Discografia HM – W.A.S.P – W.A.S.P. – 17/ago/1984 – 40 anos

Mais um nesta lista de álbuns que sopram a quadragésima velinha em 2024, este é talvez um dos menos conhecidos trabalhos que compõem a série. O quarentão da vez é o primeiro disco (sim, disco!) do W.A.S.P, de nome homônimo. E quando eu cito que o álbum é dos menos conhecidos, a referência é alguns outros deste ano que estouraram a bolha do gênero, como o Love at First Sting (Scorpions) ou 1984 (Van Halen). O grupo W.A.S.P. nunca conseguiu sair do seu séquito inicial de apreciadores, a galera do hard ou metal. Em 1984, no entanto, preciso contextualizar que em São Paulo, no Rio de Janeiro e também em outras capitais como Belo Horizonte ou Porto Alegre, o metal caminhava junto do rock flertando fortemente no mainstream. E esse primeirão do W.A.S.P. certamente fez barulho por aqui há 40 anos atrás.

Puxando pela memória e voltando 40 anos, vamos nos transportar para o final do segundo semestre de 1984. Lembro que os álbuns demoravam para chegar por aqui, este certamente não chegou antes do fim de setembro, é muito provável que ele tenha dado as caras aqui em outubro, talvez novembro de 1984. E o que acontecia no Rio de Janeiro do fim de 1984? O pré-furacão de um treco chamado Rock in Rio. A EMI resolve então lançar a série Heavy Metal Attack, apontando para um certo maravilhoso álbum de uma certa donzela como atração principal de uma meia dúzia de álbuns de metal lançados em 1984.  Icon, Helix e Great White, bandas iniciantes como W.A.S.P, faziam parte do pacote. Outra grande banda iniciante, assim como a certa donzela, ainda vai dar as caras por aqui, mas vamos deixar esse assunto de lado para trazer as impressões da época sobre o primeiro do W.A.S.P

A capa com o selo da série Heavy Metal Attack, versão que saiu no Brasil.

O W.A.S.P chegou pra nós através de três veículos de comunicação que era as referências da época para quem queria conhecer mais do metal e hard rock que vinha de fora: 1) a programação dedicada ao gênero pela Rádio Fluminense (em especial o programa guitarras, que vinha nos sábados); 2) as pouquíssimas revistas especializadas e no Rio de Janeiro uma das mais conhecidas era a Metal, uma espécie de spin-off da Roll, essa mais voltada ao rock em geral e; 3) Os videoclips nos poucos programas de tv. E no caso do W.A.S.P., o que chegou primeiro pra mim foi o videoclipe de L.O.V.E Machine. A música se juntou aos vários clássicos do Metal de 1984 e é, sem dúvida, uma das grandes canções do ano. O clip, que trazia a imagem poderosa da banda, atingiu em cheio a galera. O que a gente não sabia, na época, era que L.O.V.E. Machine era apenas uma das ótimas canções do primeiro álbum da banda.

Eu não me lembro se eu comprei esse álbum antes ou depois do Rock in Rio. Eu me lembro que ele se juntou aos meus favoritos quase que imediatamente. Outras duas faixas tocavam nas rádios especializadas, em especial na Fluminense: I Wanna Be Somebody, o maior clássico do disco e a balada espetacular Sleeping in The Fire. Mas a grande verdade deste álbum é que ele não tem faixa ruim, todas estão em um excelente nível. E ainda que os solos de guitarra se destaquem no instrumental, apoiados por um ótimo baterista, é nas canções que o trabalho se sustenta.  Faixas como B.A.D, Tormentor, On Your Knees ou The Flame mostram força e não perdem em nada para as mais conhecidas. Hellion, que abre o lado B com um toque de Burn (Deep Purple) no refrão e o solo dividido entre os guitarristas, é talvez a que mais apareceu depois das três mais conhecidas.  School Daze está no meu top 3. Não há faixa ruim e a energia deste álbum transborda pelos sulcos.

W.A.S.P., o primeiro álbum da banda, furou de tanto tocar no meu 3 em 1. É certamente um dos álbuns que até hoje ouço bastante. São quase 40 minutos que passam voando, música atrás de música. E precisa estar junto dos grandes álbuns que fazem 40 anos em 2024.

“Folks”, estamos nos aproximando do fim desta série, mas o próximo mês promete, e em dose tripla. Até breve!

Alexandre B-side



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4 respostas

  1. E aí!?

    certamente esse álbum foi um dos pontos fortes da época e mais um grande lançamento. Curti muito a bolacha preta na época e continuo curtindo. Esse álbum teve inclusive um relançamento atual em CD pela Hellion, juntamente com os dois álbuns seguintes que também entraram para a coleção, cujas musicas também são legais. O vocal rasgado, rouco do Blackie Menoslei da um tom de peso no som da banda. O som dessa época era diferenciado, pelo menos para quem vivenciou a época. Uma safra muito boa!!!

    Valeu!

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  2. “Folks” foi sensacional. Excelente resenha. Eu não lembrava que vocês tiveram muito apreço pelo disco. Concordo com tudo que foi dito. Excelente disco. Ele ficou la em casa um tempo também e muito me agradou. O clipe de “L.O.V.E.” tocou bastante. O visual da banda não me agradava e isso nos meus 13 anos contava bastante Já a referência da revista Metal me lembro claramente de uma “nota” em uma página falando da banda e Blackie Lawless tocava baixo a época. Nesse disco ele foi o baixista. Excelente resenha. Queremos mais sempre!

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    • Folks é uma citação sua, que a gente vai incorporando no repertório. Aliás, ótima citação, e obrigado pela licença poética.

      Eu não sabia que você não curtia o visual da banda, sabia sim que você pegou o disco emprestado e curtiu bastante.

      Teremos mais resenhas desta série ainda este ano.

      Em breve, já em setembro.

      Abraço, brother!

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