Esse post foi feito sem eu ter visto absolutamente nada das apresentações do Rush que se antecederam ao dia 26 de Junho pela turnê R50. Para não falar que não vi nada, vi um video de jazz da Anika para saber quem era ela.
Semana de 22 de Junho de 2026. Semana que a empresa me mandava por sete dias para a pequena e muito quente cidade de Irving, no Texas. Semana de muito trabalho, nada de arroz com feijão, poucos jogos da Copa e distância imensa das minhas filhas, que não vivo sem. Semana que fui bisbilhotar o que tinha de shows na região e me deparei com um tal de Rush fazendo duas de quatro apresentações dentro dos dias que estaria no estado texano.
E olha como são as coisas: estava na dúvida entre o dia 24 e o dia 26 de Junho e optei pelo segundo justamente porque não sabia como o trabalho me demandaria naquela quarta-feira, dado que onde estava e a Dickens Arena (local do show) demandaria um tempo considerável de deslocamento com o trânsito na região.
E o Rush cancelou o primeiro show, postergando para o início de Julho. Era para ser. Simplesmente, era para ser.
E foi então que no dia 26 de Junho de 2026 eu dei uma de presidente! E eis-me aqui na minha primeira resenha internacional na MinutoHM, acompanhando a turnê Fifty Something e a volta de Geddy Lee e Alex Liefson aos palcos. Confesso que não tinha visto nada das apresentações anteriores e não sabia o que esperar. Nem mesmo da baterista Anika, que eu tinha visto um único vídeo de uma jam de Jazz no primeiro texto que apareceu aqui quando a dupla tinha anunciado a volta.
A arena Dickens é um local de rodeio. Volta e meia encaixam uma apresentação musical, um show de monster truck ou alguma outra coisa qualquer. Cabem 14 mil pessoas e no dia tínhamos sold-out. Lá no Texas o sol se põe por volta das nove e meia da noite e, com isso, a chegada ao local foi debaixo de um sol de lascar, acompanhado de um vento quente que te cozinha. E a cidade não tem NENHUMA estrutura para pedestres – muitos quarteirões (que são gigantes) sequer têm calçadas.
Os portões abriam às 18:30 (horário local) e, como já tinha gente pelas redondezas e eu não conhecia o local, fui perguntar a um time de apoio do show por onde eu deveria ir.
Segurança #1: Can I see your ticket sir?
Kelsei: Sure. Bear with me a min, I don’t have your local app so I’ll need to open it from the web.
Segurança #1: No rush sir!
Segurança #2: No rush?! Really!?! NO RUSH?!
Segurança #1 (para o #2): I’m going with that all day!
No local, muita gente muito velha! Vi velhinhos com andadores, com oxigênio, com cadeira de rodas. Daí entendi o local não ter pista em pé. A gente nos nossos 40 já tem dor nas costas, essa turma ia desmaiar! E daí um velhinho com problema no joelho passou por mim e no boné dele estava escrito “I may be old, but I got to see all the cool bands!“. É … que inveja daqueles velhinhos!
Graças a Deus a entrada era ao aposto de onde o sol descia, então tinha sombra! Um DJ horroroso ficou tocando clássicos do rock em versões remixadas dançantes (Journey, Ozzy, Rollings Stones, Def Leppard, …). Desnecessário. 18:30 em ponto os portões se abriram. Eu subi dois lances de escadas rolantes para chegar ao Upper Level onde estava a minha sessão (antes bisbilhotei a lojinha) e a visão do palco era muito boa – o pior lugar sentado ali ganha do melhor lugar sentado onde eles tocarão no Brasil em Janeiro/27.
O show, programado para 19:30, começou com um pouco de atraso, coisa de dez, quinze minutos no máximo. Começou com um daqueles vídeos que o Rush faz tirando sarro de si mesmo. Na narrativa, três adolescentes entram em uma cidade assombrada para achar o Rush e fazer uma jam. Várias referências da banda ao longo do caminho. E divertidíssimo! O Geddy Lee de vendedor de cachorro-quente falando “Come eat my sausages”, os atores do filme “Cara, eu te Amo” eternamente presos no castelo, a vinheta do South Park, tudo muito legal! E, por fim, dois velhotes jogando baralho em uma mesa com uma terceira cadeira vazia (em frente à mesa, um copo vazio e um guardanapo escrito “Neil”) são encontrados pelo grupo. Algo acontece e, em uma viagem no tempo, eles são teletransportados para o palco. Ver a silhueta daquela dupla no telão foi de arrepiar.
O telão, alias, era algo impressionante. Além de um telão gigante atrás do palco havia um telão móvel na frente que subia e descia conforme a necessidade e que se complementava ao telão de trás. Eu só tinha visto o U2 na turnê do 360 fazer isso. Além do telão, fogos, fumaça e muitos canhões de luzes complementavam o show, onde em cada música tudo funcionava de maneira única e inédita. Além das câmeras ao retor do palco, tinha uma câmera bem legal na bateria que mostrava a dupla quando se reuniam ao redor do instrumento. Uma pena vocês só terem a pífia câmera do meu Apple 11 como apoio rs!
E a Anika?! A melhor coisa é que ela não emula o Neil Pert! Ainda bem! Ela é muito técnica, toca muito focada e, o principal, deu conta do recado sem ter que ficar colocando uma marca propria (convenhamos, um Mike Portnoy da vida, por exemplo, teria uma marca fora daquilo que se espera ao ouvirmos Rush). A alemâ tinha viradas impressionantes. Não notei ela errar uma linha nas baquetas, mas achei que faltou uma pegada maior na caixa. Mas isso sou eu comparando o que foi tocado com as versões de estúdio. Talvez tenha sido a posição dos microfones e do som local. Nem baterista eu sou…
Agora, uma coisa que eu achei errada foi a maneira como o outro músico contratado foi colocado no palco. Suportando os teclados e backing vocal, Loren Gold , ficou no escuro! Não tinha luz em cima dele! Ele não aparecia em destaque, como aparecia o trio. Tudo bem que Rush sempre foi um trio, mas já que ele foi contratado para estar lá e auxiliar, porque não raios deixá-lo em destaque junto dos demais!
Na fileira da minha frente tinha um senhor (sim, um velhinho) que acompanhava com a mão cada virada de bateria. O cara era milimétrico e cantava tudo! “Achei um fã”, pensei, “diferente da maioria”, como o cara do meu lado que grirou “rock’n’roll” antes do show começar. O show foi dividido em duas partes, com um intervalo de 25 minutos. Nesse meio tempo, conheci o velhinho, que me comentou que aquele era o VIGÉSIMO OITAVO show dele do Rush. É … que inveja daqueles velhinhos!
A primeira parte foi mais curta que a segunda, com clássicos como Xanadu, Limelight, Freewill, La Villa Strangiato (com direito à improviso do trio) e The Spirit of Radio. Logo após às primeiras execuções Geddy Lee foi ao microfone primeiramente para se desculpar sobre o cancelamento do show da última quarta-feira e, em seguida, comentar que a turnê R50 não era uma simples celebração à música do Rush, mas uma celebração à Neil Pert. Na sequência desse discurso mandaram Bravado com um telão cheio de imagens do eterno baterista e foi um negócio muito emocionante. Eu chorei no final.
A parte 2 foi fora do comum! Depois de esperar aquele contador no telão literalmente baixar dos 25:00 até o 00:00, o telão volta a contar de maneira progressiva e acelera até formar 2112. Foi a primeira vez que literalmente a arena foi abaixo. O que a Anika fez naquele set (foram três faixas – eu tinha achado na hora que teríamos o álbum na íntegra) foi inacreditável. Ali ela mostrou o porquê de ter sido a contratada.
Entre as faixas da segunda parte, por duas vezes tivemos um áudio do Neil Pert (tirado de alguma entrevista) sendo executado enquanto ele aparecia tocando no telão. Tivemos outros clássicos no cacife de YYZ, Red Barchetta e Time Stand Still. O telão começou a ficar mais focado em imagens criadas para as músicas do que focar nas filmagens dos músicos em si. Por várias vezes Neil Pert foi homenageado. Eu filmei Dreamline e Tom Sawyer. A “música do Mac Guyver” eu comecei a filmar mais pelo desenho do South Park, que sou fã e queria deixar gravada a piada, mas acabei deixando completo. Agora, vamos falar como gente grande? Tocaram Natural Science! Eu nem acredito que ouvi Natual Science! Nunca em sã consciência eu achei que veria o Rush tocar esse lado B. Eu deveria ter filmado, mas fiquei imóvel quando ela foi anunciada porque eu realmente não estava preparado para aquilo.
Faltou música? Orra, eu monto um segundo show só com músicas que não tocaram e que eu queria ter ouvido. Se eu tivesse que apontar um “pecado” do set, seria termos duas do Clockwork Angels e não ter nenhuma do Counterparts. Tivemos ainda um pequeno encore com duas músicas setentistas. Em Working Man realmente a galera cantou no pulmão! Ao final do show eu não consegui tirar uma foto enquanto os músicos agradeciam. Foi uma referência muito rápida e eu estava muito ocupado aplaudindo!
Tivemos um novo e hilário video no final, com os atores de “Cara, eu te amo” discutindo a maneira correta de pronunciar o nome do Neil Pert.
Para mim, depois de tudo isso, só fica uma pergunta no ar: falta muito pra Janeiro?
Beijo nas crianças!
Kelsei
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