
É isso aí, Geddy e Alex estão de volta. No momento em que estamos publicando este post, a dupla já esteve de volta aos palcos e foram 4 noites seguidas no local de estreia da turnê “Fifty Something Tour”. Não por acaso, a volta se deu no mesmo local no qual eles fizeram o último show com Neil Peart, em 2015, o KIA Forum, em Inglewood, arredores de Los Angeles, na California. Em 2015 o local se chamava apenas The Forum, mas não se enganem, eles voltaram para onde pararam, mais de dez anos atrás.
O resultado final deste ponto de partida para a extensa turnê que se seguirá, a partir de hoje, é pra lá de positivo. Neste post pretendemos trazer um panorama de alguns dos detalhes que cercaram a volta da dupla.
Inicialmente, vamos analisar o set list das 4 noites:

A escolha traz as canções obrigatórias, a começar, logicamente, por “Tom Sawyer”, mas também contemplando outras 9 músicas, de “Working Man” a “Bravado”. A versão de “2112” variou entre duas versões incompletas (com as 2 primeiras partes e a última) e outras duas versões na íntegra do lado A do álbum. O álbum “Moving Pictures” também foi tocado na íntegra, no terceiro dia, 11/06/2026. O repertório trouxe outras 12 a 15 canções, revezadas nas datas, algumas tocadas uma única vez, como a inesperada “A Farewell To Kings”, tocada dia 13/06/2026, e outras executadas quase em todas as noites, como a também pouco esperada “Vital Signs”. A escolha das canções é proeminente em contemplar todas as fases da carreira do grupo, mas há ausências (até o momento) que não se esperavam, como “The Big Money” ou ” Roll The Bones”. Eles ainda não tocaram nenhuma canção de quatro álbuns: “Caress of Steel”, “Power Windows”, “Test For Echo” e “Vapor Trails”. Não há, no entanto, do que reclamar, já há um revezamento que contempla uma quantidade bem relevante de músicas, são 38 até o momento. Nesse sentido, numa recente entrevista no canal do YouTube de Rick Beato, Geddy confirma que (por volta dos 9:20 min), de uma lista inicial com 45 músicas, 40 foram ensaiadas, mas nem todos os álbuns da discografia estão representados no setlist geral, então ainda podemos eventualmente ter algumas surpresas dos quatro álbuns acima citados.
E como se não bastasse, a dupla resolveu, pela primeira vez na carreira, abrir os shows empunhando seus instrumentos doublenecks, para tocar a espetacular “Xanadu”.
Outro ponto obrigatório nesta análise é a participação de outros dois músicos juntos a Lee e Lifeson. Todo mundo soube imediatamente após o anúncio da volta da dupla a escolha da alemã Anika Nilles, que tocou com Jeff Beck em 2022, para a difícil tarefa de fazer as partes da bateria. Além dela, o norte-americano Loren Gold, que tocou com Roger Daltrey, The Who, Don Felder e Chicago, entre outros, além de já ter sido diretor musical das estrelas pop Demi Lovato e Selena Gomez, está ajudando nos teclados e backing vocals, fazendo desta formação um quarteto no palco, pela primeira vez em shows inteiros. O grupo, no passado, já teve a participação de outros músicos em datas muito específicas, em especial violinistas que estiveram junto do trio em “Losing It”, mas foram pouquíssimas essas participações. Além dos dois novos músicos para apoiarem Geddy e Alex, a dupla trouxe Aimee Man para pela primeira vez acompanhá-los em “Time Stand Still”, reproduzindo ao vivo seus vocais gravados no álbum “Hold Your Fire”.
A performance de Anika era a grande preocupação de todos que acompanham o grupo canadense, em especial pela responsabilidade de precisar ser alguém com a qualidade necessária para substituir alguém que é insubstituível, ao menos na parte percussiva, visto que o saudoso Neil Peart também tinha pelo menos uma outra grande função na banda, escrever as maravilhosas letras que nos deixou em cerca de 40 anos de maestria. Outra preocupação era entender o quanto Anika iria respeitar as linhas originais incríveis que Peart registrou. As dúvidas foram dissipadas já na primeira data da turnê, Anika não só foi capaz de entregar as difíceis linhas de Neil, como também procurou respeitá-las, sem necessariamente atuar como um simples “copy & paste” do que Neil fez, ainda que ser um “copy & paste” já seria algo bem difícil. Assim podemos trazer dois exemplos do que foi Anika, prioritariamente tentando replicar o que já era magnífico, por exemplo, na clássica virada do fim do solo de “Tom Sawyer”:
O outro exemplo que trazemos aqui é de um momento no qual Anika conseguiu incluir um pouco de sua personalidade e categoria, e o fez em uma das canções mais difíceis da carreira do grupo canadense, “La Villa Strangiato”:
Outro ponto que é interessante ressaltar é a sonoridade da bateria de Anika, mais parruda e voltada para os graves, ou seja, mesmo sendo uma baterista que se situava entre o jazz e o fusion prioritariamente, isso não foi uma questão quando se procurou trazer o peso necessário que em muitas fases da carreira do Rush se mostrou uma necessidade.

Desde sua estréia no Rush em 07 de junho, Anika vem sendo ovacionada nas redes sociais por bateristas conhecidos mundialmente como “herdeiros” de Neil Peart, como Mike Portnoy e Marco Minnemann.
Por outro lado, Loren Gold está presente de forma muito mais discreta, para dar uma folga para o setentão Geddy Lee, que provavelmente se cansou dos teclados. Loren basicamente faz o que é conhecido como “a cama” que sustenta os trechos em teclados, que muitas das vezes no original foi feito pelos footpedals que Lee e Lifeson acionavam. Ainda assim, em raras ocasiões durante os sets, foi possível perceber a categoria de Gold, por exemplo, na introdução de piano em “The Camera Eye”, momento em que ele teve algum espaço e liberdade:
E como estão os veteranos? Neste quesito, a principal dúvida era entender como Geddy conseguiria trazer de volta os vocais tão altos e difíceis que fazia, em especial nos anos 70. Não há o que questionar de sua habilidade no baixo, em verdade o que há é novamente se impressionar com o fato de que Lee é uma máquina nas 4 cordas, uma força motriz incrível e uma precisão absoluta, não se percebe o músico errar em nenhuma das mais de cem canções executadas nas quatro datas. Geddy também resolveu, considerando o legado de alguns trechos, tocar o teclado de alguns deles, como em “Tom Sawyer”.
Alex, que sofre de uma séria artrite psoriática há quase 20 anos e problemas estomacais permanentes que quase o impediram de retornar aos palcos, ao contrário, precisou lidar com a memória para lembrar de alguns trechos, mas se saiu muito bem, mesmo quando optou por improvisar e nos trazer novas abordagens, em especial em alguns solos.
Mas como está o vocal de Geddy? Pode ser uma ousadia, mas consideramos que está melhor do que nos últimos shows com Peart, há mais de 11 anos. Lee está atento aos momentos mais complicados, buscou caminhos alternativos para trechos mais altos, por exemplo no retorno do solo em “Freewill”.
Portanto, tudo indica que Geddy se preparou vocalmente muito bem para encarar os longos shows dessa turnê, cujas datas têm pelo menos um dia de descanso entre os shows que serão realizados em uma mesma cidade, como podemos ver abaixo:
| Data | Cidade | País | Local |
| Junho 7 | Inglewood | Estados Unidos | Kia Forum |
| Junho 9 | |||
| Junho 11 | |||
| Junho 13 | |||
| Junho 18 | Cidade do Mexico | México | Palacio de los Deportes |
| Junho 20 | |||
| Junho 24 | Fort Worth | Estados Unidos | Dickies Arena |
| Junho 26 | |||
| Junho 28 | |||
| Junho 30 | |||
| Julho 16 | Chicago | United Center | |
| Julho 18 | |||
| Julho 20 | |||
| Julho 22 | |||
| Julho 28 | New York City | Madison Square Garden | |
| Julho 30 | |||
| Agosto 1 | |||
| Agosto 3 | |||
| Agosto 7 | Toronto | Canadá | Scotiabank Arena |
| Agosto 9 | |||
| Agosto 11 | |||
| Agosto 13 | |||
| Agosto 21 | Philadelphia | Estados Unidos | Xfinity Mobile Arena |
| Agosto 23 | |||
| Agosto 26 | Detroit | Little Caesars Arena | |
| Agosto 28 | |||
| Setembro 2 | Montreal | Canadá | Bell Centre |
| Setembro 4 | |||
| Setembro 12 | Boston | Estados Unidos | TD Garden |
| Setembro 14 | |||
| Setembro 17 | Cleveland | Rocket Arena | |
| Setembro 19 | |||
| Setembro 23 | San Antonio | Frost Bank Center | |
| Setembro 25 | |||
| Outubro 5 | Denver | Ball Arena | |
| Outubro 7 | |||
| Outubro 10 | Seattle | Climate Pledge Arena | |
| Outubro 12 | |||
| Outubro 15 | San Jose | SAP Center | |
| Outubro 17 | |||
| Outubro 25 | Washington, D.C. | Capital One Arena | |
| Outubro 27 | |||
| Outubro 30 | Uncasville | Mohegan Sun Arena | |
| Novembro 1 | |||
| Novembro 5 | Hollywood | Hard Rock Live | |
| Novembro 7 | |||
| Novembro 9 | Tampa | Benchmark International Arena | |
| Novembro 11 | |||
| Novembro 20 | Charlotte | Spectrum Center | |
| Novembro 22 | |||
| Novembro 25 | Atlanta | State Farm Arena | |
| Novembro 27 | |||
| Dezembro 1 | Glendale | Desert Diamond Arena | |
| Dezembro 3 | |||
| Dezembro 10 | Edmonton | Canadá | Rogers Place |
| Dezembro 12 | |||
| Dezembro 15 | Vancouver | Rogers Arena | |
| Dezembro 17 |
| Janeiro 15 | Buenos Aires | Argentina | Movistar Arena |
| Janeiro 17 | Santiago | Chile | Estadio Bicentenario de La Florida |
| Janeiro 19 | |||
| Janeiro 22 | Curitiba | Brasil | Arena da Baixada |
| Janeiro 24 | São Paulo | Nubank Parque | |
| Janeiro 26 | |||
| Janeiro 30 | Rio de Janeiro | Estádio Olímpico Nilton Santos | |
| Fevereiro 1 | Belo Horizonte | Mineirão | |
| Fevereiro 4 | Brasília | Arena BRB Mané Garrincha | |
| Fevereiro 19 | Paris | França | La Défense Arena |
| Fevereiro 21 | Berlin | Alemanha | Uber Arena |
| Fevereiro 23 | Amsterdam | Holanda | Ziggo Dome |
| Fevereiro 25 | Munich | Alemanha | Olympiahalle |
| Fevereiro 28 | Cologne | Lanxess Arena | |
| Março 2 | Hamburg | Barclays Arena | |
| Março 4 | Stuttgart | Hanns-Martin-Schleyer-Halle | |
| Março 8 | Glasgow | Escócia | OVO Hydro |
| Março 10 | |||
| Março 12 | Manchester | Inglaterra | Co-op Live |
| Março 14 | |||
| Março 16 | London | The O2 Arena | |
| Março 18 | |||
| Março 21 | |||
| Março 27 | Kraków | Polônia | Tauron Arena Kraków |
| Março 30 | Milan | Itália | Unipol Dome |
| Abril 1 | Basel | Suíça | St. Jakobshalle Basel |
| Abril 4 | Copenhagen | Dinamarca | Royal Arena |
| Abril 6 | Oslo | Noruega | Unity Arena |
| Abril 8 | Stockholm | Suécia | Avicii Arena |
| Abril 10 | Helsinki | Finlândia | Veikkaus Arena |
Resta, no entanto, saber se o vocal vai sobreviver a todos esses shows. Terminamos este post atestando que o resultado final do retorno de Geddy e Alex é uma experiência que comprova o profissionalismo e entrega dos dois músicos, que ainda incorpora as lindas e justas homenagens a Neil, durante os três sets dos shows. Mais do que isso, o atual momento da dupla conta ainda como bônus com o uso da tecnologia ainda mais moderna de vídeo e cenografia impactando também os espetáculos com excelência no aspecto visual. Os quatro shows provaram que a dupla não se dá por satisfeito se não entregar 100% do que eles ainda podem fazer, no alto dos seus quase 73 anos de idade.
A Anika e Loren, o nosso obrigado por apoiarem essa volta de forma tão competente. Geddy e Alex, sejam muito bem-vindos aos palcos de novo!!
A gente se vê em breve….
Abilio Abreu e Alexandre B-side
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