Momento Daniel de Cinema – Becoming Led Zeppelin (2025)

Recomendar algo aqui com o nome “Led Zeppelin” é tão óbvio como recomendar cerveja gelada no bar do Zé da esquina...

E é isso. Qualquer coisa Led Zeppelin deve ser entendida como um “chamado” máximo a todos nós, e assim foi: em pleno sábado de Carnaval, o “desfile” foi em uma sala IMAX de cinema, aproveitando que estava em cartaz o novo e primeiro autorizado documentário da banda que prometeu – e cumpriu – acesso a conteúdos inéditos tanto de imagens, quanto entrevistas de época – inclusive áudio supostamente inédito do Bonzo inclusive para o trio da linha de frente – e, claro, muitos pontos de vista reunidos com os remanescentes desta banda de gênios absolutos.

Dirigido por Bernard MacMahon, o formato escolhido segue uma linha mais padrão do estilo deste tipo de documentário, mas com uma (boa) ressalva: o documentário “não tem pressa” em trazer a história da banda. Creio que Peter Jackson estabeleceu um novo padrão de não-pressa com o Get Back dos Beatles – não é naquele nível de detalhes, mas mesmo assim, traz algo que é justo em explicar a formação mágica da banda.

Explorando aspectos desde a infância deles – incluindo família direta, amigos, imagens de escolas, etc., passando com uma riqueza de detalhes importantes sobre as influências de cada um dos quatro integrantes, Bernard (e claramente com a mão mais “Pagestítica” na coisa) traz ainda uma preocupação em relatar acontecimentos importantes do mundo desde ~1958. Entre estas curiosidades e conforme o documentário vai avançando, obviamente os acontecimentos da música vão sendo mostrados, reforçando que o Led foi uma banda mais inspirada pelo que acontecia no mercado americano que no “local”, onde inicialmente a aceitação da banda foi difícil. Como sabemos, não apenas no caso do Led, mas em geral, todos à época queriam ganhar o mercado nos EUA e estavam fortemente influenciados pela música que vinha de lá. Mas além disso, há detalhes de Jimmy Page, no início da sua carreira como músico de estúdio (e como isso o ajudou a entender de música em geral, apesar do enorme trabalho em participar de orquestras, estudar partituras, etc), participando justamente no estúdio enquanto Shirley Bassey cantava o clássico absoluto Goldfinger, do que é amplamente reconhecido como o melhor filme da saga 007 de todos os tempos. E assim, o documentário prestigia a habilidade de Page em se adaptar e tocar praticamente qualquer estilo enquanto em seus covers e atividades pré-The Yardbirds.

Naturalmente, a entrada na década de 1960 traz uma riqueza ainda mais fundamental no caminho da vida dos 4 até a formação da banda sob as cinzas ainda muito quentes dos The Yardbirds, banda esta que iniciou três dos melhores guitarristas da histórica da música: os “amigos” Eric Clapton e Jeff Beck, além do próprio Page.

Enquanto o documentário começa a avançar – e aqui vem a parte do avanço mais detalhado, lento do documentário – na década de 1960, claramente há um direcionamento para o mercado norte-americano, chegando a um ponto que eu questione até o motivo deles não terem explorado pelo menos um pouquinho mais do que se acontecia “em casa” – afinal, falar da década de 1960 e apenas deixar os Beatles mencionados em, creio eu, dois momentos – é um pouco complicado. De qualquer maneira, na primeira menção, fica também uma interpretação rápida que eles abordam os Beatles em outro patamar já de fama e sucesso, enquanto eles se cruzavam com outros gigantes da década como os Stones.

Quando finalmente há o alinhamento estelar mágico dos caminhos deles se cruzarem – a junção de tudo se transformando em uma nova formação dos Yardbirds que culminaria na escolha de um nome por pura falta de outro melhor, como já sabemos da história, o documentário passa a mostrar em detalhes o esforço do manager da banda em colocá-los na costa oeste dos EUA, região de LA / São Francisco, em lugares lendários como o Fillmore. Enquanto aborda esta questão, entram detalhes interessantes e diferentes do modelo tradicional das bandas, que tanto dependiam “dos outros” na época: enquanto todos abordavam um approach com singles para estourarem, Jimmy, que sempre produziu tudo, se deu ao luxo de combater a indústria e deixar claro que, com o Led, isso não aconteceria: o Led seria um banda de álbuns. Além disso, toda a questão do som e das experimentações, que tantas e tantas bandas acabam tendo que “jogar o jogo” da industria não aconteceu com a banda: as decisões ficaram sempre do lado de Page e cia.

Outro aspecto interessante é a formação do que seriam os primeiros repertórios do grupo a partir de 1967 – covers famosos como Train Kept A-Rollin de Johnny Burnette não ficam de fora – bem como Dazed And Confused, de Jake Holmes. O lendário Eddie Kramer também é mencionado no documentário – afinal, não é qualquer um que trabalha com Led Zeppelin, Yes, Beatles, Rolling Stones, David Bowie, Emerson Lake & Palmer, Santana, Anthrax, Carly Simon, Peter Frampton, Jimi Hendrix, entre tantos outros e, claro e fundamentalmente, com o Kiss.

No meio disso tudo, vai ficando também claro os papéis de cada um, e as lideranças – bem como Plant começando a ganhar seu espaço como compositor, onde Page, que praticamente cuidava de tudo, não era tão forte – as letras. Além dos papéis, as personalidades de cada um também ficam evidentes – claro, infelizmente há muito pouco sobre Bonham, que não concedia muitas entrevistas e não há tanto material em vídeo dele foram do palco – o documentário, entretanto, resgata em seu início uma rara e supostamente inédita até para JPJ, JP e RP, mostrando o áudio com imagens dos 3 emocionados escutando. Destaco aqui essa entrevista resgatada como o ponto máximo do documentário em minha opinião, e é logo no começo.

O documentário avança então para as tours extensivas nos EUA (e Canadá) que a banda fez no início antes do seu retorno para Londres, onde finalmente a aceitação da banda foi maior, incluindo o famoso show do Royal Albert Hall. Enquanto explora as primeiras performances históricas da banda – e há de se destacar especialmente a qualidade especialmente do áudio (e do vídeo) que é entregue no documentário – que no IMAX é realmente imersivo e com uma clareza absurda dos instrumentos – vai ficando claro também que o objetivo de Page em dar ao público algo que eles nunca tinha visto, com aspectos psicodélicos e efeitos diversos, começava a se concretizar. O documentário usa diferentes shows de clássicos como Good Time Bad Times e Communication Breakdown para mostrar a energia única da banda ainda na década de 1960.

O documentário então aponta para o que foi o rápida transição para o segundo álbum – é incrível o que acontece entre 1968 e 1969 na banda, algo impensável hoje em dia (2025) mas tão comum nas grandes bandas entre 1960 – 1990. A criação do riff de Whole Lotta Love – e suas primeiras execuções ao vivo – e What Is And What Should Never Be têm destaque. O documentário mostra também momento das banda com The Lemon Song e JPJ se destacando, bem como detalhes da criação de Ramble On. Na parte de Bonham, não poderia faltar falar de Moby Dick, e o documentário faz jus ao clássico.

A banda – e seus “caríssimos” ingressos de USD 2 / 2.50 / 3.0 e o mais caro que lembro ter visto (5.75) começa a ganhar repercussão nos 2 países (EUA e Inglaterra) ao ponto de começar a abrir para outros nomes e “roubar a cena”. Fui olhando no relógio e percebendo que a história desta primeira parte acabaria ali, com o lançamento do segundo álbum, e obviamente o gostinho de “quero muito mais”…

Agora é aguardar pela sequência. E, vai saber, preciso registrar aqui: por que esse documentário agora? Será que há algo “cozinhando” nos bastidores para, quem sabe, os gênios mais uma vez se despedirem de seu legado sem igual, com Jason provavelmente fazendo as honrarias “baterísticas”?

É assunto para a segunda parte e quem sabe para esperarmos por mais um show deles – eu não duvido.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categorias:Anthrax, Artistas, Covers / Tributos, Curiosidades, Entrevistas, Jimi Hendrix, Kiss, Led Zeppelin, Resenhas, Rolling Stones, The Beatles, Yes

8 respostas

  1. EXCELENTE! Muito bom post!

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  2. Claramente me parece que o documentário Get Back, dos Beatles ( novamente eles sendo os precursores) nos trouxe a esse momento pouco provável há algum tempo atrás.

    Só posso ficar salivando, pretendo ver esta e as outras partes o quanto antes !

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  3. Avatar de Silas Estrela da Conceição

    Como faço para assistir esse documentário no cinema? Sou de São Gonçalo, RJ e estou DOIDO para assistir.

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