Discografia HM – Deep Purple – Perfect Strangers – 29/out/1984 – 40 anos

Bem, enfim chegamos ao final da série homenagem aos 40 anos dos álbuns lançados em 1984, com este ótimo álbum da volta do Deep Purple. Perfect Strangers é até hoje um álbum com opiniões divergentes entre a comunidade rock, mas pra mim sempre foi um dos meus preferidos na carreira da banda e tem inegáveis méritos que vão além de uma apreciação mais pessoal. Comercialmente, acho que muita gente não sabe, este é o álbum mais vendido do grupo, cerca de 3 milhões de cópias no mundo todo, um milhão só nos EUA. Além de todos os méritos que vou tentar mostrar abaixo, há um também que às vezes passa um pouco à margem, que é o logo da capa. Pra mim e para vários de nós se tornou, bastante tempo depois do começo da banda, o mais icônico que eles fizeram, a imagem que me vem à cabeça quando eu penso em DP.

Eu vou começar, porém, mal, confessando um grande erro meu. As minhas lembranças de 84 são o que o Rolf chamaria de uma autêntica heresia, pois ganhei o disco numa promoção e vejam só, acabei trocando por outro. Lembro também, lógico, do videoclipe da faixa título, que passava muito na tv. E também lembro que o Ernesto, colega do Flávio de escola, tinha o disco, assim eu o ouvi emprestado muito antes de cometer a idiotice de resolver trocar o que havia ganho por outro.  O tempo passou e isso foi bom para eu rever os meus conceitos e consertar o erro que havia cometido. Hoje, Perfect Strangers não só faz parte da minha coleção, como é um dos três discos que mais gosto da banda, isso sem pensar muito. 

Como de costume, eu não iria propor uma dissecação do álbum, mas como não há uma discografia do Deep Purple sequer em planejamento aqui no Minuto HM, vou tentar dar uma maior passada nas canções a partir do próximo parágrafo. Ah, e em 2017 a série da consultoria do rock que foi republicada por aqui traz, entre vários outros grandes álbuns, este Perfect Strangers.  Aliás, este específico capítulo da consultoria, de minha autoria como convidado, traz também outros que andaram aparecendo este ano aqui, fazendo 40 anos (Van Halen -1984 e Yngwie Malmsteen’s Rising Force). Então já há, pelo menos, uma boa série de comentários acerca sobre este Perfect Strangers e também de outros álbuns, acho que vale sim dar uma passada lá em 2017 e checar os ótimos textos, não só os deste capítulo, mas também os de todos os outros autores.

Vamos então mergulhar de volta ao fim de 1984, assim o álbum começa com Knocking at your Back Door, na minha cabeça a faixa mais acessível do álbum, uma ótima escolha para abrí-lo. O começo da faixa é uma introdução genial de Jon Lord, um trecho que põe todo mundo na expectativa do que seria este Mark II clássico de volta, depois de cerca de 10 anos separado. A música propriamente entra na sequência, numa mudança radical do clima inicial e pra mim, tem mais a cara do Rainbow mais acessível que Blackmore e Glover estavam tocando antes do retorno. Isso não é de forma alguma algo que eu considere um demérito, aliás muito pelo contrário. É uma canção certeira, com um bom solo de Ritchie e um refrão perfeito para abrir o álbum. Esse Rainbow apimentado por Lord, Paice e Gillan seria um pouco do que poderemos interpretar desta volta do Deep Purple em 1984, pois a faixa seguinte, Under The Gun, também parece ter saído do outro projeto de Blackmore, principalmente com aquele trecho que traz a influência clássica do genioso guitarrista ali perto do solo. Outra canção muito boa. Segue-se Nobody’s Home, essa tem mais a cara do Mark II, com um riff bem Deep Purple que sustenta a canção, Paice atacando num cowbell e Lord mais à vontade com o seu Hammond. Mean Streak fecha bem o primeiro lado de forma bem consistente, como o walking bass de Glover conduzindo a faixa até o riff do bom refrão. O disco traz ótimos vocais de um comportado Gillan, muito diferente do que ele havia feito quase um ano antes, quando ainda estava no Black Sabbath. Mais classe, menos gritaria. É preciso, no entanto, ressaltar, Gillan vai bem por onde quer que deseje ir.

Começa o segundo lado, e pra mim, o que já estava bom só melhora. Aqui, neste início de lado B, não há muito o que dizer, a não ser que eles conseguiram, dez anos depois, emplacar fortemente um último clássico inquestionável na carreira da banda. A faixa título é certamente uma das músicas mais conhecidas da discografia do grupo, e só isto já bastaria, no meu entender, para dirimir qualquer dúvida sobre a qualidade deste Perfect Strangers. Eu nem precisaria, mas vou ressaltar o riff que passeia na canção após os refrões. Coisa de gênios. Este lado B pra mim é bem superior ao lado A, assim seguem-se duas faixas que eu adoro. A Gypsy’s Kiss, outra cria do Rainbow, é a minha favorita no álbum e a parte pré-solo, marcado pelo bumbo de Paice, é o momento mais incrível do que Blackmore entregou como virtuoso além da debulhação exagerada que volta e meia acomete os guitarristas neo-clássicos. O solo o leva a um duelo espetacular com Jon e na sequência o maravilhoso Hammond de Lord dá as caras.  Segue-se a linda balada Wasted Sunsets, que não deve em nada a When a Blind Man Cries, por exemplo. Os solos de Ritchie, no meu entender, são ainda melhores que a faixa de 1972. Hungry Daze termina o álbum muito bem com um refrão permeado de outro riff clássico e genial sacado por Blackmore e a citação na letra de que eles já estiveram em Montreux, mas isso foi em outra música (”…we all came out to Montreux,but that’s another song…).

As demais versões em cd e cassete até trazem outras boas duas faixas, Not Responsible e a jam session que se transformou na instrumental Son of Alerik, faixas que não comprometem a qualidade geral do álbum, mas honestamente, nem precisavam estar ali. Hoje ouvir Perfect Strangers é na verdade como rever grandes conhecidos, ou seja algo exatamente oposto do que é o título do álbum. Um disco perfeito para eu encerrar a série de homenagens um ano dourado, o de 1984. Agradeço a todos que tiveram a paciência de passar os olhos nesta singela homenagem.

Eu ainda, pra fechar o ano de homenagens, vou trazer um último capítulo para 1994 em breve, então é aguardar um pouquinho de nada só.

See ya,

Alexandre B-side



Categorias:Curiosidades, Deep Purple, Discografias, Rainbow, Resenhas

4 respostas

  1. Clássico inquestionável

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  2. Faltou você dizer por qual álbum você trocou o Perfect Strangers.

    Quando eu era moleque também fiz uma troca dessas de se arrepender – troquei meu Use Your Illusion 2, do Guns, pelo Fireworks, do Angra. Naquela época eu fiquei me contorcendo pela “burrice” – hoje em dia tenho um grande carinho por ambos os álbuns, para mim dois grandes clássicos de suas respectivas bandas.

    E para mim também o Perfect Strangers está no TOP 3, ficando atrás do Burn e do Machine Head. Não sei se são esses os dois álbuns que você tem entre os três preferidos.

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  3. Poxa, Kelsei, aí você me pegou. A promoção que eu ganhei foi da rádio Fluminense, se não me engano, e (aí com certeza), eram vários álbuns, a grande maioria, apesar de ser de metal, eu não tinha o mínimo interesse, eram de bandas menos conhecidas, em boa parte álbuns de estreia de bandas como TNT e Stone Fury. Eu troquei nas lojas da Tijuca, num esquema 3 ou 4 para 1. Acho que troquei uns 7 álbuns por 2. Eu não vou lembrar mesmo com quais eu fiquei, mas de fato foram álbuns que continuam até hoje com o Flávio, pois essas ocasiões foram muito raras na nossa vida.

    Se eu for pensar hoje em quantos álbuns eu, de alguma forma, tive e não fiquei, imagino que foram muito poucos, talvez uns 15, posso imaginar. Eu me lembro de alguns discos de super guitarristas que depois eu me arrependi de ter comprado, por exemplo, um do Greg Howe , um do Vinnie Moore, um do Victor Biglione numa fase mais MPB. Esses eu não me arrependo de ter trocado, apesar de que são bons albuns.

    Outro disco que eu troquei, mas aí foi entre amigos, troca simples , foi o Restless and Wild do Accept, uma banda que até hoje não bateu muito pra mim, principalmente na fase do Udo.

    Um dos mais prováveis arrependimentos foi mesmo esse Perfect Strangers. Mas a sua pergunta, de fato, vai ficar sem resposta, sorry.

    Bjs nas crianças

    Alexandre

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