Discografia Scorpions – [CAPÍTULO 13]

{ Crazy World – álbum e tour: 1990 }

Um ano após a série de shows em Leningrado, as autoridades soviéticas – encorajadas pelo sucesso das apresentações – concedem permissão para um lendário evento: o Moscou Music Peace Festival.

Veremos nos próximos capítulos que os alemães de Hanover contavam com um distinto fã, o qual ajudou muito a viabilizar todas estas participações, porém, neste momento eles ainda não o sabiam…

Em 12 e 13 de agosto de 1989, dividindo o palco com diversos outros gigantes do hard e heavy rock, como por exemplo Bon Jovi, Motley Crüe, Skid Row, Ozzy Osbourne e a banda russa fenômeno à época Gorky Park, os SCORPIONS se apresentam na “capital vermelha”, especificamente no Lenin Stadium, em Moscou, para 260 mil entusiasmados soviéticos!!

Com a intenção de promover a paz mundial e a cooperação internacional na luta contra as drogas na União Soviética, o evento foi um marco mundial pois mostrou ao mundo (sendo transmitido ao vivo pela MTV) que a democracia estava marchando para dentro do território comunista…

Em setembro do mesmo ano, Klaus Meine usa o Festival como inspiração na composição de uma nova música… Wind of Change… Os SCORPIONS finalizam mais um trabalho de estúdio, publicando-o no mês seguinte.

E em novembro de 1989, logo após o release de Crazy World (Mundo Maluco) um evento inesperado acontece. A queda do Muro de Berlim!

Wind of Change se consagra pelo mundo inteiro como o hino à Glasnost e Perestroika, provendo a trilha sonora para a abertura da Cortina de Ferro, queda do Comunismo, à própria queda do Muro de Berlim e ao término da Guerra Fria!

Anos mais tarde, o presidente americano Ronald Reagan – famoso por seu discurso ácido no Portão de Brademburgo, Alemanha, quando incitou em 1988 que o líder soviético Mikhail Gorbachev deveria derrubar o Muro de Berlim – diria à imprensa que se naquele discurso estivessem tocando Wind of Change, o muro desabaria.

Este é o contexto de Crazy World.

Lineup:

Klaus Meine: Vocal

Matthias Jabs: Guitarra, backing vocal

Rudolph Schenker: Guitarra-base, backing vocal

Francis Buchholz: Baixo, backing vocal

Herman Rarebell: Bateria, percussão

Tracklist:

Faixa Título Compositor Duração
1 Tease Me Please Me Jabs, Meine, Rarebell* 4:44
2 Don’t Believe Her Meine, Rarebell, Schenker* 4:55
3 To Be With You in Heaven Meine, Schenker 4:48
4 Wind of Change Meine 5:10
5 Restless Nights Meine, Rarebell, Schenker* 5:44
6 Lust or Love Meine, Rarebell 4:22
7 Kicks After Six Buchholz, Meine, Rarebell* 3:49
8 Hit Between the Eyes Meine, Rarebell, Schenker* 4:33
9 Money and Fame Jabs, Rarebell 5:06
10 Crazy World Meine, Rarebell, Schenker* 5:08
11 Send Me an Angel Meine, Schenker 4:34

* com participação de Jim Vallance, nos teclados.

Como o resultado final do último trabalho, em Savage Amusement, não havia agradado muito, inclusive à própria banda, os SCORPIONS se separam de seu ‘sexto integrante’ Dieter Dierks, há longa data a cargo das produções de suas obras.

Para o Crazy World, decidem fazê-lo eles mesmos, apenas com alguma ajuda e consultoria do americano Keith Olsen, um dos mais bem sucedidos produtores da indústria fonográfica mundial. Os demos e gravações são todos realizados em Los Angeles, EUA.

Tour:

O álbum explodiu em vendas por todo o mercado mundial. Aproveitando o excelente momento, os SCORPIONS entram novamente na estrada para apresentações em todas as partes do globo, sendo sempre recebidos com muito carinho e audiência.

Nas palavras dos próprios integrantes, esta foi uma das turnês mais marcantes de toda a história da banda.

Durante o tour de Crazy World, em diversas ocasiões e principalmente em solo americano, a banda de heavy metal estadunidense Kingdom Come, também produzida por Keith Olsen, serviu de abertura para todos os shows dos SCORPIONS. Desde então, os alemães ficaram impressionados pelo estilo do baterista californiano James Kottak.

Em 21 de julho de 1990 os alemães se juntam a diversos outros convidados para o The Wall, de Roger Waters, em Berlim. O magnífico evento foi realizado na Potsdamer Platz, onde há uma seção original ainda intacta do famoso muro. Foi um momento célebre da história mundial e musical.

Mais algumas apresentações também na Alemanha neste mesmo ano possibilitaram a redenção do grupo e a concretização de velhos sonhos dos integrantes. Os amigos de longa data, a famosa ex-namorada de Klaus Meine, dentre outros, foram todos localizados e convidados (com honrarias) para estas apresentações nacionais.

Avaliação:

Novo estilo? Desde a publicação de Savage Amusement, os SCORPIONS perceberam que o resultado não havia sido bom. Maior prova é o rompimento com o produtor (e grande amigo) de longa data Dieter Dierks. Crazy World apresenta certamente um tipo de música diferente de Savage Amusement.

Um som mais pesado, não tão regrado, mas mesmo sendo heavy rock consegue manter a margem melódica que tanto os popularizou. Além disso, este trabalho contou com praticamente duas das melhores baladas da banda, em toda a sua história: Wind of Change e Send Me an Angel.

Melhor ainda para Keith Olsen, que chega em momento de pura ascensão.

Wind of Change dispensa maiores apresentações, entretanto, muitos passam desapercebidos por referências à cidade de Moscou na letra da música (talvez por sua melodia contagiante) portanto, procure se atentar:

I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change…

Moskva é o nome de um rio que corre por Moscou (a cidade e o rio possuem o mesmo nome, em russo) e Gorky Park é o nome de um tradicional parque de diversões, às margens do rio.

Premiações:

Crazy World alcançou a 21a. posição do Billboard 200 (América do Norte) e o primeiro lugar em diversos países, tais como Áustria, Alemanha, Noruega e Suécia. Já os singles Wind of Change e Send Me an Angel ficaram com a 4a. e 44a. posição na Billboard.

O trabalho também ganhou disco duplo de platina na Alemanha, Canadá, Estados Unidos e disco de prata no Reino Unido.

Hit Between the Eyes foi tocada nos créditos finais do filme Freejack (Freejack – Os Imortais) de 1992, com Mick Jagger, Rene Russo e Anthony Hopkins.

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 4 estrelas ( * * * * )

Você JÁ ouviu MUITO e dançou: Wind of Change; Send Me an Angel.

Ouça: Tease Me Please Me; Wind of Change; Send Me an Angel.

[ ]’s

Julio



Categorias:Artistas, Black Sabbath, Curiosidades, Discografias, Led Zeppelin, Letras, Mötley Crüe, Músicas, Pink Floyd, Resenhas, Scorpions

11 respostas

  1. Excelente Post, ótimas informações. Concordo em achar o album um avanço em relação ao anterior, mas a fase de ouro havia ido embora e nunca mais voltaria.
    As boas faixas são as citadas pelo Júlio,com um destaque absoluto para Wind of Change.
    Abraços
    Flavio Remote

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  2. Este é,sem dúvida , um álbum muito melhor que o anterior e talvez um dos melhores de inéditas desde o seu lançamento. Gosto bastante de Tease me, please me, das baladas recomendadas, e também de DOnt believe her e hit between the eyes. Mas certamente não está a altura dos anteriores da fase mais clássica .
    Como sempre, um ótimo post, aguardo a sequência

    Alexandre Bside

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  3. Mais um adendo , desta vez em relação ao Kingdom Come:A banda gravou alguns álbuns e fez um relativo sucesso, mas nunca conseguiu nada além de algumas músicas de certa repercussão. A influência é clara quando se lembra do Led Zeppelin, em especial o vocal. Vou dar a dica de um clip da época(com o Kottak),que gosto bastante, a música What Love Can be :

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  4. Julio, além dos comentários sempre certeiros da dupla dinâmica acima, gostaria apenas de ressaltar ainda mais o contexto histórico (novamente, com relação a banda e ao mundo em geral).

    Além disso, e não havia como ser diferente, seu destaque e toda explicação dada para Wind Of Change é mais do que necessária: trata-se simplesmente de uma das músicas mais conhecidas da história do rock, daquelas que TODOS conhecem, independente do apreço por rock ou metal. É a música que toca na Antena 1, na Alpha FM, na Kiss FM, nos nossos iPods, enfim, é uma música que qualquer geração canta e dança.

    Não há, portanto, como não destacar essa balada fundamental na carreira da banda e da música mundial.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  5. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  6. Crazy World é, na minha opinião, o melhor disco do Scorpions depois de Blackout (e não adianta o pessoal vir com aqueles mimimis sobre Love at First Sting pra cima de mim). Um retorno digno após a tentativa mal compreendida de voltar as origens de Lovedrive com o anterior, Savage Amusement.

    Só reafirmo que apesar de amar o Blackout e dizer constantemente que “Wind of Change” é a música mais emblemática da banda, Crazy World contém apenas um filler (enchimento): “Money and Fame” me parece uma sobra do Savage Amusement e eu acho que devia ter feito parte do álbum anterior. O restante do álbum (incluindo “Wind of Change”) forma, ao contrário do LAFS, um tracklist fácil de ser ouvido do começo ao fim, deixando a sensação de dever cumprido pela banda.

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