Em 24 de setembro deste ano será lançado o álbum entitulado “Dream Theater”. John Petruci se diz muito empolgado com este lançamento e afirma que a cada álbum a banda vê uma oportunidade de recomeçar e de tentar coisas novas, melhorar outros pontos, enfim se mostrou ansioso por todos poderem escutar as novas músicas.
Este será o primeiro álbum onde o novo baterista, Mike Mangini, que aliás é excelente e já se incorporou à banda, participou desde o início, dando sua própria contribuição às composições e arranjos. No álbum anterior ele havia acabado de ser escolhido, conforme um processo de audiências já divulgado aqui anteriormente, e participou somente na execução do que já havia sido criado pelos outros componentes da banda.
Estamos todos ansiosos por mais este álbum desta lendária banda. Que venha logo o dia 24 de setembro!
A banda também anunciou que em breve divulgará a world tour para este novo trabalho! Com certeza estarão por aqui novamente! É esperar e guardar dinheiro para o show!!
Vou aproveitar este post e também dar uma notícia que na semana passada deixou todos os fãs do Dream Theater chateados. A banda havia anunciado o lançamento de seus shows na Argentina, “Dream Theater Live at Luna Park”, para o mês de maio, entretanto na última semana de maio publicou que infelizmente, devido ao grande número de vídeos e à qualidade que quer neste lançamento, teve que adiar a data para novembro. Os fãs terão que aguardar por mais seis meses, mas o que mais me intriga é que a data é após o lançamento do novo álbum, o que pode tirar um pouco do brilho de ambos!
Foi no dia 16/maio/2010 que Dio nos deixou. A dor naquele momento foi grande, ainda mais por ter sido algo inesperado. Dio estava na luta contra o câncer e, apesar de não termos notícias concretas de que efetivamente estava melhorando, não tínhamos até então uma sinalização real que ele poderia falecer. Depois desta data e de conversas que tivemos para, de alguma forma, procurarmos um pouco de consolo, surgiu até a ideia de fazermos mais papos e gravarmos (o que acabou virando nossos podcasts). O Minuto HM (como blog) tinha um pouco mais de 1 ano de vida e, assim, registrou tudo que aconteceu desde então.
Mais de 2 anos se passaram (com 51 pesquisas realizadas) e chegamos ao final das últimas etapas inicialmente programadas, fechando com o Tournado Box Set, o The Dio Years e, claro, o álbum que marcou o retorno de uma formação histórica do Black Sabbath, atendendo pelo nome de Heaven & Hell (devido ao processo de Ozzy x Iommi pelo nome do Black Sabbath) e entregando o último trabalho de estúdio de Dio com Iommi, Butler e Appice, o The Devil You Know. Mas logo teremos a resenha que trará muito disso tudo.
Então, voltando às pesquisas, cada etapa durou pelo menos duas semanas (“pelo menos” pois as vezes tínhamos empates e deixávamos tais pesquisas no ar por mais um tempo até termos o desempate) e, dentro de algumas fases muito sofridas, outras menos (e, sejamos sinceros, algumas bem menos), tivemos alguns resultados esperados, mas muitos inesperados! Então vamos conferir os últimos das 4 pesquisas mais recentes…
A primeira etapa traria, então, as 14 músicas desta época, para que se eliminassem 4 delas. A principal desta etapa era ver se alguma das 4 faixas menos conhecidas, ou seja, as do The Dio Years e do Tournado Box Set resistiriam frente ao ótimo tracklist do The Devil You Know. E o resultado final mostrou que apenas uma acabaria caindo, já mostrando que elas tinha força e qualidade para uma briga com as faixas mais fortes.
Assim, apesar de parecer simples eliminar 4 das 14 músicas disponíveis, o sofrimento observado principalmente até o Dehumanizer voltou, e como voltou!
Esta fase foi especialmente difícil por reunir ótimas músicas, ainda que talvez não no nível dos 3 álbuns anteriores de Dio no Sabbath, mas sem dúvidas a nova reunião de Dio com os 3 companheiros novamente proporcionou que seu talento fosse melhor explorado – afinal, ficou claro nesta discografia do blog de como o baixinho de grande voz rendeu muito mais quando acompanhando, principalmente, de um grande guitarrista.
No início da votação, vimos apenas 1 música ser muito votada, dando claros sinais que seria a primeira que cairia, a qual eu concordo como a mais fraca mesmo da turma: Double The Pain. Ela acabaria empatando, no final, com Electra, música mais desconhecida, porém de qualidade superior. Somadas, as duas puxaram as primeiras posições com 26% dos votos.
Eating The Cannibals e Neverwhere também se desprenderam do bloco das músicas intermediárias e, com Rock & Roll Angel e The Turn Of The Screw, disputavam as duas vagas restantes da degola. Correndo por fora, Ear In The Wall. Mas, no final, as duas primeiras mencionadas saíram com 22% dos votos e a vantagem mínima de votos para suas concorrentes.
Mas o maior destaque desta etapa era mesmo observar a briga das menos votadas: 5 delas ficaram unânimes por bastante tempo, todas elas do The Devil You Know: as 3 primeiras faixas, Follow The Tears e Breaking Into Heaven. Ao final, todas receberam poucos votos, mas Bible Black, de maneira inédita, conseguiu a tão esperada unanimidade. Sim, nem nomes como Stargazer, Heaven and Hell ou Holy Diver conseguiram o que a terceira música do disco conseguiu!
Breaking Into Heaven, Follow The Tears, Fear e Atom & Evil deixavam claro que a disputa seria mesmo com elas – todas juntas somaram apenas 6 votos, ou 8% do total. E Atom & Evil, aos mais antigos do blog, trazia na bagagem sua vitória em pesquisa anterior do blog.
Obs.: cliquem aqui para ver esta etapa e os comentários que fizemos durante a votação dela.
A segunda etapa, para variar, trouxe algumas surpresas com seu escopo diminuto: as 3 faixas do The Dio Years, que resistiram na primeira etapa, agora começaram a ser incomodadas. Entretanto, apenas uma delas caiu: Ear In The Wall, com 16% dos votos. The Turn Of The Screw, até mesmo uma incógnita em como resistiu à primeira etapa, dessa vez foi degolada com 19% dos votos, tendo uma liderança absoluta e, digamos, de “ponta-a-ponta”.
Na disputa das menos votadas, novamente Bible Black era o destaque, resistindo por alguns dias até receber seu primeiro e único voto do período e determinando, dessa forma, seu favoritismo absoluto. Atom & Evil, sua rival, perdeu no embate pela diferença mínima de votos para The Devil Cried, do The Dio Years, e empatou com Shadow Of The Wind, do Dio Years, e suas colegas Follow The Tears e Fear.
O cenário era mesmo disputado voto-a-voto, sendo que a diferença entre a última desclassificada (Breaking Into Heaven perderia um pouco espaço e já deixaria a votação) e o bloco das 4 classificadas era novamente determinado por apenas um voto, mostrando a uniformidade e força geral das músicas…
Obs.: cliquem aqui para ver esta etapa e os comentários que fizemos durante a votação dela.
A penúltima etapa novamente eliminaria quatro músicas para termos a final. Os primeiros dias de votação, apesar do equilíbrio geral, já indicavam que a dupla Atom & Evil e Bible Black permaneceriam com o rótulo de favoritas, mesmo ambas recebendo um voto cada logo no início da etapa. Assim, o álbum de inéditas The Devil You Know conseguiria colocar duas para a final, como se esperava no início. Apenas Shadow Of The Wind conseguiria, ainda que recebendo o dobro de votos da faixa de abertura do álbum do Heaven & Hell, incomodar no começo, mas perdendo força ao final.
A grande surpresa da etapa foi o número de votos para Follow The Tears, favorita de alguns deste blog (eu na lista), recebendo o mesmo número de votos de Shadow Of The Wind (19%). Fear e The Devil Cried foram as mais votadas e, somadas, levaram praticamente metade do total de votos.
Obs.: cliquem aqui para ver esta etapa e os comentários que fizemos durante a votação dela.
A Final
O subtítulo é apenas ilustrativo neste caso, já que marca um grande trabalho de mais de 2 anos ininterruptos de votações quinzenais no Minuto HM. O resultado da final com as duas faixas do The Devil You Know foi predominantemente o esperado desde o que se observou na primeira etapa, ainda que Atom & Evil tivesse chegado a equilibrar as coisas, Bible Black logo viria sua adversária receber uma “senhora chinelada” e levar 3/4 dos votos.
Bible Black, vencedora das 4 etapas da pesquisa e sendo a primeira música unânime de todo o trabalho até o momento, leva o título e consegue se classificar para uma futura disputa onde provavelmente levará “fortes chineladas” também…
Obs.: cliquem aqui para ver esta etapa e os comentários que fizemos durante a votação dela.
A sequência deste post trará, mais uma vez, a resenha que abrangerá o retorno do Black Sabbath como Heaven & Hell com Dio à frente da banda, pela última vez, trazendo os detalhes deste período e dando foco também ao álbum The Devil You Know.
Vamos, bem devagarzinho, escolher agora a melhor música de Dio nas 3 bandas, mantendo-se a mesma metodologia eliminatória. Será assim:
- Melhor música Rainbow: 2 etapas (3 álbuns);
- Melhor música Black Sabbath / Heaven & Hell: 3 etapas (4 álbuns);
- Melhor música (banda) DIO: 5 etapas (10 álbuns) e
- Ao final das votações acima, teremos a grande “final das finais“, com a melhor música do Rainbow, do Black Sabbath / Heaven & Hell e da banda DIO duelando em mais 2 etapas pelo título de melhor música! Isso se não tivermos uma crise em ficarmos “escolhendo” entre tantos petardos e “travarmos” totalmente, hehehe…
Assim, vamos lá: já está aberta a primeira etapa com as 3 eleitas da fase Rainbow. Recomendo respirar fundo, pedir desculpas às músicas e ter muita força para a votação, disponível na home page do blog e diretamente neste link.
Toda a palhaçada de organização externa para a entrada no melhor setor do estádio dava sinais de que a noite poderia ser comprometida. Afinal, a preocupação em perder o início do show era praticamente uma realidade, como foi dito por aqui.
Um dos motivos da lentidão absurda para entrada se dava pela despreparada equipe que estava revistando o público: uma lentidão absurda e uma revista “para inglês ver” – quer dizer, muitos perderam o início do “inglês” que interessava mesmo ser visto na noite. Havia uma ação promocional já do lado de dentro, onde se podia tirar uma foto com o fundo da emblemática capa Abbey Road por trás, mas com carros da montadora FIAT. Apesar de Paul já estar na foto “descalço”, não tive dúvidas e tirei meu sapato para brincar, na posição do Ringo. Após um pouco de insistência com a empresa via Facebook, consegui finalmente o registro. Me acompanhando nela, a Suellen (na posição do George).
Enquanto isso, havia ainda centenas e centenas de pessoas do lado de fora do estádio. A pista premium, pelo que o amigo Charles contou via e-mail, foi aberta as 18h00. Ainda segundo ele, as 19h00 já havia sido dado o aviso de boas-vindas no estádio ; 19h49, a afinação dos instrumentos. As 20h00,o telão passou a exibir imagens do DJ que foi ao palco. Músicas que ele executou (entre covers, remixes, etc): Hey Jude, Come Together, I’ve Got A Feeling, Why Don’t We Do It In The Road?, Get Back, Hey Bulldog, Power To The People,Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey, Rain, Drive My Car, Coming Up (do “TWIN FREAKS”), Here Comes The Sun, I Want To Hold Your Hand, Getting Better, You Can’t Do That, Money, Taxman, Paperback Writer, Day Tripper e Tomorrow Never Knows.
As 20h50, o DJ se despediu acenando para o público, que aplaudiu; terceiro e último aviso de boas-vindas e sobre a segurança do show para que logo começasse a projeção de imagens. Normalmente, a projeção começa exatamente 30 minutos antes do show, e desta vez foi iniciada as 20h53, um pouco antes do esperado: músicas executadas (covers e remixes): Eight Days A Week, Can’t Buy Me Love, Twist And Shout, And I Love Her, Octopus’ Garden, Let ‘Em In, Hands Across The Water, No More Lonely Nights, With A Little Luck, Goodnight Tonight, Silly Love Songs, Temporary Secretary e, claro, The End.
E, para total surpresa, o show começou exatamente meia hora depois, ou seja, 7 minutos adiantado e, apesar do Mineirão estar lotado nos outros setores, havia ainda muita gente chegando na Premium. Bom, todo o sacrifício e problemas que mencionei começariam a ter seu pagamento com o início de uma das maiores alegrias que, mesmo após tendo assistido outros shows do Paul, pude ter na vida.
Por ser o primeiro show da tour Out There!, não se sabia qual música abriria o show. Os chutes eram para as óbvias que vinham se alternando desde os primeiros shows de retorno ao país em 2010. E como é bom estar errado as vezes na vida: Paul entrou no palco, para histeria completa do público no novo Mineirão. Quando digo histeria, é algo que surpreende até aqueles que estão acostumados com grandes shows, grandes momentos: é difícil ver algo como quando este Sir recebe a luz pela primeira vez na noite no palco. Ele entrou de paletó azul e seu característico amigo baixo Hoffner. Paul parecia estar mais “gordinho”, mais “barrigudinho” – efeito Nancy?
Eu, já em prantos, tive provavelmente a mesma reação que 99,9% dos presentes: sair cantando como se fosse a coisa mais óbvia do mundo a mais-do-que-surpreende abertura: Eight Days A Week (vale ressaltar que nem os Beatles chegaram a tocar esta música ao-vivo, mesmo algumas fontes dizendo que isso aconteceu em 1965 – o que teve foi apenas uma brincadeira – imitação / dublagem – do Fab Four em um programa de TV chamado “Thank Your Lucky Stars”). Ou seja, estávamos diante de uma estreia mundial de uma música de décadas e décadas atrás. Seu começo tão característico fez com o que o público saísse cantando sem hesitar este lindo início de noite de volta ao Beatles For Sale. Apesar de acreditar desde sempre que cerca de 1/3 do show teria variações, não esperava por coisas inéditas. Era mesmo só o começo destes meus satisfatórios “erros de adivinhação”…
O genial e humilde Paul, sempre muito bem assessorado, já soltaria seus primeiros “mineirês” logo após Junio’s Farm, falando “oi, bêágá!” e “boa noite, povo bão!”.
Eu imaginava que Jet ou All My Loving poderia vir, e procurava me segurar ao máximo para finalmente não chorar. Mas quando ele começou o “close you eyes and I’ll kiss you”, mais uma vez praticamente perdi a música de tantas lágrimas. É realmente impossível eu conseguir ficar lúcido neste momento – e o pior é rever a música no YouTube e voltar a chorar. E que alegria dizer isso. Apesar de todo esta choradeira, já dava para ver neste momento que a banda continua extremamente afiada e, apesar da dificuldade inicial das músicas ser simples, assim como a discografia dos Beatles no traz, todos os elementos necessários estavam lá: Paul cantando bem, a banda feliz e entrosada e muita satisfação dos músicos que acompanham Paul já há mais tempo que George, Ringo e John o fizeram.
Passada a clássica do With The Beatles, Paul voltou a seu script dizendo que “vou tentar falar um pouco de Português, mas como sempre, mais Inglês”. Ainda, ele comentou sobre a campanha do Facebook e, para delírio dos locais, disse: “finalmente, Paul veio falar uai!”.
Eu bravamente aproveitava o momento para me recuperar da choradeira mas JAMAIS esperaria pelo que viria, que me fez novamente voltar as lágrimas enquanto cantava e pulava de alegria: Listen To What The Man Said (música esta tocada apenas pelo Wings pela última vez em 21/outubro/1976 na tour Wings Over the World Tour, exceção dada a ações promocionais para a compilação All The Best! em 1987 / 1988, incluindo uma aparição na TV). Foi, assim, uma outra estreia mundial. Eu, que ouvi o CD All The Best! todas e mais uma vez na vida, realmente fiquei sem palavras. A música foi executada brilhantemente por todos e eu já me dava inclusive por satisfeito no que tange a possíveis surpresas. Brincadeiras a parte, se o show acabasse ali, já teria tudo valido a pena.
Então o Sir ergueu seu baixo e como de costume, removeu seu terno, brincando. Interessante observar que ele estava apenas de camisa branca, sem o tradicional suspensório. Durante o show, usou e abusou dos “maneirismos locais”, para delírio do público, dizendo “ô trem bão”, muitos “obrigados” e outros termos na nossa língua. Interessante notar que Paul, após 4 anos seguidos passando pelo país, consegue pronunciar algumas palavras com facilidade até, se sentindo mais a vontade e olhando até menos para a “cola” no chão. Em termos de palco, também já era possível observar que, apesar dos telões serem os mesmos usados nas tour anteriores, a maioria das animações eram novas e, em minha opinião, conseguiram fazer ainda mais bonitas que no passado. E ainda haveria espaço para mais surpresas no palco, como ainda será comentado.
Momento que Paul ajeita a camisa após retirar o terno azul
Pausa para uma foto que dava todo o tom do show: provavelmente o filho com o pai nos ombros. Vejam que fantástico:
Let Me Roll It, outra favorita minha, foi tocada com toda aquela emoção que dá vontade de gritar até não dar mais. Foi justamente neste momento que observei que eu já estava começando a perder a voz e minha garganta já estava doendo, coisa que acabou me incomodando por todo o show. Paul então anunciaria que aquela guitarra que acabara de pegar era o instrumento original que fora usado na época, dando a deixa que viajaríamos para o single de 1966 e Paperback Writer viria. Ele anunciou a música em Inglês. Ao final, Rusty não tinha (ou não mostrou) a palavra “obrigado” nas costas de sua guitarra, embora tenha feito gestos de agradecimento durante todo o show; Paul ergueu a legendária guitarra no fim).
Paperback…
… Writer!!!!
Macca então agradece o público dizendo um “obrigada” (no feminino mesmo, hehehe), vai para o piano e dedica, em Português, “My Valentine” para Nancy Shevell, sua “belíssima esposa”, que estava presente no estádio mais perto de mim do que nunca. A música contou com o mesmo vídeo usado anteriormente, em um momento muito bonito e, mais uma vez, é importante ressaltar como a ainda novata funciona bem ao-vivo, mesmo tendo um andamento lento em relação ao show.
My Valentine
Paul em My Valentine
Paul então faria os fãs do Wings novamente felizes com Nineteen Hundred and Eight-Five, com os fãs respondendo ao final com as mãos o sinal da banda, e emendaria com The Long And Winding Road, que me faria novamente voltar às lágrimas em mais uma execução brilhante da música. E esta faixa do Let It Be daria início, em minha opinião, ao auge da noite, com as próximas DOZE músicas (!!!) emocionarem a todo tipo de fã presente na capital mineira – de qualquer idade, de qualquer preferência pela imensa contribuição musical que Paul tem com a música em geral.
A avalanche emocional viria sem dó nem piedade: Maybe I’m Amazed, ainda que com Paul mostrando sinais que sua voz já tem um pouco mais de dificuldade para conseguir levar a música, mais uma vez entregou uma versão linda, assim como sua banda. Como esperado, Paul dedica a música à Linda McCartney, com o público gritando por “Linda!”. ”Cês tão gostando, uai?”, perguntou Paul ao final do petardo. Nada poderia ser mais retórico que esta pergunta .
O grande momento do show para mim chegaria igualmente como uma surpresa: não era uma inédita, mas não havia tido a oportunidade de vê-la desde 1993, já que não pude estar no show de Florianópolis: sim, trata-se do single do Off The Ground, Hope Of Deliverance, música esta que, assim como tudo que está no Paul Is Live! e no All The Best!, ouvi à exaustão em minha vida. As lágrimas aumentaram enquanto via o baterista Abe tocando na linha de frente da banda (e dividindo o microfone com Paul no refrão final) e mesmo Wix também à frente para tocar violão e “cantarolar” ao lado de Paul. Ele aproveitou para brincar com o público e literalmente “rebolar”, com toda a simpatia do mundo. Mal consegui ficar bravo mesmo com a possível falha. A execução da música me deixou feliz demais e, pessoalmente, foi o ápice da noite. O público respondeu acompanhando com palmas, mas nem todos pareciam saber cantar a música, pelo menos o barulho não foi tão alto como em outros momentos.
Outro single de 1965 viria: We Can Work It Out seria a primeira das “sobras” de estúdio do Rubber Sould (dá para acreditar?) a aparecer da época do meu predileto Rubber Soul (a outra também viria mais para frente, Day Tripper). Paul troca de violão após o hit, que viria a preceder o primeiro single da carreira-solo de Paul, Another Day, para minha enorme alegria e surpresa. Uma curiosidade da música: ela foi escrita ainda quando os Beatles existiam, em 1969, durante as gravações do Let It Be, mas somente gravada durante as gravações do Ram no ano seguinte e disponibilizada depois de mais um ano, sem sair no tracklist original do Ram. Eu, particularmente, a conheci no All The Best! e mais uma vez o setlist me dava um presente. Another Day não era tocada desde 11/junho/1993, ou seja, foi a primeira vez executada pela atual formação que acompanha o gênio.
O cenário de We Can Work It Out voltaria para And I Love Her, desta vez mudando da cor preta para a vermelha. Após sua execução, um novo microfone foi adicionado no palco e, com muitas palmas o acompanhando na música, Paul, sozinho no palco e com o violão que sempre usa para a música, dominaria o público com Blackbird. Como de costume, ele anunciou a canção dizendo que ela foi concebida com o objetivo de encorajar o movimento pelos direitos civis, ainda nos anos 60. O novo microfone era para uma das novidades do palco de Paul para esta Out There! Tour, um “elevador” (plataforma) que elevou Paul. Conforme a plataforma ganhava altura, as imagens do telão principal do palco passavam a aparecer nela também, em tom predominantemente azul. Um lindo momento (lembrei brevemente das plataformas a-la Kiss). Ao final, já com a plataforma descendo, muitos erraram a letra da música na cantoria – é quase um costume anual, hehehe.
Blackbird
Blackbird
Paul, ainda no alto da plataforma, solta em nossa língua um “tô alto, sô!”. Nas “alturas”, ele dedicaria também em Português Here Today a John Lennon, apontando para o céu. Na hora, pensei que ele tinha errado de amigo, dedicando a música a George. A plataforma ganhava um efeito de uma cascata azul. Eu confesso que me recordo que minhas lágrimas já haviam meio que acabado e eu estava extremamente cansado já neste momento, então procurei me concentrar fortemente no show, pois era tudo muito bonito e a coisa passava em uma velocidade impressionante… ao final, Paul devolve o violão, manda um beijo para o público e se dirige ao piano colorido.
Here Today
Era hora de mais uma enorme surpresa e mais um pico para o show com novo estreia mundial: diretamente da faixa 5 do Magical Mystery Tour, Paul conta até 4 para sua banda iniciar Your Mother Should Know. O telão se enche de imagens de mães, muitas famosas, como a Princesa Diana, Michelle Obama e a Linda. Há de se destacar o trabalho da banda, especialmente dos backing vocals, que fizeram um os vocais extremamente fiéis ao que se ouve no álbum de 1967. Paul nitidamente está feliz com o resultado, levantando-se do piano e dançando rapidamente com o público ao final, além de “rosnar e latir” para anunciados 53.000 presentes. Um grande momento e mais história foi feita em nossas terras! Paul volta ao mesmo piano para Lady Madonna que, para mim, já dava o primeiro claro sinal que o show caminhava para sua parte final
Após brincar novamente com o público com sons engraçados e algumas frases “a la F. Mercury”, uma nova surpresa, uma nova estreia mundial: Paul resolve não esquecer do álbum Yellow Submarine desta vez! Munido do violão, ele traz a infantil, mas divertida terceira música do álbum de 1969, All Together Now. O show começaria a ganhar traços mais psicodélicos tanto no setlist como nas animações que acompanhavam a banda nos telões. Esta, em especial, bem alinhada com a proposta da música:
Os fãs dos Wings voltaram a sorrir com Mrs. Vandebilt, que continuou dando o tom de diversão do show, com o público acompanhando com o “Ho! Hey-ho” mesmo após o final da música – com Paul acompanhando a galera e falando “Brasil” – realmente esta música se tornou figura fácil nos sets pela sua extrema facilidade de funcionar ao-vivo, fazendo todos pularem de alegria. Com Abe dançando e vindo para a frente, e com Sir permanecendo com o violão, os sinais eram claros que mais uma vez abusariam do meu poder de concentração com uma das minhas músicas prediletas da vida: Eleanor Rigby. Mais uma ótima versão desta música, ainda que o desgaste da voz de Paul começa a ficar um pouco mais evidente nesta faixa, mesmo nas partes que exige menos de seu vocal. De qualquer forma, nada que abala a performance. Mais uma vez, os backing vocals devem ser destacados, pois são realmente um diferencial para este tipo de música.
A 22a música foi anunciada, após Paul retornar ao baixo, pelo próprio e em Português: “essa música é uma estreia mundial e que seria aqui, em BH”. A esta altura do campeonato, eu já começava até a rir (de alegria, claro) de tantas surpresas. Passou um monte de músicas pela cabeça na hora, mas confesso que Being For The Benefit Of Mr. Kite! não foi uma delas. Paul McCartney, assim, abria a caixa de pandora, tirava o pó, ligava o modo “Alexandre B-Side” (amigo este que lembrei pelo carinhoso apelido) e premiava novamente os presentes com uma inédita. O palco se encheu de luzes coloridas pelo chão e o telão com uma animação lembrando a proteção de tela Dazzle, daquelas quando sairam os primeiros monitores coloridos do mundo. Mais que isso: raios lasers saiam do palco para o público. Um grande e diferente momento do show, uma agradável mistura do que a atual tecnologia faz para uma música criada em uma época que mal se tinha opções como estas para quem ficasse “careta”… a música foi outro grande momento, pois apresenta um grau de dificuldade maior pelos seus psicodelismos e mudanças pontuais de tempo. Paul se destaca nas lindas linhas de baixo e a banda o acompanha brilhantemente.
Não havia tempo para descanso: Paul pegaria seu ukelele e o pequeno instrumento já indicaria que George Harrison seria o homenageado da vez, com a versão que Paul e CIA fazem para o clássico Something. Aplausos e gritaria mais do que justificados e um solo de guitarra que deixaria George muito feliz, com certeza.
Mesmo com tantas mudanças no setlist, Paul, estrategicamente ou não, continua com a fórmula de tocar músicas que levam as lágrimas alternando com músicas “alegres”, me deixando em um montanha-russa de emoções. Era hora então de se divertir com Ob-la-di, Ob-la-da. Paul comenta que ia pedir para o público “join in” na música antes de tocá-la, mas ele mesmo comenta que não via esta necessidade… a única coisa que não foi muito divertida foi a falha do som, ainda que pequena, mas que infelizmente teria uma consequência na música seguinte. Interessante que o som teve problema justamente na parte que o público cantava em destaque, então com certeza o momento passou desapercebido de muitos, ficando a falha mais evidente com o retorno meio “abrupto” da banda para terminar a música.
Mas foi em Band On The Run, um dos maiores clássicos do Wings, que a coisa do som ficou feia e estragou o momento. O som no clássico de 1973 falhou por duas vezes e por muito tempo. Até imaginei que a música seria executada novamente, ainda mais por se tratar de uma estreia de tour, mas Paul e CIA seguiram em frente. A falha foi a partir da segunda parte da música, “well, the undertaker drew a heavy sigh…”, mas ele simplesmente “morreu” (e voltou) no refrão. Paul, percebendo o problema, fez uma cara assustada, surpresa e o público procurou reagir cantando a música alto, bater palmas, o que me deixou esperançoso por uma versão até legal, um momento que pudesse ser diferente dada a circunstância. Veio a segunda falha, mas, infelizmente, o público se perdeu na letra da música e passou a cantar apenas “band on the run”. Mesmo assim, a banda continuou, com Paul dando inclusive seu tradicional chute de esquerda no ar. Uma pena, acontece…
O cardápio da noite continuaria com o mesmo tempero dos Wings, a penúltima desta banda na noite, mas desta vez com outra grande surpresa: Hi, Hi, Hi… a última vez que tinha sido tocada foi em 21/outubro/1976 pelo Wings, novamente na Wings Over the World Tour.
Após a nova surpresa, era hora de dar um retorno, com (sem trocadilhos) Back In The U.S.S.R., música que realmente ficou fixa nos setlists de Macca. Com direito a mais uma grande performance, cheia dos efeitos visuais e sonoros e mais uma vez com o impecável trabalho de backing vocals dos guitarristas e de Abe, Paul e seu baixo encantam o Mineirão.
Neste momento, eu já imaginava que estava chegando a hora de Live And Let Die, que eu sempre filmo. Tomei a decisão no momento de não filmar desta vez – e procurar ficar “lúcido”. Mas sabia que antes ainda viria Let It Be, algo que se confirmou com a ida de Paul ao piano Yamaha. Eu, que não filmaria nada e não tinha nem forças mais para chorar, vi muita gente olhando para trás e apontando as arquibancadas. Me virei para ver o que era de tão interessante assim lá trás – e peguei o celular para registrar este pequeno vídeo do espetáculo visual:
Apesar do desgaste da voz de Paul, que novamente não chegou a atrapalhar, foi tudo tão mágico que fica difícil fazer qualquer observação que não seja um simples comentário de como é tudo muito lindo. Ao final, as luzes principais do palco iluminaram o público e Paul agradeceu “for the lights”. Agradeceu, sentou novamente ao piano e sem tempo para piscar, começou “when you were young and your heart was a open book”…
E que versão! Com certeza a mais explosiva e diferente que vi até hoje, incluindo todos os shows do Paul e do Guns N’ Roses, que sempre coverizam o clássico que é nome de filme do agente secreto mais famoso do mundo (e praticamente um pedido de desculpas da franquia da época do Sean Connery, diga-se de passagem). Nos telões, o edifício “clássico” que apareceu no telão do fundo em 2012 foi substituído pelo Palácio de Buckingham, que “explodiu” com o primeiro estouro dos fogos (foram quatro estouros, um em cada “live and let die, live and let die” da letra, e mais um no final, com Paul colocando os dedos nos ouvidos e fazendo gestos de “reprovação” ao fim, como de costume). Os novos efeitos, explosões e fogos, além da enérgica performance da banda, estão mais do que aprovados!
Paul não perde tempo novamente e durante os sinais de “reprovação” ainda de Live And Let Die, vai para o outro piano e começa aquela música que tanto me emocionou há 20 anos atrás, quando vi meu primeiro show grande da vida: Hey Jude. E a emoção continua a mesma, sendo que meu coração e cérebro se juntaram, foram até o estoque e encontraram mais um pequeno “lote” de lágrimas… a gritaria, novamente, foi total do público, como nunca é diferente. E é impressionante como Paul, que toca esta música há tantos e tantos anos, sempre dá um jeito dele mesmo se divertir com o público. É nítido que ele tem sim o script para cantá-la sempre do mesmo jeitinho, fazendo “you’ll dooooooohhhhh”, sempre no mesmo lugar, que ele separaria o estádio “só os huomis” (desta vez, se atrapalhou um pouco ao pronunciar “homens”, falando algo como “menos”, ao que pareceu), “só as muieris” e depois “everybody all together”. Mas a conexão ali é inexplicável em palavras, eu choro só de pensar aqui novamente. Bexigas voando, as plaquinhas “Thank You”, pessoas se abraçando, rindo, chorando, gritando, imóveis, dançando, pulando (no meu caso, as vezes conversando com o chão), é algo surreal… na parte do “na, na, na, na”, Paul comanda a festa de fora do piano até o retorno triunfal para o encerramento deste clássico imortal e o encerramento da primeira parte do show. Paul e banda agradecem o público e saem rapidamente do palco.
Para o primeiro bis, novamente Wix entra no palco com a bandeira do Reino Unido (momento The Trooper?) e Paul com a nossa. A sequência seria, como de costume, com uma trinca Beatles, abrindo com o poderoso riff de Day Tripper, sendo Paul de volta ao seu principal instrumento da época do Fab Four. A música é acompanhada novamente com lasers e com toda a banda “suportando” o Sir nos trabalhos vocais. Mas ainda era tempo para uma nova e enorme surpresa!
Paul troca de instrumento, pegando seu violão mais escuro, e anuncia que novamente tocaria uma música “premier time in mundo”. Sim, mais uma vez, o Brasil tem uma inédita, não podia ser melhor. Confesso que reconheci, mas custei a acreditar, que era Lovely Rita que estava começando. Mais um lado B fantástico era bom demais para ser verdade. E como foi. Cantei com todas as forças que ainda tinha. A música surpreendeu realmente e foi facilmente a menos cantada pelo público, talvez pelo fator surpresa, talvez por um certo desconhecimento da música do emblemático Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Mas foi interessante notar alguns fãs se olhando com ar de “é isso mesmo que está acontecendo?”. Paul não se poupou nos “woo-hoo-hoo”, ainda que o desgaste desse sinais mais claros neste momento. Ao final da música, como ela diz, “they’ll never believe it!”. Eu cantei, mas custei a acreditar, Paul. Com certeza, junto com a outra “estreante” do álbum da noite, foram os momentos mais inusitados que já tive em qualquer show do mito.
Paul então chama ao palco 4 garotas por trás da campanha no Facebook “Paul, vem falar uai”, pergunta os nomes delas, dá os autógrafos, as cumprimenta individualmente. Uma delas pede para Paul autografar na região lateral do abdômen, levantando um pouco a blusa, momento este que Paul aproveita para brincar com o público, brincando estar espantado com a cena, e perguntando se era isso mesmo, se ele deveria seguir em frente. Claro que a garota, que já tinha os 4 Beatles tatuado, conseguiu o autógrafo. Apesar de não ser algo novo, a humildade de Paul é que deve ser ressaltada sempre. Poucos artistas, mas poucos mesmos, podem duelar com Paul nesta questão – e a briga seria até injusta, dado o status que Paul tem. As meninas deixam o palco, emocionadas, e Paul recoloca o baixo para trazer a última do bloco, Get Back, perguntando ao público, como de costume, se todos querem “get back”. Claro, Paul.
Hora da banda novamente deixar o palco para retornar para o esperado segundo e último bis da noite, desta vez sem “inovar” muito. Mais uma vez, apenas músicas do quarteto histórico de Liverpool, com Paul extraindo as últimas lágrimas de quem ainda tinha dominando a todos com Yesterday. Ainda sob incessantes aplausos, ele volta ao baixo e pergunta: “do you want to rock some more?” para então me alegrar com o que eu considero uma das chamas para aquilo que nasceria pouco depois com o Sabbath, o heavy metal. Vem Helter Skelter e, mesmo depois de tanto tempo de show, de uma passagem de som durante o dia e ainda contando o fato de ser o primeiro show da tour (sem contar que Sir está com 71 anos!), ele se segura muito bem no vocal! Da minha parte, pulei como um maluco, com certeza, enquanto olhava as psicodélicas animações nos telões e as fortes luzes brancas que piscavam. Outro ótimo trabalho geral da banda, tanto em termos backing vocals, como principalmente nas guitarras. Hats off, Paul, e \m/ \m/.
O fim traz Paul de volta ao piano Yamaha, brincando com o público se já não era hora de dormir, dizendo que era “hora de ir” e “temos que partir”. Abe, imitando Sir, deitava a cabeça sobre as mãos e, palma-com-palma, também fazia sinal de “dormir”. Ficou o “vai-e-volta” com Paul insistindo no “yeeeeah!”, às vezes em tom mais melódico, e nós no “noooooo!”. Ele aproveita o momento para agradecer a “the best crew”, a “my fantastic band” e, claro, os fãs, tudo em inglês.
Então Paul e banda se despedem de Minas novamente trazendo a trinca do Abbey Road: Golden Slumbers / Carry That Weight / The End, naquele momento que traz um certo aperto no peito pela certeza que o show caminha ao fim, mas uma satisfação enorme por novamente poder presenciar, ao-vivo e de tão perto, esta lenda. Paul, neste final, está com o vocal mais comprometido, chegando a falhar em alguns momentos, sendo ajudado pela banda, principalmente nas partes mais altas em Golden Slumbers, ainda que nada tenha efetivamente atrapalhado aquilo tudo. Paul retorna à guitarra para o seus último solo da noite, em alternância com os outros 2 guitarristas, para finalmente nos emocionar pela última vez com as palavras tão maravilhosas de The End, e ainda tem fôlego para um grito final.
Ao final, e quem aqui ousar duvidar que não acontecerá, ele diz “até a próxima vez; see you next time!” e, com um derradeiro “estouro”, vem a chuva de papel picado (verde, amarelo e azul; tinha dourado também, sabe-se lá de que país…).
Cada show é um show, como você sabem bem. Mas eu considero este o melhor set que já vi dele (ok, junto com o de 1993), e falo isso considerando que não teve Jet, My Love e outras que tanto gosto (não ouso reclamar de nada). Mas as surpresas, os lado B e Listen to What The Man Said como Hope Of Deliverance, me derrubaram de alegria…
Página de boas-vindas em Português, adicionada especialmente para o país e tradução literal da página oficial, que traz a mesma mensagem em inglês…
No Tour Book, uma reportagem muito interessante da história dos instrumentos usados por Paul – por exemplo, a guitarra colorida, que é uma Gibson Les Paul Cherry Sunburst modelo 1960 que o Sir ganhou de Linda no início dos anos 1980 – é simplesmente um dos três modelos para canhotos da época e é o mesma usado por ele até hoje!
Aproveitem, vale a pena – cliquem para ampliar as fotos, deixando-as com o texto legível:
Vídeos editados com as músicas do show (maioria por completo):
Parte 1/2:
Parte 2/2:
Saída do Paul do Mineirão:
Até a próxima, Paul. Venha falar “uai”, “oxente”, “meu”, “maneiro”, “bah chê”, o que você quiser… mas venha.
[ ] ‘ s,
Eduardo.
Obs.: parte do texto saiu também de e-mails trocados com o Charles, ajudando a recordar alguns detalhes mencionados.
Pessoal, o Charles novamente conseguiu assistir ao Hot Sound (passagem de som) de um show do Paul, assim como em Recife ano passado. Abaixo o brilhante texto deste grande fã…
Para a felicidade dos fãs, pouco mais de um ano depois da passagem da turnê “On The Run” pelo Brasil, Paul McCartney começou no país a nova digressão “Out There!”, um motivo de orgulho para todos nós. Como em 2012, eu e minha esposa compramos o pacote HOT SOUND assim que as vendas começaram (28 de março), apostando que esta seria a opção menos “sofrida”, embora muito mais cara, e viajamos com folgada antecedência, a fim de repousar bastante antes do grande dia.
Saímos de casa em 1.º de maio, pouco depois das 18 horas, e pegamos o avião no aeroporto de Viracopos em Campinas, chegando a Belo Horizonte ainda na noite de quarta-feira. Gostamos muito do hotel onde nos hospedamos na Capital mineira, o Clarion Lourdes. Na manhã do dia 2, fomos até o Mineirão, a fim de já conhecer o local, ter uma noção do tempo que levaríamos para chegar até lá no dia do show e retirar um ingresso “extra” que eu havia comprado para guardar intacto, como recordação. Já havia fila na bilheteria do estádio para a retirada de ingressos… dessa vez, os ingressos eram mais simples que nos anos anteriores, o que talvez tenha a ver com o barateamento dos preços.
Segundo o e-mail que havíamos recebido em 26 de abril, teríamos que estar junto à entrada do Setor Norte do estádio às 13 horas do sábado. Mas quem disse que aguentamos esperar? Mesmo com o dia prometendo ser um lindo sábado de sol, saímos do hotel às 10h45min e às 11h02min já estávamos diante do Mineirão… atrás de uma longa fila que se estendia pela calçada e já dava volta, avistamos um portão com a placa do HOT SOUND, diante do qual entre cinco e dez pessoas já estavam a postos. Desde a nossa chegada, não demorou muito para que as pessoas que se encontravam ali começassem a fugir do sol. Às 11h28min, fomos nos sentar no canteiro central da Avenida Antônio Abraão Caram, em busca de sombra, ficando, porém, de olho no “nosso” portão. Como previsível, o “martírio” começara – e, por ser o primeiro show da turnê, com todos os desdobramentos a isso inerentes, era preciso viver cada etapa por vez, sem se preocupar demais com as seguintes, sob pena de pirar antes da passagem de som começar…
Quinze minutos depois, vimos colocarem grades divisórias diante do portão do HOT SOUND. Às 11h54min, “mudaram” o local da nossa entrada: colocaram a placa um pouco mais à esquerda, na grade do estádio, e abriram o portão onde ela estava antes. Percebemos que algumas pessoas começaram a entrar por ali, então fomos até lá e também entramos, caminhando até um pequeno restaurante Spoleto, próximo ao qual ficamos em pé, na sombra. Todavia, dez minutos depois nos pediram para sair de lá, dizendo que a entrada do HOT SOUND não seria ali e que o portão só havia sido aberto para dar acesso ao restaurante… ficamos então lá fora, junto à grade onde havia sido colocada a placa do HOT SOUND. Reencontramos ali a jovem Júlia e seu pai, que havíamos conhecido no show do Ringo no Rio, em 2011.
Pouco depois, nos pediram para formar a fila rente à grade e disseram que iam tentar adiantar a nossa entrada, para não ficarmos muito tempo no sol. Durante a espera, recebemos bexigas (balões) e folhas de papel com mensagens de agradecimento (“Thank You!”) impressas. O sol não dava trégua e logo comemos as maçãs que havíamos levado, tentando manter o organismo alimentado.
A perspectiva de um atraso como o de 21 de abril de 2012 não era nada animadora, mas o tempo enfim passou e eram 13h07min quando nossa entrada foi autorizada (ufa!). Como a placa do HOT SOUND estava exatamente na grade que poderia ser aberta para entramos, preferiram abrir uma grade interna do caminho do restaurante Spoleto (a mais próxima de onde começava, lá fora, a nossa fila). Por ali, entramos já na primeira “leva”.
Como não haviam colocado grades isolando as diversas partes da nossa fila, que já estava dando voltas e voltas, teve “espertinho” que tentou passar na frente dos outros, mas foi barrado pelos seguranças, alertados pelos que se sentiam prejudicados. Mesmo no caminho até o posto de revista as pessoas que estavam mais na frente souberam impor um certo respeito (uma jovem que lá fora dizia que não adiantava correr porque iam chamar as pessoas pela ordem alfabética do nome, foi uma que apressou o passo e quis ir passando na frente dos outros…). Caminhamos, já “de coração na boca”, até entrarmos num portão à direita e sermos organizados em fila indiana para a revista.
Às 13h11min passamos pelos dois seguranças que faziam a revista: abríamos bolsas e sacolas e eles davam uma olhada no que tinha dentro. Depois da revista, demos mais alguns passos adiante e aguardamos a chamada para receber os ingressos e as pulseiras. Naquele momento, uma moça examinou o cartão de crédito que usamos na compra do “pacote”, a respectiva fatura e nossas carteiras de motorista (documentos com foto). Quando chegou a hora, ela nos liberou (eram 13h14min). Fomos até um balcão à esquerda da fila, colocado sob a cobertura de uma escadaria que dava acesso a um piso inferior, onde minha esposa só forneceu seu nome e assinou uma espécie de “lista de presença/recibo” para recebemos nossas pulseiras e nossos ingressos (que, surpreendentemente, não foram destacados!).
Depois de descermos a escadaria, já estávamos na entrada da “recepção”, ao som de Press. À nossa direita, logo na “boca”, havia outro balcão, onde cortaram as pontas (excessos) das nossas pulseiras e ganhamos, cada um, uma credencial e uma sacola contendo uma camiseta (faltou, dessa vez, a “tradicional” revista da turnê, uai!…).
O salão ficava à direita do final da escadaria e contava com sanitários próprios, espaçosos e limpos. Quando nos acomodamos no salão, garçons serviam os primeiros aperitivos a quem já havia entrado, demonstrando uma eficiência bem maior do que aquela que vimos em 2012. O som que ouvíamos vinha de vídeos extraídos do set “THE McCARTNEY YEARS”, os quais eram exibidos em telas espalhadas pelo restaurante, que estava todo muito bem arrumado. As mesas contavam com vasos de flores, pratos, talheres e guardanapos, como era de se esperar. Porém, havia também porta-copos (“bolachas”) com o nome da turnê e um enfeite de mesa com a “foto oficial” da “Out There!” (até a hora de sairmos dali, já não víamos mais nenhum deles sobre as mesas…).
Eram 13h55min quando, já mais ou menos satisfeito, parei de comer (os aperitivos) e de beber (suco de laranja), achando que ia ficar só nisso, como em Recife. Cerca de meia hora depois, um dos organizadores falou sobre “como é” o HOT SOUND, explicando que, por volta das 15h30min, quando a segurança liberasse, seríamos levados até o local de onde assistiríamos a passagem de som, que duraria aproximadamente uma hora. Segundo ele, éramos 250 pessoas.
Depois disso, para nossa surpresa, por volta das 14h35min, começaram a servir um almoço, em sistema self service. Mesmo sabendo que não era muito prudente comer e beber ainda mais, acabei almoçando um pouco, enquanto a cabeça inevitavelmente já começava a pensar na passagem de som.
Com o passar do tempo, o nervosismo foi crescendo, conforme ficou claro que a passagem de som iria atrasar. Aos poucos as pessoas foram se aglomerando em um local que parecia ser a nossa futura saída e de onde era possível ver “as costas” do palco, mas depois nos avisaram que a saída não teria como ser por ali. Às 15h54min, nervos à flor da pele, e observando a movimentação dos organizadores, nos aglomeramos perto da escadaria por onde havíamos descido. Ali, à esquerda de onde descemos, havia uma cortina atrás da qual parecia existir uma saída.
Às 16h abriram a cortina para a passagem das primeiras cinquenta pessoas, entre as quais estávamos nós. Realmente, a “saída” era por ali. Seguranças pediram para andarmos junto à parede à esquerda, em fila indiana, e ficaram à nossa direita para impedirem “ultrapassagens proibidas” dos “espertinhos”… a caminhada foi feita em etapas, com idas e paradas. Saímos à direita, passamos entre cadeiras, viramos à esquerda, depois à direita e descemos uma escada. Às 16h09min chegamos à pista do Mineirão, acreditando que seria a primeira e última vez, pelo menos naquele sábado.
Em dois minutos, nos posicionamos no “curralzinho” montado no meio do campo, de onde os fãs iriam assistir à passagem de som. O espaço já estava totalmente sob a sombra do próprio estádio, o que significava que, assim como em 2012, não precisávamos mais nos preocupar com o sol. No tempo em que ficamos lá, foram distribuídos gratuitamente copos de água mineral. Sem dúvida, a organização estava muito melhor que no ano anterior. Mas o nosso nervosismo…
Eram 16h16min quando o baterista Abe perguntou como estávamos e falou que iríamos nos divertir naquela noite (tudo em Inglês). O que será que eles iriam “aprontar”? Que surpresas teriam eles para aquele show inaugural da turnê?
O pessoal ficou gritando o nome dele, mas por pouco tempo… às 16h17min Paul entrou no palco, de camisa azul claro e colete preto. Gritaria total. O que eu poderia esperar dessa passagem de som? Na verdade, depois de Ebony And Ivory, um clássico dos anos 80 na passagem de som de 2012, eu queria muito que ele nos (me) brindasse com uma do álbum “FLAMING PIE”, dos anos 90. Se isso acontecesse, todo o meu dia já estaria “mais do que ganho”, mesmo que depois o show fosse idêntico a algum dos anteriores…
Paul nos saudou formalmente, com um “Good afternoon, ladies and gentlemen”. Leu um cartaz que dizia que tinham levado um uquelele para ele e disse (em Inglês) que gostaria de ver o instrumento.
Às 16h19min finalmente começou a “passagem de choro” (como diz o Eduardo…). Com a guitarra “psicodélica” que usa em Let Me Roll It, Paul tocou Honey Don’t, já me fazendo lembrar que teremos shows do Ringo em outubro, e Blue Suede Shoes. Depois dessas ele nos cumprimentou de novo (“Hi, everyone”) e nos “lembrou” (em Inglês) que estavam fazendo a passagem de som. Com o lendário baixo “Höfner”, fez Highway (com o telão mostrando as mesmas imagens que no show do Morumbi em 2010) e All My Loving. Ele chegou a perguntar se o som do baixo estava chegando até nós (o pessoal gritou que sim, mas eu achei que as guitarras estavam muito mais altas e estridentes do que o ideal). No piano preto, tocou C Moon e Don’t Let The Sun Catch You Crying. Em seguida, recebeu no palco alguns fãs que lhe presentearam com o uquelele (em Português, falou “obrigado” para eles).
Com o violão mais claro, Paul aparentou estar querendo começar Calico Skies, mas não foi adiante (só para aumentar minha expectativa e quase me “matar do coração”…). Ele fez então We Can Work It Out (os instrumentos e a gritaria do pessoal estavam muito altos no início e tive a impressão de Paul ter errado a letra naquele começo). Em seguida, tocou uma instrumental curtinha, que me deixou em dúvida se seria só um improviso mesmo ou um trecho de alguma música de seu novo álbum, que está para sair. O que Paul estaria pensando? O que estaria ele disposto a tentar no espetáculo daquele sábado? Teria ele ainda alguma dúvida sobre o repertório do tão importante show de estreia da nova turnê mundial? De minha parte, naquela altura, já era capaz de ouvir ele tocar And I Love Her e achar que era Helter Skelter…
Depois veio Midnight Special, que ele apresentou como sendo sobre um trem, explicando que, segundo a história, o condenado que fosse iluminado pela luz desse trem, quando a composição passasse perto da prisão, acabaria sendo libertado. Até ali eu estava até “indo bem”, sem dar nenhum “vexame”, e já me conformando com o fato de que não ia ser dessa vez que ouviria alguma do “FLAMING PIE” ao vivo… então veio Calico Skies, num disparo certeiro. Pela vibração do pessoal, espero que Paul tenha percebido que essa música merecia já ter sido tocada em alguns shows no Brasil (no “tempo regulamentar”). Quanto a mim, só restou sentar e chorar, literalmente… minha esposa até perguntou se eu estava “passando mal”. Puxa… “passando mal”?? Ah, bem que eu achei que não devia ter almoçado…
Não obstante, sobrevivi, como nas outras vezes. Em seguida, enquanto eu me recuperava, Paul leu mais alguns cartazes, chegando a responder a algumas das mensagens, dando parabéns a quem fazia aniversário, dez anos de casado e até mesmo saudando uma suposta “filha” (aliás, ao longo do ensaio, ainda respondeu às vezes aos gritos de “I love you” de alguns fãs). Com o seu próprio uquelele (e depois com violão), cantou Something. Depois veio Bluebird (usando o violão escuro, com o adesivo “Wings”). No pianinho “psicodélico”, ele pareceu improvisar uma melodia, enquanto dizia “Brasil! Brasil! Brasil!”, e depois encerrou com Lady Madonna. Eram 17h09min quando Paul agradeceu nossa presença e disse que nos veria mais tarde (em Inglês). Eu, é claro, estava com o dia “mais do que ganho” e com a certeza de que não iria chorar muito no show, porque o estoque de lágrimas havia sido praticamente “zerado”…
Percebendo a movimentação das pessoas, tomamos posição no canto esquerdo do “curralzinho”, nos preparando para correr em direção à grade. Em meio à histeria, ouvimos até homem gritar “Paul, you are the man of my life!”. Mas era chegada a hora da “maratona”.
Porém, não liberaram a nossa saída para a pista. Nos disseram que deveríamos voltar até o salão onde havíamos almoçado, porque o Paul (que ainda estava no palco) ainda queria ensaiar algumas coisas que deveriam permanecer como “surpresa” (minha nossa, bem que a gente podia participar dessa “surpresa”, né?). Depois também disseram que tínhamos de retornar devido a “problemas técnicos”. Muita gente reclamou e a volta até o salão foi lenta, já começando a revelar traços de desorganização. Ficamos em pé no salão, apertados, esperando novas orientações. A mim pareceu que essa “mudança de planos” também surpreendeu o pessoal da organização. Algumas pessoas começaram a manifestar receio de que os portões do estádio fossem abertos antes que pudéssemos chegar à pista, relembrando o incidente do segundo show do Morumbi, em 2010.
Às 17h49min, depois de ouvirmos muitas manifestações de insatisfação, começaram a nos liberar para voltar à pista. Alguns seguranças iam “de ré”, na frente, para impedir a “debandada” das pessoas, enquanto outros formaram uma “cerca” à direita, para evitar que os “espertinhos” fizessem “ultrapassagens proibidas”. Mas dessa vez não teve fila indiana e, depois que saímos do corredor, alguns conseguiram passar na frente dos demais. Tinha gente reclamando, dizendo que nunca havia sido tão humilhada… uma companheira ao nosso lado direito comentou que a área do HOT SOUND parecia mais próxima do palco dessa vez, assim como as cadeiras.
Chegamos novamente à pista, dessa vez perto da grade, às 17h52min. Naquele instante, deu para ver no telão do fundo do palco uma cena (parada) do clipe de Your Mother Should Know (provavelmente era uma das coisas que o Paul não queria que víssemos…). Me estiquei no chão, diante do microfone do Paul, paralelamente à grade, com apenas duas pessoas entre ela e eu. Era hora de aguardar e tentar ficar sentado o maior tempo possível. Recebemos mais bexigas (balões) e mais folhas impressas com a mensagem “Thank You!”, uma celebração do sucesso da campanha “Paul, vem falar UAI!”. Eram 18h02min quando vi o pessoal da “Pista Premium” chegando.
Em 2013, o conforto e a organização oferecidos pelo pacote HOT SOUND foram sem dúvida maiores do que em 2012. Mas a emoção de estar presente à passagem de som é sempre incomparável, inclusive pelo lado humano que podemos observar. Quanto ao show do Mineirão, eu não esperava maiores alterações em relação ao repertório da turnê anterior, assim como não tivemos muitas mudanças entre as turnês “Up And Coming” e “On The Run”, embora o fato de ser o primeiro show da turnê evidentemente envolvesse, por si, um inevitável elemento surpresa. Para mim, por exemplo, parecia certo que, conforme indicavam shows anteriores, o novo espetáculo começaria com Hello Goodbye ou Magical Mystery Tour… isso significaria que, pela primeira vez, eu veria um show dele começar da mesma forma que outro espetáculo que já assistira… obrigado por não ter deixado isso acontecer, Paul! E “até a próxima vez!”.
Marcar uma única apresentação no Brasil no meio da semana (quarta-feira), em local relativamente afastado da cidade, noite de Corinthians x Boca Juniors pela Copa Libertadores em partida decisiva, seria exigir demais da lealdade e dedicação do público headbanger? Apesar de todos estes obstáculos os fãs não deixaram de prestigiar Testament e Anthrax, embora não tenham lotado o HSBC Brasil como na passagem do Anthrax por aqui em 2012. Mas aqueles que foram, mesmo que alguns com um olho no palco e outro no celular para acompanhar o andamento da partida que acontecia no Pacaembu, foram presenteados com uma noite do mais puro thrash metal, daquelas de lavar a alma e deixar surdo e com torcicolo.
Já falamos por aqui do clima pré-show, com fotos do merchandising, da casa, as músicas que rolaram no PA. Porém restou comentar sobre algo que sempre acontece aqui no Brasil quando temos um show com mais de uma banda principal: a falta de informação sobre que horas a primeira atração entrará no palco. Embora entendemos que neste caso o Testament não seja simplesmente uma banda de abertura, o ingresso não deixa claro se o horário lá impresso corresponde ao início de sua apresentação ou ao show do Anthrax. Este é um problema que persiste há anos por aqui. E não adianta ligar para a casa de shows a procura de alguma informação porque eles respondem o horário que está no ingresso. Em um ano que teremos várias apresentações com este formato (Ghost / Slayer/ Iron Maiden, Nickelback / Bon Jovi, Megadeth / Black Sabbath) seria bom as produtoras dispensarem um pouco de atenção com este tipo de coisa. Aqui no Minuto HM, sempre que podemos, colocamos a informação, inclusive de abertura dos portões, na nossa agenda de shows. Como no ano passado, seguindo o horário do ingresso, perdemos grande parte do show do Misfits, nesta ocasião decidimos nos precaver e chegamos com pouco mais de uma hora de antecedência para não correr nenhum risco de perder algo do Testament. Mas desta vez o horário do ingresso era o da primeira banda.
Com o fundo do palco trazendo a belíssima ilustração da capa de seu último disco, Dark Roots Of Earth, o Testament subiu ao palco 15 minutos após as 21h00 ao som do hino dos Estados Unidos, Star-Spangled Banner, emendando direto com Rise Up. Logo nos primeiros minutos já deu para notar que não teríamos problemas de som naquela noite que, como já é costume no HSBC Brasil em shows de metal, estava bem alto e equalizado. Apostando na força do excelente último trabalho, das 5 primeiras músicas executadas, 4 eram do disco de 2012 (Rise Up, Native Blood, Dark Roots Of Earth e True American Hate), todas muito bem recebidas pelos fãs.
Após esta sequência Chuck Billy convoca todos os fãs para uma grande roda. É a deixa para Into The Pit, do clássico disco de 1988 e um dos mais aclamados do gênero, The New Order. O que veio em seguida foi uma viagem aos anos 80 com os maiores clássicos do thrash mundial sendo executados sem pausa para descanso: Practice Watch You Preach, The New Order, Over The Wall e The Haunting.
A banda sai do palco por alguns minutos e retorna para D.N.R. e 3 Days In Darkness, do álbum The Gathering de 1999, que em sua versão de estúdio conta com Dave Lombardo, (ex?) baterista do Slayer nas baquetas. O set de pouco mais de 1 hora de duração é encerrado com The Formation of Damnation, faixa-título do disco de 2008, com Chuck Billy prometendo voltar ao Brasil em 2014 para a Copa do Mundo. Conferir uma apresentação do Testament, mesmo que com um set curto, é uma aula de thrash metal. Com sua formação quase original, junto com o preciso e avassalador baterista Gene Hoglan, a banda é perfeita ao-vivo, mostrando um entrosamento ímpar na execução de suas músicas, com destaque para o guitarrista Alex Skolnick, que esbanja habilidade e virtuosismo em seus solos.
Fim de show: Testament agradecendo ao público
Sao Paolo, Brazil: What a crowd – thank you for making all that draining travel worthwhile. Obrigado!— Alex Skolnick (@AlexSkolnick) May 16, 2013
Após um rápido intervalo de 20 minutos, graças ao eficiente trabalho feito pelos roadies e demais membros da equipe técnica, o palco rapidamente fica pronto para receber o Anthrax. O quinteto nova-iorquino entra ao som de Worship, do álbum de 2012, mas a faixa que abre o show é Among The Living, do disco de mesmo nome, mostrando que este set seria um pouco diferente daquele que vimos no ano passado. Continuando no álbum de 1987, a banda parte para o clássico Caught In A Mosh que, como esperado, abre uma grande roda na pista, seguida da divertida N.F.L., com Joey Belladonna exibindo seus dotes vocais logo no início.
A banda mantem duas músicas de Worship Music no set: Fight ‘Em ‘Til You Can’t e In The End intercaladas rapidamente por March Of The S.O.D., cover do Stormtroopers Of Death presente no S.O.D., projeto paralelo do guitarrista Scott Ian e do baterista Charlie Benante. Mas é In The End que reserva um momento especial para a noite. A música, que presta homenagem a Dimebag Darrel e Ronnie James Dio, é executada com duas bandeiras com o rosto dos músicos cobrindo os amplificadores, com Belladonna pedido aos fãs para erguerem os famosos “devil horns”. O público respondeu à altura dos saudosos músicos e interagiu gritando pelo nome deles.
Ainda na linha tributo, e aproveitando para promover o EP de covers Anthems, Scott pede para que todos ajudem a cantar T.N.T., hino daquela que ele considera a maior banda do mundo, o AC/DC, claro. Pedido prontamente atendido, com todo a plateia gritando “oi, oi, oi, oi” num dos momentos mais celebrados do show. O final dela trouxe uma surpresa: uma pequena amostra de Back In Black, deixando todos os presentes somente na vontade, mas sem tempo nem de pensar em um possível medley…
Mais uma leva de “medalhões”, iniciando com Indians, que teve Belladonna filmando com a câmera que exibia as imagens do telão o “wardance” que acontecia na pista, passando por Medusa, Got The Time (cover conhecida até em Marte), encerrando a primeira parte do show com I Am The Law.
A banda retorna ao palco com um rápido solo de bateria do preciso Charlie Benante, seguido por I’m The Man, com o baixista Frank Bello, em mais uma noite de performance insana, dividindo os vocais com Scott Ian. O show segue com a banda tocando a introdução de Raining Blood em homenagem ao guitarrista do Slayer Jeff Hanneman, morto no início deste mês e tem Belladonna se esforçando para cantar os primeiros versos de The Ripper, clássico do Judas Priest e Madhouse, do segundo álbum do Anthrax, Spreading The Disease.
A plateia, já sabendo que o fim do show se aproxima, pede por Antisocial, cover do Trust. Pedido atendido e a noite se encerra com chuva de baquetas e palhetas e Belladonna cantando o hino Long Live Rock N´Roll.
O Anthrax, que desde o retorno da banda com Joey Belladonna no vocal vem numa crescente impulsionados pela força dos shows com o Big 4, o lançamento do excelente Worship Music, o EP de covers Anthems, tocando em vários locais ao redor do mundo com noite de gravação de DVD em Santiago, no Chile, nesta perna da tour na América Latina, começa a aparentar seus primeiros sinais de cansaço. Não que seu show não tenha sido de qualidade. Pelo contrário, a banda entregou aquilo que sempre esperamos num show de metal: peso e vários clássicos tão queridos pelos fãs, mas por vezes, talvez por conta do cansaço sentido pelos músicos por conta da incessante maratona de shows, viagens demoradas e problemáticas, gravações, etc, a banda parecia, por vezes, soar no automático, não agindo de forma muito espontânea. O vocal de Belladonna também demonstrou alguns destes sinais de cansaço, ainda que sua performance de uma maneira geral tenha sido de ótimo nível.
No meio de toda essa avalanche de acontecimentos que afetou a vida do Anthrax nos últimos anos, não devemos deixar de dar os merecidos créditos ao guitarrista Jon Donais que tem desempenhado seu papel muito bem ao substituir o guitarrista Rob Caggiano, hoje no Volbeat.
Outro ponto que deve ser destacado é o público da noite. Diferente do que se observa normalmente em shows, a maioria absoluta estava extremamente focada no que interessava: o palco. Assim, toda a galera usava o celular ou câmera muito pontualmente, para registrar algum momento mais específico, ou ainda no intervalo de músicas, aproveitando o aumento da luminosidade. “Kudos” para o público do thrash…
Palco sendo preparado para o Anthrax
A/C: Charlie Benante
Joey filmando a galera (1)
Belladonna filmando a galera (2)
Belladonna com a nossa bandeira
In The End: homenagem a Ronnie James Dio…
In The End: … e Dimebag Darrell
São Paulo – you packed the place with insanity tonight- thank you! See you next year!— FrankBello (@TheFrankBello) May 16, 2013
5:30AM lobby call for flight to Mex City. Lobby filled with friends from last nights insanity in São Paulo. Go to bed! Obrigado! #Brasil— Scott Ian (@Scott_Ian) May 16, 2013
At 6:25AM the stench coming off the river of shit that flows out of São Paulo is quite bracing. #polite— Scott Ian (@Scott_Ian) May 16, 2013
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