Discografia Van Halen – [CAPÍTULO 5]

{ Diver Down  – álbum, 1982 }

Logo em Janeiro de 1982 Dave Lee Roth, Alex e Eddie Van Halen e Michael Anthony reúnem-se no Sunset Sound Studios, em Los Angeles (hoje pertencente ao selo Warner Brothers) com um propósito único: criar um novo disco melhorando o trabalho realizado anteriormente (Fair Warning).

Assim nasceu Diver Down (Mergulhador ao Mar, em tradução livre). Durantes extensos três meses – para a banda todos este tempo de gravação parecia uma eternidade já que eles sempre estiveram acostumados a um processo criativo e de produção extremamente enxuto – a banda ficou completamente envolvida neste novo trabalho. E isso chamou a atenção da imprensa especializada que após o último disco queria logo começar a tecer comentários sobre o grupo.

Também produzido por Ted Templeman e contando com o engenheiro de som de longa data Donn Landee ( foram eles que sugeriram à banda um pouco mais de “calma” na produção do álbum) o disco sai às lojas em 14 de Abril de 1982.

Como é perfeitamente possível imaginar, todos enclausurados juntos durante todos estes meses só pode contribuir ainda mais para as desavenças e atritos internos. Mas desta vez as fagulhas começariam a atingir outros membros do Van Halen…

De qualquer forma, o lineup se manteve:

Lineup:

David Lee Roth: Vocal

Eddie Van Halen: Guitarra e backing vocal

Michael Anthony: Baixo e backing vocal

Alex Van Halen: Bateria

A capa do álbum é uma reprodução das bandeiras marítimas que indicam mergulhadores submergidos na área, demandando cautela aos barcos que por ali se aproximem.

Em entrevista, Roth ao ser questionado sobre esta capa mencionou que a intenção era dizer que “Estava acontecendo algo não aparente aos olhos. Muitas pessoas vêem o Van Halen como  um tipo de abismo, então realmente não está aparente a todos o que está acontecendo embaixo da superfície”.

Uma declaração muito interessante. Todos já conheciam as diferenças entre Roth e Eddie e é claro que elas continuavam agravando-se. Além disso, segundo o baixista Billy Sheehan, da banda Talas (um dos grupos a se apresentar abrindo alguns shows do Van Halen), Eddie o convidou para substituir Michael Anthony. Uma vez publicado, este boato não foi bem recebido pelo próprio Anthony, sendo que este retaliou em uma entrevista dizendo que era difícil identificar quem era o mais ‘traiçoeiro’ da banda, numa clara alusão ambígua e dúbia a Eddie e/ou Roth.

Durante o período de gravação dos singles e restante das músicas do álbum completo, Eddie e Alex também contribuíram com as músicas instrumentais e alguns arranjos da trilha sonora do filme The Wild Life (Vida Selvagem), estrelado por Eric Stoltz, mais popular por seu personagem Lance em Pulp Fiction – Tempo de Violência. As músicas instrumentais da trilha fazem uso acentuado de teclados, de forma similar ao usado pela banda nos dois primeiros trabalhos e que também seria revisitado no próximo disco do Van Halen…

Tracklist:

Faixa Título Compositor Duração

1

Where Have All the Good Times Gone!

Davies

03:05

2

Hang ‘Em High

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

03:28

3

Cathedral

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

01:22

4

Secrets

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

03:25

5

Intruder

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

01:39

6

(Oh) Pretty Woman

Dees, Orbison

02:55

7

Dancing in the Street

Gaye, Hunter, Stevenson

03:45

8

Little Guitars (Intro)

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

00:42

9

Little Guitars

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

03:48

10

Big Bad Bill (Is Sweet William Now)

Ager, Yellen

02:45

11

The Full Bug

Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen

03:21

12

Happy Trails

Evans

01:06

Turnê:

A turnê do Diver Down foi intitulada de Hide Your Sheep Tour (algo como Esconda Suas Ovelhas) e teve início em Julho de 1982, perdurando até Maio do ano seguinte.

Com 105 apresentações divididas em 4 legs (trechos), o detalhe mais importante deve-se à última leg, a qual fora realizada na América do Sul, pela primeira vez. Os latinos puderam apreciar a banda a todo vapor e já rumo ao estrelato.

Nas terras tupiniquins foram feitas 9 (sim, nove!!) apresentações, divididas igualmente entre Sâo Paulo (Ginásio do Ibirapuera), Rio de Janeiro (Ginásio do Maracanã) e Porto Alegre (Ginásio Gigantinho).

Como esta terceira leg contou com apenas 16 shows, essa turnê foi crucial para colocar o Brasil como ‘cabeça-de-chave’ dos destinos de shows de rock da região,  logo no início dos anos 80, o que viria a ser extremamente frutífero.

Avaliação:

Como o Fair Warning, trabalho anterior, não atingiu o resultado esperado, muito devido à sua faceta mais negra, destoando do tom festeiro do Van Halen original e essência do grupo, não havia muita escolha para o próximo álbum: o Diver Down é muito mais light que seu predecessor.

Em algumas perspectivas, é como um retorno aos primeiros álbuns sendo pesado com covers mas apenas nos trechos onde estas músicas já são exuberantes e conhecidas.

Aliás, para um disco com apenas 31 minutos de gravação, contando com 5 covers, 5 músicas novas e 2 instrumentais, o trabalho deveria ser muito bom para valer a pena. E realmente é, um autêntico Van Halen, muito prazeiroso para se ouvir, independentemente das músicas terem sido glorificadas pela fama ou não.

Temos ainda participação especial do patriarca da família, Jan Van Halen, tocando clarineta  em Big Band Bill.

É realmente um disco ótimo!!

Premiações:

A melhor tradução do álbum, junto às avaliações pode ser evidenciada pelo painel de Billboard. Em 1982 o Van Halen abocanhou a 3ª posição no top 300, figurando novamente em 1984 – dois anos após a publicação do álbum – porém já como 126º álbum.

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 4 estrelas ( * * * * )

Ouça: Cathedral; (Oh) Pretty Woman; Dancing in the Streets; Little Guitars (intro); Little Guitars; The Full Bug.

Try Out:

Ouça Big Band Bill e imagine-se em uma das apresentações de Jan Van Halen na época em que Alex e Eddie eram crianças, ajudando o pai a ganhar alguns trocados, já que é um cover de uma música mais antiga. Trata-se de uma experiência sonora única e é claro, viva e perceptível apenas para quem conhece a história pré-banda da família Van Halen.

[ ]’s

Julio



Categories: Artistas, Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Entrevistas, Músicas, Resenhas, Trilhas Sonoras, Van Halen

15 replies

  1. Julião!

    Cara, que bom ter os posts da Discografia Van Halen de volta por aqui.

    Sei que a vida não anda fácil em termos de tempo então, logo de cara, gostaria aqui de registrar um agradecimento especial a você!

    O post é, como tudo que você traz por aqui, ótimo. Preciso, entretanto, garantir que eu faça sua experiência especificada no “Try Out”.

    E olha só… não sabia que foram 9 datas por nossas terras. E eu (bom, nós) recém-nascidos!

    Como você abordou no texto, o clima, que nunca foi leve, agora começou a pegar de verdade e, considerando o que vem pela frente, este momento pode ser considerado apenas como “faíscas” da labareda que veremos na sequência desta ótima discografia.

    Já estou ansioso pelo próximo capítulo, cara!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. SIm, estávamos sentindo falta desta ótima sequência . A espera valeu à pena, não sabia também das nove datas , pra mim foram 2 shows , em São Paulo e no Rio.
    O álbum é sem dúvida melhor que os anteriores, quase no nível dos dois primeiros. Gosto bastante de Little guitars e sua Little guitars intro, para mim é o momento máximo do álbum.
    A versão de Pretty Woman foi considerada por Van Halen um momento de arrependimento , pois ele não conhecia a música direito, e a idéia provavelmente veio de Lee Roth, o que acabou fazendo com que esta versão não traga um trecho da original. Ainda assim, é uma ótima versão , gosto bastante também da Intruder que prepara o clima para a cover. As guitarras estão absolutamente fantásticas em todo o álbum.
    O post é excelente e traz outro fato que desconhecia, a vontade de ter Sheehan na banda . Será que não foi idéia de Dave ? Afinal, ele acabou tocando com o vocalista mais tarde…
    Talvez no próximo capítulo tenhamos alguma resposta ..

    Alexandre Bside

    Like

  3. Excelente novamente e já estou esperando o próximo, imperdível com certeza.
    O album é ótimo e como o Ale falou as guitarras de Mr. Eddie estão sensacionais e também concordo em destacar como minha preferida Little Guitars, que é executada seguindo literalmente o título da Musica – com uma pequena guitarra, como vemos no link abaixo

    E complementando para os que não são cariocas – o Ginásio do Maracanã é o consagrado Maracananzinho, conhecido pelos eventos esportivos de menor porte (volei, basquete, futebol de salão) e também pelas queixas generalizadas sobre a pessima acustica em shows.

    Abraços e Parabéns.
    FR

    Like

  4. Julio o post está ótimo, assim como o disco!!
    Se permitir, complemento com algumas curiosidades:

    Cathedral: Eddie ficou “martelando” as notas no braço (mão esquerda) e, simultaneamente, usando o botão de volume (mão direita) com certa e característica velocidade para fazer o som similar a de um órgão de igreja (ou catedral, daí o título). Para essa música foram feitos dois takes; no segundo o botão do volume parou de movimentar graças à ‘”dedicação” de Eddie e o primeiro take foi o que entrou na gravação.

    Intruder: esta faixa só existe por conta da exigência da Warner Bros. em fazer um video clip para a música “(Oh!) Pretty Woman”. O Eddie, bêbado, recebe uma ligação de que havia a necessidade de se gravar uma pequena introdução para “Pretty Woman” e ele, sem inspiração nenhuma, pega seu carro e vai para o estúdio num dos últimos dias de gravação. Lá ele resolve usar o pequeno teclado e então tem a ideia de ficar esfregando a lata de cerveja que ele bebia nas cordas da guitarra. O resultado é o que todos nós conhecemos…

    Happy Trails: apesar de já tocada em alguns shows do VH, o momento mais icônico desta música foi um show em Pasadena, na Califórnia em 1976! Como uma brincadeira, a banda tocou o tema de um seriado western americano, estrelado por Roy Rogers e Dale Evans (autor da composição) nos anos 50 e começo dos anos 60. No ano seguinte eles incluíram essa versão na fita demo para a Warner Brothers.

    (Oh) Pretty Woman: perfeito, como disse o Bside, Eddie achava que a música era da forma como cantaram e portanto simplesmente esqueceu de uma estrofe… A palavra “mercy” que aparece antes da 2ª estrofe foi incluída pelo próprio Roy Orbinson (autor da música) dentro do estúdio, quando da gravação da versão original. Orbinson já não aguentava repetir a gravação e pediu “Piedade – Mercy” pois tudo o que ele queria era acabar com a gravação da música em questão, após exaustivas 15 repetições.
    Em tempo: esta é uma das pouquíssimas músicas do VH em que não há solos!!

    Mayra

    Like

    • Olá Mayra, nossa, parabéns, um ótimo complemento ao post e aos comentários anteriores… realmente, sou um privilegiado por abrir este espaço a pessoas como vocês…

      É o Minuto HM dando mais uma prova como não só os posts, mas os comentários são fundamentais para a experiência de um assunto que se expõe…

      A aula continua ótima, pessoal!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Realmente Mayra, concordo em gênero, número e grau com o Rolim (Eduardo)!

      Mais uma vez vemos aqui a contribuição, importância e qualidade dos comentários do MinutoHM…

      O Capítulo 6 vai ser um prato repleto pra vc!!! rs

      Julio

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