Kiss discografia 10a parte – Álbum: Ace Frehley

Nesta semana, começaremos a “dissecar “os álbuns solos lançados em 1978, iniciando com o guitarrista prateado:

Álbum: ACE FREHLEY

Os solos tem o mesmo padrão de capa, com fundo de cor específica para cada membro

Os solos têm o mesmo padrão de capa, com fundo de cor específica para cada membro

Lançamento: 18/09/1978

Produtores: Eddie Kramer & Ace Frehley

Primeiro Single: “New York Groove”

RIAA Gold Certification em  18/09/78 (Data de Lançamento)

RIAA Platinum Certification em 18/09/78 (Data de Lançamento)

Atingiu 26º lugar nas paradas americanas.

Faixas:

1- Rip It Out – 3:39 6- New York Groove – 3:01
2- Speedin’ Back To My Baby – 3:35 7- I’m In Need Of Love – 4:36
3- Snow Blind – 3:54 8- Wiped-Out – 4:10
4- Ozone – 4:41 9- Fractured Mirror – 5:25
5- What”s On Your Mind? – 3:26
A capa do Cd Remaster - O Padrão azul em todos os detalhes.

A capa do Cd Remaster - O Padrão azul em todos os detalhes.

A decisão de se fazer álbuns solos  trouxe a Ace talvez o maior desafio entre todos da banda, pois até aquele momento apenas 2 músicas haviam sido cantadas por Frehley no KISS.  Independente da repercussão positiva de Shock Me e Rocket Ride (lançadas respectivamente no Love Gun e no Alive II), ainda havia uma insegurança e dúvidas quanto a realização do álbum solo de Ace, tanto pelo próprio Frehley, como também por Paul Stanley e Gene Simmons, que não acreditavam que tal álbum fosse feito, visto a notória  falta de disciplina e abusos de drogas do guitarrista. Para lidar com tal insegurança, Ace se cerca de um ambiente agradável, trazendo o produtor com quem se sentia mais confortável, Eddie Kramer. Além disso, se isola em uma mansão em Connecticut, buscando se divertir com o trabalho. O conceito central do álbum é justamente o de um álbum solo, bem diferente dos demais integrantes do KISS, e para isso praticamente Frehley é responsável por tudo o que se ouve no disco, exceto a bateria, a cargo do excelente Anton Fig (atual baterista do programa de  Dave Letterman), e do baixo em três das nove músicas (Ozone, I’m In Need Of Love e Wiped-Out), que ficou sob a responsabilidade de Will Lee (também baixista de Letterman desde 1982). Nas outras faixas, o próprio Ace se encarregou do baixo. Outras pequenas participações referem-se a elementos de percussão e backing-vocals em uma ou outra faixa, além da bateria de Carl Tallarico em Fractured Mirror.

Apenas contando com Frehley, Anton Fig e Eddie Kramer, as faixas básicas são gravadas em Connecticut, onde testam diversos amplificadores (cerca de 30) em diversos ambientes da mansão, além do uso de diversos instrumentos da coleção de guitarras que Ace possuía, tudo para que cada música soasse de maneira adequada, mesmo que fosse necessário, por exemplo, perder um dia inteiro para que um solo de guitarra ficasse perfeito. A título de curiosidade, Ace usa uma Guild de 12 cordas em Ozone e What’s On Your Mind; utiliza uma Gibson de dois braços em Fractured Mirror, sendo um dos braços um bandolim, além de diversos outros instrumentos e amplificadores antigos, como Fenders Telecasters, Gibsons Les Paul, Vox I e Marshalls, todos das décadas de 40 e 50. Outra novidade é o uso de sintetizadores, também tocados por Frehley. Algumas músicas trazem detalhes peculiares, como o solo gravado de maneira invertida em Speedin’ Back To My Baby (uma composição em parceria de Ace com sua mulher Jeanette), que tem como tema a velocidade e traz também na gravação sons gravados de uma Ferrari no refrão, o que atrasou o álbum em uma semana. O álbum foi finalizado em New York, no Plaza Sound na 51st Street, onde gravaram os vocais, solos de guitarra, alguns overdubs, mixagem e masterização. Apesar do atraso para a inclusão da Ferrari, o álbum terminou muito antes do prazo estipulado, uma vez que os álbuns-solos precisariam ser lançados ao mesmo tempo.

Na contracapa dos albuns solo, O Padrão do Logotipo do Kiss, além da dedicatória aos outros membros da banda.

Na contracapa dos albuns solo, O Padrão do Logotipo do Kiss, além da dedicatória aos outros membros da banda.

Como consequência, o álbum de Ace Frehley é o de melhor avaliação por quase a unanidade daqueles que ouviram os 4 trabalhos. Até os próprios membros da banda gostaram do resultado, Gene e Paul avaliaram o álbum como 3/5 e Ace considera o álbum perfeito.  Peter Criss é o mais político em sua avaliação, pois avalia todos os álbuns solos com a cotação máxima, segundo ele todos foram feitos com o coração. As relações de Frehley com Will Lee e Anton Fig continuariam quase uma década depois, pois ambos estariam no seu álbum solo pós KISS de 1987. Anton Fig voltaria a trabalhar não somente com Ace, mas com todo o KISS no ano seguinte, mas deixemos isso para outro momento… o single New York Groove (curiosamente a única canção não composta por Frehley, pois se trata de uma cover de Russ Ballard) foi o único dos solos a obter alguma repercussão, tendo chegado ao 13º lugar nas paradas da Billboard, a melhor colocação dos singles do KISS desde Beth. O álbum conseguiu um respeitável 26º lugar e foi o que esteve mais tempo classificado nas paradas americanas, ficando somente, em termos de posição, abaixo do conseguido por Gene Simmons (22 º) que, aliás, é o assunto da próxima semana…

A edição do cd (remaster) resgata o poster que em composição com os outros 3 solos montam um mural.

A edição do cd (remaster) resgata o poster que em composição com os outros 3 solos montam um mural.

N.R. : Em nossa opinião, o álbum de Ace Frehley é tão bom por aliar três elementos poderosos em sua concepção:  ao mesmo tempo que traz um apuro técnico que sobressai em relação ao trabalho mais básico que o KISS fazia naquele momento (com solos de guitarrras mais longos, além do excelente trabalho de bateria de Anton Fig, inegavelmente melhor baterista que Peter Criss), não destoa completamente do hard rock que a banda fazia e traz como novidade mais músicas cantadas por Ace.

O vinil brasileiro - edição simplificada que não contem nenhum encarte.

O vinil brasileiro - edição simplificada que não contém nenhum encarte.

O resultado é um lançamento que acrescenta ao momento de exaustiva exposição do KISS na mídia e que já vinha demonstrando sinais evidentes de cansaço no público de uma forma geral.

Podemos considerar entre os 4 solos como o álbum que mantém se alinhado ao puro rock, onde não há baladas e tampouco é contaminado por excesso de participação de convidados ou pelo estilo “disco” que estava em moda na época. Como exemplo clássico do sucesso dos singles dos álbuns solos, New York Groove é a única música dentre os 4 álbuns que foi tocada em diversas turnês do KISS.  Semana que vem, o segundo capítulo entre os solos: GENE SIMMONS .

Alexandre Bside e Flavio Remote



Categories: Artistas, Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Entrevistas, Instrumentos, Kiss, Músicas, Resenhas

13 replies

  1. Salve! Confesso que nunca ouvi, pelo menos que eu saiba, nem este como nenhum dos outros 3 discos solos.

    E confesso também que vou atrás deste gap do meu conhecimento da banda: fiquei com vontade após a leitura deste post (excelente, para variar)…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Eduardo,

    O Paul e Ace valem a pena – o resto é só por curiosidade mesmo….

    Flávio

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  3. ‘New York Groove’ – ‘Top Cat’ em 3D (Hanna-Barbera, em espanhol):

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Quando eu era criança (Long time ago) o Manda Chuve era um dos meus desenhos prediletos – New York Groove é uma musica que combina sutilmente com o desenho, onde a pilantragem não é um mau exemplo, apenas sinônimo de brincadeira descompromissada, sem reais danos a terceiros.
      Considero os desenhos da Hanna Barbera excelentes para o universo ingênuo infantil. Gostaria que minha filha pudesse aprecia-los. Vamos torcer
      FR

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  4. O Ace é o que eu admiro mais no KISS.
    Consequentemente, adorei tanto (genuinamente) o álbum solo dele que acabei não reservando muito espaço para os dos outros.
    Mas vamos lá, talvez chegou a hora, pois afinal estou lendo todos os posts e escutando os respectivos discos na ordem.

    Um abraço e Rock n’ Roll para todos!

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  5. Rafael, o disco solo de Ace é sensacional, e até surpreendeu muitos no seu lançamento, inclusive Gene e Paul que não esperavam ver um trabalho tão competente. Se você vai dar mais atenção aos álbuns-solos restantes, eu sugiro o de Paul que tem maior proximidade com as características dos álbuns do KISS . Os outros dois estão longe da proposta da banda, cada um por seu aspecto particular, mas isso eu não preciso colocar por aqui ,pois tentamos esplanar nos próprios post de cada um.
    E já que você se diz um fã ardoroso do Space Ace , vai aqui uma dica :
    Dê uma checada no livro autobiográfico de Ace chamado No Regrets . Tenho lido o mesmo aos poucos ,e há excelentes passagens da carreira do guitarrista. Um porém pode ser o fato do livro estar em inglês, não sei se há lançamento do mesmo por uma editora brasileira .
    Se houver disponibilidade de sua parte, considero que você não vai se arrepender .

    Saudações e obrigado pela participação

    Alexandre

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  6. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. Comercial de rádio dos álbuns solos dos membros do Kiss, com o intuito de promovê-los simultaneamente. Vale ressaltar que esta ação de marketing foi apenas uma para os US$ 2.5 milhões com publicidade para os 4 discos. Algumas partes do áudio também foram usadas para TV. O spot de rádio foi gravado e editado por Rob Freeman que, juntamente com a produção de Eddie Kramer, gravaram e mixaram o álbum solo de Ace Frehley.

    Fonte / mais informações, inclusive uma foto dos murais e uma entrevista com o artista David Edward Byrd: http://www.bravewords.com/news/208049

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. O comercial já me era familiar, mas o grande barato dessa época era entender que nada mais ficava tão barato pro KISS. Assim, entendo que o ” monstro ” foi tomando proporções além do tolerável, e o gasto com marketing e demais estrategias ficava cada vez mais difícil de ser coberto.
    Daí para frente , o que se viu foi uma curva descendente, que demorou muito a ser contornada..

    Alexandre Bside

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    • B-Side, imaginar esse dinheiro hoje em dia já é uma cifra de se surpreender… naquela época então, quando “UM MILHÃO DE DÓLARES” era o grande chavão para tudo, é quase impensável mesmo… o estrago foi grande e refletiu diretamente no que vimos da banda, como muito bem exposto na minha discografia predileta do blog.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  9. Boa entrevista com Ace inclusive contando com o episódio dele ter sido “roadie” por um dia para a banda de Jimi Hendrix (um pouco depois da metade do vídeo):

    Mais: http://www.blabbermouth.net/news/how-ace-frehley-ended-up-being-jimi-hendrixs-roadie-for-one-day-video/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blabbermouth+%28Blabbermouth.net%27s+Daily+Headlines%29

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

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