
Lançado há um pouco mais de uma semana, um dia depois do meu aniversário, 23/jan, o Megadeth “Megadeth” vem com uma capa com estética parecida com o que o MetallicA fez e que causou estranheza com fundo branco – é estranho para um disco de thrash. Mas, como todos já viram, não é só ali que vai aparecer algo do MetallicA… mas, antes, de irmos para esse caminho, vamos falar do core do álbum.
Trazendo em suas linhas Teemu Mäntysaari, guitarrista indicado pelo próprio Kiko após a saída do brasileiro, Dirk Verbeuren na bateria, e a volta de James LoMenzo ao baixo, o álbum anunciado ainda em 2025 já trouxe os famigerados rótulos do “último álbum” e “última tour” da banda a seguir. No caso do “MegaDave”, faz até sentido, pois não é de hoje que Mustaine fala de diversos problemas de saúde – pescoço, garganta, e agora problemas mais sérios nas mãos que, obviamente, impactam ainda mais.
Em termos de singles, aos quais eu não tinha ouvido nada até ouvir o álbum duas vezes (e um dos singles um pouco mais agora) e ter coragem para fazer este post, são eles: Tipping Point, I Don’t Care, Let There Be Shred e Master of Puppet Parade. E, me adiantando, 75% dos singles se destacam para mim no álbum – a exceção, pelo menos neste momento, é este último single…
Com muita gente falando mal do disco, do tipo “vamos esperar que não seja assim que a banda se despeça”, minha curiosidade foi atiçada ainda mais. Sem muito tempo, usei o trânsito de São Paulo e um som melhorzinho que hoje tenho no carro para as tais duas audições. Logo na primeira, confesso que não entendi as críticas ao álbum! E assim como gostei dos 3 singles acima, gostei de muito mais coisa deste álbum que traz músicas com menor tempo de duração do que se vê em média hoje em dia (outro ponto positivo), algo mais clássico… então vamos lá?
O single é “Megadeth purinho, colhido no pé”. Riff na cara, aquele solo esperado no começo, boa letra, solos ótimos. E após a intro, o que se ouve é uma aula de thrash metal, um retorno ao anos 1980 naquilo que dá as caras lá pelos 40′ da música. Impossível ficar indiferente se seu coração e pescoço gostam de thrash… o álbum parte forte!
I Don’t Care traz aquele baixo característico também de Megadeth “Youthanasia“, e mantém a força do álbum. Hey, God?! traz aqueles conflitos e questionamentos que as letras trazem que Mustaine clássico, munida com um instrumental de riffs mais simples, mas poderosos, remetendo ao Megadeth do início dos anos 1990.
A quarta volta a trazer um riff inspiradíssimo do rei Mustaine – Let There Be Shred é outra que remete à trinca Rust – Countdown – Youthanasia. Os solos também merecem destaque enquanto a base da mão direita do mestre segura tudo. Essa e a primeira estão entre minhas favoritas nestas primeiras impressões, mas isso pode mudar… e estando já na quarta faixa, já dá para afirmar: mesmo que o que vier para frente não seja tão bom, o álbum até aqui já não pode mais ganhar uma crítica de não ser bom – de novo: temos diversos elementos da melhor fase da banda, a cabeça se mexe sozinha nas primeiras passadas das músicas – o álbum já está credenciado.
Digo isso pois agora começa uma “segunda parte” do álbum onde percebo momentos do Megadeth pós-2000. Essa Puppet Parade fez, pelo menos nestas primeiras impressões, fazer o álbum dar uma caída. Não que seja um som ruim, mas perde um pouco da pegada que estava sendo entregue.
Another Bad Day recupera o fôlego um pouco, ainda que seja mais afastada do thrash mais tradicional que venha sido explorado mais. Novamente, linhas mais simples, e novamente a temática de conflito e “fossa” tão conhecida pelo Dave :-). O álbum segue com Made To Kill, com uma intro de bateria que traz um pouco de lembrança da fase do Rust, mas é um pouco esquisita, e a música começa a ganhar com a entrada das guitarras, especialmente quando (provavelmente) Mustaine fica sozinho ali perto de 23′ – aliás, sempre que ele fica sozinho nessa faixa, o peso da mão direita emociona… veja que essa música vai acabar melhorando a cada audição!
Obey Your Master! Master! Call é outra que vem com uma intro forte e segue uma linha mais recente em estúdio da banda. O refrão segue a linha do que vem se ouvindo nas últimas do álbum. I Am War segue a tal linha mid tempo mesmo, que Dave é tão bom em entregar. Vamos para um feeling de Secret Place, de Youthanasia em alguns momentos, com o baixo aparecendo mais. É incrível não curtir a capacidade de Mustaine em encaixar tudo que a música precisa – e ainda tem duelo de guitarras. Outro ponto forte do álbum e tenho convicção que vai seguir crescendo…
Vou aqui me dar a liberdade de inverter a ordem e trazer duas faixas bônus. A primeira, que é exclusiva da edição da rede Target (EUA) do álbum, é a Bloodlust. A música segue nesta mesma toada da “parte 2” do álbum, mais apoiada no Megadeth mais moderno. Mais um ótimo riff – só para variar um pouquinho – e outros ótimos solos e uma batera também mais solta nas viradas. Caberia no disco? Caberia, fácil.
A segunda é a Nobody’s Hero, anunciada como disponível “apenas” para quem comprar a versão digital expandida (confesso que não entendo essa lógica ou mesmo estratégia comercial com a música de graça no YouTube ou nas plataformas digitais, mas, enfim…). Essa tem uma sonoridade um pouco diferente do restante do álbum, mas é outra que caberia no álbum, no meu entendimento – ou seja, incrível o que Mustaine atingiu neste ciclo e nesta altura do campeonato!
Antes de falar da última música do disco, quero trazer que uma coisa que não gostei muito foi do excesso de “polimento” da mixagem final. Tudo muito “limpo”, claramente temos um tratamento de voz muito grande. A bateria também não está dando aquele “impacto”, está muito no background. Mas acho que isso é como o mundo / indústria avançou, não é mesmo? Não há mais uma gravação mais pura e “rústica”, está tudo “ajeitadinho”, dando aquele ar mais artificial muitas vezes… mesmo assim, as músicas se sustentam, ao meu ver – e talvez com a “tecnologia” até os anos 1990, se esse álbum fosse lançado ali perto da tal trinca, a gente estaria aqui curtindo-o muito ainda… então, vejamos o futuro dele!
Isso dito, chegamos a final do disco. Ao que, de momento, pode representar o fim da banda em estúdio. A música tem seu título para mostrar isso – The Last Note. Dave entrega uma letra dizendo adeus mesmo. Aqui a letra é talvez mais importante que o instrumental – e esse instrumental é maravilhoso, com solo ótimo, tem violão ali dando o tom mais melancólico… tem tudo. Aqui é hora de parar tudo e ver a letra com atenção e respeito a este fantástico guitarrista…
Pensei até em destacar alguns trechos da letra, mas não deu. Mas sim, esse final foi muito, muito Dave Mustaine…
One more spotlight (One more spotlight)
Starts to fade to black (Starts to fade to black)
One more winding road (One more winding road)
That I won’t come back (That I won’t come back)
The roar I lived for (The roar I lived for)
It starts to die (It starts to die)
And now it’s time for me (And now it’s time for me)
To say the long goodbye (To say the long goodbye)
Each mile, the road has worn me thin
Each song has got beneath my skin
The strings and amps still scream and cry
And I can’t outrun the spinning hands of time
One last night before the silence falls
One last chord to echo through these walls
The final curtain falls, a quiet end to it all
Now it’s just memories in my mind
Just fading lights and names, if I ever play again
Then let this last note never die
I burned up my youth almost every night Each show became a battle and a fight
Raised on chaos, fed by the crowd
The guitar got heavy, time to lay it down
One last night before the silence falls
One last chord to echo through these walls
The final curtain falls, a quiet end to it all
Now it’s just memories in my mind
Just fading lights and names, if I ever play again
Then let this last note never die
The final curtain falls, a quiet end to it all
Now it’s just memories in my mind
Just fading lights and names, if I ever play again
Then let this last note never die
The final curtain falls, a quiet end to it all
Now it’s just memories in my mind
Just fading lights and names, if I ever play again
Then let this last note never die, never die
They gave me gold
They gave me a name
But every deal
Was signed in blood and flames
So here’s my last will
My final testament, my sneer
I came, I ruled Now I disappear
Ride The Lighning
Ok, confesso: claro que a primeira música que ouvi foi Ride The Lightning. Essa versão / bônus / homenagem / fechamento de ciclo / caça-níquel / o impossível possível / “recuperar o que é meu” / “o que teria sido se o MetallicA tivesse o Mustaine” – chame do que quiser, provavelmente você estará certo em qualquer opção ou combinação – não me causou qualquer tipo de surpresa em termos musicais. Sem ouvir a música, já dava para imaginar a sonoridade apresentada, e ela ficou mesmo acompanhando o que a banda tem neste disco. Dava para esperar algo diferente?
Mais acelerada, uma mexidinha aqui e ali em um compasso ou outro, talvez a única surpresa é que eu esperava um solo diferente, e não foi o caso – o legado de James, Lars, Cliff e até do Kirk (!) foi respeitado também neste sentido. Bom, Dirk meteu um bumbo duplo nervoso mais aparente também, né, Lars? :-). Mas detalhes à parte, tudo ficou como esperado, não?
Somos todos gratos ao talento do Sr. Dave Mustaine. Sem entrar no mérito aqui dos direitos da música – algo que dá faísca até hoje entre as partes (tanto que o No Life ‘Till Leather que seria relançado lá em 2015 não saiu do papel) – é óbvio que Mustaine tem muito no “Dave Wrote ‘Em All” e no álbum dessa homenagem. Como fã, é sim algo que devemos sempre respeitar e posicionar de acordo com o mérito devido.
E o que virá do outro lado? O tempo dirá… e estaremos aqui para ver!
(Mais) Agradecimentos públicos:
Obrigado, Dave Mustaine. Obrigado, Megadeth. Já aprendemos através de muitos exemplo que músicos não se aposentam, músicos (e todos nós) paramos quando realmente estamos incapacitados ou quando morremos. Se vai ser assim ou não, não sei. Quero entender que será como todos os outros exemplos de bandas que se despedem e nunca foram. Mas se o MegaDave parar mesmo, muito obrigado – diferente do que ouvi por aí, acho que é uma saída de um álbum muito forte, e que que devo querer ter em mídia física!
E até daqui a pouco, Megadeth. Nos vemos em mais um show logo mais este ano, e que vou ficar na torcida para que não seja o último!
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Eduardo.
Categorias:Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Entrevistas, Letras, Músicas, Megadeth, MetallicA, Resenhas
8º Podcast Minuto HM – 29/maio/2012
Comemoração do aniversário de 30 anos do MetallicA – show 4/4
Na tarde de hoje, conclui este post, a terceira audição completa do álbum e, de maneira muito rara ultimamente como disse acima, deixei a empolgação tomar conta e comprei o vinil duplo da edição exclusiva da Target pelo Discogs…
Shut up, Dave Mustaine, and take my money…
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Eduardo.
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MEGADETH Lands First-Ever No. 1 in Australia With Final Album:
https://blabbermouth.net/news/megadeth-lands-first-ever-no-1-in-australia-with-final-album
E:
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Eduardo.
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E isso é algo histórico para a banda:
MEGADETH Lands First-Ever No. 1 In U.S. With Final Album:
https://blabbermouth.net/news/megadeth-lands-first-ever-no-1-in-u-s-with-final-album#google_vignette
Sinceramente? Me parece merecido! Estou curtindo muito este álbum, cada vez mais – fazia muito tempo que algo novo (de banda “velha”) não era tão empolgante…
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Eduardo.
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Realmente dizer que não parece Megadeth sacramenta o ego de quem sabia que poderia (e deveria / merecia pelo legado) fazer parte disso…
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Eduardo.
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Eduardo.
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JAMES LOMENZO On MEGADETH’s No. 1 Album Achievement: ‘For Me It’s A Career High’:
https://blabbermouth.net/news/james-lomenzo-on-megadeths-no-1-album-achievement-for-me-its-a-career-high
Teemu Mäntysaari talks about Megadeth’s final album, farewell tour and working with Dave Mustaine:
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Eduardo.
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“O single é “Megadeth purinho, colhido no pé”.” Foi muito bom. Requer mesmo uma audição Muito bom o post. Reúne opinião e descreve o que se vê sem “muita” emoção. Aquela iniciativa do cinema você compareceu?
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Eduardo.
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Ouvi o álbum hoje, tamanha a insistência do presidente – que inclusive entregou uma excelente resenha do álbum, algo que poderia também ser feito em outros álbuns de estúdio de uma certa banda que o Mustaine tocou lá no início da década de 80 …. enfim, só uma ideia…
Primeiro que eu fiquei muito feliz de você ter se empolgado com algo novo, mesmo de uma banda velha (se bem que eu acho que você esqueceu do Invisible Shield em 2024 durante a empolgação da audição). Eu, na minha insistência musical pessoal, tenho essa empolgação com mais frequência, mas não vou citar álbuns aqui porque sei que você não se empolgaria.
Acho que a saída do Kiko fez muito bem ao Dave. O Kiko, para mim, é mais guitarrista que qualquer guitarrista que tenha tocado no Megadeth, mas ele não é do mundo do thrash e ponto final. Com o Kiko tudo era limpinho. Era bom, mas não era Megadeth. Sem o Kiko, o Dave conseguiu impor (acredito que esse seja o verbo correto) uma timbragem mais suja e mais agressiva, algo que, nesse caso é muito bem aceito.
Gostei de muita coisa desse novo álbum e devo dizer que se o setlist da nova turnê for baseado nele (e não na mesmice que a banda vem fazendo à décadas), eu devo ir ao show. Faixas como Tipping Point, Let There Be Shred e The Last Note chamam muito a atenção em uma primeira audição – a última tem um violão muito bem encaixado! Quanto ao “cover” do MetallicA eu achei “ok” e não coloco como um destaque do álbum. Se o Dave vai morrer com o remorso de não ter ficado no MetallicA isso é um problema dele.
Os solos de guitarra estão bons e os riffs estão bem construídos! O tempo de quase 50 minutos também está excelente para o estilo.
Capa também, belíssima! Achei o fundo branco de uma sacada de gênio!
2026 começou bem!
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E:
DAVE MUSTAINE Doesn’t Rule Out Performing METALLICA’s ‘Ride The Lightning’ On MEGADETH’s Upcoming Tour:
https://blabbermouth.net/news/dave-mustaine-doesnt-rule-out-performing-metallicas-ride-the-lightning-on-megadeths-upcoming-tour
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Eduardo.
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Eduardo.
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Eduardo.
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Eduardo.
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Bem, eu não tenho essa propriedade toda para tecer maiores comentários sobre o Megadeth, pois entendo que curto a fase na qual eles tiraram um pouco o pé, a começar pelo meu favorito, o Youthanasia. Gostando ou não deste Youthanasia, é claro que eles deram uma mexida no som para algo mais heavy metal, menos Thrash…
Ouvi uma vez apenas o novo álbum, é pouco para uma avaliação mais consistente. Pretendo ouvir mais, ele entra na inúmera “lista de atuais deveres de casa”. O que eu posso colocar aqui é que achei um álbum forte e muito competente. E sem dúvida ele é mais rápido, mais Thrash, mais agressivo que o meu favorito Youthanasia, caindo com precisão no que é de fato em essência o Megadeth
Escrever mais alguma coisa seria muita pretensão…
Mas pretendo retornar com melhores e mais adequadas impressões
Vamos ver se eu consigo cumprir isso…
Alexandre
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Eduardo.
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