Kiko Loureiro lá, lá lá lá lá lá …. lá lá lá lá .. lá rá lá rá rá rá …
Em um sábado normal, o dia 17 de Agosto de 2024 seria marcado, nesse blog, somente pela resenha do show acústico do Angra que trago aqui. Só que, nesse exato dia, o Brasil perdeu Senor Abravanel, o Silvio Santos, o maior comunicador da história da televisão brasileira. Responsável por criar a cultura das famílias se juntarem aos domingos, influência direta no vida de mais de 200 milhões de brasileiros. O fim de uma era. Fica aqui o meu agradecimento ao cara que trouxe o Chaves para a minha vida, que aparece na letra de “Domingo” dos Titãs, que se manteve humilde e incansável trabalhador mesmo bilionário. Morreu com 93, a mesma idade que eu almejo alcançar, que foi a idade que morreu a minha avó! Obrigado Silvio!
E foi cantarolando “agora é hora de alegria, vamos sorrir e cantar” que eu caminhei até o Unimed Hall (que chamo até hoje de Espaço das Américas), já que moro ao lado do local, para assistir ao projeto acústico do Angra, que até então só havia levado o projeto para Curitiba, onde foi gravado DVD no Ópera de Arame e que ainda não lançado. Já tinha passado da hora do Angra criar um acústico – já tinha visto eles no Manifesto Bar com um pocket show acústico na época que eles lançaram o álbum Aqua e o Edu Falaschi, depois que deixou a banda, já tinha criado o projeto Moonlight Celebration, com versões acústicas que ele mesmo arranjou e que eu já cobri aqui no blog.
Fui muito curioso para saber como ficariam os novos arranjos e não me aventurei em saber o que eles tocariam. Lá no local achei o Márcio Villas, que estava levando o Felipe, seu filho de 16 anos (e que só compraram ingresso porque eu comentei com o Villas no café do trabalho sobre o show, que por alguma razão ele achava que já estava esgotado). Ficamos no lado esquerdo do palco, bem na frente. A casa estava com mesas montadas do meio para o fundo, ficando a primeira metade reservada para a pista, que mesmo levando o nome de premium, não tinha nenhuma delimitação ou espaço reservado, o que eu achei ótimo, pois sou a favor de lutar pela sobrevivência quem quiser ficar perto da grade. O palco foi totalmente utilizado na montagem da estrutura acústica e, dessa vez, não teve playback de nada (como reclamei no show que fui na turnê do Cycles of Pain). Além de muitos violões, dois baixos acústicos e uma bateria, trouxeram um piano, instrumentos de percussão e sexteto de orquestra, com violino, cielo, flauta doce e oboé.
O show começou próximo das 22:15 e estava bem cheio. Foi um setlist bem distribuído por toda a carreira da banda e um conjunto de músicas que misturaram criações de novos arranjos junto a canções mais “facilitadas” para o lado acústico, pois tinham em sua essência uma levada mais calma e gravações de violão e piano em estúdio (cito aqui exemplos como Gentle Change, No Pain for the Dead, Reaching Horizons, Late Redemption e Silence and Distance). Os solos foram todos modificados e adaptados para violão, a grande maioria deles executada pelo Marcelo e todo interlúdio de guitarras foi removido, sem criar frases semelhantes das que existiam com guitarras. Portanto, realmente as harmonias e melodias das músicas apresentadas pela banda estavam seguindo fielmente o termo “unplugged”, como era o nome do show, o que me agradou muito.
O som estava bem equalizado, era possível ouvir todos os instrumentos, inclusive a orquestra e a percussão, que envolvia, além dos instrumento mais comuns como tambores e sinos (perdão a ignorância, não sei os nomes), um berimbau. Por dois momentos eu ouvi a PA na minha esquerda dar uma estourada, as duas vezes em solos do Marcelo, mas foi algo bem pontual e que não comprometeu a execução de nada. Acho que a maioria das pessoas nem notou a PA estourando.
Sobre a cozinha, o Felipe Andreoli teve um show muito tranquilo – toda a execução do baixo acústico foi marcada na timbragem, sem exigir a velocidade supersônica que estamos acostumados a ouvir. Já Bruno Valverde usou bastante a bateria em muitas canções, sem economizar na força das baquetas, mas economizando nas viradas. Apesar de não ter usado, seria interessante ele conseguir encaixar em alguma música aquelas baquetas que parecem vassourinhas (usadas em acompanhamentos de Jazz e também usadas pelo Dave Grohl no acústico do Nirvana), que dá uma sonoridade bem característica para a ambientação desse show.
Fábio Lione cantou de maneira muito confortável e conseguiu controlar bem seu timbre para não se sobressair aos instrumentos acústicos. Ele fez os vocais de The Bottom of My Soul, que em estúdio é cantada pelo Rafael. Na execução de Wuthering Heights ele saiu de cena e deixou todo o protagonismo da canção para a convidada Vanessa Moreno, que gravou Here in the Now no último álbum da banda (que também apareceu no set da noite). Vanessa sobrou! Na primeira vez que eu a vi tinha ficado impressionado com o timbre dela e, agora, não foi diferente. Ela solou Kate Bush, fez as vezes de Amanda Somerville em Tears of Blood (essa música teve uma execução impressionando e digo sem hesitar que foi a melhor performance da noite) e o vocal de Sabine Edelsbacher em No Pain for the Dead. Afinação impecável! Timbre lindíssimo! Repito: sobrou!
O outro convidado da noite foi o Tesouro, que uma semana atrás tinha se apresentado em São Paulo em seu show solo! Kiko Loureiro executou No Pain for the Dead, Holy Land e Late Redemption, as três executadas com três violões. Ele também cantou Late Redemption junto com o Rafael nas linhas do Milton Nascimento. Muito bom poder ver Kiko e Rafael juntos novamente. Poderia voltar ao Angra agora que não está mais no Megadeth e ficarem com três guitarristas – tenho certeza que saberão usar três guitarras muito melhor que o Iron Maiden.
A banda também homenageou Silvio Santos, apresentando os membros da orquestra com a famosa musiquinha dos jurados do programa Silvio Santos. Tive que filmar:
Foi uma noite diferente e que eu gostei bastante. O Lione deu uma errada em algumas poucas entradas, mas acho que foi mais excesso de vontade dele do que falta de ensaio. Tinha um pessoal filmando o show, mas o DVD já foi gravado em Curitiba. Ou algo deu errado ou eles devem criar algum bônus com os shows extras do acústico. Se tiver de novo eu volto, até porque alguns arranjos, como o final em Carry On, foram bem distintos dos arranjos originais e ficou algo bem diferente para ouvir. Mesmo para quem não é fã, eu recomendo assistir em uma mesinha com um bom vinho. A trilha sonora é aprazível! 🙂
Beijo nas crianças!
Kelsei
Categorias:Angra, Cada show é um show..., Resenhas, Setlists













Cobertura Minuto HM – Summer Breeze 2024 em SP – 26, 27 e 28 de abril – resenha (dia 26) e considerações (dias 27 e 28)
Cobertura Minuto HM – Angra em SP – 03/nov/2023 – resenha
Cobertura Minuto HM – Sons of Apollo no RJ – 11/ago/2022 – resenha
Cobertura Minuto HM – Shaman em SP – 31/jul/2022 – resenha
Vou dividir meu comentário em dois, um antes de botar os vídeos para tocar e outro depois, com o tempo que é necessário para tal.
Esse então é o antes, e o que é preciso ressaltar é o óbvio. Esta é uma ótima resenha do show, Kelsei.
O meu problema com esse formato é a questão do cliché que o envolve, o acústico, e em especial se juntado ao orquestral. Algo que se desgastou com tantos projetos associados, e que você traz muito bem a questão de ser tardio na carreira do Angra.
No mais, que bom que o show juntou dois dos entendores do nosso grupo no Minuto HM, muito legal isso. Um super parabéns a você e ao Angra por homenagear o Silvio Santos, toda e qualquer menção é muito justa e pouco para o legado e história do comunicador, o maior daqui, sem qualquer dúvida. E nesta primeira análise, sem ouvir as canções que estão em vídeo acima, gostei de boa parte do repertório escolhido.
Eu confesso que ainda é pouco pra me tirar de casa e ir no projeto aqui no RIo, por exemplo. Isso é muito mais a velhice chegando do que qualquer outra coisa, inicialmente.
Vamos ver conforme eu for ouvindo os vídeos
Aí eu volto com uma finalização deste comentário.
Independente disso, que resenha boa !
Alexandre
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O uso de orquestra realmente “chove no molhado” nesse tipo de projeto, só que em muitos casos desse acústico elas vieram complementar frases de teclado e certas orquestrações que existem em estúdio (Holy Land e, principalmente, Temple of Shadows estão abarrotados de exemplos assim), além de certos interlúdios de guitarra que foram adaptados nas cordas. Ficou um resultado muito bom!
Espero que o meu celular velho de marré marré não comprometa a sua experiência com os vídeos.
Um dia perguntaram para o Clint Eastwood como ele conseguia trabalhar e fazer tanta coisa depois de muito velho e a resposta dele foi “Eu não deixo o velho entrar. Antes que ele chegue, eu já sai de casa fazer alguma coisa.” Não deixe o velho tomar conta de você também!
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Bem, eu vi os vídeos, e …..well….
Não , não é algo que me motive, mas é o formato, principalmente acrescido das orquestrações.
Nada contra alguma perfomance ou alguma imperfeição.
Aliás, neste momento onde tudo vira playback e autotune as imperfeições são até bem vindas. Vi o Marcelo brigando com um delay indesejado no meio de solo de Wuthering Heights, que bom que nem tudo é tão automático assim.
E ,disparada, essa foi a música que mais gostei dos vídeos acima. Acho que a Vanessa foi muito esperta pra driblar as dificuldades da canção, já que, embora ela seja muito afinada, não tem a potência (acredito) nem da Kate Bush , nem do André. E convenhamos, nem é pra ter, as pessoas precisam entender que o alcance e o timbre de cada um é o de cada um, não dá para um Edson Cordeiro emular um Christopher Lee e achar que não vai precisar de uma grande adaptação. Isso posto, eu gostei muito da performance da cantora.
No pain for the Dead ficou legal também. Já tem uma orquestração na ideia inicial no cd, e é natural que a música tenha sido escolhida aqui. Os outros vídeos eu passaria sem. Gosto de Here in the Now, mas pra mim nada acrescentou a versão acústica. The Bottom of my soul nem gostar eu gosto. E não gostei do novo formato.
São opiniões, é claro, cada um tem direito de ter a sua. Considero este show para quem é muito fã da banda. Não seria pra mim, por exemplo. Eu acho que qualquer acústico do Queensryche ou do KISS cairia como uma luva pra mim. Pra um super-fã. ou então pra quem realmente gosta do formato. Surpreendente pra mim foi o acústico do Alice in Chains, banda que eu curto, mas não sou super-fã. Aquele é um dos melhores que assisti.
Independente disso, seu celular, pra mim, passou fácil no teste. E deve ser um milhão de vezes melhor que qualquer um que eu já tenha tido, já que eu sou um confesso inimigo desses bichinhos. Hoje ele são inevitáveis, então é o tal mal necessário.
Alexandre
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Eu pensei em comentar no post inicial que o timbre da Vanessa não ganhava do André na interpretação da música, mas nem cheguei a criar o texto justamente pela mesma coisa que você colocou aqui: cada música tem seu alcance e a interpretação precisa ser calcada nos limites técnicos de cada um. E ficou muito bom! Se eu fosse o Angra, contratava essa mulher e deixava a banda com dois vocalistas.
Em anos anteriores eu faria mais vídeos, mas as costas doem de ficar com as mãos levantadas o tempo todo, então acabei por gravar o que eu achei que seria diferente manter um registro (como o Kiko no violão, o vocal do Lione onde não está em estúdio e a roubada de cena da Vanessa).
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Essa foto ta irada demais no final
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