Discografia Iron Maiden – Episódio 1: os primeiros anos (1975-1979)

Episódio I: Os primeiros anos (1975-1979)

“O caminho para o sucesso não é uma linha reta”

Nasceu ao final de 1975, inspirado em um instrumento de tortura medieval mencionado no filme The Man In The Iron Mask, de 1939; e, até o momento da criação desse documento, continua lotando estádios mundo afora, venerados dentro do universo dos Deuses do Heavy Metal e escrevendo seu nome na história da música com letras maiúsculas.

Há mais de 40 anos atrás, o Iron Maiden, sempre liderado com braço de ferro pelo líder e baixista Steve Harris, iniciava sua jornada dando as caras pelos pubs ingleses e passando por diversas mudanças de formação.

Iniciaremos o honroso trabalho de apresentar a discografia da banda, começando com a ousadia (porque talvez só Steve Harris saiba toda a verdade em meio a tudo o que já foi divulgado) em apresentar ao leitor as mais diversas metamorfoses que o Iron Maiden teve até chegar em seu primeiro contrato com uma gravadora profissional.

As raízes do Iron Maiden

Nasceu na cidade de Leytonstone, em 12 de Março de 1956. Stephen Percy Harris queria ser baterista. E, graças a Deus, isso não aconteceu! O quarto de sua casa era pequeno e não tinha como ele colocar um kit completo lá dentro; então, Steve (como era conhecido) tratou de escolher o baixo como o instrumento que aprenderia, pois ele era o mais próximo que “conversava” ritmicamente com a bateria. Autoditata, aprendeu sozinho, aos seus 17 anos, a tocar seu primeiro instrumento (um baixo modelo Fender Precision), comprado à época pela quantia de 40 libras.

Em 1972, Steve formou, junto ao seu amigo Dave Smith, sua primeira banda, Influence, que logo mudou seu nome para Gypsy’s Kiss. Começaram tocando em um pub muito frenquentado pelas bandas locais: Cart & Horses. Hoje esse ponto é uma atração turística, recebendo inclusive o Rolf e o Eduardo, que você pode conferir aqui e aqui.

Além de Steve, a banda era formada pelo vocalista Bob Verschoyle, o baterista Paul Sears e os guitarristas Dave Smith e Tim Wotsit. Foi nessa época que músicas da donzela como Innocent Exile e Drifter começaram a ser escritas pelo baixista.

Um dos show do Gypsy’s Kiss foi realizado na igreja de St. Nicholas, na cidade de Poplar, Londres, em um evento organizado por Dave Beazey, que futuramente trabalharia para o Iron Maiden como Dave Lights, o responsável pelas luzes e efeitos especiais. A banda chegou a fazer cerca de sete apresentações e, em seguida, Steve resolveu sair por diferenças musicais.

1974-gypsyskiss

1972-1973 – Gypsy’s Kiss – O guitarrista Tim Wotsit não aparece na foto

Algum tempo depois da separação, Steve fez um teste para entrar na banda Smiler, fundada pelo baterista Doug Sampson (e que tinha também Dennis Wilcock nos vocais e Mick Clee e Tone Clee nas guitarras). Foi nessa época que Steve iniciou as composições de Transylvania e Burning Ambition.

Steve estava passando por um processo de composição muito criativo e apresentava composições aos membros da banda; porém nem conseguiam tocar, pois achavam o grau de execução um pouco elevado para seus níveis técnicos.

Steve não demorou muito tempo para tabém deixar o Smiler. A banda estava mais interessada em um som mais focado no R&B – Rhythm & Blues – enquanto que Steve, além de não conseguir que suas composições fossem executadas, queria colocar suas influências do rock progressivo. A única maneira de conseguir isso era sendo o chefe, e ele não demorou em formar sua própria banda.

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1974-1975 – Smiler – Esq. para Dir.: Mike Clee, Doug Sampson, Dennis Wilcock, Steve Harris e Tony Clee

Do nascimento do Iron Maiden e suas metamorfoses ao contrato com a EMI

As primeiras tentativas em formar uma banda envolveram tantas músicas que talvez nem o próprio Steve consiga mencioná-los, quiçá criar uma ordem cronológica de chegada e saída. Os ensaios eram feitos na maioria das vezes na casa do baixista. Em Dezembro de 1975, uma formação mais fixa da banda contava com Paul Day nos vocais, Ron “Rebel” Matthews na bateria, Dave Sullivan e Terry Rance nas guitarras e o próprio Steve Harris no baixo. Essa formação pouco tempo depois, foi batizada de Iron Maiden (Donzela de Ferro) – um instrumento de tortura medieval que se encontrava no filme O Homem da Máscara de Ferro.

À esquerda, o cartaz do filme de 1939 e, ao lado, a Donzela de Ferro

O primeiro show do Iron Maiden também foi no Cart & Horses. Com o passar dos meses, Steve não estava satisfeito com a presença de palco do frontman da banda (que aos seus 19 anos não tinha experiência suficiente). Logo, Paul Day foi substituído por Dennis Wilcock, que havia tocado com Steve no Smiler.

1975 - Iron Maiden initial Line-up.jpg

Dez/1975 a Jul/1976 – Esq. para Dir.: Terry Rance, Ron Matthews, Paul Day, Dave Sullivan e Steve Harris

Com dois meses na banda, Wilcock apresentou à Steve um amigo guitarrista que tinha um jeito de tocar um pouco diferenciado: David Michael Murray. Mesmo já tendo dois guitarristas, Dave Murray foi convidado a se juntar ao Iron Maiden (e você, caro leitor, realmente achava que a primeira formação de três guitarras do Maiden foi em 2001?!).

Não precisou muito tempo para que atritos com os guitarristas Terry Rance e Dave Sullivan iniciassem e Dave Murray precisou ser desligado cerca de um mês depois (sendo, então, convidado por seu amigo, Adrian Frederik Smith, a se juntar à sua banda, o Urchin).

A importância de Dennis Wilcock para certas composições do Iron Maiden é ímpar (não só pelo fato de ele ter feito Dave Murray cruzar os caminhos de Steve Harris). Dennis era muito fã de Kiss e Alice Cooper – ele adorava as performances teatrais de seus ídolos e ele levava para os shows do Maiden tais efeitos especiais, como sangue, pirotecnia e até pintura facial.

A música Iron Maiden, composta por Steve Harris durante essa época, tem sua letra calcada nas apresentações de Wilcock, que em certo momento pegava uma espada e começava a fazer com que sangue fosse jorrado de sua boca até cair por todo seu corpo (excerto de Iron Maiden: “… I just want to see your blood, I just want to stand and stare. See the blood begin to flow, as it falls upon the floor …”). Além disso, o vocalista usava uma máscara nos shows no momento de cantar Prowler, e tal máscara e suas encenações acabaram inspirando a criação do famoso mascote: Eddie (que inicialmente foi batizado de Eddie, the Head).

1976-dennis-willcock_performing

Dennis Wilcock – performances que influenciaram Steve na composição da música Iron Maiden

Durante a segunda mentade de 1976, Steve Harris realiza duas novas trocas no Iron Maiden. Os guitarristas Terry Rance e Dave Sullivan são trocados por Dave Murray (que voltaria ao Maiden após dois meses de seu primeiro desligamento) e por Bob Sawyer. Steve não deixava que as transformações da banda afetassem suas composições. Músicas como Wrathchild e Drifter começaram a ser compostas nesse período.

1976-ironmaiden-dennis-wilcock

Set/1976 a Dez/1976 – Esq. Para dir.: Dave Murray, Dennis Wilcock, Steve Harris, Bob Sawyer e Ron Rebel

Poucos meses após o novo lineup estar formado, novos problemas surgiriam. Dennis Wilcock, apesar de suas performances de palco muito enérgicas, sempre causava polêmicas nos bastidores. Alguns atritos entre ele e os guitarristas começaram. Como Steve não estava disposto a ir atrás de um novo vocalista, ele acabou ficando do lado de Wilcock e os dois músicos acabaram sendo dispensados: Bob Sawyer sai pouco antes do final de 1976 e Dave Murray é dispensado em Dezembro/76.

Em Janeiro de 1977, para o posto de uma das vagas na guitarra, foi contratado Terry Wapram, um músico ágil e que possuía muita criatividade com riffs. Ele auxiliou Steve em muitos trechos de composições como em Phantom Of The Opera. Pouco após a chegada de Terry, Ron Rebel Matthews também é desligado da banda, também por influências de Wilcock. Sem um baterista e com a segunda guitarra em falta, menos de um mês depois, os postos faltantes são completados por Barry Graham, na bateria e Tony Moore nos… teclados.

Sim, teclados! Steve Harris teve a ideia de contratar um tecladista para preencher o vazio de uma segunda guitarra. Tony Moore permaneceu o tempo de uma única apresentação com o Iron Maiden e logo deixou a banda – era evidente que seu instrumento não se encaixava no tipo de som proposto pela banda.

1977 - Iron Maiden com Tecladista_2 - Tony Moore, Willcok, Harris, Barry Graham e Terry Wapram_2.jpg

Início de 1977 – Esq. para dir.: Barry Graham, Terry Wapram, Tony Moore, Steve Harris e Dennis Wilcock. Dentre todas as fotos disponíveis, precisei relacionar essa para a formação com o tecladista.

Durante o primeiro semestre de 1977, o Iron Maiden permaneceu como quarteto. Muitas composições do que viria a ser o primeiro álbum da banda foram trabalhadas nesse período. Mas as mudanças não pararam por ai: Terry Wapram também deixa a banda. Steve estava a procura de um segundo guitarrista e isso não agradou Terry, que queria prosseguir sendo o único guitarrista. Obviamente Steve precisou desligá-lo, visto que uma única guitarra não era mais opção, chamando novamente Dave Murray para o posto.

Meses depois, Barry Graham, que também era conhecido como Thunderstick, deixa o quarteto (e que, em breve, iria compor o lineup de uma banda chamada Samson, entrando no lugar de Clive Burr, baterista na época. Essa mesma banda, em 1979, teria como vocalista um tal de Bruce Dickinson – mas isso deixemos para mais tarde). Além de Barry, Dennis Wilcock se demite, alegando não aguentar mais o fardo de vocalista do Maiden.

Organograma parcial.JPG

Do Gypsy’s Kiss até metade de 1977: visualizando a espinha dorsal do Iron Maiden e suas ramificações

Em Julho de 1977, quis o destino que Steve Harris novamente encontra-se com Doug Sampson, o baterista que tocou com ele na banda Smiler. Doug estava desempregado e topou se juntar à donzela de ferro. O trio Harris / Murray / Sampson procurava por um novo vocalista. Foi quando Paul Andrews, também conhecido como Paul Di’Anno, por intermédio de Doug Sampon, entraria como o novo frontman.

Paul Di’Anno não era um vocalista de Heavy Metal. Sua voz rouca, assim como seu estilo de agir e vestir, eram muito mais voltados para o Punk Rock. Após ser convidado para se juntar ao Maiden, Di’Anno relutou um pouco, devido sua maior devoção ao punk, mas acabou aceitando. A mistura agradou aos membros da banda durante os ensaios e shows. Uma cerne mais sólida da banda era criada.

1978 - Quarteto com Doug Sampson.jpg

Abr/1978 a Ago/1978 – Esq. para dir.: Dave Murray, Paul Di’anno, Steve Harris e Doug Sampson

Foi durante 1978, durante as apresentações do quarteto, que o então desconhecido mascote do Iron Maiden seria criado. A máscara que era usada por Dennis Wilcock foi acoplada junto ao logo da banda, que ficava atrás da bateria durante as performances ao vivo. Inicialmente a máscara jorrava sangue pela boca e logo em seguida, com um logo mais elaborado, a máscara soltava fumaça. Nascia, ali, Eddie, the Head, cujo nome foi baseado em uma piada (que inicialmente eu pensei em traduzi-la aqui, mas que você vai ganhar em entretenimento ouvindo-a na voz de um dos bateristas mais lunáticos desse planeta, em um especial gravado para o The First Ten Years, que vamos mencionar futuramente):

Eddie the Head - 1978.jpg

1978: A segunda versão de Eddie, the Head, que soltava fumaça pela boca

Listening with Nicko – Part I: a partir de 6:55, você pode ouvir a piada que batizou o mascote da banda

Enquanto quarteto, muitas linhas da segunda guitarra eram feitas no baixo. A procura por um segundo guitarrista continuava. Durante o ano que se seguiria, três formações oficiais existiriam com três novos músicos. O primeiro deles foi Paul Cairns, que entrara ao final daquele ano, partipando da primeira gravação profissional do Iron Maiden, o que viria a se tornar o EP The Soundhouse Tapes.

Em 1978, Dennis Wilcock, após deixar os vocais do Iron Maiden, se juntou a uma banda chamada V1, que gravou uma demo no Spaceward Studios. Steve teve acesso à demo e ficou impressionado com a qualidade da gravação. Como ele já queria gravar algumas de suas músicas para divulgação, mas não tinha dinheiro para pagar por um estúdio, ele conseguiu negociar o mesmo Spaceward Studios, em Crambridge, durante o dia 31 de Dezembro de 1978 (durante a virada de ano, pois o desconto no uso do estúdio era maior). Quatro músicas foram gravadas naquela noite: Iron Maiden, Invasion, Prowler e Strange World.

Os créditos do EP ficaram com o quarteto Harris / Di’Anno / Murray / Sampson. Não sabemos os reais motivos que levaram Cairs a não receber os créditos (talvez, como ele seria lançado no final de 1979 e Cairs não estaria mais na banda, até faz sentido não mencioná-lo) ou não ser citado em fontes oficiais. Como a intenção aqui não é criar discórdia, você, amigo leitor, pode ler algo bem interessante sobre esse tema clicando bem aqui para ver o próprio Cairs acessando e comentando no Minuto HM.

1979 - 3 meses com Paul Cairns.jpg

Dez/1978 a Abr/1979 – Esq. para dir.: Dave Murray, Paul Di’Anno, Paul Carns, Steve Harris e Doug Sampson

Steve recebeu a fita QIC (Quarter-Inch Cartridge) do áudio gravado, mas o estúdio apagou as gravações originais, pois para guardar o material era necessário um adicional financeiro que a banda não tinha (o grupo ficou um tempo em Cambridge para conseguir o dinheiro, mas quando voltou ao estúdio com a grana em mãos, já tinham apagado as gravações). A fita, então, seria o único material que Steve tinha à epoca para divulgar a banda.

Com Paul Carns deixando a banda em Abril/1979, o quarteto seguiu com apresentações e divulgações que conseguiam com sua demo. Em 08 de Maio, o Maiden, juntamente com a banda Angel Witch, abre um show para o Samson no Music Machine, em Camden, Londres. A revista local Sounds faz uma resenha da apresentação das três bandas e, do meio do texto, é utilizado o termo “The New Wave of British Heavy Metal”. Foi a primeira vez que o termo descrevendo o novo gênero musical foi usado (convenhamos que a utlização do termo foi usada muito mais para refinar o texto do que para criar um rótulo, mas o batismo do gênero acabou acontecendo, mesmo que não fosse a intenção).

Entre os pubs e DJs que Steve fazia a publicidade do Iron Maiden, a demo caiu na mão do empresário Rod Smallwood. Ele acabou se tornando o empresário da banda e, junto com seu parceiro, Andy Taylor, começaram a promover shows do Maiden e a administrar o grupo de maneira que o trabalho fosse algo sério e que pudesse ter uma relação duradoura. Rod continua com a banda até hoje, e é conhecido pelo carinhoso apelido de “The Boss”.

Em paralelo aos importantes acontecimentos de 1979, a “caçada” por um segundo guitarrista ainda continuava. Vamos registrar aqui a passagem de Paul Todd, simplesmente pelo feito do cara ter conseguido: I. ter durado duas semanas na formação do Maiden, sendo demitido após não comparecer aos ensaios, visto que sua namorada não aprovava sua permanência na banda e II. uma foto oficial com o Iron Maiden nesse tempo.

1979 - Após Carns, com Paul Todd.jpg

Algum momento entre Maio e Agosto de 1979: a formação com Paul Todd (que está mais à direita)

Em Agosto de 1979, o guitarrista Tony Parsons também tem sua passagem pela banda. Ele foi aprovado por Steve após comparecer a uma audição que foi anunciada nos jornais locais. Dois meses depois, em Outubro, o grupo participou da gravação das músicas Sanctuary e Whathchild, que seriam futuramente utilizadas na coletânea Metal For Muthas, a ser lançada em 1980. Parsons foi demitido por Rod Smallwood em Novembro de 1979, no dia de seu aniversário, com o argumento de que não era técnico o suficiente para acompanhar Dave Murray.

Anuncio no jornal.jpg

Agosto de 1979: o anuncio que levou Tony Parsons a conseguir um emprego com a Donzela

1979 - Após Paul Todd, com Tony Parsons_2.jpg

Ago/1979 a Nov/1979 – Esq. para dir.: Doug Sampson, Paul Di’Anno, Tony Parsons, Dave Murray e Steve Harris

Foi também durante o final de 1979 que Rod Smallwood convenceu Steve Harris a gravar a demo que eles possuiam. E foi assim que as músicas Iron Maiden, Invasion e Prowler, gravadas no Spaceward Studios na virada de 1978 para 1979, foram reproduzidas em 5000 unidades (em vinil de 7 polegadas), criando o então The Soundhouse Tapes. O EP tinha três das quatro faixas gravadas: Strange World foi descartada, devido à qualidade da gravação. A ideia de Rod era vender os vinis durante os shows da banda. Outras tiragens não ocorreram, o que torna a raridade do disco única.

1979 – The Soundhouse Tapes

Em Dezembro, três acontecimentos fecham o turbilhão que fora o ano de 1979. Para a posição de segundo guitarrista, foi contratado Dennis Stratton. Existem rumores de que Dennis só conseguiu a vaga porque um amigo de Dave Murray, Adrian Frederick Smith, não queria largar a banda em que estava no momento, o Urchin.

Doug Sampson deixa o posto de baterista, alegando problemas de saúde. Como o ritmo da banda não poderia parar naquele momento, Steve decide não esperar pelo tratamento e recuperação de Doug, saindo a busca de um novo baterista. Ele chama novamente Barry “Thunderstick” Graham, que tocara anteriomente com o grupo, mas ele recusa o convite, devido ao seu bom momento na banda Sansom. O posto fica, portanto, com Clive Burr, que era o baterista do Samson antes de Barry, e que veio como indicação de Dennis Stratton.

E assim, o Iron Maiden fechava a última formação de 1979, a primeira que iniciaria uma jornada para o que seria seu primeiro disco, após a assinatura com uma gravadora profissional. A EMI (Electric and Musical Industries Ltd) estava na dúvida entre Iron Maiden e Def Leppard para um contrato profissional, mas, após assistirem performances ao vivo do Maiden, além dos trabalhos de Rod Smallwood nos bastidores, a gravadora anunciou oficialmente a contratação do Iron Maiden em 15 de Dezembro de 1979. Era só o começo…

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Dez/1979 a Out/1980 – Esq. para dir.: Clive Burr, Dave Murray, Paul Di’Anno, Steve Harris e Dennis Stratton

Banda de 1978 ate 1980.png

De 1977 a 1980: visualizando a espinha dorsal do Iron Maiden e suas ramificações

Kelsei Biral

Contribuiu: Eduardo [dutecnic]



Categories: Alice Cooper, Artistas, Curiosidades, Discografias, Instrumentos, Iron Maiden, Kiss, Músicas, Resenhas

11 replies

  1. Não conseguiria expressar o meu agradecimento ao Kelsei por iniciar essa discografia.
    O blog realmente esta cada vez se superando. Esse início foi arrematador. Saiu do convencional, e, ao menos pra mim, o aprendizado continua. Detalhamento e quase um didatismo no texto. Primoroso. Parabéns pela coragem e pela confiança de iniciar algo tão importante pra todos nós, Kelsei.
    Um grande abraço a todos
    Vamos em frente e esperar pelos demais capítulos

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  2. Caracas que discografia sensacional !!! Parabéns Kelsei !!!

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  3. O Iron Maiden pra mim se resume em apenas um nome: BRUCE DICKINSON.

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  4. Recebi a atualização através do alerta por e-mail e devorei o texto em segundos… Já li diferentes versões da biografia de todas as fases da Donzela, mas é impressionante como sempre aprendemos um detalhe a mais, aqui ou ali, a cada novo texto. E gostei muito do estilo Kelsei – mal posso esperar pela continuação da história. Parabéns!

    OBS1: WTF, onde eu estava que não tinha visto esse post com o comentário do Paul Cairns????

    OBS2: Steve Harris, Nicko McBrain e Ozzy Osbourne têm os sotaques mais difíceis de compreender da história do metal! 😀

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  5. Kelsei, sensacional !

    Demorei a comentar por que queria dar o devido e merecido tempo a essa maravilha. E eu já aprendi um monte de coisa por aqui. A história do Harris em trocar a batera pelo baixo ( graças a deus ou ao patrãozinho, tanto faz…), o fato dele já começar no baixo com um modelo Fender Precision ( que ele usaria praticamente sempre depois disso), a origem antiga das (ótimas) faixas Drifter e Innocent Exile, a história da primeira formação com 3 guitarristas na história a Donzela, outras origens de diversas outras músicas, a história por trás da máscara da Eddie e o antigo vocalista, a questão envolvendo as linhas de Phantom of the Opera, bastaram poucos parágrafos , que maravilha….

    Como eu devorei rápido o texto, passeando pelas ínumeras formações da banda….

    E ficaram duas questões para reflexão:

    1) O Iron inicialmente não seguiu com a formação tendo um tecladista e hoje vemos como o instrumento tornou-se importante na banda.

    2)Alguém conseguiu ouvir ou ter a versão de Strange World que acabou não indo para a primeiro demo registrada fonograficamente? Seria possível resgatar isso ?

    Kelsei, antes de tudo, muito obrigado, parabéns pela coragem e o mais importante: Quando vem a próxima etapa ?

    Saudações,

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    • Eu ainda devo um merecido comentário a este grande trabalho do Kelsei por aqui, mas já tentando falar do ponto 2 do B-Side… eu já havia buscado esse assunto e acabo sempre caindo na versão abaixo, me parece ser a dita-cuja:

      Obs.: eu acho sensacional esta versão crua da banda, ainda que tenha sim problemas de qualidade e parece que até de execução no início…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. B-Side, para o ponto 1 tem uma questão bem interessante: naquela época o Wilcock fazia muita a cabeça do Steve. Eu não duvidaria que a ideia do tecladista partiu dele, mas não há fontes oficiais sobre isso. Além disso, o papel do teclado na primeira formação era que o instrumento substituísse uma das guitarras e, bem mais pra frente, o Steve decidiu usar o instrumento para preenchimento do som.

    Com relação ao próximo capítulo, está em desenvolvimento! Mas sem data ainda! Se eu solto tudo de uma vez, perde a graça kkkkk

    Liked by 1 person

  7. Parabéns Kelsei!!! Muito boa essa tão rica história de uma das mais amadas bandas de rock de todos os tempos!!
    Apesar de fã de longa data da banda não tinha conhecimento tão aprofundado dessa trajetória inicial. Não fazia ideia que a dança das cadeiras tinha sido tão frequente. Muito legal mesmo você ter trazido tantos detalhes!!!
    Valeu!
    Claudio

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  8. Não há como começar aqui a falar sem primeiramente prestar as devidas reverências ao Kelsei por: (a) ter tido a coragem de embarcar nesta verdadeira aventura que será contar a história do Iron Maiden e (b) a qualidade já deste primeiro post, um verdadeiro compilado de informações mais perto do que podemos chegar da precisão, com uma excelente capacidade de síntese deste mais que doido início de trajetória.

    A informação do post que precisa estar, está. Quero então comentar desde já que é desde este momento que, apesar de hoje ser “fácil” entender, nasce uma admiração total pelo Steve Harris que, até hoje, mantém valores, objetivos e princípios muito claros. A perseverança, a insistência, o foco para o que ele realmente queria criar já é abundantemente óbvio nesse mais que tumultuado início. Na “cauda” do sucesso que o trio Sabbath-Purple-Zeppelin vinha fazendo, não esqueçamos ainda do Kiss e todo seu desenvolvimento teatral também, além de estar lançando discos após discos, antes efetivamente da tal NWoBHM efetivamente virar um “movimento”, a ascensão do punk rock e a pressão de todos os lados, Steve tinha sim uma visão específica. Podemos debater eternamente ao nível de influência que esta visão tinha – coisas que já existiam em bandas e artistas admirados pelo – graças a Deus baixista e não baterista – Steve. Mas para mim, de toda a riqueza que o post tem em detalhes, minha interpretação mais importante para literalmente asfaltar o caminho foi a adequada rigidez de Steve rumo ao seu objetivo como dono de algo. Isso não é nada fácil, ainda mais sendo jovem e se tratando de algo criativo, e não um trabalho onde você entra as 9h00 e sai as 18h00.

    Poder ver o Kelsei já linkando tão corretamente muito do que esse blog já trouxe desta fase da banda – ou correlatos – os posts do Cart & Horses, o encontro de Paul Cairns com o Minuto HM (que momento foi isso para este espaço, para mim)… rever a “family tree” da banda, especialmente deste início longe do “reglógio Iron Maiden” que a banda se tornou especialmente depois dos anos 2000… eu queria aproveitar para deixar mais 2 links:

    Ruskin Arms, local que a banda também frequentou e muito em seu início de trajetória, além do bônus do estádio do West Ham, a segunda (?) paixão do lateral direito Steve Harris: https://minutohm.com/2016/01/03/minuto-hm-em-londres-the-ruskin-arms-e-boleyn-ground-west-ham-united/

    Eddie’s Archive, primeira edição, que já traria a tal árvore da família Maiden: https://minutohm.com/2012/07/17/eddies-archive-1st-edition/

    Também há de se destacar uma verdeira “fidelidade” que Dave Murray passaria a ter com Steve. Mesmo com sua breve e questionável “saída” da banda, seu retorno para nunca mais deixar de ser parceiro de Harris é parte fundamental da sonoridade que se buscava e tem importância fundamental para o que viria. Dennis Wilcock entregou “de bandeja” a Steve ideias sobre a energia que a banda passaria especialmente ao vivo. Toda a questão do Eddie The Head nasceria ali, e mal tinha-se em conta o tamanho e a relevância que Eddie teria para a banda. A tal “piada” do chapéu é a única que lembro em inglês sempre que estou com um gringo para contar, e o faço até hoje. Pior que muitos vezes, dão risada ainda.

    E Paul Di’Anno… dono de uma personalidade forte, ainda mais à época. Steve dependia sim desse cara, diria que nesta época mais que Di’Anno de Steve e o Iron Maiden. Contar com a voz de Di’Anno era um luxo à época, pelo simples fato das opções que tinha Steve até então.

    E agora vamos a outra personalidade de visão e igualmente responsável pelo sucesso que a banda viria a ter: Rod Smallwood. O “The Boss” é o cara que apostou no brilho dos olhos (https://minutohm.com/2016/11/11/operacao-padrao-versus-brilho-nos-olhos-entendamos-para-valorizar-mais-o-que-e-merecido/) de Steve. Ter o nome da EMI tão cedo foi o incentivo que levaria a banda aos patamares que nesta fase da banda e nestes anos, era o sonho de qualquer um. A parceria Rod-Steve é um dos maiores exemplos de entrosamento e sucesso da história do heavy metal, arrisco dizer da música.

    Bom, Kelsei, ficamos aqui na expectativa pelo segundo post, take your time… muito obrigado.

    Vou tentar lembrar de terminar meus comentários na discografia sempre desta forma, algo que tenho desde muito moleque da seguinte forma:

    Up The Irons! Maiden rulezzzzz!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

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