Discografia Iron Maiden – Episódio 13: Brave New World

Catando as peças e remontando o quebra-cabeças que caiu no chão…

No capítulo anterior (que você poder ler aqui), acompanhamos o que eu considero ser a parte mais baixa da senóide que o Iron Maiden atingiu até a data desse post: o segundo e último disco com Blaze Bayley, Virtual XI, que decorreu da saída do vocalista no final de 1998.

A banda liderada por Steve Harris via o fundo do poço: vendas baixíssimas, queda de popularidade, músicas sem emplacar nos ouvidos dos fãs e uma chuva de críticas negativas pela mídia especializada. Tempos difíceis exigem um herói…

A volta de Bruce (e Adrian!) à Donzela

Vocês já imaginaram quando dois grandes líderes mundiais de reúnem em segredo para discutir o futuro de uma grande nação, tipo nessas teorias de conspiração contadas por aí? Foi isso o que aconteceu na casa de Rod Smallwood durante o início de 1999, mas aqui não temos uma teoria.

Se você fosse jogar War com Rod Smallwood, eu tenho uma só certeza: você perderia! Rod tem uma visão 360 graus do mercado da música e da alma do Iron Maiden que eu duvido que teremos outra pessoa assim tão cedo, para com qualquer outra banda. Foi o manager da Donzela que viu a quão boa estava a fase solo de Bruce Dickinson. E ele poderia se aproveitar disso!

Abrindo aqui um parêntese alguns parágrafos para a fase solo do Bruce, para efeitos de melhor compreensão do cenário…

Bruce saiu da banda após a turnê do Fear of the Dark, porque não queria amarras criativas às suas composições. E como ele já tinha um álbum solo, ele juntou a fome com a vontade de comer. Os seus próximos álbuns solo, “Balls to Picasso” (1994) e “Skunkworks” (1996), conseguiram muito bem isso: uma sonoridade que foi tudo, menos Iron Maiden.

Foi após esses lançamentos que Adrian Smith se juntou novamente com o vocalista, por pura coincidência, e apareceram as primeiras composições do álbum “Accident of Birth” (1997), mais voltadas, novamente, para o Metal. Nesse álbum, a capa tem um bobo da corte que Bruce batizou de Eddinson, visto que as carreiras do vocalista e do Maiden estavam com postos invertidos (e você realmente acha que Bruce não quis tirar umas casquinha?). Deu tudo tão certo que a boa fase continuou em “Chemical Wedding” (1998). Tivemos até throwdown por aqui.

E foi aí que Rod Smallwood, o nosso herói da história, ligou para Bruce e perguntou se ele não queria voltar para o Maiden. Já que ele tinha voltado a fazer música pesada, era um tiro que valia a pena dar. Em paralelo, Rod sugeriu para Steve que a volta de Bruce poderia ser considerada e o baixista, por sua vez (depois de muito pensar e conversar com Rod), considerou uma conversa com o vocalista.

Bruce voltou para sua banda solo e contou sobre a ligação de Rod. Bruce sabia que conciliar uma agenda solo e o Iron Maiden era algo impossível e, logo, sua banda deveria saber que ela terminaria se a proposta fosse aceita. E aqui vai um “muito obrigado” ao baixista Andy Casillas, que, segundo a biografia oficial do Bruce, What Does This Button Do?, disse o seguinte: “The world needs Iron Maiden.” (sic).

E foi com isso que Rod conseguiu uma reunião entre Steve Harris e Bruce Dickinson. Duas potências do metal britânico discutindo, em uma mesa, o futuro de uma nação criada por eles mesmos, influenciada e apaixonada pelo Iron Maiden. Como a reunião realmente foi, biografias autorizadas e não autorizadas à parte, somente três pessoas realmente sabem (até a localização do encontro não bate – a biografia da banda menciona a casa de Rod, mas a biografia de Bruce menciona um bar vagabundo perto do cais, onde não chamaria a atenção). Mas o resultado foi divulgado ao mundo em 1999: Bruce Dickinson e Adrian Smith estavam de volta ao Iron Maiden, que agora teria três guitarristas.

Espinha Dorsal 2001

Que os Deuses do destino me permitam que essa seja a última espinha dorsal que eu coloco nesse blog!

Eddie Hunter – O Jogo de Computador

O marketing donzelístico funciona muito bem. Você viu que todo o Virtual XI já fazia propaganda do jogo de computador que a banda lançaria (denominado Eddie Hunter), até que Blaze foi demitido. Pois assim que o quarteto virou sexteto, o Iron Maiden lançou o jogo em Maio de 1999.

Trata-se de um jogo de tiro em primeira pessoa, onde seu mouse controla uma mira para matar o que aparecer na tela. Cada fase retratava uma parte da história da banda: as ruas de Londres, onde tudo começou; o Antigo Egito, retratando Powerslave ou um cenário robótico futurista, para Futureal, por exemplo. Além das criaturas que deveriam morrer, cada fase tinha a cara de um dos membros da banda, que aparecia escondida e que, se você acertasse, ganhava uma vida. Junto do jogo, vinha um outro CD, com uma coletânea de músicas com todas as fases da banda.

O jogo, na época, tinha gráficos avançados, mas nada que fosse o estado da arte (hoje em dia, então, você dá risada, porque a tecnologia avançou tanto que os gráficos se tornaram obsoletos). Desnecessário dizer que a trilha sonora era composta de músicas do Maiden e que, por muitas vezes, eu morri no jogo por prestar mais atenção no áudio do que o que aparecia no meu monitor. Sem nenhuma história, depois de muita dor no dedo, vivenciei uma porcaria de final.

Eddie Hunter

O tracklist do jogo Ed Hunter e a capa do game

Eddie Hunter também foi o cenário ideal para os músicos darem uma azeitada, com uma mini-turnê de cerca de trinta shows para promover o jogo e, também, botar o pessoal no eixo. Conhecida como The EdHuntour, feita entre Julho e Outubro de 1999, nem tudo foi uma maravilha: o pai de Adrian Smith morreu durante essa turnê, o que fez com que o guitarrista se ausentasse de alguns shows (e, com isso, removeram Stranger in a Strange Land do setlist, porque Gers não teve tempo de aprender o solo da música – não é piada!), e Dave Murray quebrou um dedo durante uma das apresentações, o que fez com que outros shows fossem cancelados. Entretanto, foi uma turnê que cumpriu com seu dever (e que juntou mais plateia desde a turnê do Fear Of The Dark).

Singles de Brave New World

The Wicker Man

Lançado em 08 de Maio de 2000, foi o primeiro single antes do lançamento de Brave New World e que tinha algo interessante – as músicas que acompanhavam The Wicker Man foram escritas por Blaze Bayley, o que eu considero uma certa homenagem que a banda fez ao ex-vocalista, mostrando que o Iron Maiden poderia sim encaixar canções de sua fase menos aceita com a nova formação. As músicas que vinham no single eram:

  1. The Wicker Man: mesma versão que está em Brave New World.
  2. Futureal (live): versão ao vivo extraída da turnê The EdHuntour;
  3. Man On The Edge (live): versão ao vivo extraída da turnê The EdHuntour;

O single também era um enhanced CD, vindo com o vídeo-clipe de The Wicker Man. Na versão europeia, esse mesmo single tinha vinha acompanhado de uma bolacha para copo (aí sim vi vantagem!). Na capa, temos uma foto da banda, com Bruce segurando uma tocha, que (possivelmente) tocará fogo no homem de vime localizado ao fundo.

O single também teve uma edição limitada, com ilustração de Mark Wilkinson, que vinha em CD duplo, contendo, além das músicas já citadas, as versões ao vivo de Powerslave e Killers, também extraídas da turnê The EdHuntour, junto do vídeo-clipe de Futureal. Junto dos CDs, vinham dois pôsters.

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As capas do single The Wicker Man

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A imagem do Eddie de vime criada por Mark Wilkinson

Vale lembrar que aqui tivemos a última tentativa de participação de Derek Riggs nas ilustrações para o Iron Maiden, após a banda ter rejeitado o desenho abaixo, um rascunho proposto pelo desenhista, após ter recebido um prazo de entrega muito agressivo. Derek registrou que estava muito inviável trabalhar com a banda. Engraçado que o Eddie desenhado (e rejeitado) tem muito a ver com o que está na capa de Brave New World, não?! Chegaremos lá…

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A arte de Derek Riggs, rejeitada

Out Of The Silent Planet

Lançado em 23 de Outubro de 2000, foi o segundo single dessa época, mas após o lançamento de Brave New World. Tinha a mesma estrutura do primeiro single, sendo um enhance CD com vídeo-clipe da música título:

  1. Out Of The Silent Planet: mesma versão que está em Brave New World.
  2. Waster Years (live): versão ao vivo extraída da turnê The EdHuntour;
  3. Aces High (live): versão ao vivo extraída da turnê The EdHuntour;
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As capas do single Out Of The Silent Planet

O single também teve uma edição limitada, com o MESMO conteúdo musical, mas com uma capa diferente (também criada por Mark Wilkinson) e uma foto-pôster da banda. Só para colecionador.

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A ilustração completa de Mark Wilkinson para Out Of The Silent Planet

Brave New World (2001)

Coisas que ninguém presta atenção Ficha Técnica:

  • Produtor: Kevin Shirley
  • Produto auxiliar (criei isso aqui): Steve Harris
  • Engenheiro de som: Kevin Shirley
  • Engenheiro auxiliar: Denis Caribaux
  • Capa: Derek Riggs e Steve Stone
  • Gravado em Guillaume Tell Studios, Paris.
  • Fotos: Ross Halfin e Simon Fowler

Lançado em 30 de Maio de 2000, Brave New World é, para mim, um álbum muito mais simbólico pela volta de Bruce e Adrian ao time do que musicalmente lembrado. Ele tem sim seus bons momentos, mas ainda existem elementos que pegaram carona no carro errado. É nítido que a volta do vocalista e do guitarrista trazia algo que estava faltando há muito tempo: criatividade e poder de composição. Agora, mesmo com essa oportunidade, o potencial não foi totalmente aproveitado – três músicas vieram de composições prontas do Virtual XI, que não entraram no disco em questão com a estratégia de serem usadas futuramente. Além disso, é a partir desse álbum que a banda finca sua bandeira em uma maneira mais progressiva de se fazer música, com o tempo progressivo sendo um protagonista sonoro (e com um péssimo hábito: os refrões de “uma frase só” sendo repetidos como uma lavagem cerebral em diversas canções), diferente da sonoridade dos Golden Years que era tido como expectativa, agora que a formação que ficou até 1988 estava junta novamente (Janick Gers é café com leite).

Outro fator de destaque a mencionar é o trio de guitarristas. Meu Deus, quanta propaganda foi feita em cima disso! Em toda revista ou canal televisivo, o fato do Iron Maiden agora ter três guitarristas era dado como um diferencial do século – havia expectativas altíssimas com isso. Só que a potência ficou muito mais no papel do que na prática. Apesar de termos os três músicos solando em momentos distintos (a partir desse álbum e só em algumas músicas – já que para todas as demais músicas até então isso não era possível), as músicas ganharam muito mais em volume (me refiro aqui em preenchimento musical), com detalhes sendo colocados aqui e acolá, do que em poder de composição e exploração nas melodias. Não tivemos algo inovador. Era como se a receita do brigadeiro fosse mudar, mas só colocaram granulado colorido ao invés do tradicional, sacou?!

O som produzido em Brave New World é o melhor desde Seventh Son of a Seventh Son, isso é indiscutível. E o fator principal é simples: Steve Harris parou de produzir os álbuns da Donzela, contratando o produtor Kevin Shirley para o posto. Kevin, que tem um currículo legal (Journey, Rush, Dream Theater, Europe, coisa pequena), além de ter usado um estúdio profissional (aposentem o Essax, no sítio do Steve, pelo amor de Deus), tirou os músicos da zona de conforto ao fazerem que as gravações fossem feitas ao vivo, todos tocando juntos, coisa que nunca tinha sido feita. O som está muito mais balanceado, cristalino e limpo. Bruce também não canta arrastado, como fez em No Prayer For The Dying e Fear Of The Dark. Nicko McBrain parou de agir como um metrônomo. E mesmo com Steve Harris querendo tocar teclado, os arranjos orquestrais que você ouve em Blood Brothers e The Nomad foram produzidos por Jeff Bova, músico experiente, que trabalhou com gente do calibre de Eric Clapton, Herbie Hancock e Micheal Jackson. A EMI tinha entendido o que fora o fiasco de vendas dos álbuns anteriores.

Kevin Shirley

Kevin Shirley – novo gás na mesa de som

Também não posso deixar de mencionar que esse álbum é a ponte que o Iron Maiden criou para os adolescentes da época enxergarem a banda e o Heavy Metal, se assim a rotularizarmos. Se de um lado os velhos fãs tiveram uma aproximação maior pelo chamariz da volta dos antigos membros da Donzela, do outro lado os filhos desses fãs também tiveram uma aproximação. O ciclo de religiosos pelo Iron Maiden se reciclou a partir daqui. Vamos lembrar que a molecada que estava começando a ouvir música nos anos 2000 teve como base o Grunge e o Nu Metal (ainda que meio cru, ao menos no Brasil). Esse álbum do Maiden foi um das válvulas de escape para quem não se identificava com esses estilos. Enquanto o pessoal da minha faixa etária, ainda adolescentes, tiveram seu primeiro álbum do Iron Maiden sendo da década de 80, Brave New World foi o primeiro álbum da banda para muitos novos fãs.

A capa é uma das minhas favoritas. É a primeira vez que Eddie não é representado de forma física, sendo parte de uma tempestade que está próxima a cair sobre uma cidade futurista, que sempre me faz lembrar do jogo Sim City 2000. Dois foram os ilustradores que participaram da capa: Derek Riggs “criou” a parte de cima e Steve Stone criou a parte de baixo, em computador. O verbo está com aspas porque Derek não foi convidado a criar a capa de Brave New World, mas sim a capa do single The Wicker Man, que foi rejeitada. A ideia do Eddie foi chupinhada para a capa do álbum. Não é à toa que Derek não trabalhou com a banda novamente.

Brave

A capa de Brave New World

Tracklist

  1. The Wicker Man (Smith / Harris / Dickinson) – 04:35
  2. The Ghost Of The Navigator (Gers / Dickinson / Harris) – 06:50
  3. Brave New World (Murray / Harris / Dickinson) – 06:18
  4. Blood Brothers (Harris) – 07:14
  5. The Mercenary (Gers / Harris) – 04:42
  6. Dream Of Mirrors (Gers / Harris) – 09:21
  7. The Fallen Angel (Smith / Harris) – 04:00
  8. The Nomad (Murray / Harris) – 09:06
  9. Out Of The Silent Planet (Gers / Dickinson / Harris) – 06:25
  10. The Thin Line Between Love and Hate (Murray / Harris) – 08:26
Lineup

O Line-up de Brave New World – Esq. para dir.: Steve Harris (baixo e teclado), Nicko McBrain (bateria), Bruce Dickinson (vocais), Dave Murray (guitarra), Janick Gers (guitarra) e Adrian Smith (guitarra)

Faixa a faixa

Eu estava aprendendo guitarra na época que Brave New World foi lançado. Me lembro que eu tirei (errado) todas as bases do álbum e tocava junto todos os dias. Mas a introdução de The Wicker Man eu tinha tirado certo! A pegada inconfundível de Adrian Smith abre o álbum, o que já dá um alívio na audição dos acordes iniciais, frente a qualquer material da banda dos últimos anos, inclusive com um bom solo de guitarra. Uma boa canção para abertura de shows, mas que não tem energia suficiente em outras posições de um set. Sobre a letra, ela é muito interpretativa. O homem de vime é um símbolo do paganismo, onde sacrifícios eram feitos, com oferendas sendo queimadas vivas em jaulas dentro do boneco gigante (fossem animais, fossem humanos). A letra é direcionada ao ouvinte, que é a próxima vítima (hand of fate is moving and the finger points to you), mas que mesmo deixando esse plano, sua alma terá independência e vontade própria, pois já no mundo dos mortos o ouvinte se recusará a pagar o condutor do barco das almas (the ferryman wants his money, you ain’t gonna give him back), que é uma referência à mitologia grega, ao barqueiro que conduz as almas pelo rio Estige (ou Styx). O título, vale lembrar, foi tirado do filme de nome homônimo de 1973, que teve uma regravação em 2006 com Nicholas Cage no papel principal (e abrindo um grande parêntesis aqui, quando Adrian voltou a compor com Bruce para o disco solo do vocalista – o excelente Accident of Birth – a primeira música que eles fizeram foi um lado-B chamado The Wicker Man, que musicalmente não tem nada a ver com essa canção aqui; apesar da versão oficial dada pela banda sobre o filme ser a referência do título, eu tenho lá as minhas dúvidas).

Segunda faixa, The Ghost Of The Navigator é uma das melhores do álbum. Com um começo calmo, harmonias trabalhadas em detalhes e trazendo de volta os interlúdios de guitarra que tinham perdido o brilho de outrora, a canção é uma metáfora da vida escrita em forma de romance épico, com letra de Bruce: cada um é comandante de seu próprio barco, que navega para o pôr do sol no Oeste (referência à morte). No caminho, o marinheiro (que canta a letra), se deparada com navegantes fantasmas e sereias que o atraem para certos perigos e ilusões (uma referência para as pessoas “que se perderam” no decorrer de suas vidas, devido vícios, doenças ou outros problemas que todos somos suscetíveis de encontrar ao viver), mas ele não se deixa abater e segue viagem, aproveitando cada segundo das emoções reais de suas experiências (Nothing’s real until you feel).

Próxima posição, a canção que dá nome ao disco, Brave New World, é baseada no livro homônimo de Aldous Huxley, escritor inglês. No livro, de 1931, vivemos em um mundo onde a liberdade de um indivíduo é totalmente controlada pelo Estado e, lutando contra esse sistema, o personagem principal (descrito como “The Savage”, que vai de encontro com a frase final da canção – bring this savage back home) luta em vão e acaba virando uma atração bizarra para o mundo perceber que ninguém consegue ir contra o sistema. A letra, escrita por Bruce, relata uma descrição de como seria esse mundo (apesar de nem todas as descrições do romance estarem na música). Instrumentalmente, tem solos de guitarra maravilhosos (inclusive o do Janick!), mas eu torço o nariz para o refrão de uma frase só.

Brave New World

O livro Brave New World

Com arranjo orquestral, Blood Brothers é a quarta faixa, escrita por Steve Harris para falar de seu pai. Mesmo sendo uma letra de proximidade familiar do baixista, ela cai muito bem para qualquer relação entre pai e filho e até para outras relações – como é o caso quando Bruce a introduz ao vivo no Rock in Rio, anunciando uma grande relação de amor pela música por todos os metaleiros, que são irmãos de sangue. Tem um ritmo devagar, quase parando e, de novo, temos um refrão de uma frase só sendo lavado na cabeça do ouvinte. Apesar de ser muito tocada ao vivo, descarto facilmente.

Faixas cinco e seis, temos duas sobras do Virtual XI (ambas compostas por Janick e Steve): The Mercenary e Dream Of Mirrors. Dá para sentir que o meio do álbum dá uma caída legal. O que dá para salvar aqui é o vocal com o Bruce, o que mostra que mesmo canções da era Blaze ficam melhores com uma voz potente. The Mercenary tem uma pegada mais contagiante e enérgica, mas, musicalmente, tirando aquela “paradinha” de segundos onde fica só a bateria do Nicko, a canção entrega mais do mesmo, com uma letra narrando um assassino de aluguel (tem gente que diz que ela é baseada no filme O Predador, mas eu nunca vi nenhum relato oficial sobre isso). Já Dream Of Mirrors, apesar de ter uma letra bem construída e com vários detalhes de guitarra inseridos na progressão inicial, não deixa de ser repetitiva – ela se arrasta no mesmo compasso do Virtual XI – com diversos trechos iguais. Tudo bem que tem um pedaço com cavalgada (ponto alto do instrumental), mas é muito pouco para a canção mais longa do álbum.

Na sétima posição, mesmo com uma mãozinha de Adrian na composição, The Fallen Angel também não traz grande fôlego, mas entrega mais solos de guitarra, o que é um ponto positivo. Azezal, o anjo caído descrito na letra, é uma modificação que Steve fez para o nome Azazel, que é um dos sete arque-demônios de Satã conforme a bíblia cristã (Azazel também aparece na bíblia hebraica, relacionado ao ritual de Yom Kipur).

Oitava faixa, The Nomad, a terceira sobra do Virtual XI, é uma música que tem muita gente que até gosta, mas eu a coloco dentro do meu “top 10 insuportáveis”. Nem o vocal do Bruce no refrão eu aguento aqui. Repetitiva, solos horríveis, arranjos orquestrais com tecladinho do Steve no fundo e, na frase de guitarra mais bonita que tem, é o mesmo timbre, sem tirar nem pôr, de The Clansman (mais uma das inúmeras amostras da falta de criatividade do grupo na época do Virutal XI). E no refrão então, onde fizeram um trocadilho de “Nomad” com “No man”… meu Deus! Mesmo com o uso de escalas que remetem ao som oriental (só para trazer em mente a ideia do Powerslave) para tratar dos mistérios que circundam a figura de um nômade, passo batido.

Penúltima posição, ufa! Voltamos a ter uma boa faixa, com Out Of The Silent Planet. Coincidência que as melhoras faixas do álbum levam o nome de Bruce na composição, não?! Com título baseado no livro homônimo, escrito por Clive Staples Lewis (o famoso C.S. Lewis, aqui no Brasil conhecido pelas Crônicas de Nárnia), a canção tem uma energia que tinha se perdido lá no início do álbum. A introdução é uma frase cara-crachá do Adrian, que se estende para uma base bem legal. É de se pensar se realmente é tudo isso ou se é um choque mental por ouvir algo que a banda não tinha faz tempo, mesmo em “pequenas doses” (e aqui a reflexão cai bem para o álbum todo).

CS Lewis

Escrito em 1938, Out Of The Silent Planet é o primeiro livro de uma trilogia

Fecha o álbum The Thin Line Between Love and Hate, com uma levada e uma letra que não se assemelham ao Maiden, o que para mim é um ponto altíssimo. Os caras fizeram algo legal soando diferentes! Debatendo questões morais sobre a origem da bondade e da maldade em um indivíduo, com um refrão fora dos padrões (com uma levada arrastada, daquelas que precisa trabalhar bem o pulmão para cantar sem perder o ritmo) e um final fora da curva. As guitarras aqui têm excelentes momentos! E como o pessoal estava gravando ao vivo, deixaram no final a lamentação de Nicko Mcbrain quando o baterista achou que tinha errado uma levada. O diálogo completo que se segue no final da música é esse aqui:

Nicko: “Oh, I fuckin’ missed it.”

Bruce: “Hahahaha, keep that on tape!” (muita gente ri junto)

Alguém: “Hahahaha! Fuckin’ missed it!” (eu nunca consegui descobrir se alguém zoa o Nicko – e quem seria – ou se é o próprio Nicko se zuando)

E se por acaso você nuuunca ouviu Brave New World, nunca é tarde:

A turnê do novo álbum durou de Junho de 2000 até Janeiro de 2001. Foram poucos meses, mas com shows lotados e em grandes arenas, bem diferente dos últimos anos. Foi a primeira turnê com dois nomes: na parte europeia ficou conhecida como Metal 2000 e o restante dos locais era Brave New World Tour. Se encerrou no Brasil, no Rio de Janeiro, rendendo gravação de DVD e CD ao vivo. O Eddie de palco era um homem de vime gigante que Bruce sempre entrava, sendo, em linguagem figurada, arrastado por belas divas. Em sua biografia, What Does This Button Do?, que teremos um apêndice na discografia sobre ela, Bruce relata que no show da Noruega, uma das garotas arranhou e mordeu Bruce  “…após o show, parecia que eu tinha brigado com um arame farpado“.

Eddie 2001 peq

O Eddie de palco teve um “aproveitamento” da turnê Edhuntour (à direita)

O ano de 2002 abrangeu uma série de lançamentos, até porque a banda entrou em recesso de cerca de um ano, para descansar. O primeiro deles, lançado em 11 de Março, eram dois relançamentos de Run To the Hills, com um significado especial: ajudar Clive Burr, ex-baterista da banda, que estava com esclerose múltipla avançada. Os lançamentos foram seguidos de três shows, feitos no mesmo mês de Março, especialmente criados para juntar fundos para a Clive Burr MS Trust Fund, um fundo criado para doações ao homem que controlou os tempos dos primeiros três álbuns do Maiden. Esses shows foram os únicos trabalhos de palco da banda em 2002. Os dois relançamentos do single, batizados de Parte I e Parte II, tinham as seguintes faixas:

Na parte I:

  1. Run To The Hills: versão original encontrada no álbum The Number Of The Beast.
  2. 22 Acacia Avenue (live): versão gravada no Reading Festival, em 1982, durante a turnê Beast On The Road.
  3. The Prisoner (live): versão gravada no Reading Festival, em 1982, durante a turnê Beast On The Road.
  4. Run To The Hills (vídeo): esse vídeo foi feito em modo Camp Chaos, que é basicamente uma maneira de estragar o clipe musical original inserindo animações em flash no decorrer da execução. Vejam aí:

Na parte II:

  1. Run To The Hills (live): versão encontrada na gravação do Rock in Rio, que estava para ser lançado.
  2. Children Of The Damned (live): versão gravada no Hammersmith Odeon, em 1982, durante a turnê Beast On The Road.
  3. Total Eclipse (live): versão gravada no Hammersmith Odeon, em 1982, durante a turnê Beast On The Road.
  4. Run To The Hills (vídeo): faixa extraída do DVD Rock in Rio, que estava para ser lançado.
Single Run to the Hills

Os singles Run To The Hills: a parte I manteve a capa original de 1982, mas com melhorias nas cores e acabamento

Em 25 de Março de 2002, foi a vez do lançamento do CD ao vivo, Rock In Rio, o terceiro lançamento da banda nesse estilo, atrás do Live After Death e do Live At Donington. Gravado em Janeiro de 2001, ele foi lançado com uma capa adicional 3D que hora você via o local do show, de dia, e, mexendo um pouco, a noite chegava e Eddie tomava conta do local, com o palco sendo sua boca.

O DVD foi lançado um pouco depois, em 12 de Junho. Além do show, o DVD extra vinha com uma série de curiosidades da banda em momentos de descanso na cidade maravilhosa: Nicko e Dave jogando golfe, Adrian pescando, Bruce pilotando um simulador de vôo, Janick passeando na praia, essas coisas. Quem se deu mal foram Steve e Janick, que foram assistir a um horroroso Vasco x São Caetano, pela final da Copa João Havelange, com trechos tenebrosos do jogo sendo gravados para o mundo (o Vasco tem o Eddie como mascote da torcida, por isso o motivo da ida ao jogo).

Rock in Rio 2001

A capa do CD, do DVD e Steve e Janick com torcedoras do Vasco

Eu não fui nesse Rock in Rio. Fiquei vendo de casa e gravando vários shows nas minhas fitas VHS. Não tenho boas lembranças desse dia, por me lembrar que a arena no Rio de Janeiro permitia 250 mil pessoas, mas só 100 mil puderam entrar no dia do Iron Maiden, por razões de descriminação segurança. Uma das responsáveis pelo evento foi entrevistada na Direct TV ao vivo, na época, e eu me lembro bem dela tentando se justificar sem levantar (sem sucesso) qualquer tipo de preconceito contra o público metaleiro. Também me lembro de quando o Bruce xinga a Britney Spears e o público que curte som pop, antes de anunciar Blood Brothers. Obviamente, essa parte foi cortada (mas está no meu VHS).

O final de 2002 ainda veio com novas coletâneas e lançamentos. No dia 04 de Novembro foi lançada a terceira coletânea da banda, Edward The Great. A única coisa boa dessa coletânea é o papel do encarte, que é bem bonito e de uma qualidade superior. O resto, é mais do mesmo e não traz nenhuma novidade ao fã da Donzela. A ideia aqui era trazer as canções que tiveram maior posição nas paradas britânicas (é por isso que não temos músicas da época do Paul Di’anno nessa coletânea).

Edward the great

Edward, the Great

Entretanto, em 16 de Novembro, aí sim foi lançado um material de responsa: Eddie’s Archive – uma caixa contendo um copo, um pergaminho contendo toda a árvore genealógica da banda e três grandes obras:

  1. Best Of The B’Sides: coletânea dos melhores singles da banda, com comentários no encarte feitos pelo Rod Smallwood e Steve Harris de como surgiram as ideias dos covers e outras curiosidades;
  2. BBC Archives: um compilado de versões ao vivo – na rádio BBC, em 1979; no Reading Festival, em 1980 e 1982 e do Donington Monster of Rock de 1988;
  3. Beast Over Hammersmith: gravação ao vivo da turnê Beast On the Road em Hammersmith, distrito de Londres.
Eddie's Archive

Se quiser me dar de presente, deixo meu endereço nos comentários

Setlist tocado na Brave New World Tour

  1. Arthur’s Farewell (intro)
  2. The Wicker Man
  3. The Ghost Of The Navigator
  4. Brave New World
  5. Wrathchild
  6. 2 Minutes To Midnight
  7. Blood Brothers
  8. Sign Of The Cross
  9. The Mercenary
  10. The Trooper
  11. Dream Of Mirrors
  12. The Clansman
  13. The Evil That Men Do
  14. Fear Of The Dark
  15. Iron Maiden
  16. The Number Of The Beast
  17. Hallowed Be Thy Name
  18. Sanctuary
  19. Run To The Hills

No próximo capítulo, não percam o curso Minuto HM de Photoshop para iniciantes!

Até mais! Beijo nas crianças!

Kelsei Biral



Categorias:Discografias, Iron Maiden, Resenhas

14 respostas

  1. Opa começo a ler em poucas horas….ansiedade……

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  2. Mais um brilhante post!!!
    Esse disco em particular foi um dos que demorei um pouco mais em adquirir. Desde Somewhere In Time, sempre que o Iron Maiden chegava com algum lançamento a ansiedade, que já era grande, tomava conta de mim e me guiava até a loja de discos mais próxima. Porem quando saiu Brave New World eu estava bem descontente com os rumos que a banda havia escolhido, Virtual XI havia sido aquele fiasco e após a noticia da saída do Blaze e o anúncio da volta de Bruce e Adrian, aquilo me soou ainda pior… apelativo. Na minha consciência pensava que Harris deveria trocar as peças que não estavam funcionando, ou seja, Blaze Bayley e Janick Gers e seguir em frente sem ficar olhando para traz. Felizmente o Iron Maiden estava certo e eu completamente errado!

    Na época o Maiden já estampava todas as capas das revistas especializadas, pra piorar o clip The Wicker Man de vez em quando pipocava na TV e eu pensava: “isso está mais parecido com Accident of Birth do que com Iron Maiden”, sem querer desmerecer nenhum dos dois, mas continuava relutante em ouvir o novo disco. Passava nas lojas de discos e mesmo a bela capa não me seduzia, continuava arrumando uma justificativa: “quando sair alguma edição especial, ou aparecer alguma edição japonesa eu compro”. O que infelizmente não aconteceu até hoje, pelo menos que eu saiba, até mesmo a edição japonesa não tem nada de mais extraordinário além da habitual qualidade do material impresso. Porem após algum tempo depois resolvi “desemburrar” com a banda e levei pra casa, sem nenhuma euforia, o dito cujo CD.
    Hoje, lendo o (como sempre) excelente texto do Kelsei, penso que o Iron Maiden parece ter apenas uma unanimidade: o famigerado Virtual XI como o pior lançamento do grupo! No restante dos álbuns há uma variedade enorme de preferencias e preferidos e isso é espetacular, mostrando que o Maiden não é apenas uma fase, época ou um disco, mas sim um todo. Digo isso porque notei que o nosso especialista Kelsei não demonstrou tanto entusiasmo assim.
    Particularmente, Brave New World figura tranquilamente no meu top 6 dos lançamentos da banda… Pensando bem, ouvindo este disco enquanto escrevo, acabo de mudar de opinião: passa a ser top 5! Bom, é melhor eu parar de pensar em ranking, pois se continuar assim, ele poderá ameaçar o Seventh Son no quarto lugar até o final da audição.
    Para compensar a falta de uma edição especial de Brave New World, o Maiden nos presenteia com o Eddie’s Archive, esse sim aguardado com bastante ansiedade, porem nem me lembrava mais que era dessa época, muito bem lembrado pelo Kelsei. Ah, por falar nele, nosso presidente fez um excelente post sobre o referido box!
    Para terminar gostaria de agradecer mais uma vez ao Kelsei pelos momentos de distração e informação em mais este extraordinário post!
    Que comece a dança…
    Um abraço!

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    • JP, quando o Brave New World foi lançado eu tinha 19 anos. Hoje, com 38, esse é um dos álbuns do Maiden que não mudei minha opinião ao longo do tempo. Muito legal esse álbum estar entre os seus preferidos – acho que no meu ranking pessoal ele deve ficar na nona posição, mais ou menos.

      Eu sei que no “faixa a faixa” eu deveria ser transparente das minhas opiniões (e o início da discografia começou assim), mas no decorrer dos capítulos eu achei mais legal deixar a minha opinião própria junto dos fatos, deixando uma única linha de raciocínio ao leitor, que pode (e deve) entrar em conflito com suas próprias opiniões.

      O próximo capítulo, inclusive, é outro sério candidato a tomar umas pancadas desse que vos escreve …

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  3. Dos discos lançados pela formação atual do Maiden (sexteto), Brave New World é sem dúvida o meu preferido. Para mim o melhor da banda desde, sem exagero, Powerslave, de 1984 (que comecem as pedradas), e que recentemente completou 20 anos de lançamento. O único CD que pode tirar Brave New World do posto de melhor disco da donzela de ferro depois da volta de Bruce e Adrian é, a meu ver, The Final Frontier, de 2010 (que venha mais pedradas), que completará 10 anos de lançamento em agosto. Enfim, parabéns a estes dois magníficos álbuns aniversariantes de 2020. UP THE IRONS!

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    • Eu gosto muito do Final Frontier, mas meu preferido enquanto sexteto é o The Book of Souls. Mas preferência é gosto pessoal e isso é um critério que não gostamos de usar.

      Brave new World é um disco bom, mas poderia ser muito melhor. Uma vez eu fiz um ranking da discografia do Maiden e deixei ele em nono. Agora, deixar esse álbum na frente de clássicos como Somewhere In Time ou Seventh Son, não vejo motivo, a não ser pelo, de novo, critério de “gosto pessoal”, que aí vira discussão de política ou futebol ….

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      • Tá bom, patrão! Tanto BNW quanto TFF são obras-primas da formação atual do Maiden, pelo menos na minha concepção. Mas acho uma pena você gostar tanto de um disco tão chato, longo e cansativo como The Book of Souls… Simplesmente uma pena!

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        • O álbum é “chato”, “longo”, “cansativo” …. você bateu na única tecla que eu pedi para não bater: a do gosto pessoal. Aí é que nem discutir futebol, política, …, nunca se chega em um acordo.

          Eu vou deixar os meus pontos do Book of Souls para o capítulo dele, até porque eu misturo os fatos com os meus pontos pessoais quando faço o post.

          E não tenha pena de mim. Tenha pena de quem nasceu nesse planeta antes do Iron Maiden. Nós aqui temos muita sorte de coincidir nossa existência com a dessa banda, independente do álbum preferido. Up the Irons!

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  4. Kelsei, o post está apetitoso, eu já li tudo, mas vou deixar os pensamentos divagarem um pouco , vou ler outra vez e venho com um comentário (espero) mais decente. Mas já antecipo que este Brave New World, apesar de anos luz atrás dos anos 80, é o melhor da “volta”. Adorei o teaser para o próximo, esse sim …deixa eu ficar quieto… Haja curso de fotografia.

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  5. Um novo capítulo muito bem escrito!
    Lembro de ter comprado o Cd logo que lançou e de ter a sensação de que o Iron Maiden voltou. Os álbuns com o Blaze não me interessaram e só fui ter vontade de aprofunda-los recentemente.
    Num todo esse álbum me agradou bastante. Arrisco a dizer que para mim soa melhor do que todos os que vieram após o Seven Son.
    Do lado mais pessoal ele me marcou bastante por ser o álbum que iniciou o meu filho ao Heavy Metal, na época com uns 4 ou 5 anos de idade. Quando ele queria se referir ao álbum era “o álbum da nuvenzinha”. Até hoje é o álbum que ele mais gosta e conhece muito bem. O primeiro Iron Maiden a gente nunca esquece!
    Valeu!

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  6. Ótimo texto.
    Só fica uma correção.
    Derek Riggs trabalhou com o Maiden novamente em Flight 666 e Somewhere Back In Time.
    Na arte do Eddie destruindo o 757 tem até um estear egg com o próprio Derek Riggs sendo lançado ao ar como passageiro.
    No Somewhere Back In Time o símbolo de Riggs está na areia.
    Fica a dúvida (e a tristeza) por Stranger In Strange Land nunca ter voltado aos Sets.

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    • Oi Leandro! Bem vindo por aqui!

      Então rapaz, você meio que deu um “spoiler” rs …. eu faço a discografia seguindo uma ordem cronológica, sempre fazendo um capítulo por álbum de estúdio. Eu tento ao máximo omitir eventos futuros, mesmo sabendo que muitos já os conhecem. Esses álbuns ao vivo, eu os encaixo em algum momento e vou mencionar o que você colocou sobre o Derek. Tem uma citação que eu sempre falo em casa e no trabalho, mas vou deixá-la para quando chegar a hora.

      E olha, a minha tristeza nos sets vai muito além de Stranger In A Strange Land …. infelizmente a banda agora está fadada aos clássicos e ninguém vai mudar a cabeça de um velho britânico como o Steve (espero que eu morda minha língua).

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  7. Bem, post magistral, como sempre. Os detalhes acerca das letras são pra mim sempre um ponto imenso de aprendizado, já que nunca me liguei muito nessa parte. Aqui eu aprendo e com muita qualidade, pois as descrições das letras são espetaculares. Além disso alguns detalhes ou me fugiam ou eu não sabia mesmo, como a relação da capa original do Derek e o que foi trazido como arte final e da utilização de um tecladista de oficio no álbum.

    Em relação à análise das faixas e do álbum como um todo, ao contrário do que tenho como impressão em álbuns como o X factor, aqui eu concordo com praticamente tudo que está no texto. As suas escolhas das melhores músicas, como a The Line Between Love and Hate e a The Ghost of Navigator batem bastante com as minhas. Vou apenas citar que gosto da faixa The Nomad, aqui talvez seja a única divergência,achei que você pegou meio pesado nessa história da canção estar entre as tais 10 insuportáveis.

    O grande ponto do post, na verdade, é trazer uma perfeita fotografia da época, isso é espetacular mesmo. Pra melhorar entendimento, resolvi até trazer alguns trechos como exemplos. Vejamos:

    1)..”Brave New World é, para mim, um álbum muito mais simbólico pela volta de Bruce e Adrian ao time do que musicalmente lembrado.”…..

    Bem , eu não sei para outros apreciadores, mas pra mim é isso mesmo. É lógico que a melhoria da qualidade é meio que indiscutível, mas o álbum pra mim é meio superestimado pela questão da volta

    2)…”Além disso, é a partir desse álbum que a banda finca sua bandeira em uma maneira mais progressiva de se fazer música, com o tempo progressivo sendo um protagonista sonoro (e com um péssimo hábito: os refrões de “uma frase só” sendo repetidos como uma lavagem cerebral em diversas canções), diferente da sonoridade dos Golden Years que era tido como expectativa, agora que a formação que ficou até 1988 estava junta novamente (Janick Gers é café com leite)….”

    Cara, concordo integralmente com a história do progressivo de refrão enfadonho e do café com leite. Texto muito coerente.

    3)…”Outro fator de destaque a mencionar é o trio de guitarristas. Meu Deus, quanta propaganda foi feita em cima disso! Em toda revista ou canal televisivo, o fato do Iron Maiden agora ter três guitarristas era dado como um diferencial do século – havia expectativas altíssimas com isso. Só que a potência ficou muito mais no papel do que na prática…”

    Outro ponto que concordo bastante. Na tour se ouve alguns detalhes onde é até legal um acréscimo de harmonia de guitarras. Em relação ao álbum, aí a inovação passa longe. Não tivemos um novo patamar de uso de guitarras, isso aconteceu com Hendrix…. Van Halen…. talvez Malmsteen. E ninguém se tornou um guitarrista de ponta, um rival para o John Petrucci, Há sem dúvida solos muito bons, mas não há solos impressionantes. Destaco de fato Adrian pela ajuda em dois pontos:
    – Sendo simplesmente ele, em ainda contínua evolução e;
    – Também diminuindo o espaço do Gers. Olha que grande ajuda!

    4)…”que esse álbum é a ponte que o Iron Maiden criou para os adolescentes da época enxergarem a banda e o Heavy Metal,…”

    Perfeita definição, não poderia ser mais cirúrgico. É um autêntico retrato do que aconteceu naquele momento.

    Depois de tantos exemplos , faltou pouca coisa para escrever.

    Individualmente, Harris continuou onde estava, sem a inspiração dos grandes tempos e Murray está um pouco melhor, também longe dos grandes momentos. Dickinson é o grande destaque do álbum e Smith vem junto. Acho impressionante que não haja dois bumbos na WIcker Man, se destaca a precisão de Nicko na tarefa com um único bumbo. E Gers está um pouco melhor, vá lá….

    A constatação final pra mim é que o Iron Maiden, ainda que não tenha ficado tão relevante quanto nos Golden Years, foi salvo por principalmente por Dickinson e mas também por Smith. E aqui se inicia uma fase menos inspirada, mas com alguns prós para a história da banda.

    Parabéns, Kelsei., um dos melhores post da discografia já incrível está aqui.

    E vamos ao álbum onde a capa atrapalha talvez bem mais do que seu conteúdo…. traga o estagiário!

    Alexandre

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