Discografia Iron Maiden – Episódio 14: Dance Of Death

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Meus amigos leitores, nossa ferramenta de criação de posts foi atualizada para uma versão que está fazendo eu dar triplo-carpados para conseguir deixar a estrutura do texto de uma maneira descente, como foi feito em todos os posts da discografia anteriores a este. Depois de torrar a paciência do nosso presidente por muitas e muitas vezes, decidi publicar o post mesmo não estando eu completamente satisfeito com a estrutura visual. Você notará alguns espaços adicionais entre alguns parágrafos e imagens que eu joguei a toalha em tentar remover. Dito isso, hora de abrir uma cerveja.

No capítulo anterior (que você poder ler aqui), vimos o primeiro álbum da banda como sexteto. Com um novo produtor, uma nova geração de fãs e a volta de shows para grandes públicos, o Iron Maiden voltava a se destacar no cenário do Heavy Metal, em tempos bem distintos do sucesso alcançado na década de 80. Mesmo com a volta de Bruce e Adrian, Steve já tinha acertado férias de 1 ano para toda a turma, que todos usufruíram muito bem, menos Steve, que precisou trabalhar na edição do DVD do Rock In Rio após a empresa contratada tê-los deixados na mão com um material de péssima qualidade. Antes de um novo álbum, era precisa azeitar a turma.

O “esquenta” antes do novo álbum

No início de 2003 a banda se reuniu para uma curta turnê chamada Give me Ed … ‘Til I’m Dead. Nessa turnê, que vinha acompanhada de algumas novidades como Die With Your Boots On, era tocada Wildest Dreams, o primeiro single do novo álbum, sem mesmo haver ainda um single. Ela era tocada para que os fãs tivessem uma prévia de material já preparado para o novo álbum e para sentir com o público reagiria e, assim, planejar a produção de novas músicas.

Aqui vem um acontecimento que foi uma boa estratégia de marketing – a banda “não se preocupou” da música vazar na internet antes mesmo do single ser lançado (não ao menos explicitamente). Bruce, inclusive, dizia nos shows algo como “não importa de criarem um MP3 e distribuírem por aí, desde que o álbum seja comprado quando lançado”. Ás vezes ele até emendava um “We are not like Metallica!”. Esse fato dá a impressão de uma maior adaptabilidade da banda aos novos tempos frente a, por exemplo, fazer guerra com o Napster (acompanhe aqui a discografia do MetallicA), mas nunca saberemos a verdade, pois o ano aqui era 2003 e em 2000 já havia guerra judicial dos americanos com a empresa de compartilhamento de arquivos na internet – e os tempos mostravam que era impossível frear os downloads de MP3.

A história da Donzela em vídeos

Visions of the Beast foi lançado em 2 de Junho de 2003, contendo 31 video-clipes da banda em dois DVDs, contando toda a história do Iron Maiden, indo de Women in Uniform até a versão de Brave New World tocada no Rock in Rio. Nesse momento, era o melhor material que existia para um fã ter todos os vídeos que a banda lançara originalmente.

À esquerda você tem a relação dos vídeos incluídos

Singles de Dance of Death

Wildest Dreams

Lançado em 01 de Setembro de 2003, foi o primeiro single da banda lançado com uma versão em DVD. A versão em CD contém essas faixas:

  1. Wildest Dreams: mesma versão que está em Dance of Death.
  2. Pass the Jam: então a banda nunca tinha gravado uma Jam? Agora gravou! E no melhor humor britânico que o estilo pede. Uma letra engraçada em um instrumental bom. Eu trocaria por Face in the Sand fácil, deixando-a para o final, obviamente!
  3. Blood Borthers (Orchestral mix): se essa música já tem arranjos orquestrais na versão original, por que ter uma versão orquestral? Tem um adicional orquestral aqui e acolá, mas nada que justifique criar um mix desses. O pessoal não tinha o que colocar aqui, isso sim…

A versão em DVD contém essas faixas:

  1. Wildest Dreams: como é um DVD, agora temos o vídeo-clipe da mesma versão que está em Dance of Death. Azar o seu ter isso!
  2. The Nomad (Rock mix): responda rápido – o que é um rock mix? Nessa versão, é aumentar o ganho das guitarras da mesma gravação original, diminuindo o ganho dos arranjos orquestrais. Dispensável!
  3. Blood Brothers (Rock mix): e aqui, responda rápido – o que é um “rock mix? Nessa versão, é arrancar os arranjos orquestrais da gravação original. Não dá para dizer se é melhor ou pior, pois como o ouvido acostuma com a versão original, dá a impressão que a canção perde preenchimento (que é função da orquestra). Vale a título de curiosidade!
  4. Dance of Death – Behind the scenes: um video curto com entrevistas dos músicos sobre o futuro álbum.

A capa tanto no CD quanto no DVD é um prelúdio do horror que estava por vir: um excerto de imagem do horroroso vídeo-clipe, feito com uma tecnologia ultrapassada para aquilo que poderiam ter extraído em termos de “animação 3D”. Sem contar a coerência de uma corrida de carros para cantar sobre a letra de Wildest Dreams

Wildest Dreams em CD (esq) e DVD (dir)

Rainmaker

Lançado em 24 de Novembro de 2003, também teve uma versão em DVD.

A versão em CD contém essas faixas:

  1. Rainmaker: mesma versão que está em Brave New World.
  2. Dance of Death (orchestral version): essa versão é legal até entrar os solos de guitarra. Até nesse momento temos arranjos orquestrais que complementam bem a canção, mas depois os solos roubam a cena e a parte orquestral, mesmo existindo, não fica em primeiro plano. Se fosse melhor trabalhada teria sido uma boa versão de single.
  3. More Tea Vicar: se você é observador percebeu que a primeira letra de cada palavra forma “MTV”. A tentativa de um rap sem noção é uma brincadeira muito bem bolada com o lixo musical que a emissora transmitia, com seus rappers e letras sem sentido e sem fundamento. O finalzinho com o Bruce imitando Jive Talkin’, dos Bee Gees, com ele mesmo brincando “essa aí é a do estúdio ao lado” é genial!

A versão em DVD contém essas faixas:

  1. Rainmaker (promo video): vídeo da versão que está em Dance of Death, com a banda tocado em uma suporta chuva com um pessoal esquisito. O DVD também vem com fotos que fazem um making-of do vídeo.
  2. The Wicker Man (live): versão gravada em Março de 2002 em um dos shows beneficentes para Clive Burr.
  3. Children of the Damned (live): versão gravada em Março de 2002 em um dos shows beneficentes para Clive Burr.

Rainmaker em CD (esq) e DVD (dir)

No More Lies

Lançado em 29 de Março de 2004, vinha com o subtítulo de “Dance of Death Souvenir EP”. Então, tecnicamente, não é um single, mas um EP. Ele foi lançado após o fim da turnê do álbum e foi considerado pela banda como um presente para os fãs – um preço baixo, acompanhado de uma munhequeira e um livretinho com fotos. Continha as seguintes faixas:

  1. No More Lies: mesma versão que está em Dance of Death.
  2. Paschendale (orchestral version): é uma versão orquestrada da melhor música do álbum. Orquestrar algo que já é bom precisa ter cuidado – é como uma mulher bonita passar muita maquiagem e ficar feia. Nesse caso, o excesso de arranjos orquestrais tirou o peso das guitarras e encobriu passagens que tiraram um pouco da pegada. Tem bons momentos, mas é desnecessária.
  3. Journeyman (electrical version): essa era a versão a entrar no álbum em caráter definitivo, até alguém (Steve?) dar a ideia de colocar uma canção acústica no álbum. Portanto, o que você ouve aqui não é a “versão elétrica”, mas sim a versão original de Journeyman. Quando ela termina, a faixa corre alguns minutos em silêncio até o senhor Nicko Mcbrain aparecer e começar a zoar o barraco com o que foi batizado de “Age of Innocence … How Old?” – a versão instrumental de Age of Innocence com Nicko cantando e tocando o terror. É muito divertido, mas precisa de uma descrição do que ele fala (tem na internet – é muito longo para colocar aqui).
  4. No More Lies (vídeo): a era dos “enhanced CD” já era muito comum em 2004, então nada mais justo que um CD de música vir com um vídeo para você assistir em seu computador.

O EP No More Lies

Dance of Death (2003)

Coisas que ninguém presta atenção Ficha Técnica:

  • Produtor: Kevin Shirley
  • Co-Produtor: Steve Harris
  • Engenheiro de som: Kevin Shirley
  • Engenheiros auxiliares: Drew Graffiths e Brad Spence
  • Gravado no Sarn West Studios, em Londres
  • Mixado no Metropolis Mastering, em Londres 
  • Fotos: Simon Fowler

Tudo bem que as pessoas nunca prestam atenção nos pontos acima, mas, se você é observador, percebeu que, propositalmente, eu não coloquei o item “Capa” nesse episódio. Isso porque Dance Of Death, lançado em 08 de Setembro de 2003, não possui capa assinada. David Patchett, que estava responsável pela nova arte para a Donzela, levou um rascunho para uma reunião de revisão e Steve Harris, o dono da bola, gostou tanto do rascunho que quis usá-lo como capa. A revolta do artista foi tão grande que ele revogou seu nome da arte – para mim, com razão.

Vale a pena discutir a imagem? O Eddie de “Dona Morte” até que tudo bem, mas e o resto? E o acabamento horroroso dos personagens ao redor dele? E aquele bebê flutuando em cima de um cachorro? Ou será que era para ser um lobo branco e o rascunho parece um cachorro? E a moça mais à frente, à direita, que tem o pescoço totalmente desproporcional à cabeça e ao corpo? O melhor item produzido são os monges (de rosa?) que ficam ao fundo, e são tampados pelos dançarinos inacabados. Melhor parar.

A “capa” de Dance Of Death

Dentro do encarte tem uma curiosidade legal. As fotos foram feitas dentro da mesma mansão onde foi filmado De Olhos Bem Fechados, estrelado por Tom Cruise e Nichole Kidman, na época casados. A mansão (que funciona como hotel) de chama Luton Hoo e é onde foi rodada a cena da suru diversão entre adultos. Mesmo não sendo um álbum conceitual, o tema da “dança da morte” é utilizado nas fotos do encarte e a “alma” que dança perto de cada integrante claramente é uma mulher semi-nua. Dá para sacar que tem mais de uma dançarina, mas acho impossível saber o número total de mulheres que participaram do ensaio. A máscara usada também é similar aos modelos usados no filme, que é recheado de sacanagem.

A mansão Luton Hoo. Você pode fazer sua reserva no site oficial

Tracklist

  1. Wildest Dreams (Smith / Harris) – 03:52
  2. Rainmaker (Murray / Harris / Dickinson) – 03:48
  3. No More Lies (Harris) – 07:21
  4. Montségur (Gers / Harris / Dickinson) – 05:50
  5. Dance Of Death (Gers / Harris) – 08:36
  6. Gates of Tomorrow (Gers / Harris / Dickinson) – 05:12
  7. New Frontier (McBrain / Smith / Dickinson) – 05:04
  8. Paschendale (Smith / Harris) – 08:27
  9. Face In The Sand (Smith / Harris / Dickinson) – 06:31
  10. Age Of Innocence (Murray / Harris) – 06:10
  11. Journeyman (Smith / Harris / Dickinson) – 07:06

Somente uma das onze faixas desse álbum leva o nome de um único integrante da banda na composição. Todas as outras músicas foram feitas em parcerias, sendo que mais da metade delas a contribuição foi de três integrantes. No álbum passado, 4 de 10 canções levaram a assinatura de três integrantes e agora o número aumentou. Esse inédito fato poderia passar despercebido, mas vale uma reflexão aqui – passada a euforia da volta de Bruce e Adrian ao time, Steve Harris deve ter aberto sua mão rígida de aço para evitar atrito entre os músicos e evitar uma nova saída de algum integrante. Li em algum lugar uma entrevista com Adrian Smith comentando esse ponto, mas não com essas palavras, obviamente. Que Steve continua sendo o principal compositor isso é fato (o nome dele aparece em dez faixas), mas se você comparar com outros álbuns de estúdio verá que a estrutura de compositores nunca foi tão diversificada – para entender melhor e ampliar o exemplo, pega o X-Factor; 4 das 11 faixas possuem três integrantes, mas o Steve assina outras 4 músicas sozinho. Que a tirania deu uma abaixada na cabeça, deu sim!

O Line-up de Dance Of Death – Esq. para dir.: Dave Murray (guitarra), Janick Gers (guitarra), Bruce Dickinson (vocais), Nicko McBrain (bateria), Steve Harris (baixo) e Adrian Smith (guitarra)

Faixa a faixa

O décimo terceiro álbum de estúdio da carreira do Iron Maiden é recheado de altos e baixos. E o que é alto para mim pode ser baixo para você e o que é alto para você pode ser baixo para mim. Se em Brave New World começávamos a ter um estilo que seria repetido ao longo dos anos, Dance of Death veio carimbar isso. O álbum não só traz fórmulas usadas em seu antecessor, como aumentou ainda mais a carga de repetições dentro de uma mesma música – não precisa nem ouví-las para ter essa conclusão; basta ler as letras no encarte. A quantidade de textos que se repetem salta aos olhos. E se você quiser entender melhor essa senóide, aperte o play e aguarde uns oito minutinhos.

Wildest Dreams abre o álbum ganhando o título de pior música de abertura que a banda produziu até então. Um hard rock sem sal, com um riff fraco e cheio de clichês. A letra cria uma nostalgia da época de Running Free, com aquele lance meio “sou meu próprio dono e vou fazer aquilo que quero”, mas é pouco inspirada. E o clipe então?! Jesus Maria José, que coisa horrorosa! Se a capa do álbum já dá nervoso, ver aquele tipo de gráfico tomar vida com o Bruce Dickinson em um carrinho é de desmaiar! O Maiden nunca soube fazer vídeo-clipe! Nunca! Sofra aí:

A segunda faixa, Rainmaker, é a mais curta do álbum e é montada em poucos versos, que são repetidos a torto e a rodo. Só que aqui tem pegada! Tem uma levada com palhetada alternada, um riff legal, um solo muito bom e interlúdio em intervalos de terça, marca registrada da banda. E o refrão grudento aqui dá certo! Agora, do que se trata essa música? Para mim, ela fala de algo maior que nós, humanos. Rainmaker ou Criador da chuva é responsável por trazer ou reestabelecer vida onde antes havia um chão seco e cheio de rachaduras (and the cracks in our lives like the cracks upon the ground / they are sealed and are now washed away). Apesar da letra deixar no ar que nós mesmos somos capazes de fazer essa chuva (You tell me we can start the rain / You tell me that we all can change / You tell me we can find something to wash the tears away), o texto não deixa claro que essa possibilidade é um fato. Por isso que eu a interpreto como algo que transcende o que nós, humanos, somos capazes. Você pode mudar de vida, você pode ter suas dores curadas, mas não pode fazer isso sozinho – você precisa dessa chuva, que é uma metáfora. A palavra “maker”, inclusive, é muito utilizada em inglês para se referenciar ao “criador”, independente de religião. O clipe é mais uma porcaria:

E pronto, se você chegou até aqui, em uns oito minutinhos você pegou a ideia da “repetição” e dos “altos e baixos” que coloquei no primeiro parágrafo dessa sessão. Duas faixas, mesma fórmula. Para mim, uma chata e outra legal. E as opiniões aqui vão variar (ou talvez não, para essas músicas), mas o álbum todo é montado nessa estrutura (com poucas exceções).

Terceira faixa, No More Lies, escrita integralmente por Steve Harris, foi a música que mais passei raiva quando ouvi o álbum pela primeira vez. Lembro-me de conseguir adivinhar o que ia acontecer nela, mesmo sem nunca ouvi-la. Com uma vibe progressiva e sem criatividade, ela possui o início lento e um andamento cadenciado que vai inserindo pequenos elementos (incluindo a porcaria do tecladinho do Steve) até ficar pesada. A música é uma releitura à uma nova Santa Ceia (they are all sitting at my table, talking tall and drinking wine / Their time is up just like me, but they just don’t know it yet), mas sem uma apologia bíblica. O personagem central não é um novo Jesus Cristo, mas sim só mais um mortal como nós questionando a morte, pois sabe que ela está próxima. E em volta desse ambiente, um tema jogado sem pé nem cabeça: “sem mais mentiras”. Até dá para tentar fazer um elo de ligação com as traições que Jesus sofreu, mas é muita viagem – o próprio Steve já comentou que a música é um questionamento sobre a morte. Então porque não mudar o título da canção, já que “mentiras” não é o tema central?! Sinto muito, mas ela foi mal trabalhada.

E vamos para a França! Baseada em uma história verídica, Monteségur, local que dá nome à quarta faixa, foi escrita por Bruce Dickinson enquanto o mocinho passava um feriado no local onde fica a fortaleza, e que pode ser visitada por qualquer um, procure na internet:

A localização de Monteségur (esq.) e a foto do local atual (dir.)

A música retrata a intolerância religiosa da Igreja Católica em uma missão templária que se iniciou por volta de 1209 e acabou em 1244. O alvo em questão são os Cátaros, um povo que acreditava em Deus, mas não exatamente o Deus da Igreja Católica. Eles acreditavam em um “Deus bom” (que era o do novo testamento) e em um “Deus ruim” (que era o do antigo testamento – The book of old testament crippled and black / Satan his weapon is lust), sendo que o mundo que viviam era de punição e tortura (morrer para eles era algo bom, pois deixariam esse mundo de sofrimento e se dirigiriam para o mundo espiritual desejado – Leaving this evil damnation of flesh / Back to the torture of life). Os Cátaros eram divididos em dois segmentos populacionais – em latim, os Credenti e os Perfecti. O primeiro, era composto da maioria dos cidadãos e o segundo eram os líderes. A Igreja Católica resolveu dizimar esse pessoal porque eles tinham tomado territórios ao sul da França e ao norte da Espanha que preocupavam o Papa da época. E resumindo a história, em 16 de Março de 1244 a fortaleza de Montségur foi o último local onde os templários conseguiram encurralar os Cátaros e os Perfecti foram queimados na fogueira (The perfect ones willingly died at the stake / And all of their followers slain). Se você é daqueles que curte viajar para um lugar diferente, procure por “Castelos Cátaros”. Fique atento para novas dicas da Turismo HM.

Quinta posição, faixa homônima! Com uma letra longa e muito bem trabalhada, Dance of Death conta um suposto episódio que se passa nos Everglades, um reserva florestal, vamos assim dizer, que fica na Flórida. Nosso personagem passa por uma experiência de contato com os mortos, que o convidam para dançar e se divertir. Ele entra na roda, até que uma hora o cara se dá conta e dá no pé. Aqui temos a mesma estrutura musical usada em No More Lies, mas ao invés de algo enfadonho, a levada progressiva dá mais cadência e deixa o ouvinte respirar. Você vai vivenciando os passos do personagem central e entra na história. A canção também tem mais solos, o que ajuda. O título foi inspirado no filme O Sétimo Selo, de 1957, onde há uma cena de dança com a morte e sua caravana. Mas a influência do filme pára por ai – Janick contou à Steve sobre o filme, pois esse era o tema principal que o guitarrista estava trabalhando, mas o baixista criou a letra sem ter tal influência. Abaixo o excerto da dança dos mortos:

Gates of Tomorrow, sexta faixa, é outra decepção. Uma introdução que parece jogo de vídeo-game antigo, com Bruce cantando alguns versos com dois vocais sobrepostos e de maneira arrastada, como feito em álbuns do início dos anos 90. Além disso, só tem um solo de guitarra, do Janick, e nem ele sabe o que tocou. A letra é de Bruce, que não revela suas intenções, querendo que os fãs a interpretem da melhor maneira possível. Pois bem, para mim, os “portões do amanhã” são uma metáfora para uma vida que não seja baseada em religião: você é livre para fazer o que quer e não depende de um livro ou de uma crença para ser livre e viver em paz. Ao longo de todas as suas linhas, essa ideia fica mais clara em There isn’t a God to save you if you don’t save yourself. Mas a ficha cai mesmo quando percebe-se que a parte cantada arrastada é a interpretação da Igreja (ou qualquer outra fonte que controle uma religião). Vai por mim, essa letra não tem nada a ver com Internet, como muitos dizem por aí.

E temos estreia! Vinte anos após entrar na banda, Nicko McBrain compôs uma canção para um álbum de estúdio: New Frontier, a sétima faixa (você pode alegar que Nicko já tenha participado antes em Sheriff of Huddersfield, já que esse single leva a assinatura de toda a banda, mas música de single não é música de álbum de estúdio), que fala sobre clonagem humana. O baterista estava nervosíssimo para mostrar sua ideia para Steve (além da base, Nicko compôs as linhas de baixo) e, conversando com o time, comentou que tinha uma canção que falava sobre clonagem. Adrian Smith também emendou algo como “poxa, eu também estava com essa ideia na cabeça faz tempo”, sendo que Nicko respondeu “então fica na sua porque você já tem umas cem composições! ”. E a música é boa, com uma base bem forte! Para mim, um dos pontos fortes do álbum, que abre passagem para a melhor canção de Dance of Death.

Paschendale é um daqueles clássicos épicos que a banda consegue compor a cada eclipse jupiteriano. A maioria deles (que são poucos) é inspirado em romances, mas agora temos um dos cenários protagonizados dentro da primeira guerra mundial – a batalha de Passchendaele, que ocorreu na Bélgica entre Julho e Dezembro de 1917, também conhecida como Terceira Batalha de Ipres (Passchendaele era o vilarejo central do território em disputa, que foi completamente destruído). A canção consegue transmitir o terror de um dos maiores massacres proporcionados nessa guerra, recheado a trincheiras e muita lama – a região tinha recebido quatro vezes mais chuva naquele período, o que fazia os ganhos territoriais serem medidos em metros. Nicko inicia a música com um pedido de SOS no chimbau e o começo calma é um prelúdio para um inesperado bombardeio refletido na entrada das guitarras. A letra expõe a história de um soldado morto nesse combate, que tem sua introdução narrada por alguém que está de fora (Rust your bullets with his tears / Let me tell you bout his years), mostrando ao mundo o horror de uma guerra. O próprio personagem morto termina a canção (See my spirit on the wind / Across the lines, beyond the hill). A harmonia é tão azeitada que você se sente no meio da batalha. É de arrepiar.

A euforia de Paschendale não ajuda a nona posição, Face In The Sand, ofuscada junto a um tema pouco utilizado pela banda – críticas sociais. A letra descreve o mundo que temos hoje, onde diversos absurdos nos rondam e, ao mesmo tempo, assistimos parados, apáticos, a tudo que nos cerca. O título foi criado por Bruce como um simbolismo para o domínio máximo que qualquer povo terá frente à idade do mundo – um rosto na areia, que logo será encoberto por mais areia até ser esquecido, não importa quem seja. Por isso, o que é questionado na canção é se a raça humana está tendo seu rosto coberto na areia e esse é o início do nosso fim. O instrumental começa com um progressivo legal, mas com muito teclado, que, inclusive, tem andamentos de protagonismo durante os versos e refrão. Eu gosto muito do vocal do Bruce nessa música e da cadência instrumental, mas o teclado muito carregado acaba tirando brilho e energia. Essa foi a primeira faixa na história da banda que Nicko usou um pedal duplo – engraçado que o ritmo que ele colocou ele faz com um pé só, mas tudo bem. E sim, Nicko odiou o tal pedal.

Décima posição, Age of Innocence é mais uma canção com se inicia com passagens progressivas e teclado, seguindo a fórmula exaustivamente comentada em parágrafos anteriores. O entrar do peso das guitarras melhora bem a música e o refrão eu acho o ponto alto. A letra tem frases muito bem construídas e com críticas pesadíssimas, que Steve, acredito eu, tenha-as dirigido ao poderes legislativo e político da Inglaterra (mas a letra serve para qualquer país), que a todo momento é beneficiado por ter uma posição de maior supremacia frente à população comum, que paga o pato, até mesmo com a vida. O título é uma metáfora para os “velhos tempos”, onde tudo era mais justo na visão do baixista, quando ele era uma criança. Se ele está certo ou não, impossível saber. Todos temos a ilusão de que “quanto era criança / jovem o tempo era menos cruel”.

Saideira! É hora de pegar seu banquinho e seu violão e acompanhar Journeyman, faixa que encerra o álbum. Essa é uma versão alternativa que acabou se tornando versão oficial. Para uma canção acústica, até que a música cumpre bem com seu papel. Até então o posto desse estilo era assumido por Prodigal Son, mas ela acaba não sendo uma música totalmente acústica, diferente de Journeyman. A letra fala sobre a vida e suas boas ou más memórias, na figura de um viajante (o termo journeyman em inglês tem um significado um pouco mais profundo do que só o de um viajante, mas isso não muda a interpretação da canção). Tudo o que construímos em termos de bens materiais (the shadows you build with your hands) vão deixar de existir ou perder a importância, sendo que as memórias que levamos serão só nossas e estarão sempre presentes até o dia que morrermos, não importa o quão velho chegarmos (we have cheated death and he has cheated us). Os versão são bem produndos. Aliás, muitas canções desse álbum possuem letras muito bem trabalhadas, mesmo que sob harmonias de torcer o nariz.

E se por acaso você nuuunca ouviu Dance Of Death, nunca é tarde:

A turnê do novo álbum, chamada de Dance of Death World Tour, se iniciou em Outubro de 2003 até Fevereiro de 2004. Em termos teatrais, o show ganhou em muitas proporções frente às turnês anteriores – Bruce voltou a usar uma máscara em Dance of Death (como ele fazia em Powerslave) e trincheiras eram armadas em Paschendale, por exemplo. Eddie foi caracterizado como a Morte, tanto no boneco que persegue os músicos quanto no adorno gigante de palco.

Os Eddies de Dona Morte na turnê

Máscara, banquinhos e, no final, uma cervejinha gelada

Em Janeiro eles passaram pelo Brasil e foi o meu primeiro show do Maiden! O dia foi praticamente um culto e me lembro de cada detalhe – inclusive o Bruce dando esporro no público, para pararem com o empurra-empurra (antes do início de Can I Play With Madness?) e também ele entrando errado em Rainmaker quando o Dave iniciou o solo!

Outros materiais lançados

The Early Days

Os anos de 2004 e 2005 tiveram vários lançamentos de materiais complementares, onde o melhor deles, sem sombra de dúvida, e coincidentemente obedecendo a ordem cronológica dos lançamentos, foi o DVD que contava o início da história da Donzela.

Em 1 de Novembro de 2004 chegava às prateleiras o DVD duplo The History of Iron Maiden – Part 1: the Early Days, material obrigatório na coleção de qualquer fã. Na época não tínhamos a enxurrada de vídeos e documentários de acervos pessoais que a internet nos proporciona hoje e esse DVD trouxe entrevistas de cair o queixo, com muitos integrantes que saíram antes do debut. Ele seria a primeira parte de documentários que contariam a história do Iron Maiden.

O primeiro DVD vem com três shows – Live at the Rainbow, Beast Over Hammersmith e Live in Dortmund. O primeiro nada mais é que o primeiro show gravado da banda, em 21 de Dezembro de 1980, que antes era possível encontrar em VHS. O segundo são nove músicas que foram recuperadas de uma filmagem que a banda fez em 20 de Março de 1982; Steve pretendia lançar um show com Bruce nos vocais e promover o The Number Of The Beast, mas as filmagens saíram bem aquém da qualidade desejada, sendo recuperadas nos anos 2000 com a evolução tecnológica. O terceiro é um excerto de um show da final da turnê do Piece of Mind que passou em um programa alemão de TV (bem no final Nicko e Dave tomam tortadas no rosto, pelos seus aniversários).

O segundo DVD é a maior razão pela compra do material – um documentário de 90 minutos com várias entrevistas de músicos e profissionais que trabalham na banda no final dos anos 70 (e obviamente entrevistas com os integrantes da banda). Muuuuuita coisa interessante! Outros extras acompanham o DVD, como um documentário sobre a The New Wave Of British Heavy Metal, anotações do diário do Steve, fotos e alguns “vídeos escondidos” que são bem fáceis de achar.

DVD obrigatório!



The Number Of The Beast (2005)

Lançado em 3 de Janeiro de 2005, é um relançamento do single The Number Of The Beast, contendo:

  1. The Number Of The Beast: mesma versão que está no álbum The Number of The Beast.
  2. The Number Of The Beast (live): versão gravada em Março de 2002 em um dos shows beneficentes para Clive Burr.
  3. Hallowed Be Thy Name (live): versão gravada em Março de 2002 em um dos shows beneficentes para Clive Burr.

Além das faixas em áudio, o single vinha com dois vídeos – The Number Of The Beast (Camp Chaos), que é o vídeo original da música junto com uns desenhos horríveis (já mostrei um desses antes aqui e não vou colocar novamente esse tipo de vídeo horroroso) e a versão ao vivo, da mesma música, em um dos shows beneficentes para Clive Burr, em 2002.

The Essential Iron Maiden

Em 12 de Julho de 2005 tivemos mais um caça-niqueis uma coletânea! Até então, esse foi o quarto The Best Of. Coincidentemente, eles são lançados de três em três anos – Best of the Beast (1996), The Ed Hunter (1999), Edward the Great (2002) e esse agora em 2005. Esse lançamento foi proposital para os Estados Unidos, pois a banda conseguiu conquistar novos fãs com Brave New World e, após um segundo álbum com o sexteto, era hora de introduzir material mais antigo para esses novos fãs, que na época eram fuzilados na América por sons como do Linkin Park e do Korn. O CD é duplo e vem com um total de 27 canções, sendo 4 delas com o sexteto.

The Trooper (2005)

Em 15 de Agosto de 2005 tivemos outro relançamento de single. Agora era a vez de resgatar o Piece of Mind:

  1. The Trooper (live): versão ao vivo gravada em 2003, em um show em Dortmund.
  2. The Tropper: mesma versão que está no álbum Piece of Mind.
  3. Prowler (live): versão ao vivo gravada em 2005, na Islândia.

Esse single teve lançamentos em LP, sendo que nesses materiais tínhamos outras canções ao vivo – Another Life e Muders In The Rue Morgue – ambas gravadas em 2005 na Islândia (mesmo show onde foi escolhido Prowler para o CD). O single também vinha com dois vídeos – o clipe original de The Trooper e uma versão ao vivo horrorosa da mesma faixa, com muitos cortes de câmeras.

Death On The Road

Como é de praxe, não era possível deixar de haver um registro da turnê em áudio e vídeo. O CD duplo com 16 faixas foi lançado em 29 de Agosto de 2005, sendo que o DVD do show, que foi em Durtmond, foi lançado em 02 de Fevereiro de 2006.

CD e DVD possuem a mesma capa

O DVD tem versões com 2 discos e com 3 discos, sendo que essa última são dois discos do MESMO show, mudando a gravação do som entre estéreo e digital 5.1. E aqui vem um detalhe importantíssimo: tenha o DVD pelo documentário que acompanha o disco adicional, porque o show tem uma edição horrorosa – você sairá com dor de cabeça, tamanho é a mudança frenética entre takes das câmeras, e não vai curtir nada do show. Sério, as imagens ficam por dois segundos e mudam. Sinta a epilepsia:

Setlist tocado na Dance of Death World Tour

  1. Wildest Dreams
  2. Wrathchild
  3. Can I Play With Madness
  4. The Trooper
  5. Dance Of Death
  6. Rainmaker
  7. Brave New World
  8. Paschandale
  9. Lord Of The Flies
  10. No More Lies
  11. Hallowed Be Thy Name
  12. Fear Of The Dark
  13. Iron Maiden
  14. Journeyman
  15. The Number Of The Beast

2006 prometia novo material! Era uma questão de vida ou morte!

Até mais! Beijo nas crianças!

Kelsei Biral

 

 


Categorias:Curiosidades, Discografias, Iron Maiden, Músicas, Resenhas

8 respostas

  1. Sei que não é um disco é unanime, mas antes que me esqueça de escrever em algum lugar desse comentário, gostaria de dizer que Dance of Death é um disco que gosto muito, mas muito mesmo!!!
    Poderemos enumerar mil defeitos no álbum, até concordo com boa parte deles, mas não me importo, gosto do disco. Ao contrário de The Angel and the Gambler, Dickinson pode repetir a frase No More Lies 300 vezes na música, ainda a continuo achando maravilhosa. A faixa título pode repetir todos aqueles clichês que cansamos de ouvir desde No Prayer for the Dying, não ligo e ouço em alto volume cantarolando a letra. Face In The Sand tem uma introdução meio copiada de Dance of Death e segue meio arrastada, mas o refrão salva o resto. Concordo com o Kelsei, Wildest Dreams é mesmo a pior música de abertura do Maiden, mas também não é problema, pois começo sempre por Rainmaker. Já Gates of Tomorrow não tem salvação mesmo e Journeyman… bem, o que posso dizer… ah, ela é melhor que Como Estais Amigos.
    Bom, aí temos Paschendale, se só tivesse uma canção nesse álbum e se ela fosse Paschendale já valeria todo centavo investido no CD, clássica, clássica, CLASSICA! Me desculpe os puristas, mas Monteségur entraria fácil, fácil em um Piece of Mind ou Powerslave e se por acaso colocássemos guitarras sintetizadas em New Frontier, ela poderia estar tranquilamente no Somewhere in Time.
    Francamente acho que Dance of Death foi um disco prejudicado muito mais pela capa horrorosa do que qualquer outra coisa. Pô, os caras mudaram a capa de No Prayer for the Dying e não mudaram essa, sacanagem. Se bem que atualmente já estou achando essa capa até simpática, no mínimo vintage, ou será que sou tão fã à ponto de estar meio míope e surdo quando o assunto é Maiden?! Porem se mesmo assim não houver defesa convincente, posso dizer que a arte dessa capa foi compensada no Death On The Road, que é muito bacana!
    Depois de escrever tudo isso aí, tem algo que esta acima de qualquer contestação: a qualidade do post, Kelsei vem conduzindo com maestria a discografia do Iron Maiden, meus sinceros parabéns e agradecimentos pelos ótimos momentos de leitura!!!
    Um grande abraço.

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  2. Opa!! Mais um capítulo aqui e já acrescentado da ” resenha ” em formato de comentário do JP. Fazendo as contas, faltam 3 episódios ?
    Tá terminando a discografia, e a do MetallicA, nada….

    Bem, as minhas considerações são sempre acompanhadas da audição do álbum , vou deixar isso em aberto por enquanto, mas entendo ( puxando um pouco pela memória, pois há tempos não ouço o álbum) que há prós e contras no trabalho, de forma alguma desprezível, exceto pela horrorosa capa.
    Eu voto em breve, valeu , Kelsei !

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  3. Ótimo texto.
    Este é um disco que gosto bastante, posso dizer que gosto de todas as músicas.
    Rainmaker e a faixa titulo estão entre as minhas favoritas da donzela.
    Lembro de ter escutado bastante ele na época do lançamento, e inclusive até hoje esta entre meus favoritos.
    Bom a capa… deixa pra lá…
    Na época do lançamento no site oficial da banda havia alguns wallpapers oficiais para download.
    Nestes wallpapers havia uma versão da capa sem esses bonecos toscos… aquela sim deveria ser a capa…
    Inclusive na época rolou uma teoria assim na internet.
    Ótimo texto Kelsei.

    Vamos agora nos preparar para a guerra! hehehe

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  4. Cá estou eu de volta, ouvindo o álbum, depois de bastante tempo, diga-se de passagem, para traçar as minhas impressões. Programa que faço religiosamente a cada post, boto o disco pra tocar e vou acompanhando a resenha do Kelsei. Vamos começar pelo pior ?
    Da capa, só dá para reiteirar os comentáros com todas as forças, não tem como não considerar a pior disparada de toda a carreira da banda, e certamente uma das coisas mais horrorosas que já vi na vida. Tudo que há de material gráfico no álbum seria melhor escolha que a capa. A contracapa com a banda, a ilustração com o chão geométrico com os integrantes, na verdade bastava manter a Eddie e tirar aquele monte de figuras ridículas e mal acabadas.
    Mas vamos de álbum, que é o que mais importa:
    Eu também não curto a abertura com WIldest Dreams, embora ache o vocal de Dickinson na parte do meio da música muito bom. Nitidamente ele tenta salvar uma faixa fraca, mas o restante é muito pouco inspirado mesmo. Faixas rápidas e curtas pra abrir os álbuns da Donzela são uma constante, não precisava de duas. Nesse ponto, ainda que não morra de amores por nenhuma das duas, Rainmaker passa no crivo, em especial pela marca ” Dave Murray”. Ponto a favor para o álbum.
    No More Lies se estraga pelo exagero de repetições do refrão. Entendo que o JP goste, a melodia é bem razoável mesmo, mas eu não consigo admitir tanta repetição. Montesgur segue naquela fórmula Maiden pós retorno de Dickinson/Smith e também não me agrada, muito batida e um solo dispensável de Gers. A linha pré refrão, sublinhada melodicamente com a guitarra, é outro ponto contra. Até aqui são 4 faixas, só salvo Rainmaker.
    A partir da faixa título, o padrão de composições dá uma considerável melhora pra mim. E olha que aqui em Dance of Death tem o dedo do Gers, certamente responsável por boa parte da música. Bom exemplo de contribuição de Jannick como compositor o problema é ele querer fazer solos. Gosto do uso da orquestra( teclado ???) que traz um tom épico pouco visto na banda até então. A banda também faz essa escolha no arranjo de Paschendale, a melhor faixa disparada do disco, uma grande canção que não faria feio em álbum nenhum da donzela. Pra mim um autêntico clássico, perfeita do início ao fim.
    Voltando à sequência do disco, segue-se Gates of Tomorrow, outro solo horroroso de Gers e vou endossar a péssima escolha por vocais sobrepostos de Bruce nas estrofes. Outra bola fora daquelas. O final do solo é constrangedor, muito mal resolvido. Gates of Tomorrow me lembra as faixas aceleradas do período clássico da banda, sem muita frescura, direto ao ponto. Ótima canção, refrão pontuado por Adrian, para dar uma nuance. Antes do ótimo solo de Smith, que aliás sobra no álbum como poucas vezes eu ouvi ( talvez só no Somewhere in Time), tem aquela parada bem heavy metal , riff direto de guitarra. Ponto alto do disco.
    A contrário de você, Kelsei, gosto demais de Face in The Sand. E Bruce canta uma barbaridade na música. É outra das faixas onde o arranjo orquestral encaixou muito bem, no meu entendimento. Até o slide de Gers no inicio da música é legal. Achei bacana também os dois bumbos, Nicko gostando ou não. Pra mim é a segunda melhor faixa do disco. Refrão e estrofes em ótimo nível. A introdução de de Age of Innocence é linda, um timbre muito bonito de Murray sob os teclado e um ótimo vocal. O restante da canção não me agrada, em especial o refrão, onde há música dá uma guinada abrupta. O disco termina meio estranho com Journeyman, balada acústica pra fechar é meio esquisito, não? Eu não gosto do refrão, mas a música fica num saudável meio termo, não é das melhores, nem das piores.
    Em relação ao desempenho individual dos integrantes, novamente Smith e Dickinson então num patamar bastante superior, Dave é econômico, burocrático, o solo de Age of Innocence é um dos seus piores na carreira. Gers destaca-se por ser o co-autor da faixa título, mas os solos continuam bem abaixo do que se espera na qualidade de um instrumentista do Iron Maiden. NIcko e Harris estão também num modo padrão, quase sem inspiração. Aliás, me parece que isso é mais ou menos o que acontece em qualquer trabalho do Maiden versão sexteto.
    Minha impressão geral do álbum é que ele tem mais pontos altos do que baixos, traz faixas que podem acrescentar em qualquer show da banda ( em especial Paschendale) e cumpre o papel de manter a banda dentro do cenário que se inseriu após o retorno da dupla Smith/Dickinson.
    O post, como sempre, é sensacional, as análises das letras sempre me acrescenta demais em aprendizado.

    Bora pro próximo, Kelsei!!!

    Tá acabando….. e o MetallicA……ai, ai, ai……

    Alexandre

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  1. Discografia Iron Maiden – Episódio 15: A Matter Of Life And Death – Minuto HM

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