Discografia Van Halen – [CAPÍTULO 4]

{ Fair Warning – disco e turnê, 1981 }

O ritmo frenético de produção de material e novos álbuns se mantém, a ponto de que logo no início de 1981 o Van Halen já está novamente em estúdio para o lançamento de seu próximo trabalho: Fair Warning (aviso sincero, em tradução livre) vai às lojas em Abril de 1981.

Mas durante as gravações deste álbum, pela primeira vez o clima entre os integrantes da banda começou a esquentar. Desde o último trabalho (Women and Children First), Eddie vinha demonstrando a todos seu interesse por músicas mais sérias e complexas, justamente o oposto do estilo “festeiro” de Roth.

Anos mais tarde, Eddie revelaria ao mundo que durante o período de gravação do Fair Warning ele esteve profundamente envolvido com drogas (cocaína) e alcoolismo.

Lineup:

David Lee Roth: Vocal

Eddie Van Halen: Guitarra e backing vocal

Michael Anthony: Baixo e backing vocal

Alex Van Halen: Bateria

A capa do álbum apresenta detalhes da obra “The Maze” (o labirinto), do artista canadense William Kurelek, o qual retrata neste trabalho sua sofrida e tortuosa juventude.

Tracklist:

Faixa Título Compositor Duração
1 Mean Street Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 05:01
2 Dirty Movies Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 04:07
3 Sinner’s Swing! Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 03:10
4 Hear About It Later Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 04:35
5 Unchained Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 03:29
6 Push Comes to Shove Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 03:49
7 So This Is Love? Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 03:06
8 Sunday Afternoon in the Park Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 01:58
9 One Foot out the Door Anthony, Roth, VanHalen, VanHalen 01:58

Turnê:

A turnê Fair Warning foi realizada apenas em solo americano, de 12 de Maio a 25 de Outubro de 1981, dividida em quatro partes (legs).

Apesar da fraca participação do álbum em vendas, a turnê por apresentar sucessos dos trabalhos anteriores foi a mais rentável até então, com 79 dos 82 shows tendo ingressos completamente esgotados!

Nos últimos dois shows realizados em Orlando, na Flórida (Citrus Bowl), o Van Halen foi a banda de abertura para os Rolling Stones.

Avaliação:

Mediano! De todos os trabalhos iniciais do Van Halen, o Fair Warning muitas vezes é ignorado – talvez por parecer um trabalho diferente e principalmente por faltar qualquer música como pura e simples diversão, tais os sucessos dos três primeiros discos.

Não há dentre as faixas de Fair Warning sucessos comerciais, única exceção feita a Unchained e (em menor escala e apenas para alguns) Mean Street.

Em resposta ao estilo “festeiro” de Roth que Eddie tanto teimou em não aceitar desde o terceiro disco, este realmente é o primeiro álbum do Van Halen que não parece que estamos em uma fest ao ouví-lo.

Pode ser um reflexo da incansável agenda de trabalho da banda, somada à tensão crescente entre Eddie Van Halen e David Lee Roth que começava a aflorar… Mas independentemente da causa, o Fair Warning não soa tão bem como seus antecessores.

Não há dúvidas de que Eddie conseguiu fazer o que queria (contrariando Roth e o produtor Templeman), basta se atentar aos sons agitados, mudando ritmos, desde a batida de discoteca em Push Comes to Shove ao ritmo oscilante em So This Is Love?.

Apesar de presente, não há Dave e sua ladainha usual de meninas e bons tempos. Ele cospe e pragueja, arrogante, sem o seu jeito habitual, demonstrando-se cansado e contrariado.

Premiações:

O Fair Warning alcançou a quinta posição no chart da Billboard de 1981. Fato memorável se levarmos em consideração a falta de grandes e memoráveis hits neste trabalho (quando comparado aos anteriores). Uma possível explicação seria a inércia, já que a banda vinha de ótimos discos e exposição positiva crescente…

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 3 estrelas ( * * * )

Ouça: Mean Street; Unchained e So This Is Love?.

[ ]’s

Julio



Categorias:Artistas, Curiosidades, Discografias, Músicas, Resenhas, Rolling Stones, Van Halen

16 respostas

  1. Julião, bom ter você de volta com a discografia por aqui!

    Uma curiosidade adicional da capa deste disco: na parte da pichação, com um arame cobrindo-a, há janelas quebradas e, ao topo, o logo do Van Halen na era-Roth com um emboço na asa esquerda. Na parede há também uma frase da música de abertura, “Mean Street”.

    Olha, do ponto de vista técnico, eu já ouvi algumas músicas e, em minha opinião, não considero o álbum mediano: Eddie dá aqui um show à parte, está bastante “agressivo” do ponto de vista de seu instrumento. Eu gosto disso… 🙂 .

    Acho que é agora que a coisa vai “esquentar”, né? Certamente veremos, nos próximos capítulos, a atenção sendo dividida entre música e as polêmicas, brigas e problemas com álcool e drogas se manifestando cada vez mais na banda…

    Parabéns pelo texto e vamos que vamos!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Rolim,

      Excelentes observações sobre a capa do disco!

      Já em relação à avaliação do álbum, não era minha intenção conceituar a técnica do Eddie, aliás, tenho como verdade máxima de que ele é uma lenda viva por tudo o que criou, fez e poderia ainda fazer se desejasse. A técnica dele é inegável.

      Foi muito mais no sentido de que o disco simplesmente não é tão divertido quanto os VH I e VH II, exemplos clássicos do estilo deles – que já dava indícios de mudança – até então!

      Mas é isso aí, como diria o Andy Summers em português mesmo “Agora o bixo vai pegar”.

      [ ]’s
      Julio

      Curtir

      • Julio, fique bastante tranquilo, sei que você não quis dizer do trabalho / técnica de Eddie, mas sim o resultado final como um todo, como você bem explicou no post e agora neste comentário. Só disse que, só pelo trabalho dele, já vale… hehehe. Apenas isso!

        Aguardemos pela coisa esquentar de vez nos próximos capítulos – já estou ansioso!

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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  2. Que bom que a discografia do Van Halen reapareceu, estava sentindo falta dela …
    Imagino que a falta de tempo tenha contribuido para esse ligeiro sumiço, mas é bom ver que o novo capítulo é tão bem escrito quanto os anteriores.
    Em relação ao álbum, também não é dos meus favoritos e sem dúvida um dos que considero mais fracos da fase inicial da banda, provavelmente o mais fraco.
    A destacar, além das citadas para o iPod, um uso raro de slide nas guitarras de dirty movies , uma canção mediana, na minha opinião. Como boa música citaria sem dúvida Hear about it later, no nível das outras destacadas.
    E o final do disco é muito ruim, em especial pela instrumental Sunday Afternoon in the Park, totalmente deslocada no trabalho .
    O disco vendeu bem pela conquista do mercado americano que os trabalhos anteriores já haviam feito, mas o próximo álbum vai colocar o VH de volta às paradas, acredito.
    Mas isso é trabalho para o Julio, eu por aqui vou esperando…

    Alexandre Bside

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  3. E como é bom ler um texto de quem sabe … Eu que gosto muito desta fase inicial (Roth) aprendo cada vez mais nesta excelente discografia, parabéns Julio!
    Sobre o album eu considero no mesmo nivel do anterior – pouca coisa melhor ou pior, aí talvez são os detalhes do gosto de cada um.
    Eu gosto mais deste, principalmente pelos singles e Hear about it Later , também excelente. Com Mean Street que também é boa – já dá para salvar o album e vale a aquisição.
    Sobre a rixa Roth/Eddie – não dava para pedir seriedade ao vocalista mesmo, afinal acho que nunca vi o Dave Lee Roth sério na minha vida – Imgaino então a convivência a nivel profissional devia estar ficando dificil. É uma pena que essas coisas acontecem e nós acabamos nos prejudicando – como veriamos a seguir.
    Esperamos ansiosos o proximo capitulo
    Abraços
    FR

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  4. Julio,

    Adorei o capítulo, já estava com saudades da história dos Van Halen… rs

    Vou aproveitar pra comentar uma curiosidade: em “Unchained”, aqui no Fair Warning, a voz que em certo ponto diz “Come on Dave, gimme a break!” é de Ted Templeman, o produtor dos seis primeiros discos do VH. Neste trecho, como é bem conhecido, David Lee Roth responde a Templeman com “One break, coming up!”

    To ansiosa pelo que vai vir… aí sim vai começar o período Van Halen… hahaha

    Mayra

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  5. Olha; sinceramente; dizer que esse álbum é mediano, é no mínimo ofensivo. Ele vendeu 18.000.000 de cópias no mundo e é considerado por muitos especialistas, o melhor álbum da Banda, ao lado de 1984. Eddie usou uma métrica totalmente diferenciada nas composições e evitou o comercialismo musical que vinha abastecendo os álbuns anteriores. Os Especialistas são unânimes em dizer que Diver Down foi o pior álbum da primeira fase. Na minha humilde opinião, Fair Warning é o album mais maduro da Banda. Não ouçam So this is Love?. Ouçam Mean Street, Unchained, Her about later e pra pirar, o solo de out foot on the door.

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    • Olá, Marco. Primeiramente, seja bem-vindo ao Minuto HM. Obrigado pelo comentário.

      Acho que aqui ninguém considera o disco “mediano” no sentido de vendas ou mesmo de composição, ainda que a fase inicial do VH seja tão excelente que, em comparação direta com os outros, talvez a galera o considere um degrau abaixo, ainda que concorde com você que não é nenhum absurdo apontá-lo como você bem mencionou. E também longe de ser questionado, como o próprio Julio colocou, o talento e o material trazido por Eddie e CIA – aliás, isso é impossível!

      Continue participando por aqui!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Curtir

    • Marco,

      Agradeço o seu comentário, o Minuto HM nasceu justamente para compartilhar os mais variados e maravilhosos aspectos do rock, sejam eles conhecidos, não conhecidos, comerciais, não comerciais e até mesmo divergentes (pq não?)!

      A técnica e desenvoltura de Eddie Van Halen é algo inquestionável, concordo em gênero, número e grau com você.

      Quando disse que o álbum foi mediano quis dizer que para uma banda que vinha em uma toada crescente, este foi um ponto fora da curva. Por exemplo, todas as justificativas contrárias ao conceito de mediano para este disco se baseiam em Eddie. Mas apesar de levar o nome Van Halen, trata-se de uma banda, vários integrantes… Nesta empreitada ele dobrou Dave à força, fez tudo o que queria… Isso trará implicações sérias, como veremos mais à frente.

      E por sinal estou em débito com o blog pois não dei continuidade ao trabalho iniciado, e isto está em vias de continuar.

      Mais uma vez agradeço e continue nos acompanhando, como geralmente mencionamos, aqui no Minuto HM muitas vezes os comentários são melhores do que os posts!

      [ ]’s
      Julio

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      • Julio, comentário fantástico sobre o tema do post / comentário e também sobre o Minuto HM, o blog realmente proporciona estas saudáveis e discussões que tanto agregam, fazendo todos nós aprendermos e até mesmo nos questionarmos sempre, que é o grande barato de um espaço educado e “conhecedor” como este.

        Agora, a melhor notícia é mesmo a continuidade da discografia, que está fazendo uma falta tremenda por aqui – inclusive dos leitores que acompanharam desde o início o ótimo trabalho.

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

        Curtir

  6. Eu acho que a fase VH com Lee Roth é de uma forma geral, de um nível quase estratosférico, mas sou mais um a concordar que talvez esse trabalho não se compare a pelo menos três pérolas : 1984, VH1 e VH2, na minha humilde opinião, nesta ordem específica. Os demais trabalhos dessa fase são ótimos , mas ficam abaixo desses três. E aí incluo o Fair Warning. Hear about it later, com seu fanstástico backing, é a que mais me agrada. O DIver Down tem como principal fator contra, a questão de talvez excesso de covers, mas há pelo menos uma faixa ( fora as covers ) que considero sensacional : Little Guitars
    E o Women and Children First tem mais ou menos a mesma consistencia deste Fair Warning, mas há também uma faixa menos cotada que me agrada demais , justamente a última, In a Simple Rhyme.
    Bem, isso tudo acima é minha restrita opinião, mas o mais legal do blog é o respeito às opiniões de todos, e assim é ótimo ter a análise do Marco Túlio.
    Inclusive concordo inteiramente em relação à perfomance de Eddie no álbum, mas na verdade como sou um fã da inventividade do guitarrista, considero que não há ponto fraco no trabalho de Eddie durante seus anos de banda , se resolvermos nos ater a questão da guitarra ,todos os álbuns são de cair o queixo, fato que podemos ver inclusive hoje, no novo álbum. Talvez a coisa tenha desandado um pouco no VH III, e olhe lá …
    Por fim, mas de forma alguma menos importante : Julio, estamos aguardando a continuação dessa brilhante discografia!!

    Alexandre

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