Discografia Iron Maiden – Episódio 06: 1984 – Powerslave e 1985 – Live After Death

Ahhhhhh … as aulas de história que eu não prestava atenção!

No capítulo anterior (que você poder ler aqui), vimos o Iron Maiden se estruturar na sua formação mais clássica e lançar Piece of Mind. Em 1984, e pela primeira vez em sua história mantendo a mesma formação, Steve e sua turma lançavam Powerslave, criando uma das maiores pérolas do universo do Heavy Metal e saindo em uma turnê “monstro” mundo afora.

Quando for ler esse capítulo, usando sua mão esquerda, abra uma Trooper e ponha esse álbum para tocar ao fundo (sim, com a mão esquerda, porque a sua mão direita não deve sair do peito em momento algum).

Singles de Powerslave

Two Minutes to Midnight

 Lançado em 06 de Agosto de 1984, continha três faixas:

  1. Two Minutes to Midnight: mesma versão da faixa em Powerslave. Falaremos dela no Faixa a Faixa.
  2. Rainbow’s Gold: cover da banda Beckett, de 1974, de álbum homônimo. Essa faixa tem um verso que Steve “adaptou” para usar em Hallowed Be Thy Name, que é assunto em 2017 como parte do processo que o Maiden está envolvido e que, inclusive, forçou Steve a remover a música dos setlists da turnê do álbum The Book of Souls.
  3. Mission from ‘Arry: em um dos shows da turnê World Slavery (do Piece of Mind), o Nicko estava fazendo um solo de bateria e o Steve teve um problema no baixo. O primeiro coitado que passou perto do homem das quatro cordas recebeu uma missão (‘Arry é como o pessoal do Maiden chama o Steve) – “Vai lá por trás do palco e avisa o Nicko para enrolar até eu acertar isso aqui”. O coitado foi. O coitado deu o recado. E ao final do show, o coitado tomou um soco do Nicko. O baterista e o baixista iniciaram uma discussão sem fim, que foi apaziguada; até chegar o senhor Bruce Dickinson com um gravador escondido e dar corda nos dois de novo. Essa faixa é a gravação de Bruce no que se decorreu nos próximos 6 minutos da discussão. Não deixe de ouvir (no documentário oficial The Early Days é possível ouvir a fita original da gravação, onde tempos depois o Steve fala algo como “Ei, tem alguém gravando isso aqui”, que não está no single).
Single 2 Minutes to midnight

O single e a localização do símbolo de Derek Riggs

A capa do single é bem direta com a história da música que o intitula: a guerra. Eddie é um soldado, armado, sentado sobre destroços de um local que um dia teve vida. Sua mão direita imita a famosa imagem do Tio Sam, usada para convocar americanos para a Primeira Guerra Mundial. Mais ao fundo, temos a imagem da explosão da bomba atômica e bandeiras de 7 países, que são, da esquerda para direita: União Soviética, Afeganistão, Iraque, Irã, Reino Unido, Argentina, Estados Unidos, Israel e Cuba. Em 1984, ano de lançamento do single, todos eles tinham seus nomes conhecidos por algum tipo de conflito armado:

  • União Soviética e Afeganistão travavam guerra desde 1979 (com a invasão da URSS ao Afeganistão, que só foi terminar lá por 1988, quando o país começou a se desfazer em inúmeros outros);
  • Iraque e Irã travavam uma guerra que era frequentemente reportada nos jornais brasileiros;
  • Reino Unido e Argentina estavam em confronto pelas Ilhas Malvinas;
  • Estados Unidos e Cuba tiveram suas desavenças em 1962, devido à famosa história dos mísseis que a Ilha virou contra os Estados Unidos.
  • Israel: na época (e, porque não, até hoje), esse país era sinônimo de guerra.

Aces High

Lançado em 22 de Outubro de 1984, após o lançamento de Powerslave, contém as seguintes faixas:

  1. Aces High: mesma versão da faixa em Powerslave. Falaremos dela no Faixa a Faixa.
  2. King of Twilight: cover da banda Nektar, de 1972, do álbum A Tab in the Ocean. Só que não! Na verdade, apesar de no single não dizer, essa versão é um mix de duas músicas do mesmo álbum: do começo para o meio temos um pedaço de Crying in the Dark e do meio para o fim, aí sim, temos um pedaço de King of Twilight. Essa versão do Maiden é mais uma homenagem ao Nektar que propriamente um cover em si.
  3. The Number of the Beast (ao vivo): apesar do single não informar de qual show foi extraída essa versão, ela é do show em Dortmund, Alemanha, de 1983, mesma versão que futuramente seria usada no documentário 12 Wasted Years, que veremos no futuro.
Single Aces High

O single e a localização do símbolo de Derek Riggs

 “Powerslave” (1984)

Coisas que ninguém presta atenção Ficha Técnica:

  • Produtor: Martin Birch
  • Engenheiro de som: Martin Birch
  • Engenheiros auxiliares: Frank Gibson e Bruce Buchalter
  • Capa: Derek Riggs
  • Gravado no Compass Point, Nassau, nas Bahamas
  • Mixado no estúdio Electric Ladyland, Nova Iorque
  • Masterizado no Sterling Sound, Nova Iorque
  • Fotos para o álbum: Ross Halfin

Lançado em 03 de Setembro de 1984, Powerslave se resume no ápice da banda em seus “golden years”. A gravação do álbum usou da mesma fórmula do Piece of Mind, levando a banda até a mesma ilha nas Bahamas. Só que antes dessa viagem houve uma concentração prévia, de algumas semanas, em uma outra ilha (Jersey – sei lá como é o nome dela em português), ao sul da Inglaterra, onde os músicos ensairam, compuseram faixas do novo álbum e se “refizeram” das poucas semanas de descanço da turnê anterior.

Line up 1984

O lineup de Powerslave – esq. para dir.: Adrian Smith (guitarra), Nicko McBrain (bateria), Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo) e Dave Murray (guitarra)

A capa de Powerslave, um ambiente faraônico desenhado por Derek Riggs para dar ênfase à música homônima, explora um mar de pequenos detalhes que foram escondidos propositalmente de forma cômica (esse “divertimento” extra para os fãs com certeza abriu ao desenhista a ideia para o próximo álbum, Somewhere in Time, que possui a capa recheada de pequenos detalhes dos mais diversos tipos – nos contenhamos neste momento).

Capa

A capa e a contra-capa de Powerslave e o símbolo de Derek Riggs (na entrada da pirâmide, entre as pernas do Eddie)

Quem olha a capa sem uma análise mais profunda passará totalmente despercebido pelas brincadeiras abaixo …

Mickey e IJ

… ao lado esquerdo inferior, temos “Indiana Jones Was Here” e a cara do Mickey …

WOT

… do lado direito inferior temos um carinha olhando pelo muro junto da frase “Wot? No Guiness”, brincando que não há cerveja no deserto do Egito …

Menina Bollock

… do lado esquerdo superior, temos o desenho de uma menininha e do lado direito superior, temos a palavra “Bollok” disfarçada entre os símbolos

Vale lembrar que a capa de Powerslave tem uma semelhança muito grande com a de um álbum do Earth, Wind & Fire, outro grande expoente do Heavy Metal, de 1977, intitulado All ’N All:

EW&F

Nada se cria, tudo se copia? Ou será que não?

Tracklist

  1. Aces High (Harris) – 4:30
  2. 2 minutes to Midnight (Harris / Dickinson) – 6:02
  3. Losfer Words (Big ‘Orra) (Harris) – 4:13
  4. Flash of the Blade (Dickinson) – 4:06
  5. The Duellists (Harris) – 6:08
  6. Back in the Village (Harris / Dickinson) – 5:03
  7. Powerslave (Dickinson) – 7:11
  8. Rime of the Ancient Mariner (Harris) – 13:35

Faixa a faixa

E para abrir esse álbum, nada mais nada menos do que a melhor música já criada na história do Heavy Metal para abertura de um show: Aces High. O que já é bom, ao vivo toma proporções ecumênicas! A energia, a cadência, a velocidade, o refrão, os solos – não há faixa melhor! Aces High narra, do ponto de vista de um piloto britânico, um combate aéreo contra aviões alemães na Batalha da Inglaterra, que ocorrera entre Julho e Outubro de 1940.

Os comandantes dessa batalha foram Winston Churchill e Adolf Hitler. O comandante inglês fez um discurso (foi mais de um, mas esse acabou ficando famoso) para o Parlamento do Reino Unido que ficou conhecido como ‘We shall fight in the beaches”. O Iron Maiden usou um excerto do discurso (que é imenso) para introduzir Aces High ao público durante os shows, que vamos ver mais para o fim desse post.

Avioes

Aces High é recheada de palavras específicas de aviação. Nas imagens, os caças Spitfire (Britânico, à esquerda) e ME-109 (Alemão, à direita) mencionados na letra.

Um ponto interessante sobre a construção da música é que, tirando o finalzinho, ela é um espelho perfeito entre “Início e Primeiro Solo” e “Segundo Solo e Final”. Não há, que eu saiba, uma outra música do Maiden que usa dessa estrutura: introdução – harmonia entre guitarras – verso/refrão – riff rápido – Solo 01 (Adrian) ** aqui inicia o espelho ** Solo 02 (Dave) – riff rápido – verso/refrão – harmonia entre guitarras – finalização.

Dois anos após o fim da Segunda Guerra mundial, foi implantando um símbolo que representasse o perigo de um holocausto nuclear à raça humana. Ele é conhecido como “O Relógio do Juízo Final” (Doomsday Clock). Simbolicamente, o prazo final para um ataque é relacionado para quando o relógio chegar à meia-noite. O horário mais próximo que esse relógio marcou foi 2 minutos para meia-noite, em Setembro de 1953, quando a União Soviética detonou um poderoso armamento nuclear com sucesso, após nove meses de explosões junto aos Estados Unidos, durante a Guerra Fria, na disputa pelo arsenal mais poderoso.

E é nessa temática que o segundo hino do álbum, 2 Minutes to Midnight, discorre, misturando o horror da guerra (excerto de letra: The napalm screams of human flames of a prime time Belsen feast, yeah!) – Bergen-Belsen era um campo de concentração alemão – com a hipocrisia dos políticos (excerto de letra: And the madmen play on words and make us all dance to their song / To the tune of starving millions to make a better kind of gun). Bruce já mencionou que essa música é uma homenagem ao poder que a guerra tem sobre os humanos, pois se por um lado a condenamos, por outro queremos que ela aconteça, por termos uma natureza violenta e vingativa.

 

A terceira faixa do álbum é a quarta música instrumental do Iron Maiden. Losfer Words (Big ‘Orra) foi assim batizada porque Steve Harris deve ter se arrependido de gravá-la ou de incluí-la no álbum. “Losfer Words” é literalmente “Lost for Words” (Sem Palavras) e Big ‘Orra está escrito com uma fonética peculiar inglesa, que significa “Big Horror” (Grande Horror). Essa música foi, inclusive, a única música menos estrondosamente fantástica que todos os participantes do podcast votaram em unanimidade (afinal, pelo menos uma tinha que ser escolhida).

Flash of the Blade é a quarta faixa, escrita pelo esgrimista Bruce Dickinson. A música fala sobre um jovem que perde sua família e seu lar, ambos queimados e, assim, inicia um treinamento espadachim com o intuito de vingar a morte de sua família. A canção é levada por belas harmonias de guitarras e baixo e, em seu início, imitar um air-drums na entrada da bateria é mais do que contagiante. Acredito eu que essa é uma das músicas do Maiden que nunca foi tocada ao vivo. Estou errado?

The Duellists fecha a lado A da bolacha. Uma das canções da banda mais difíceis de se cantar (não em termos de técnica, mas em termos de inglês para os não-nativos, devido sua levada rápida), ela é inspirada em um filme de nome homônimo, de 1978 (que por sua vez foi baseado em um romance de 1908, chamado The Duel). Acredito que essa seja outra canção que o Maiden nunca tenha executado ao vivo. Estou errado?

The Duellists

O livro e o filme que deram vida à quinta faixa de Powerslave

Lá no capítulo do The Number of the Beast, ao comentar sobre The Prisoner, eu deixei uma charadinha:

Em um dos episódios da série, o agente secreto tenta escapar, mas descobre que a fuga, que pareceu ser com sucesso, só o fez retornar para a mesma vila onde ele já estava. Isso originou outra música do Maiden, de outro álbum (ainda chegaremos nele). Ficou fácil, né?

Pois é, essa é Back in the Village, ou “O melhor início de lado B da história”, como o Rolf a introduz. No meio da canção existe uma referência ao álbum de 1982: no momento em que é cantada a frase “I see sixes all the way” existe um sussurro que diz “six six six” que se inicia bem quando a palavra “sixes” é dita. Aumente o som e preste atenção que você vai ouvir.

Outro ponto interessante que deixo aqui para reflexão, que eu já li a respeito desses “sixes”, é uma referência para outros excertos da letra, que são “Drop your bombs and let them burn’ e “There’s a fox among the chickens”. Na aviação, os pilotos se referenciam aos tipos de bombas por FOX e um número – leia mais aqui – e Fox 6 era o código para bombas de Napalm. A letra é recheada de situações interpretativas da série The Prisoner – inclusive FOX se encaixa muito bem como uma metáfora do agente infiltrado na Vila – mas que isso até faz um certo sentido, faz. Como eu nunca tive saco para ver toda a série e descobrir mais coisas, se alguém aí quiser entrar nessa discussão, seja bem-vindo.

Na Sétima posição (sim, com S maiúsculo), temos a faixa homônima do álbum, Powerslave, clássico obrigatório, que debate a perspectiva de um já falecido faraó egípcio sobre os limites de suas forças e poderes frente à morte. Durante a narrativa da canção, temos referências egípcias importantes:

  • The Eye of Horus (O olho de Horus)

Olho de Horus

Você pode não conhecer pelo nome, mas conhece a imagem – é um dos maiores símbolos egípcios conhecidos, referência de proteção, saúde, conhecimento e força. Está presente na maçonaria, em religiões, foi usado na matemática egípcia e a composição do seu desenho possui elementos que referenciam “Toque”, “Paladar”, “Audição”, “Pensamento”, “Visão” e “Olfato”.

O olho é referenciado no primeiro verso da música, no momento da morte do faraó (“Into the abyss I’ll fall, The Eye of Horus, Into the eyes of the night, watching me go”).

  • Horus e Osiris

Ambos são deuses egípcios. Horus é filho de Osiris. Pela mitologia, Osiris foi morto por seu irmão e Horus vingou sua morte, matando o tio e perdendo um dos olhos. Troth, Deus da Lua e da Sabedoria, reestabelece o olho de Horus através de magia, concedendo a Horus a possibilidade de renascer seu pai.

Assim, Osiris, ao renascer, ficou conhecido como o primeiro deus a vencer a morte. Mas isso foi temporário, pois ele viveria para novamente morrer. Dessa historinha é que veio a referência de outro trecho da primeira estrofe, “Enter the risen Osiris, risen again”.

A ideia principal dessa canção é que é impossível vencer a morte, não importa quem é você ou que tipo de força/influência você tem sobre os outros. No final, você será escravo do poder da morte.

Powerslave tem harmonias e solos excelentes. Leia aqui uma das análises já feita pelo time da Minuto HM sobre o primeiro solo de Dave Murray nessa canção.

Para encerrar, saímos do campo da História e entramos na Literatura. The Rime of the Ancient Mariner, com seus ousados quase 14 minutos (o que na época para uma banda de Heavy Metal como o Maiden era fora da curva), foi assim batizada por referenciar o poema homônimo de Samuel Taylor Coleridge.

Rime

O poema original, de 1798, era intitulado The Rime of the Ancyent Marinere. Ele foi reescrito em 1817 para atualizações do inglês arcaico da época.

Apesar do poema ser bem grande (o livro tem mais de 70 páginas), Steve Harris sintetiza muito bem a história dentro da letra e é possível entendê-la perfeitamente e em uma ordem cronológica. Partes do poema são recitados na letra e dá para se ter uma boa ideia do nível do inglês necessário – bem-aventurados (ou não!) sejam os nativos de língua inglesa.

Os trechos retirados do poema e cantados na música estão abaixo.

Na descrição da maldição colocada sobre a tripulação durante a seca:

Day after day, day after day,

we stuck nor breath nor motion

as idle as a painted ship upon a painted ocean

Water, water everywhere and

all the boards did shrink

Water, water everywhere nor any drop to drink.

Na sessão mais calma da música, durante a morte de toda a tripulação, menos do marinheiro:

One after one by the star dogged moon,

too quick for groan or sigh

each turned his face with a ghastly pang

and cursed me with his eye

four times fifty living men

(and I heard nor sigh nor groan)

with heavy thump, a lifeless lump,

they dropped down one by one.

E se por acaso você nuuunca ouviu Powerslave, nunca é tarde:

A versão da edição remasterizada trouxe uma capa refeita, com cores mais vivas e sem as brincadeiras inseridas por Derek Riggs nas insígnias da pirâmide, além de uma tremenda bola fora na entrada da faixa Powerslave: a introdução da música foi colocada como o final de Back in The Village que, além de dar uma brochada auditiva, fez a sexta faixa aumentar para o tempo de 5:21 e a faixa homônima diminuir para 6:48.

Entre Agosto de 1984 e Julho de 1985, houve a turnê World Slavery Tour, que puxou ao máximo os membros da banda em uma extensa e cansativa série de show atrás de show. Foi a maior turnê do Iron Maiden, a que visitou mais países (incluindo o Brasil na primeira edição do Rock in Rio – leia os detalhes do show aqui), a que tinha o maior palco, a maior quantidade de canções e que levou a Donzela a ter seu primeiro documentário de turnê, bem como ao seu primeiro disco ao vivo.

Criar ou não criar um post para o Live After Death?! Após muito café e muita reflexão, decidi que não faz sentido um post apartado, já que o álbum é muito complementar ao que vimos e tem relação direta com a turnê. Logo, se a sua Trooper acabou, abra outra!

World Slavery

World Slavery Tour: 190 concertos em 331 dias de turnê

Foi nessa turnê que Eddie começou a ser representado também no fundo do palco. Tínhamos o Eddie múmia que passeava pelo palco e a esfinge que se abria e apresentava um Eddie maior ainda, que se mexia um pouco e soltava fogos pelos olhos (compare as fotos acima e abaixo, para ver os momentos com a esfinge por inteiro e quando ela era separada em duas metades para que o Eddie gigante aparecera).

Eddie

Foi nessa turnê também que tivemos Bruce Dickinson cantando Powerslave com uma máscara que acabou ficando famosa nas apresentações. Só para não passar batido, a ideia veio do próprio Bruce e a máscara original foi comprada em uma Sex Shop, por ele mesmo.

E para entender o que o Iron Maiden lançou no decorrer dessa mega turnê, vamos obedecer à ordem cronológica dos fatos, que são apresentados abaixo.

Behind the Iron Curtain

Lançado em Abril de 1985, esse foi o primeiro documentário oficial do Maiden sobre uma turnê, mais especificamente no leste europeu (Polônia, Hungria e Iugoslávia – esse último país acabou não tendo faixas gravadas para o documentário), que era conhecido como “Cortina de Ferro”. A Donzela foi a primeira banda a tocar nesses países, que ficaram sob o domínio da União Soviética até a Guerra Fria.

Oficialmente o documentário possui 38 minutos, com quatro faixas gravadas ao vivo com excertos da banda interagindo com fãs. O tracklist fica:

  1. Aces High (Polônia, em 11 de Agosto de 1984)
  2. Hallowed Be Thy Name (Polônia, em 11 de Agosto de 1984)
  3. 2 Minutes to Midnight (Hungria, em 17 de Agosto de 1984)
  4. Run to the Hills (Hungria, em 17 de Agosto de 1984)

A MTV levou esse documentário ao ar um tempo depois, incluindo duas outras faixas de shows também gravados na Polônia:

  1. The Trooper (Polônia, em 11 de Agosto de 1984, não estando no VHS oficial)
  2. The Number of the Beast (Polônia, em 11 de Agosto de 1984, não estando no VHS oficial)
Behind the Iron Curtain

A capa do VHS do primeiro documentário da Donzela e a imagem de Derek Riggs para homenagear o show na Polônia, cerne do documentário. Alguém aí sabe realmente qual é a piada com a frase “Jeff Boycott is King” pichada no muro?

Curiosidade: após um dos shows da região da cortina de ferro, o pessoal do Maiden saiu, obviamente, para beber. Foram para um bar local, mas estava tendo uma festa de casamento. Iam embora. Mas o noivo, fã da banda que perdera o show devido ao casório, implorou para os caras ficarem para a festa. Ficaram, beberam e tocaram na festa uma versão de Smoke on the Water, do Deep Purple, que teve o momento registrado no palco do bar:

behind-the-iron-curtain-boda

Single Running Free (ao vivo)

Lançado em 23 de Setembro de 1985, esse foi o primeiro single do Iron Maiden contendo somente músicas ao vivo e cuja capa, inclusive, não era um Eddie, mas sim uma foto tirada de um dos cinco shows onde a banda esgotou o Long Beach Arena, sendo o presságio para o primeiro álbum ao vivo que seria em breve lançado. Contém as seguintes faixas:

  1. Running Free: mesma versão presente no álbum Live After Death.
  2. Sanctuary: faixa extraída do show no Hammersmith Odeon, em 1984.
  3. Murders in the Rue Morgue: faixa extraída do show no Hammersmith Odeon, em 1984.
Single Live 1

E já que não temos Derek Riggs na capa, não temos o “símbolo escondido”

Podemos considerar esse o primeiro single com músicas ao vivo porque o Live! + One de 1980, apresentado no Episódio 02, tinha o single de estúdio Women in Uniform.

Live After Death (1985)

A turnê World Slavery foi tão assombrosa que um disco ao vivo foi muito bem pensado pela EMI. Um setlist matador, capturando o auge da banda em uma das performances no Long Beach Arena, local também já visitado pelo blog, onde o Iron Maiden esgotou 5 dias seguidos. Live After Death foi lançado em 14 de Outubro de 1985, sendo que a banda ainda não tinha acabado a turnê! Ele é considerado o primeiro disco ao vivo porque o Maiden Japan, apresentado no Episódio 3, foi batizado de EP.

O álbum foi lançado em LP duplo; mas em CD, como era algo muito caro na época, cinco músicas foram cortadas para que um único CD fosse lançado (Wrathchild, Children of the Damned, 22 Acacia Avenue, Die with Your Boots on e Phantom of the Opera). Em Setembro de 1998, esse “erro” foi acertado, sendo re-lançado em CD duplo.

Live After Death

A capa e a contra-capa de Live After Death e a localização do símbolo de Derek Riggs, que fica na parte de trás

Além da tumba com o símbolo de Derek há outras tumbas na contra-capa com mensagens: “Live with Pride”, “Here lies Faust in body only” (Fausto vendeu sua alma ao Diabo, então um pedaço dele está faltando – sacou a piada?), “Freedom of Rock”, “Metal Lives”, “Thank you J”, “Let it RIP” (brincadeira com os Beatles e sugestão de Derek Riggs para o título do álbum), “HELP, it’s not me here” e “Here Lies Derek Riggs – R.I.P.”. Também tem um gatinho com uma auréola na cabeça que, um dia, quando essa discografia acabar, eu vou criar uma sessão de apêndices, onde um dos capítulos vai ser sobre esse gato.

Também temos a tumba do próprio Eddie, que aparece atrás dele com uma citação de Howard Phillips Lovecraft, escritor de contos de terror: “That is not dead which can eternal lie. Yet with strange aeons even death may die”.

Em 1998, para a versão remasterizada, um novo Eddie foi criado dentro do encarte. Só que não! Aquela era uma das opções aprovadas pela banda para ser a capa original do álbum de 1985, mas que acabou negada por “problemas técnicos”. Segundo Derek Riggs, ao invés de usar as pinturas originais, as produtoras tiravam fotos dos desenhos para criação das capas e, como essa imagem era uma pintura em óleo, ficava um brilho da foto que não dava para tirar. Aí voltaram para o Maiden e disseram “não dá para fotografar essa imagem, temos que mudá-la”.

Eddie original Live After Death

Ainda bem que não deu certo essa capa …. sou beeem mais a capa que conhecemos do Live After Death

Live After Death também teve vídeo, lançado oficialmente no final de Outubro e somente em VHS. O DVD veio a ser lançado só em 2008, contendo o documentário Behind the Iron Curtain como bônus.

Como todo álbum ao vivo, todos nós já conhecemos e fomos apresentados para as músicas que o compõe, sendo então que vale a pena complementarmos alguns pontos interessantes que estão nesse álbum.

  • O discurso de Churchill

Usado para introduzir Aces High e abrir os shows da turnê World Slavery. Winston Churchill fez um discurso em 4 de Junho de 1940, mundialmente conhecido hoje como “We shall fight in the beaches”. Um trecho desse discurso hoje é imortalizado na voz de cada fã da Donzela, que destaquei abaixo, deixando um trecho “não conhecido” um pouquinho maior antes e depois para contextualização da linha de pensamento do discurso:

Even though large tracts of Europe and many old and famous States have fallen or may fall into the grip of the Gestapo and all the odious apparatus of Nazi rule, we shall not flag or fail. We shall go on to the end. We shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our island, whatever the cost may be. We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender, and if, which I do not for a moment believe, this island or a large part of it were subjugated and starving, then our Empire beyond the seas, armed and guarded by the British Fleet, would carry on the struggle, until, in God’s good time, the New World, with all its power and might, steps forth to the rescue and the liberation of the old.

A Minuto HM já fez uma visita ao Winston Churchill War Rooms Museum. Leia aqui!

  • Bruce Forsyth imortalizado antes de Revelations

Antes de iniciar Revelations, Bruce falava uma frase que eu, quando moleque, nunca entendia. Era “Nice to see you, to see you nice”. Muito depois fui aprender que esse é um jargão muito comum na Inglaterra, que foi criado e imortalizado pelo apresentador Bruce Forsyth no programa The Generation Game, da década de 70.

Bruce Forsyth

Forsyth faleceu em 2017. Em 2013, ele foi a um show do Iron Maiden com colegas de TV. Dickinson soube no outro dia, adjetivando a situação como “absolutely fuc**** unbelievable”, complementando com um “Se soubesse que ele estava lá; teria dito ‘Nice to see you, to see you nice’”.

Single Run to the Hills (ao vivo)

Lançado em 02 de Dezembro de 1985, é mais um single lançado para promover o Live After Death, só com músicas ao vivo. Contém as seguintes faixas:

  1. Run to the Hills: mesma versão presente no álbum Live After Death.
  2. Phantom of the Opera: mesma versão presente no álbum Live After Death, que foi incluída no CD 02 de bônus na edição remasterizada de 1998.
  3. Losfer Words (Big’ Orra): faixa extraída do show no Hammersmith Odeon, em 1984.
Run to the Hills

O single e a localização do símbolo de Derek Riggs

xmas_card - Run to the hills single

Quem comprou esse single em vinil na época de lançamento também ganhou esse cartão exclusivo de Feliz Natal autografado por toda a banda.

Setlist tocado na World Slavery Tour (e obviamente o tracklist de Live After Death)

  1.  Intro + Churchill’s Speech
  2. Aces High
  3. Two Minutes to Midnight
  4. The Trooper
  5. Revelations
  6. Flight of Icarus
  7. Rime of the Ancient Mariner
  8. Powerslave
  9. The Number of the Beast
  10. Hallowed Be Thy Name
  11. Iron Maiden
  12. Run to the Hills
  13. Running Free
  14. Sanctuary

É óbvio que outras músicas foram tocadas nessa turnê, vide as 5 canções já mencionadas que tiveram que sair do LP e foram incluídas no CD. Entretanto, preferi manter o setlist padrão, como venho fazendo.

No próximo capítulo, exploraremos 1986. Vejo vocês em algum lugar do tempo…

Até mais! Beijo nas crianças!

Kelsei Biral

Revisou / contribuiu: Eduardo.



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9 respostas

  1. Post dois em um !!!!!!!!!!!!!!!!!!! Excepcional o conteúdo, como o material que é descrito. Powerslave é o meu favorito all-time da banda, e a música e faixa-título idem.
    O resto de um comentário minimamente digno fica para quando eu tiver a oportunidade de dar o devido valor a essa preciosidade escrita aí em cima.
    Espero que não demore, mas aqui já vão meus parabéns !

    Alexandre

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  2. Começando a leitura daquele que é um dos maiores discos do metal!!!!!!! Boa Kelsei

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  3. Grande e agradável surpresa mais este capitulo da discografia do Maiden, como sempre o Kelsei mantendo o nível espetacular de sempre!!!
    Como faço em todas as vezes que me deparo com esses posts, “desenterro” meus velhos discos para que seja a trilha sonora da leitura, porem dessa vez não aguentei e comentei primeiramente no maior pesadelo do nosso presidente, o Whatsapp. O Powerslave e’ o meu disco predileto da minha banda predileta, penso que o Maiden finalmente conseguiu alcançar o ápice criativo! Não consegui segurar a ansiedade.
    Bem, quando comecei a ler o texto à primeira coisa que pensei foi: será que o Kelsei vai abordar também o Live After Death? Pois acho que um disco complementa o outro… e não e’ que o Live estava lá também. Perfeito!!
    Então não tenho mais palavras a dizer além desta, realmente o post esta perfeito, quantos detalhes e informações que eu não sabia e que abrilhantam ainda mais os lançamentos da donzela.
    Em ralação ao Live, depois de todos esses lançamentos e relançamentos, infelizmente houve um certo erro por parte da banda, pois para que tenhamos tudo que foi lançado precisamos adquirir pelo menos 3 versões, o LP duplo, o CD duplo lançado pela Castle (ou o da subsidiaria Holandesa) e o relançamento duplo enhanced CD.
    Para terminar, mais uma vez gostaria de agradecer ao Kelsei e ao Minuto HM pela magnifica experiência em reviver o passado. Agora e’ esperar pelo próximo, um abraço a todos.

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  4. Ave maria!!!! Mas que post. E colocando, corretamente – é bom que se diga, dois dos maiores lançamentos fonográficos de todos os tempos…
    São tantos detalhes que nos fazem relembrar audições e momentos de deleite.
    Pra variar aprendi muito. Apenas pra destacar um dos meus aprendizados, esta expressão: “Nice to see you, to see you nice”. Nunca tive a mais remota idéia do que significava… E essa tal Bruce Forsyth, quem se trata? uma espécie de Sílvio Santos britânico, ou quem sabe um Raul Gil?
    Pra encerrar este modestíssimo post, lembro um daqueles episódios pessoais que dão a dimensão deste tipo de álbum na vida de qualquer metaleiro.
    Logo depois do lançamento do Live After Death, comprei um poster que mostrava a banda com a gigantesca múmia que avançava no palco da World Slavery Tour. E e meu irmão, Fernando Schmitt, usamos pequenos retalhos de um papel reflexivo (chamávamos de Starfix) para demarcar o contorno da figura do Eddie e penduramos o poster na parte interna da porta de nosso quarto. Assim, todas as noites, a última imagem que registrávamos em nossa retina, ao desligar as luzes, era do Eddie, “avançando” em nossa direção. E “velando” por nossos tranquilos sonhos.
    O poster, que eu saiba, se perdeu nas “sands of time”, mas nunca esquecerei como estas músicas e imagens me marcaram.

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  5. (São 2 fotos):

    Iron Maiden – Powerslave

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    Eduardo.

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  6. Gostaria de ressaltar um comentário que eu fiz na resenha que a Consultoria do Rock postou no ano passado em homenagem a discografia do Iron Maiden, em relação ao álbum Powerslave, no qual rasguei-me em elogios ao falar desta obra-prima que a Donzela concedeu em 1984, e que veio depois do álbum anterior de 1983 – o clássico Piece of Mind (aquele que fez minha mãe finalmente dar uma chance ao Iron Maiden, que era uma banda sempre vista com maus olhos por ela).

    POWERSLAVE = Este sim, o disco definitivo do Iron Maiden, o melhor e mais inspirado da banda pra mim, e que me desculpem os que preferem perder tempo com TNOTB. Trazendo a mesma clássica formação do álbum anterior: Dickinson, Harris, McBrain, Murray e Smith (ainda não temos o palhaço do Gers), Powerslave foi o disco que deu ao grupo a maior turnê de sua história, a “World Slavery Tour” com direito á uma primeira de tantas vezes ao Brasil em 1985, na primeira edição do Rock in Rio. Powerslave traz também com a melhor capa feita pelo gênio Derek Riggs (mostrando o mascote Eddie como um Faraó egípcio entre as pirâmides), a impecável produção do mestre Martin Birch e um repertório simplesmente PERFEITO!

    Da famosa abertura “Aces High” com um trecho do célebre discurso do ministro de 1940 Winston Churchill nos primeiros 30 segundos da canção) até o encerramento com a magistral “Rime of the Ancient Mariner” (melhor canção do grupo pra mim), temos a Donzela de Ferro em seu melhor momento, que nunca mais se repetiria nos anos seguintes. Este é daqueles álbuns em que as palavras não são poucas para descrevê-lo, tudo nele se encaixa perfeitamente. Se eu tiver que escolher um só disco do Maiden para eu levar a uma ilha deserta com mais uns nove do meu gosto pessoal, claro que eu escolheria este POWERSLAVE! Vale ressaltar que os melhores momentos da World Slavery Tour foram registrados no disco duplo ao vivo “Live After Death” (1985), um dos melhores discos ao vivo do heavy metal, que mostrou o Iron Maiden no topo do mundo, mas que no final trouxe alguns problemas ao grupo, que serão retratados no próximo capítulo desta novela emocionante que é a história do Iron Maiden, a banda de rock mais amada do mundo.

    PS: Eu acho uma pena que depois do Flight 666, a própria banda não deu mais tanta importância para as outras músicas famosas de Powerslave (tirando “2 Minutes to Midnight”) em suas turnês mais recentes. Queria muito ouvir a faixa-título, “Aces High” e, principalmente, “Rime of the Ancient Mariner” sendo tocadas no En Vivo! (aquele CD+DVD que o Maiden fez em 2011 no Chile, durante a turnê de The Final Frontier) e nos próximos álbuns ao vivo que o Maiden faria depois. Ouvi recentemente uns boatos de que o Maiden irá trazer novidades em seu repertório nas próximas turnês… Será que a volta das quatro músicas citadas de Powerslave (e de outras clássicas de outros álbuns da banda) irá se concretizar? Só nos resta esperar a resposta final…

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  7. Ainda aguardando o decreto oficial de Mr. President, vou apontar que a capa de Powerslave é a melhor da banda, o disco apesar de excelente, fica num belo 2o posto, que é bem honroso, considerando que o melhor é o impecável Piece Of Mind. Tirando as brincadeiras de lado, Powerslave fecha a trinca de ouro da banda e sua imensa tour está bem registrada no duplo ao vivo Live After Death. Aliás adoro a contracapa do disco ao vivo, com todas aquelas referências, numa pintura com o tom azul sensacional. Talvez seja a contracapa que mais goste da banda.
    Num disco quase perfeito, fica difícil novamente escolher a melhor e não vou fazê-la novamente, já que não há um maldito pool que me obrigue. As menos consagradas talvez (e novamente) estejam entre minhas prediletas, The Duelists é uma nova aula da donzela.
    Quanto ao Live After Death, considero apenas que Dickinson teve melhores momentos do que os registrados neste ao vivo, o que acaba não consagrando do disco entre os melhores ao vivo de todos os tempos. Aliás depois dessa Tour, apesar de continuar cantando para cara…, Dickinson sofreu as agruras do stress vocal (provavelmente devido ao insano ritmo de sei lá quantos shows no ano).
    Fico salivando no aguardo de Somewhere in time, que marca uma bela mudança no som da donzela.
    Parabens Kelsei,
    Abraços
    Remote

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  8. Um novo capítulo (não poderia dizer “mais um”capítulo) impecavel da história da nossa amada donzela! Acredito que um dos melhores lançamentos do ano se não for o melhor. Muita informação interessante como é o padrão do Kelsei. A sequência com o lançamento do Live After Death foi muito boa. O ao vivo é icônico.
    E entrando na onda do Flavio… muitas vezes tenho a dificuldade de classificar um album entre o melhor e o que gosto mais, o que nem sempre coincide. Só para ilustrar, já tive como album preferido por um bom tempo, o Killers. Hoje pode não ser o que classificaria como o que gosto mais, porém está no top 5. Esse é o meu gosto, som direto e pesado. Mas já tive o Powerslave encabeçando minha preferência assim como o Piece of Mind e o The Number of the Beast.
    E que venha o Somewhere in Time!!!
    Valeu Kelsei!!!!!

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