Kiss discografia [Apêndice E] – Capítulo 1 – Eric Carr – o trabalho paralelo pouco conhecido

A drummer in a dramatic pose, wearing a sleeveless black outfit adorned with sequins, performing on stage with a spotlight shining on him.

Avançando nos apêndices da discografia KISS, esse capítulo dedicado a Eric Carr vai traçar algumas linhas sobre os poucos e inacabados trabalhos nos quais o saudoso baterista foi protagonista. Eric tinha a iniciativa de compor e participar mais intensamente no KISS, mas a grande maioria do material que criou só foi conhecido de forma fonográfica após sua morte. Antes, porém, de fazer uma análise sobre o conteúdo musical que 2 álbuns póstumos têm, vale à pena entender como Eric chegou ao KISS. O baterista sempre se viu atrelado à várias outras bandas, já desde 1966, revezando-se entre uma sonoridade ‘disco’ e o hard rock. O primeiro grupo que se tem conhecimento de Eric é o The Cellarmen, entre 1966 e 1968, que iniciou tocando covers diversos, para depois tentar uma sonoridade calcada no Cream ou Jimi Hendrix. Entre 1969 e 1975 Carr esteve em bandas como Smack e o Salt & Pepper, que trocou o nome para Creation e depois para Mother Nature Father Time. Nesse período Carr e banda apostavam na disco music, mas nenhum desses projetos chegou a gravar nada. Em dezembro de 1979 Eric voltou ao rock’n’roll na banda Flasher, mas logo depois entrou no KISS.  A única participação conhecida de Carr antes do KISS em álbuns é na banda Lightning, do cast da Casablanca, tocando bateria em algumas faixas no debut de 1979.

A drummer performing energetically on a large, elaborate drum set featuring chrome finishes and distinctive symbols on the drums.

Durante os seus anos no KISS, duas canções de Carr foram lançadas em álbuns de outros artistas : “Don’t Leave Me Lonely” está no álbum de Bryan Adams de 1983, chamado “Cuts Like a Knife”. Em 1984, no álbum solo de  Wendy O. Williams  – “WOW” – Eric aparece na coautoria da faixa “Ain’t None of Your Business”.  Somente em 1999, cerca de 8 anos após a morte de Carr, algum material que Eric vinha desenvolvendo foi registrado oficialmente. “Rockology” traz canções em diversas fases de construção, todas compostas por Eric, Bruce Kulick e Adam Mitchell. É importante deixar claro que o conteúdo deste post traz apenas canções em formato demo, não há de fato um trabalho concluído como carreira solo por Eric Carr. Antes de “Rockology”, em 1998, o grupo Garbo Talks lançou um álbum que tinha a participação póstuma de Carr na bateria da canção “Game of Love”. Vamos ao primeiro conteúdo principal deste apêndice.

ÁLBUM: ROCKOLOGY

Album cover featuring Eric Carr seated at a drum kit, with the title 'Rockology' prominently displayed.

1. “Eyes of Love” – 3:29

2. “Somebody’s Waiting” – 3:48

3. “Heavy Metal Baby” – 4:34

4. “Just Can’t Wait” – 3:56

5. “Mad Dog” – 3:16

6. “You Make Me Crazy”- 4:04

7. “Nightmare” – 4:22

 8. “Nightmare” (Live demo) – 3:42

 9. “Too Cool For School” -3:59

10. “Tiara” – 4:26

11. “Can You Feel It” – 4:02

12. “Nasty Boys” – 3:27

Bonus Tracks:  ”Tiara”/Can You Feel It”/ “Eyes Of Love”/”Ob-La-Di, Ob-La-Da”/”Stranger”

Lançado em 19/10/1999

Produzido por Bruce Kulick

O primeiro álbum solo póstumo de Eric Carr é, como o segundo, um projeto desenvolvido pela família do baterista, com a diferença que aqui há a produção do amigo Bruce Kulick e, ainda que traga muito material em status de rascunho, é algo com canções mais parecidas entre si. O álbum se destaca por uma coleção de ótimos solos de guitarra de Kulick e por algumas boas ideias que Eric, junto de Bruce e Adam Mitchell, desenvolveram. Apenas a última faixa, “Nasty Boys” é também composta por Jonathan Daniels. O formato inacabado do material, no entanto, prejudica uma análise mais apurada, há várias faixas com letras em estágio bem embrionário, assim “Rockology” é um álbum que vai encontrar boa receptividade apenas dos die-hard fãs do saudoso baterista. As canções que se destacam são justamente as duas primeiras, “Eyes of Love” e “Somebody’s Waiting”, além da balada “Tiara”, que traz um vocal suave de Eric. Aliás a melhor surpresa desse material lançado de forma póstuma é o vocal de Eric. A canção foi originalmente feita por Eric para um projeto de desenho animado chamado Rockheads, que acabou nunca se transformando em realidade.

Cartoon illustration of a rock band with four animated characters, featuring colorful hairstyles and musical instruments, performing on stage.

O refrão de “Can You Feel It”, quase ao fim de “Rockology”, também mostra algum potencial. Não à toa, a canção acabou sendo gravada em 2008 pelo grupo Faith Circus. Fica, no entanto, a clara sensação de que Carr poderia ter mais espaço como compositor e até como cantor no KISS.  Como curiosidade, “Rockology” tem uma nova versão lançada em 2023 com faixas extras, entre elas dois bons vocais de Eric Carr para “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, clássica canção dos Beatles e “Stranger”, de sonoridade mais hippie.  Um novo projeto com o protagonismo de Carr esperaria 12 anos depois de “Rockology”, pois apenas em 2011 sai o último trabalho solo conhecido de Eric Carr, o ainda mais embrionário “Unfinished Business”.

ÁLBUM: UNFINISHED BUSINESS

Eric Carr, dressed in a flamboyant costume with face paint, plays the drums in this promotional image for 'Unfinished Business.'

1. “Eric Speaks to the Fans” – 0:06

2. “Just Can’t Wait” (Ted Poley) – 3:55

3. “Troubles Inside You” – 2:28

4. “No One’s Messin’ With You” – 3:14

5. “Eric Talks About His Music”  – 0:14

6. “Carr Jam 1981” (Joey Cassata e Benny Doro) – 3:11

7. “Eric Talks About His Audition” – 0:17

8. “Shandi” – 3:55

9. “All Hell’s Breakin’ Loose” (ZO2) – 4:28

10. “Dial L For Love” – 2:52

11. “Elephant Man” – 3:59

12. “Eric Talks About Mark St. John” – 0:15

13. “Midnite Stranger” – 2:22

14. “Eyes of Love” – 3:47

15. “Bill Aucoin Talks About Eric” – 0:41

16. “Through the Years (Live)” – 5:06

17. “I Cry At Night” – 2:07

18. “Eric Joking At Rehearsals” – 0:34

Bonus Tracks : “I Found Love (The One I Adore)”/”Down By The River”/ “Get Down”/”Black Magic Woman”/”Listen To The Music”

Se “Rockology” mostra um material bastante rudimentar, “Unfinished Business”, como o título já entrega, vai ainda além, trazendo um conteúdo bem misturado e serve em especial como curiosidade para os fãs, exceto por um ou outro momento específico. Há, por exemplo, um ótimo solo de bateria intitulado “Through The Years”. Várias das faixas durante o álbum são nada mais são do que depoimentos ou diálogos que Eric deixou registrado e há uma gravação com os vocais de Eric em 1967 (“I Cry At Night”, faixa no estilo Beatles). Considerando estritamente o ponto de vista musical, a segunda faixa, “Just Can’t Wait”, creditada nos vocais de Ted Poley, é até interessante e ainda que a faixa já esteja no álbum anterior, esta nova versão está mais finalizada. Outra faixa melhor acabada é a boa” Eyes of Love”. “Dial L For Love”, uma composição de Eric com Gene Simmons, que também aparece no box “The Vault”, de Gene, é exatamente o oposto, basicamente uma faixa instrumental aqui.

A person sitting on a railing near the entrance of a subway station, with a sign indicating 'Fifth Av Station' in the background, and various advertisements on display.

De resto é contar com faixas não inéditas, em outras versões: “No One’s Messin’ With You” traz letras e um título diferente para a canção “Little Ceasar”, que está no álbum do KISS, “Hot In The Shade”.  “Carr Jam 1981” aparece aqui com outros overdubbs (de outros músicos), mas está muito próxima à homenagem ao baterista registrada no álbum “Revenge”. “Shandi” em formato acústico com os vocais de Eric ficou bem interessante, ainda que se perceba alguma dificuldade de Carr para cantá-la. “All Hells Breakin’ Loose”, do “Lick It Up”, aqui aparece em uma versão cover, feita pela banda ZO2. O cover foi provavelmente incluído para completar material, provavelmente, aliás está muito próxima da original.  O material bônus, ao fim do álbum, é basicamente extraído de momentos anteriores ao KISS. Nele eu destaco “Black Magic Woman”, uma cover com Eric no Salt & Pepper em 1972 e “Listen To The Music”, gravada no período de Eric no Mother Nature Father Time, em 1977. Duas versões ‘live’ muito competentes e com até uma certa qualidade para época em que foram gravadas.

A drummer passionately singing into a microphone while playing the drums, with long curly hair and a mustache, in a lively performance setting.

Em breve, a discografia KISS em formato de apêndices deverá seguir para mostrar um panorama daquele que menos tempo ficou na banda, Mark St. John.

Saudações,

Alexandre B-side



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