“Freeze this moment a little bit longer,make each sensation a little bit stronger” – Neil Peart, Time Stand Still

Ao fim da turnê de “Power Windows”, em maio de 1986, o trio canadense encontrava-se bastante satisfeito com os resultados de todas as novas experiências do trabalho feito com Peter Collins, assim sentiu-se muito confortável em continuar o modelo para o próximo álbum. “Power Windows” tinha vendido muito bem, portanto naquele momento pré-gravação do novo álbum não havia sentido em fazer qualquer mudança mais drástica, o grupo queria, como a letra de “Time Stand Still” afirma, aproveitar o máximo aquele ótimo momento. Assim, em setembro de 1986, o trio começou a pensar nas novas composições e, com relação à tecnologia, os dois álbuns estavam propensos a serem bastante entrelaçados. “Hold Your Fire”, no entanto, também começaria a demonstrar que teríamos outra curva no caminho da banda, pois a questão de quatro instrumentos estava ficando cansativa, e ali começaria uma transição lenta para o Rush. Alex, em especial, era quem mais se ressentia e se cansava naquele período no qual os teclados atuavam em igual força com os demais três instrumentos.
No início de setembro, portanto, Neil havia se antecipado aos seus parceiros e encontrava-se em uma casa de campo à beira de um lago, trabalhando em algumas letras. O grupo havia escrito “Power Windows” em torno do tema central “poder” e o baterista pensava em algo parecido novamente, desta vez trabalhando com as nuances que cercam a palavra“tempo”, primeiro desenvolvendo letras para “Time Stand Still”. Com o desenvolvimento de novas ideias para “Second Nature” e “High Water”, o tema mudou repentinamente para algo relacionado a “temperamento” ou“instinto”, os impulsos primitivos. Em seguida, Neil combinou, ainda sem o grupo de fato se reunir, de ir à casa de Geddy, que mostrou algumas coisas nas quais vinha trabalhando com seu novo teclado — totalmente controlado por um computador Macintosh, algo que Peart considerou um método extraordinário. Eles também discutiram algumas ideias para as letras nas quais ele vinha planejando, mas nunca havia conseguido colocar no papel. Essas ideias seriam o embrião outras canções, como “Mission”, “Open Secrets” e “Turn The Page”, e se encaixariam muito bem no tema geral.
Dali o grupo finalmente começou a compor sessões novamente no lindo cenário do Elora Sound Studios, Ontário, em 27 de setembro de 1986. Alex trouxe uma fita com um trabalho experimental que vinha fazendo em casa, o que renderia algumas boas partes para várias músicas. No início de novembro o grupo já tinha chegado às oito músicas, mas eles decidiram ir um pouco mais longe. Se em 1986 e 1987 a grande maioria das pessoas estava escolhendo por comprar CDs, por que eles deveriam se preocupar com as limitações de tempo do antigo disco de vinil? A ideia permitiu ao trio expandir a duração inicial, tradicional dos álbuns anteriores. Assim, o grupo pensou em fazer mais 2 músicas, o que os faria ultrapassar os cinquenta minutos de material total. No início de dezembro, foi a vez de Peter se juntar ao grupo no Elora Sound Studios para contribuir com suas valiosas críticas e sugestões. A maioria das mudanças foram pequenas, exceto “Mission”, que recebeu novos versos, e “Open Secrets”, que passou por algumas revisões no refrão. Peter Collins tinha acabado de terminar um dos seus piores projetos que foi o disco de Bill Squier, o álbum “Enough is Enough”, de 1986, que, sendo o sucessor na discografia do cantor de três discos de platina e multiplatinados, nem atingiu o disco de ouro, pois de fato Billy Squier foi “cancelado” pela crítica e público ao lançar o clip de “Rock Me Tonite” do álbum anterior, considerado o pior clip de todos os tempos (no livro “I Want My MTV” de Craig Marks há um capítulo inteiro dedicado a ele), e Peter Collins nãoconseguiu re-alavancar a carreira do guitarrista e cantor com “Enough is Enough”. O fato deixou o produtor bastante abalado. “Hold Your Fire” acabou sendo para Peter um estímulo, pois ele pensava que sua carreira estava acabada por causa desse álbum do Billy Squier e a isso ele foi muito grato ao Rush.
O trio começou a gravar “Hold Your Fire” em 05 de janeiro de 1987 e para isso fez uma verdadeira jornada internacional desde as gravações até a masterização final. Inicialmente eles voltaram ao The Manor Studio na Inglaterra, em especial porque Neil adorava o jeito que sua bateria soava com o teto alto de pedra do estúdio de lá. A bateria, baixo, teclados básicos, e partes de guitarras e vocais foram gravados neste primeiro momento. Os teclados, guitarras e vocais foram gravados digitalmente, enquanto a bateria e o baixo, como preferido por Peart, foram gravados usando um gravador analógico, mais tarde convertidos em uma fita digital. Em 7 de fevereiro, a banda foi para o Ridge Farm Studio em Surrey, um prédio principalmente do século XVII em uma casa de fazenda que remonta à Idade Média, um adorável ambiente rústico. Artistas como o Queen, Oasis, Pearl Jam e Ozzy Osbourne em sua fase inicial da carreira, com Randy Rhoads nas guitarras, estiveram por lá também.

Novamente Andy Richards foi chamado para adicionar camadas de teclados brilhantes às faixas. Lifeson também foi capaz de adicionar camadas de guitarra nesta fase de gravação do álbum, ainda no Ridge Farm Studio, mas dali eles retornaram ao ambiente tropical de Montserrat, no AIR Studios, para que a maior parte das gravações de guitarra, inclusive os solos, estivessem completas. As tensões entre a banda, pelo direcionamento conjunto entre guitarras e teclados, estavam cada vez mais evidentes. Alex cita que logo no primeiro dia de gravação no Caribe, ao trabalhar na faixa “Prime Mover”, tocou uma ideia de riff para reprovação veemente de Geddy, o que causou muita frustração e desagravo ao guitarrista, já que o local se encontrava repleto de outras pessoas que presenciaram o desentendimento entre os dois músicos. Geddy admitiu, anos depois, seu arrependimento com algumas atitudes naquele período, ele também encontrava problemas em seu casamento na ocasião, dizendo “…How on earth could I have been so blind to what he was going through, not just as my writing partner, but as my dearest friend? In the name of progress and experimentation, I had made him feel diminished…” algo como “”…Como pude ser tão cego ao que ele estava passando, não apenas como meu parceiro de escrita, mas como meu amigo mais querido? Em nome do progresso e da experimentação, eu o fiz se sentir diminuído…”
Além das questões que volta e meia os levavam para o uso dos teclados, havia uma outra preocupação mais central, um único outro grande ajuste que era aumentar a presença do baixo. Geddy sempre ficava preocupado com a real frequência do grave. Os timbres mais graves precisavam de reforço, segundo Lee, e para isso eles apareceriam em certos momentos com Geddy voltando a usar o Moog Taurus Bass Pedal para diferenciar do baixo tocado sem efeitos de pedal. Mesmo com toda essa busca, o trio considera até hoje que “Hold Your Fire” tornou-se um álbum notadamente agudo, mantendo a frustração que permaneceria mais algum tempo nos demais trabalhos do conjunto. Peter afirmou que Geddy era também quem tinha o maior interesse em produção, e era o ponto de referência para representar o trio. Era Geddy quem se sentava lá, repassava as ideias e as organizava para dar forma. Neil ouvia muita música inglesa, segundo Collins, e mostrou-se satisfeito ao perceber que a produção vinha incorporando um pouco da visão britânica em sua música, com a tecnologia de vanguarda e com os novos truques de ambiência. Foram usados vários efeitos na bateria e ele ficou muito feliz.
O final das gravações do álbum se deu na terra natal do trio, inicialmente eram alguns vocais e trechos finais de guitarras. Eles trabalharam no McClear Place Studios, e pela primeira vez uma vocalista convidada apareceu em uma música do Rush. O grupo se mostrava encantado com o trabalho da cantora Aimee Mann (na época integrante do grupo ‘Til Tuesday, que tinha feito sucesso em 1985 com o álbum e single “Voices Carry”) e bastava haver uma oportunidade mínima para que eles tentassem tê-la participando do álbum. Nada melhor do que propor que ela cantasse em “Time Stand Still”.

O grupo queria algo extraordinário de alguém que soasse angelical, uma voz que flutuasse dos céus, e ela entregou exatamente isso. Novamente a produção de Collins avaliou a possibilidade de incluir uma sessão de cordas em algumas canções. Assim, “Mission”, “High Water” e “Second Nature”, foram regidas e arranjadas por Steven Margoshes, um talentoso compositor da Broadway. Em “Mission”, além das cordas, o produtor, conhecido como Mr. Big, queria uma autêntica banda de metais inglesa. A banda estranhou a ideia, mas apostou na visão de Collins, que retornou à Inglaterra, no Mirage Studio, para a tarefa. Por fim ainda houve espaço para um coral gospel no final de “Prime Mover”. A gravação enfim foi concluída no dia 24 de abril.
No começo de maio, outra viagem. As mixagens de “Hold Your Fire” foram feitas no Studio Guillaume Tell em Suresnes, um antigo vilarejo nos subúrbios ocidentais de Paris, situado nas proximidades do Champs-Elysées, a pouco mais de dez minutos de distância. Com todo o tempo disponível entre as mixagens, Geddy e Peart puderam visitar museus, restaurantes e tudo o mais que a ótima atmosfera da capital francesa pudesse proporcionar-lhes. Lifeson não se mostrou tão entusiasmado como os outros dois, preferindo ficar em seu quarto do hotel que estavam hospedados. A masterização foi feita no Gateway Mastering Studios em Portland, Maine durante o mês de julho.
Inicialmente para a capa a intenção era de trazer uma imagem de um homem fazendo malabarismo com três bolas em chamas. Hugh Syme de fato produziu a arte, utilizando os serviços do fotógrafo Glen Wexler. Eles tiveram a ideia de chamar o mesmo protagonista de “Power Windows”, Neill Cunningham, para espiar por uma janela. Então Syme teria contactado Dennis Hopper, o vilão perturbado Frank Booth no thriller de David Lynch, Veludo Azul, de 1986, para atuar como um malabarista. Eles não conseguiram conciliar as agendas, assim resolver trazer outra pessoa, escolhendo Stanley Brock, artista que encaixou perfeitamente no personagem proposto de malabarista. Por fim, a imagem produzida acabou não sendo a escolhida para a capa. Ela aparece no álbum no encarte interno e mostra uma rua chuvosa, coberta de hidrantes, gatos de rua e grades de esgoto, com Booth mascando charutos e fazendo malabarismos com um trio de esferas flamejantes. O grupo e Syme pensaram em recriar algumas das imagens dos álbuns anteriores, partindo do protagonista de “Power Windows”, mas embora haja um hidrante vermelho na capa, tal ideia foi deixada de lado. Para criar as “esferas flamejantes suspensas no ar”, Syme cobriu algumas bolas de vôlei com cola de borracha e as fotografou ao ar livre, à noite, produzindo o efeito de chamas de forma manual.
Contrariando boa parte do staff do grupo canadense, para a capa Hugh acabou por mudar radicalmente de ideia, buscando um conceito minimalista. “Hold Your Fire” traz uma das capas mais discretas do Rush, concentrando o conceito nas três esferas em um padrão triangular, contra um fundo vermelho. A arte ao mesmo tempo é simples e elegante e possibilitou ao grupo fazer uma conexão dos elementos destacados (as esferas representando os três componentes da banda em suas posições em um palco iluminado) com todo o aspecto visual e de marketing da turnê que se seguiria. A conexão das esferas da capa também se liga ao encarte interno através das três bolas flamejantes e estas se associam ao jogo de palavras que se traduzem no manuseio do malabarista ao segurar, ainda que brevemente, o fogo.

Para as gravações do novo álbum, Alex manteve-se fiel às guitarras canadenses Signature Aurora, em dois modelos, um vermelho e um azul bem escuro, com captadores ativos singles, nem mesmo colocando captadores duplos perto da ponte, como nos modelos anteriores. O resultado mostra uma sonoridade brilhante e metálica nas guitarras. Novamente ele fez uso de amplificadores transistorizados, uma tendência da época, em especial nos modelos Gallien Krueger 2000 CPL, mas também tinha, por exemplo, os valvulados da Mesa Boogie como opção. Para as modulações e ambiências, continuou suas escolhas entre os complexos racks de múltiplos efeitos, utilizando vários modelos da Roland, TC Electronic e Yamaha. Ele também se ocupou do teclado Yamaha KX76, eventualmente, que era usado por Geddy como um controlador. O arsenal de teclados, é claro, ficou a cargo de Lee e lá estavam: o Prophet VS, o Yamaha DX-7, versões 1 e 2 e os Roland D-50 e Super Jupiter. Além disso, trouxe de volta os Moog Taurus Bass Pedal para os estúdios, mantendo também o uso do Korg MIDI pedals MPK-130. Lee usou apenas o baixo Wal para as gravações, e de forma bastante rara, utilizou um modelo de 5 cordas, o Mk2 5-string, para gravar “Lock and Key”, talvez uma alternativa na busca pelos “low ends” no baixo.

Neil trouxe um novo kit de bateria, na cor branca, para “Hold Your Fire”, usando este modelo híbrido que era prioritariamente Ludwig, por cerca de 4 anos, até 1990. Peart, na verdade, optar por fazer uma combinação de bateria Ludwig, após testar cerca de 6 marcas diferentes, com o uso de ferragens da Pearl, da Premier e da Tama. A caixa adorada da Slingerland permanecia, assim como os pratos da Avedis Zildjian, além dos modelos “China” que realmente eram originários da província chinesa de Wuhan.

O kit eletrônico da Simmons tinha mais 2 toms eletrônicos e acionava novos samples da nova Akai digital sampler através de um Yamaha Midi Controller que produziam os sons de percussão, o chamado KAT keyboard percussion unit. Assim Peart poderia acionar eletronicamente sons de Crotales, Bell Trees, Tubular Bells, entre outros, de forma eletrônica. “Hold Your Fire” é considerado o álbum no qual mais instrumentação eletrônica de bateria há na discografia dos canadenses. Neil, no entanto, ainda manteve alguns sons orgânicos de percussão, entre eles os Cowbells e o Tama Gong Bass Drums. Foi também a primeira vez que o baterista usou toms fechados no fundo em vez de toms chamados “de concerto”, mas a configuração incluía um tom aberto extra de 6 polegadas, que Neil usou na turnê, em “Red Sector A”.
Ficha técnica:

Geddy Lee: Baixo, Sintetizadores, Bass Pedals e vocais.
Alex Lifeson: Guitarras e Violões.
Neil Peart: Bateria, Bateria Eletrônica e Percussão.
Andy Richards – teclados adicionais
Aimee Mann- vocais adicionais em “Time Stand Still”.
Steven Margoshes: Arranjo e condução da orquestra de cordas gravada no McClear Place, Canadá.
Andrew Jackman: Arranjo e condução da banda de metais gravada no Mirage Studio, Oldham, Inglaterra.

Produzido e arranjado por: Peter Collins e Rush
Engenheiros de som: Jimbo “James” Barton.
Gravado no The Manor, Inglaterra, assistido por Micheal Ade, Ridge Farm Studio, Surrey, assistido por Reynold Swan, Air studios, Montserrat, assistido por Ken Blair, McClear Place, Toronto, assistido por Martin Lee, e “no Lerxst Mobile, assistido por Lerxst”, entre janeiro e abril de 1987.
Mixado no: Guillaume Tell Studio, Paris, May 1987, assistido por Philip Cusset
Programação de Sintetizadores assistida por: Andy Richards e Jim Burgess
Pré–produção no Elora Sound com engenharia de som por: Jon Erickson
Masterizado no: Gateway Mastering Studios, Portland, Maine.
Direção artística: Hugh Syme
Fotografia: Glen Wexler
Produção Executiva: Moon Records, Val Azzoli and Liam Birt
Empresariamento: Ray Danniels, SRO Productions, Inc., Toronto
© 1987 Mercury Records © 1987 Anthem Entertainment

Créditos adicionais:
Urban Development by Scott Alexander, Patrick Johnson and Olivia Ramirez
Tour Manager and Lighting Director: Howard Ungerleider
President and Stage Manager: Liam Birt
Production Manager: Nick Kotos
Concert Sound Engineer: Jon Erickson
Stage Left Technician: Skip Gildersleeve
Centre Stage Technician: Larry Allen
Synthesizer Maintenance: Tony Geranios
Stage Right Technician: Jim Johnson
Stage Monitor Engineer: Steve Byron
Concert Projectionist: Lee Tenner
Personal Shreve: Kevin Flewitt
Carpenter (and Stage Right Assistant): George Steinert
Concert Sound by See Factor: Jim Staniforth, Bill Fertig, Tom Varaday, Harry Martinez
Concert Lighting by See Factor: Frank Scilingo, Jack Funk, Scott Maskin, Ethan Weber
Concert Rigging by Southfire Rigging, Billy Collins, Don Collins, C.J. Titterington III
Lasers by Laser Media, Craig Spredeman, Peter Callahan
Drivers: Tom Whittaker, Mac MacLear, Pat Lynes, Red McBrine, Earl Charles, Tom Mullins, John Mullins, Tom Hartman and Russell Fleming

“Nothing can survive in a vacuum”- and…
we would like to thank all those who have enriched our atmospheres : Bill, Linda, and Joanne at Elora Sound; Lynne, Mike, Michael, Ian, Jenni, Vicki, Julie, Flecky and Fruthy at The Manor; Frank, Ann, Ren, Fee, Laura, Tracy and Speedy at Ridge Farm; Yvonne, Malcolm, Ken, Frank, George, Franklin, Desmond, Lloyd, Leroy, Felena, Shirley and Danny in Montserrat; Bob, Martin, Tom, Hayward, Wendy and everyone at McClear Place, and Roland, Liouba, Paul, Alain, Cyril and Philip at Guillaume Tell. Elsewhere we have been aided and/or entertained by: the Steve Morse Band and crew, Jeff “Yankel” Berlin, Bill Churchman, Paul Fejdman, Flembo, Stade Roland Garros, International Herald Tribune, Rock-it Cargo, B. Zee Brokers, Warren Seyffert, Jeff Spinks, Rockin’ F, Pee Wee’s Playhouse, Princess Lynda Barry, The Senator, Macintosh Plus, the Gangster of Boats, the ever popular Scoozball, M. Joe (for continuing inspiration), Those Darn Fish, Patsy Cline, Roy Gevalt, The Big V, Luke Warm and all cowboys everywhere.
And perpetual thanks to our “support crew” at the Anthem Entertainment Group: Ray, Val, Sheila, Pegi, Lesley, Linda, Charlene, Bob and Cindy.
We gratefully acknowledge the technical assistance of Jim Burgess and “Saved By Technology,” Wal Basses, Russ Heinl, Signature Guitars, The Percussion Center of Fort Wayne, Ludwig Drums, Avedis Zildjian Cymbals, Brisbin Brook Beynon Architects, and The Omega Concern.


Lado A:
Force Ten (4:28)
Time Stand Still (5:07)
Open Secrets (5:37)
Second Nature (4:35)
Prime Mover (5:19)
Lado B:
Lock And Key (5:08)
Mission (5:15)
Turn The Page (4:53)
Tai Shan (4:14)
High Water (5:32)

Apesar de ter alcançado a décima terceira posição na Billboard 200, inicialmente, “Hold Your Fire” não teve fôlego para se estabelecer, como vinha acontecendo desde “Permanent Waves”, com a certificação de platina nos EUA. O álbum inicia uma época na qual a banda chega apenas às 500 mil cópias em solo norte-americano, e recebeu o status de disco de ouro ainda em novembro de 1987, curiosamente, no mesmo mês em que “Permanent Waves” chegou ao status platinado. No Canadá, “Hold Your Fire” vendeu mais de 100 mil cópias no Canadá, com status de platina e repetiu o frequente status de disco de prata por 60 mil exemplares vendidos na Inglaterra.
Os singles:
“Time Stand Still” marca a presença de um vocal feminino no refrão e foi lançado em 19 de outubro de 1987 no formato single. A banda havia pensado em Cyndi Lauper e Chrissie Hynde, mas a escolha por Aimee Mann acabou por ser a mais acertada. Segundo a cantora, a banda lhe pagou cerca de 2 mil dólares pela participação. A música rendeu um vídeo promocional, dirigido pelo cineasta Zbigniew Rybczyński, mas é notável entender que o trabalho não resistiu ao teste do tempo, no qual foram utilizadas colagens de imagens banda, em variados cenários. Aimee Mann participou de forma muito colaborativa também pelas extensas horas que o vídeo demorou para ser preparado. Geddy Lee é um dos muitos que não se entusiasmaram com o resultado final, alegando que “O material é engraçado só de assistir esse kit de bateria enorme voando no ar…” A música chegou ao terceiro lugar na parada rock da Billboard, mas não atingiu qualquer maior repercussão nas paradas principais, sendo um hit single mediano na Inglaterra, com o 42º lugar no ranking inglês.
Outros singles foram lançados sem maior repercussão, durante a promoção de “Hold Your Fire”. “Force Ten” também chegou ao terceiro lugar na parada rock da Billboard, “Prime Mover”, lançada especificamente na Inglaterra já em 1988, chegou ao 43º lugar por lá. O grupo fez um novo vídeo para o outro single, “Lock and Key”, utilizando imagens do show do dia 05 de dezembro de 1987, no New Havens Veteran’s Memorial Coliseum.
Os closes dos músicos foram feitos em estúdio em revezamento com imagens conceituais que trazem as imagens das esferas vermelhas. A música teve uma performance ainda mais discreta, o 16º lugar na parada rock americana da Billboard.
1 – “Force Ten”
A primeira faixa de “Hold Your Fire” traz um propósito de encorajamento, estimulando as pessoas a não terem medo do fracasso que todos podem passar, endossando a coragem ao invés do medo das dúvidas ou dilemas, de não temer os desafios. A inspiração do título da canção remete o ouvinte ao conceito meteorológico desenvolvido por Francis Beaufort no início do século XIX, usado amplamente em viagens marítimas. A escala Beaufort conceitua, através de um sistema de classificação dos ventos, os efeitos que estes produzem em mar e terra. O grau do fenômeno observado vai de 0 (calmo) a 13 (furacão). O grau 10 (Force Ten) significa uma tormenta com ventos acima de 102 km/h. A letra foi construída a partir da segunda parceria de Neil Peart com Pye Dubois, que juntos haviam composto “Tom Sawyer”. E assim como na icônica faixa de “Moving Pictures”, a letra de “Force Ten” surgiu com Peart tentando juntar várias das frases “jogadas” por Pye, para acrescentar versos próprios e por fim moldá-los. Os temas visitados em “Force Ten” se mostram bastante abrangentes, capturando algumas das peculiaridades das reflexões humanas. O nome “Force Ten” também é uma espécie de “jogo de palavras” com o fato desta ter sido a última canção a ser concluída para o álbum, quando eles estavam fechando o período de pré-produção. “Force Ten” foi, de fato, a décima e última música a ser desenhada, e, segundo o grupo, surgiu com a letra da parceria se transformando em canção em cerca de três horas.
Peter Collins havia pedido ao grupo que trouxesse algo mais acelerado para abrir o álbum, assim “Force Ten” caiu como uma luva neste papel, ainda que o refrão propositalmente traga um clima mais lento, incentivando todos a refletirem de forma introspectiva, olhando para dentro, ao redor e para fora. E, apesar de ser a faixa de abertura e o primeiro single, foi a última canção a ser concebida para “Hold Your Fire”, sendo escrita em apenas duas ou três horas no dia 14 de dezembro de 1986 – o encerramento da fase de pré-produção. A banda sempre achou divertido trabalhar dessa forma, pois a como a maior parte do álbum já havia sido concluída, eles poderiam trabalhar com bem menos pressão.
Musicalmente,o álbum começa de forma intrigante com “Force Ten”. A introdução revela uma interessante e curiosa sobreposição de sons: Nesta ordem surgem um coral sampleado, uma multidão em aplausos, guitarras, uma britadeira sampleada na bateria eletrônica e uma risada sutil feminina. O trio vai surgindo aos poucos,Neil entra com as crescentes batidas na caixa, depois Geddy traz a linha principal do baixo enquanto e Lifeson despeja os acordes cristalinos. “Force Ten” permite que as guitarras tenham maior destaque no início, o que denota uma espécie de ponto de chegada da banda em suas explorações eletrônicas. “Force Ten” não traz muitos teclados neste trecho, sendo basicamente um trio tocando rock. Na verdade, os teclados nesta faixa de abertura fazem algo mais sutil, na parte acelerada, ficando ao fundo. Em 1:23, no entanto, a dinâmica se reduz e os teclados voltam a protagonizar na canção. Geddy realiza em “Force Ten”, novamente em 1:43, um trabalho estupendo em seu instrumento principal, sempre dinâmico e muito marcante, voltado para acordes, coisa que ele não havia explorado de fato até então, dedilhando a corda “Lá” com o polegar e os dois primeiros dedos, simultaneamente puxando os “power chords” com os dedos indicador e médio. Isso abriu um pouco mais de alcance, com mais possibilidades melódicas e rítmicas também, um papel importante para um baixista. Aos 2:13, sequencers e teclados em estéreo preenchem a faixa em contraponto à guitarra, e aos 2:53 temos uma seção instrumental que não chega a ser exatamente um solo de guitarra, mas é recheado de climáticas frases e notas dispersas. Em 3:17, os teclados pontuam forte o trecho da ponte alternando acentos com a guitarra. A música segue alternando trechos mais acelerados com as partes onde os teclados surgem com mais predomínio. Em 4:25, os samples simulando a britadeira surgem para o fim da canção.
2 – “Time Stand Still” –
“Time Stand Still” afirma que todos experimentamos momentos que gostaríamos de ver “pausados”, momentos que valorizamos muito e que podem aos poucos se perder em nossas mentes pela passagem do tempo. Em parte, a canção traz um lamento sobre as constantes mudanças no mundo e a dificuldade em encontrar um porto de descanso na tempestade da mudança constante. Peart certamente expôs um pouco do que era viver em uma montanha russa de emoções desde o início da banda, sendo atropelado e desejando curtir mais lentamente alguns dos grandes momentos que a banda viveu e vivia. A letra enfatiza e encoraja as pessoas a tentarem viver a riqueza de períodos passados que continuam presentes e intensos nas lembranças, vívidos dentro de nós e aproveitarmos intensamente os melhores momentos, quase que pedindo a uma força superior que “…freeze this moment a little bit longer, make each sensation a little bit stronger,experience slips away…” algo em livremente traduzido para “…congele este momento, faça cada uma dessas sensações um pouco mais fortes, não as deixe escorregar pelo tempo”. “Time Stand Still”, muito apropriadamente, de fato ultrapassou o teste do tempo, se tornando uma obra atemporal na carreira do conjunto.
A faixa é um pop dos mais certeiros na discografia da banda, despindo todo e qualquer clima mais pesado. A ideia é exatamente a oposta, em apostar no brilho dos acordes limpos da guitarra de Lifeson, que nos entrega um novo exemplo da incrível versatilidade do músico com o auxílio das guitarras Signature Aurora com os captadores ativos single-coil. Um pouco desta sonoridade cristalina, brilhante e acrescida de chorus pode ser vista abaixo:
Novamente o grupo se apoia nas guitarras de Lifeson nas estrofes. Os teclados, no entanto, surgem forte no primeiro refrão, em 0:46, tomando totalmente o espaço das guitarras inteiramente, pois, como veremos nas apresentações ao vivo gravadas em
vídeo, é Alex quem toca teclado com as mãos nesse trecho, enquanto Geddy faz o fraseado em uníssono no baixo e canta. E boa parte da sonoridade pop da música tem a providencial ajuda de um vocal feminino neste refrão, pela primeira vez na carreira da banda. Foi Geddy Lee quem insistiu na ideia do dueto. Aimee Mann, da banda Til Tuesday, recebeu 2 mil dólares por sua participação. Chrissie Hynde e Cyndi Lauper também tinham sido consideradas para a participação, mas o grupo, muito fã de Aimee, ficou plenamente satisfeito com o resultado final.
O convite foi feito de uma forma muito simples. O grupo ligou para a cantora e enviou uma cópia da música perguntando se ela gostaria de fazer. Ela aceitou, felizmente. “Eles me ligaram e me perguntaram se eu poderia cantar”, disse Aimee. “Eu pensei, “Rush? Isso não é meu tipo de coisa”. Aimee, então escutou a música e era essa pequena parte em falsete. Era bonito, segundo a cantora. Nas gravações, o grupo se lembra de ter visto a convidada muito nervosa. Provavelmente ela nunca havia feito esse tipo de coisa, especialmente em uma banda como o Rush. O grupo tentou fazer com que ela se sentisse mais relaxada possível, transformando as gravações em algo muito divertido. A canção segue alternando as estrofes com guitarras limpas e os refrões dominados pelos teclados, em uma irresistível perfeita canção pop. Há espaço para belas viradas de bateria e baixo, nos intervalos das frases. Em 3:14 há o que pode ser considerado o “solo” de Lifeson, na verdade uma espécie de loop em compasso 7/4 com auxílio de efeitos oitavados, discreto, como a sonoridade pop da canção pede, permeado por vocais sutis e etéreos da Aimee. “Time Stand Still” é sem dúvida um dos pontos altos do álbum.
3 – “Open Secrets”
“Open Secrets” aborda a importância de conversarmos sobre assuntos difíceis, não apenas os fáceis. Na terceira faixa de “Hold Your Fire”, Peart retomou o tema das dificuldades das relações humanas que trouxe em “Entre Nous”, do álbum ”Permanent Waves”, de forma mais hi-fi em “Vital Signs” do álbum “Moving Pictures” e “Chemistry”, esta do “Signals”, e por fim em “Emotion Detector”, uma espécie de capítulo anterior desta faixa e que está no álbum anterior a este, “Power Windows”.
“Open Secrets” traz uma das melhores letras do álbum, observando os instintos humanos da interioridade e da defesa e como isso pode dificultar os relacionamentos mais próximos. A letra descreve uma relação entre duas pessoas marcada por falhas de comunicação em que ambos os lados defendem seus próprios interesses. De fato, ela surgiu de uma conversa entre Neil e Geddy sobre deixar problemas se agravarem. As frases que Neil nos entregou facilmente sintetizam e ilustram momentos nos quais as pessoas não se encaram, preferindo mudar de assunto, por exemplo no trecho “… I was looking out the window, I should have looked at your face instead…”, algo como “eu estava olhando para a janela ao invés de te encarar de frente.” O baterista incentiva a ultrapassar o problema da falta de comunicação em “…there should have been a moment, when we let our barriers fall…” que pode significar algo como “deveria ter havido um momento, quando deixaríamos nossas barreiras caírem…” e mais ao fim da canção sugere um caminho em “…You could try to understand me, I could try to understand you”, ou seja, ambos podem tentar primeiro entender o outro antes de olharem apenas para si. Neil também buscou inspiração no poeta americano T.S. Eliot. A frase “That’s not what I meant at all” vem do poema “The Love Song of J. Alfred Prufrock” (A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock). Prufrock, o protagonista, sofre com sua inércia, desperdiçando as oportunidades que perdeu ao longo de sua vida, recorrente de amor carnal que não conseguira atingir. Você pode apreciar e ler o poema na íntegra clicando aqui.
Introduzido por uma espécie de sonoridade fusion, com interessantes frases de baixo e elementos percussivos eletrônicos, “Open Secrets” torna-se é um pop-rock acelerado meio obscuro, arejado pelas guitarras e teclados, a partir de 0:20. Novamente os teclados estão ao fundo da guitarra dedilhada e uma similar linha de baixo nas estrofes, já a partir de 0:34. A ponte é um momento forte da canção, aparece em 1:10, incluindo texturas etéreas do teclado e ligando as estrofes com o ótimo refrão. A música segue, alternando-se entre as estrofes, ponte e refrões. Em 2:44 há uma pausa, mantida apenas pelos teclados e voz de Geddy. Dali eles seguem para o trecho antes do solo, bastante calmo, muito melódico e agradável. O solo, que conta com uma base swingada e bastante detalhada de Geddy no baixo, é um dos melhores de Lifeson no álbum, pois ao mesmo tempo que se utiliza bastante do whammy-bar se mostra completamente nítido e transparente. O guitarrista afirma que quis trazer um pouco de melancolia ao tema. Em 4:42, o grupo acrescenta um trecho com teclados em sequenciador, mostrando-se mais eletrônico. O baixo começa a trazer excelentes linhas, numa evolução progressiva do que já havia sido feito na introdução, com a guitarra de Lifeson pontuando uma melodia com mais drive, enquanto Peart muda também a condução da bateria, de forma mais eletrônica, como por exemplo faz em “Red Sector A”.
4 – “Second Nature” –
“Second Nature” se apresenta como uma carta aberta. Em seu primeiro verso, dirige-se àqueles que detém o poder, mas logo assume que ninguém é inocente, não importando o que faz. Trazendo observações muito sinceras e soando como um verdadeiro desabafo, a composição discursa de forma mais acurada preocupações já levantadas em faixas mais antigas, é uma dolorosa continuação do que foi nitidamente retratado em “Distant Early Warning” (de “Grace Under Pressure”, 1984), a composição de “Hold Your Fire” também expõe o desejo de trabalharmos juntos para tornar o mundo um lugar melhor, em tentar negociar, apelando para o fato de não sermos insensíveis, um meio-termo como forma de progresso, traduzido no trecho “…Let’s talk about this sensibly, We’re not insensitive. I know progress has no patience, but something’s got to give”, ou seja, “…Vamos falar sobre isso com sensatez, não somos insensíveis. Eu sei que o progresso não tem paciência, mas algo tem que ceder…”
Musicalmente a canção traz um espectro que fica entre o pop e a balada, com uma cadência tribal suave de Neil, em que definitivamente os teclados assumem o protagonismo no lugar de Alex, algo de que Geddy esteve bastante seguro em fazer. O início traz um piano com cordas e praticamente nenhuma guitarra e um arranjo de bateria crescente. Em 1:13 Lifeson aparece com seus dedilhados limpos e cristalinos na primeira estrofe, com a bateria de Peart conduzindo um ritmo mais apropriado na música. É o trecho onde a guitarra toma as rédeas da canção. E assim o tema segue sendo desenvolvido, mais protagonismo dos teclados nos refrões, mais guitarras nas estrofes. Não há solos de guitarra na canção, o trecho instrumental intermediário aos 3:08 é conduzido melodicamente pelos teclados de Geddy. Notamos nos refrões que Geddy grava vários backing vocals, como já vinha sido desenvolvido desde o álbum anterior. Em 4:01 a cadência mais tribal de retorna, para desenvolver o fim da música com múltiplas camadas de teclados, em 4:36.
5 – “Prime Mover”
“Prime Mover” explora mais detalhadamente o conceito do instinto. Nossos impulsos iniciais querem abraçar o mundo como ele é, enquanto nosso lado racional tenta nos manter longe de problemas. A força motriz é uma poderosa fagulha e assim, como a letra está o tempo todo reforçando, tudo pode acontecer (“anything can happen”). O principal limite que nós enfrentamos, com relação ao não alcançar de objetivos, são as nossas próprias restrições. As inspirações para Peart surgiram de conceitos dos filósofos Aristóteles (contido no livro XII da Metafísica – série de tratados organizados em um conjunto de quatorze livros, onde o notável conceitua o que ele chama de “primeiro motor”) e Platão (associando Demiurgo, uma espécie de Deus do Universo físico, como o autor daquilo que fez o universo se mover) mas também encontraram origens em “Midcentury”, escrito por uma das grandes influências literárias de Neil, John Dos Passos. Na obra, John repreende as instituições (governo, corporações, trabalho), instigando que o homem se afogou em sua própria mediocridade, deixando de seguir seus instintos primordiais. O baterista utiliza termos como a palavra ignição no trecho “From the point of ignition”, como alusão ao poderoso momento em que tudo começou. “Prime Mover” traz uma atmosfera otimista, lidando com a motivação que nos leva a fazer coisas, usando o instinto como catalizador para conseguir algo em nossas vidas”.
E quanto à música? Um pop alegre, na linha das faixas mais pop-rock com as guitarras dedilhadas bem limpas de Lifeson, às vezes inteiramente protagonizado pelas linhas de baixo de Geddy, por exemplo, em 1:32. Os ritmos de Peart se alternam entre trechos de condução mais pronunciadas e outros com mais pausas, com acréscimo de teclados para sublinhar essas nuances rítmicas. Os vocais novamente são dobrados pontualmente com backings do próprio Geddy (ou enventualmente Aimee Mann, fato ainda obscuro como veremos mais à frente neste post). Em 3:36 a estrofe traz uma linha bem ousada de bateria, com novas camadas de teclados no protagonismo e Geddy e Alex entrando progressivamente. Em 4:15, Geddy canta diversas vezes “anything can happen”, para a música sair de um trecho mais calmo e ir crescendo até seu fim. “Prime Mover” é mais outra canção que não tem especificamente um solo de guitarra, demonstrando que as composições da banda se tornavam cada vez mais focadas em melodias acessíveis e mais populares do que no virtuosismo instrumental que marcou o glorioso passado da banda.
6 – “Lock and Key”
“Lock And Key” é a sexta canção em “Hold Your Fire” e lida dessa vez com o instinto assassino presente em muitos de nós. A primeira estrofe e o trecho antes do refrão buscam definir o que significa este instinto assassino, como algo fora de controle, presente no limite das emoções, fazendo tique taque como uma bomba relógio – “Ticking like a time bomb”, despencando o lado da balança onde se encontra a razão, citando que esse instinto pode estar escondido pelos sentimentos mais refinados. Peart é ousado em tratar sobre algo tão delicado e obscuro – o instinto assassino como uma característica adormecida. Neil traz a frase “The heart of a lonely hunter” ou “O coração de um caçador solitário”, propondo um jogo de palavras que se refere ao romance “The Heart is a lonely Hunter”, ou “O Coração é um Caçador Solitário”, escrito pela norte-americana Carson McCullers em 1940.
Alguns estudos dão conta de que o instinto assassino é associado a um padrão de comportamento inato, algo genético que não depende de aprendizado. Ele é responsável por certos estímulos que são inerentes ao animal. Os predadores matam para sobreviver, já nós, humanos teoricamente mais evoluídos, até também matamos para nos alimentar, mas matamos por ódio, inveja, ciúmes, medo, ao sermos manipulados ou coagidos, por teórico dever patriótico, em nome de um pertencimento a um grupo, sendo manipulados a chegar às últimas consequências e até por amor. Por sermos capazes desse poder terrível, é importante mantê-lo sob controle. De acordo com Geddy, a música e a letra de “Lock And Key” foram concebidas de forma quase simultânea.
O início da composição é marcado pela sofisticação. Melodicamente é uma faixa sombria, até mesmo ameaçadora, acompanhando o tema pesado. Geddy antecipa a primeira frase do refrão em 0:11 por cima da solitária e grave camada de sintetizadores em sua abertura, a voz surge de forma emocional envolvendo a dramática temática. Em 0:33 a banda desenvolve a primeira estrofe, com as guitarras “beliscando” notas abafadas em conjunto com a parte rítmica de Peart e discretos teclados ao fundo. Já em 1:15 os teclados tomam conta da ponte pré-refrão, enquanto Peart faz sua clássica condução na beirada da cúpula do prato “ride”. Em 1:31 Geddy traz agora o refrão completo. O novo refrão que se segue em 1:46 traz baixo e bateria em linhas muito ousadas. A música segue para nova ponte e refrão. Em 2:55 há um solo matador, transmitindo fúria e agressividade. A base ressalta as proeminentes linhas de baixo de Lee que usou, até então de forma inédita, um baixo de 5 cordas da marca Wal, segundo ele, um instrumento bem difícil de utilizar, por ser pesado e incômodo. O poderoso refrão segue por duas vezes, e na segunda a voz de Geddy é acrescida de outra que ele mesmo faz, uma oitava acima. Neil Peart oferece novamente no final da canção, aos 4:40 uma performance de viradas incríveis de bateria, que praticamente formam um solo, para a canção ser finalizada em um fade-out.
7 – “Mission”
“Mission” é uma das mais importantes canções do álbum, pois o nome do trabalho veio através dela e de sua primeira frase “Hold your fire, keep it burning bright” ou seja, “Segure seu fogo, mantenha-o ardendo brilhantemente”. A canção é grandiosa o suficiente para ser o título do disco e traz um clima motivador, porém a letra perspicaz escrita por Neil traz os prós e os contras de se levar uma missão de vida de forma tão intensa. Geddy e Peart tiveram a ideia da letra quando conversavam sobre como ambos sempre tiveram a música como uma missão, enquanto muita pessoas passam pela vida sem nunca ter sentido que havia uma missão para elas. Para os fãs mais fiéis ao grupo, esta letra apaixonada realmente também se conecta.
Essa imagem inicial da preciosa chama interior, que deverá ser sempre preservada para que se materialize em sonhos, representa a essência da nossa própria vida. Nos versos seguintes, Neil Peart descreve a maneira como outros músicos e também escritores, pintores, cineastas arquitetos, engenheiros, entre outros, lhe tocam e inspiram com suas incríveis criações. O refrão de “Mission” celebra esses heróis. A letra, no entanto, também apresenta as contradições destas escolhas, reflete sobre a luta, o sacrifício e sofrimento que essas pessoas enfrentam por viverem inteiramente dedicados à concretização de suas missões. O baterista disse: “…Pensei em pessoas como Vincent van Gogh, Virginia Woolf e F. Scott Fitzgerald, esses que se perderam na luta pela arte…” A frase chave da canção que pondera esse assunto diz “We each pay a fabulous price for our visions of paradise”, ou seja, que cada um de nós pode acabar pagando um preço fabuloso pelos nossos desejos, as visões do paraíso de cada um.
Assim como na música anterior, “Mission” começa com Geddy sozinho nos teclados e voz. A ideia do produtor era trazer uma canção que sucedesse “Marathon” em um clima grandioso e para cima. Peter realmente queria colocar orquestra e coro na música, com um som particular de uma banda inglesa de sopros, mas a versão da canção lançada acabou sendo mais despojada, não utilizando o arranjo completo.
Em 0:26 a banda inteira se junta, com as guitarras extremamente limpas e cristalinas e o baixo muito nítido, levados pela bateria igualmente brilhante e cristalina. Os teclados estão ao fundo, nas estrofes, eles aparecem muito mais nos refrões. “Mission” é um ótimo exemplo para entender o formato mais usado musicalmente no álbum, as guitarras transparentes, bateria muito brilhante, baixo proeminente e os teclados muito presentes, em alguns trechos, normalmente nos refrões, mais protagonistas, em outros mais discretos, normalmente nas estrofes. Novamente, o foco da composição são as melodias maravilhosas que entregam a letra formidavelmente.
Aos 2:45 temos um trecho instrumental pré-solo em compasso 5/4 na melhor tradição da banda. Peart explica que “Em ‘Mission’ (…) toquei no compasso 5/4 que Geddy e Alex prepararam, faço a batida ímpar quando é preciso ou simplesmente espero até que a mesma venha a mim”.Em 3:05 a banda ousa, ao trazer um pequeno solo de Lifeson que é sucedido de mais uma experiência inédita. O trecho a seguir traz um solo de marimba tocado pelo baterista, em uma harmonização sincopada na caixa em uníssono. Geddy fez o baixo também em uníssono com bateria e marimba. Deste trecho, o grupo segue para um trecho instrumental bastante vigoroso que vem novamente deixar a voz e os teclados de Geddy sozinhos. Os demais instrumentos retornam para os refrões finais da canção, que é um trecho mais cadenciado e épico, pontuado por um solo muito bonito de Lifeson, que infelizmente acaba em fade-out quando atinge seu auge.
8 – “Turn the Page”
“Turn The Page” retoma o tema “tempo”, que havia sido trazido em “Time Stand Still”. A canção reflete os pensamentos sobre pessoas que esgotam suas energias por estarem obcecadas em questões menos importantes, remoendo o passado, ignorando questões que realmente importam. Neil propõe que as pessoas “virem a página” que traz todos esses sentimentos não desejados e mirem para o futuro.Alex considera que o álbum inteiro é bastante pessoal do ponto de vista lírico, um fruto do amadurecimento do baterista naquele momento. Lifeson afirmou sobre o álbum que: “Ele lida com o crescimento e com a importância do tempo. “Turn The Page”, por exemplo, descreve como nossas vidas vão sendo escritas como se fossem páginas, como se cada experiência vivida preenchesse uma delas – e o passar de tudo acaba se comparando a um livro”.
“Turn The Page” deixa o baixo em primeiro plano, já desde seus primeiros segundos. De fato, uma das características mais marcantes em “Turn The Page” é a incrível performance oferecida por Geddy, que trabalha suas atividades com a voz, baixo e teclados em um conjunto impressionante e incomum. A introdução veio de uma jam, ocupada pelo baixo, nas passagens de som na qual, similarmente ao que fez em “Force Ten”, Geddy toca os bordões com o dedão e puxa o restante dos acordes com os dedos indicador e médio, tudo isso em compasso 6/4. Os vocais não se relacionam em praticamente nada com as intricadas linhas de baixo da primeira estrofe. Geddy teve de treinar bastante para poder tocá-la ao vivo, trabalhando suas atividades com a voz, baixo e teclados em um conjunto impressionante e incomum. Ainda que Lifeson e Peart estejam em performances bastante competentes, é inegável citar o trecho inicial desta canção como um dos momentos mais protagonizados pelo multi-instrumentista Lee. Em 1:00 o refrão em compasso 4/4 se inicia sem as guitarras, que se somam durante o trecho, novamente trazendo aquela característica brilhante, onde os teclados se somam e o vocal tem um efeito muito interessante que remete a uma real “cápsula do tempo” constante da letra, flutuando entre os canais esquerdo e direito. Aos 1:24 temos o dinâmico refrão com uma melodia vocal pop e vibrante. A estrofe retorna aos 1:37 com uma linha de baixo um pouco diferente, mais pausada. Em 3:00 Lifeson traz um solo furioso e barulhento dominado por alavancadas ( Eu, Abilio, lembro como se fosse hoje, eu estava em uma confeitaria perto da nossa escola e um grande amigo trouxe o recém comprado disco num walkman e me fez ouvir o início do solo, dizendo: “Cara, a guitarra explode!!!”). O solo tem os acréscimos de várias ótimas viradas de Peart para uma pausa na canção. Geddy volta a trazer as frases do refrão com apenas o teclado em volta. A banda novamente volta toda para o fim da canção, e nele o refrão é vigorosamente repetido diversas vezes.
9 – “Tai Shan“ –
A penúltima canção do álbum, “Tai Shan” é provavelmente aquela que menos reflexões pessoais nos traz, por descrever a aventura que Neil Peart fez na China, em 1985, em uma viagem de duas semanas com cerca de 20 ciclistas do Canada, Estados Unidos e Austrália. Situado ao sul da cidade de Jinan, centro da província de Shandong, o Monte Tai estende-se por mais de 200 quilômetros. O local se mostra assentado solenemente, com o Yuhuangding, o pico do monte com altitude de 1545 metros, sobressaindo nas baixas colinas que se encontram a seu redor. A viagem foi muito apreciada pelo baterista, não somente por toda a natureza ao redor do local, mas também pelas descrições respeitosas que o povo chinês faz de seu monte, que é símbolo de estabilidade para aquela população. A canção tenta descrever o alcançar do alto daquele desafio após árduos sete mil degraus. A visão panorâmica e maravilhosamente singular envolve as belezas naturais. A mistura de sensações e a sensação de magia atribuem ao local a inspiração para originar alguns provérbios chineses, como “Ser estável como a Tai Shan” ou “Ter o peso da Tai Shan”. Os nativos da região acreditavam que se você atingisse o topo, você viveria um século, o que infelizmente não se concretizou para o hoje saudoso Peart…
O início da canção nos remete instantaneamente a China. Uma flauta toca uma melodia com intervalos, baseada em uma linha tipicamente asiática. Neil usa percussão com pratos chineses e texturas orientais para criar a atmosfera. Ele trouxe um antigo tambor chinês muito frágil e valioso para se pensar em usar ao vivo, a música nunca esteve nas pretensões do grupo para os shows. Aliás, trata-se de uma canção que se revelou controversa para muitos, inclusive para os próprios integrantes com o passar dos anos. Para Alex Lifeson, por exemplo, é a pior música do Rush com “Panacea”, do “Caress of Steel”. Ele e Geddy consideram que a música se tornou um pouco piegas por ter trazido muito desse sabor pseudo-asiático. O resultado final da canção é também bem sujeito às controvérsias de boa parte dos fãs da banda.
Um olhar mais atento e detalhado, no entanto, pode despertar algumas sutilezas bastante interessantes. A linha melódica de guitarra de Lifeson, por exemplo, em 1:45 se transforma em algo que nos lembra a sonoridade recheada de “delays” usada por The Edge no U2, já a partir de 2:00. O vocal desenvolvido por Geddy é bastante suave e emocionante, uma ótima performance, em especial nos refrões. Aimee Man também é creditada por boa parte das fontes consultadas na canção, porém Peart afirmou que eles apenas usaram samples da voz dela em “Time Stand Still”. O trecho entre 2:30 e 2:54 realmente parece trazer um backing vocal, assim em outros trechos soltos, por exemplo, em 3:07 na frase “the hardships of history”. Outras fontes mais obscuras chegam a citar a participação da cantora também em um pequeno trecho, aos 4:00, de “Open Secrets” e outro, aos 4:12, de “Prime Mover”, mas ambas são hipóteses bem pouco prováveis. A música, que novamente não tem nenhum solo, acaba em fade-out com destaque para as guitarras repletas de “delays”.
10- “High Water”
“High Water” é o fechamento de “Hold Your Fire”. Ela termina os 50 minutos de duração do álbum de forma a envolver as dádivas provenientes da água, seja na forma do oceano, dos rios, das chuvas, das nascentes nas montanhas, até mesmo de forma artificial, ao incluir as fontes de mármore nesta espécie de tributo lírico ao tema, algo parecido com o que Guilherme Arantes fez em “Planeta Água”, em 1981. Neil parece sublinhar de forma bem sutil as diversas teorias de como a vida teria se originado no planeta, inicialmente na atmosfera primitiva e depois nos oceanos. “High Water” se traduz poeticamente também em uma celebração da integração do homem com a natureza e de quanto é importante a água em nosso habitat.
Para essa canção, Peart idealiza um padrão especial de percussão relativamente similar ao trabalho realizado em “Mystic Rhythms”, de “Power Windows“. Uma observação musical curiosa: os acordes pesados que Alex toca em 2:12 marcam um som que lembra “Bacchus Plateau”, remontando a “Caress of Steel”, que ficou lá atrás. O restante das guitarras se alterna entre trechos até recheados de drive, mas com teclados e modulação ao seu redor, e outros bem limpos. A canção tem uma proposta ecológica, como “Natural Science”, de “Permanent Waves”, mas perde em força na comparação. Podemos considerar essas duas últimas faixas do álbum como genuínos “fillers”, ou seja, só estavam ali para completar o tempo total planejado pela banda e não tiveram lugar nos setlists dos futuros shows da banda.
“Hold Your Fire” segue no estilo proposto no álbum anterior e busca amadurecê-lo. No entanto, ao mesmo tempo que segue neste desenvolvimento, quando concluído veio a interromper esta caminhada. E assim como “Power Windows” recebeu e continua recebendo críticas de alguns apreciadores e críticos do grupo, pelo grande protagonismo que os teclados ainda ocupavam neste momento da discografia da banda. Novamente as faixas pouco variam em tamanho final, como no álbum anterior, apenas são um pouco menores na média. As faixas se situam entre 4:17 e 5:38 de duração, pouco mais de 1 minuto de diferença máxima. E mais uma vez o grupo circulou entre temas centrais, como em “Power Windows”.
Há sutis variações, no entanto, em relação ao trabalho anterior. As músicas têm um maior espectro, variam mais dentro do estilo proposto. Ele é, de certa forma, um pouco mais introvertido, quando comparado com “Power Windows”, que em geral traz uma sonoridade mais aberta, extrovertida e alegre. A banda avança um pouco mais no pop-rock, ao usar a guitarra com um pouco mais de predomínio em algumas faixas. O álbum também aposta um pouco mais em músicas lentas, até baladas. Entre as faixas de destaque, a música que salta em relação às demais é “Time Stand Still”, que ultrapassou as fronteiras da produção anos 80 e se tornou figura carimbada nos próximos anos da banda, durante seus shows. “Mission” se uniu de forma competente a “Marathon”, do álbum anterior, na proposta otimista e grandiloquente que Peter Collins tanto procurava.
“Force Ten”, principalmente, mas também “Prime Mover” e “Turn The Page “são as faixas responsáveis por fazer as estruturas balançarem mais no álbum, importantes para manter a dinâmica dos shows na turnê. O grupo, como já citado, tem até outras 3 faixas mais suaves, entre elas o single “Lock and Key” teve a força para que a banda apostasse em sua veiculação comercial. Junto desta faixa, “Open Secrets” e “Second Nature”, uma canção ainda mais próxima da balada, mostram esse estilo onde os teclados sobressaem. O álbum termina com experimentações rítmicas em “Tai Shan” e “High Water”.
Pessoalmente, eu, Alexandre, considero que “Hold Your Fire” ganha em dinâmica e variação em relação ao “Power Windows”, já que as canções têm identidades mais diversas. Ainda assim, não há uma “The Big Money” no álbum, nem mesmo “Time Stand Still” apresentou a força do single do álbum anterior. O grupo, no entanto, sempre na minha opinião, amadureceu as composições e entregou faixas que se situam entre o pop e o pop-rock onde os teclados cumprem melhor o papel desenhado. “Time Stand Still” é uma grande canção, certeira, um “benchmarking” dentro da sua proposta. “Lock and Key” é outra grande faixa, a minha favorita e merecia bem mais reconhecimento. “Mission” e “Force Ten”, cada uma em sua característica própria, entregam competência e agregam ao trabalho. “Open Secrets” alia belas melodias a uma cadência em mid-tempo e traz talvez a melhor letra do álbum. “Prime Mover” e “Turn The Page” complementam bem o álbum, não comprometem o resultado final e aceleram um álbum que definitivamente mostra um clima mais sombrio que “Power Windows”. “Second Nature” tem boa intenção, mas o resultado final me soou um pouco piegas e o final do álbum comprometeu a avaliação geral. O ideal, no meu entendimento, era que o grupo não ousasse em trazer 10 músicas, entregando apenas as 8 faixas iniciais. Seria um álbum mais coeso, pois “Tai Shan” e “High Water” exageram na experimentação, ao mesmo tempo que são faixas diluídas, carregadas demais nos sintetizadores e outros elementos eletrônicos e abusando de referências exóticas. Eu até gosto mais de “Tai Shan”, que traz mais exageros, mas é mais feliz em sua melodia do que “High Water”, uma faixa mais morna. Em geral, conceituo o álbum acima de “Power Windows”, ainda considerando que ele seria melhor se fosse menor.
Já eu, Abilio, tenho uma conexão sentimental muito grande com esse álbum e o subsequente ao vivo “A Show of Hands”, que me remetem aos tempos em que eu estava prestes a fazer vestibular e formava as minhas primeiras bandas profissionais. E vale lembrar que naquela época não tínhamos acesso aos instrumentos e efeitos mais modernos (especialmente teclados) e era muito pouca informação que recebíamos sobre a banda (ou música em geral) aqui no Brasil, o que tornava tudo muito misterioso e, de certa forma, intangível.
Então podemos considerar “Hold Your Fire” um sucesso? Sempre haverá um debate sobre esse período dos anos 1980, isso jamais vai mudar. “Power Windows” e “Hold Your Fire” podem ser considerados bastante datados, presos ao padrão dos anos 1980, ao passo que o material dos anos 1970 da banda se tornou inegavelmente descolado e é provável que nunca mais perca essa característica. Se e quando os anos 1980 se tornarem descolados de novo, talvez esses discos sejam analisados com respeito renovado. Há, no entanto, uma boa amostra de canções que resistiram ao tempo. “Time Stand Still” e “Mission” foram tocadas pela banda até o final de suas apresentações. A banda o defendeu sempre com veemência e algumas de suas canções perduraram para memórias vívidas lembradas com carinho pelos fãs. Assim, é sim possível afirmar que “Hold Your Fire” finaliza, portanto, mais uma fase vitoriosa na carreira do Rush. Qual seria o futuro do conjunto, após conduzir sua música por caminhos, elementos e influências marcantes na década de 1980 (porém jamais permitindo que sua admirada essência fosse perdida)? Os incansáveis Geddy, Alex e Neil já demonstravam sinais de que um retorno a algumas das características fundamentais de um trio seria uma das alternativas, depois da turnê que os levaria a produzir o seu terceiro álbum ao vivo.
Não é no próximo capítulo que traremos a conclusão deste último questionamento, pois a seguir vamos detalhar o fechamento da terceira fase da banda com o “A Show of Hands”, o terceiro duplo ao vivo da discografia dos canadenses, que cobriu a turnê de “Hold Your Fire”. Até breve!
Keep bloggin’
Abilio Abreu e Alexandre B-side.
Categorias:Artistas, Backstage, Curiosidades, Discografias, Instrumentos, Letras, Músicas, Pesquisas, Resenhas, Rush
Discografia Rush – parte 15 – Power Windows – 1985
Discografia Rush – Parte 11 – álbum: Exit… Stage Left – 1981 – (Rush Replay x3 – 2006)
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