
Após o lançamento e excursão em 2014 e 2015 promovendo “Space Invader”, lançamento cujos detalhes você pode ver aqui, Ace segue a estratégia combinada com a atual gravadora (Entertainment One Music -E1 Music) que previa lançamentos de álbuns covers em revezamento com os álbuns de estúdio. Assim, Frehley iria, na última década de sua carreira, lançar dois álbuns exclusivamente com regravações. A opção fazia todo o sentido, pois Ace sempre demonstrou extrema facilidade e ótimo desempenho ao fazer releituras de outros artistas. Para esses álbuns, a ideia foi mesclar escolhas musicais entre canções do KISS e de suas principais influências. Além disso, nesses álbuns covers o guitarrista chamou diversas participações especiais. Intitulados de Origins, o primeiro volume saiu em 2016.
ÁLBUM: ORIGINS, VOL.1

1 – “White Room” (Cream) 5:04
2 – “Street Fighting Man” (The Rolling Stones) 4:01
3 – “Spanish Castle Magic” (The Jimi Hendrix Experience) – 3:35
4 – “Fire and Water” (Free) -4:11
5 – “Emerald” (Thin Lizzy) – 4:29
6 – Bring It On Home” (Led Zeppelin) -4:26
7 -“Wild Thing” (The Troggs) -3:45
8 – “Parasite” (Kiss) -4:03
9 – “Magic Carpet Ride” (Steppenwolf) -3:43
10- “Cold Gin” (Kiss)-5:18
11- “Till the End of the Day” (The Kinks) -2:27
12 – “Rock and Roll Hell” (Kiss) -6:31
– Lançamento: 13/04/2016
– O álbum chegou ao 23º lugar na Billboard, além de aparecer em 1º na lista de hard rock e 4º de rock, ambas também da Billboard.
Ace lançou um single antecipado para “White Room” em fevereiro daquele ano, mas não houve uma maior repercussão. Para a tour, em 2016, Ace tocou do álbum ‘Emerald” e “Bring It On Home”, em 43 shows nos EUA. Em 2017 Ace seguiu inicialmente tocando as mesmas canções, porém, entre os 45 shows do ano, Frehley esteve em vários países, inclusive no Brasil, assim acabou focando em um repertório mais clássico, deixando os covers de fora.
Em Origins, vol1., todas as participações especiais deixaram sua marca. São elas: Slash, que divide os solos de “Emerald”, Lita Ford, divide os vocais e as guitarras em “Wild Thing”. Além deles, dois outros guitarristas estão na lista de convidados especiais: Mike McCready (do Pearl Jam) aparece em “Cold Gin” e o fã de longa data John 5 toca em “Parasite” e “Spanish Castle Magic”. Ace produz o trabalho, se encarrega dos vocais, guitarras e algumas linhas de baixo. Chris Wyse toca o baixo entre a faixa 2 e 5 e também nas faixas 8 e 10. Matt Starr toca bateria em três faixas (2,4 e 12) enquanto as demais linhas de bateria são feitas por Scot Coogan, que também divide os vocais com Ace em “White Room” e canta “Bring it on Home”. No entanto, a participação mais surpreendente e muito aguardada foi a de Paul Stanley” que divide os vocais em “Fire and Water”. A parceria gerou inclusive um videoclipe:
Em minha opinião, mesmo considerando que a onda maior de releituras, acontecida no fim da década de 90, tenha passado, Origins vol 1 se mostra uma carta certeira pela já conhecida habilidade de Ace em interpretar canções de outros artistas. Em geral, as versões, que não são simples “copy and paste”, não decepcionam. As participações ilustres também ajudam. A versão mais pesada de “Spanish Castle Magic”, uma das canções na qual o vocal de Ace tem menos desafios, traz no final os solos enlouquecidos de John 5, divididos no stereo com Frehley. “Fire and Water” ficou ótima, principalmente pela interpretação marcante de Paul Stanley, é sempre um desafio quando a comparação é com um dos grandes vocalistas do Rock, Paul Rodgers. Ace faz um solo longa-metragem, não necessariamente tão consistente. O final da canção traz ótimas viradas de bateria, feitas por Mike Starr. Em “Emerald”, Ace não decepciona no vocal, no papel que foi de Phil Lynott, outra voz muito própria. E no fim há o take feito “ao vivo”, no qual Slash e Frehley se revezam nos solos. O baterista Scot Coogan faz bonito também no papel de Robert Plant, na pesada versão de “Bring it On Home”. Lita Ford traz uma versão divertida e descompromissada em “Wild Thing”, repetindo o papel que desempenho tocando esta cover no Runaways e entrega também um competente solo de guitarra.
Ace também dedicou ¼ do álbum ao que é oficialmente considerado o seu tempo no KISS. Oficialmente apenas, pois sabemos que ele não tocou em “Rock and Roll Hell”, mas está na capa do “Creatures of The Night”. O que temos aqui, portanto é uma quase volta no tempo, como se Ace ficasse confortável para cantar “Parasite” e “Cold Gin” no início da carreira junto ao KISS e tivesse de fato participado do álbum de 82. Nesta versão de “Rock and Roll Hell”, percebemos um Frehley bem à vontade, não só nos vocais, quanto nos solos finais, dentro, é claro do seu estilo, bem diferente do que Robben Ford fez em 82. O solo principal não me agradou, no entanto. Para as outras do KISS, Frehley que já cantava ambas nos shows, encara a tarefa com tranquilidade. “Parasite” tem novos solos incríveis de John 5, dividindo o trecho com Ace. Já a participação do guitarrista do Pearl Jam Mike McCready se dá mais ao fim de “Cold Gin”, inserindo frases onde originalmente não há solo. Ace também coloca seus solos finais do Alive! nesta versão de estúdio. Ficou bom, foram boas sacadas.
Em 2018 Ace segue tocando um repertório voltado aos clássicos, indo ao Japão e a Austrália, concentrando os shows no EUA para o fim do ano. Em outubro lança um novo trabalho de estúdio.
ÁLBUM: SPACEMAN

1-“Without You I’m Nothing” – 4:06
2- Rockin’ with the Boys” – 4:15
3- “Your Wish Is My Command” -3:38
4 – “Bronx Boy” – 2:50
5 -“Pursuit of Rock and Roll” – 4:32
6 – “I Wanna Go Back” – 4:01
7 – “Mission to Mars” – 3:39
8 -“Off My Back”- 3:38
9 -“Quantum Flux” – 6:28
Lançamento: 19/10/2018
Produtores: Ace Frehley e Alex Salzman, exceto a faixa “Quantum Flux” cuja produção ficou a cargo de Warren Huart, além de Ace.
Para este novo trabalho de estúdio, Frehley resgata a parceria com Gene Simmons, que o ajuda a compor a faixa de abertura (também tocando baixo) e a faixa “Your Wish Is My Command”. Anton Fig grava duas faixas, e os antigos parceiros dividem as outras linhas de bateria. Rachael Gordon, sua companheira, aparece em alguns backings, enquanto Ace se encarrega das guitarras e baixo. Os produtores também tapam uns buracos no baixo e harmonias de guitarra. Para “Spaceman”, a estratégia da gravadora foi investir em singles, assim Ace teve três divulgações no álbum: “Bronx Boy” foi lançada antecipadamente, em 27/04/2018. Outro lançamento anterior a data de lançamento do álbum foi “”Rockin’ with the Boys”, em 09/08/2018, recebendo até um videoclipe. A última faixa a se tornar single, “Mission To Mars”, foi lançada apenas em maio de 2019, no dia 8, também com videoclipe. Nenhuma das faixas obteve maior repercussão, mas os clipes podem serem vistos abaixo:
No meu entendimento, “Spaceman” é, controvérsias mais à frente na discografia à parte, até com certa folga, o pior material como trabalho solo de Frehley. O álbum traz duas parcerias com o ex-colega de Kiss, Gene Simmons, que aliás foi quem sugeriu o título do álbum a Ace e também tocou baixo na abertura “Without You I’m Nothing”. Simmons na verdade pretendia que a outra faixa, “Your Wish Is My Command” fosse gravada pelo KISS, mas provavelmente foi contrariado pelo staff da banda (leia-se Stanley). A faixa é um pouco melhor do que a que de abertura. Simmons, volta e meia entregava algumas de suas faixas que não avançaram no KISS para parceiros como Ace e Peter Criss, por exemplo, como veremos ainda este ano no restante dos apêndices, no capítulo dedicado a Criss. Se as músicas não serviram no KISS, por que serviriam de outra forma? Fica a questão para reflexões inúmeras…

“Rockin’ with the Boys”, um dos singles, e a única música que foi ouvida nos shows da época, foi mencionado como algo rascunhado ainda antes da época do “’Music from’ The Elder”. O refrão estava pronto desde a década de 70, faltava criar o restante, até que Ace conseguiu finalmente terminá-la para “Spaceman”. As letras, que nunca foram o forte de Ace, talvez aqui neste trabalho ainda estejam mais rasas e algumas são muito piegas, até. Além disso, percebe-se mais claramente que a dicção de Frehley caminhava para uma espécie de “slow-motion” na melodia criada nas palavras, algo que vai se intensificar. O refrão deste single mostra um Ace lidando com este aspecto, mais claramente do que se percebia antes. “I Wanna Go Back” é uma releitura do single de 1984 de Billy Satellite. A versão original é um uma quase balada, um single mid-tempo clássico dos anos 80. Ace trouxe uma releitura ligeiramente mais recheada de drives, mas situou o arranjo em uma canção pop-rock dos anos 90, não compromete, mas sinceramente não acrescenta, mesmo com o arranjo bastante modificado. Pode parecer até uma provocação (mas sinceramente não é) o que eu vou atestar a seguir: um dos grandes méritos deste trabalho pouco inspirado é, por incrível que pareça, que pelo menos ele não é algo longo e cansativo. E os solos, sempre dentro do estilo de Frehley, que são bem escritos e executados podem sim ser considerados um dos pontos mais fortes do álbum. “Mission to Mars”, outro single, também não decola dentro do trabalho, é uma faixa mais acelerada que pode até considerava ligeiramente superior à média do material.
A tradicional faixa instrumental que fecha o trabalho, “Quantum Flux”, é até um dos melhores momentos do álbum, embora também não seja algo espetacular. “Spaceman” deve deixar a desejar à grande maioria dos fãs do guitarrista, apesar de uma relativa boa colocação na parada Billboard (número 49).

Não houve uma tour própria, dedicada e intitulada com o nome do álbum, mas Ace tocou em cerca de 40 shows em 2019. Uma das grandes surpresas do período é que Frehley resolveu tocar o álbum de 1978 na íntegra em um show em New Jersey, dia 09 de dezembro de 2018, como comemoração dos 40 anos de seu lançamento. O evento se deu no Hilton Hotel, em New Jersey, como parte em uma convenção realizada por fãs do KISS. Não há gravações oficiais do acontecimento, mas na internet é possível encontrar (por exemplo aqui, aqui, e aqui) algumas filmagens amadoras.
Após dezembro de 2019, nosso guitarrista se concentraria nas gravações do próximo álbum de covers, para o qual a gravadora produziu 2 videoclips, uma para “Space Truckin’”, do Deep Purple e o outro, para uma pouco esperada versão para “I’m Down”, dos Beatles. O álbum acabaria saindo apenas em setembro do outro ano, ambos os videoclips foram lançados antes do álbum, em junho e no início de setembro.
ÁLBUM: ORIGINS VOL.2

1-“Good Times Bad Times” (Led Zeppelin) – 3:22
2 -“Never in My Life” (Mountain) – 4:03
3 -“Space Truckin'” (Deep Purple) – 5:03
4 -“I’m Down” (The Beatles) – 2:57
5 -“Jumpin’ Jack Flash” (The Rolling Stones)-3:27
6 -“Politician” (Cream) – 4:27
7 – “Lola” (The Kinks) – 3:45
8 – “30 Days in The Hole” (Humble Pie)
9 – “Manic Depression” (The Jimi Hendrix Experience) – 4:01
10 – “Kicks” (Paul Revere & The Raiders) – 2:58
11 – “We Gotta Get Out of This Place” (The Animals) – 3:39
12 – “She” (KISS) – 5:25
– Lançamento: 18/09/2020
– O álbum chegou ao 81º lugar na Billboard e na 9º de rock, também da Billboard.
Uma das poucas gratas diferenças deste volume 2 para o primeiro é a inserção de uma faixa mais carregada de teclados em sua versão original. “Space Truckin’” traz bastante teclados, misturados a um peso maior que a canção apresenta. Frehley certamente trouxe a canção do Deep Purple pelo seu tema, voltado ao espaço, sempre se aludindo à sua marca maior. O vocal faz o necessário para não fazer feio aos originais de Ian Gillan, mas a comparação nem cabe. Gillan foi um dos maiores de sua geração, Ace sempre foi um guitarrista que se esforçou nos vocais. Os solos, no entanto, são bem legais, inclusive abrindo um inédito espaço nos álbuns de Frehley aos teclados, tocados por Rob Sabino. Matt Starr, que toca bateria em quase todo o álbum, tem momentos de ótimo protagonismo, aqui em “Space Truckin’”, por exemplo, mas já desde o início, com “Good Times, Bad Times”.
Outros dos destaques, também destacado para single, no meu entendimento, é a versão apimentada de “I’m Down” (The Beatles), com muito espaço para solos e carregada nos drives. Parte desse mérito vai para a exuberância de John 5, que novamente aparece como convidado especial disfarçado de fã de Frehley. John também se encarrega de ajudar Ace a tentar reproduzir algo do caos presente na versão original “Politician”, do Cream, mas a versão cover é também muito mais pesada. A amiga Lita Ford também é outra que reaparece, entregando bons vocais para o clássico “Jumpin’ Jack Flash”, dos Stones. Robin Zander, do Cheap Trick, assume os vocais de “30 Days in a Hole” do “Humble Pie”, uma música bastante regravada, aliás. A versão não acrescenta muito às inúmeras anteriores. Outro fato inusitado é a participação de Bruce Kulick, um dos que mais tempo esteve no KISS no papel de Ace, em outra canção que é muito regravada: “Manic Depression”, de Jimi Hendrix. Kulick usa e abusa do pedal wah-wah e alavancas para buscar toda a cacofonia necessária à uma boa interpretação do clássico de Hendrix e entrega um ótimo solo.
O segundo volume da série Origins é, de fato, uma continuação na acepção da palavra. E como quase toda a continuação, não tem o mesmo impacto da novidade que foi a parte inicial do projeto. Ainda assim, Ace não faz feio, de forma alguma, aliás, como era de se esperar, visto que o guitarrista quase sempre se deu muito bem nos covers. Desta vez ele apenas traz uma canção de sua época no KISS, “She”, que está no “Dressed To Kill”, mas que novamente acrescenta algo nos moldes da versão ao vivo conhecida no “Alive!”, assim como ele tentou com “Cold Gin”, no primeiro Origins.
Frehley acabou esperando o ano de 2021 para sair de novo em turnê, tocando em 28 datas, e trazendo apenas deste segundo projeto cover, “Good Times Bad Times” e “Never In My Life”, tocadas em um medley. Ace faz outros 39 shows em 2022 sem alterar o repertório básico e em 2023, em mais 39 shows, ele resolve resgatar “Emerald”, do primeiro volume do Origins, deixando as canções do segundo projeto de lado. No fim de 2023 começa a materializar o que seria seu último álbum solo, totalmente feito com canções inéditas. Para este último trabalho, Frehley se associou a Steve Brown, do Trixter, desde 2021. Brown participa ativamente de praticamente em todas as áreas da feitura do novo álbum, desde a produção à escalação de músicos, atuando ativamente nas composições e aparecendo em praticamente todos os instrumentos do álbum, em especial nas guitarras, baixos e teclados.
ÁLBUM: 10,000 VOLTS

1 – 10,000 Volts – 3:27
2 – Walkin’ On The Moon – 3:46
3 – Cosmic Heart – 3:56
4 – Cherry Medicine – 3:42
5 – Back Into My Arms Again – 3:39
6 – Fightin’ For Life – 3:23
7 – Blinded – 3:56
8 -Constantly Cute – 3:41
9 -Life Of A Stranger – 4:00
10 – Up In The Sky – 4:30
11 – Stratosphere – 3:06
– Lançamento: 23/02/2024
– O álbum chegou ao 72º lugar na Billboard e na 10º de rock, também da Billboard.
Em fevereiro de 2024, “10,000 Volts” é lançado, e o que se seguiu em paralelo à divulgação do álbum, foi algumas declarações infelizes em entrevistas com Steve Brown, que chegou a alegar, entre outras coisas, que o material de Ace no restante da carreira solo traz músicas medíocres e que ele foi responsável por a quase totalidade do projeto. Um pouco dessa polêmica pode ser ainda hoje vista no YouTube, aqui, aqui e nesta longa entrevista aqui.
Para a divulgação do álbum, Ace lançou três singles, antecipando a faixa-título como primeira escolha ainda para novembro de 2023. Os demais singles, foram lançados no mesmo mês do lançamento do álbum. Os vídeos podem ser vistos abaixo:
Independente de quão foi a participação de Steve Brown no trabalho, ele está realmente creditado nas diversas funções já descritas acima, enquanto Ace é creditado pelas guitarras, vocais, co-produção e o baixo em “Life of a Stranger”. Frehley contou com amigo de longa data Anton Fig em três canções, dividindo as demais linhas de baterias gravadas entre Joey Cassata, Jordan Cannata e Matt Starr. Um pouco das gravações do álbum, documentado em vídeo pode ser vista abaixo:
Musicalmente, há pelo menos duas controvérsias que impedem uma avaliação mais correta do último álbum de Ace. A primeira, bastante divulgada pela internet, é a de que ele pouco participa do que por fim foi registrado fonograficamente, ficando quase tudo a cargo do Steve Brown. Não há a mínima dúvida que Brown foi a força motriz deste trabalho, mas até que ponto ele fez o que em alguns comentários chega a mais de 90% do áudio ou não, nunca vamos saber. É certo que Frehley, com mais de 70 anos, tinha uma energia reduzida de trabalho, e aqui pra nós, ele nunca foi dos mais esforçados, desde a época do KISS. O outro ponto desfavorável é que sem dúvida há uso de autotune, em alguns momentos é até bem perceptível. Então, o quanto de correção artificial houve neste trabalho é o outro ponto que fica sem resposta. O vocal de Ace apresenta, mesmo com todas as correções empregadas, uma certa lentidão na dicção, em especial nas palavras que têm uma tônica com uso de L. Vou citar alguns exemplos: “Slowly”, “Loaded”, “Lonely”, “Control”, “Believe” são palavras que parecem estar sendo pronunciadas por alguém meio “bêbado”, por assim tentar exemplificar.

Além disso, há claramente algumas boas faixas que pouco trazem o DNA mais tradicional setentista do guitarrista, como “Blinded” ou “Fightin’ for Life”. Estas são faixas mais modernas do ponto de vista de arranjo, cabem no que foi feito no hard rock dos anos 90 ou ainda mais pra frente. É claramente possível entender que a participação de Steve Brown é grande pelo menos nestas faixas. Deixando esses aspectos fora de uma avaliação, considero o álbum certamente o mais consistente da carreira composicional do guitarrista, exceto pelo álbum de 78 e também o primeiro com o “Frehley’s Comet”, em 87. Talvez o que chegue perto seja o “Trouble Walkin’”, mas mesmo assim não é nada absurdo considerar “10.000 volts” em um degrau acima. Há faixas realmente muito boas no álbum, como “Cosmic Heart”, a boa releitura de “Life of a Stranger” (que originalmente é uma canção pop no estilo Madonna) e a minha favorita “Back in My Arms Again”, parceria do espacial guitarrista com Arthur Stead, recuperada de demos que foram feitas nos anos 80. As demais músicas se encontram em um nível bem aceitável, exceto talvez por uma ou outra letra, que aliás, é um ponto que nunca foi o forte de Frehley. E os singles, embora eu não morra de amores por nenhum deles, inegavelmente funcionam muito bem. Controvérsias à parte, é reconfortante ver a carreira de Ace se encerrar em um ponto alto.

Na turnê que durou 2024 e 2025, até Frehley sofrer o revés que o vitimou, duas músicas do novo álbum foram trazidas. “Cherry Medicine”, mais presente nos shows, e a faixa-título, que apenas apareceu em 25 das 70 datas. A faixa instrumental “Stratosphere” era usada em playback nas aberturas dos concertos. Nos seus últimos shows, entre 15 de agosto e 05 de setembro de 2025, Ace focou em várias canções do KISS, inclusive algumas que nem compôs, como “Deuce”, para um repertório entre 10 e 12 canções. Nestes shows, da carreira solo Frehley trouxe apenas “Rock Soldiers”, do primeiro Frehley’s Comet e “New York Groove”, do álbum de 1978. O maior clássico da carreira do KISS, “Rock’n’Roll All Nite” foi a última música que Frehley tocou em um show, em 05 de setembro de 2025.

Chegamos finalmente ao final dos capítulos dedicados à carreira solo do saudoso Ace Frehley. A discografia em formato “spin-off” pretende seguir firme durante este ano, para a análise de um bom punhado de trabalhos que os demais membros da banda fizeram fora dela.
Até um próximo spin-off, portanto!
Alexandre B-side
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