todos.
  • Já vi 2 shows do British Lion, então, no total, vi 5 vezes Simon Dawson ao vivo.
  • aproveitar que o Simon ACABOU de começar a tocar com o Iron Maiden – creio que é seguro dizer que não há idolatria por Simon ainda, nem por mim, nem por ninguém.
  • A banda tem 50 anos! Não é como a entrada do Nicko no lugar do Clive! A banda está perto do fim. O legado está estabelecido, a sonoridade. Há de se respeitar isso. Simon não entrou em momento de uma banda de ascensão, de início, de tentar “coisas novas”, necessariamente. Pelo contrário: a missão é de preservar e respeitar o legado, ainda mais em uma tour comemorativa e cheia de hits / “best of”. Esse ponto é muito relevante, pois “aterrissa” a análise. Além disso, deixando claro: não é para termos comparação com Clive ou Nicko.

Em um novo marco na história de quase meio século desde que Steve fundou a banda, e após tantos anos com um baterista que ajudou a definir o que se tornaria de verdade o Iron Maiden, por motivos de saúde, Nicko faz seu último show com a banda no país que a banda aprendeu a amar tanto (e vice-versa) em 07/dez/2024, sendo São Paulo a cidade que também já está na história sendo a última a ver a formação mais longínqua da banda. O blog já trouxe como foi a escolha de Simon para o Iron Maiden, então vamos pular para maio/junho de 2025…

Ok, estamos agora nestes primeiros shows da banda com Simon. Alguns fatos:

  • Simon teve, NO MÍNIMO, bons 6 meses de tempo para se preparar para a tour.
  • tendo um setlist fixo (abaixo a primeira noite da tour 2025, que deve seguir até o fim em 2026), como a banda faz (infelizmente) há anos, e diferente de muitos outros músicos de tantas e tantas bandas que entraram em postos difíceis como este, Simon não teve que se preocupar em aprender em detalhes outras músicas da discografia que não as abaixo. Mas é seguro dizer ainda que Simon teve mais que de 07/dez/2023 a 27/mai/2025 para aprender as 17 músicas abaixo – ele já deveria saber que ocuparia o posto pelo menos (PELO MENOS) mais uns meses antes. Claro, neste momento, a banda talvez ainda não tivesse definido quais músicas tocaria ainda na tour atual, mas olhando o set, vemos minimamente 1/3 dele como óbvio.
Iron Maiden Setlist Papp László Sportaréna, Budapest, Hungary 2025, Run for Your Lives
  • O setlist acima, instrumentalmente e “baterísticamente” falando, não apresenta grandes complexidades técnicas (para o Bruce, aí sim, a coisa é bem mais complicada). Além disso, a maioria das músicas é hit absoluto. Vejam, digo isso com a perspectiva de que um baterista experiente, profissional, de primeira linha, entrando em uma instituição do heavy metal como o Iron Maiden não deveria ter dificuldade de tocar o set acima – não é para “ficar nervoso” se você é realmente um baterista de primeira linha – há exemplos mil disso por aí – Sepultura, Dream Theater, Slipknot, Foo Fighters (em breve) – todos eles passaram por trocas de ícones na bateria e com shows ao vivo e impecáveis do ponto de vista da execução (e não comparação com o predecessor) dos sets.

Com os fatos apresentados acima, vamos seguir…

  • Abaixo um pouco do kit que usa – e aqui sim vamos fazer uma comparação não dele com os anteriores, mas técnica: é um kit muito menor, mais simples, e com isso temos menos opções de variações que podem ser apresentadas quando pensamos que no kit usado por Nicko por mais de 40 anos. Os tons são grandes, mas há menos do que o kit do Nicko. Além disso, Simon opta por poucos pratos e um bumbo que *visualmente* parece menor (não fui atrás disso). Fato é: por si só, é óbvio que a sonoridade das músicas muda, sendo o Simon ou o Nicko tocando ali.

E após 3 shows, quais são minhas impressões iniciais?

  • Simon é um baterista muito, muito bom. Toca forte, tem pegada. Trouxe de volta o “tempo” de muitas músicas, com algumas exceções como Murders ou Aces High. Já dá bons sinais de ser um músico / pessoa carismática (padrão britânico). Mas…
  • … Simon não é um baterista de primeiríssima linha. Por primeira linha, entenda que estou falando de um baterista que se senta na “Instituição Iron Maiden”. Aqui, de novo, não é a ideia discutir os motivos disso, os motivos do Harris e Rod terem optado por ele, etc. Estou apenas apresentando um fato.
  • Simon apresenta muitas levadas de maneira diferente, e aqui está o principal ponto do post todo: a condução característica do Iron Maiden nas últimas 40 décadas, no ride, ou foram movidas para o chimbal (hi-hat), ou para mim o pior fato – foram simplificadas – aquela “dinâmica” da mão direita e as alternâncias no ride / cúpula que sempre foram o motor e característica do Iron Maiden foi embora, na verdade. As levadas ficaram simples, sem as dobras, como se fosse alguém que está “aprendendo” e só quer manter a música no tempo. Além disso, há pouquíssima acentuação agora, tanto no ride, quanto no resto das peças em geral – e isso é muito relevante no resultado final. Em resumo: ele toca “reto”. Quer um exemplo? Veja um trecho de Rime abaixo a partir do 1:30 do vídeos…
  • Outro ponto fundamental do post: a abertura do chimbal “no contra” (e), tão característica no som da banda, foi substituída em muitos momentos por Simon pela caixa. Ou seja, ao invés do som do chimbal abrindo, Simon opta por colocar o contra na caixa. Isso muda, e muito, o som durante a música (e no comentário pessoal – para mim, incomoda quando se afasta muito do original).
  • Algumas músicas do set não estão funcionando tão bem como ele. Em especial, Murders e Phantom. Essas duas considero fato. Outras são mais pessoais / interpretativas, mas destaco Killers, Rime, Hallowed e Aces High – são músicas que estão passando, mas perderem muito em suas execuções.

Aqui vamos a outro fato, e depois uma opinião…

  • Fato: Simon segue errando a execução das músicas. O exemplo mais recente e latente foi em Phantom no primeiro show em Estocolmo, no qual eu estava curiosamente filmando a música dado meu apreço por ela, mas fui interrompido por um segurança (acho) que veio reclamar em sueco comigo e resolvi parar (afinal, o errado era realmente eu). Mas o trecho do erro está abaixo e respeitosamente discordo dos comentários do post dos queridos amigos do IMBNotícias, que é uma excepcional referência de IM no país / mundo. O fato é que Simon entrou antes na evolução, e a banda demorou uns bons segundos para se achar – a música correu um risco de parar, que seria o auge do inaceitável para músicos profissionais.

Quero fazer, entretanto, uma ressalva importante e pessoal: erros acontecem e são normais, humanos, e eu sou totalmente favorável a ter isso vs playback. Viva a música ao vivo, viva o erro – ainda mais nos dias de hoje. Agora, esse foi um erro bastante primário… eu estava lá, e acho que o fato de * possivelmente* eles estarem com problema no áudio não fariam irem tão longe assim. A coisa foi feia, e só ajustada com o Bruce voltando a cantar (ou seja, o Bruce que puxou o acerto, e não a bateria ou a linha de frente das cordas). Na segunda noite, o Adrian e Harris foram ali perto dele de uma forma mais “incisiva”, e isso foi bastante claro ao vivo. Na primeira, Adrian saiu claramente incomodado (bravo mesmo) durante a parte final de Phantom, como talvez nunca vi…

Agora vamos à opinião e comentários finais?

  • Como disse, vi 5 shows do Simon. Dois deles não posso dizer muito, afinal, não conheço British Lion e nem acho que as músicas desse lado são lá muita coisa. Mas lá, o som da bateria até se destaca (a barra é baixa…).
  • A questão da dinâmica do ride, que trouxe acima, é o principal ponto para mim. Talvez tenha sido isso que o Bruce tenha tido a intenção de dizer quando comentou ele se parece com o Clive. Momentos como em Hallowed, isso pode ser um pouco mais verdade – e ali sim, a caixa no contra remete ao Clive, original. Momentos de músicas do Nicko, a coisa não é bem assim (Rime, Powerslave…).
  • No Iron Maiden de hoje em dia e há muitos anos, na verdade, é difícil aceitar erros graves. A banda não tem essa premissa. Ninguém erra mais nesta altura do campeonato. O show da banda é um “relógio” há anos e anos, com um setlist fixo e um palco todo automatizado e sincronizado. Salvo problemas técnicos realmente relevantes, não há espaço para isso mais. De novo, nesta altura de campeonato, com a banda tocando um set comemorativo, com um palco com telões que “avançam” com a música, com tanto tempo para praticar / estudar, e se tratando de Iron Maiden, não, não é aceitável. O erro dele em Phantom foi uma “sorte”, pois o telão não tem variações importantes, porque se fosse em Rime, Hallowed, 666, Powerslave, Aces High, entre outras, nada ia “bater” mais…

A pergunta de um BILHÃO de dólares: vai dar certo?

  • Opinião: já deu. Simon é um baterista muito bom. Seria uma escolha minha? Não. Seria uma escolha de alguém aqui? Improvável. Poderia ter outros 100.000 fazendo o papel ali melhor? Sem dúvidas. O ponto não é esse, nunca foi, e historicamente, Harris sempre olhou outros atributos (vide Blaze, vide Gers) para escolher quem estaria no palco e no estúdio. A diferença de antes para agora, entretanto, é que a banda não está mais na crescente ou com muitos anos de estrada, como das alterações de formações (vejam, foram 25 anos sem alteração de formação – de 1999 a 2024).
  • Eu aceito erros pois isso é ter música ao vivo de verdade, e não playback e afins. O que não dá para aceitar são erros básicos e primários. Isso não.
  • O fato da troca do estilo da condução / levada incomoda, mas não é “erro”… mas para mim, muito mais que a questão dos erros, é o principal ponto de incômodo até o momento.

Pontos e fatos feitos, e opiniões que podem mudar com outras perspectivas futuras, Long Live Simon Dawson – seja bem-vindo ao spotlight :-). E up The Irons!

A banda continua sobrando ao vivo… com ou sem Simon. Com Bruce cantando o que está cantando, Adrian e o resgate com suas lindíssimas Lado, Murray claramente mais motivado, a banda está leve e solta, menos tensa… pelo menos na linha de frente :-).

Up The Irons!

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Eduardo.



Categorias:Cada show é um show..., Entrevistas, Instrumentos, Iron Maiden, Resenhas, Setlists

14 respostas

  1. Excelente post. Muito bom posicionamento e sem emoção. Muito bom o termo “instituição Iron Maiden”. Nesse contetxo você tem toda razão …….”ah não, eu tenho razão?” Presidente uma assumidade quando o assunto é Iron Maiden. Ninguém hoje fala com tamanha propriedade Merecia ate um podcast pra ouvirmos dessa última empreitada….enfim eu sempre achei que os podcasts poderiam também ser assim: específicos quando exceções ocorressem

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    • Valeu, Rolf. Acho que o momento de falar era agora – afinal, da minha parte e de 99,99% de quem ouve Iron Maiden, não há idolatria (ainda) por Simon. Então, ainda mais para mim, a oportunidade de falar sem emoção era agora 🙂 – e nada como ver ao vivo, de uma banda que faz tudo ao vivo – aí sim temos a perspectiva.

      Sobre os podcasts, eu tenho saudade / sinto falta… você topando, o B-Side, gostaria de ver se mais alguém aqui confirma 100%…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Muito bom o texto, e creio que o ponto principal aí é: nesta “altura do campeonato” não dá pra ter este tipo de erro.

    Eu ouvi falar do erro na Phantom Of The Opera, eu vi o vídeo, ouvi várias vezes, me esforcei pra entender. Cheguei a lembrar dos problemas lá da Brave New World Tour, quando a formação tinha passado para um sexteto e cometeu vários erros em diversos shows, em vários pontos da tour – cheguei a resenhar o bootleg um dos primeiros shows, no Dynamo 2000, aqui no blog. E isso porque a banda teve a Ed Hunter tour para “aquecer e entrosar”. Até o backstage estava torto, o Rock in Rio foi um show de horrores em todos os aspectos técnicos, do som à gravação aos ‘props’ no palco.

    Mas eu pensei em tudo isso porque meu inconsciente queria “passar pano” pra banda. Só que fica impossível fazer tal comparação um quarto de século depois, com tanta bagagem, tanta experiência, com tantos músicos e profissionais de primeira linha. Parar uma música é, de fato, o auge do inaceitável – o Iron Maiden não interrompeu The Final Frontier nem mesmo com a queda da barreira em 2011, ou quando o empurra-empurra em Can I Play With Madness no Pacaembu tornou-se perigoso. De cabeça, só me lembro da banda ter interrompido uma execução em The Number Of The Beast, também em 2000, quando Janick caiu do palco. Realmente, não dá! Não pode!

    Mas aqui (e, creio, em lugar algum) não há pessoa alguma torcendo contra. Simon já deu certo, vai executar com competência aquilo que sua posição demanda, e sua “levada” por ou não mudar de acordo com o que os demais integrantes desejem (e que o Patrão concorde/mande). Não conheço o trabalho pregresso mas creio que ele tenha habilidade para tal, se a banda realmente desejar que ele calce melhor os sapatos de Nicko. A ver, eu ainda não tive oportunidade de vê-los ao vivo (nem mesmo no YouTube) para dar uma opinião melhor, mas assim que possível tentarei ver/ouvir se sinto o mesmo incômodo com o estilo de condução.

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    • Caio, ter um comentário seu aqui é sempre um privilégio absoluto – autoridade em Iron Maiden, mas sempre muito cuidadoso e ponderado… espero que esteja tudo certo contigo!

      Obrigado então pelo comentário no ponto aqui – é exatamente isso: nesta altura do campeonato, e com o tempo que foi concedido, um setlist fixo, “leve” tecnicamente para pelo menos 2/3 dele… com tanta vagagem, experiência, opções técnicas, dinheiro, cara… vejo muita banda cover de Iron Maiden (por exemplo, o Eric da Beast Experience) que jamais se perderia ali – com som funcionando, com retorno morto, não importa… a coisa sairia automaticamente, no sangue…

      Tivemos vários exemplos de outras bandas ao longo de tantas décadas para nos basearmos. Vários approaches diferentes – desde músicos mais novos (Sepultura), músicos experientes (Dream Theater), fãs (Tim Ripper no Judas – e em post impossível também de substituição)… enfim… opção não falta. O Rod e Harris, claro, ficaram “no quentinho”, no “reloginho”… creio que ninguém apostaria em Simon como primeira opção. E sim, ninguém está torcendo contra – inclusive, a recepção a ele quando Bruce apresentou-o nos shows que vi foi ótima (bom, dificilmente não seria).

      Por fim, de tudo, a condução no ride é o que pega mesmo, pelo menos para mim. É item fundamental no som da banda.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Queria deixar um comentário de agradecimento aqui para todos os sites e redes sociais de Iron Maiden que vem divulgando este post massivamente, e também a todos os novos seguidores que o blog vem recebendo desde ontem devido a este post. Na verdade, a ideia era registrar minhas impressões mesmo, mas entendo que realmente não havia ainda um post específico na internet trazendo aspectos que foram trazidos aqui.

    Um prazer e dou a boas-vindas a todos, e fiquem a vontade para comentarem e participarem além das redes sociais por aqui também!

    Up The Irons!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Bem, em toda a discografia do Iron Maiden que escrevi aqui no blog em nenhum momento eu trouxe análises técnicas do ponto de vista instrumental. Não só há esse post como há outros aqui com análises assim, mas eu não sou um cara que se incomoda tanto com questões como “o chimbal xpto”, o modelo de guitarra Y, a pedaleira ABC. Eu, como guitarrista amador que sou, sei sim que equipamento é importante, mas como fã de boa música, sei que o profissional que está tocando tem condições de fazer coisas muito boas com kits básicos ou não (falar de equipamento no Iron Maiden não é algo que vale a pena – é tudo de primeira linha). Portanto, o fato de Simon usar um kit básico não me incomoda – tem muito exemplo por ai de baterista profissional que faz milagre com kit básico.

    O que me preocupou do seu comentário Edu foi o fato de Simon ainda errar muitas músicas. Eu não sou a pessoa que vai ficar procurando vídeos na internet nem vou acompanhar a turnê “à distância”. Em 20 anos, essa foi a primeira vez que vi o setlist que a banda estava tocando antes de presenciá-los ao vivo em terras brasilis. Ou seja, para minha experiência pessoal, o Simon ainta tem 1 ano e meio, mais ou menos, para azeitar a execução das músicas até a turnê chegar no Brasil. Agora, isso não significa que o Steve não deve estar puxando o cara com muita pressão para acertar qualquer coisa que o chefe não esteja contente. Simon deve sim estar sob muita pressão – e não é para menos, ele faz parte do lineup do Iron Maiden. Ele faz parte de um seleto grupo de bandas que escreveu com letras maiúsculas o nome na história do Heavy Metal. Então, ele que aguente a pressão, profissional que é.

    Concordo plenamente com a questão do “ao vivo com erro” é melhor. Sou contra playback, algo que ouço muitas vezes em shows. Prefiro o Gillan se matando no palco e falhando feio do que o que presenciei com o Halford no último Monster of Rock. Isso é uma escolha que vai de cada banda, SE A IDADE realmente pesar. No caso do Iron Maiden, isso não é um problema atual. Quando virou, o baterista foi trocado. Dá saudade do Nicko? Claro! Foram anos e anos com a mesma formação e quem cresceu ouvindo a banda (como é o meu caso) cria uma conexão com o músico que é tão forte quanto os amigos próximos…

    Vou deixar a parte técnica da bateria para os bateristas aqui do blog. Eu vi o excerto que você gravou de Rime of the Ancient Mariner e o que me incomodou (gosto pessoal aqui), foi a falta dos ataques nos pratos tão característicos do Nicko (mas que depois do AVC ele também não faria). Não vou procurar outras músicas na internet, como já disse antes, então as minhas impressões sobre o Simon vão mesmo ficar para quando eu ver a banda ao vivo no Brasil.

    E viva o Iron Maiden!

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    • Kelsei, sempre bom ter seu ponto de vista de especialista absoluto por aqui. Como você também bem sabe, eu passo longe de ser um bom baterista, ainda que eu siga insistindo, então o meu comentário, nesse sentido, também é amador – mas, vamos lá, noção boa e observação fiel todos nós aqui temos.

      Mostrei umas coisas para meu professor de bateria – esse sim, tocando a 220 bpm em banda de death metal que nem a gente levanta um copo (vazio). Mas mais que isso, um cara que conhece de metal, conhece de música em geral, desde samba e estilos africanos até Mayhem e afins. Ele “carimbou” os comentários que fiz e também entende ser inaceitável nesta altura do campeonato os erros que estamos vendo. Além disso, também entende que “viradas, ok, mas levadas não devem ser alteradas, em RESPEITO ao legado e a uma tour que celebra justamente isso”. Frase dele, por isso, as aspas.

      Ele tem poucos pratos para atacar e, assim, até mesmo a variação que nos acostumamos a ouvir fica afetada. Aí, não tem jeito, isso não é erro, é simplesmente o que é… agora, que poderia pelo menos ter o gongo para Rime, e o Bruce bater, ahhh, poderia… faz falta :-).

      Estaremos lá ano que vem para chorarmos juntos pelo legado desta banda que amamos. Até lá, não tenho dúvidas que ele vai ter se ajeitado 110%, bom batera que é. Mas para ficar claro: toca reto, toca muito com o braço, pinça bem menos dinâmica, ride simples… isso dificilmente vai mudar nesta altura da carreira dele.

      Viva o Iron Maiden!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Edu, já que voces não foram passionais, eu vou ser… Pois bem, conheci o Nicko na Virada Icônica de Where Eagles Dare, esse foi o meu primeiro contato com o ele e logo de cara fiquei impressionado com a técnica e o som que ele tirava do seu gigantesco Kit da Sonor, Logo após veio Revelations e o que eu considero a musica mais bem gravada deles, consigo ouvir a vibração do prato de condução nos intervalos entre as guitarras, aquilo me hipnotizou, não conseguia tirar o disco da Pick-up. Quero falar do Nicko justamente para poder entrar no assunto de sua resenha, Simon Dawson. Simon é o oposto de tudo o que senti quando conheci Nicko, ele não traz personalidade, não traz emoção, não traz um Kit fabuloso, não acrescenta nada e acho que por isso foi chamado, o Harris já pode pedir musica no fantástico, Blaze, Gers e Simon, está de parabéns, Sr Harris.

    Percebo que ele não se esmera para parecer autentico ou fazer exatamente igual as musicas originais, me parece mais um desleixo em tocar o que já foi tocado 1 milhão de vezes, parece que faz o óbvio e está bom assim, tipo “fui contratado pra isso e somente isso”.

    É fato que assim como o Lars no Metallica, o tempo do Nicko passou, após o problema de saúde que teve, realmente ficou debilitado e não tinha como continuar sem manchar seu próprio legado, saiu na hora certa.

    Voce, Edu, fala com clareza quando diz que não seria a escolha de ninguém e endosso aqui abaixo, teria uns 5 bateras pra colocar no lugar e um deles, vou opinar, seria o brasileiro Eric Claros da banda Cover do Maiden, toca exatamente fiel as musicas, mas daí tem uma distancia muito grande em achar que ele poderia estar lá.

    Sobre os erros, entendo e sabemos que erros acontecem, mas parece algo a mais do que nervosismo, talvez um desleixo de chamar alguém que não parece assim tão confortável em saber que talvez ele não fosse a melhor escolha pra banda.

    Simon simplifica demais as musicas que o Nicko e o Clive criaram com tanto esmero, muda as levadas, parece que está fora do andamento, tira a beleza da batera que brilhava dentre tantas guitarras e levadas de baixo e voz, em resumo, não gostei. Muito pertinente o que falou sobre ele trocar o Condução pelo Hi-Hat e colocar a caixa aonde não tinha, putzzz, avacalhou tudo.

    Resumindo, ele não tem a dinâmica, não tem o talento e não tem o ritmo e velocidade que o Nicko tinha, infelizmente. Nem vou entrar na técnica de um bumbo só do Nicko que pareciam 2, fantástico, lenda, que aí seria covardia. Não gostei da escolha, pronto!

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  6. O post é fantástico, os comentários, ainda melhores. A questão é polêmica, mas o que se esperar do Sr Harris,né?

    Eu nunca me atrevi mais do que 30 segundos em uma bateria, e olha que não faltou oportunidade, isso não é pra mim mesmo.

    Assim, eu só posso endossar aqueles que entendem tanto do negócio, e que , além do brilhante texto escrito pelo bateria Eduardo, complementaram aqui. Falta o Marcus, mas já temos um senhor comentário do Bruno, passional e técnico ao mesmo tempo.

    Eu ouvi claramente o erro em Phamtom of The Opera e se incomodou o Adrian é por que a coisa tava feia.

    Vou tentar, ao contrário do Kelsei, ver mais vídeos da atual tour para entender o lance da condução no ride, da inversão escolhendo a caixa, e outros detalhes tão bem levantados aqui.

    Em relação ao Nicko, nem cabe a comparação. Ele está no patamar dos caras que tem una assinatura. O bumbo que parece ser dois, poucos fazem como ele.

    Apesar disso, se o patrão quer uma parça na batera, para não encher o saco, a essa altura do campeonato, tá valendo, então , seja bem-vindo , Simon. Se não for por isso, ai embolou..

    Por qual outro motivo o Harris fez isso, e de novo, aliás, ninguém entende…

    Nem ele, talvez

    Alexandre

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    • B-Side, obrigado sempre por trazer suas impressões também – alguém que acompanha o Iron Maiden de perto basicamente por 40+ anos, só isso…

      Veja sim os vídeos. Trouxe o exemplo em Rime, mas basta ver qualquer música que tenha bastante condução para ver. Até em Rime mesmo, veja o vídeo inteiro se puder (que é na verdade um compilado de trechos), e você verá mais claramente…

      Acho que é isso: o tal “parça”. Não foi, claramente, uma escolha técnica. Bom, nunca é, mas neste caso, mais ainda…

      Compará-lo com o Nicko? Fugi disso no post, fugi disso vendo a banda ao vivo, e vou tentar fugir disso para sempre…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  7. Muito na linha deste post e de alguém que claramente entende muito da banda e de música – e também esteve presente em terras nórdicas…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Respeito cada palavra deste cara, e até indico o canal dele no YouTube. Ele tem razão como poucos em que tal baixar meio tom a partir de agora, ou sobre o que ele achou do novo baterista. Como souvenir, segue abaixo o vídeo dele com a própria Lado, sim, ele é um dos poucos no planeta a ter uma guitarra destas…

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  8. Obviamente, Nicko foi polido e político aqui… mas vale a pena a leitura de tudo, inclusive contanto com informações sobre o momento que ele “realizou” que deveria sair da banda no que tange a fazer tours…

    NICKO MCBRAIN Says IRON MAIDEN’s New Drummer SIMON DAWSON Is ‘Doing A Fantastic Job’:

    https://blabbermouth.net/news/nicko-mcbrain-says-iron-maidens-new-drummer-simon-dawson-is-doing-a-fantastic-job

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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