Cobertura Minuto HM – Sons of Apollo no RJ – 11/ago/2022 – resenha

Antes de começar propriamente esta resenha, queria já pedir desculpas pela certa demora em finalizá-la. O tempo tem sido um inimigo cada vez mais implacável e se este texto está aqui, isso se deve em muito à insistência do Eduardo em me cobrar por essas linhas. Então eu proponho uma volta no tempo não muito distante, mas já passados cerca de 20 dias, infelizmente. Para isso, enquanto ainda está disponível , seguem dentro da resenha alguns vídeos dos shows que ajudam a acompanhar o texto. O show do Sons of Apollo na integra pode ser facilmente localizado no Youtube, mas não há como trazê-lo por aqui, por restrições impostas pelo dono do canal .

Então, vamos lá, 20 dias atrás, estamos numa quinta feira ameaçando chuva, eu e meu amigo de quase 50 anos Bruno batera depois de muito tempo, para voltar a assistir um show internacional. Antes de tudo, só o fato de estar ao lado do batera já por isso valeria com sobras o ingresso. O CIrco Voador está com promessa de ótima lotação ( o que se confirma na hora da atração principal) e é um ótimo lugar para se assitir um show no Rio de Janeiro, em especial se houver a escolha por chegar cedo e se dirigir à parte da frente do mezanino. Foi exatamente o que fizemos e vimos o show com muita tranquilidade e ótima visão do palco.

A noite começa com a banda de abertura Lufeh, que tem uma proposta próxima ao Sons of Apollo, um prog-metal bem competente, com ótimos instrumentistas brasileiros e um vocal americano de ótimo timbre. Destaco claramente a primeira faixa do show, Find my Way,com um ótimo refrão.

Acredito apenas que a banda deveria buscar um maior balanço entre o instrumental e boas melodias vocais. Essas acabaram, no meu entendimento, em um patamar abaixo do virtuosismo dos músicos. Aliás, isso foi comentado pelo Bruno também, durante o show e também por um certo tecladista que estará nesta sexta no Rock in Rio…

No entanto, os prós são imensamente maiores que os contras, vejo uma banda bastante promissora e que levantou a galera durante mais de 30 minutos, ainda que todos lá estivem ávidos para assistir Jeff Scott Soto, Mike Portnoy e companhia. Quem tiver curiosidade acerca do show do Lufeh, pode, enquanto o vídeo fica disponível, dar uma checada abaixo :

Hora da atração principal , hora de Mike Portnoy (bateria), Derek Sherinian ( teclados) , Jeff Scott Soto ( vocal) e Ron Bumblefoot( guitarra) juntaram -se ao convidado de última hora Felipe Andreoli ( baixo e membro do Angra desde 2001) .

O show começa com a faixa de abertura do álbum, MMXX, Goodbye Divinity, onde já se percebe muito claramente a essência do trabalho da banda : Há espaço para o virtuosismo inquestionável dos membros, mas esse espaço se alia às melodias vocais de boa assimilação, em especial nos refrões . A banda emenda com Fall to Ascend, esta, quase no fim, serve também para Jeff Scott Soto “ apresentar” Mike Portnoy, para ovação de todos os presentes.

Jeff interage bastante com a platéia e após uma pequena pausa pra perguntar quantos ali tinham os álbuns do grupo (e dar uma “ bronca” bem humorada em Mike por não ter levantado as mãos) , introduz a faixa Sign of the Time, do primeiro álbum. Desta vez quem toma uma “ enquadrada” , ali nos 15 minutos de show, é o Felipe Andreoli, pois este está tão a vontade junto a banda que quase rouba um momento solo de Bumblefoot. Felipe tem o seu momento de reconhecimento pela platéia logo na música seguinte, Wither to Black, e que se percebe é que ele se encaixou perfeitamente na árdua tarefa de substituir um monstro no instrumento que é o Billy Sheehan. Sheehan não veio à tour sul americana por problemas relacionados ao fato de não ter se vacinado contra o Covid.

Jeff apresenta a balada Alive, que tem a letra referente a luta contra alcoolismo, e mais uma momento engraçado se dá, quando ele pergunta quem já passou por isso, para imediata reação acusatória de Portnoy. A música é outro grande exemplo da perfeita associação virtuosismo/ melodia que a banda proporciona e traz um extraordinário solo de Bumblefoot usando com maestria o braço superior( fretless) de sua guitarra .Alias, quem quiser entender como funciona este instrumento, eu sugiro ver o vídeo abaixo, ele especial pelo uso de uma espécie de dedal que fica embutido no corpo da guitarra.

A banda se alterna entre as faixas de seus dois álbuns, composições estas que remetem diretamente à sonoridade de Falling Into Infinty( Dream Theater) e é preciso destacar o trecho final de Lost to Oblivion, onde após um momento de espetacular performance de Mike, Felipe e Bumblefoot se juntam para uma passagem super intrincada. Dá para perceber um gesto de aprovação de Bumblefoot para Felipe. O brasileiro desempenhou muito bem seu difícil papel, apenas não buscando repetir o timbre de Billy Sheehan. O trabalho dele foi impecável , mas dentro do seu som de baixo.

Jeff homenageia seu falecido pai na balada Desolate July, que tem ótimos backings de Mike e Bumblefoot e aquele timbre de teclado tão característico de Derek Sherinian, mais uma vez lembrando a sonoridade do citado Falling Into Infinity. Derek tem até uma presença mais discreta durante o show, tal o virtuosismo de Ron e Mike, mas traz uma intrincada passagem no piano, ao iniciar King of Delusion. Esta música, aliás, tem um riff sob as estrofes que lembra muito Perry Mason ( Ozzy Osbourne). Coincidência ou não, é mais uma ótima canção, onde Derek assume um protagonismo maior.

New World Today é a música com mais espaço instrumental, longa faixa com solos de todos , inclusive um generoso espaço onde destacou-se Felipe mais uma vez, já no terço final do show. A ela se segue um momento para Derek ficar sozinho no palco, dividindo-se entre aquele som distorcido do teclado que é sua marca mais característica e o piano.

A ultima música é o primeiro single da banda, Coming Home , onde Felipe e Bumblefoot usam o braço fretless durante quase toda canção. Jeff , que esbanjou vocal e presença de palco durante todo o show, apresenta ( como se houvesse necessidade) toda a banda e ainda ensaia um “ vira, vira, vira, virou” ao “ derrubar pra dentro “ o que parecia ser uma caipirinha.

Ainda há tempo pra um bis, e eles voltam com God of the Sun, que abre o primeiro álbum, Psychotic Symphony, de 2017. Platéia e Jeff se juntam no coro da canção.

Um fecho de ouro para um baita show. O saldo final é extremamente positivo, espero que este projeto em forma de super grupo nos possa trazer mais álbuns e mais shows por aqui. Com Sheehan ou com Felipe, por que não?

Saudações!

Alexandre Bside



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2 respostas

  1. Sensacional, além de rever meu irmão que a vida me deu, mais conhecido como Bside, rever Portnoy depois de anos ao vivo e com uma banda extremamente competente, foi uma aventura muito bacana para uma quinta-feira chuvosa, noite inesquecível, valeu SOA, Valeu Bside.

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    • Valeu, batera. Muito bom ter estado contigo, muito bom rever o Portnoy, que é junto do Neil Peart, um idolo de maior importancia pra mim, na bateria.
      Vale destacar também, dentro dessa constelação musical, o quão impressionante é ver e ouvir o Bumblefoot.

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