
A programação matinal da Kiss FM tem um novo quadro chamado “Quiz da Kiss”. Nele, um ouvinte entra ao vivo na programação e deve responder cinco perguntas, sendo quatro de “conhecimentos gerais” em rock e uma sobre a programação da rádio. Quando tive contato com o quadro, ainda em seu início, o quiz era bem legal e tinha algumas perguntas interessantes (como, por exemplo, “cite o nome de um dos produtores do The Dark Side of the Moon“). Como o pessoal errava a maioria das perguntas (e ninguém conseguia ganhar uma simples camiseta), o nível da dificuldade começou a cair, sendo que eu tive que presenciar diálogos como esse aqui, por exemplo, que aconteceu exatamente um dia depois da morte de Ace Frehley:
– Qual era o instrumento tocado por Ace Frehley na banda Kiss?
– Huuuuummmm …. baixo!
– Não, não é!
– Aahhhh, ……., guitarra!
– Certa resposta!
Porque eu estou colocando isso aqui? Vou chegar lá! Não é para tirar sarro nem ser chacota com a pessoa. Ela realmente pode não conhecer nada de Kiss e ela não é obrigada. Mas aconteceu algo na votação desse ano que eu preciso fazer um paralelo com o “exemplo” acima. Esperem para ver a primeira posição.
E mesmo eu tendo colocado o que muitos podem considerar uma alfinetada, isso aqui não é uma crítica com relação às músicas ou aos grupos votados ou deixados de lado no programa anual produzido pela rádio KISS FM. Também não é uma crítica à emissora, que hoje é um dos poucos meios de comunicação que se dedicam a um estilo que nunca foi comercial em nosso país, independente do que ela toca ou deixa de tocar.
Para acessar a lista que eu me baseio, clique aqui. Eu não conheço quem a cria, mas a rádio Kiss FM tem esse mesmo link publicado em seu Instagram e é a mesma lista que eu usei em todas as análises anteriores que eu fiz. Lembro também que a votação é aberta para qualquer pessoa votar quantas vezes quiser, sendo que não sabemos quem são as pessoas e seus gostos musicais.
Nessa última edição, considerando as músicas que não estiveram presentes nas últimas 3 edições (2024, 2023 e 2022), tivemos somente 62 músicas “inéditas” dentro das 500. Uma variação de 12,4%, metade com relação ao que tivemos no ano passado. Logo, esse ano a votação total puxou as músicas para o “mais do mesmo” ao invés de trazer algo diferente, mesmo que o diferente seja de clássicos conhecidos de bandas conhecidas.
Tivemos um total de 219 artistas, sendo que existe uma separação onde alguns artistas possuem carreira solo (por exemplo, temos músicas do Iron Maiden e do Bruce Dickinson dentro das 500 e, assim, temos a contabilização de dois artistas aqui). Esse número mantém o patamar médio de variação de bandas na casa das duzentas e poucas, que é o que venho observando na maioria das votações.
Dessa vez, somente três bandas chegaram na casa dos dois dígitos: The Beatles (15 músicas), AC/DC (11 músicas) e Queen (10 músicas). Aqui novamente tenho um ponto a observar, que pontuarei quando chegar na primeira posição.
Na separação de bandas por década, tivemos novamente a dominância da década de 80 seguida de um bom equilíbrio entre as décadas de 70 e 90 nas próximas posições:
Década de 50: 2 músicas
Década de 60: 38 músicas
Década de 70: 114 músicas
Década de 80: 154 músicas
Década de 90: 110 músicas
Década de 00: 56 músicas
Década de 10: 18 músicas
Década de 20: 8 músicas
Novamente não tivemos bandas brasileiras nessa votação. Mesmo com o Sepultura há alguns anos anunciando o término da banda e alguns bons projetos que apareceram na cena, necas de termos representação brasileira no lista de uma rádio brasileira feita, acredito que na sua grande maioria, por brasileiros.
Com relação às novidades musicais, como entramos em 2026, achei justo considerar como “novidade” as bandas que apareceram na votação a partir de 2006, pegando somente os últimos 20 anos. Ou seja, a banda tem que ter sido criada a partir de 2006 em diante, senão não entra aqui (esse é um critério puramente pessoal, sem nenhum embasamento a não ser meu próprio achismo para o filtro). As novidades que deram as caras foram:
2024 – Dogma – Like a Prayer
2018 – The Struts – Primadonna Like me
2017 – Greta van Fleet – Highway Tube e também com Talk on the Street
2012 – Alabama Shakes – Always Alright
Quatro bandas novas! SÓ quatro bandas novas! Como agora vou continuar considerando os últimos 20 anos, essa lista vai tender a diminuir (uma pena e eu torço pelo contrário). Deixo um destaque para a banda Dogma, que lançou seu debut ano passado, vieram ao Brasil no festival Bangers, tiveram entrevista pelo Bruno Sutter no canal da Kiss FM! Confiram! É um bom álbum!
Ah sim, tivemos o YungBlud na votação, mas foi junto do Aerosmith, então não vale.
E o TOP 10 de 2025 ficou assim:
#10 – Rolling Stones – (I can’t get no) Satisfaction
#9 – AC/DC – TNT
#8 – Deep Purple – Smoke on the Water
#7 – Iron Maiden – The Number of the Beast
#6 – U2 – One
#5 – Queen – Bohemia Rhapsody
#4 – The Beatles – Hey Jude
#3 – Black Sabbath – Paranoid
#2 – Led Zeppelin – Stairway to Heaven
#1 – Ozzy Osbourne – Mama, I’m coming home
Pois é, meus amigos! Em 2025 o mundo perdeu Ozzy Osbourne: um dos músicos responsáveis pela criação do gênero que amamos por aqui. Nada foi mais justo que deixá-lo na primeira posição, só que eu tenho algumas ressalvas com base nisso aqui.
Ozzy emplacou 7 músicas dentro das quinhentas. O Black Sabbath também teve 5 canções. As sete canções do Ozzy foram a já citada na primeira posição, No More Tears, Mr. Crowley, Crazy Train, Bark at the Moon, Shot in the Dark e Dreamer, e as do Sabbath foram Paranoid, Iron Man, Changes, Heaven and Hell e N.I.B. Eu contabilizei as duas bandas porque tem muita gente que conhece Ozzy e vota no Black Sabbath, devido à relevância e à importância da banda e até mesmo por achar a carreira do Madman no Sabbath mais relevante que sua carreira solo.
Como uma das músicas do Sabbath é com o DIO (sim, letras maiúsculas, por favor), teríamos um total de 11 músicas em homenagem ao Ozzy (pelo menos assim eu quero acreditar). E quantas tivemos ao Kiss, já que perdemos Ace Frehley? E quantas tivemos do Limp Biskit, já que perdemos Sam Rivers? Infelizmente, a maioria das pessoas só tem o conhecimento (e a importância que se dá, porque não) de quem é o vocalista de uma banda e desconsidera os demais integrantes. Eu não esperaria muitas músicas do Limp Biskit pelo gênero que eles tocam e a idade do publico que ouve rádio, mas o Kiss, poxa, aqui eu esperava mais.
Tudo bem que quando o Van Halen faleceu, em 2020, ele emplacou 18 músicas na votação, mas o nome dele é levado no nome da banda (e, em 2020 também perdemos Neil Peart e o mesmo ocorreu com o Rush na votação do mesmo ano – foi bem menos expressivo). E só para constar, em 2025, tivemos 6 músicas do Kiss (nem todas com o Ace na formação) e tivemos 2 músicas do Limp Biskit.
Fica aqui o meu mais profundo pesar pela ida de Ozzy, mas também de Ace Frehley, Sam Rivers e tantos outros músicas que nos deixaram em 2025. Também fica aqui o meu maior agradecimento a todos eles. Eu espero que em próximas votações (já que infelizmente o tempo nos tomará mais ídolos) os demais membros que não o vocalista tenham sua devida relevância dentro do que as pessoas consideram como uma banda. Talvez não vai ser com o público da rádio, mas eu sempre torço por algo melhor.
2025 foi um ano horroroso por essas perdas e fica aqui a torcida por um 2026 menos devastante.
Beijo nas crianças!
Kelsei
Categorias:Curiosidades
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