Discografia Bruce Dickinson – Episódio 3: 1996 – Skunkworks
Chris Cornell abriu um sorriso…
No capítulo anterior, que você pode ler aqui, vimos Paul Bruce Dickinson criar seu segundo e até então mais ousado álbum solo, entregando um estilo musical voltado em uma estrutura mais Hard Rock que outros gêneros. Após contratar músicos para substituir a Tribe of Gypses, Bruce queria formar uma nova banda e continuar pisando em território desconhecido.
Não deve ser novidade para ninguém que vamos entrar no álbum “patinho feio” de Bruce. Você já deve ter lido diversas resenhas, deve conhecer o álbum e, principalmente, esqueceu-o com o tempo. Há razões para isso e que eu não vejo muita gente falando sobre elas, muitas vezes por ignorância. É importante que você ouça o álbum novamente antes de passar pelas linhas abaixo.
Singles de Skunkworks
O terceiro álbum solo de Bruce Dickinson teve um único single oficial, que foi apresentado em duas versões. Como eu gostei desse lance de colocar um slideshow para mostrar as diversas fotos existentes, mantê-lo-ei. Em time ganhando não se mexe.
Back From the Edge
Lançado em 07 de Março de 1996, veio em duas versões distintas:
Versão 1
Back From The Edge – 4:19
Rescue Day – 4:11
God’s Not Coming Back – 2:19
Armchair Hero – 2:43
Versão 2
Back From The Edge – 4:19
R 101 – 2:06
Re-entry – 4:02
Americans Are Behind – 2:50
De verdade, tem hora que não dá para levar Bruce Dickinson a sério. Principalmente nas canções que acompanham esse single. Dá para entender que o vocalista quis trazer aquele tom de deboche e de não se levar a sério como em canções do cacife de R101 ou Americans Are Behind – futuramente ele também fez isso com o Iron Maiden em comédias críticas como em More Tea Vicar. Se eu tiver que escolher, fico com a Versão 1, mas acho que de todas as mídias físicas da discografia do nosso vocalista predileto, esse é o single que não dá vontade de comprar.
Skunkworks (1996)
Coisas que ninguém presta atenção Ficha Técnica:
- Produtor: Jack Endino
- Engenheiros de som: Adi Winman e Jeff Mann
- Gravado em: Great Linford Manor, Milton Keynes (uma mansão na Inglaterra que virou estúdio)
- Mixado em: Lansdowne Studios, Londres
No capítulo anterior eu passei muito rápido pela mudança de formação, então quero voltar nesse ponto e dar alguns detalhes adicionais. Recapitulando: Bruce não pode contar com a Tribe of Gypses para a turnê do Balls to Picasso (que contava com Roy Z, guitarrista e até então o principal compositor junto à Bruce em sua carreira solo), então uma nova banda precisou ser formada.
O primeiro contato que Bruce teve foi com o guitarrista, Alex Dickson, que não é um guitarrista de heavy metal. Ele é um escocês que começou em uma banda chamada Gun, participando do álbum Gallus, que eu vou colocar aqui uma referência para você ter uma ideia do potencial do rapaz (além do pré-julgamento negativo que você já fez algum dia da sua vida por só conhecer Skunkworks – sério, você já deve ter ouvido Steal Your Fire, só não tinha conhecimento para fazer a associação). O solo dessa música é melhor que qualquer solo em Skunkworks:
A cozinha veio um pouco depois, quando houve audições para a formação de uma nova banda e Chris Dale e Alessandro Elena acabaram sendo contratados para as posições de baixo e bateria. Os dois eram muito fãs de Kiss (após as audições oficiais eles ficavam fazendo jams com canções do Kiss e isso foi um diferencial para serem contratados, pois tocavam com muita energia – a biografia não oficial de Bruce, Flashing Metal with Iron Maiden and Flying Solo, escrita por Joe Shoeman tem muitas entrevistas com Chris e Alessandro e é prato cheio para complementar os conhecimentos dessa época) e eram muito jovens (ou seja, pouca experiência). Alessandro, que é italiano, mal falava inglês na época, tendo o nome artístico mudado para Alex.
A nova banda ganhou entrosamento durante a turnê de Balls to Picasso (culminando inclusive com a gravação do álbum duplo Alive in Studio A) e se manteve para um novo álbum de estúdio. Eles tinham energia, tinham ideias novas, tinham potencial criativo, mas tinham Bruce Dickinson. Tudo o que era criado passava pelas mãos do vocalista, que barrava ideias que não viessem de encontro com o seu viés “quero fazer coisas diferentes, que nada lembrem o Iron Maiden”.

Uma outra coisa muito importante para entender o por quê de Skunkworks soar como soa é o momento de sua gravação: a metade dos anos 90, que já tinha calcado no mundo o grunge como a nova revolução musical. Muito da sonoridade dos anos 80 já estava por esquecida pelas produtoras. Bruce e a gravadora queriam se aproveitar dessa situação e trazer dessa influência para o novo trabalho. Jack Endino, produtor com influências profundas de grunge foi o contratado, pois em seu currículo estavam o álbum Bleach, o debut do Nirvana, além de trabalhos com o Soundgarden e muitas bandas que não saíram da região de Seattle.
Pronto, agora você tem o cenário montado para Skunkworks ser criado: um produtor de grunge com uma banda recém-contratada, com pouca experiência de estrada junto à uma potência vocal reconhecida mundialmente que estava disposta a criar qualquer coisa que fosse diferente ao que a fez ser reconhecida mundialmente. Me fala se nesse galinheiro a raposa entra?
A capa foi criada por Storm Thorgerson, um diretor de arte (hoje já falecido) que trabalhou com muita gente (Pink Floyd, Led Zepellin, Black Sabbath, Genesis, a lista é grande). Ela é toda baseada em espelhamento. Dois anos antes da criação da arte de Skunkworks ele tinha feito a capa do The Division Bell, que tem o mesmo conceito artístico. Nesse caso, temos a imagem de um homem em um lago abaixo de uma árvore que tem a silhueta de um cérebro, sendo que bem no meio da imagem temos o espelhamento. Alguns pequenos pontos foram alterados para que não existisse 100% de semelhança (não são pontos difíceis de encontrar – brinque com seus filhos de achar as diferenças). A arte não possui contexto com as canções ou ao nome do álbum.

A arte dentro do encarte também teve trabalho de espelhamento, sendo que os próprios membros da banda tiveram seus rostos com esse efeito aplicado:

Skunkworks foi lançado em 19 de Fevereiro de 1996. Bruce não queria mais seu nome na capa. Não queria mais ser o holofote. Queria uma banda com nome próprio. Óbvio que ele já tinha esse nome. Óbvio que ele foi voto vencido e a gravadora não deixou que nada disso acontecesse. E o nome da suposta banda virou o nome do álbum.
Não tiro a razão da gravadora, afinal, em uma época ainda com Internet engatinhando e o mundo digital ainda muito analfabeto, o esforço para promover um nome do zero, mesmo com um medalhão na formação, seria um tiro no pé. O máximo que o vocalista tirou dessa briga foi conseguir que seu nome ficasse em um tamanho de letra menor que a fonte do nome do álbum. Nas apresentações ao vivo, entretanto, Bruce Dickinson dizia ao final dos shows “We are Skunkworks”; ele não se apresentava como um artista solo.
O nome Skunkworks é um pseudônimo (um apelido) de um programa aeroespacial criado por uma empresa bilionária chamada Lockheed Martin, que visava pesquisas, designs de espaçonaves, programas de desenvolvimento aéreo e o que mais eles achassem que fosse necessário para dominar o mercado do céu. Bruce sempre foi muito antenado nessas coisas de avião (que eu, pelo contrário, sou totalmente averso – me borro de medo de entrar em um simples voo comercial) e foi desse programa que ele tirou o nome do álbum.
Tracklist
- Space Race (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:47
- Back From The Edge (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 4:17
- Inertia (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:04
- Faith (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:35
- Solar Confinement (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:20
- Dreamstate (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:50
- I Will Not Accept The Truth (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:45
- Inside The Machine (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:28
- Headswitch (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 2:14
- Meltdown (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 4:35
- Octavia (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 3:15
- Innerspace (Bruce Dickinson / Alex Dickson / Chris Dale) – 3:31
- Strange Death In Paradise (Bruce Dickinson / Alex Dickson) – 4:50
Uau, treze faixas! É, mas preste atenção ao tempo das músicas. Se você tirar uma média, terá algo que gire em torno dos três minutos. A canção mais longa do álbum não crava cinco minutos e temos uma música que os Ramones ficariam com inveja de não ter escrito algo tão rápido, com pouco mais de dois minutos. Nem no tracklist o álbum lembra algo de metal.
Faixa a faixa
A influência do produtor junto da fixação de Bruce por fazer algo diferente em sua carreira culminaram em diversas faixas que não trazem nada de interessante instrumentalmente. Nada mesmo! Não há espaço para fraseados de guitarra, tempos demorados, interlúdios, uma viradinha de bateria aqui outra ali, nada disso. Os solos de guitarra são poucos e são curtos – todos diretos e simples, como é o grunge. Alguns eu me recuso a chamar de solo. Alex Dickson, que tem ligações com vários estilos fora do mundo do Heavy Metal, teve papel de composição em todas as faixas e esse é outro fator para a sonoridade. Em uma única audição você nota que as músicas seguem uma estrutura muito direta no melhor estilo ‘verso + ponte + refrão’ que se repetem na grande maioria, senão em todas as faixas. Mesmo assim, passarei pelo Faixa a faixa, dando o meu melhor.
O álbum começa bem. Sério! A trinca inicial até hoje me agrada muito. A abertura com Space Race dá grandes expectativas ao álbum. Acordes clean com pouco efeito e um Bruce cantando alto, aberto, com uma progressão bem cativante até chegar em um refrão poderoso. O Rolf e seus ETs adorariam a letra dessa canção, que fala que não estamos sozinhos nesse mundo.
Na sequência, Back From The Edge entrega a melhor canção do álbum. Uma letra muito criativa que descreve alguém que voltou do topo e precisa começar tudo novamente do início. Uma guitarra com vida, mesmo que com notas interpretadas de forma bem simples. Uma das poucas músicas onde a cozinha tem um espacinho para trabalhar um pouco de protagonismo.
Inertia fecha uma trinca matadora, com Bruce cantando bem forte e aberto. A primeira lei de Newton, que descreve que um objeto tende a ficar parado até que uma força venha e haja sobre ele, é uma metáfora para descrever o que será de nossas vidas do futuro: um vazio, esquecidos pelas gerações, sem qualquer recordação, paradas em um tempo passado.
Faith, quarta faixa, tem uma letra interessante. A construção dela é para mim, liricamente, um grande ponto alto entre as faixas, descrevendo um relacionamento que não deu certo; algo que Bruce não tem costume de escrever e que foge totalmente de seu estilo. No VHS ao vivo, Bruce anuncia que a faixa é sobre “confiança quebrada”. Agora, você, fã de metal, cantar sobre um relacionamento, tendo musicalmente todo o histórico de Bruce, é muito estranho. É uma canção que você ouve, mas não quer cantar junto – simplesmente “não dá liga”, soa esquisito, fora de contexto.
Quinta posição, Solar Confinement, é aquela música que quase dá certo. Se tivesse um refrão bem mais trabalhado e potente (além de um instrumental mais trabalhado, com frases e um solo – mas aí já falei que é um problema todo do álbum e não algo isolado), seria uma grande faixa do álbum, mas bateu na trave. Gosto da energia dela, até chegar no refrão, que fica repetindo o título.
Dreamstate, sexta faixa, tenta dar uma desacelerada no que o álbum até então vem apresentando, mas não funciona muito bem nesse sentido, já que as faixas são curtas e uma desaceleração é tudo o que não precisaríamos. Acho ela muito arrastada e o refrão dá raiva. O “estado de sonho” é também uma metáfora para o que Bruce descreve na letra como uma ilusão que uma pessoa tem dele e, nesse caso, não dá para saber se o tema do relacionamento que aparece em Faith é também proposital aqui, pois não temos isso tão claro na letra.
I Will Not Accept The Truth, sétima faixa, é chata que só e concorre fortemente para pior faixa do álbum. Ela foi uma das escolhidas por Bruce para tocar na segunda perna de sua turnê do Balls to Picasso – azar de quem viu. Letra fraca e repetitiva. Sem sal nenhum.
Que bom que a faixa oito começa logo, pois Inside The Machine é o oposto do que acabamos de ouvir. Junto com a trinca inicial é outro grande destaque do álbum. Tem energia, tem alma, tem pegada, tem bateria e, adivinhem só, tem duas guitarras (mas só um guitarrista) trabalhando melodia. A letra tem um viés tecnológico, descrevendo um gizmo que tem o poder de encantar, mostrar a verdade e fazer com que você vire parte dessa geringonça, te trazendo vício e prendendo sua vida (alguém lembrou do seu celular ou sua rede social ai?!). Nos dias atuais, iriam falar que Bruce era um visionário por ter escrito sobre Inteligência Artificial (já que tudo na mídia hoje pateticamente se resume ao termo IA).
E continuando a montanha russa de músicas boas e ruins, hora de uma ruim. Pule a nona faixa, Headswitch, a pior faixa do álbum com seus patéticos dois minutos e quinze segundos. Não se deixe enganar pelos segundos iniciais achando que o riff é legal. Bruce ainda canta com efeito na voz. Gastei muito teclado com essa faixa já…
Não abandone a montanha russa, porque agora vem uma descida legal. A décima faixa, Meltdown, é outro bom destaque do álbum, apresentando uma atmosfera sombria que encaixa nos vocais de Bruce. A letra é um desabafo a uma pessoa que demonstrou ser um falso amigo (a tradução do termo meltdown, inclusive, pode ser um “desapontamento emotivo”).
Entrando na trinca final, temos Octavia, uma música que nunca me disse nada, mesmo tendo algumas variações em seu riff que mostram um respiro de criatividade na mesmice musical apresentada no decorrer das faixas e tendo um solo um pouco maior do que os demais apresentados. Uma letra curta que eu nunca entendi a referência do título.
Penúltima faixa, Innerspace é um rock honesto (enfim!), com um bom ritmo e que segura a parte final do álbum. Não gosto da maneira como a faixa termina (sempre critico fade-out), mas é birra minha.
Fechando na décima terceira faixa, Strange Death In Paradise começa indo para a direita e do meio para o fim vai para a esquerda. Gostando ou não, é a faixa que apresenta maior variação na harmonia. Gosto bastante da primeira metade da canção, mas do meio para o fim ela toma um rumo que ficou muito mais puxado para o experimentalismo, encerrando o álbum de uma maneira esquisita.
Ao término da audição você tem vontade de voltar às músicas iniciais, que são as únicas que deixaram algo marcado. A maioria das canções são totalmente esquecíveis tão logo elas acabam. Se você quiser sair culpando alguém, culpe Bruce. Na minha opinião a escolha do produtor foi um grande tiro no pé, mas só foi assim feito devido à insistência do vocalista de continuar a criar algo diferente a qualquer custo. A obsessão pelo diferente afundou esse trabalho, que você até pode achar bom, se gostar de bandas com a sonoridade do Soundgarden (sem críticas aos americanos ou ao grunge, mas alôôô, estamos falando de Bruce Dickinson aqui).
E se você nuuuuunca ouviu Skunkworks, nunca é tarde:
A turnê de Skunkworks durou pouco tempo, de Abril a Agosto de 1996, passando por Europa, Japão e Estados Unidos. Na Europa a banda abriu para o Helloween, agora, nos Estados Unidos, com atração principal, houve apenas três shows (Nova Iorque, Cleveland e Detroit). Vários shows foram cancelados e não foi por briga entre os membros – os shows simplesmente não vendiam. Foi o começo do fim.
Há um registro ao vivo que foi lançado só no Japão em VHS, gravado nas cidades de Pamplona e Gerona, na Espanha, nos dias 31 de Maio e 01 de Junho de 1996. Há também um CD no formato EP com quatro faixas desse mesmo show, que também só foi lançado na terra do sol nascente. Um registro curto e que conta com o cover de The Prisoner, de uma banda britânica que você conhece.
Em 2022, o baixista Chris Dale (que futuramente tocou várias outras vezes com Bruce; eu tenho uma foto junto dele – vou postar quando escrever sobre o projeto onde Renato Tribuzy trouxe Bruce Dickinson no Brasil), escreveu um livro contando todos os detalhes que ele passou junto do “projeto” Skunkworks. Esse eu ainda não tenho na coleção. Se você quiser importar, o link é esse.
O baterista Alessandro Elena virou produtor musical e fotógrafo. O site oficial dele é esse aqui. Chris e Alex chegaram a tocar juntos novamente em uma banda chamada Sack Trick. O guitarrista também fez trabalhos de estúdio e ao vivo com o cantor pop Robbie Williams.
O setlist principal tocado durante a turnê Skunkworks foi:
- Space Race
- Back From the Edge
- Tattoed Millionaire
- Inertia
- Faith
- Meltdown
- I Will Not Accept the Truth
- Laughing in a Hiding Bush
- Tears of the Dragon
- Innerspace
- God’s Not Coming Back
- Dreamstate
- The Prisoner (Iron Maiden cover)
- Delilah (Les Reed cover)
Em 2005 tivemos a edição remasterizada do álbum, contendo um disco adicional com todos os singles lançados à época. A capa teve a coloração modificada e o símbolo usado no VHS adicionado ao fundo do título, o que eu achei interessante já que para as edições de Tattoed Millionaire e Balls to Picasso a capa era igualzinha.
Devido não conseguir decolar, a banda acabou ainda em 1996. Bruce apresentava sinais de depressão e andava muito insatisfeito com os meios musicais que ele tentara e não dera certo. Ele já pensava em fazer alguma outra coisa que não fosse música, quando Roy Z ligou para o vocalista para pedir a opinião sobre um riff que ele tinha composto na guitarra. Bruce tinha gostado tanto que pediu um minuto ao guitarrista para escrever umas linhas em um papel. Iniciava ali a reviravolta musical na vida de nosso querido vocalista.
No próximo capítulo, revisitaremos o acidente que deu certo.
Beijo nas crianças!
Kelsei
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Mais um excelente e detalhado post, sempre um prazer ler e aprender – o contexto em que este álbum foi concebido explica muita coisa e foi muito bem resumido aqui. É inegável que Skunkworks não conseguiu agradar a todos, mas a tentativa de Bruce foi muito válida. Imagino que tenha levado a um desenvolvimento pessoal bastante grande, algo do tipo “tirou do sistema” uma necessidade que tinha desde a época com o Maiden, e tenho certeza de que ele gosta muito deste trabalho. Mal posso esperar pela continuação da saga, pelas histórias das obras-primas que vieram depois.
De posse do meu gravador de CDs e dos pinos de CD-Rs comprados no centro de São Paulo na época, e às custas de MUITAS horas entre meia-noite e seis da manhã (e fins de semana) de internet discada eu baixei e gravei diversas discografias na época. Tinha o Skunkworks com todos os b-sides e extras que pude encontrar nos Napster, Kazaa e Audiogalaxy da vida, com capinha feita em casa e tudo. Honestamente? Devo ter ouvido na íntegra uma única vez. Estou neste momento revisitando.
Outro comentário: ao ouvir Empire Of The Clouds pela primeira vez eu já sabia que a música viraria um “desvendando” aqui no blog, e o nome R-101 não me era estranho. Depois de tantos anos fui buscar a faixa do Skunkworks. Teria aquela música que soava como trilha sonora de jogo de 16 bits algo a ver com o desastre descrito em Empire Of The Clouds? Não, não teria. 😀
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Kelsei, pleonasmo absoluto falar algo sobre a qualidade dos seus posts…
Está aí um álbum do Bruce que não dei muita atenção na vida até hoje e não manjo quase nada dele. Vou tentar dar um pouco mais, tantos anos depois. Não me apetece tanto na teoria, vejamos na prática novamente…
[ ] ‘ s,
Eduardo.
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Bem, Kelsei, zerei o jogo até agora. Tõ em dia, agora. O que eu não merecia era entregar o serviço ouvindo esse disco de novo. Eu já tinha ouvido e neca…E agora? Well, já dá pra imaginar, né…. mas antes, vamos aos obrigatórios e muito merecidos parabéns pela pesquisa, didática e bom humor deste capítulo.
Em uma análise bem “técnica”, acredito que Bruce estava passando na frente de uma garagem e vi uns moleques que curtiam, sei lá, uma mistura de Radiohead com Silverchair, sem precisar se aprofundar em escalas, sem precisar revistir as guitarras de peso, e não é que o vocalista, muito perdido nas ideias, após ter conseguido o queria, que era sair do Iron Maiden com os bolsos recheados, não sabia bem o que queria? Ele achava que sabia o que queria, mas ele não sabia. Ele não tinha a mínima ideia, a única coisa que ele enxergava é que ele queria rejuvenescer uns 20 anos e ser moderninho. Só isto justifica esse projeto. Desvencilhar-se a todo custo de quem lhe deu a base de sustento e se aventurar nas modernidades sonoras com uma garotada.
O resultado, pra mim, só reafirma o que eu escrevi. É um disco completamente perdido no tempo e no espaço. Eu acho até a banda razoavelmente competente. Eles não tocam mal. Eles tocam direitinho. Solos, como você disse, não tem muito, mas isso estava na moda em 1996. Dickinson traz boas vocalizações, há momentos que não dão vontade de vomitar, e você tem razão, o começo do álbum até anda, mas, mesmo com musicas curtas, é um álbum muito chato e cansativo. Esse som de captador simples de Fender Stratocaster sem drive para buscar um som alternativo é de enjoar os ouvidos, com 15 minutos ninguém aguenta mais….
Skunkworks é um disco esquecível. Sobra um refrão aqui e ali (Inertia, talvez), tem algumas boas ideias, por exemplo, os dois primeiros minutos de I Will Not Accept The Truth, pra mim a melhor música e o refrão de Strange Death in Paradise até dão um alento, mas o resto é uma chatice. Tá, tem alguns outros trechos razoáveis, mas o bolo solou. Pior ainda é o show ao vivo. Essa banda não tem o direito de tocar nenhuma música do Iron Maiden. O que esse guitarrista fez com as linhas do Adrian Smith na pausa de The Prisoner (ou melhor, não fez…) é de se avaliar um processo de danos morais. O solo de Tears of the Dragon, valha-me o senhor….
Ainda bem que o Dickinson se cercou de gente da categoria dele mais à frente. A garotada aqui desse disco ainda tinha de tomar muito Neston e Farinha Láctea para ajudar no crescimento. Quantas vezes eu ouvir o álbum, quantas vezes eu vou atestar, que bola fora….
Sds
Alexandre
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[ ] ‘ s,
Eduardo.
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