Já é fato: o Bangers é o melhor festival que temos no país.
Sim, ele tem algumas falhas, mas a equipe por detrás desse festival costuma ouvir seu público. Eu sempre mando um ou dois pitacos para eles e tenho certeza que o que eu reclamar aqui pode sim ser consertado para edições futuras (assim como coisas que ocorreram em edições passadas foram acertadas).
E sim, saiba você, caro leitor, que essa pessoa que vos escreve esteve no Bangers Open Air de 2026, nos dias 25 e 26 de Abril no Memorial da América Latina (também conhecido como “o quarteirão ao lado da minha casa”) aqui na cidade de São Paulo.
O lineup não agradou a todos, principalmente o pessoal que cresceu ouvindo metal nas décadas de 70 e 80. As bandas dessa época são medalhões que um festival do porte do Bangers não pode arcar – e nem é esse o intuito do festival, que é excepcional em trazer bandas europeias que, em turnê solo, lotariam um Carioca Club ou, no mais, uma Audio Club (casas de show pequenas aqui da cidade quando comparamos com o potencial do Memorial). Eu gostei muito do lineup. Eu ia só no dia número dois, mas acabei comprando o ingresso do sábado do nosso presidente, que abandonou o festival tão logo o Twisted Sister assim o fez.
Deixo abaixo a imagem do cartaz oficial com todas as atrações do festival nesse ano:

Dia 1 – Sábado – 25 de Abril
It’s gonna be a fucking hot day, ahn?! (Tom Englund – Evergrey)
Um sol para cada um!
Eu com a garganta e o ouvido inflamados!
E uma fila quilométrica!
Primeira vez que vi uma fila daquela, desde a primeira edição do festival, quando ainda se chamava Summer Breeze. Cheguei 12:25 no final dela, passando a ponte do Pacaembu, exatamente à Rua Barra Funda 1042. Do portão, era muito longe – entrei 13:15 e, com o Evergrey já em andamento, puxei fôlego de onde não tinha e corri por todo o memorial para chegar até o palco literalmente do outro lado do evento.
Evergrey
Cheguei durante a execução da terceira faixa (que só fui ver que era a terceira quando cheguei em casa). Mas enfim, consegui vir a banda pela primeira vez na minha vida, depois de várias tentativas frustradas! Eu adoro o progressivo que esses suecos fazem, principalmente se pegarmos os últimos. Acompanhados de um telão compondo diversas imagens e efeitos (além de clipes da banda tocados simultaneamente às execuções ao vivo) e, também, de um novo guitarrista solo, fizeram uma apresentação consistente e que me agradou. Um setlist bem variado em termos de álbuns, tocando inclusive uma música nova que não mal tinha sido apresentada ao vivo (isso é algo bem incomum de se ver em festival, inclusive, já que as bandas priorizam seus medalhões para agradar a maior parte do público). Achei a equalização das guitarras mal distribuída – a guitarra solo estava bem mais alta que a guitarra base, o que comprometeu a experiência de alguns solos feitos pelo vocalista Tom Englund (nada que a banda tenha reclamado, foi mais um ponto meu). Mas eu lavei a minha alma. Poderiam ter tocado mais umas duas horas?! Poderiam! Uma coisa é certa: não é banda para estar tão cedo no palco – acho que o festival optou por trazer bons artistas para o início do show para atrair mais público – coisa que deu certo: o sol estava a pino na cabeça de muita gente!
Interludio 1
Interlúdio é quando eu me dei uma pausa para dar um rolê porque não tinha banda que eu queria ver naquele momento. Assim que acabou o Evergrey, voltei para o outro lado da ponte e fui ver as lojinhas. Passando pelo terceiro palco, vi um pouco da Violator, uma banda de death metal de Brasilia que não me agradou – o som é bem característico, mas o papo deles dele “vamos atacar os opressores capitalistas” para mim é muito coisa de adolescente. Vi uma música e vazei.
Quando as lojinhas, esse ponto melhorou absurdo quando comparamos a evolução desde a primeira versão do festival – de uma loja de camisetas e estúdio de tatuagem, passamos agora a ter stands específicos de bandas (tínhamos do Angra, Edu Falaschi e Aquiles Priester), stand oficial da loja com camisetas oficiais de todas as bandas (ao precinho de 200 mangos em média), lojas com LPs, CDs, vestimentas e aparatos medievais, jogos de tabuleiro, estúdio de tatuagem e tinha até um stand do Amplifica com instrumentos e uma bateria eletrônica que você juntava sua galera e fazia seu próprio som! Puta sacada! Aquele stand sempre tinha alguém tocando!
As lojinhas também ficavam perto do local das signing sessions, onde os artistas iam autografar e tirar fotos. Nesse momento eu peguei o pessoal do Korzus assinando – banda que eu queria ter visto em palco, mas a fila me pegou.
Feuerschwanz
Voltei para ver a Jinjer e, para pegar um bom local perto da grade, a melhor coisa é não esperar a apresentação existente terminar, senão já era. Os alemães do Feurschwanz estavam se apresentando e a minha primeira impressão foi “mas que ursinho é esse?!“. Eins, Zwei, Drei, Vier! Chego no palco e dou de cara com um viking tocando gaita de fole e uma mulher no violino, um outro vestido de cavaleiro e, o melhor de tudo, duas “vikinzetes”, que ficavam fazendo coreografias, dancinhas ensaiadas, simulação com armas de batalha, essas coisas. Um som bem divertido e, em várias faixas, cantado em alemão (até o inglês dos caras para falar com a plateia era básico, algumas vezes eles falavam em alemão mesmo). Teve versão metal espadinha da música original do que conhecemos como “Festa no Apê”, do Latino. Para ver em um festival, foi divertido demais. Para ouvir no dia a dia, é muito fora da nossa cultura. O agradecimento deles foi bem legal, pois na hora de se levantarem da referências, eles sincronizaram com o refrão de Gangnam Style – eles sabem rir do teatro que fazem e isso é muito legal!
Jinjer
Hora de separar os meninos dos homens. A primeira vez que eu ia ver a Jinjer, a recente guerra entre Rússia e Ucrânia (que na época tinha começado havia alguns meses) cortou o meu barato, cancelando a turnê dos ucranianos aqui em São Paulo. De longe era a banda que eu mais esperava para o sábado. Os criadores do “tal do Djent” (uma mistura de Metalcore, Hardcore e um Melodismo empoeirado de efeitos e sujeira) passaram mal com a recepção calorosa do pública e com a recepção calorosa do sol. Tatiana Shmayluk, a vocalista que resolveu vir de saião francês antigo, claramente passou mal durante algumas faixas, tendo que se hidratar entre as canções e tomar um fôlego extra como um amador que revolve jogar bola uma vez por mês. Com uma vozinha de menininha para falar com o público, esbanjou uma versatilidade vocal ímpar dentro das doze (douze!) canções executadas. O baterista, Vladislav, é outro show à parte, um chassi de grilo que domina quebra de tempo em cima de quebra de tempo, colocando até levadas de jazz dentro da euforia rítmica das canções da banda. Deram um maior espaço para o novo álbum (que eu não conhecia – aí o erro é meu), deixando de lado várias canções que eu gostaria de ter ouvido. Mesmo assim, sem saber o que iriam tocar, tive a sorte de filmar Teacher, Teacher! e a clássica Pisces (essa eu saquei que era a vez, pois a Tatiana anunciou a canção com um “aqui vai uma nova música que a gente nunca toca e ninguém conhece a letra”). O vídeo da Fear of the Dark deles ficou deitado no meu celular e eu só consegui girá-lo no Windows com um software tosco que deixou um quadrado preto em volta da gravação. No final do show, o pessoal do Korzus apareceu ao fundo, assistindo a apresentação. Eu só não gostei que após a última música eles não tiraram foto nem agradeceram em conjunto. Foi tipo um “blz, é isso ai, valeu, até mais!”.
Killswitch Engage
Tirem as crianças da sala! Lembram daquela lista de vocais guturais / agressivos que eu fiz a parte 2 em um dos podcasts? Então, o Jesse Leache foi o primeiro que eu coloquei (ou seja, era o mais fraquinho da lista). Apesar do pessoal do blog não ouvir, eles tem uma turma de fãs bem fieis e não tinha como entrar perto da grade do outro lado da pista quando acabou o Jinjer. Tive que ver o show um pouco mais de trás de onde pretendia.
A primeira vez que eu vi os caras foi no festival captaneado pelo Dream Theater aqui em São Paulo. Naquele dia o show deu uma atrasada porque tiveram problemas no som. E qual é a primeira coisa que eu vejo no palco dessa vez: Justin Foley, o baterista, reclamando absurdo com algum assistente de palco que estava mexendo em algum equipamento, porque ele não conseguia ouvir sei lá o que. Pensei, “caramba, de novo! os caras não dão sorte….”. Só que não teve problema no som!
Entraram no palco como se estivessem entrando para um ensaio, sem nenhum tipo de abertura. “E ai galera, vocês estão preparados?!”. Um, dois, três e começa o mosh pit! Foram dezessete pancadas uma atrás da outra. Fiz três vídeos, mas coloquei só dois (o terceiro, que era de This is Absolution, também ficou virado 90 graus e não quis usar aquele software do Windows horroroso e fiquei sem paciência de procurar outra ferramenta). Uma das canções, Hate by Design, eu mostrei em um podcast de alguns anos atrás, porque a banda já veio em uma das edições anteriores – e eu lembro que o pessoal gostou da música!
Ah, e uma das crianças que tiraram da sala, colocaram dentro do mosh pit. Eu queria entrar lá na rodinha para dar um pescotapa no pai que teve essa imbecil ideia, mas a roda estava muito pesada (eu ia morrer lá dentro com os problemas de costas que eu já tenho).
Interlúdio 2
Eu estava morrendo em pé, com dor de garganta e dor de ouvido. Queria ver o Arch Enemy, mas não domino a banda como um fã – conheço bem uns três álbuns só. Dei uma passada para ver a Crypta e achei o som muito baixo para o death metal proposto. Deram uma abaixada no som, não é possível. Como não estava me aguentando, resolvi ir para o anfi-teatro do Memorial, onde montaram o palco waves (lá é cadeirinha e ar condicionado). No momento, estavam finalizando o tributo ao Ozzy – deu tempo de pegar Mama, I’m Coming Home. Estava muito legal e cheio de gente. O Amilcar estava na bateria e o Kisser Filho em uma das guitarras. Ainda deu tempo de ver o Hugo Mariutti, que, pelo que entendi, ajudou na produção.
Só que eu não aguentei e voltei para a casa. O segundo dia estava cheio de coisa que eu queria ver e não ia ficar me matando só para ver o Arch Enemy, paciência.
Dia 2 – Domingo – 26 de Abril
Kikooooo, abraça o Aquiles!!!!! (alguém gritou no fim do Angra)
Um sol para cada um!
Eu com a garganta e o ouvido inflamados!
Cheguei 11:40 para garantir 1 hora de fila e não perder o Primal Fear.
Mas, cadê a fila?
Não tinha! Vaporizou! Ou o festival fez alguma coisa para facilitar a entrada (o que, visualmente, eu não vi nada de diferente), ou a fila do festival estava como o trânsito de São Paulo: sem explicação.
Entrei em 2 minutos e fui direto para a fila dos Signing Sessions (a minha vida é uma fila!), porque o Roy Khan ia dar autógrafo em um horário que não tinha nenhuma banda legal para ver (sim, era no horário do Winger – desculpa aí Rolf). As senhas só seriam distribuídas a partir das 12:15 e aí vai a minha crítica: as senhas poderiam ser distribuídas antes já que existia uma fila enorme. Tem show começando meio-dia e você não pode conferir as bandas porque precisa ficar em fila – sacanagem! Qual seria o problema de começar a distribuir essas senhas um pouco antes. Enfim…. Consegui pegar minha senha do Roy Khan e passei dar uma conferida na Visions of Atlantis. Só vi uma música, Armada, e achei muito legal! Power Metal farofa, cheio de clichês, teatral, do jeito que eu gosto. Uma pena só ter dado uma passada, mas os alemães do Primal Fear me esperavam.
Primal Fear
Eu não sabia (e sou sempre o último a saber!) que o Mat Sinner, baixista da banda, não vinha. Tomei um susto quando o baixista do Gamma Ray apareceu. Também fiquei muito triste porque era o baixista que eu mais queria ver no domingo, acho o Mat com uma presença de palco insuperável. Mas enfim … Bem no começo, a dupla de guitarras foi andar na passarela e, no retorno, a Thalìa, que usava o maior salto que tinha, tomou um tombo e se espatifou no chão. Ainda bem que não comprometeu a guitarrista e a guitarra.
A banda deu um maior destaque em músicas do novo álbum, mas não deixou passar em branco outros clássicos (mesmo que não deu para passar todos). O Ralf Scheepers está cantando com muito drive, o que me deixou um pouco decepcionado. Tudo bem que as músicas são altas, ele tem que dar aqueles berros com mais de sessenta anos agora, mas ele poderia dar uma adaptada sem usar tanto drive. Alguns agudos ficaram muito artificiais. Se não adaptar, vai ficar igual ao Judas Priest que tem que ter dublagem às vezes. As guitarras, em contrapartida, se saíram bem.
Eu não consegui ver as duas últimas músicas porque precisava cruzar a ponte do Memorial de novo para ir ver o Roy Khan, que eu não perderia por nada.
Roy Khan
Se alguém não o conhece, apresento o maior e melhor vocalista do Kamelot. Hoje o Roy faz o que o Edu Falaschi fez muito: covers da sua banda de maior sucesso dentro das músicas que ele assina composição.
O Kamelot, apesar de ter quatro membros oficiais, sempre contratou músicos para que ao vivo eles pudessem reproduzir o que faziam em estúdio. Roy veio com um batalhão. Adrienne Cowan, do Seven Spires (que tocou no festival no dia anterior), fez as vozes femininas principais e o Fábio Caldeira, da Maestrick, deu uma canja nos vocais de apoio. Eu acho que o baixista também era da Seven Spires, mas não consigo confirmar. Um dos guitarristas solo eu conheci, o nome dele é Caique, e eu já vi ele ao vivo abrindo algum show. Banda bem competente, mas achei o som baixo, assim como foi o do Crypta no dia anterior. Acho que me acostumei com a potência dos palcos principais e fiquei na expectativa …
Roy desfilou clássicos absolutos do Kamelot e eu dublei todos eles (porque não conseguia cantar, garganta inflamada, lembra?!). Como não sabia o repertório, fiz um video aleatório, que caiu em The Haunting, uma das músicas mais mainstream e chatas da banda, mas que é muito famosa por ter sido gravada com a Simone Simmons, do chatérrimo Épica.
Interlúdio 1
Depois da apresentação do Roy Khan eu só tinha um objetivo: pegar um autógrafo no meu encarte do The Fourth Legacy o mais rápido possível para conseguir estar na grade para ver o Adrian Smith. Por isso, fiquei zanzando pelo lado das Signing Sessions até abrir a fila do Roy e ficar no começo dela (e deu certo, fui o terceiro!).
Como eu tinha pouco mais de uma hora, voltei ao anfiteatro para pegar uma sombra, uma cadeira e um ar condicionado. Vi um pouco do Death Metal da Chaos Synopsys, de Brasília, mas minha ansiedade não me permitiu ficar muito tempo sentado. Voltei ao local dos autógrafos e descolei umas fotos do Primal Fear e do Within Temptation.
E ai foi esperar o Nevermore terminar os autógrafos para a minha vez na fila chegar! EU TENHO MEU THE FOURTH LEGACY ASSINADO! E o Roy teve tanta noção para não estragar o encarte que ele deixou a arte até mais bonita.
Dever cumprido. Atravessei a ponte para o outro lado do Memorial e fiquei vendo cinco horas do interminável Hard Rock do Winger…
Smith/Kotzen
E então um tal de Adrian Smith apareceu no festival.
E eu vou ter realmente que escrever algo sobre isso?
Um membro do Iron Maiden apareceu no festival, acompanhado do excelente Bruno Valverde na bateria, o Ritchie Kotzen na outra guitarra e a mulher do Ritchie no baixo. Que show difícil de ver, não dá para piscar de tanta informação no palco!
Dos dois álbuns feitos pela dupla, eu prefiro o primeiro. Fiz os vídeos das primeiras três faixas do “álbum vermelho”. Vou escrever o quê agora? Que Adrian tocou horrores dentro de um som descente! Que a cozinha estava espetacular? Ah, já sei como definir o que foi esse show…
Do meu lado, estavam dois senhores. Desses de cabelo e barba branca. Quando a última música, o cover de Wasted Years, foi tocado (e foi tocado e cantado por Adrian de uma maneira leve e gostosa, sem nenhuma pretensão de soar como a Donzela e sem o Steve Harris na orelha), um dos senhores do meu lado chorou que nem uma criança. Mas não foi que nem o Rolim, que ajoelha, olha pro céu, se enforca com uma bandeira … não, ele estava só olhando para o palco, para o Adrian, quietinho … e chorando. Eu não vou esquecer aquela cena.
Obrigado Bangers!
Within Temptation
Eu dei uma saída de onde estava para pegar uma água e não morrer (já que não tinha comido nem bebido nada o dia inteiro). Isso me custou a posição na pista e tive que ver o show do Angra um pouco mais atrás do que eu esperava, mas ninguém morreu por isso.
Eu gosto de uma música desses holandeses: Angels. Tocaram na vez passada que vieram ao festival. Não tocaram dessa vez.
Mas que porre que foi aguentar essa banda por quase uma hora e meia viu…
Deixo aqui o setlist com as quinze faixas que se um dia você tiver oportunidade de ouvir, vá rápido fazer outra coisa!
Angra
É, tem muita gente querendo ler o que eu vou escrever agora. Principalmente depois do meu primeiro e segundo post a respeito dos últimos acontecimentos do Angra.
Tinha muita gente no festival com a camiseta do Angra, ainda mais com a banda e dois de seus ex-integrantes com lojas dentro do evento. Muita gente esperava por esse show.
Muito se especulava sobre o que seria esse show, mas ninguém sabia mesmo ao certo. Em linhas gerais, acho que ninguém acertou que seria do jeito que foi.
E o que foi esse show do Angra?
Foi um show de headliner muito bem planejado. Tinha um telão magnífico, efeitos de fumaça, canhões de fogo, muita luz, fogos de artifício e, óbvio, o apelo emocional pelos ex-integrantes que pisariam naquele palco.
Duas baterias do palco. Até porque o Aquiles jamais tocaria em um kit fora do seu “polvo”, que virou sua marca internacional como músico. Aquele kit de bateria, do jeito que estava, com quatro bumbos, maior que os kits do Mike Portnoy e do Mike Mangini, e com a máscara do polvo lá em cima do kit já me diziam muita coisa. E vou chegar lá.
Antes, devo dizer que a estrutura do show foi muito bem estudada e quebrou o que todo mundo achava que seria. Todo mundo (ou ao menos a maioria, incluindo eu) achava que ia entrar o Lione, depois mais para frente o Edu e, por último, o Alírio, apresentando a nova formação. Não foi nada disso.
Iniciaram com o Alírio, de cara apresentando a nova formação. Nothing to Say e Angels Cry deram a letra do que viria a termos: uma plateia cantando a plenos pulmões e um som muito alto! A guitarra do Rafael Bittencourt era lindíssima, com um degradê do Azul para o Amarelo. Acabados os dois clássicos absolutos criados na voz de Andre Matos, temos então Fábio Lione no palco, comandando Tide of Changes, Vida Seca e …. Lisbon! Não achei que dariam uma música do Andre para a despedida do italiano, que foi muito profissional em dizer poucas palavras ao público e não fomentar nada do que havia sido dito em entrevistas para canais digitais.
A participação do Fábio Lione foi mesmo uma despedida simples, como uma participação no show (um featuring Lione) do que um resgate às obras criadas com o italiano – os álbuns Secret Garden e OMNI nem chegaram a ser citados no show.
Depois, Alírio voltou e sofreu para tocar e cantar Wuthering Heights. Na segunda estrofe, que ele não cantou piano, foi mais fácil, mas na primeira ele claramente estava se matando no palco para alcançar as notas. E, no que chamaram mais de tarde de “fim do ato I”, resolveram estragar Carolina IV. Quiseram colocar um interlúdio de piano no meio da música que não só não tinha nada a ver com nada como tirou toda a coesão e continuidade da canção quando ela foi retomada – até para voltar a dublar ela de novo (garganta inflamada, lembra?!) eu tive que “entrar no clima” uma segunda vez.
Aí o palco ficou escuro por um pouco mais de tempo que o convencional (pedra cantada) e no centro do palco aparecem Kiko, Rafa, Edu e Fábio – mais ao lado, sentado na bateria, Aquiles. Eu não esperava a minha própria reação: chorei! Dei uma de presidente e chorei (pouco, mas chorei). Começou Nova Era. Meus vinte anos!
Nova Era foi um horror! Edu estava duro de nervoso e o Kiko não entrou no solo final, acabou se perdendo e só conseguiu retomar na última escala.
Foram nove músicas com a formação Rebirth, sendo cinco do álbum Rebirth e Bleeding Heart (que eu filmei, bateria do celular quase se esgotando) do EP Hunters & Prey. Duas músicas do Temple of Shadows e Ego Painted Grey, do Aurora Consurgens.
Tirando Spread Your Fire (que deveria ter dito Deus Le Volt! na introdução, porque não ficou coesa começar ela direto ao fim de Bleeding Heart), todas as músicas foram escolhidas a dedo para chegar o mais próximo do que a voz do Edu aguenta hoje. Isso, para mim, foi claro. Eram todas músicas graves. E ainda assim a voz do Edu precisou de um drive e de uma força da galera (e está tudo certo viu?! Edu tem muito carisma, todo mundo adora ele e todo mundo sabe das limitações vocais que ele tem hoje).
O mais legal foi que, quando o Rafael colocou a voz no microfone, ele só mandou um “tudo bem Edu?!”. Não teve um “tudo bem Aquiles?!”, manja?! E isso é o que reforça o meu ponto de vista: Aquiles Priester não fez as pazes com ninguém ali (leia-se, nem Kiko nem Rafael). Ele foi contratado. Foi pago!
Vários são os sinais disso – a bateria foi a primeira coisa. Muitas brigas entre eles se deviam ao fato de que o merchandising do polvo vendia mais nos shows. Aquiles fez questão de escancarar isso no kit de bateria. Outra coisa: o Aquiles tem o costume de se levantar na bateria e se mostrar para agradecer a plateia ao final de cada música – vi isso em dezenas de shows (tanto no Angra quanto com os shows solos do Edu). Isso é dele! No show do Bangers, acabava uma música e ele, sentadinho, só enxugava a cara com uma toalhinha e se preparava para dar a entrada na próxima faixa. Vejam, tecnicamente o cara foi perfeito. O melhor em campo! Não errou uma nota! Não errou um andamento. Mas esse negócio que todo mundo se reaproximou é balela.
Quando a formação do Rebirth deixou o palco, começou um video bem antigo, gravado em VHS branco e preto, de 1997, do Andre cantando Silence and Distance no Japão. O video era tão amador que a música que tocou foi a versão de estúdio, fazendo sincronização labial com o Andre do video. Depois a banda entrou e o que houve foi uma homenagem ao Andre. O telão mudava a foto dele a cada segundo (tirei várias fotos). Achei legal, mas achei meio fora do contexto do propósito da reunião – acho que o Andre ia achar muita coisa que anda rolando no Angra bem sem sentido, mas quem sou eu na fila do pão.
Já com todos os vocalistas no palco, fecharam com Late Redemption e Carry On! Em termos de set, o que mais me agradou foi Ego Painted Grey, pois a turnê do Aurora foi a única que não vi com a formação do Rebirth e essa era uma das canções que eu pensei jamais em presenciar.
O Bangers provou que uma banda brasileira tinha realmente potencial para ser headliner. Foi um showzaço! Eu não vou ficar criando teorias para o futuro, então andamos um passo de cada vez. Viva o metal nacional!
Em 2027, a chance de eu ir ao Bangers é praticamente certa!
Beijo nas crianças!
Kelsei



































































































































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