Discografia Van Halen – [PRÓLOGO] – Parte II

Parte II – David Lee Roth.

David Lee Roth nasceu em 10 de Outubro de 1954, em Bloomington, Indiana, mesmo local onde seu pai, Nathan, formou-se em medicina. Após graduar-se, Roth pai se mudou (junto com sua família) diversas vezes: primeiro para um pequenino rancho em Newcastle, Indiana, onde Dr. Roth se tornou o responsável por uma coleção particular de cavalos e cisnes. Depois, os pais se mudaram junto com David e suas duas irmãs, Allison e Lisa, para a Costa Leste dos Estados Unidos, East Alton, Massachusetts, na periferia de Boston.

David era um garoto enérgico, porém constantemente acometido por alergias, sendo que lutou contra problemas de saúde que o forçaram a utilizar aparelhos ortopédicos para paralisia desde que aprendeu a andar até seu quarto aniversário. Daí para frente começou a fazer terapia pela maior parte da década seguinte. Aos nove anos de idade, começou três anos de intensivos tratamentos clínicos para hiper-atividade. David teve poucos momentos sadios – seus pais chamavam a hora do jantar de “hora do macaco” pois o pequeno Roth plagiava desenhos e cantava variadas músicas para entreter convidados para o jantar, sempre que presentes em sua casa. David era apaixonado pelo Perna-Longa, Tarzan e pouco mais tarde por Elvis Presley – sendo que deste último, não pela música e sim por seus filmes.

Enquanto sua cabeça nadava em cultura pop, suas raízes estavam fincadas no Velho Continente – seus avós eram judeus ucranianos que trocaram as montanhas da Europa Oriental pelos campos de milho do meio-oeste americano. Curiosamente, todos os seus avós falavam russo e David costumava dizer que um de seus avós morreu dançando na ponta de uma corda, em clara menção às danças típicas da região da atual Sibéria.

Algumas viagens de verão à Nova York acabaram por impressionar o jovem David, onde diversos terapeutas renomados afirmaram aos seus pais que o mundo comportava e tolerava de certa forma diversos tipos de personalidade, incluindo a do pequeno Roth.

Seu tio Manny comprou um rádio e o deu de presente quando completou oito anos, esperando que o aparelho surtisse alguma inspiração ao menino. Na época, Ray Charles ainda cantava Crying Time e David tinha um sentimento de que deveria de alguma forma estar no próprio rádio!

A família Roth deixou a Costa Leste para rumar em direção à Califórnia em 1963, quando Dave tinha cerca de dez anos, bem no momento em que os Beach Boys estavam eclodindo nos Estados Unidos, em alguns lugares fazendo até mesmo frente aos Beatles. Papai Roth estava agora no ramo da oftalmologia, onde se tornou um médico competente e de sucesso (inclusive comercial).

Aos treze anos, no Tahiti, David teve seu primeiro contato com sexo. Uma menina que não falava inglês, apenas tinha decorado as palavras “I like you” (eu gosto de você, em inglês,numa honesta intenção de dizer “I love you”- eu te amo) seria relembrada por David durante muitos anos, em sonhos, pensamentos e devaneios.

Como a carreira do Dr. Roth estava em mega ascensão, a família se mudou para a seção emergente de Pasadena, Califórnia. Porém David não se sentia confortável em freqüentar as escolas de seu bairro. Freqüentemente deixava a todos e caminhava em direção às escolas destinadas aos negros, onde seu jeito explosivo e brancura indelével geralmente resultavam em brigas e transtornos. Sempre solitário, o inteligente garoto sofria com seu estilo diferente em meio às outras pessoas da alta sociedade, de modo que procurava evitá-las ao máximo.

Porém, apesar do dinheiro de sua família, David sempre trabalhou. Comprou ao sair do que seria equivalente à quinta série do ensino fundamental no Brasil, um aparelho de som estéreo (algo como top de linha na época) com os dólares que havia ganho limpando as fezes de cavalos mexicanos em um estábulo próximo à sua residência.

Uma briga violenta durante um jogo de futebol no ginásio o levou a uma breve passagem pelo internato, onde a profusão de regras só resultou em mais resistência ainda. Após um semestre, um David bem constante voltou à cena adolescente: em nova escola pública, aplicava sua raiva intrínseca sendo que se dirigia à escola, mas não assistia mais aula alguma. Preferia ficar sentado embaixo de uma árvore próxima ao colégio, no estacionamento, só para ficar tocando violão.

Este comportamento atraiu muitas meninas, principalmente associado ao seu repertório atemporal (considerado velho à época e para sua idade) mas manteve uma natureza alegre em suas ações. Talvez esse tenha sido o fator crucial em seu processo de cura de todas as doenças, biológicas e psicológicas.

[ ]’s

Julio



Categories: Artistas, Curiosidades, Discografias, Músicas, Off-topic / Misc, Resenhas, The Beatles, Van Halen

3 replies

  1. Fala Julião, parabéns pelo post de um cara que será chave no decorrer da discografia. Realmente é uma personalidade fora do comum, em todos os sentidos.

    É impressionante como, mesmo nos dias de hoje, há pouco do passado desse cara por aí (claro, em comparação com outros artistas e bandas). Eu mesmo procurei algumas coisas e o post realmente traz o que vemos por aí, de forma muito bem sintetizada e agradável pelo Julio. Acrescento que Roth também foi auxiliar de enfermagem por um curto espaço de tempo (ou seja, o cara uma hora mexe com gente e outra mexe com fezes de cavalo…). Aproveitei também, Julião, para fazer uma pequena correção no ano de nascimento do Diamond Dave: de 53 para 54.

    Ah! Coloquei um autógrafo que editei dele, de 1997, pois acredito que você tenha tido a mesma dificuldade que eu: achar fotos dele nos anos 50 / 60. Confesso que procurei até bastante, mas não achei nada antes da época já dos discos com o VH.

    Se alguém tiver / conseguir fotos desse período, avisem por aqui que o Julio ou eu adicionamos…

    Bom, já estou ansioso para a continuação da discografia… continuo de aprendiz aqui…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. O foco do post nos traz a origem musical de Lee Roth e ajuda a entender o por que da sua predileção e consequente regravação dos clássicos de sua época mirim. Músicas como You really got me, Pretty Woman, DAncing in the streets, e também as da carreira solo , como Just a gigolo e That´s life vieram deste período, super bem explicado pelo Julio.
    A discografia segue em altíssimo nível, mas posso esperar para os próximos capítulos e saber como Michael Anthony completou o grupo original
    Super Parabéns!!

    Alexandre Bside

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Trackbacks

  1. Discografia Van Halen – [CAPÍTULO 1] « Minuto HM

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