Cobertura Minuto HM – Dream Theater no RJ – 05/10/2014 – resenha

Dia de eleição, muita gente na rua, um dia até pouco indicado para um show desta nova formação do Dream Theater pós saída de Mike Portnoy. Como não havíamos visto a banda com o novo integrante Mike Mangini, a idéia de ver este show era ver como está o grupo, já neste segundo álbum sem o baterista original. Assim a opção foi sair mais cedo de casa, mas com o trânsito favorecendo, pouco antes das 19:00 hs já estávamos nas imediações do Vivo Rio. Depois de cerca de 20 minutos em uma fila grande para a plateia comum, percebemos ao entrar, que a fila vip estava demorando mais, algo contraditório para quem paga mais para ter conforto e não ter de esperar tanto.

Na entrada, ainda com pouca gente na casa, conseguimos um local próximo a mesa de som, com plataformas que facilitam a visão. A estrutura do Vivo Rio é bastante adequada a show médio e traz boa visibilidade para a grande maioria dos espectadores, mesmo em um show que estava com quase lotação esgotada. Além disso, é um lugar mais central da cidade em comparação com as demais casas de espetáculos de mesmo porte, que normalmente se situam na zona oeste (Barra da Tijuca).

O estacionamento, no entanto, traz um preço não compatível com o serviço, pois o local reservado aos veículos não tem cobertura e é com vagas apertadas. Desta vez pelo menos não tivemos o desprazer de encontrar o veículo abandonado à sorte na saída, mas com poucas opções de transporte público nas redondezas, que se trata de área deserta e perigosa, entendemos que este é um ponto fraco da casa de espetáculos. Além disso, aproveitando da boa lotação que o show prometia, havia flanelinhas em volta informando que não havia vaga em estacionamento pago, ou que só era possível estacionar para quem tivesse comprado previamente dentro do pacote do show… a famosa “malandragem carioca”, que não colou conosco.

Telão e Som Playback antes do Show:

Um fato interessante é que não havia playback com músicas de outras bandas, a opção da banda foi por colocar uma espécie de música incidental que serviria tranquilamente como trilha sonora do filme 2001 Uma Odisséia no Espaço, por exemplo. Nos telões laterais que não foram usados no show, a casa mostra as próximas atrações onde destacamos a sempre pertinente homenagem ao Fab Four e um dinossauro do progressivo que também está vindo para as terras cariocas.

Próximas Atrações na Casa

Próximas Atrações na Casa

Faltando ainda cinco minutos para o horário previsto, as luzes se apagam e a introdução com a primeira música do novo álbum (False Awakening Suite) traz na tela em forma de cortina uma retrospectiva dos álbuns da banda e após a queda do pano, a banda começa com o single The Enemy Inside. O som que se ajusta após a primeira faixa deixa o teclado e principalmente guitarra em plano bastante superior ao baixo e bateria. O vocal está em volume adequado e LaBrie realmente é uma surpresa pelo atual estado de suas cordas vocais, pois atingiu praticamente todos os tons mais desafiadores do setlist, embora tenha semitonado vez ou outra. O instrumento de Myung está tão baixo que nem nos momentos solos consegue-se ouvir suas linhas com clareza. A bateria tem sonoridade mais clara nos tons e pratos, mas os bumbos estão abafados e nem sempre bem audíveis. Essa mixagem se manteve durante todo o show e nos pareceu intencional, algo bem diferente do que costumávamos ouvir na época do baterista original.

Intro e The Enemy Inside:

Cabe aqui um necessário parênteses para justificar a escolha de poucos vídeos do show e que não necessariamente tem a melhor qualidade entre os já encontrados no YouTube. A ideia foi tentar trazer vídeos que remetem aqueles que quiserem vê-los como um espectador do show, afinal a banda acaba de lançar um DVD oficial contendo exatamente o mesmo material do show carioca, repletos de câmeras exclusivas, som irretocável e tomadas escolhidas criteriosamente. Independente da qualidade (discutível ou não) do que aqui está disponibilizado, precisamos agradecer àqueles que disponibilizaram os vídeos e ajudaram sobremaneira nesta resenha.

A primeira parte (o chamado ato 1) do show traz 5 das 6 faixas tocadas do novo e homônimo álbum, intermediadas por outras poucas faixas de outros trabalhos, sendo duas do álbum de estréia de Mangini – On The Backs of Angels e Breaking All Illusions, que vai encerrar esta primeira parte. As outras músicas tocadas são The Shattered Fortress, que é uma espécie de resumo da suíte desenvolvida por vários álbuns da banda desde o 6 Degrees of Inner Turbulence sobre os 12 passos de recuperação de um alcoólatra. Além desta, uma faixa do pouco apreciado Falling Into Infinity: Trial of Tears, sem dúvida uma das melhores deste CD, foi tocada em versão aumentada, com uma espécie de “jam session” que serve de momento principal nos show para as habilidades de Petrucci. Jordan usa o instrumento móvel que pode empunhar como uma guitarra para a parte central que traz um solo de teclado originalmente executado por Derek Sherinian. Entre as faixas do novo álbum, destaca-se The Looking Glass.

Jordan Rudess e seu brinquedinho incendiando a galera

Jordan Rudess e seu brinquedinho incendiando a galera

The Looking Glass:

O novo show do DT traz inegáveis ganhos em produção visual e cenário, que se parece com paredes grafitadas e com bastante colorido. Outro ponto a favor é a preocupação em poder facilitar a visão dos teclados de Rudess. Há uma câmera que traz um close do alto dos teclados do músico e além disso a estante onde o teclado principal está apoiado é ainda mais articulada que nas tours anteriores para que Jordan consiga inclinar o teclado para que possamos ver suas linhas de forma mais nítida. Falando em visual, o telão traz também vídeos interativos em várias das músicas, inclusive um bastante divertido no estilo de desenho animado trazendo caricaturas dos músicos na faixa instrumental Enigma Machine.

No único telão o solo de Rudess em detalhe

No único telão o solo de Rudess em detalhe

Também nesta há um espaço para um curto, porém extremamente técnico solo de bateria de Mangini. Não há como negar que o batera é mais técnico que o carismático Portnoy, e também demonstra alegria e simpatia ao tocar, mas há um “buraco” deixado na banda pela relação e interação com o público que Portnoy sempre primou. Esta espécie de lacuna ao que parece jamais será preenchida, nem por Mangini, nem pelos outros músicos, mais contidos e preocupados com suas participações sempre virtuosas nas canções.

Assim, um show do Dream Theater hoje é, como sempre, impecável tecnicamente, mas traduz uma certa frieza em seu desenvolvimento, frieza esta que foi em bastante parte quebrada pela plateia carioca, que conhece como poucas as músicas do setlist e agita diante da menor interação de quaisquer dos membros da banda.

Magini em seu Kit nada usual

Mangini em seu Kit nada usual

Após 15 minutos de intervalo, que começam em uma contagem regressiva exposta no telão, se seguindo em um pequeno vídeo com cenas da internet bastante divertidas, num tom irônico parecido com os vídeos que o Rush vem trazendo para suas turnês, a banda retorna em alto estilo tocando The Mirror e Lie, do álbum Awake, para delírio de boa parte da plateia. LaBrie explica que o trabalho está fazendo 20 anos, tendo completado tal momento na véspera do show e que eles vão fazer deste segundo ato uma homenagem ao mesmo. Além disso, mais para frente eles vão comemorar os 15 anos de um dos seus álbuns mais conhecidos de seu público, Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory.

A banda em ação no RJ

A banda em ação no RJ

Seguem-se as pouco tocadas Lifting Shadows Off a Dream, Scarred e Space Dye Vest, esta a última contribuição e praticamente uma faixa solo do primeiro tecladista da banda, Kevin Moore. As linhas de teclado originais são mais simples, mas não menos poderosas e marcantes, assim percebemos um Rudess bastante tranquilo em executá-las, muitas das vezes apenas usando uma das mãos. Voltando a Space Dye Vest, a música ganhou peso nesta versão ao vivo e tem bastante qualidade no arranjo que com a categoria irretocável de Rudess no piano, mas em nosso entendimento não precisava conter um aumento de uma oitava dos vocais de LaBrie quase em seu final. Soou exagerado em uma faixa que prima pela melodia mais suave. Além desta alteração, há um solo correto que beira o exagero de Petrucci também no término da canção, que não chega a atrapalhar a versão. Mas James poderia ter mantido os vocais originais da música, para que a mesma ficasse perfeita.

Space Dye Vest:

A banda optou na homenagem ao Awake em tocar suas faixas finais (da faixa 7 à faixa 11).No fim deste segundo ato, o grupo toca a faixa final do novo álbum, Illumination Theory, que é a faixa longa-metragem deste trabalho, na linha da faixa Octavarium, do homônimo álbum. Em sua parte central há um playback com sons de orquestra, e apesar da boa reação do público carioca, a faixa não chegar a empolgar como o restante do ato.

O telão complementando a temática das músicas

O telão complementando a temática das músicas

O grupo então volta para um bis com as faixas do cd Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, mas desta vez a homenagem vai trazer as duas faixas iniciais e duas das faixas finais do álbum. A reação carioca é provavelmente a maior do show, desde a abertura com Overture 1928 e Strange Deja Vu até o final com The Dance of Eternity e Finally Free.

Finally Free:

Com esta faixa há a finalização de um show com duração próxima às três horas de espetáculo e consegue manter sua reputação e popularidade junto ao público do gênero inclusive no Rio de Janeiro, cidade que não prestigia tanto as bandas do atual cenário mais pesado de rock. E assim como vimos na turnê de despedida de Portnoy de seus companheiros, o Dream Theater novamente provou que encontra poucos rivais para conseguir trazer um público fiel aos seus shows na capital fluminense. E consegue manter sua chama acesa, ainda que tenha sérias restrições por alguma parte da plateia (inclusive nós, os autores) em relação ao material do seu último álbum.

Após o show, já com o equipamento sendo desmontado

Após o show, nossa presença e o equipamento já sendo desmontado para o show de Brasília.

Saudações!

Alexandre Bside e Flávio Remote



Categories: Cada show é um show..., Curiosidades, Dream Theater, Instrumentos, Músicas, Resenhas, Setlists

15 replies

  1. Oi,

    conforme eu informei – em cima da hora – ficou difícil para mim ir ao meu sexto show seguido do DT. Valeu-me contentar-me com o DVD novo dos caras que é mais ou menos a mesma coisa que vocês assistiram, sem a adrenalina e a respiração de um show ao vivo.

    Foi impressão minha ou vocês acharam o show ‘ok’, nada de espetacular ou mais ou menos dentro do esperado quando o assunto é DT?

    ‘Breaking The Fourth Wall’, o novo DVD é melhor do que o anterior – “Live At Luna Park” e, conforme venho dizendo, corrigiu boa parte dos erros (especialmente no que diz respeito à mixagem) e tem um cadinho mais de emoção. Daqui um tempo a resenha.

    O LaBrie deu uma melhorada acentuada depois de “A Dramatic Turn Of Events” talvez porque tenha fugido da pressão do seu ‘patrão’ Mike Portnoy. Hoje, mesmo com a produção de John Petrucci, o músico deve estar mais a vontade, mesmo derrapando uma hora ou outra, conforme vocês relataram.

    Ainda não me acostumei com o setup de bateria do Mangini, parece que em alguns momentos fica faltando alguma coisa entre as pausas. Pode ser viuvez da minha parte, no entanto mais uma vez vocês comprovaram – da melhor forma possível, ao vivo – que a bateria quase não tem o peso necessário a ela e neste aspecto não é por ‘saudade’ do Portnoy mas o estilo do Mangini que de tanto ser técnico, às vezes parece um relógio e não um homem executando seu instrumento. Não gosto desta escolha de som mas respeito a opção da banda que soa um pouco mais leve.

    Enfim…

    Espero que vocês tenha curtido o show,

    Daniel

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    • Daniel,
      Sim sentimos sua falta, e concordo com tudo aí acima, e o Bruno testemunhou identico em relação ao Mr Relógio Mangini.
      Ao Labrie, eu já tinha achado uma performance muito boa na tour de Black Clouds e no domingo passado foi na mesma linha, com pouquíssimas escorregadas e (para mim) uma boa estragada no exagero oitavado para Space Die Vest – uma das minhas favoritas e ex inedita ao vivo, graças ao trecho em homenagem ao meu predileto Awake.
      Com um set list desses (Meio Awake e homenagens também nas 4 do Scenes) não tem erro – e tiramos fotos e gastamos para a resenha no Ato 1, mais desinteressante.
      Quando vieram as homenagens, não dava para não emocionar, inclusive pela participação de uma galera que sabe as letras…
      Abraços e o esperamos num próximo.
      Que tal o Kansas (aí em cima)?
      Remote

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      • Daniel, é por aí mesmo, como disse o Flávio. Pra nós, já cascudos e tendo visto vários shows da banda ( eu vi o primeiro em 1998, o Flávio em 1997) a sensação foi de um show correto, previsivelmente perfeito do ponto de vista técnico mas, entendendo ou não como viuvez, faltando um pouco de alma.
        A mixagem deveria ” pesar ” mais nos bumbos, algo que acho fundamental em um show com um baterista tão bom. Lembro do bumbo do Eric Singer em São Paulo, 1994, Monster of Rock , KISS. Aquilo sim era um som de bumbo. E não posso esquecer de mencionar o Portnoy, sempre trazendo um som tão potente.
        Não pareceu ser problemas na mesa de som, o som entregue parecia ser o que se pretendia. O cara da mesa de som estava próximo, muito próximo de nós e tinha uma ” nave espacial ” para ajustar tudo. Ele passou boa parte do show apenas acompanhando e curtindo ( sim, o cara parecia muito feliz) tudo, como se o som estivesse no que precisava ser entregue.
        Cara. sua falta foi sentida, precisamos um dia ( espero, recente) compensar isso!

        Alexandre

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  2. Grande trabalho de resenha dos irmãos B-side e Remote, como sempre, aliás teve coisa que nem percebi ao vivo e só soube lendo o texto agora!

    Minhas considerações são bem parecidas com a resenha, porém como drummer-man posso dizer que me sinto órfão, sim, o Manginni é um batera espetacular, porém lhe falta algo que aprendemos em Aula de bateria que posso resumir na seguinte frase: “Sempre use um metrônomo mas nunca seja um Metrônomo!”, e isso é o que o Manginni é, um metrônomo, feliz, mas ainda assim o é. Excelente técnica e com sua batera nada peculiar é um show a parte, o pequeno solo de batera expõe toda sua técnica poli-ritimista que conto nos dedos da mão do Lula quantos já vi fazendo isso. Ele consegue separar os dois lados do cérebro e fazer ritmos independentes em cada lado com viradas e evoluções sem perder os dois tempos distintos no seu cérebro privilegiado. Ouvi um comentário assim lá no show, “Que merd* de solo, ele nem acelerou”. certamente alguém que não conhece o que o cara estava fazendo, sem problemas.

    Quando mencionei a saída do Portnoy, também queria salientar a diferença na direção da Banda, no tempo dele, bateria e baixo tinham seu espaço no som, ouvia-se bem os bumbos e o baixo muito bem casado com esse, teclado com menos espaço mas guitarra e vocais com o som muito bem encaixado, agora no DT atual, ouve-se guitarra e teclada pacarai*, vocal normal, bateria sem nitidez nenhuma e somente audíveis caixa e pratos e o baixo, sem comentários, qualquer outro japonês alí não sentiríamos qualquer diferença, não dava pra ouvir nada mesmo. Ou seja, vendo esse show entendi claramente alguns motivos da saída do Portina e que claramente a falta que ele faz não se reflete somente atrás das baquetas.

    Obs: O cara na foto com os irmãos B-side e Remote sou eu, amigo deles desde acho que os 6 anos de idade e sempre com muito orgulho de nossa amizade, que seja eterna.

    Brunoy

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    • Brunão
      Comentário show de bola, para quem entende do assunto, é facil, fácil. Concordo, o Mangini é muito técnico, substitui com boa dose de facilidade à técnica de Portnoy, mas falta atitude de líder, que pelo seu estilo, ele nunca vai ter, pelo que parece.
      Mal ou bem comparando é como colocar o Bruce Kullick no lugar do Ace, é ótimo, toca sem grandes dificuldades, tem um jeito diferente, mas não agrega na direção e a banda perde uma vertente criativa.
      Quanto ao show, eu que gosto de ouvir baixo, não ouvi nada, e mais uma vez o tal instrumento de fundo, ficou lá, mas lá, lá embaixo no fundo. Que saudade do Geezer Butler..
      Sua presença é sempre uma alegria e um aprendizado – esperamos estar juntos no próximo.
      Abraços
      Flavio

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      • Bruno, valeu pelos elogios e comentários

        E sim, se o Mangini não aparecia nos bumbos, o que dizer do Myung? Aí ficou pior ainda, poucas vezes se ouviu alguma nota do baixo.
        Como comentei com você no show: Se o Petrucci ou o Rudess errar alguma coisa ( aliás, eu não vi nenhum mísero errinho…) iríamos perceber na hora, já Myung poderia até tocar a música trocada que poucas pessoas iriam perceber.

        Valeu a companhia, espero que possamos estar juntos de novo em breve!

        Alexandre

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    • Olá Brunoy,

      que bacana seu comentário. Não sou baterista mas fico feliz que as nossas impressões estejam rimando. Falta alguma coisa. Incrível como mesmo visto por pessoas diferentes o feeling de todos é o mesmo? Seja a liderança, seja até mesmo na timbragem como foi dito por cada um de vocês.

      Esteja convidado para comentar mais aqui no MHM.

      Abraço,

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      • Obrigado Daniel, aceito o convite e obrigado, apreciei muito seu comentário e como escrevi o meu após ler o seu, a simetria é facilmente percebida pois as impressões foram as mesmas. Abraços.

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  3. Bom, exceção ao Chris DT, os grandes especialistas na banda já escreveram por aqui desde o primoroso post e aqui nos comentários…

    Eu quero primeiramente ressaltar a qualidade da resenha e o fantástico poder de síntese da dupla genial (além das ótimas fotos) – coisas que não canso de me surpreender. Desde a cobertura importante do “pré-show”, que acho fundamental sempre trazer e faz sim parte do ingresso, até o “thank you and good night”. Não me surpreendo com a atitude dos “flanelas” e também o mais que salgado preço do estacionamento – é igual em SP, a qualidade do serviço cai de forma inversamente proporcional à qualidade oferecida. A tendência? Desculpem-me os otimistas, mas não vejo chances de melhoras, na verdade, vejo o contrário – se é que ainda dá – e sempre dá…

    Com relação ao show, vi que houve um ato mais que especial e de comemoração e que realmente é de se encher os olhos e ouvidos aos fãs mais antigos e dedicados. Me pareceu um ótimo setlist, um acerto neste sentido.

    Pela descrição da resenha, me pareceu um show muito similar da tour anterior, que pude estar presente em SP com o Chris DT, e sobre a descrição do Mangini como relógio, bom, é exatamente o que eu acho e que sempre falei também, ainda que fique impressionado em ver minha opinião bem mais leiga bater com as autoridades – aqui temos um guitarrista, baixista e baterista falando, e de novo, não apenas músicos, mas músicos que uma qualidade muito acima de qualquer patamar comum.

    Achei o show pelo que vi rapidamente nos vídeos muito bonito, ainda que eu seja contra o não uso dos telões laterais. É uma pena ter um músico como Myung com seu som sumido e sem os bumbos acompanhando para fechar a cozinha. Nitidamente, é um exercício de egos também, e de quem manda mais, temos que ler assim também tais atitudes. Os detalhes que os autores trazem dos vocais é fantástico e difíceis (praticamente inexistentes, eu diria) em qualquer resenha que possa ser lida por aí, sendo apenas um dos destaques deste texto.

    O tal buraco é complicado… ao mesmo tempo que entendo que Mangini está fazendo o seu papel e tem sua personalidade própria, é realmente complicado não pensar no passado, afinal, não se trata de um baterista qualquer, além de ser o próprio fundador do grupo. Não é possível, portanto, ignorar o fato. O lance do metrônomo citado pelo grande Brunoy é mais que verdade e define muito bem o lance, posso dizer com certa tranquilidade pois já vi o Mangini tanto no DT quanto com o G3 e, apesar das enormes diferenças de som, sempre o vi assim. É, talvez, o melhor baterista do mundo em termos técnicos com o metrônomo e novamente como citou Brunoy, seu privilegiado cérebro que separa as coisas da forma que o faz, mas nem tudo na vida é precisão, ainda mais no rock / metal. Mas é uma posição ingrata, não dá para ninguém sentar neste banquinho de bateria mesmo…

    A banda sobrevive com seus fiéis seguidores, algo raro mesmo, e continua tocando para praticamente o mesmo número de pessoas que fazia com Portnoy. Isso é um alívio inclusive para eles, tenho certeza. E acho que, enquanto tocarem, não vejo motivo de pessoas os abandonarem, ainda que, desta vez, algumas pessoas que curtem já terem demonstrado certa “preguiça” em ir ao show – mas, ao mesmo tempo, sempre há novos seguidores compensando, ainda que a proporção seja menor, creio eu.

    Pelo jeito, a tendência futura não mostra mudanças no que vimos acima, pois as variáveis já viraram constantes – e a variação foi embora, dado a não-variação do setlist em relação a tours anteriores e a manutenção da sonoridade. É um show mais mecânico, uma grande engrenagem muito bem configurada e funcionando com precisão suíça.

    O DT tem tradição de rápidos retornos às nossas terras, assim nos cabe esperar o futuro álbum e tour, ainda que minha expectativa seja de poucas mudanças em termos gerais pois, como disse, o fator que fazia as principais “variações” não está mais presente… é torcer ainda que hajam mais momentos emocionantes, mesmo sendo, pelo que entendi, cerca de 1/3 do show…

    Parabéns novamente pela resenha, B-Side e Remote!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Eduardo, mais uma vez obrigado pela costumeira ajuda, sempre nos salvando com detalhes que fazem tanta diferença.
      Acho que valeu à pena colocar as outras fotos que ficaram razoáveis no carrossel do fim do post. Deu um tom maior de exclusividade e nos ajudou nesta difícil tarefa que é tentar separar um pouco a questão do fã de uma análise mais criteriosa. Uma resenha de quem gosta e acompanha a banda é sempre muito complicada por este aspecto.
      O show foi bom, valeu cada centavo empregado. Para os fãs que não viram os demais momentos do grupo no Brasil, é esperado inclusive que eles tenham saído extasiados. E a platéia, em sua imensa maioria, demonstrou isso. Desta forma. a banda mantêm seu séquito de seguidores inclusive aqui no Rio,o que faz esperá-los novamente para as próximas turnês. Percebi verdadeiros conhecedores do grupo na platéia, não parecia ter muitos curiosos ali….
      A comparação, no entanto, é inevitável, e ficam latentes certas lacunas como expusemos no texto. Para o Bruno, o final do show, com as músicas do Scenes from a Memory Part 2 foram perfeitos. Aliás, a grande parte do expectadores vibra muito com essas faixas, o álbum é quase unânime entre os fãs cariocas. Para nós, eu e Flávio, os momentos mais emocionantes foram os do ato 2, com as músicas do inesquecível Awake. No momento do primeiro playback entre os que permeiam a música Space Dye Vest ( que é uma cena do filme A room with a view, a partir de 2 min e 6 seg no video do youtube da resenha ) , troquei olhares de cumplicidade com a minha filha Leticia,presente conosco no Vivo Rio e isso não tem preço…. O álbum também é um dos favoritos dela e ver isso ao vivo é espetacular! Segue abaixo o trecho do filme ( o sampler da música começa em 0: 48, mais ou menos ).

      Então comentando na forma de um fã, ali o jogo já estava pra lá de ganho.
      Mas é preciso ter um olhar mais abrangente para entender o momento da banda hoje. Que é de continuidade, e pelo jeito por um longo tempo… Ainda que talvez não nos emocione tanto quanto antes….

      Alexandre

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    • Eduardo, belo texto, poderia ser a própria resenha do show esse seu comentário, mas gostei mesmo quando falou de uma grande engrenagem que é o DT hoje e que o Rock´roll não pode ser só isso. Te falo de coração, na próxima turnê vou tentar saber antes de como está o som da banda, se estiver assim é bem provável que eu não vá.

      O trecho à que voce se refere em relação ao público ser o mesmo, é de concordância minha também, porém, faço aqui um exercício de imaginação, apesar de improvável, de em caso de um retorno do Portnoy a Banda acho que nem no Sambódromo caberia tamanho público. Sonhos são somente sonhos mas não tenho vergonha nenhuma de dizer que esse é o meu.

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  4. Pessoal, demorei, mas aqui estou para tecer os meus comentários do Dream Theater. Realmente acabei perdendo o tesão de ir ao show em São Paulo, por vários fatores, dentre eles o de não ter conseguido absorver muito bem o álbum Dream Theater, que para mim me relembra outros álbuns do DT e, então, deixou uma sensação de … já escutei algo assim … Talvez essa fosse a idéia do grupo ao trabalhar neste álbum e eu não tenha entendido isso, mas acho que na verdade eu esperava algo mais surpreendente … esperava uma mudança com a participação de Mangini na criação, sei lá … mas não foi o que aconteceu.

    Nem preciso comentar nada sobre o post dos ilustres Remote e B-side, que foi completo e trouxe detalhes que eu realmente não tenho qualidade e conhecimento para escrever sobre. Mais uma vez, parabéns aos dois!

    Creio que todos os fãs da banda estão sentindo essa forma mecânica da banda tocar … e Mangini “o Metrônomo”, em que concordo com o comentário do Brunoy, apesar de ótimo baterista tem o peso infinito de substituir Portnoy com sua força e atitude na batera. Mangini é impressionante, mas não é e nunca será Portnoy … Na verdade não sei se esperamos um Portnoy, mas esta mecanicidade (se é que existe tal palavra), creio que deixa os fãs com aquele gostinho de querer algo mais … É como se Portnoy trouxesse um lado mais descontraído, agitando a platéia, brincando com suas baquetas, cuspindo água pra todo lado, sei lá … a banda agora é composta de pessoas mais contidas, Petrucci com suas frases de guitarra espetaculares, mas com uma personalidade mais acanhada, não tanto quanto Miyung que como diz o Eduardo,”Não fala”, mas é mestre no Baixo … O mago dos teclados (e esse não é um título daqueles tecladistas de forró), Jordan Ruddess, contribui bastante na sonoridade e na composição das músicas, mas também pode se considerar uma pessoa contida … Enfim … todos na banda tem o mesmo perfil … É o que eu sinto … e é meio que cada um na sua!!!

    Esperarei pelo próximo trabalho com a ansiedade de sempre … e continuarei a escutar o DT, mas se vou ao próximo show … só o tempo dirá … hehehehehe

    Um grande abraço a todos …

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    • Chris, é bom ouvir a opinião de um verdadeiro especialista por aqui. Opinião que vai no encontro da nossa, mas não acredito que seja da maioria dos fãs da banda. Não sei, parece que ficamos muito exigentes, mas eu também tenho a nítida impressão que o último álbum é uma mistura grande de sons do Images and Words , com uma pitada de Rite of Passage ( em Enemy Inside) e outra de Octavarium ( em Illumination Theory). Junte-se a introdução que lembra o início da faixa 6doit, e temos sim uma emulação dos antigos sons do grupo, sem qualquer momento de maior criatividade..
      Mas, repito, isso é a nossa opinião , a grande maioria dos fãs saiu sem qualquer motivo de insatisfação do show, tecnicamente perfeito. Isso garante longa vida para o novo DT, então pra que mudar ?

      Fica o comentário para a reflexão, por fim agradeço suas palavras de elogio,

      Abçs

      Alexandre

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  5. Bside … eu acho que não fomos nós que ficamos mais exigentes … mas o próprio DT que nos fez assim … esperando que cada novo álbum traga algo novo … traga melodias ou idéias diferentes, como o Scenes from a Memory (sessão de regressão) … ou Six Degrees of Inner Turbulence … Ou ainda A Change of Seasons, todos com um enredo …

    E, infelizmente estou sentindo a falta de Portnoy e da energia dele no grupo … Como já disse a banda é perfeita, até demais … os músicos são perfeitos, demais … Mangini é metrônomo, demais … Acho que a palavra que define o que falta é: Atitude.

    Concordo com você que a maioria dos fãs não pensam como nós …

    Ficaremos insatisfeitos até o próximo trabalho … hehehehehe

    Abs

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  6. O que falar?

    Excelente o comentário, Chris!

    Alexandre

    Liked by 1 person

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