Discografia Rush – Parte 3 – álbum: Caress of Steel – 1975

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O ano de 1975 mal havia chegado a sua metade, e o Rush já completava a turnê norte-americana para a promoção de “Fly by Night”, seu segundo LP. Como na turnê anterior, a banda continuou compondo na estrada, buscando novas ideias e conceitos ambiciosos.

Em julho de 1975, o Rush retorna ao Toronto Sound Studios com o produtor Terry Brown, reservando apenas 12 dias para a produção, gravação e mixagem de seu terceiro LP.

Entendo ser necessária aqui uma breve análise do cenário comercial musical daquele momento, para que possamos tentar entender o que se passava na cabeça dos membros do Rush, que nesta altura buscavam encontrar o seu som próprio, original, assim como o que poderia pensar sua gravadora, que obviamente esperava uma boa comercialização imediata de seus lançamentos e, também, a longevidade destes produtos.

Pensemos que, em 1975, haviam os seguintes lançamentos nas prateleiras de LPs dos típicos ouvintes de Rock – posso certamente afirmar que, se pudesse escolher, viveria meus 18 anos nesta época:

Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway – lançado em 18 de Novembro de 1974 – um álbum duplo conceitual cujas músicas, na sua maioria interligadas, contam a história do anti-herói Rael, repleta de surrealismo e significados ocultos. Uma obra-prima que marcou o final da era Gabriel do Genesis – que considero ser o momento mais alto da carreira da banda.

Yes – Relayer – lançado em 28 de Novembro de 1974 – com 3 músicas apenas: ‘Gates of Delirium’ (21:50), ‘Sound Chaser’ (9:26) e ‘To be Over’ (9:06). São músicas com melodias complicadas, longas seções instrumentais e mudanças musicais complexas.

Led Zeppelin – Physical Graffiti – lançado em 24 de Fevereiro de 1975 – álbum duplo com  apenas 15 músicas, contém faixas como ‘In My Time of Dying’ (11:04), ‘Kashmir’ (8:32) e ‘In The Light’ (8:46), sem contar que nas apresentações ao vivo da época, músicas como ‘Whole Lotta Love’, ‘No Quarter’ e ‘Stairway to Heaven’ quase sempre passavam dos 10 minutos, assim como ‘Dazed and Confused’ superava a marca dos 26 minutos.

Black Sabbath – Sabotage – lançado em 28 de Julho de 1975 – conta com canções longas, como ‘Megalomania’ (9:00), ‘Symptom of the Universe’ (6:30) e ‘The Writ’ (8:46). É um disco que mostra que a banda também gostava de explorar o terreno do Rock Progressivo.

Pink Floyd – Wish You Were Here  lançado em 12 de Setembro de 1975 – o sucessor do mega-hit “Dark Side of the Moon” é álbum de conceito “solto”, que tem como principal peça a suite ‘Shine on You Crazy Diamond’, iniciando no lado A (Partes I a V) e terminando no final do Lado B (Partes VI a IX), intercalada pelas outras três faixas do LP, as emblemáticas ‘Welcome to the Machine’, ‘Wish You Were Here’ e ‘Have a Cigar’.

Os poucos exemplos citados acima, devo frisar, são álbuns extremamente coesos que obtiveram ótimas colocações nas paradas de sucessos da época. Portanto, observo que tanto a indústria fonográfica como o público estavam aceitando bem as bandas que abusavam da exploração musical e poética, as quais estavam livres e eram até incentivadas a desfrutar desta experimentação, deixando o som rolar em longas seções instrumentais, músicas sem refrões pegajosos, sem acabar sofrendo grandes pressões das gravadoras para que o produto fosse enlatado. E cada uma das bandas citadas acima já tinham conquistado seus estilos próprios, sempre distinto das demais.

Então, nada mais justo que o Rush, que já queria seguir um rumo mais voltado ao Rock Progressivo desde antes mesmo da substituição de seu baterista, encarasse a tarefa de criar peças mais longas e com conteúdo mais profundo, já que Peart cada vez mais se interessava em escrever letras épicas, buscando a originalidade que a banda necessitava para transitar em seus próprios trilhos e afastar de vez essa história de serem apenas “clones do Led Zeppelin”.

Ficha técnica:

Geddy Lee – baixo e vocais
Alex Lifeson – violões e guitarras de 6 e 12 cordas
Neil Peart – percussão

Produzido por Rush e Terry Brown
Engenheiro de som: Terry Brown
Arranjos: Rush e Terry Brown
Gravado e mixado no Toronto Sound Studios, Toronto, Canada
Gerente de turnês: Sr. ‘Herns’ Ungerleider
Equipe técnica: Ian ‘Rio’ Grandy, Liam ‘L.B.’ Birt, J.D. ‘Kool Mon’ Johnson
Direção artística: AGI
Gráficos: Hugh Syme
Fotografia: Terrence Bert, Gerard Gentil, Barry McVicker
Produção executiva: Moon Records
Fotos por Bruce Cole, Massey Hall, 25 de Junho de 1975
* Dedicado à memoria do Sr. Rod Serling
Mercury/Polygram, Setembro de 1975

COS a

Para a arte da capa, foi contratado o artista gráfico Hugh Syme, que desde então tornou-se o responsável pela execução de todas as capas e material gráfico do Rush até o presente. Cabe ressaltar que Syme também foi o responsável por capas de discos como o “Hear in the Now Frontier” do Queensrÿche, “X Factor” do Iron Maiden, “Countdown to Extinction” do Megadeth e do Dream Theater, desde “Octavarium” até o “Dream Theater” de 2013, entre diversas outras.

A capa traz a figura desenhada a lápis do “Necromante” e seu olho de prisma, personagem central da música ‘The Necromancer’ (épico de 12 minutos no final do lado A do LP), e a contra-capa conta com a ilustração da “Nascente de Lamneth” (que é o nome da faixa que ocupa todo o Lado B – ‘The Fountain of Lamneth’).

Os problemas com este álbum já começam aqui. Sendo o nome do LP “Caress of Steel”, ou seja, “Carícia de Aço”, a idéia era que a capa fosse impressa em cores que lembrassem o aço. Porém, para desespero de Peart e Syme, milhares de capas foram erroneamente impressas, fato que já havia ocorrido no primeiro LP. A capa acabou saindo com seus elementos gráficos principais em um tom de cobre/latão, o que prejudicou já de cara o conceito visual do álbum, num presságio do que ainda estaria por vir.

Na parte interna da capa, estão impressas as letras e uma sequencia de fotos capturadas no show de encerramento da turnê anterior no Massey Hall, em Toronto em 26 de Julho de 1975.

Nos créditos, nota-se a frase “Em memória ao Sr. Rod Serling”. Para quem não sabe, Rod Serling foi o criador da série televisiva “Além da Imaginação” (“The Twilight Zone”), da qual Neil era assíduo espectador, e inspirou-o a compor a música de mesmo nome do próximo disco da banda, “2112”.

COS b

Lado A:

Bastille Day     4:37

I Think I’m Going Bald   3:37

Lakeside Park   4:08

The Necromancer     12:30
I. Into Darkness (4:12)
II. Under the Shadow (4:25)
III. Return of the Prince (3:52)

Lado B

The Fountain of Lamneth 19:59
I. In the Valley (4:18)
II. Didacts and Narpets (1:00)
III. No One At the Bridge (4:19)
IV. Panacea (3:14)
V. Bacchus Plateau (3:13)
VI. The Fountain (3:49)

1 – Bastille Day

A primeira faixa do LP é um verdadeiro mini-épico, numa evidente evolução do trabalho realizado em “Fly by Night”.

Já na introdução, a guitarra saturada de Lifeson inicia o riff que vai subindo de tom gradativamente, sempre marcado ao final de cada ciclo com as pontuais, e nunca repetidas, frases de Lee e Peart. Aos 0:18, a parada do baixo e bateria para a entrada do poderoso riff principal de guitarra, entrecortado pelas rápidas frases de Geddy e Peart. Aos 0:28, a banda completa faz a levada principal preparando para a entrada do vocal alto e rasgado de Geddy Lee, aos 0:38. O som da banda está evidentemente mais pesado do que nos álbuns anteriores.

O título da música já indica que o tema é o fato histórico da queda da Bastilha, na França, e a letra inspirada por “A Tale of Two Cities” de Charles Dickens, versa sobre as opressões sociais da época da Revolução Francesa e a famosa guilhotina, que ceifou a vida de milhares. Ao contrário das letras individualistas inspiradas em Ayn Rand presentes em “Fly by Night”, esta letra evoca um forte coletivismo. A frase de abertura da letra (“There’s no bread, let them eat cake!”) é baseada na famosa sentença de Maria Antonieta: “Se o povo não tem pão, que coma brioches!”

Aos 0:46, o refrão é tocado pela primeira vez, com sua harmonia fazendo uma sutil referência a hinos revolucionários. A interpretação de Geddy na voz é magnífica, aplicando a carga emocional devida, e nota-se o crescimento dele como vocalista e baixista.

A música é repetida estruturalmente, quando a parada aos 1:44 indica que uma boa seção instrumental está por vir. Acentuações permeadas por viradas precisas de bateria até os 1:55 preparam a entrada de um pequeno solo de guitarra, em bends uníssonos, sobre overdubs da base com violões e guitarras. Nota-se uma maior riqueza na produção, em comparação aos dois primeiros discos. O som dos instrumentos e voz está muito bem captado e mixado, mostrando que Terry Brown já era um dos maiores produtores de Rock de todos os tempos.

Aos 2:14, mais uma parada, dessa vez elevando bem a dinâmica, para a entrada do solo de guitarra propriamente dito, aos 2:19. Sobre uma base aonde a tonalidade vai variando, Lifeson extrapola as pentatônicas, também demonstrando pleno crescimento musical e em sua performance. O que mais chama a atenção é que Peart, apesar de sempre vigoroso, preciso e criativo, se mostra mais econômico, numa atitude que visivelmente indica que ele procurava atuar com o maior profissionalismo possível. Nota-se que ele realmente tem um plano bem traçado em seus arranjos da bateria. Aos 2:50, o riff principal retorna e a terceira estrofe da voz e refrão são executados; o arranjo evolui e Peart nos presenteia com viradas excelentes como as de 3:11 e 3:21, sempre devidamente acompanhado por Geddy e Alex. O entrosamento da banda está incrível.

Aos 3:24, as acentuações que deram início às primeiras seções instrumentais da faixa retornam, repletas de viradas. Aos 3:33 uma levada interessante vai evoluindo até os stop-times de 3:55. A virada em um leve ralentando aos 4:04 nos traz a harmonia do refrão em uma levada modificada, com a guitarra fazendo a melodia da voz, explicitamente invocando os hinos revolucionários já mencionados, sendo finalizada vigorosamente aos 4:34.

A seguir, um video de 1976 de ‘Bastille Day’ ao vivo:

2 – I Think I’m Going Bald

A segunda faixa do disco sempre me foi uma incógnita. Seu título e primeiras estrofes: “Olhei no espelho hoje / Meus olhos não pareciam tão claros / Perdi mais alguns cabelos / Eu acho que estou ficando careca”, me faziam imediatamente pular essa faixa direto para ‘Lakeside Park’.

Eu sinceramente não conseguia entender por que, logo após uma faixa séria sobre a Queda da Bastilha, havia esta música com uma letra aparentemente infantil. Na verdade, eu demorei para enxergar ali o sarcasmo e humor, tão peculiares ao Rush, que já se manifestavam nesse começo da carreira.

Geddy explica em “Contents Under Pressure”, de Martin Popoff (Canadense especialista em Heavy Metal, autor de biografias de grandes nomes como Dio, Black Sabbath, Judas Priest, Blue Öyster Cult, etc): “Estávamos constantemente em turnê com o KISS e eles tinham uma música chamada ‘Goin’ Blind’ (Ficando Cego). Então estávamos tirando um sarro desse título e acabamos fazendo isso… Pratt (Peart) veio com a frase, “Eu acho que estou ficando careca”, porque Alex está sempre preocupado com a queda de seus cabelos. Mesmo quando ele não estava perdendo cabelos, ele era obcecado com o fato de que poderia ficar careca. Então ele tentava todos os tipos de ingredientes para aplicar no couro cabeludo. E acho que isso fez Neil pensar sobre o envelhecimento, mesmo que não estivéssemos envelhecendo ainda e não tivéssemos o direito de falar sobre estas coisas.”

Então, já vendo a letra com outros olhos, noto que Peart realmente acaba filosofando sobre o tema quando afirma: “Quando eu for grisalho, ainda serei grisalho do meu jeito”, numa demonstração explícita dessa busca da originalidade e da evolução como artistas e seres humanos.

Musicalmente falando, a explicação de Geddy também me leva a entender que o Rush também acabou sendo de uma certa forma influenciado naquele momento por aquelas bandas principais para as quais abria os shows nas turnês americanas anteriores, ou seja, o Kiss, Aerosmith e ZZ Top.

A introdução tem um blues-based riff de guitarra, aos moldes do primeiro LP, com uma levada reta e simples da bateria, bem ao estilo da primeira fase do Kiss. O vocal de Geddy entra aos 0:16, rasgado e dramático, e efetivamente sarcástico. A parte que entra aos 1:00, me lembra algo do início do Aerosmith e ZZ Top, e é seguido por um solo frenético de Alex. Após a repetição da estrofe e refrão, Alex nos agracia aos 2:14 com mais um solo bem blueseado, que vai tendo sua dinâmica mudada por Geddy e Neil, que adiciona tom-tons nas levadas finais. Alex passeia pelas escalas pentatônicas enquanto a música acaba em fade out. Mais uma vez, notamos um Neil Peart controlado e profissional, com arranjos mais econômicos, ou seja, “menos estrondosamente excepcional” do que no seu LP de estreia na banda.

3 – Lakeside Park

Na terceira faixa de “Caress of Steel”, o Rush muda totalmente o clima, numa transição para o lado mais progressivo do disco que se aproxima. Talvez por isso, esta faixa sempre foi uma das minhas prediletas do LP. Uma música mais leve, com harmonias e melodias interessantes, que tem a letra versando sobre um local muito frequentado pelos membros do Rush no passado, o Parque Lakeside em Toronto.

A letra então é bastante saudosista, lembrando das festividades que ocorriam no dia do aniversário da Rainha Victoria – 24 de Maio (rainha Britânica que viabilizou a independência do Canadá), que também marca o início do verão no gelado país. Notamos que, assim como em ‘Making Memories’ do álbum anterior, a vida na estrada tem um grande impacto nos componentes do Rush.

Musicalmente, Alex explica na revista Guitar Player de Novembro de 2012: “Uma grande influência que tive quando iniciei foi Peter Townsend e ele era um guitarrista rítmico consumado. Eu gravitei para Jimmy Page, Hendrix e Clapton para aprender a solar, mas havia algo no jeito de Townsend palhetar a guitarra que era bem acústico. ‘Lakeside Park’ é um exemplo disso. Foi escrita no violão, então a palhetada veio naturalmente. E traduz-se bem para a guitarra elétrica.” 

Então notamos que, nesta música em específico, já havia uma maior preocupação com outros aspectos fora o peso e o virtuosismo, aonde a harmonia, ritmo e melodia vocal tomavam o foco, demonstrando um crescimento musical intenso da banda como um todo, da dupla Alex/Geddy como compositores, e de Neil como letrista.

A faixa começa com uma excelente virada de bateria, e o riff entrelaçado do baixo com o phrasing da guitarra é acompanhado por uma levada de bateria muito simples e precisa. Novamente noto que Peart optou por arranjos limpos e simples, fato que insisto em confirmar que se repete por todo este LP.

A música tem uma melodia vocal muito boa, que é interpretada de forma sentimental por Geddy, denotando que realmente o foco é na canção, e não em frases e viradas magníficas que aqui se fariam desnecessárias. O refrão (0:32) denota o approach rítmico na guitarra mencionado por Alex. Os arranjos de baixo são também excelentes, e Geddy mostra total independência ao tocar os fraseados no instrumento cantando um padrão ritmico completamente distinto.

Após a repetição da estrofe inicial, aos 1:36 há um solo de guitarra de extremo bom gosto, mais uma vez mostrando que Alex estava evoluindo a passos largos.

Após a repetição do refrão, inicia-se a seção final aos 2:27, aonde a dinâmica cai por terra (Peart segura no bumbo e pratos apenas durante vários compassos), e, crescendo lentamente durante o vocal de Geddy, com o passar de diversas viradas criativas de Peart, a banda atinge o climax com a entrada de uma guitarra dobrada com distorção aos 3:49, para fechar a música triunfalmente, encerrando com sutis harmônicos de guitarra.

Um vídeo de ‘Lakeside Park’ ao vivo, em 1976 (notem aos 1:15 a adição do teclado de pedal Moog Taurus tocado por Geddy Lee):

4 – The Necromancer

A última faixa do lado A é baseada livremente na obra de J. R. R. Tolkien,  “O Senhor dos Anéis”, de onde Peart empresta o maligno personagem Necromante / Sauron, o “olho que tudo vê”, ser todo-poderoso que forjou o “precioso” anel da obra acima mencionada. A faixa tem como subtítulo: “A short story by Rush” – “Um curta-metragem por Rush”.

A faixa é uma continuação não linear da história do Príncipe By-tor, da música ‘By-tor and the Snow Dog’ de “Fly by Night”, e é a primeira vez em que o Rush estende o conceito de uma música de um disco para o outro, fato que se repetirá no futuro da banda.

No todo, acredito que no fundo a música é uma analogia à realidade em que a banda vivia, obviamente com a usual ironia do Rush, no fato deles (três homens de Willowdale, Toronto, Canada), assim como os personagens da saga Frodo, Sam e Gollum, estarem entrando nas terras do Necromante, sem descanso, a fim de completarem seus objetivos (o Rush em exaustivas turnês pelos Estados Unidos), e eles estarem aparentemente querendo se libertar através de sua originalidade (By-tor – sua música).

Parte I: Into the Darkness:

A faixa é iniciada com uma série de frases de guitarra em backwards, ou seja, gravadas ao contrário e mais tarde reproduzidas no sentido correto – técnica usada em gravadores de fita multipista, da qual foi pioneiro Jimi Hendrix –  como exemplo cito a introdução e solo (1:43 a 2:50) da faixa ‘Are You Experienced’ do álbum de mesmo título.

Em overdub, entra a guitarra principal, limpa, um padrão mântrico em repetição, crescendo linearmente por toda a parte I da faixa.

Logo aos 0:28, há a primeira bizarrice de produção desta faixa: Neil narra o primeiro texto da música, numa voz desacelerada e com efeitos, tentando dar um clima de Vincent Price, obtendo um resultado um pouco infeliz, ao meu ver.

Talvez a falta de maiores recursos e o tempo escasso tenham contribuído para esta escolha na produção. De toda a forma, o texto é realmente muito bom, e acabei me acostumando com as estranhas narrações com o passar das repetidas audições:

“Enquanto traços cinza do por-do-sol tingem o céu do leste, os três viajantes, homens de Willow Dale, emergem da sombra da floresta. Contornando o Rio Dawn, eles se dirigem ao sul, numa jornada adentro das terras negras e proibitivas do Necromante. Mesmo agora a intensidade de seu poder maligno pode ser sentida, enfraquecendo o corpo e entristecendo o coração. Fatalmente, eles se tornarão espectros sem mente, vazios, desprovidos de vontade e alma. Apenas sua sede de liberdade os dará fome para vingança…”

Durante o texto e o crescente fraseado da guitarra, Geddy e Neil entram gradativamente, adicionando notas sem qualquer pressa, enquanto a dinâmica vai subindo. Notamos então que as ‘guitarras ao contrário’ são os “espectros sem mente” que povoam as terras do malvado Necromante. A dinâmica cresce bastante até os 2:15, no que literalmente podemos chamar de Rock Progressivo.

A música é bastante figurativa, e a letra que segue cantada por Geddy (2:25) não adiciona muito à história, praticamente repetindo o que o texto já nos havia explicado. Mesmo assim, Geddy canta com bastante emoção, e a conversa da melodia da voz com as ‘guitarras ao contrário’ é bem interessante, criando o clima necessário para a história que é proposta.

Aos 3:05, Alex inicia um ótimo solo, com muito feeling (uma clara influência de Gilmour/Clapton), sempre costurado pelas ‘guitarras ao contrário’, que vai até os 3:45.

Parte II – Under the Shadow

Aos 3:50, numa cama feita de várias guitarras sobrepostas com slide, criando um clima sombrio como sugere o sub-título, entra a segunda narração de Peart, dando continuidade à história:

“Retalhos de nuvem negra agigantam-se nos céus nublados. O Necromante mantém sua vigília com seus olhos mágicos de prisma. Ele visualiza todas as suas terras e já está consciente dos três desamparados invasores presos em seu covil…”

Aos 4:14, Peart nos brinda com uma virada muito musical, dando entrada para um padrão rítmico atípico aos 4:19, com mais pausas que notas. O padrão se desenvolve com a entrada do baixo e guitarra, e por sobre as constantes pausas, com diferentes variações, aos 4:52, a voz de Geddy nos golpeia como uma adaga afiada, na melhor seção da música.

Como na primeira parte, a letra não adiciona muito à história, mas deixa bem claro que o Necromante vê e sabe de tudo, e que a situação dos três viajantes realmente não é nada favorável. Aqui ouço a originalidade do Rush realmente despontando.

Aos 5:30, inicia-se o segundo solo de guitarra da música, no qual Alex, após começar um micro-centésimo de segundo atrasado, assina um verdadeiro tratado em pinch harmonics (aquele som bem agudo e “estrelado”) e bends variados, esticando as cordas em todos os intervalos possíveis de se executar numa guitarra elétrica, e também fazendo diversas frases rápidas. O som da guitarra é bem agressivo, com bastante fuzz, e na permanece variando da caixa esquerda para a direita. Um solo extremamente dramático, no melhor estilo Lifeson.

Enquanto isso, Geddy e Neil mostram que tem muita competência pra segurarem sozinhos a base sem qualquer overdub de guitarra,  numa levada com pandeiro que swinga bastante e me lembra trilhas de filmes policiais de Clint Eastwood ou Charles Bronson nos anos 70/80. Novamente, Geddy e Neil não exageram, sempre econômicos, fazendo uma base muito sólida para Alex. No final do solo, aos 6:34, Alex dobra a base de Geddy, numa frase poderosa com várias paradas, e esta seção se encerra aos 7:00.

Aos 7:05, entra um dos mais bizarros detalhes desta produção, um som monstruoso de baixo distorcido variando da caixa esquerda para a direita freneticamente, muito similar ao som do Snow Dog do disco “Fly by Night”. Tudo indica que o “pau vai comer”, e é o que realmente acontece.

Aos 7:09 Alex nos presenteia com um terceiro solo de guitarra, também com bastante fuzz, aonde passeia no braço da guitarra com muitas frases rápidas, sobre uma base mais uma vez precisa, criativa e cheia de detalhes, porém enxuta, de Geddy e Neil. Alex não deixa a bola cair em momento algum, e ainda dobra partes do solo com perfeição aos 7:43 e 8:17, encerrando aos 8:29, como no fim do segundo solo, em mais uma frase poderosa com Geddy e Neil, para as duas paradas aos 8:36, que encerram esta parte de tirar o fôlego.

Parte III: The Return of the Prince

Numa clara analogia ao título do volume final da trilogia “O Senhor dos Anéis” – “O Retorno do Rei”, a terceira parte nos conta o retorno do Príncipe By-tor, que na música ‘By-tor and the Snow Dog’ era o bandido da história, o filho do diabo, e  naquela ocasião levou uma surra do Cão das Neves e voltou para o inferno com o rabo entre as pernas.

Porém aqui By-tor é o grande herói, e aparece do nada (e aparentemente um pouco atrasado) para salvar os três prisioneiros das masmorras do Necromante, como nos conta a terceira narração de Neil aos 9:05:

“Entra o campeão. Príncipe By-tor aparece para lutar pela libertação das correntes de longos anos. O feitiço foi quebrado… As Terras Negras estão claras, o Fantasma do Necromante desaparece…. na noite.”

A música é muito simples, em tons maiores (mais especificamente, a progressão de acordes: E  B  A  B),  evidentemente evocando o triunfo e felicidade do ato heróico de By-tor. O Vocal de Geddy entra aos 9:58, e como das outras vezes, repete basicamente o que a narração já havia nos contado.

Apesar de ser “progressiva” – apenas porque a base se repete constantemente enquanto a dinâmica vai crescendo gradativamente – com pequenas frases de baixo e viradas de bateria sendo adicionadas aos poucos, a levada é simples até demais, especialmente para músicos como os do Rush. Há apenas uma estrofe de voz, que apesar de bem cantada, não é muito memorável, e não há refrão.

Aos 10:48, entra o quarto solo de guitarra da música, nesse clima de triunfo em tons maiores, que junto com a base vai morrendo gradativamente em fade out partir dos 12:19, encerrando-se a faixa aos 12:36.

Realmente não entendo porquê, depois de 12 minutos, a banda não foi capaz de gravar um final propriamente dito nesta faixa. Talvez por falta de tempo no vinil, talvez por falta de tempo na produção, mas empobreceu bastante o resultado final o fato de não haver uma efetiva conclusão, ou um final épico, para a peça.

‘The Return of the Prince’ é, na minha opinião, o momento mais fraco do disco, e inexplicavelmente foi justamente esta a parte que foi escolhida pela banda para, destacada do resto da peça como uma música a parte, ser o single de promoção do LP.

Levando em consideração a capa e contra-capa do álbum, ‘The Necromancer’, com mais de 12 minutos, ao lado de ‘The Fountain of Lamneth’ com 26 minutos que ocupa todo o Lado B, são as peças principais do álbum.

Versão ao vivo (apenas áudio – raridade):

Aqui, o Dream Theater surpreende a todos, ao tocar um inesperado cover de ‘The Necromancer’ ao vivo – cabe-me dizer que, apesar da iniciativa nobre, o cover ficou muito aquém do original, em termos de clima e interpretação da banda como um todo, e principalmente pelo fato do vocalista “capar” totalmente a melodia da parte II, não chegando nem perto da fantástica performance de Geddy Lee (relevando também o aspecto “timbre”, em que Geddy é inigualável):

5 – The Fountain of Lamneth

O lado B inteiro do disco é tomado pela faixa ‘The Fountain of Lamneth’, formada por 6 peças distintas.

Neste sentido, com relação ao conceito da música como um todo, Neil Peart declarou o seguinte na revista Sounds de Julho de 1977:

“A idéia para ‘The Fountain Of Lamneth’ originalmente veio de uma época em que eu sempre dirigia do topo de uma montanha até a sua base e, vendo as luzes da cidade abaixo, começei a pensar: “O que seria da vida, se você pudesse apenas medir sua posição como pessoa pelo nível no qual você vive na face da montanha? Desenhei relações, vendo diversas comparações nesta metáfora, e eventualmente fiz um rascunho das 6 partes diferentes que achei que deveriam existir para tal odisséia. Foi realmente ingênuo, admito isso agora, foi uma coisa ridícula, como escrever uma tese em metafísica ou algo assim. Mas naquele momento me pareceu o certo, o que posso dizer, nós a fizemos e realmente gostamos de fazê-la.”

Então já dá pra notar que a peça como um todo é imbuída de um sólido (porém extremamente abstrato) conceito, mostrando o empenho dos três músicos e de seu produtor em desenvolvê-la.

Na ótica de Bill Banasiewicz, autor da biografia “Rush Visions” de 1988, “O épico parece ser sobre as compulsões de um homem em ver e experimentar o mundo, e se possível entender o que estas experencias significam. O viajante acha a chave, o fim, a resposta, que, na realidade, sequer existe.”

Partes I a III:

Parte I – In the Valley:

A faixa se inicia com os melódicos arpeggios de Alex Lifeson no violão de 12 cordas, fazendo a harmonia para o vocal de Geddy, que, cantando em sua voz natural e numa interpretação fantástica, nos inicia a história proposta desde o momento do nascimento do interlocutor da peça.

Infelizmente, sendo guitarrista sei que não é nada fácil tocar um violão de 12 cordas, mas na minha opinião a execução de Alex deixa um pouco a desejar, falta fluência, com um nota aqui e outra ali saindo picotada/abafada (por exemplo, aos 0:20 e 0:22), demonstrando que talvez a falta de tempo realmente atrapalhou a produção final, pois poderiam ter regravado esta seção a fim de obter um melhor resultado final, enfim, alcançar o padrão “Rush/Terry Brown” de qualidade.

Aos 1:02, Alex engata numa frase que lembra, e muito, ‘Friends’ do Led Zeppelin III, e que aos 1:09, com a entrada da banda, faz a abertura da peça principal da música, aonde Peart recheia as transições com variadas convenções/viradas, até os 1:40.

Aos 1:42, ouvimos apenas a guitarra distorcida de Alex, no momento que eu considero como chave para todo o desenvolvimento harmônico do Rush, que é grande parte de sua atual originalidade: os famosos Alex Chords, os chamados acordes “sus” (suspensos – neste caso, com a primeira (E) e segunda cordas (B) abertas/sem fechar a pestana).

O fato é de tamanha importância, que gravei um video exclusivo para esta resenha no Minuto HM a fim de que nossos leitores, guitarristas e não-guitarristas, possam visualizar melhor os Alex Chords:

Nota-se que este tipo de harmonização era extremamente incomum no Rock, e, aliado ao timbre distorcido e com efeitos de modulação “espaciais” como chorus, flanger e phaser, tornou-se uma assinatura de Alex nas fases futuras da banda e ainda nos dias de hoje é utilizado amplamente por bandas como, por exemplo, o Queensrÿche. Na minha opinião, este é um dos fatores que sempre fez o Rush soar futurista e sofisticado, demonstrando o visionário que é Lifeson.

A parte é realmente muito poderosa, e Geddy e Neil entram com tudo aos 1:46, preparando para a entrada do vocal magnífico de Geddy aos 1:59. Aqui notamos também outra forte característica do som emblemático do Rush de hoje em dia: as altíssimas notas da melodia vocal foram escolhidas a dedo, por isso mesmo são extremamente estranhas, aparentando ficar nas “beiradas” da escala. É mais um marco zero da “bizarrice musical” tão admirável que a banda ainda desenvolveria.

A letra versa o início da vida do personagem, e sua intenção de “subir a montanha da vida” na metáfora proposta. Aos 2:16, a virada de bateria anuncia o refrão, que, com um fraseado interessante de baixo, lembra um pouco o clima de ‘Lakeside Park’ deste mesmo disco. Após a repetição da estrutura principal, a Parte I encerra subitamente aos 4:16.

Parte II – Didacts and Narpets

Se Neil Peart estava muito comportado e econômico até aqui no LP, como já exaustivamente realçado na resenha, este é o momento em que ele mostra porque veio pra ficar e porque é considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos.

Aos 4:19, Neil inicia um solo de bateria fantástico (em disco de estúdio, fato bem incomum) com direito a roton-tons, muita precisão e velocidade. Certas partes desta peça (por exemplo, aos 4:33) são executadas em seus solos ao vivo até os dias de hoje.

A faixa tem um nome também bem estranho, que é explicado por Peart da seguinte forma na newsletter de Outubro de 1991 do Rush Backstage Club: “Um didata (didact) é um professor, e um “narpet” é um anagrama de “parent” (pai/mãe)” (provavelmente o apelido “The Professor” dado a Peart venha daí).

Aos 4:46, entram os stop-times da guitarra e baixo, e Geddy grita diversas palavras que não estão inclusas no encarte (apenas constando a última palavra “…Listen!”), e são de difícil reconhecimento, pois também estão sendo tocadas com a técnica backwards – ao contrário.

Então parece mesmo que a letra foi feita na hora e não se preocuparam em escrever o que Geddy cantou, pois assim Neil explica: “Okay, já devo ter explicado isso antes, mas, as palavras gritadas na música representam uma discussão entre Nosso Herói e os “Didatas e Narpets” – professores e pais. Honestamente não consigo lembrar quais eram as palavras na realidade, mas eram posições antagônicas como: “Trabalhe! Viva! Ganhe! Dê! e algo assim.” 

Parte III – No One at the Bridge

A terceira parte da faixa é também composta com uma outra forte característica de Alex, seus arpeggios dissonantes. Assim como nos Alex Chords, o guitarrista aqui deixa a terceira corda (G) aberta e modula os acordes, numa guitarra limpa com bastante efeito phaser (5:25).

Notamos o som de ondas ao fundo, e a letra fala de uma bridge, a ponte de comando (passadiço) de uma embarcação, nos contando das dificuldades enfrentadas pelo protagonista quando este recobre a consciência amarrado ao mastro de um navio à deriva, completamente abandonado por sua amotinada tripulação. A letra contém termos técnicos perfeitos, comprovando que Neil é realmente um dos maiores letristas do universo do Rock.

Como constante no álbum, Geddy entrega-se nos vocais agudos e rasgados, e notamos a levada minimalista de Peart apenas no chimbáu bem fechado e caixa, sem bumbo, aonde nota-se que cada batida é precisa e controlada, em termos de tempo, dinâmica e volume. A simplicidade é o que determina a genialidade desta seção da música.

O refrão aos 6:08 também tem acordes interessantes, lembrando bastante as harmonias do Genesis da era Peter Gabriel.

Após a repetição da estrutura principal, aos 7:42, uma terceira seção inicia-se, aonde a voz de Geddy vai crescendo junto com a agonizante letra e chega ao auge de sua interpretação e alcance vocal no disco na palavra “desperation!” (8:11). Esta parte é também um sinal de que o Rush estava evoluindo muito em entrosamento e composição.

Alex sola aos 8:42, num estilo que lembra bastante o mestre Steve Hackett da citada banda progressiva inglesa, com seus mini-hinos colocados em um momento estratégico do solo (9:01).

Partes IV a VI:

Parte IV: Panacea

A palavra “Panacea” significa “solução ou remédio para todas as dificuldades ou doenças”, derivada das faculdades da deusa Grega da antiguidade de mesmo nome. Entendo da letra que esta parte representa a fase da vida em que o herói encontra o amor, o “conforto através dos anos”.

A música é uma das mais leves do Rush, tocada maioritariamente com violão de nylon. Notamos novamente os Alex Chords, dessa vez já um pouco mais diversificados.

O vocal que se inicia aos 9:58 demonstra um Geddy capaz de executar melodias, mais um presságio do futuro da banda.

No refrão (10:41), nota-se que Peart mal encosta com a baqueta nas peças e pratos de condução, mantendo uma dinâmica que aparentemente tem como objetivo a fluência e valorização da “canção”, relegando a bateria a um plano secundário.

Notamos na segunda estrofe (11:24) guitarras com pedal de volume em overdub, já indicando que o uso de teclados já se fazia necessário, a fim de adicionar camadas extras de harmonia e ampliar o som da banda, já que tais overdubs eram realisticamente impossíveis de serem reproduzidos ao vivo com apenas três componentes na banda.

Apesar de, na minha opinião, aparentemente não haver nada errado com a canção (acho ‘Rivendell’ de “Fly by Night” infinitamente mais cansativa), Alex em 2013 classificou-a numa entrevista à Classic Rock Magazine como “um dos piores momento do Rush”: “Foi uma tentaiva de fazer algo que não funcionou. Foi… inocente.”

Parte V: Bacchus Plateau

A quinta parte é um dos melhores momentos da faixa. Iniciando aos 12:58 com a marcação em acordes dissonantes de Lifeson, a levada simples de bateria e baixo fazem uma ótima cama para os vocais melódicos de Lee, que entram aos 13:18.

Aos 13:43, notamos a pontual virada de Peart anunciando o início do refrão, que também já mostra levadas e melodias que seriam exploradas no futuro da banda.

Após uma pequena frase de baixo aos 14:22 e a repetição da estrutura principal, aos 15:33 temos um interessante solo de guitarra, mas esta seção da música acaba estranhamente em fade-out e pendendo gradativamente para a caixa esquerda, aos 16:12.

Novamente, a constrição de tempo para a gravação e produção deve ter falado mais alto, porque, assim como na Parte III de “The Necromancer”, na minha sincera opinião não havia porque encerrar esta parte sem um final propriamente dito. Talvez o tempo disponível no vinil também fosse um fator, mas realmente poderiam ter planejado um final melhor para esta seção.

A letra tem como tema o vinho (Bacchus = Baco, o nome Romano dado ao Deus Grego Dionísio (deus da ebriedade) – que no futuro será um dos personagens da musica ‘Hemispheres’ no álbum de mesmo nome da banda), também anunciando a velhice do personagem que logo se aproxima.

Parte VI – The Fountain

O final da faixa e do lado B do LP marca o retorno das harmonias e melodias da Parte I – In the Valley, mais especificamente na parte dos Alex Chords (16:14), mas aqui com a adição de um efeito flanger bem forte, diferenciando-a da primeira vez que foi tocada.

A letra (16:33), por sua vez, nos conta que o personagem finalmente chega ao topo da montanha, mas já está tão cansado que não poderá aproveitar o sonho que buscou realizar por toda sua vida.

Aos 18:05, temos o último solo de Alex no disco, com bastante drama e feeling, ao melhor estilo do guitarrista.

Aos 18:54, retorna a parte da introdução com o violão de 12 cordas, aonde noto ainda mais acentuados os problemas de execução de Alex, e a faixa e disco se encerram com um som crescente aos 19:49.

A minha conclusão quanto ao álbum é, que apesar do mesmo ser tão eclético ao ponto de não ter um rumo definido, tornando o mesmo incoeso e desconexo como um todo, ele representa um dos mais importantes passos na busca do Rush por seu som original: notamos aqui um Geddy Lee evoluindo muito como vocalista, baixista e compositor ao lado de Alex Lifeson, que neste disco já toca uma grande gama de instrumentos de corda, tem dezenas de minutos de solos excelentes, e nos introduz aos imprescindíveis Alex Chords, outras dissonâncias e acordes com baixos invertidos, que futuramente formariam o som característico da banda.

Já Neil Peart deu um grande salto como letrista e arranjador, uma vez que, como já disse exaustivamente durante a análise do álbum, foi bem mais econômico do que no seu álbum de estreia “Fly by Night”, mas ao mesmo tempo, tudo o que fez em “Caress of Steel” parece ter tido como objetivo a valorização das composições como um todo.

Portanto, ao invés de nos presentear com viradas magnificamente insanas, Peart foi tomado por uma mentalidade profissional em fazer arranjos de bateria com sentido, o que se repetirá por toda a sua carreira daqui em diante (mas com o incremento das suas famosas viradas descomunais – mas todas em boa hora, como veremos a partir da análise do próximo disco – “2112”).

Devemos também ponderar que o disco foi gravado e mixado em apenas 12 dias (apesar da banda achar isso à época uma eternidade), e tendo em vista a complexidade das inúmeras partes musicais que compõe o LP e mesmo levando em conta certos detalhes da produção que poderiam ser melhor lapidados, considero o resultado final como muito satisfatório e significativo, principalmente por este LP ser o embrião da identidade própria que a banda logo alcançaria.

Mas, infelizmente, fora os componentes da banda e seu produtor Terry Brown, que estavam extremamente animados e confiantes com o LP, poucos entenderam o que o Rush pretendia com o disco, ou viram algo de notável nele.

Portanto, a mídia especializada também não recebeu bem o LP, considerando-o qualitativamente inferior ao seu antecessor, e o mesmo acabou mofando nas prateleiras, não obtendo uma vendagem significativa logo após o lançamento e, obviamente, durante a subsequente turnê que já estava iniciando.

Muito disso pode ser justificado pela péssima estratégia comercial tomada pela banda, ao lançar a parte III de ‘The Necromancer – The Return of the Prince’, como o single de divulgação do álbum. A música como já disse, é fraca, tem apenas uma estrofe e não tem refrão, e a letra, que é a parte final de uma história meio absurda, fica completamente sem sentido ao ser destacada da peça principal.

Se coubesse a mim, teria escolhido a parte V de ‘The Fountain of Lamneth’ (Bacchus Plateau) ou ‘Lakeside Park’ para ser o single, já que ‘Bastille Day’ era muito longa e com muitas partes instrumentais, e ‘I Think I’m Going Bald’ não representava o novo rumo que a banda estava tomando.

Talvez se a ordem das músicas fosse totalmente invertida, ou seja, ‘The Fountain of Lamneth’ no lado A, ‘The Necromancer’ abrindo o lado B e na sequência, ‘Bastille Day’, ‘Lakeside Park’, e ‘I Think I’m Going Bald’ para encerrar, o disco teria um sentido mais claro, demonstrando o rumo progressivo sendo tomado a partir de então.

Assim, voltamos ao início do post, aonde apresentei grandes LPs lançados na mesma época (sem contar que não inclui outros LPs como “A Night at the Opera” do Queen, por exemplo), os quais, ao serem comparados ao “Caress of Steel”, demonstram ser bem mais coerentes, e portanto considerados pelo público e crítica como “melhores”, alcançando melhores vendas, enquanto que o terceiro LP do Rush apenas ficou na 148ª colocação nas paradas norte-americanas no ano do lançamento.

caress of steel live

A consequência disso tudo foi a chamada “Down the Tubes Tour” (Turnê Pelos Canos Abaixo), com duração de três meses e meio. Nas palavras de Neil, foi “uma seqüência deprimente de pequenos clubes em pequenas cidades”, o que desmotivou a banda ao ponto da mesma quase se diluir e os seus componentes até vislumbrarem arranjar outra fonte de renda para sustentar suas famílias.

Entendo então que o LP evidentemente assustou o público já conquistado do Rush nos dois discos anteriores, na sua maioria jovens, que queriam ir aos shows para ouvirem músicas mais pesadas e uptempo, como ‘Fly by Night’, ‘Anthem’, ‘Finding My Way’ e ‘Working Man’, e talvez por isso as longas e épicas ‘The Necromancer’ e ‘The Fountain of Lamneth’ não funcionaram bem ao vivo.

Aqui, o setlist da “Down the Tubes Tour”, aonde notamos que o LP era tocado em sua íntegra, demonstrando a evidente empolgação da banda com seu material novo:

Rush Setlist Massey Hall, Toronto, ON, Canada 1976, Caress of Steel Tour

Porém, a banda acabou futuramente rejeitando o conteúdo do LP, uma vez que, fora ‘Bastille Day’ e ‘Lakeside Park’, as outras faixas nunca foram inclusas nas turnês subsequentes da banda.

O álbum também não teve nenhuma faixa na “Time Machine Tour” de 2010, que tinha como objetivo cobrir toda a carreira da banda, e contou com apenas um trecho instrumental de ‘Bastille Day’ (aos 5:28 do vídeo abaixo) no medley instrumental que abria a “R30 Tour”, comemorativa dos 30 anos da banda em 2004 (notem também já aos 0:15 as animações feitas com os gráficos da capa de “Caress of Steel”):

Porém, felizmente, os componentes do Rush não eram tão fáceis de se abater, e entraram numa onda de “tudo ou nada” ao receber a luz verde da gravadora para gravar um disco mais “comercialmente aceitável” como sua última chance.

Veremos no próximo post que, ao contrário disso, o Rush, num all in suicida, irá colocar todas as suas fichas numa das mais ousadas e bem sucedidas obras-primas da história do Rock, o LP “2112”…

keep bloggin’

Abilio Abreu



Categories: Aerosmith, Black Sabbath, Covers / Tributos, Curiosidades, DIO, Discografias, Instrumentos, Iron Maiden, Jimi Hendrix, Judas Priest, Kiss, Led Zeppelin, Músicas, Megadeth, Off-topic / Misc, Pink Floyd, Queensrÿche, Resenhas, Rush, Yes, ZZ Top

23 replies

  1. Noite de ano novo. Mas não poderia deixar de comentar este grande álbum do rush. Sempre considerei ele subvalorizado até mesmo por fanáticos do trio. Parabéns por mais um post sensacional e feliz ano novo.

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  2. sensacional, Abílio!
    aonde isso aqui vai parar
    ainda lendo. comento mais ao final se tudo der certo!

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  3. Caramba, cansei… a caixa de comentário raramente esteve com tanta barra de rolagem, hahahaha…

    O que dizer? Vamos à uma definição:

    Flood:

    [as a verb] arrive in overwhelming amounts or quantities.

    Bom, também podem ser outras, como overdose de informação… hehehe.

    Nem sei por onde ir aqui, Abilio… dá para dizer que você foi literalmente segundo a segundo na análise do disco :-).

    Bom, é incrível a marca de 12 dias para se fazer o álbum por completo e ainda achar, na época, que era um exagero! Hoje, em 12 dias, as pessoas ficariam no Facebook trocando mensagens sobre: “vamos nos encontrar para fazer alguma coisa?”. Cara, isso é uma lição de vida para todos. Hoje, com MUITO mais tecnologia e recursos, demoramos MUITO MAIS para fazermos MUITO MENOS e as vezes BEM PIOR do que se fazia antigamente….

    Legal demais a contextualização do cenário musical da época que você fez, acho isso fundamental. A Discografia Scorpions do amigo Julio também fez isso de uma forma bem legal, trazendo também elementos históricos e políticos que influenciaram os alemães. Aqui, você explicou brilhantemente como a banda tinha espaço para experimentação, com músicas mais longas, quebras de tempo, etc.

    O lance de Goin’ Blind do Kiss, eu lembrava de já ter lido em algum lugar tal explicação, e fiz o link no próprio texto. Muito bom ver este post se conectando com aquele e a história das bandas se cruzando aqui no blog.

    Já o seu vídeo explicativo tocando é talvez o grande diferencial do post. É inédito por aqui no blog e arrisco dizer que não me lembro de ter visto algo parecido na internet! E sua preocupação em colocar a marca d’água do blog e depois trazer a explicação aqui é algo que “coloca a barra” ainda mais para cima. Parabéns pela ideia e por fazê-la realmente acontecer!

    Já aguardo com ansiedade pelo texto do próximo álbum, já que vamos para a primeira obra-prima incontestável dos canadenses mais brilhantes da história da música.

    Abilio, parabéns é pouco… masterpiece é “more like it”.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Fotos da Master tape box do álbum!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  5. Muito bom. Escutei o álbum pela primeira vez em meados de 1989. Ele fez parte dos 4 álbuns do Rush que recebi em troca do EP Jump in the Fire num rolo que fiz numa loja especializada. Foi um álbum difícil de digerir comparando com os demais (Permanent Waves, Signals e Hold your Fire). Mas com essa análise Abílio, com certeza terei uma audição com a percepção mais apurada. Parabéns pela resenha. Grande abraço. Claudio

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    • Explicando melhor minha saga com o Rush… Conheci a banda, como comentei anteriormente, na casa dos gêmeos por volta de 1986. Mas não curti muito na época. Mas em 89 finalmente o amor aconteceu e sai comprando e fazendo rolos pra ter o máximo de álbuns possível. Até 1990 consegui quase todos. Na sequência fiquei sem nada. Me desfiz de todos meus vinis. Lá por 2004 o Abilio levou alguns CDs do Rush no meu trampo pra eu ver.

      É a vida!

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  6. Vou pre-comentar aqui e devo um comentário melhor para a seguir;
    É um disco complicado. Tirando a Bastille Day, que segue na linha (como que fosse uma sobra) do anterior, as outras não me empolgam. Como tenho todos até o Exit, esse não poderia ficar de fora, mas considero o pior (de longe).
    Entender as experimentações da banda faz parte de gostar de Rush, mas aqui, no meu entendimento, a hamonia/melodia perdeu para o experimentalismo.
    Já ouvi algumas vezes, mas vou novamente olhar com as observações deste fantástico post e tentar rever os conceitos e depois me manifesto de novo.
    Abilio – que show isso aqui – é uma verdadeira bíblia da banda! Estou na espera pelo consagrado 2112.
    Abraços

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    • Abilio, Li melhor o post – que já achava sensacional foi superado: é o tal mais maravilhoso do impossível mesmo – mas o disco – ouvi hoje inteiro – o ideal é não ser depois do almoço – mas não teve jeito – e digo é difícil ficar acordado nas viagens das duas ultimas. Necromancer é um pouco melhor, mas a Fountain é uma fonte de sono mesmo e olha que eu gosto muito da banda nesta fase (digo a primeira) e também na segunda (pre exit). É claro que os caras são f… – Tem linhas muito interessantes de baixo, bateria, guitarra, vocal, como você dilacera tão bem no texto, mas não rola, entende?
      Coisas aqui e ali, Bastille e Lakeside (bem abaixo) e nada mais fica como um quase bom disco – vamos para o proximo que ai sim, saliva e muito…

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  7. Primeiramente, devo agradecer a todos pelos excelentes e pertinentes comentários e atenção dispendida!

    O timing do comentário do Schmitt foi realmente surreal, foi muito gratificante receber um comentário positivo assim tão cedo, ainda mais do Schmitt! A idéia de programarmos a publicação para o 1º Minuto (HM) do ano era só para ser um pequeno detalhe a mais, um “easter egg”, e realmente surtiu efeito!

    O comentário do Eduardo quanto ao curto tempo de gravação do LP é muito relevante. Nota-se que nos anos 70 a produção era intensa – pensem, em 2 anos o Rush produziu 3 LPs, hoje, uma banda “normal” produz um CD a cada 2 ou 3 anos no mínimo…

    Remote, na verdade, este disco também sempre mofou na minha prateleira, e o comprei praticamente apenas para completar a discografia em CD (nunca tive o LP do mesmo). Escrever os sobre os dois primeiros discos foi até que relativamente fácil, e juro que me vi num beco sem saída quando ouvi este disco pela primeira vez me preparando para escrever esta resenha… Me pareceu ser uma tarefa impossível, mas respirei fundo, estudei, e ouvi, ouvi, ouvi o disco, pesquisei, li, assisti videos, peguei as partituras, toquei junto…

    A contextualização temporal também foi algo necessário, para que eu pudesse realmente avaliar o disco o mais imparcialmente possível.

    Comecei a perceber com o passar das audições as incríveis harmonias e melodias “escondidas” neste álbum, e posso dizer que hoje em dia o respeito muito, pois foi a transição necessária para o primordial “2112”…

    Já o entrelaçamento de posts que anda ocorrendo é algo fantástico, estamos aos poucos criando um database compreensivo de toda a história do rock!

    Quanto ao pequeno vídeo que gravei tocando, isso é uma idéia que já vinha discutindo com o Eduardo a tempos, e acredito que é realmente algo inédito. Pretendo estender este conceito ainda mais nos próximos posts.

    No final de tudo, esta “viagem ao centro do Caress of Steel” foi algo muito importante para mim pessoalmente, pois mudei totalmente minha ótica sobre este trabalho tão controverdito. Todo o estudo para a elaboração do post adicionou muito ao meu entendimento da banda como um todo, e espero que isso se aplique a todos os que o lerem.

    Me preparando para o “2112”!

    Valeu galera!

    keep bloggin and UP THE MINUTOS!

    Abilio

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    • “Já o entrelaçamento de posts que anda ocorrendo é algo fantástico, estamos aos poucos criando um database compreensivo de toda a história do rock!”.

      Cara, jamais pensei que isso fosse se concretizar, mas sem exageros, hoje isso é uma realidade mesmo para este espaço… as oportunidades para “links recursivos” só aumentam a cada dia, as coisas vão se complementando cada vez mais… isso é fantástico mesmo… fico orgulhoso de fazer parte disso tudo.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  8. Vamos lá, ouvi várias e várias vezes este Caress, antes de trazer meus conceitos acerca dele por aqui. E mesmo ouvindo muito atentamente , minha idéias não mudaram, Abílio.

    O post é sem dúvida muito melhor que o álbum, devo cometer talvez esta heresia. Tudo aqui se encontra com perfeição, e é muito legal a parte do vídeo que traz e esclarece os acordes que mostram o estilo Lifeson de compor e que influenciou tantos músicos desde então. A demonstração está clara e perfeita para que músicos e admiradores possam entender a inovação trazida por Alex.

    Voltando ao Caress, exceto por Bastille Day, o restante do trabalho não me agrada. Esta, no entanto, ficou talvez marcada por ter sua excelência acompanhada de canções que não agradou o público e a crítica na ocasião.

    Vou arriscar aqui em pensar que as idéias brilhantes ainda não tinham um amadurecimento musical que as transformassem nas obras-primas que veremos mais para frente na carreira da banda. Dentro do álbum encontramos diversos momentos onde intervenções pouco ortodoxas são acompanhadas de trechos até óbvios que não se encaixam. Percebi isso ao fim de The Necromancer , em especial. A narrativa, é claro, ainda comprometeu mais ainda a canção.

    Assim, do restante do álbum, destaco Lakeside Park, uma faixa que considero boa. Interessante foi ver o uso do footpedal para reforçar trechos originais de guitarra na canção. Certamente a idéia serviu de estopim para o que veríamos na sequência da carreira da banda.

    Em relação à versão do Dream Theater de The Necromancer, vale sim registrar a ousadia em reconhecer uma faixa que até o próprio Rush deixou de lado. Desta forma, a homenagem vale mais até do que sua execução, que concordo, tem certos exageros guitarrísticos que comprometem a idéia da faixa e uma dificuldade até compreensível na questão vocal

    Acho que o lado B deveria ser composto de faixas separadas entre si,pois os fade-out que estão presentes no trabalho comprometem a questão da continuidade da faixa. Ainda que os temas tenham relação, acho que faltou algo para entender as 6 partes como integrantes de uma só música.

    Mas nada é pior do que incluir a faixa I Think I’m going Bald, pra mim, uma grande decepção, que não encontra rivais à sua ” altura” entre esses primeiros álbuns. O riff inicial lembra Let me go Rock and Roll, do próprio KISS, mas à Cesar o que é de Cesar…, cada um na sua praia… Assim, tanto essa quanto a Goin Blind , que talvez sejam as inspiradoras desta faixa , dão dez a zero nela.

    Pra mim, além de trazer a clássica e sensacional Bastille Day, que entraria em qualquer álbum desta fase inicial do Rush com sobras, o maior mérito deste Caress of Steel é ele ter servido para que o desenvolvimento talvez menos amadurecido das idéias aqui trazidas se transformassem e servissem de patamar para que a banda chegasse a um nível que poderemos acompanhar e nos deleitar daqui em diante.

    Espetacular o post, Abílio, ninguém faria melhor!

    Alexandre

    Like

    • O sempre tão aguardado (e sempre tão pertinente) comentário do Bside!

      Eu lembro já ter dito isso a vocês no 14º podcast: logo no início de minhas audições para fazer este post, cheguei a dar gargalhadas, achando que os caras do Rush “tavam de sacanagem!” comigo, tamanha é a bizarrice deste LP!

      Mas o meu respeito pelos caras é tão grande, que, ao ver que não seria nada fácil analisar este LP, me vi na função de investigar profundamente o porquê deste “ato falho”, me submergi na viagem proposta e no final de tudo acabei gostando bastante do disco!

      Eu me acostumei tanto a ouvir ele no carro todo dia na ida e volta do trabalho que na sexta-feira após o lançamento do post me pego ouvindo o Cd já na “Lakeside Park”, quando o “disco da vez” agora é o magnífico “2112”!

      Mas o mais difícil mesmo foi “desligar a bola de cristal”, ou seja, esquecer tudo que o Rush fez após o “Caress of Steel”, para fazer este post de uma forma justa e imparcial, uma vez que os “discos futuros” são incomparáveis, uma obra-prima após a outra como veremos a seguir…

      Agradeço muito sua observação sobre o Kiss (do qual realmente entendo e conheço muito pouco, e graças a vocês posso agora aprender sobre eles!) com relação à “I think I’m going blind”. Na verdade parece que o Rush queria apenas tirar uma com o Kiss, mas realmente não precisava gravar esta música em um LP…

      Mas entendo que, como “segunda banda” da noite, o Rush passou muito tempo no backstage assistindo o Kiss/Aerosmith/ZZ Top, observando o que funcionava ou não, conversando com os músicos, produtores, roadies, vendo a reação do público, etc, e isso com certeza ajudou muito a eles se desenvolverem de forma tão rápida como banda, por mais que o rumo musical tomado tenha sido diverso das bandas citadas.

      Quanto ao Dream Theater, apesar da minha enorme admiração pelo virtuosismo dos caras (até sugeri o último deles como um dos melhores de 2013 aqui no blog), aqui a gente vê que a máxima “to be or not to be” – no caso “to be classic” – é o que vale… Rush é clássico, and that’s it! Se uma banda toca um cover exatamente igual, é algo de mérito duvidoso, porque copiar igualzinho chega a ser triste (na minha opinião é claro – e olha que já toquei muito cover por aí), e quando tenta-se fazer uma versão, há muita chance de ficar um lixo… Tem coisas que são intocáveis, e o Rush é uma delas…

      Por fim, obrigado pelos elogios, mas na verdade, agradeça ao Rush por ter vivido uma história tão legal para eu contar aqui pra vocês…

      keep rushin’!

      Abilio

      Like

  9. Olá pessoal. Explico melhor minha primeira manifestação no post.
    Estava, na noite de ano-novo dando uma conferida no twitter e vi o post do minuto HM. Dei uma passada de olhos no post e, por óbvio, percebi que precisava de mais tempo e de menos álcool para fazer um post minimamente a altura.
    Olha, sempre gostei deste álbum, podem me chamar de B-side eventual, hehehe.
    Bastille, Day, Lakeside Park e The Fountain of Lamneth são clássicos para mim. Ali já se encontram muitas das características que ao logos dos anos fariam do Rush ser o que é. As explicações técnicas guitarrísticas do Abílio, foram sensacionais, nada menso do que isso, e o ápice disso ficou demonstrado no vídeo exclusivo do post. Fico na expectativa de mais vídeos deste tipo. Conheço bem pouco de teoria musical e o vídeo funcionou como uma demonstração “in loco” do que estava sendo explicado no texto.
    Talvez seja minha proximidade com o rock clássico, mas nunca desgostei de “I Think I’m going bald”. A letra deixava óbvio o tom de gracejo da peça e a parte instrumental se encaixa bem no objetivo da música. Longe de ser um clássico da banda, mas gosta bastante dela e ela “passa fácil” no meu ouvido.
    Preciso destacar os vocais do do GL neste álbum. Que coisa fantástica, que tons altos impressionantes. O único problema é que isto sempre impediu minhas iniciativas de incluir estas músicas no setlists da minha banda de garagem – Jukebox Band.
    O único senão do disco, para mim, é música The Necromancer, que efetivamente, não consegue manter minha atenção total, o tempo todo. Até passei a respeita-la mais, agora, após a detalhada apresentação da mesma pelo Abílio, mas ainda assim, acho o ponto mais baixo do álbum.
    Que venha a resenha de 2112. Já estou salivando de expectativa.

    Like

    • Xará, foi sensacional você ter comentado tão rapidamente. Na virada do ano, senti o celular vibrar com a publicação do post e com os comentários recursivos, já que o aplicativo (quando o sinal da operadora ajuda) manda o(s) notification(s).

      Mas aí veio a surpresa: o celular vibrando poucos minutos (hm) depois – imaginei que era alguém enviando “Feliz Ano Novo”, mas era o seu comentário – que não deixa de ser exatamente isso, mas de uma maneira muito mais legal para o blog!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

      • Pois é Schmitt, esse teu “feliz ano novo” foi muito legal mesmo! O celular (no caso do Eduardo “Necromancer” – o olho de prisma) vibrando nos primeiros minutos do ano foi fantástico!

        E “trilegal” o fato de você gostar do disco, provando que este realmente é um dos álbuns mais controvertidos de toda a história, uma vez que existem alguns fãs radicais do Rush que chegam ao exagero de classificá-lo como o melhor trabalho de toda a discografia…

        keep bloggin”

        Abilio Abreu

        Like

  10. Ah, e o que esqueci de comentar é que, após este post, nosso Eduardo [dutecnic] ganhou outro apelido…

    “Mr. Presidente” / “Mestre Yoda” agora também é o “Necromante”, com seu olho de prisma que vê e sabe de tudo!

    keep seein’ and UP THE NECROMANCER!

    abraços,

    Abilio Abreu

    Like

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