A spirit with a vision is a dream with a mission… Neil Peart, Mission.

Com mais quatro álbuns de estúdio fechando a terceira fase da banda, chegava a hora de fazer outro disco duplo ao vivo. O novo trabalho, intitulado “A Show of Hands” apresentou basicamente o material da turnê de “Hold Your Fire”, porém duas faixas foram gravadas em New Jersey, em duas datas da turnê anterior, de “Power Windows”, nos dias 31 de março e 1º de abril de 1986. O grupo na ocasião cada vez mais fazia um balanço entre o tempo dedicado aos shows e gravações de álbuns e o tempo em que se dedicavam aos compromissos pessoais. Assim, pela primeira vez desde “Permanent Waves” eles não fizeram shows de aquecimento para a turnê principal, assim como não excursionaram para promover o duplo ao vivo, após o seu lançamento, em janeiro de 1989. Como a turnê de “Hold Your Fire” durou do dia 29 de outubro de 1987 ao show derradeiro, na Alemanha, em 05 de maio de 1988, na prática o que se percebeu foi uma ausência dos palcos por quase dois anos, interrompida pela excursão que o grupo faria para promover o álbum posterior a este duplo ao vivo, já em fevereiro de 1990.
Assim, após algumas datas na costa atlântica do Canadá em outubro de 1987, o trio partiu para os Estados Unidos, tendo como banda de abertura o McAuley Schenker Group. Há notícias de que Neil e Geddy estariam propensos a fazer um projeto paralelo com o guitar hero Michael Schenker, mas este informou à ocasião que a ideia não saiu de algumas poucas conversas soltas. As outras bandas que abriram os shows no continente norte americano foram Chalk Circle, The Rainmakers e Tommy Shaw, vocalista e guitarrista da banda Styx em carreira solo. No dvd bônus de R30, há um easter-egg contendo imagens prévias da apresentação em St John’s, nos dias 29 e 30 de outubro de 1987. O capítulo deste material será desenvolvido mais à frente na discografia, mas você pode ver o vídeo aqui:
Os shows abertos pelo Chalk Circle foram feitos especificamente no Canadá. Em janeiro e fevereiro de 1988 o grupo gravou três shows com intuito de obter material para o álbum ao vivo, em New Orleans, Phoenix e San Diego, nos dias 27 de janeiro, 01 e 03 de fevereiro, respectivamente. Três datas adicionais seriam gravadas em 21, 23 e 24 de abril, todas em Birmingham, no Reino Unido, já que a banda seguiu para uma curta turnê europeia, fechada em 5 de maio na Alemanha com a abertura da Wishbone Ash.

O estilo de gravar um disco ao vivo, basicamente tomando um punhado de shows e escolhendo o melhor material que havia sido registrado nas melhores datas, é talvez a melhor forma para fazer um tipo de álbum como esse. Sendo uma coletânea de gravações de cinco datas ao longo de duas turnês, o álbum acaba por representar uma noite ideal daquele período. Na prática, para o trio e seu imenso crew, aquilo era uma bênção, porque eles poderiam simplesmente ignorar que a fita estava gravando, fazer o seu melhor, de forma bem mais relaxada. Alex recorda-se do álbum dizendo que: “…I think it’s an honest álbum…” “…A lot of the live albums you hear are 50 percent live and 50 percent repair jobs in the studio…” “…Fortunately, we didn’t have to worry about that. We spent weeks going through the material, picking the songs and the best parts, getting all the right stuff. To me, it sounds like a live album…” ou seja, “…Acho que é um álbum honesto…””…Muitos dos álbuns ao vivo que você ouve são 50% ao vivo e 50% de reparos em estúdio…””…Felizmente, não precisamos nos preocupar com isso. Passamos semanas analisando o material, escolhendo as músicas e as melhores partes, acertando tudo. Para mim, soa como um álbum ao vivo…”

Na turnê de “Hold Your Fire”, o Rush recebeu cerca de 675.000 pessoas, distribuídas pelos 78 shows. Do novo álbum, o trio tocou 6 das 10 músicas inéditas. Pela primeira vez, então, o grupo abriu mão de tocar praticamente todo o álbum, como vinham fazendo quase desde o início da carreira. Normalmente, nos shows anteriores, eles escolhiam uma faixa do então novo álbum para não tocar. De “Hold Your Fire” o grupo não tocou ao vivo as faixas “Open Secrets” e “Second Nature”, músicas de clima mais calmo e as duas últimas músicas do álbum, “Tai Shain” e “High Water. O set list praticamente não se modificou durante a turnê, apenas a obscura faixa “Red Lenses” não foi tocada em uma única vez durante toda a excursão e o trio resolveu incluir também apenas uma vez a faixa “The Enemy Within” foi tocada no dia 27/11 na cidade Charlotte, na Carolina do Norte, EUA.”. Abaixo, segue um exemplo do set list de 1987:

A enorme produção em que havia se tornado um show do Rush na ocasião envolvia uma série de questões, algumas delas incrivelmente complicadas. O gerente de turnê e diretor de luzes daqueles shows, Howard Ungerleider, afirmava na época que eles tinham todo o apoio do trio para ousar e criar. Além disso, segundo Howard, eles tinham o dinheiro, a habilidade e a equipe para dar conta de tudo. A relação de Ungerleider com o trio envolvia principalmente a participação e acompanhamento de Geddy Lee, mas este tinha especial carinho com as partes de animação que eram exibidas no telão em perfeita sincronia com as performances musicais. O sincronismo envolvia, além de luzes, animação, filmes e a música produzida pelo trio, também o uso dos samplers e sequenciadores. O grupo, às voltas com toda a tecnologia disponível, tentava reproduzir todas as coisas que estavam nos discos. Se eles fizessem uma retrospectiva para os anos iniciais da banda, havia uma grande diferença em faltar uma guitarra gravada em estúdio, como base de um solo, que dificilmente seria reproduzida de forma igual ao vivo para o que ficaria de fora em 1987. Eram inúmeros sons de teclados e também havia orquestra e coro. E o trio queria ser capaz, pelo menos, de serem responsáveis pelos acionamentos destas ferramentas no momento exato de cada canção, fosse no uso dos samplers, fosse por iniciar um sequencer no teclado, nos pads de bateria ou mesmo nos foot-controlers. Eles não queriam ter que tocar com o click e simplesmente automatizar a coisa toda.

Geddy começou a perceber que eram tarefas demasiadas para ele, então passou a dividir algumas partes com Alex, para depois passar partes até mesmo para Neil, já que ele estava usando a bateria eletrônica e já tinha uma série de elementos percussivos trigados aos seus pads. Ainda assim, às vezes havia um sample extra que Geddy passava para Neil, pois, segundo o baixista “…o troço acabava se tornando problema dele [risos]…” o baixista segue, dizendo que “Não consigo pensar em outra banda com a mente aberta o suficiente para tentar tal configuração…” “…O resultado, extremamente desejável, trazia seus desafios, pois o sistema também tinha uma variedade de amostras e notas diferentes programadas para as mesmas teclas, o que exigia que eu memorizasse um teclado e um layout de pedal completamente diferentes para cada música…” “..A primeira prioridade do meu cérebro é cantar no tom; a segunda é garantir que estou tocando as notas certas na ordem certa; a terceira é a coreografia dos pedais e do teclado; a quarta é ouvir todos os outros e garantir que todos os aspectos técnicos do show estejam funcionando.”

Alex usou exclusivamente as guitarras Signature Aurora na turnê de “Hold Your Fire”, mas a fábrica fechou suas portas em 1990 o que fez o guitarrista procurar outro modelo para a sequência da carreira. Alex ainda instalou um dos captadores das Aurora em uma das suas guitarras futuras. Os modelos mais usados na turnê foram o branco e o preto.

Assim como Lifeson, Geddy também aposentou um dos seus instrumentos, os Steinbergs, após a turnê de “Hold Your Fire”. O baixista na ocasião estava totalmente dedicado ao som dos baixo Wal, assim preferiu usá-los exclusivamente na sequência da carreira do grupo. E apesar de usar o modelo Mk2 5-string da Wal nas gravações de “Lock and Key”, ao vivo o baixista preferiu usar modelos tradicionais, de 4 cordas.

O arsenal de teclados ficava prioritariamente fora do palco, pois o que se via do lado direito do palco eram os 2 controladores da Yamaha KX-76, além de um Yamaha DX7 e o Roland D50. Lee e Lifeson tinham os foot-controllers da Korg, modelo MPK-130 no chão, para ajudar nos sons sintetizados. No backstage, vários teclados, samplers e sequenciadores estavam conectados aos controladores KX-76, via MIDI. O técnico Tony Geranios ajudava Geddy ao disponibilizar 2 Akai S900 samplers, outros 2 QX-I sequencers, além dos sintetizadores Prophet VS, PPG 2.3 e Roland Super Jupiter. Neil Peart trouxe a sua nova bateria branca, com o bumbos logo das esferas vermelhas de “Hold Your Fire” impresso nos bumbos, conforme já detalhado no capítulo anterior desta discografia.Alex tocou teclado em um trecho de “Time Stand Still” a partir desta turnê.

Apesar do material em aúdio e vídeo de “A Show of Hands” ser apenas constituído de canções, sem espaço para entrevistas ou trechos cortados de determinadas faixas, as versões em cd/vinil divergem das diversas versões lançadas em formato de vídeo. Nas versões em vídeo, há espaço para o trecho final dos concertos, quando a banda tocava canções mais antigas. A versão em cd/vinil privilegiou as canções feitas a partir de “Signals”, tendo apenas “Closer To The Heart” fora deste critério. A ordem do duplo ao vivo, basta fazer uma pequena comparação com o set list acima. “Closer To The Heart”, que fecha o disco, foi tocada na turnê no meio do repertório. E algumas das músicas mais novas, especificamente “Territories” e “Prime Mover” acabaram por não fazer parte do repertório em vinil ou cd, além da inclusão de faixas gravadas na “Power Windows” Tour: “Mystic Rhythms” e “Witch Hunt”.
A capa do álbum duplo, por sua vez, ilustra em forma de animação o trio canadense se divertindo nos palcos, e se conecta com as imagens animadas que surgem no final do home vídeo. A concepção dos simpáticos personagens de desenho animado, chamados “The Rockin’ Constructivists” ficou a cargo do desenhista John Halfpenny. A moldura branca, desenvolvida por Hugh Syme, trouxe uma maior leveza e elegância ao desenho. O título, evidentemente, faz referência às letras de “Prime Mover”, do “Hold Your Fire”, mas curiosamente a música faz parte apenas da versão em vídeo do material, não há portanto a inclusão de “Prime Mover” no track-list final das versões em áudio, nem em cd nem em Lp.
Ficha técnica:

Geddy Lee: Baixo, sintetizadores e vocais
Alex Lifeson – Guitarras, sintetizadores e backing vocals.
Neil Peart – Percussão acústica e eletrônica.
Os vocais de Aimee Mann aparecem por cortesia da Epic Records.

Produzido por: Rush
Engenheiros de som: Paul Northfield
Gravado durante na “Hold Your Fire” tour 1987-88: Birmingham, na Inglaterra e New Orleans, Phoenix e San Diego nos EUA; e na “Power Windows” tour 1985-86 em Meadowlands, New Jersey, EUA, através do Le Mobile, assistido por Dave Roberts e pelo Advision Mobile, assistido por Gary Stewart and Peter Craigie.
Engenheiro de som: Guy Charbonneau
Mixado no: McClear Place Studios, Toronto, assistido por Rick Anderson
Masterizado no: Gateway Mastering Studios, Portland, Maine.
Direção artística: Hugh Syme
Fotografia: Fin Costello e Dimo Safari
Produção Executiva: Val Azzoli
Empresariamento: Ray Danniels, SRO Productions, Inc., Toronto

Créditos adicionais:
The Rockin’ Constructivists created by John Halfpenny
Tour Manager and Lighting Director: Howard Ungerleider
President and Stage Manager: Liam Birt
Production Manager: Nick Kotos
Concert Sound Engineer: Jon Erickson
Stage Left Technician: Skip Gildersleeve
Centre Stage Technician: Larry Allen
Stage Right Technician: Jim Johnson
Synthesizer Care and Feeding: Tony Geranios
Stage Monitor Engineer: Steve Byron
Concert Projectionist: Lee Tenner
Personal Shreve: Kevin Flewitt
Carpenter (and Stage Right Assistant): George Steinert
Concert Sound by Audio Analysts: Michael Caron, Paul Parker, Dan Schriber and Mike Mule
Lighting and See Factor Inc.: Frank Sciling, Jack Funk, Conrad Coriz, Roy Niendorf, Ethan Weber, Russell Sladek
Varilites: Matthew Druzbik, Daniel Koniar, Bill Snawder
Rear Screen Projections created by Keen Pitures, Norman Stangl
Concert Rigging by Myriad/One: Billy Collins, Don Collins, Tim Wendt, Bill Spoon
Lasers by Laser Media: Craig Spredeman; and Laserlite FX: Stev Magyar
Drivers: Tom Whittaker, Mac MacLear, John Davis, Daniel Harmer, Tom Hartman, Leonard Southwick, Bill Barlow, Rande Wolters, and Russell Fleming
Booking Agencies: International Creative Management, NYC, The Agency Group, London; The Agency, Toronto

For valuable and continuing technical assistance we would like to thank Jim Burgess and Saved By Technology, Wal basses, Signature guitars, Ludwig drums, Avedis Zildjian cymbals, Russ Heinl, and The Percussion Center, Fort Wayne.
And at SRO/Anthem: Wayner, Stu Gaatz, Pegi, Sheila, Kim, Evelyn, Bob, Cindy, Wall-Tor, Linda and Pat.
Dedicated to the memory of Sam Charters (Screvato)
© 1989 Mercury Records © 1989 Anthem Entertainment




Lado A
Intro (0:53)
The Big Money (5:52)
Subdivisions (5:19)
Marathon (6:32)
Lado B
Turn the Page (4:40)
Manhattan Project (5:00)
Mission (5:44)
Lado C
Distant Early Warning (5:18)
Mystic Rhythms (5:32)
Witch Hunt (Part III of Fear) (3:55)
The Rhythm Method (4:34)
Lado D
Force Ten (4:50)
Time Stand Still (5:10)
Red Sector A (5:12)
Closer To The Heart (4:53)

O álbum duplo ao vivo foi lançado internacionalmente em 09 de janeiro de 1989, cerca de 1 mês e meio antes do formato em vídeo ter sido lançado. As vendagens praticamente repetiram o resultado de “Hold Your Fire”, com 500 mil cópias vendidas e certificadas em 1990 nos EUA e 100.000 mil cópias no Canadá. Na Inglaterra, no entanto, o álbum não atingiu qualquer certificação, mas atingiu o 12º lugar nas paradas. Na Billboard, o álbum atingiu um resultado ainda menos expressivo que “Hold Your Fire”, chegando ao 21º lugar como ranking mais alto. “A Show of Hands” obteve críticas mornas de grande parte da crítica especializada, a grande maioria das análises considera um álbum menos relevante, alguns críticos mencionam que há poucas faixas de “Signals” e “Grace Under Pressure” nele. A Kerrang deu nota 4 de 5 para o álbum, a melhor avaliação. Já a revista Rolling Stone, obviamente, classificou da pior forma o álbum, dando apenas 1 de 5 para “A Show of Hands”. Do álbum foram retirados três singles, o primeiro em formato de compacto (7 polegadas), contendo “Closer To The Heart” e “Witch Hunt” no lado B. O segundo single, “Mission”, foi lançado em formato de vinil de 12 polegadas. O último single foi “Marathon”, que também veiculou no formato de vídeo clip, lançado em formato de CD promo e vinil de 12 polegadas. O vídeo clip traz um compilado das imagens do show todo, com diversos trechos em slow motion, e closes mostrando a versão ao vivo da canção.
1-“Intro”
O álbum se inicia com o playback da trilha sonora do clássico seriado pastelão The Three Stooges (os Três Patetas) nos PAs, com a plateia em êxtase. Em poucos segundos a banda já está no palco para tocar a primeira canção. Não consta oficialmente nos créditos ou demais fontes de qual show esse playback foi retirado, mas é bem provável que ele seja do mesmo show da faixa que o sucede, em Birmingham.
Uma das faixas mais fortes do terceiro período do conjunto, “The Big Money” foi a escolhida de forma certeira para abrir os shows daquela turnê, privilegiando a escolha da canção em relação a alguma de “Hold Your Fire”. É uma canção com muito mais poder de ser o opening-act daquela turnê. A versão ao vivo é impecável, quase um playback ao vivo. No solo, aos 3:24, a bateria e o baixo no fundo se mostram mais vigorosos em relação ao que se ouve em estúdio. O solo é praticamente uma reprodução da excelência do que foi gravado em “Power Windows”. Há ligeiras variações nos vocais no último trecho, perto dos 4:30, um pouco mais de uso do efeito de whammy-bar por Alex também no mesmo trecho, detalhes muito sutis. A pausa, antes do fim, traz uma plateia enlouquecida se manifestando. A grande mudança se dá no fim, já que o original é um fade-out. O trio faz uma pausa maior para o acorde final e inclui no arranjo o riff inicial da canção “Earache My Eye”, do grupo Cheech & Chong, executado, porém, de forma muito mais cadenciada.
O show de Birmingham segue, trazendo uma faixa mais antiga, mas não menos clássica. “Subdivisions” é a precursora da terceira fase da banda, a primeira música a ser composta com essa proposta mais calcada nos teclados, um hino do grupo. Novamente o grupo traz uma versão energética e próxima da que foi gravada no álbum “Signals”, com pouquíssimas variações no vocal, por exemplo, em 1:56, quando Geddy estende um pouco mais a frase ou em 3:07, talvez concatenando melhor sua voz com seu o baixo e o teclado. Novamente, por volta dos 4:00, Alex entrega um solo perfeito, que novamente é acompanhado com bastante vigor da cozinha, um trecho que fica mais pesado do que o original. O final, com as viradas de bateria e o teclado em primeiro plano, é muito fiel ao gravado em “Signals”.
4 – “Marathon”
Continuamos em Birmingham, ainda sem a estreia de qualquer música do último álbum. Na ordem do show, eles tocavam “Limelight”, porém a clássica faixa de “Moving Pictures” foi uma das excluídas para dar espaço as novas canções no álbum ao vivo. “Marathon” do “Power Windows” mantém a dinâmica do show para cima, com uma versão com o baixo de Geddy bem pronunciado, ainda mais do que o que foi gravada em estúdio. Aos 3:01 Lee está praticamente sozinho, acompanhado apenas de Neil, podemos ouvir a potência da sonoridade do instrumento que domina todos os espaços, para Alex começar um outro ótimo solo. O trecho entre 3:58 e o final traz alguns improvisos e aumento do uso da alavanca por Lifeson, tudo muito bem executado. Em 4:54 os samplers e teclados acrescentam os sons do coral que Peter Collins trouxe na versão de estúdio. A ótima versão tornou-se figura muito presente na programação da MTV e demais veículos que divulgavam os videoclips. Próximo ao final, a partir de 6:12, a plateia reage de forma efusiva, para o final adaptado da canção, que no original também vinha em fade-out. Ainda no finalzinho, ouve-se alguns acordes da próxima canção.
Apesar de alguns acordes iniciais estarem na faixa anterior, a versão de “Turn The Page” não segue a performance do início do álbum, pois essa é uma gravação feita em New Orleans. A música é a primeira do novo álbum a ser executada, traz uma performance mais vigorosa do que o que há em estúdio, com maior presença da guitarra e o solo dramático de Alex em destaque. Ainda assim é uma versão muito próxima do original, há apenas a participação da plateia principalmente nos momentos mais calmos, por exemplo, em 3:30.
A batida marcial de “Manhattan Project” dá a sequência na ordem original do show, mas a versão que está em “A Show of Hands” foi gravada em outra cidade, Phoenix. Após as rufadas iniciais, a primeira nota do teclado de Geddy traz um timbre ligeiramente diferente do gravado no álbum “Power Windows”, mas as demais camadas do instrumento que se seguem estão muito próximas na sonoridade do arranjo original. Em cerca de 0:58 percebe-se um trecho no qual o papel do baixo é substituído por notas graves do teclado. Novamente a banda usa da tecnologia para ter acrescido o arranjo de cordas original a partir de 3:14. O grupo acrescenta um acorde final de teclados que substitui o arranjo em fade-out original.
7 –“Mission”
“Mission” foi gravada em San Diego e fecha o lado B original do vinil, que contém faixas gravadas exclusivamente nos EUA, porém a faixa está bastante deslocada de sua ordem original no show, onde vem bem mais à frente, já no trecho final do repertório principal. As guitarras de Alex saltam um pouco mais na mixagem, principalmente nas estrofes, como por exemplo, em 0:55. A música traz vocais mais carregados de emoção, em especial no refrão, Geddy faz um ótimo papel também ao vivo. Em 3:22 eles reproduzem aquele trecho com marimbas e caixas que serve de solo da canção, algo bastante inédito e inusitado na carreira. A reprodução beira à perfeição. A música segue para um trecho mais lento, com participação ao fundo da plateia. O lindo solo lento de Lifeson surge em 4:42, bem próximo do gravado em estúdio, quando a música seguiria para um fade-out. Novamente o grupo prepara um arranjo diferenciado adicionando um trecho do refrão da canção para terminá-la.
Voltamos a Birmingham, notas fantasmagóricas surgem em playback, preparando todos para a entrada de “Distant Early Warning”, que inicialmente viria depois de “Closer To The Heart”. A faixa do “Grace Under Pressure” traz as batidas eletrônicas em boa parte da canção, mas a caixa de Peart, em especial a partir do primeiro refrão, em 1:43, é mais vigorosa do que o que está em estúdio. Novamente a plateia reage em êxtase na volta do solo, em 4:00, como já havia sido percebida na versão da “Grace Under Pressure Tour”, naquele momento apenas disponível na versão que está no disco beneficente Hear ‘n’ Aid. Geddy altera brevemente os “Absalom” do fim da canção, fechando uma ótima performance do trio.
9 – “Mystic Rhythms”
Neil já começou “Mystic Rhythms” quando Geddy anuncia a canção. O baterista protagoniza intensamente a versão, que foi gravada em Meadowlands. O violão de Alex começa a ser ouvido melhor a partir de 2:08, quando o guitarrista faz o dedilhado original da canção, antes, nos acordes, ele estava mais encoberto pelos eletrônicos do teclado e bateria. Em 3:20 há a primeira parada, e Neil improvisa usando bastante dos toms mais agudos. Em 4:05 Geddy usa frases mais agudas na canção, o vocal se mostra em ótima forma. Novamente o grupo usa o trecho principal ao final de forma estendida, para efetuar o fechamento que substitui o original em fade-out.
11 –“Witch Hunt” (Part III of “Fear”)
A terceira parte de “Fear” não está no “Exit…Stage Left”, sequer havia sido tocada na tour de “Moving Pictures”, e assim justifica a sua inclusão no álbum. A versão também é de Meadowlands e, como “Mystic Rhythms” , pertence a shows da turnê anterior, que divulgavam “Power Windows”. Em 2:00 aproximadamente, as guitarras de Lifeson trazem mais sujeira e peso à canção, de forma intencional. Em 3:19 Alex faz um solo que não está no original, para substituir o trecho de baixo que Geddy havia gravado. O solo é um pouco melhor do que aquele que conheceríamos mais à frente, quando o álbum “Grace Under Pressure Tour” fosse lançado, embora não tenha como ser comparado com a ótima performance que Lee fez na canção em estúdio.
12 –“The Rhythm Method”
A versão editada do solo de bateria de Peart, que foi cortada e trabalhada na pós-produção de estúdio pelo próprio Neil, é uma performance que procura resumir um pouco do icônico momento que as plateias presenciavam em 1987 e 1988. A gravação nos retorna a Birmingham e ali está o trecho em rufadas incrivelmente ágeis e precisas, o pedaço com uso eletrônico do glockenspiel, um trecho no qual o baterista utiliza todo o kit acústico e a inclusão dos metais de orquestras para fazer a trilha conjunta com a performance do gênio do instrumento. O trecho final mistura o gong bass drum com as linhas sintetizadas que Neil agrega. É, como sempre, um espetáculo único, mesmo para apenas se ouvir.
13 –“Force Ten”
O playback de “Force Ten” nos leva de volta para o meio dos shows, pois a sequência do duplo ao vivo em áudio vai trazer um lado D completamente deslocado de sua ordem original. A versão da faixa de abertura de “Hold Your Fire” é de Phoenix. Já em 1:07 os teclados estão um pouco mais proeminentes que a versão do estúdio, o que não compromete em absoluto a energia que a entrega ao vivo da canção nos proporciona. A plateia reage um pouco em cerca de 2:55, quando Lifeson acrescenta alguns harmônicos, alavancadas e breves fraseados no trecho instrumental, estando a guitarra bem mais presente nessa parte do que na gravação original. Exceto pela pequena reação acima, a plateia não se mostra tão presente. Em 4:05 Lee altera um pouco as linhas da melodia vocal. A plateia volta a reagir apenas no final, com a volta das britadeiras sampleadas tocadas no início da canção.
14 – “Time Stand Still”
De volta a Birmingham, a ótima “Time Stand Still” traz em playback a participação da cantora Aimee Mann, em outra canção deslocada de seu local original nos shows. As guitarras limpas, próprias do pop-rock, predominam ao vivo também, mantendo a canção dentro da acessibilidade deliciosa e certeira que o trio entregou. Sabe-se também que Lifeson era o responsável pela linha de sintetizador do refrão. O guitarrista tinha um teclado ao seu lado no palco unicamente para esse momento na turnê. Em cerca de 2:44, Lee consegue brincar com o baixo, nos intervalos das frases, repetindo mais à frente, sempre que encontra oportunidade. A versão ao vivo é tão ou melhor que o que foi gravado em estúdio.
15 – “Red Sector A”
“Red Sector A” vem antes de “Time Stand Still” e “Force Ten” na ordem original dos shows, mas no vinil ela se coloca como a penúltima faixa do álbum duplo. A canção de “Grace Under Pressure” traz algumas ligeiras variações na voz de Geddy, já a partir do primeiro minuto, mas as novas linhas vocais ultrapassam os desafios dos tons mais agudos de forma bastante inteligente e competente. A versão da canção também é de Birmingham e é, notoriamente, a que Geddy mais modifica as linhas vocais originais no duplo ao vivo. O solo de Lifeson em 3:14 traz um pouco de diferenças em relação ao original, com uso do abafamento de notas e mais uso da alavanca, são detalhes muito sutis, que acrescentaram à versão de estúdio.
“Closer To The Heart” não estava no fim dos shows da tour, era executada bem no meio das apresentações, mas a versão, a única que repete alguma canção dos duplos anteriores, se justifica plenamente para intensa interação com a plateia. O duplo termina também com uma versão de Birmingham. Aqui em “A Show of Hands”, a canção ganha mais quase dois minutos, com um aumento do trecho final improvisado nas turnês anteriores, acompanhado efusivamente com as palmas do público. Aqui Geddy começa primeiro, trazendo as notas do refrão no baixo, para ser aos poucos acompanhado primeiro por Neil e depois por Alex. O baterista e o guitarrista mudam os compassos durante o improviso, para no fim se juntarem ao baixista no trecho mais vigoroso, que recebe imediata reação efusiva da plateia. No fim, nova ovação, com a despedida editada do fim do show de Geddy pelos microfones.
O grupo inicialmente ficou satisfeito com o resultado sonoro final que o álbum ao vivo entregou. Eles consideram que encontraram um saudável meio termo entre uma produção muito crua de “All the World’s a Stage” e a mixagem considerada pelo trio em certos pontos um tanto fria de “Exit … Stage Left”. Não há dúvidas, comparações à parte, que o duplo ao vivo transborda em energia, mesmo em momentos em que a plateia pouco interage, fruto de uma ótima captação do áudio, que sobressai em especial em relação ao primeiro duplo ao vivo, de 1976.
Um pouco mais de um mês depois do lançamento do áudio do material ao vivo, em 21 de fevereiro de 1989, o home vídeo foi também colocado no mercado, para venda nos formatos disponíveis da época. O VHS era o mais popular e o Laserdisc era aquele com melhor qualidade, mas muito pouco acessível a maior parte dos apreciadores. O home vídeo traz o mesmo título, porém é a reprodução de parte do show da turnê de “Hold Your Fire” em sua ordem.


Algumas faixas tocadas na turnê, por restrições do total de tempo que o grupo entendeu ser o mais apropriado para a produção (cerca de 90 minutos), ficaram de fora. “Time Stand Still” e “Distant Early Warning”, que constam no duplo ao vivo e são faixas dos álbuns recentes da banda naquele momento, não estão no dvd. A versão em Laserdisc trouxe a faixa “Lock and Key”, que não consta nem sequer da versão em dvd lançada em 1º de maio de 2007.

A versão em dvd já constava no box-set de um ano antes, o Rush Replay x3, que já foi analisado nas partes 11 e 14 desta discografia.

As versões em dvd já tiveram uma remasterização do áudio no formato 5.1 Dolby Surround co-produzida por Alex Lifeson. A última versão disponível foi lançada em 2015 com nova remasterização efetuada por Sean Magee no Abbey Road Studios, trazendo uma melhoria na qualidade do material em geral. As filmagens são prioritariamente da primeira noite dos shows em Birmingham (Reino Unido), que aconteceram em 21, 23 e 24 de abril de 1988. O homevídeo atingiu status de platina, por 10 mil vendas no Canadá e 100.000 cópias nos EUA.

Intro/The Big Money
Marathon
Turn the Page
Prime Mover
Manhattan Project
Closer to the Heart
Red Sector A
Force Ten
Lock and Key (apenas no formato Laserdisc)
Mission
Territories/YYZ
The Rhythm Method (drum solo)
The Spirit of Radio
Tom Sawyer
2112 (Overture)/ 2112 (The Temples of Syrinx)/La Villa Strangiato/In the Mood
Credits
Assim como nos demais capítulos ao vivo que trazem também o material em vídeo, abaixo traremos alguns detalhes de performance registrada no home vídeo. A captura das imagens para a produção deste home vídeo foi feita apenas baseada nos shows de Birmingham, no Reino Unido.

O show começa nos apresentando os três em forma do desenho animado que está na capa do álbum ao vivo e do home vídeo. “The Rockin’ Constructivists”, como foram apelidados, são a imagem em cartoon do trio canadense. Todas a animação segue no padrão de desenho animado, com a plateia e o ambiente do show mostrados de igual forma, enquanto o playback com o tema dos Três Patetas é tocado ao fundo. De imediato somos transportados ao início do show, com a banda executando “The Big Money”. Algumas imagens do videoclipe da canção aparecem em revezamento com as imagens ao vivo. Alex usa a Aurora preta, assim como é preto o baixo Wal de Geddy. Neil impressiona no seu novo kit, branco. A versão do home vídeo não é a mesma da que foi lançada no álbum ao vivo, basta prestar atenção quando Geddy canta a frase “it’s the fool on television” antes do solo e perceber as sutis diferenças das melodias vocais das duas fontes. A música mostra Alex ajudando de forma discreta em alguns backings vocais. O final junta a dupla de cordas no meio do palco, depois interagindo próximo a Neil, que entrega viradas e mais viradas incríveis. Uma ótima canção para iniciar o espetáculo. O final também traz o trecho da canção “Earache My Eye”, do grupo Cheech & Chong.
O home vídeo segue, pulando duas faixas do show original, “Subdvisions” e “Limelight”. Alex está com a Aurora branca, passeia bastante pelo palco, enquanto Geddy precisa ficar mais próximo aos teclados, revezando os instrumentos. A versão também não é a que está no álbum ao vivo, há diferenças muito sutis nas linhas vocais. A plateia reage após o ótimo solo, entusiasmada com as imagens hi-tech do corredor que surgem no telão, acompanhado de uma animação que traz várias pessoas supostamente participando do coral da canção.
3 -“Turn the Page”
Lifeson está de volta com a guitarra preta e participa dos baixos tocados no foot pedal, enquanto ao fundo vários feixes de laser surgem por detrás da bateria, no trecho em que Lee toca teclados e canta as frases ”Everyday we’re standing in a time capsule, racing down a river from the past”. A canção traz uma impressionante performance de Geddy, que consegue dar conta de vocais que nada ritmicamente se relacionam com a linha de baixo, o principal condutor da canção. Lee só consegue sair um pouco de trás dos teclados em um pequeno trecho do solo de Alex. Novamente a versão não é que está no duplo ao vivo, pois lá foi gravada em outro local.
Novamente Alex troca de guitarras, usando o modelo branco. “Prime Mover” é a primeira canção que não está no track list do duplo ao vivo, só há a versão em vídeo. É possível perceber, um pouco antes do trecho intermediário, que o grupo dispara ao menos duas linhas de teclados sequenciadas. No fim da canção, Alex faz novos backings, para a música acelerar com novos usos de sequenciadores. Geddy provavelmente os aciona através do foot controller que está mais central no palco.
Seguimos com outra canção que no disco ao vivo foi gravada em outra cidade. “Manhattan Project” traz animações no telão, que são também trazidas para o home vídeo. Nota-se claramente uma maior participação de Alex ajudando nos vocais, praticamente em todas as canções ele está participando. As imagens no telão mostram cenas do holocausto, enquanto a seção de cordas sampleada é acrescida ao instrumental ao vivo. O final da canção mostra Peart rufando na caixa de forma marcial, com as imagens em preto e branco da 2ª guerra mundial sendo mostradas no telão.
A clássica faixa começa com Lifeson usando o violão Ovation, no pedestal colocado no palco. Ele volta para a guitarra branca após o trecho inicial. Peart utiliza dos sons dos pads eletrônicos para simular os sinos originais. Aqui temos uma canção que é a exata versão que está no álbum ao vivo, mesmo assim com as imagens podemos entender um pouco mais a reação da plateia no seu final, com os músicos se movimentando bastante no palco, tentando trazer a plateia junto, um momento entre os de maior catarse na plateia. Novamente percebemos que Lifeson e Peart invertem o tempo por algum tempo, para depois juntarem-se a Geddy mais ao fim do improviso.
7 -“Red Sector A”
Esta é a outra versão que com certeza foi trazida da mesma data da gravação que está no álbum ao vivo. “Red Sector A” não traz, em 1988, os efeitos de explosão no “smoking guns” que apareciam quando o grupo tocava a música na “Grace Under Pressure Tour”. Peart dedica-se exclusivamente a parte eletrônica de sua bateria, que é trazida para frente. Ele continua usando os fones de ouvido cirurgicamente instalados de forma a não oscilar durante a sua apresentação. Alex está com a Aurora preta, e a canção é uma das raras que Geddy sequer tem o baixo pendurado, dedicando-se apenas aos teclados e voz.
8 – “Force Ten”
Os personagens em desenho animado surgem no teclado, fingindo acompanhar o ritmo frenético de “Force Ten”. Eles estão simulando a execução da canção, como se estivessem tocando junto com o trio. Alguns trazem teclados, guitarras. Alex volta para a Aurora branca e Lee novamente precisa ficar próximo aos teclados, revezando-os com o baixo empunhado, que novamente tem um papel muito importante na canção. A versão do duplo ao vivo não é a mesma do home vídeo, já que no álbum ao vivo eles optaram por uma gravação de Phoenix.
9 – “Lock and Key”
Esta versão de “Lock and Key” saiu apenas na versão Laserdisc (e bem mais tarde como bônus no Blu-ray “R40”), que hoje conseguimos também assistir através dos streamings, uma dádiva que a tecnologia nos favoreceu. A música traz um trecho de duração bem razoável, com as imagens em preto e branco projetadas no telão, imagens estas que foram extraídas do filme “The Last Mile”, de 1932, que tem como história principal um condenado a morte por um crime que o mesmo não é o autor. Lee manteve-se no Wal de 4 cordas, deixando o de 5 cordas apenas para a versão de estúdio. O multi-instrumentista precisa usar os teclados nos refrões, quando é acompanhado por Lifeson nos vocais, mantendo-se no baixo nas estrofes e trecho intermediário. O final da canção traz as viradas inacreditáveis de Peart, que são acrescidas de outras para fazer o final da canção, que originalmente era em fade-out.
10 –“Mission”
Em “Mission” vemos que Lifeson está desempenhando papéis que auxiliam Geddy a desempenhar todas as nuances que as canções dos anos 1980 trazem. O guitarrista também se ocupa do foot-controller para trazer camadas sintetizadas à canção, outra que não traz a mesma versão do duplo ao vivo. Geddy se junta a Peart para juntos tocaram o trecho intricado com a percussão que toma conta de boa parte do trecho intermediário. Lifeson deixa o efeito de microfonia seguir um pouco além, invadindo a parte lenta da canção, quando Lee está nos teclados e voz. O bonito solo lento traz um fechamento maravilhoso para a canção, enquanto as três esferas vermelhas aparecem no telão.
11 -“Territories”/”YYZ”
O medley que junta “Territories” a “YYZ” inicia uma sequência de canções que não estão no álbum ao vivo, exceto pelo solo de bateria que se segue imediatamente depois de YYZ. A guitarra de Lifeson usa um efeito que lembra uma cítara bem no início da canção. A música é tocada na íntegra, com uma levada de bateria mais exótica, nada trivial. Lee consegue revezar-se entre o centro do palco e o local onde estão os teclados. “YYZ” entra a seguir, com o trio mostrando a incrível costumeira habilidade durante toda a canção. Alex chega a abusar um pouco da alavanca em uma das melodias feitas pela guitarra. Estamos no trecho onde Lee e Peart se revezam nas paradas com entregas espetaculares. A música segue para o ótimo solo de Alex, facilmente um dos melhores de sua carreira. Geddy traz os teclados para frente da canção, enquanto Lifeson improvisa em relação ao solo original. Neste instante, a música se interrompe para o solo de bateria de Neil.
12 – “The Rhythm Method” (drum solo)
O solo se inicia com Peart usando os cowbells, para depois começar a inverter os braços pelos toms e caixa. O baterista segue para a caixa, para incríveis exercícios de rufadas. É um trecho longo e muito técnico, aos poucos Neil vai acrescentando os bumbos e outros elementos. Ele segue para a percussão eletrônica, usando os sons de orchestra bell. Volta para o kit acústico e por fim usa elementos trigados nos seus pads para reproduzir os sons de teclado que o acompanham até o fim do solo. Uma verdadeira aula do “professor”, ainda melhor com tantas imagens que tentam nos mostrar um pouco da grande capacidade que este gênio tinha. A versão em vídeo é menor do que a do duplo ao vivo em mais de 1 minuto, mas é bastante provável que a versão seja a mesma, com maior edição neste formato. Não há como ter certeza, pois Neil era extremamente perfeccionista e tocava cada nota em sua bateria de forma bastante exata partindo do ponto de vista do que ensaiava.
13 -“The Spirit of Radio”
A icônica canção de “Permanent Waves” emenda sem nenhuma pausa com o solo de bateria. Há uma intensa participação da plateia. Não estava disponível a versão em vídeo da canção no home vídeo do “Exit…Stage Left”, e, apesar de constar no vídeo da “Grace Under Pressure Tour”, foi uma escolha muito acertada a ideia de trazê-la aqui neste vídeo. O grupo se mostra extremamente relaxado, interagindo com a plateia, é um dos momentos mais vibrantes do show.
14 -“Tom Sawyer”
“Tom Sawyer” está no vídeo de “Exit…Stage Left”, mas, sendo a música mais conhecida da banda, não é nada incoerente trazê-la de volta neste formato. A música começa com uma animação que nos remete à capa de “Moving Pictures”, até um dos personagens efetuar uma contagem que emenda na banda iniciando a canção. O som do sintetizador Moog, na frase próxima ao solo, no controlador Yamaha, traz uma sonoridade bastante diferente do original. Essa talvez seja a grande diferença entre as versões da canção, pois o restante é muito próximo, exceto por uma ou outra frase que Lee ligeiramente varia nos vocais. No fim, evidentemente, volta a linha de teclados, com a sonoridade menos parecida com o que foi originalmente gravado em 1981. O grupo termina a canção desacelerando o último riff e encerrando o show.
15 – “2112 (Overture)”/ “2112 (The Temples of Syrinx)”/”La Villa Strangiato”/”In the Mood”
O bis, que não está no duplo ao vivo, é aquele clássico, juntando em um medley algumas das canções mais antigas. Eles começam com as duas primeiras partes de “2112”. Lee e Lifeson se juntam no meio do palco, interagindo com os fãs mais próximos. Para este fim, Lifeson trouxe a Aurora preta, e brinca de sapatear no meio do trecho instrumental, entre outras troças que a dupla faz. Lee parece realmente ter se encantado naquele momento da carreira com o baixo Wal, pois não o trocou por nenhum outro, mesmo durante este bis. A entrada de “2112:The Temple of Syrink” gera o já conhecido descompasso entre os vocais de Lee e a guitarra de Lifeson, um parece querer esperar o outro começar, mas eles levam tudo na brincadeira, novamente buscando interagir com a plateia. A voz de Geddy entrega o suficiente para conseguir executar as partes principais das linhas extremamente agudas deste trecho de “2112”, de forma mais atalhada, buscando as melhores possibilidades, já que a sua voz não permite mais tantos trechos altos e a música na época era ainda tocada no tom original. O grupo emenda em “La Villa Strangiato”, que tem um vocal improvisado de Alex “mutado” de forma intencional pela produção, sob o pretexto que se tratava de algo “perigoso para a saúde” de todos. Tal estratégia quis certamente evitar comentários indesejáveis sobre o que claramente era uma brincadeira do sempre espirituoso guitarrista. A música tem uma versão ligeiramente enxugada, mas traz o ótimo solo de Lifeson, que vejam só, está com a guitarra branca, numa clara edição entre as noites gravadas em Birmingham. O guitarrista segue para a canção do primeiro álbum, “In The Mood”, com Peart trazendo o que talvez fosse gravado no álbum, se lá ele estivesse. É uma linha muito mais intricada e técnica, mesmo em uma canção com características menos complexas. As bolas vermelhas caem na plateia, que interage efusivamente com o grupo. O final do show mostra a dupla surgindo por trás da bateria de Peart, que faz inúmeras viradas, enquanto os outros dois correm por todos os lados do palco. Peart emenda uma linha de jazz, acompanhado de Geddy. Por fim, eles tocam o riff inicial da canção “Earache My Eye”, do grupo Cheech & Chong novamente e encerram o show.
16 –“Credits”
Enquanto Geddy agradece a plateia, sobem os créditos desta superprodução, acompanhados da trilha sonora de The Three Stooges (Os Três Patetas).

“A show of Hands”, tanto em vídeo como em áudio, é um espetacular souvenir para o fã da banda. Infelizmente hoje é cada vez mais difícil perceber as pessoas parando um pouco em seus ritmos frenéticos de vida, para dedicarem-se a passar pouco mais de 1 hora para ouvir este duplo ao vivo, ou mesmo assistir as imagens, que hoje estão disponíveis de graça, algo inimaginável em 1989, principalmente no Brasil. Se alguém que aqui chegou nesta leitura conseguir investir este tempo, é garantia, não vai se arrepender mesmo. O trio já era conhecido em 1989 pela sua incrível capacidade, mas ainda assim consegue surpreender em vários momentos. Geddy nos impressiona no constante revezamento entre instrumentos e sua incrível independência vocal enquanto os toca. Peart nos encanta a cada novo elemento que busca trazer para incorporar novos sons e ritmos no seu kit. Lifeson mostra uma incrível capacidade de adaptação aos tempos mais dedicados aos teclados, trazendo ótimos solos e se juntando a Geddy, às vezes nos backings, às vezes nos foot controllers e a mixagem mais pesada aqui vem antecipando o retorno do protagonismo da guitarra na banda. O único questionamento acerca deste material, que vale à pena ser visitado nas duas versões, já que estas são bem diferentes, é pelo fato das músicas de “Signals” e “Grace Under Pressure” não terem tanta representatividade nos track lists. É importante destacar que boa parte do material destes dois álbuns constava no home vídeo “Grace Under Pressure Tour”, de 1986. O áudio deste material, no entanto, é verdade, só foi disponibilizado de forma oficial muito tempo depois, como pudemos ver aqui, na 14ª parte da discografia Rush. Fica justificado algum descontentamento então.
Uma pausa para respirar, uma mudança de gravadora, um novo produtor, um novo direcionamento musical. É isso que veremos na próxima parte desta discografia, que inicia a quarta fase da banda.
Até o próximo capítulo, bye!

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Abilio Abreu e Alexandre B-side
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Discografia Rush – parte 15 – Power Windows – 1985
Discografia Rush – Parte 11 – álbum: Exit… Stage Left – 1981 – (Rush Replay x3 – 2006)
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