Aventuras em Manhattan – Especial Minuto HM – Parte 2

Informação ululante: o rock mudou. Eu diria que mudou muito. Os estilos não se consolidaram. O ouvinte ganhou. Como assim?

Durante muito tempo alguém (desocupado e mercantilista, possivelmente) achou que o mundo precisava de rótulos. Este incircunciso acreditava que tudo possui valor (mesmo subjetivo) e como um produto, merecia receber uma etiqueta. O rock passou por isso. Por incrível que pareça, como produto, algumas bandas receberam até prazo de validade. Alcançaram o sono dos justos, sonharam, realizaram e depois de tanto esforço, desapareceram. Foram retirados das bancadas por conta da data expirada.

Confesso: me ajudou até certo ponto identificar as bandas de acordo com o estilo que – aparentemente – elas abraçavam. Quantas bandas (meu Deus!) eu assisti/ouvi/li as entrevistas e quando perguntadas sobre o som elas respondiam categoricamente: eu faço rock and roll. Alguns fãs, muitos audazes eu diria, compraram a ideia do rótulo e compravam no mercado apenas aquilo que mais gostavam. Os fãs de hard, por exemplo, se aventuravam ali por um rock mais tradicional, com músicas com refrões “pegajosos” (adjetivo inventado pelos comerciantes conhecidos como críticos de música) e solos entre os minutos 3 e 5 da canção. Os amantes de metal tradicional seguiam os filhotes das ramificações que esta etiqueta criou (power, se quisermos citar). Não obstante, fã de Iron, também era fã de Helloween, de Gamma Ray, de Rapsody of Fire, de Saxon… isso são exemplos, óbvio, não regras. Eu por exemplo não sigo tendências; nunca me direcionei pela etiqueta da prateleira.

O ouvinte menos apegado à rótulos chegou junto com a tecnologia cunhada por mim como “cabe-tudo-no-meu-itreco”. Temos conversado, desde o último post que inicia minha aventura em NY, do prazer que antigamente tínhamos de “degustar” um LP na casa de amigos, com uma democracia que herdamos em nossos podcasts; dizermos o que pensamos na primeira ou na centésima edição. Nossa impressão poderia mudar muito. Nossas afetividades até interferiam no valor que emprestávamos àquele momento. Explicando de maneira didática: um bom momento na vida da gente certamente tinha sua trilha sonora. Este OST (original soundtrack) não precisava ser A MELHOR MÚSICA JÁ COMPOSTA. Bastava ser aquela que tocava o nosso coração naquele momento porque dizia coisas que quiseramos ouvir ou mesmo delineava a intensidade da nossa vida através dos versos cantados (ou não). Daí então a capa, a ficha técnica, o plástico e o álbum ficavam impregnados no nosso pensamento (e no nosso coração) mudando nossa percepção sobre aquele simples “preto com um buraco no meio”.

Pieguismos a parte, a geração “cabe-tudo-no-meu-itreco” tem outro tipo de relação com a música. Não me furto ao comentário de fazer um juízo de valor muito pequeno (e sem medo nenhum que façam o mesmo comigo) de que esta turma preferiu a quantidade à qualidade. Preferiu a variedade ao conhecimento. Escolheu a overdose de informação à informação precisa, o que são coisas distintas. São percepções muito diferentes a respeito de um trabalho artístico. Portanto para ela não importa se temos um disco pesado e lindo como o Black Album do MetallicA dentro do mesmo HD que o novo CD do Paramore. Que se dane o que pensam os mais radicais! Ele põe no mesmo espaço que o Sabotage (Black Sabbath) qualquer disco do Planet Hemp. Ponto. Agora dificilmente ele saberá quem produziu o disco, quem tocou na faixa especial, qual a história do Cliff com o Metallica (pausa para o comercial da nossa Discografia do Four Horsemen) e se hemp é gíria de mariajoana e coisas do tipo. Ele se apega à canções e não aos criadores delas. Aqui não cabe a adjetivação de “melhores” ou “piores”. Que se baste uma constatação. Assim como também existem pessoas “doentes” que de tanto saberem acerca de seus ídolos esquecem suas próprias vidas.

Essa introdução GIGANTE é para gente comentar de uma maneira bem diferente o CD/EP Covertá do Adrenaline Mob – um dos zilhões de projetos do baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater) junto ao EXCELENTE vocalista Russell Allen (Symphony X), time completado pelo guitarrista Mike Orlando e o baixista do Disturbed, senhor John Moyer.

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Por ter tanta gente de influências diferentes, o som do Adrenaline é “inclassificável”. Temos um baterista que ficou conhecido por sua técnica apurada e pela pegada prog, um vocalista “feroz” (sob o melhor conceito da palavra), um baixista correto, seco e um guitarrista que lembra os virtuoses que subjugaram o mundo ali pelos anos 70/80. Portanto como definir o som da banda?

É pesada e tem como maior característica se assenhorar de fazer belas melodias mas não necessariamente ir para um lado “doce” do rock. Neste CD que reúne canções de Ronnie James Dio, Badlands e Led Zeppelin entre outros, o que temos é uma roupagem metal para cada canção. Isso não torna o Adrenaline Mob uma “banda de metal”, mas ela pode ser percebida desta forma.

O que dizer da versão de “Break on Through” (The Doors)? Ali está mantida a essência da canção setentista mas com aquele punch das bandas dos dias de hoje. Guitarras com graves preferenciais, baixo escondido e bateria tribal. Se você quiser fazer uma síntese do rock praticado e produzido nos últimos 20 anos vai acabar encontrando muito desta estética na hora de tratar de música pesada. Muitas bandas tem se utilizado de um desenho sonoro para marcar o seu som. Aquelas que recorrem a outro tipo de modelagem ganham rótulos diversos por não se enquadrarem no som do momento. O Adrenaline Mob em seu disco de covers (o primeiro da banda se chama Omertá e foi lançado em 2012) pegou Van Halen (“Romeu Delight”) e transformou a canção hard e deu o som fechado e gordo de uma formação de metal. Não foi o caso para “Stand Up and Shout” (Dio) que já tem uma força avassaladora, uma melodia com a cara do senhor Padavona. Está tudo lá: seus agudos, os intervalos e riffs oitentistas, acrescido de uma guitarra imediatamente linda, as palhetadas… ou seja, a música só ganhou em tecnologia e velocidade. A canção em si já tem um valor muito especial por se tratar da primeira faixa do Holy Diver (1983), primeiro disco na qual a banda assinava apenas como DIO.Uma outra observação é que a gravação original foi feita no clássico estúdio Sound City, o Abbey Road americano, que teve discos como Nevermind (Nirvana), Caribou (Elton John),  Undertown (Tool), para ficar em exemplos díspares. Recentemente o multi-instrumentista Dave Grohl (Foo Fighters) lançou documentário fazendo referência ao estúdio localizado em Los Angeles. Nós da família do heavy metal quebramos o seu galho e disponibilizamos o link do doc legendado, caso você não esteja com seu inglês em dia.

“Barracuda” (Heart), canção que sempre teve um “carinho” por parte daqueles que curtem rock feito pelas irmãs Wilson. Engraçado que muita gente nutre uma enorme impaciência com o Heart. Não se sabe se a origem de tal sentimento seja o rock feito pela banda cuja a história vem dos anos 60 (!), tendo passado por várias fases, inclusive fazendo o que a gente ficou conhecendo como AOR (abreviatura para Album Oriented Rock), tocando muito nas rádios do mundo e se tornando muito popular. Na versão do Adrenaline Mob fica “legal” mas me parece que pelo meio da canção houve uma indecisão quanto ao que fazer com arranjo.

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Com “Kill The King” (Rainbow) temos certeza que a veneração por Dio não é oportunista. O enorme respeito que o músico alcançou no meio musical não é “de boca”. Impressionante como tal reverência não pode ser aplicada a um outro músico. Todo mundo que gosta de rock foi impactado pelos projetos do artista que sempre quando estava envolvido fazia trabalhos que influenciaram e influenciariam músicos dos mais diversos universos e como eu sempre gosto de dizer: música boa é a que pula as cercas estilísticas e que não se abriga em um universo – por mais amplo que seja – mas invade outros planetas e estações. A banda de Portnoy está bastante relaxada em sua versão e o respeito pelas convenções demonstra que a música que aparece no álbum On Stage (1977) estava na sangue, como se diz na gíria de quem toca.

A versão para o clássico do Led Zeppelin, “The Lemon Song”, é muito simpática e a versão ficou parecendo alguma canção do Black Crowes – banda do finalzinho dos anos 80 – e que se tornou notória por emular um som setentista. Só não temos aqui a cor bluseira muito forte porque o baterista da banda preferiu intensificar o ritmo mesmo na parte mais melancólica da canção, então temos um blues mais pelo walking bass de Moyer, que faz as vezes de uma segunda guitarra. O som é muito redondo e dá até vontade de colocar o Led na vitrola/CD/itreco e quando isso acontece me parece que o objetivo da banda foi alcançado. 🙂

O EP encerra-se com uma versão para The Mob Rules, faixa do segundo disco de Dio com Sabbath, Mob Rules. Nesta época o grupo inglês já vinha com uma pegada intensa e ao mesmo tempo menos soturna. De todas as canções me parece que foi a homenagem mais bacana. Mob Rules (o disco) é o primeiro sem Bill Ward depois de tantos problemas. Alguns relacionados à saúde (como o tratamento do alcoolismo) e a perda dos seus pais. O lendário Vinny Appice assumiria as baquetas e sua maneira de tocar também se tornaria uma marca quase indelével da carreira do Sabbath. Óbvio que a mão pesada de Portnoy se distingue muito do seu conterrâneo, mas o grande barato está justamente nisso; a homenagem acontece sem que o dono das baquetas perca sua identidade.

Verdade seja dita, durante o desenrolar de Covertá não temos nenhuma competição durante as faixas. Cada um no seu track faz sua parte sem que a música deixe de ser a principal atração. Desta forma o disco é um exemplo de unidade. Optar por canções amplamente conhecidas por quem gosta de rock também foi um belo acerto. Nada contra os “lados B” da vida mas é legal ver algumas grandes músicas ganhando arranjos mais pesados o que nos dá uma ideia de como algumas bandas como Badlands funcionariam hoje em dia. Que se conste: Jake E. Lee e Eric Singer teriam enorme ligação com o Black Sabbath, indireta ou diretamente. O primeiro tocaria nos discos solos de Ozzy Osbourne (Bark at the Moon e The Ultimate Sin). Singer estaria presente no Seventh Star (1986) e The Eternal Idol (1987). Isso sem contar que Ray Gillen (vocalista do Badlands) grava as demos de The Eternal Idol e aos quarenta e cinco do segundo tempo é substituído por Tony Martin.

É um disco que serve muito para conhecer o Adrenaline Mob, suas influências, mas também matar um pouco da saudade de grandes canções, grandes discos, grandes bandas. Muito legal também aproveitar uma banda que está no mercado com ambições menores – justamente por seus membros já estarem com o burro na sombra – e com isso recebemos um lançamento onde a diversão é desejo primário. Como a gente (quase) nunca te deixa na mão, disponibilizamos os links de todas as faixas para que você dar uma ouvida e quem sabe possa acompanhar daqui pra frente a carreira do grupo.

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Se você reparou nesta última foto temos o pequeno encarte autografado por Mike Portnoy e Russell Allen, as estrelas (com todo respeito ao Orlando e ao Moyer) do Adrenaline Mob. Bem, a primeira parte desta aventura que inclui visitas ao estado de Nova Iorque, dicas de compras, e agora review de CD, termina com a cobertura do show de lançamento do EP do Adrenaline Mob na tradicional casa Webster Hall no centro de Manhattan. O leitor do Minuto HM vai ganhar um review bastante peculiar desta noite e “de quebra” resenhas de duas outras bandas muito bacanas que abriram o show do AM lá nos Estados Unidos.

See u!

Daniel Junior



Categories: Artistas, Black Sabbath, Covers / Tributos, Curiosidades, DIO, Dream Theater, Foo Fighters, Helloween, Led Zeppelin, Músicas, MetallicA, Nirvana, Rainbow, Resenhas, Saxon, Van Halen

19 replies

  1. Daniel,
     
    parabéns, primeiramente, post este fantástico post. Muito legal tudo que você trouxe (assunto), além do impecável texto. O assunto mesmo é algo que dá para falarmos por muito tempo, tendo em vista que se trata simplesmente de músicos excepcionais tocando músicas praticamente sagradas. Assim, quem daqui não gosta disso? Na verdade, esta pergunta é “idiota”, já que ao longo do texto, a quantidade de links recursivos já mostra o quanto falamos destes materiais originais por aqui…
     
    Este lance de não se direcionar a um determinado “rótulo” é algo que creio ser ponto comum por aqui no blog. Além disso, há a questão (que tanmbém não temos por aqui – “kudos” para nós) de não sermos “ignorantes” ao restante do mundo musical, ou ainda a bandas que são consideradas rivais ou mesmo “eu escuto o Vulgar Display Of Power, como posso ouvir o Help?
     
    Outro acerto do seu texto é a questão do “iTreco”. Sim, hoje “consumimos” música de maneira diferente, e isso, com a popularização da tecnologia, já afeta qualquer camada da população. Podemos ter um aparelho marca XingLing com capacidade de xx GBs, cabendo tipo 5.000 músicas. Ou o streaming via YouTube e outros serviços, GRÁTIS – quer biblioteca maior que esta? Aqui cabe um elogio público ao nosso amigo Remote que vem voltando a ouvir música através de LPs, tendo o gosto de curtir toda a experiência. Do meu lado, procuro ouvir o álbum, seja qual for a fonte ou tecnologia usada. Mas, em geral, a galera realmente escuta música “a la carte”. Mas o mundo deve a Steve Jobs muito disso, pois ele conseguiu entrar em um mundo pesado, com players como as gravadoras e a Sony, e renegociar tudo quanto é tipo de contrato, e vender música individual, o famoso “USD 0,99”. Ele foi brilhante e ajudou a salvar um pouco de uma industria que caminhava para a falência…
     
    Agora, quanto à overdose de informação… bom, o blog está aqui para isso, mas vejo cada vez mais as pessoas menos interessadas em ler um texto como o seu, ou com o tom que se observa por aqui no MHM. É uma pena e cabe a nós continuar incentivando, dentro das nossas possibilidades, a essa prática. No fim das contas, assim como na carreira profissional, cada indivíduo escolhe um caminho… eu prefiro escolher este do MHM, mesmo, obrigado :-).
     
    Já sobre o EP, a escolha das músicas trouxe um risco / responsabilidade enorme à banda, já que são clássicos – assim, dando tudo certo, era entrar com o jogo ganho.
     
    E foi assim, já que as músicas, como bem abordado pelo Daniel, funcionam muito bem, inclusive em pontos sensíveis como o vocal de Russell Allen, mesmo nas músicas do saudoso Dio. Realmente tudo muito bem encaixado. Com tanta música boa, ouvir este EP é uma das coisas mais fáceis do mundo… ainda mais considerando que a maioria são músicas de duração média.
     
    Claro que quando falo que as coisas se encaixaram, tem coisa que combinou mais, como Stand Up And Shout. A versão de Break On Through (To The Other Side) ganhou um peso absurdo e Barracuda uns anabolizantes de guitarras impressionantes – sem contar o vocal mais agressivo – mesmo assim, o baixo continuou bem marcante.

    Agora vou chover no molhado: Portnoy dá show em todas as faixas. Ele não apenas traz os mínimos detalhes das versões originais, como em alguns momentos adiciona sua pesada mão e pequenas variações que adicionam e muito. É brilhante. Inclusive, eu gostaria de reforçar que tem vaga para Portnoy em muitas bandas, até mesmo em uma certa banda americana que estamos fazendo a discografia por aqui (o ganho seria imenso…).

    Neste momento (talvez mude no futuro, vai saber?), minhas prediletas são: Kill The King, Stand Up And Shout e The Lemon Song.

    Para tentar enxergar algum ponto fraco, vou de Mob Rules: além do grito inicial não ter ficado tão legal, essa eu achei que ficou “too much” (olha meu atrevimento aqui, que absurdo). Sei lá, talvez tenha sido uma impressão inicial apenas – Portnoy enfia um monte de bumbos e detalhes… ou eu que fico pensando na original, que gosto tanto… bom, talvez quem sabe com mais audições isso não mude. Mas mesmo assim, a versão é muito boa.
     
    A última foto com os autógrafos (excelente!) já é também um teaser para a parte 3, que espero que saia logo, pois sei que será incrível – ainda mais uma certa foto que sei que vai aparecer…

    Obs.: ainda falta ver o vídeo de quase 2 horas do post…
     
    [ ] ‘ s,
     
    Eduardo.

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    • Olá,

      fico feliz que você tenha gostado do post. Pra mim é muito difícil escrever “aqui” porque cada um tem um jeito de publicar seus textos e o MHM já possui algumas características bem fortes; a correção nas informações é uma delas. Tentei não fazer track to track entediante mas aproveitar este cenário e apresentar um pouco da minha visão de como a relação do ouvinte com a música mudou bastante.

      abraço,

      Daniel

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      • Daniel, ficou muito legal a forma como você fez, de maneira mais abrangente. A combinação das músicas escolhidas sendo tocadas por quem foi é algo que dificilmente daria errado, pelo menos do ponto de vista musical (que é o que interessa para nós, apreciadores).

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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  2. Daniel,

    muito legal seu texto, abordando antes da resenha o comportamento do ouvinte atual de música. Sobre isto tendo a discordar em alguns pontos. Concordo que hoje em dia temos uma overdose de informação e o acesso a música é bem mais fácil do que há uns anos atrás. Você quer conhecer uma banda, basta ir no you tube ou qualquer outro programa de streaming e pronto. Na minha época, ou eu tinha que ir em uma locadora de cd’s ou então esperar que alguma boa alma me emprestasse o LP porque a grana era curta e eu não podia arriscar comprar um disco e ele não ser bom. Só comprava algo que eu sabia que era 100% garantido (tipo Iron, rs). Agora sobre o relacionamento pessoal com música, o comportamento que você se refere, do ouvinte que se liga mais à música isolada do que um álbum completo, para mim isto sempre existiu. Não foi a facilidade ao acesso que mudou isso. Sempre tivemos o ouvinte que se contentava em ouvir Enter Sandman no rádio e ficava por alí mesmo e aquele que corria atrás do Black Album para conhecer as outras músicas, o produtor, o restante da discografia. Isso existe até hoje: aquele que se contenta em fazer uma playlist só com os hits e aquele que pega o álbum inteiro. Essa dedicação à música, acredito eu, é mais comum no ouvinte de rock em geral. Nós temos esse hábito de debater música, solos, letras… dificilmente vemos isso entre fãs de música pop, por exemplo.
    Sobre a variedade de coisas no seu iTreco, com essa facilidade toda que temos de acesso hoje em dia, de conhecer várias coisas diferentes, é natural que seja comum você encontrar alguem que ao mesmo tempo que é fã de Iron Maiden, também curta Beatles e Franz Ferdinand (eu, por exemplo, rs). Nem perco mais meu tempo com rótulos. No meu iTunes é tudo Rock, Pop ou Metal hehehe.

    Enfim, sobre o EP do Adrenaline Mob, curti bastante! Adoro quando uma banda faz um cover e dá o seu toque pessoal, mais do que simplesmente uma regravação. Por conta disso, as versões mais surpreendentes para mim foram Break On Through ( a que mais curti), Barracuda e Lemon Song. Não que os outros também não tenham sido excepcionais e muito bem executados. As versões do Dio, o timbre de voz do Russel Allen lembra muitíssimo o Dio e Romeo Delight tem uma homenagem ao Led Zeppelin lá pelo fim…
    No primeiro cd do Adrenaline tem um cover do Duran Duran, Come Undone, que também é muito bom. Vale a pena ouvir

    Abraços,

    Su

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    • Oi Su,

      que bom que você gostou do texto. Essa forma de busca de informação acredito que seja um hábito que tomou os fãs ávidos por notícias de sua banda e que aqui no Brasil eram escassas quando não inverídicas. O LP era a fonte mais formal que se tinha. Recebíamos as publicações com notícias que não poucas vezes já haviam caducado. É mesmo uma visão particular de quem se interessa pela produção de uma obra de maneira integral e não apenas verificando um aspecto dela. O conceito de um álbum – especialmente o conceito como entendíamos de um disco, que ia da capa ao tipo de caixa utilizado na gravação de uma faixa – sempre tinham sintonia fina com a história do álbum. Hoje, por opção das bandas, pela mudança do formato estético (uma caixa de acrílico com uma capinha de má qualidade), damos menos relevância a este tipo de fonte.

      Essa faixa do Duran Duran ficou legal mesmo. Onde o Portnoy se envolve, sempre temos homenagens. Além da banda inglesa ser bem legal 🙂

      Abraço,

      Daniel

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      • Daniel, é verdade. Hoje damos cada vez menos atenção ao encarte – que, quando também vamos olhar, hoje em dia está cada vez mais difícil em se encontrar um com boa qualidade – tanto gráfica quanto de conteúdo – e principalmente nos materiais nacionais.

        Aliás, esse assunto dá mesmo muito caldo e daria para falarmos também das pressões comerciais e das gravadoras…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

        Like

    • Acho que a causa-raíz do que estamos conversando aqui não necessariamente esteja atrelado à tecnologia em si, mas sim na forma como ela é usada.

      A tecnologia é apontada como vilã pois facilitou as coisas de uma forma que o ser humano passou a ficar mais preguiçoso também. Ou alguém aqui ainda sai correndo em uma manhã chuvosa e fria para comprar um mero disco, sabendo que ele está disponível digitalmente?

      A FORMA é o grande ponto. Vejam o Facebook: a ferramenta em si, a rede social, não é o problema! O problema é COMO a usamos – e usamos MUITO MAL. O próprio Mark Z. critica principalmente a nós, brasileiros, que transformamos aquilo em um repositório de imagens e futilidades.

      O que é importante, e isso vale inclusive para mim, é nos policiarmos sempre – é muito fácil pegar esse caminho. E por isso que sou fã de todos vocês que conmseguem ver isso e continuam “curtindo” as coisas de maneira a realmente entender o assunto, “degustando” cada detalhe.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Eu estou um pouco atrasado nas leituras do Minuto HM ( que heresia!!!) , mas aos pouquinhos estou tentando colocar as coisas em dia .
    Essa segunda parte das aventuras do Daniel na cidade que nunca dorme é,antes de tudo, principalmente criada para manter um suspense sobre o que vem por aí . Pois a próxima parte realmente promete e muito!!!
    Mas voltando ao texto dessa parte, é realmente uma maravilha ler suas definições , como a fantástica recém-criada palavra iTreco. Sensacional mesmo… E já lendo os igualmente perfeitos comentários do Eduardo e da Suelllen, não há como alguns de nós, os ” velhinhos ” que habitam esse generoso e democrático espaço, esqueça a época dos vinis e mate a saudade, que seja nas longes lembranças guardadas na memória , daquele tempo que não volta mais ( daquele jeito, pois o vinil agora parece que está mais vivo do que nas duas décadas passadas). Estive em Brasília recentemente e passei uma ou duas tardes contemplando e ouvindo os discos e seus encartes , capas, contracapas e demais ítens , na casa do meu irmão, e confesso, dá até pra renegar um pouco a questão da pureza sonora dos cds em contrapartida a tudo isso que já foi dito acima . E trago mais uma questão que no meu ver é fundamental: Além de não se ter mais a experiência reflexiva que é ouvir os vinis, hoje ouvimos cada vez mais a música digital de forma precária, em mp3s player de inexistentes graves e laptops que rivalizam com o som dos radinhos de pillhas de outrora. A questão envolvendo a produção, composição e demais detalhes dos álbuns ( os agradecimentos,não podemos esquecer os agradecimentos), então , pode esquecer mesmo… O mundo é dos iTrecos e viva o facebook, que é pra lá que seguem todas as outras energias … Deixem, nós, os velhinhos , com nossas ranzinzices..
    Por fim, além de um obrigatório elogio à todas as impecáveis informações trazidas pelo Daniel, que está , graças a sei lá quem, graças a ele mesmo, cada vez mais nos brindandos com essas maravilhas de textos, tão bem escritos.
    Ah, e o Adreline Mob???? Bem, fazer um disco de covers é muito bom,mas ao mesmo tempo uma responsabilidade. E eles ? Tiraram de letra, é claro, o que alías já é uma especialidade do Sr Portnoy,vide todas anteriores homenagens em forma de tributos e covers que já tivemos o prazer de apreciar.
    As minhas preferidas, para seguir nessa ” pesquisa recém criada ” nos comentários, são The Lemon Song e HIgh WIre . Antes preciso destacar a coragem dos caras trazerem uma de cada banda que um tal de Ronnie James Dio catapultou para o sucesso sempre em tão brilhantes companhias . Mas as minhas preferências são justificadas por : A primeira pela inusitada idéia e pelo grande risco de rivalizar com a original num vocal tão diferente. Fizeram muito bonito.. A segunda….bem, a segunda é pelo meu sobrenome mais conhecido aqui no blog,e viva Jake E Lee e Cia!

    Saudações

    Alexandre Bside

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    • Pois é, B-Side e galera… sem querer prolongar muito e causar qualquer polêmica, meu entendimento é que as pessoas estão perdendo os valores de certas coisas na vida. E isso a gente só enxerga melhor com certo nível de maturidade – portanto, eu acho que a palavra “velhinho” deve ser lida neste conceito apenas…

      Agora, não me surpreende High Wire está entre as favoritas do B-Side… o apelido é quase um nome oficial, mesmo…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Pois é BSide,

      obrigado pelas palavras. Eu estou tentando pegar o que eu chamo de LINK DA ETERNIDADE que é viver os dois mundos para não ser demasiadamente complacente com o passado e injusto com o presente, isso me garante uma chance de me adaptar ao futuro, com toda a sequidão (aparentemente) que ele me reserva. Eu sou meio brocador de fontes sobre obras artísticas, especialmente as que se referem à música e cinema, então acho que a experiência de quem sabe do backstage fica mais ampla e rica.

      abraços amigo,

      Daniel Junior

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  4. É interessante ver tanto trabalho que vocês tem de escrever e ficar babando bandas de fora, coisa de terceiro mundistas mesmo, várias são muito boas mas não citar o Stress que fez um álbum antes do Metallica e em bom Português que muito poucos não fazem, anos depois se reconheceu o que fizeram lá fora não aqui.

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    • Wellington, da forma que você se colocou, pelo menos lendo rapidamente, não entendi de verdade qual sua opinião e posição acerca do assunto do post que traz, principalmente, um review do EP do Adrenaline Mob e uma experiência no exterior. Seria legal ter mais detalhes do álbum que você menciona para podermos criar um debate legal por aqui, o que acha?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Eu conheço muito pouco o Stress, que foi uma banda pioneira do heavy metal em nosso país, lá pro fim dos anos 70, e deve ter passado uns bons bocados tentando divulgar o estilo na ocasião.
        No início dos anos 80, a banda ficou conhecida no underground, mas eu confesso o meu desconhecimento quase pleno de suas músicas. No show de lançamento do álbum do Água Brava, outra banda pioneira que foi bastante divulgada no Minuto Hm havia diversos integrantes dessas bandas pioneiras do metal brazuca dos anos 80, como o Azul Limão, banda que tem a apreciação de vários conhecidos meus , como o próprio Marcos Mustaine, que está meio sumido por aqui. Entre os presentes estava também o Bala, que é o vocal do Stress, para dar aquela força, sendo citado pelo Ivo durante o show. Vários de nós gostamos do Água Brava, que também tem suas músicas cantadas em português, mas sabemos que bandas do gênero e com vocal em português são cada vez mais raras atualmente.
        Seria muito interessante saber mais da banda, Wellington, se você pudesse contribuir aqui eu também gostaria bastante.

        Saudações

        Alexandre Bside

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    • Stress é uma banda fundamental para história do heavy metal no país, assim como o Salário Mínimo. Infelizmente existe pouco material (da época) disponível para maiores garimpos e conhecimento. Compartilho da total falta de know how para falar sobre essas bandas mas não desmereço o lugar honroso que elas possuem na música pesada no Brasil pelos momentos de bravura, lá na distante Belém do Pará (se não me engano) fazendo heavy metal. Se já era difícil fazer aparições e shows nos chamados grandes centros que dirá no norte do nordeste.

      Não tenho certeza mas recentemente os discos deles foram relançados.

      Isso não tira o mérito do Adrenaline Mob (rsrs) que de comum com o Stress só tem a guitarra, abateria e o baixo.

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  5. Esses são os links:

    http://www.stress.mus.br

    pt.wikipedia.org/wiki/Stress_(banda)

    Detalhe é que quando ouvia na Fluminense FM achava pesado, hoje leve que ironia e vocês acham que em um mundo globalizado já naquela época para eles lá de fora não ouviram…
    Eles abriram o show do Maiden lá no Pará.
    Detalhe que era tão precário que ouvi dizer que no disco se não me engano flor atômica uma música que eu achava ser instrumental ficou sem a voz por falha…

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