Carta aberta ao Sr. Rafael de Paula Souza Neto

Eu, Kelsei, 43 anos, brasileiro, nunca tive depressão, mas essa doença sempre rondou a minha vida, desde minha adolescência. Começou com o meu irmão, quando ele tinha lá os seus 15 anos. Muito daquele tempo eu não tenho memórias, mas lembro que ele não saia de casa para nada, nada mesmo. Atualmente, minha esposa tem depressão. E já faz um tempão. É uma senoide que você não controla. Você nunca sabe quando terá um dia bom ou quando ele será ruim. Quando eu tenho indícios que um final de semana será ótimo, literalmente “do nada” os dias a seguir se tornam negros. E não há nada que eu, Kelsei, possa fazer.

O intuito aqui não é dar uma de consultório terapêutico nem ficar chorando as minhas dores internas. Mas, da minha experiência de vida, eu digo que conviver com alguém com depressão faz com que a gente sempre tenha esperança. Mesmo sem poder fazer nada, a torcida para aqueles tempos ruins que passaram não se repetirem é constante, assim como a esperança de que, “daqui para frente” tudo será baseado em alegrias. É só uma esperança! Não é tangível! Mas ela fica lá.

Originalmente, o título desse post seria “Deixem o Angra em paz”, mas depois de muito conversar sozinho sobre o tema nesse dia 22 de Novembro, decidi mudar. Decidi dirigir esse texto não para os milhares de fãs do Angra. Eu seria só mais um com uma opinião. Esse texto aqui, vai para você, Sr. Rafael de Paula Souza Neto, guitarrista que escolheu o nome “Bittercourt” como artístico.

Eu sou muito fã de Angra. Aquele fã chato! Mas que dá valor a cada uma das fases e álbuns que a banda teve deste sua criação. Como fã da banda eu tive meus momentos sombrios, mas sempre olho para frente achando que tudo será melhor. Nessa última troca de vocalista, o Fábio Lione demorou três álbuns para me convencer. Sim, Cycles of Pain é um dos melhores álbuns da banda, facilmente o melhor desde Temple of Shadows. E aí veio o hiato indeterminado.

Fábio Lione vai sair da banda …
Bruno Valverde vai sair da banda …
Teremos uma reunião com a formação antiga…
Bla bla bla …. especulações … Bla Bla Bla

Hoje a tão sonhada (sonhada???) reunião com a formação do Rebirth foi confirmada em 2026 no festival Bangers. Eu já vi esse filme. Você já viu esse filme Rafael! Na sua própria banda e também no Shaman!

Seu amigo Andre Matos perdeu tudo por causa do Ricardo Confessori. O Shaman tinha acabado! Anos mais tarde, depois da mesma novela do “volta / não volta”, “reunião isso”, “reunião aquilo”, eles voltaram. Era um show. Virou dois. Virou três. Virou turnê. A ESPERANÇA tinha começado a se tangibilizar! Estava escrito o que iria acontecer, mas não deu tempo do Andre viver o que ele já sabia que ia acontecer. O Alírio Neto, que o substituiu viveu para ver o Ricardo acabar com a banda uma terceira vez!

Você mesmo Rafael, em entrevista pública, já tinha colocado que “foi um alívio” quando o Aquiles Priester tinha saído da banda. Não adianta ser um ás no instrumento e a convivência ser horrorosa. E as zilhares de farpas que você e o Edu trocaram em vídeos no You Tube por causa da turnê que o então ex-vocalista queria fazer com músicas do Angra?!

E agora tem reunião?! Vamos alimentar o monstro da esperança?!

Por favor, Rafael! POR FAVOR! Toque o que tiver que tocar nesse show do Bangers. Divirta-se! Ou melhor, divirtam-se, todos vocês: Edu, Kiko, Rafael, Felipe e Aquiles. Celebrem a nostalgia que muitos querem ver! Mas acabem ali! Não alimentem a esperança dos fãs sabendo que seis meses mais tarde vocês estarão saindo na mão …

Beijo nas crianças!
Kelsei Biral, ainda com a cabeça quente!

Aquela notinha de rodapé: É LÓGICO QUE EU VOU NO SHOW!



Categorias:Angra, Cada show é um show..., Off-topic / Misc

10 respostas

  1. Muito bom o texto, Kelsei. Junta-se facilmente aos seus melhores, que estão nos melhores na imensa qualidade que habitualmente a gente lê por aqui.

    Você preparou até aqueles que não tem tanta noção das internas do Angra para entender o que talvez seja inevitável:

    Trocar uma convivência próxima do impossível por uma boa soma de dinheiro.

    Em diversas vezes em que isso aconteceu, a tal bomba-relogio, prestes a estourar, de fato estourou.

    As vezes, no entanto, a velhice é acompanhada da maturidade e da necessidade de ceder aqui e ali pra os bolsos de todos continuarem sorrindo. O Guns and Roses está por aí, o Heloween divide atualmente os vocais entre as duas fases da banda, tudo em prol de viabilizar o espetáculo rentável e que é o desejo da imensa maioria de seus fãs .

    Se isso vai acontecer com o Angra , eu também não acho fácil. No entanto , não acho inviável. Vai depender dos ajustes de relacionamento em prol da grana.

    E se hoje já corre o boato que os irmãos Cavalleras se reuniriam no Sepultura, por que não imaginar uma nova fase feliz para o Angra. A mim me parece bem menos difícil.

    O tempo nos dirá o que vai acontecer. Eu espero, assim como você, que eles se divirtam.

    E não troquem a diversão unicamente pelo vil metal. Ou seja, espero que sejam maduros.

    Vamos ficar na torcida

    Alexandre

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    • B-side, eu tentei ao máximo evitar o uso da palavra “maturidade”. Eu acho que a questão vai muito além das consequências do uso dessa palavra…

      Eu tenho um amigo aqui no prédio ondo moro que é um dos desenhistas oficiais do Helloween. Eu conheço diversos “trabalhos paralelos” que os integrantes da banda tem (como livros infantis em alemão) por causa desse meu amigo. Ele mesmo me diz que a banda tem duas turmas e uma turma não fala com a outra.

      Eu acho que para alemães acostumados com os negócios contratuais da música (ainda mais com o inventor do Power Metal na banda), esse negócio de não se falar mas tocar por dinheiro vinga. Para brasileiros, acho um caminho muito espinhoso para conseguirem andar por ele …. Eu espero que a experiência dos negócio que Kiko e Aquiles obtiveram no Megadeth, Dragonfoce e Wasp colabora para uma harmonia maior dessa reunião, além do dedo do Paulo Baron, que com certeza foi peça chave para fazer isso acontecer.

      O nome Angra, mesmo com as diversas formações da banda, sempre foi uma sociedade do Rafael, Kiko, Felipe e Paulo Baron. Se tem um quinto nome, nunca descobri. Essa sociedade não vai mudar porque Edu e Aquiles estão voltando para o palco com eles, ainda mais depois de todos os problemas que o Rafael teve com os dois.

      Você está certo e eu concordo que só o tempo tem a resposta. O que ocorreu e como ocorreu nos bastidores por enquanto é segredo de estado.

      Que o metal nacional ganhe alguma coisa no final de tudo isso.

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  2. Muito bom esse post. O Kelsei é realmente muito visceral com certas bandas. É realmente um devoto……..acehi muito bom esse inicio colcoando a depressão como comparação …..

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    • Eu cresci com o Angra. Desde meus 13 anos eles estão comigo. Chamar os integrantes pelo primeiro nome é coisa que muitas fãs como eu sempre tiveram, devido essa proximidade da música deles com a nossa adolescência.

      Essas reuniões são como as fases boa de um convívio com um depressivo. Você acha que vai melhorar e tudo vai ficar bem, mas a gente sabe que a senoide vai virar, só não sabe quando e como ….

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    • Falava-se muito disso nos bastidores já.

      Houve uma publicação recém apagada no site da Billboard dizendo que o Alírio Neto era o novo vocalista do Angra. Isso, para mim, é um bom indício que o show de reunião será só uma reunião.

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  3. Hoje tive mais acessos oficiais sobre o show do Angra e haverá uma celebração de todas as fases da banda – será uma divisão em 3 partes com a formação oficial, a formação do Rebirth e depois a entrada de Alirio Neto.

    Isso ai é beeeeem diferente de um “Angra Reunion” cru que tínhamos no dia em que o show foi informado. Vamos aguardar!

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  4. Belo texto, Kelsei. Já mandei pra vários conhecidos. E de fato, muita coisa já mudou desde o anúncio original, inclusive a indicação do novo vocalista (com direito a vazamento e tudo). A chegada do Alírio foi até “pedra cantada” quando começaram a falar da saída do Fabio, mas e quanto ao Kiko? Confesso que sei pouco, mas em termos de relacionamento o grande “problema” era mesmo com o Aquiles, não? Ou Kiko acabou saindo pela porta dos fundos quando se juntou ao Megadeth? Será que há chance de Ironmaidenização do Angra, tornando-se um sexteto? Ou melhor ainda, uma Helloweenização se mantivermos também o Edu? (claro que é piada, mas estou curioso pra ver o que vem por aí – e ansioso pelo seu review do show dentro de alguns meses)

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    • O Kiko tem sociedade na marca Angra. Acho que o problema não é e nunca será o Kiko. Agora, Alírio e Marcelo Barbosa são parceiros desde os primeiros anos lá em Brasilia. A chegada do Alírio carimba que o Marcelo não sai da banda, muito pelo contrário. Um sexteto é uma conversa que não vejo como impossível, mas o Kiko, para mim, quer continuar com a marca de guitarrista global que conseguiu com o Megadeth – voltar ao Angra não vai trazer assim para ele.

      Agora o Aquiles, ahhh esse eu truco! Rafael e Aquiles são o grande impasse aqui. São dois gênios (não a genialidade, mas a personalidade) muito fortes e que não batem. Um show vai …. uma turnê (como o Helloween), acho que vai dar problema.

      Tem um video que o Paulo Baron comenta que ele foi quem trouxe a ideia ao Rafael e Kiko depois de ver o Helloween fazendo o que faz hoje, mas não sei se esse “produto” vinga. E o Felipe fez toda a intermediação ….

      No curtíssimo prazo (o show do Bangers) acho que tudo vai ser legal. Mas no médio prazo o caldo já entorna….

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