Discografia Scorpions – [CAPÍTULO 10]

{ Love at First Sting – álbum & tour: 1984 }

Aproveitando o sucesso do trabalho anterior, contando com a mesma sólida formação e com a bênção de terem novamente a potente voz de Klaus Meine de volta, os SCORPIONS usam praticamente todo o ano de 1983 para criar meticulosamente sua mais nova obra de estúdio: Love at First Sting (Amor à Primeira Ferroada) é lançado em Março de 1984.

Lineup:

Klaus Meine: Vocal

Matthias Jabs: Guitarra, backing vocal

Rudolph Schenker: Guitarra-base, backing vocal

Francis Buchholz: Baixo, backing vocal

Herman Rarebell: Bateria, percussão

Tracklist:

Faixa Nome Compositor Duração
1 Bad Boys Running Wild Meine, Rarebell, Schenker 3:54
2 Rock You Like a Hurricane Meine, Rarebell, Schenker 4:11
3 I’m Leaving You Meine, Schenker 4:16
4 Coming Home Meine, Schenker 4:58
5 The Same Thrill Meine, Schenker 3:30
6 Big City Nights Meine, Schenker 4:08
7 As Soon as the Good Times Roll Meine, Schenker 5:01
8 Crossfire Meine, Schenker 4:31
9 Still Loving You Meine, Schenker 6:26

E agora mais uma vez a capa do álbum polemizava ao trazer a foto de um homem abraçado a uma mulher, beijando-a ao mesmo tempo em que a tatua. Assim como diversos outros trabalhos dos alemães, este também contou com uma versão alternativa pois o trabalho teve a venda recusada em alguns mercados (EUA à princípio).

A versão alternativa trazia apenas os integrantes da banda em uma foto preto e branco sem muitos atrativos e que na verdade ilustrava o interior da versão original.

Este foi o primeiro álbum dos SCORPIONS gravado nos estúdios Dierks, de propriedade do produtor de longa data Dieter Dierks, em Colônia na Alemanha.

Foi neste mesmo local, durante uma das gravações do Love at First Sting que os integrantes da banda preencheram uma solicitação oficial endereçada a Erich Honecker, autoridade máxima e líder da Alemanha Oriental (socialista), para a realização de alguns shows do outro lado do Muro de Berlim. Dieter Dierks enviaria a solicitação através dos precários meios diplomáticos cabíveis à época.

Tour:

Ainda em 1984 os SCORPIONS se tornam a primeira banda alemã de hard rock a se apresentar para cerca de 60 mil espectadores no Madison Square Garden de Nova York. Dando continuidade a esta turnê, os alemães de Hanover se mantiveram na estrada por cerca de dois anos estrelando (ou co-estrelando) as mais diversas apresentações em festivais de rock de todo o mundo, na era pós Woodstock.

Atingiam assim finalmente o status de super estrelas do rock!

A turnê já somava uma frota de motor-homes, ônibus leitos, helicópteros, jatos executivos e é claro limosines a estilo Las Vegas para entregar toda a mobilidade e conforto aos alemães do cenário internacional.

Foi durante estes anos que bandas como Bon Jovi, Metallica, Iron Maiden e Def Leppard, que posteriormente se tornariam monstros e lendas do gênero, atuavam como suporte nas apresentações dos SCORPIONS.

A apresentação mais memorável da banda se deu em San Bernadino Valley, California, para uma audiência de 325 mil pessoas! Mas este público seria superado muito em breve, em um local também muito conhecido, o qual veremos só no próximo capítulo…

Entretanto, a maior mágoa dos alemães (e principalmente Klaus Meine) neste período foi principalmente não terem sido atendidos no pedido para tocar na Alemanha Oriental. E ainda mais, a resposta do regime socialista para a petição fora extremamente enérgica citando que não seriam mais aceitas novas solicitações. A Guerra Fria mostrava sua faceta cruel aos SCORPIONS.

O Love at First Sting encerra 1984 como um dos álbuns de rock com maior sucesso na história do gênero.

Avaliação:

Atingindo o Olimpo do Rock! O Love at First Sting é considerado por muitos o melhor disco de todos os tempos dos SCORPIONS. Como ainda há muito por vir, o que se pode garantir é que com certeza ele se situa entre os melhores de todos os tempo da banda.

A predileção pessoal de cada fã pode fazer neste trabalho algumas diferenças.

De qualquer forma, é praticamente unânime que nesta obra se encontra a melhor balada romântica da banda: Still Loving You, um dos maiores singles de todo o repertório: Rock You Like a Hurricane além de serem suportadas por músicas extremamente bem trabalhadas, tanto em letra quanto melodia. O desempenho de todos também é visivelmente uniforme, sem maiores decréscimos.

Premiações:

A balada Still Loving You se tornou um hino internacional do rock. Só na França o single vendeu 1,7 milhões de cópias e liberou uma onda de histeria de tal forma que não se via desde o tempo dos Beatles. Consolidou assim uma marca registrada da banda, internacionalmente.

O single Still Loving You também rendeu alguns problemas à vida pessoal de Klaus Meine quando alguns expoentes da imprensa sensacionalista começaram a veicular infundadamente que a inspiração para a música seria uma antiga namorada (morando na Alemanha Oriental talvez ?), o que fez Gabi Meine – esposa do vocalista desde 1976 -esclarecer e desmentir publicamente a questão.

O Love at First Sting ganhou um disco de ouro e outros três de platina, além de ocupar a 6a. posição no 200 Chart da Billboard de 1984.

Já os singles Rock You Like a Hurricane e Still Loving You ficaram com a 25a. e 64a. posição, respectivamente, no top 200 da Billboard também de 1984. Já a balada romântica garantiu a 14a. posição na Alemanha e a 2a. na França. Big City Nigths por sua vez alcançou a 56a. posição nos charts do Reino Unido.

Em outros países, onde o grupo ainda não alcançara tanta exposição, o lançamento do Love at First Sting agia como um precursor para alavandar trabalhos anteriores e não menos atuais ou qualificados, como é o caso do álbum Blackout que novamente em 1984 retornou às paradas européias (com a 112a. posição) fazendo apenas crescer a febre que tomava conta dos quatro cantos do globo!

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 5 estrelas ( * * * * * )

Você JÁ ouviu e dançou: Still Loving You.

Ouça: Bad Boys Running Wild; Rock You Like a Hurricane; I’m Leaving You; Coming Home; Big City Nights; Still Loving You.

Colaboraram: Denis Fernandes, Mayra Scheidt, Patrick Villanuovo e Mariana Rodrigues.

[ ]’s

Julio.



Categories: Artistas, Curiosidades, Def Leppard, Discografias, Iron Maiden, MetallicA, Resenhas, Scorpions

21 replies

  1. Julio e Colaboradores,

    Excelente post neste consagrado álbum. Gostaria de adicionar a informação que Jimmy Bain (baixo) e Bobby Rondinelli (bateria) tocaram nas gravações do álbum, já que Bulcholz e Rarebell haviam sido botados para fora da banda, aparentemente por problemas de performance (drogas?). Existe uma versão pré-album contendo as demos do disco que credita os dois músicos descritos e, que pelo que sei na gravação final também participaram, embora não estejam creditados na capa do disco. Rarebell e Bulcholz foram perdoados, voltaram para banda na turnê e ficaram ainda por muito tempo no Scorpions. Se vocês tiverem a curiosidade de ouvir a versão demo (onde o vocal está bem baixo e os solos ainda não finalizados), me avisem.
    Sobre o disco, aí vai minha opinião: considero uma continuação em direção a um rock mais facilmente assimilável, principalmente voltado para o (grande) mercado americano, mas ainda com grandes destaques, como Bad Boys Running Wild, Rock You Like a Hurricane, Coming Home, Big City Nights e principalmente na linda balada Still Loving You. Das lado B, considero As soon as the good times roll outra ótima música. As outras músicas, mesmo com I´m leaving you sendo explorada até com video clip, considero um pouco fora do ponto, e não me empolgam em nada.
    Apesar deste ter ficado muito famoso, considero o anterior Blackout bem superior.
    Estou no aguardo das próximas novas, que nos incluem, não é mesmo?
    Abraços
    Flavio Remote

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  2. Eu também gosto bastante deste álbum, bem mais que o meu irmão Remote, por que gosto também de músicas como Crossfire e I’m leaving you , cujo clip foi sem dúvida o mais veiculado nas Tvs do Brasil na época, mais do que o de Rock you Like a Hurricane , e muito mais do que o de Still Lovin’ You ( praticamente não passou). Ainda assim, também prefiro o Blackout, mas é inquestionável que este é o álbum mais clássico do Scorpions.
    A questão que envolve a participação de Jimmy Bain e Bobby Rondinelli, embora talvez não confirmada oficialmente, é pura verdade. Rondinelli não tocou o álbum todo, mas participa de boa parte. Acredito que a participação de Jimmy Bain talvez ainda seja maior que a de Bobby.
    Em relação à turnê, o Bon Jovi sem dúvida foi um dos principais opening-acts do Scorpions, já o Metallica e Def Leppard abriram os shows dos alemães algumas vezes, principalmente em festivais.
    Acho que há uma pequena confusão envolvendo o Iron como opening-act do Scorpions : Isso aconteceu na turnê do Blackout, na perna americana, em meados de 1982, em 1984 eles já eram grandes demais para isso…
    Quanto a 1985, a ansiedade é grande, mas vou esperar para ler os detalhes no próximo post.
    Muito interessante a questão envolvendo o lado político e a negativa da possibilidade da banda tocar no lado oriental da Alemanha na ocasião, algo que gostei muito de ler por aqui, pois desconhecia totalmente. Lembro que novamente o Iron Maiden havia tocado no início da turnê do álbum Powerslave na Polônia, o que já era considerado um marco, visto as dificuldades do cenário político daquele momento.
    Parabéns ao Júlio e todos que o ajudaram neste ótimo post!!!

    Alexandre Bside

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    • Julio, parabéns por mais este excelente post. Estão com uma qualidade sensacional!

      B-Side, apenas atestando seu comentário sobre o Maiden, acredito que a partir de 1983 o Maiden já não abria mais shows. Deixo um link bastante interessante sobre as tours do Maiden: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Iron_Maiden_concert_tours

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

    • Foram perfeitos os seu comentário Bside e Remote. Quando estávamos fechando a versão final do post nos deparamos com a informação da não participação Rarebell e Bulcholz mas não julgamos como canônico.
      Após mencionarem, fiz uma breve pesquisa inicial pela net mesmo e já encontrei algumas referências, sacramentando o episódio.
      O mesmo vale para a referência ao Iron, essa até muito mais fácil de imaginar que não seria verdade para o ano de 1984.
      Faremos alguns ajustes neste post.
      Muito obrigado!!!
      [ ]’s

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  3. Julio (e amigos que ajudaram no texto), eu incluiria na seção “Você já ouviu e dançou” os hinos “Rock You Like a Hurricane” e “Big City Nights” que, atualmente, são músicas conhecidas por praticamente qualquer pessoa que aprecie rock, mesmo que totalmente leiga, no mundo!

    Excelente post e muito interessante os comentários históricos sobre a época (as duas Alemanhas) e toda a dificuldade. Parabéns a vocês!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  4. A observação do amigo Flavio Remote é correta, Hermann Rarebell e Francis Bucholzz, foram excluídos por tempo indetermindao por problemas de dependência química o que começava a afetar suas performances deixando-os abaixo do nível dos outros integrantes, como bons alemães, Klaus, Rudolf e Matthias foram duros o que serviu para o próprio bem dos caras, pois depois de algumas sessões em clínica de reabilitação para dependentes químicos, eles foram aceitos de volta e os convidados que asumiram seus postos, entenderam e gentilmente deixaram as sessões de gravação do disco contribuindo assim para o projeto não pausar.
    Anos mais tarde, Bucholzz mais uma vez aprontaria, em meados de 1993 o mesmo era responsável pela contabilidade da banda, e havia deixado de recolher os devídos impostos ao fisco alemão, graças à extraordinária vendagem de Crazy World a banda tinha muita grana em caixa e conseguiram sanar os prejuízos e ficarem sem pendências com o governo, sendo assim, após o escândalo, a banda passou a administrar suas finanças com manangers e escritórios de acompanhando de perto as movimentações, e como era de se esperar, despediram Bucholzz definitivamente do grupo.

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  5. Sou um grande fã dos Scorpions mas não gosto muito deste álbum, unicamente por causa de “Still Loving You” que eu considero uma das músicas mais chatas e insuportáveis do mundo, e eu acho que muitos pensam a mesma coisa. O álbum só é bom mesmo de “Bad Boys Running Wild” á “Crossfire”.

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  6. Na minha opinião, um álbum soberbo, perfeito! Captura como poucos a aura oitentista. Jabs chega ao auge da criatividade. Riffs precisos, melodias cativantes.
    Um disco daqueles que não se faz mais, infelizmente.

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